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História Small Doses - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Explosive Sentences


Fanfic / Fanfiction Small Doses - Capítulo 4 - Explosive Sentences

Era abafado.

Sentiu o impacto dos movimentos de resistência da vítima afetarem seu corpo mesmo que não recebesse golpes diretamente. Identificou olhos avermelhados quando não teve força suficiente para aprisioná-lo nos antebraços e aplicar um único pressionar afiado no pescoço. Olhava para si com fúria, como se pudesse enxergar perfeitamente sua face por sob o capuz e a gole alta, e prestes a avançar com o intuito de revidar seu ataque, em um só passe o cenário era trocado.

O que você fez? – Conhecia aquela voz desde muito tempo, e eram poucas as situações em que ela soava daquele modo tão decepcionado e ressentido.

Procurou-a furiosamente, por todos os lados do breu que abrangia o pesadelo tão real que a contornava, os olhos verdes em um ardor de lágrimas perdidas.

Vovó?

Por que há tanto sangue em suas mãos? – A voz voltou a reproduzir, dessa vez mais agoniada e entrecortada. Não fora um impulso seu, mas seus olhos baixaram até que observasse suas mãos cobertas de sangue, Lauren resfolegou e apertou os punhos manchados, sentindo o peito arder e a garganta secar como se puxasse todas as explicações compassivas para se dar àquela condição. — O que você fez, Lauren?

Era costume que sonhos fulminantes como aquele viessem a refletir em sua realidade, sempre era algo forte e que arrancava a paz de quando dormia. A texana que dormia em um estado antagônico não deixara de ser afetada pela inquietude do pesadelo de Lauren, abriu as pálpebras lentamente e um embaçar que não impedia de expor os movimentos que a californiana fazia espelhando a aflição que sentia.

Soltava alguns murmúrios de negação a algo que para Camila parecia incompreensível, assistia meio grogue a silhueta de Lauren deitada no sofá de janela se remexer constantemente, até que em um supetão imediato ela sentou despertando assustada com a situação, o peito a subir e descer desesperado e os olhos vagando pelo cômodo, fez a texana fechar rapidamente as pálpebras para que não fosse pega assistindo-a e fosse tachada como inconveniente, ouviu os ruídos pesados da californiana se levantando e quase correndo para o banheiro, reabriu os olhos a tempo de assisti-la se curvar diante do vaso sanitário e vomitar no mesmo.

Sentiu-se a ponto de repetir o ato de levantar e ir ao seu encontro oferecer qualquer ajuda que poderia de algum modo exceder. No entanto, não foi tempo suficiente para que o fizesse, Lauren se sentou no chão gelado em busca de fôlego, e com a cabeça reclinada para trás, seus olhos e boca tremeram no início de um choro que vinha sem seu consentimento.

Camila percebeu, então, que aquele era íntimo da californiana, um matiz profundo o qual não tinha direito ou poder de conhecer no instante, mas não deixava de pensar que aquelas situações se repetiam por uma outra vez, acordar e presenciar algo ínfimo de Lauren.

Dentro do recinto de banho, a californiana se recuperava rapidamente de uma encurtada recaída e se erguia em um ruído sôfrego escapando de sua boca, um palpitar ardiloso no abdômen fez Lauren buscar apoio no mármore da pia e levantar a blusa de seda que lhe vestia, desfez as entrelaças da gaze em uma observação cautelosa vinda de olhos castanhos à distância, moveu o mirar para o espelho e não conteve uma ruga de aparecer em sua testa ao periciar o local avermelhado com alguns indícios de roxo ao contorno.

O toque do celular de Lauren, descansado na mesa de canto, fez Camila agarrar novamente a sonolência, abandonou a silhueta da californiana de seu olhar e se movimentou minuciosa para virar-se ao outro lado e deixou-se levar com a sucinta aflição a incomodando sobre a mulher, que agora caminhava em função de tomar o aparelho.

Foi até o aparelho que emitia o toque de ligação e o capturou, voltando a se dirigir ao banheiro para que não incomodasse a mulher que dormia em sua cama.

— Troye.

Ei, acabei de terminar um plantão, o que houve? Parecia um pouco desesperada quando me mandou mensagem. – O homem citou.

— Pode vir aqui agora? Tenho um ferimento à bala e acho que pode estar em um início de inflamação. – Foi direta em solicitar gentilmente o atendimento do médico enquanto observava seu reflexo no espelho da pia.

Sim, claro. Por Deus, Lauren, por que não me deixou tratar disso logo? Sabe o quanto pode ser perigoso ficar com uma bala em seu corpo? – Troye não deixou de adverti-la pela atitude, a californiana fez uma careta ao mesmo compasso que ouvia o médico e tentava limpar o local sem que lhe trouxesse desconforto.

— O fragmento saiu, não pensei que se tornaria algo tão doloroso ao ponto de necessitar de seu atendimento. – Explicou o porquê de ter se mantido calma sobre a situação com seu corpo, na verdade, eram constantes as ocasiões em que não havia tanta preocupação com sua própria saúde, o homem suspirou ao se dar conta.

Tudo bem, estou aí em alguns minutos. – Avisou como desfecho da chamada.

Lauren abandonou o recinto de banho e se dirigiu a sala de baixo para a espera de Troye, dando apenas uma rápida olhadela em Camila. Poucos minutos depois, via o médico ainda pouco eletrizado pela correria de seu plantão recém-terminado, a californiana o acompanhou para a sala, voltando a ocupar seu espaço no sofá à espera do homem vir ao encontro.

— Há quanto tempo está com isso? – Perguntou em busca de informações que viessem a ajudá-lo medicinalmente, sendo assistido por Lauren quando remexeu na mochila que trouxera.

— Desde domingo. – Respondeu conforme relembrou o que ocorrera naquele dia, lembrava-se que a arma de Kennedy aparentava ser apropriada para atingir grandes distâncias, e, contudo, sua própria distância corporal era beneficente para que o projétil a atravessasse a cintura. Recebeu um olhar silencioso e repreensor de Troye, que se aproximou e pediu para que erguesse parte de sua camisa para começar a exercer o atendimento.

Como Lauren havia suposto, não havia uma demanda tão severa a se tratar ali, decerto teria que manejar um cuidado delicado com o machucado, mas Troye a deixara bem informada de que em poucos dias estaria apenas com uma cicatriz marcando sua na pele como uma boa representação de flashes, mais uma para adernar sua pele eternamente.

— É interessante que comece a se importar consigo mesma. Seja um pouco egoísta e cuide-se melhor, Lauren. – Proferiu um aviso amigo quando já estava de saída e segurava na porta, a californiana o olhou longamente procurando algum resquício de brincadeira, mas apenas encontrou o matiz que a íris azul e a voz verídica que o homem entonava, assentiu e não sustentou mais seu olhar no dele.

Quando seus dedos moveram a chave no ferrolho, Lauren não demorou a voltar para seu quarto, checou o celular apenas por hábito e mergulhou facilmente em uma sonolência calma dessa vez. Mais tarde, quem fazia o contrário de sua ação era Camila, que acordava quase exatamente no horário do dia anterior àquele, recordou-se vividamente do que havia presenciado no meio da noite quando observou o sofá amassado onde a californiana descansava.

Desceu para o andar inferior, sendo recepcionada meigamente por Aurora, que parecia em um ótimo humor matinal, mesmo contrariando as tossidas que incomodavam sua garganta e peito vez ou outra.

— Lauren me ligou há alguns minutos, disse que você terá visitas em breve. – A idosa comentou enquanto via Camila se mover com a panela de água a ferver para despejá-la em sua xícara, buscou rapidamente os olhos de Aurora ao raciocinar quem seriam aqueles que viriam a seu encontro.

— Ela especificou quem eram? – Indagou em baixo tom apesar de suas expectativas falarem alto.

— Não, não... Ela parecia ocupada, só disse isso.

Então as próximas horas foram barulhentas em sua mente cheia de ansiedade, Camila mal podia se conter a ficar animada em rever aquela que havia lhe ajudado a escapar. Perto do final do meio dia, quando terminava de vestir seu corpo com mais um par de roupas de Lauren após o banho - o que começava a se tornar um transtorno por pensar profundamente que poderia se tornar algo que aborrecia a californiana -, foi colocada a receber duas presenças esperadas por si.

— Amélia... – Foi inevitável que corresse aos braços receptivos quando seus olhos encontraram aquela silhueta que pertencia a pessoa mais gentil que havia preenchido seus últimos ardilosos anos. O aperto de seu abraço era mútuo na mesma intensidade que Amélia aplicava em torno da texana.

— Camila, minha querida... – Tocava os cabelos da texana em carinho pela mesma, enquanto sentia Camila se derreter em gratidão nos seus braços e se voltar a olhá-la diretamente e ser recepcionada por uma vistoria que analisava as expressões. — Está saudável? Tem sido tratada bem?

— Sim, sim... Estou cada vez melhor e bem corporalmente. – Confirmou sem relutâncias sobre o breve tratamento que veio a receber desde que chegara àquela residência. Amélia a puxou delicadamente com a palma para que a acompanhasse para se sentar na beira da cama.

Não podia evitar seus olhos a arderem levemente em lágrimas alegres, ambas a carregavam nos olhos, era inevitável, mas Amélia fez questão de afastar as de Camila com os dedos, estava cansada de ver aqueles olhos tão bonitos derramarem lágrimas. William apenas as analisava, esperando pacientemente para que pudesse falar com a texana também.

— Sabe que precisamos falar sobre sua estadia aqui, certo? – Deu partida no que tinha a tratar com Camila mais seriamente, o tempo que tinham a ficar ali trocando uma conversa amigável era razoável, decerto, mas não podiam deixar de proceder o que era mais imediato. — Lauren... acho que esse é o nome dela... disse que poderia buscar outra forma de te ajudar caso não quisesse ficar por aqui, ela falou com você sobre isso?

— Ontem... – Camila assentiu para a dúvida da mulher. — Ela...conversou comigo sobre isso, eu disse que tudo bem... é tudo que tenho a meu dispor por agora, não é? – Não queria soar ingrata, porque realmente se sentia em um estado incomparável de gratidão como nunca na vida, toda aquela ajuda que recebia era tão extraordinariamente inacreditável que naquela manhã não se conteve a beliscar levemente sua pele.

— E você se sente verdadeiramente bem com isso? Podemos deixá-la mais ambientada em um outro lugar se preferir... – Ansiou por mais afirmações complexas, não suportaria ir embora sabendo que Camila estaria num ambiente desconfortável para si, nutria por ela um puro sentimento de afeto.

— Está tudo mais do que bem, realmente. Em único dia aqui, percebi que Aurora e Lauren parecem ser boas suficientes para me manterem aqui até o necessário. – Transparecia as expressões que havia capturado no tempo curtíssimo de um único dia, e esperava ansiosamente que aquela veracidade permanecesse firme até o seu último dia ali.

Lauren é uma mulher leal com o que fala, mãe. Camila está mais que salva aqui. – William se pronunciou por uma primeira vez desde que chegaram, sendo acompanhado por ambos os olhares femininos, inclusive pelo qual acabava de adentrar o cômodo, repousar a maleta de ombro sobre uma poltrona e viajar o olhar pelas pessoas as quais estavam em seu quarto. — Ei, Lauren, deixe-as conversar por um instante, temos nossos próprios assuntos.

Deixou-se nortear pela voz conhecida de William recostado perto do sofá de janela, observou que se moveu para fora do quarto e o acompanhou para afora até estarem no cômodo do piano, sentados ambos no extenso sofá.

— Viaja hoje para o Canadá? – Lauren indagou encarando o homem, que assentiu rapidamente.

— Tinha que falar com você pessoalmente antes de ir, possuo algumas informações que precisará para ajudar Camila com toda a situação. – Iniciou a conversa. Havia lhe avisado por mensagem que tinham pendências a falar antes de partir definitivamente.

— Vá em frente, estou escutando. – Remexeu-se em seu lugar, pronta para ouvir as instruções do homem.

— Para ajudar ela terá que esperar eu lhe ligar para informar que tudo está seguro para sair do estado, ainda há mais membros à solta do que desejávamos. – Era conhecedor de poucas informações sobre Camila assim como Lauren, sabia o que sabia por sua mãe lhe ter fornecido.

— Pode me falar de onde ela é? – Pediu em função de saber um pouco mais, também queria que William a deixasse consciente de algum perigo que a texana podia representar, não abandonara a cautela que devia aplicar com relação a Camila, talvez fosse coerente seguir o conselho de Letitia.

— Mãe disse que ela veio de Cuba, depois passou pelo México e se estabeleceu no Texas, em especificidade na Ilha de Galveston. – Novamente só sabia de parte porque sua mãe havia cedido tal. Lauren acenou com a cabeça.

Acha que os familiares dela têm noção de algo que aconteceu com ela? Desde que ela chegou penso nisso... será se sabem de tudo e ainda a esperam...? – Não conseguiu conter de expor o que pensara em profundidade quando acordara pela manhã para se ajeitar a trabalho e observou intensamente a mulher descansada em sua cama. William não impediu o próprio movimento agitado ao pensar em hipóteses que seriam fatídicas para Camila.

— Teremos que confiar em alguma probabilidade insana de que quando ela voltar ao Texas terá ao menos a mãe. – William instruiu, não era sua intenção soar como ignorante às poucas alternativas que a texana possuía, mas tinha que ser realista com o que podia ou não acontecer.

Foi ali quando duas figuras surgiram em passos compassados, Aurora logo atrás segurando algo nas mãos.

— Disse que também tinha coisas a falar com ela, Will, aqui está. – Amélia avisou o filho enquanto caminhava com Camila ao seu lado.

— Ah, sim, claro. – Concordou levantando do sofá e se dirigindo a sua mãe. — Mãe, essa é Lauren Jauregui. Ela quem vai ajudar com tudo. – Apresentou a californiana para a mulher em pé.

— Amélia Poulter, é um prazer te conhecer finalmente, obrigada pelo que está fazendo, Will falou que é uma mulher confiável e inteiramente boa, espero que seja realmente. – A mulher estendeu a mão em um cumprimento amigável para que se afeiçoassem, Lauren apertou firme.

— Fique calma em relação a isso, tudo estará resolvido o quanto antes. – Manteve-se decidida no que falava e o que transparecia com a pressão de sua palma sobre a da mais velha.

Observou sua avó erguer minimante uma bandeja sobre suas mãos e oferecer biscoitos para que se servissem enquanto conversavam entre si, não deixou de sorrir para sua gentileza sempre contínua, deixou os três à própria companhia e acompanhou a idosa mais para o andar inferior em busca de se alimentar.

Foram cerca de vinte minutos depois, Camila se despedia calorosamente da mulher a qual ajudou em sua fuga e gravava fixamente em sua cabeça as palavras que William havia lhe proferido no desfecho de sua conversa, quando já sabia seu nome e tinha compenetração verdadeira em seus olhos: "Prometo trabalhar todos os dias para que aqueles desgraçados nunca mais façam nada parecido com o que fizeram com você."

Lauren também emitiu despedidas cordiais a William, agradeceu-o sobretudo e esperou que a texana enfim desse um adeus provavelmente definitivo antes de fechar a porta de entrada da residência.

A partir dali, seus próximos tempos dependeriam da segurança que Lauren tinha a dispor.

* Ao passar de uma semana vejo-a bem, estável e com um brilho perceptível a tocar sua pele e olhos, o tom pálido do início está quase a sumir, é algo bom, pois antes de ontem ouvi indiretamente que sentia falta de sua pele bronzeada e latina, por algumas vezes vovó a leva para tomar um pouco de sol pelo nascer da manhã.

Não pergunta sobre a demora de William com as afirmações que precisamos para dar passos em sua volta, parece paciente ao extremo apesar de seus olhos se encherem de esperança cada vez que nos olhos diretamente e conversamos minimamente, espero que logo esteja em casa, ela merece e necessita. *

Era o compasso de sete dias que anotava como um hábito constante que tomava parte do tempo livre de Lauren, preenchia a folha branca e livre posterior a qual havia tomada na madrugada daquele dia. Aproveitava-se do dom que Camila tinha em tocar o instrumento daquele cômodo para que lhe cedesse uma concentração e conforto inabalável.

* A metade de minhas vítimas já estão excedidas, é algo bom..? Mark disse que só voltaria contato no desfecho do mês, não gosto de lembrar dos últimos dias desse mês, é ardiloso. *

Ficava pasma de instante em instante quando percebia que seus olhos lhe implicava uma travessura quando a colocava a mirar fixamente a silhueta de costas para si, aquela a tocar o piano dentro de uma convenção árdua demais para que não merece alguém para assistir atentamente.

Voltava os olhos a caneta entre seus dedos e o caderno grosso em sua palma, porém os ouvidos continuavam embelezados com a melodia e não deixavam mais nada adentrar a mente senão a sensação confortante que sentia, beirou a reconhecer uma melodia quando Camila se empenhou a reproduzi-la em função das ondas fortes de recordações que a palpitavam, uma ótima forma sua de afastar outros pensamentos cintilantes, pensar no que gostava.

— Posso reconhecer esse toque, é da franquia crepúsculo, não é? – Não necessitou se erguer para que se aproximasse e fosse ouvida, Camila pairou os movimentos habilidosos de seus dedos, verdadeiramente surpresa com a repentina de Lauren em entonar uma fala para se dirigir a si.

Nos dias que formulavam uma semana não deixou de notar que Lauren Jauregui aparentava uma mulher severamente reservada com o que proferia, falava somente quando se fazia necessário ou quando precisava recitar algo com Aurora, parecia também solitária quando notou a falta de alianças na mão esquerda ou na direita, eram as mais ocasionais a apontar qualquer compromisso sério.

— Estava relembrando quando passava o dia ansiosa para assistir com minha amiga. – Respondeu visando sanar alguma dúvida de Lauren, no entanto, a californiana permanecia com muito a questionar a Camila. — Não gosta? Devo parar?

— O quê? Não... é muito bonito e idêntico ao original. – Disse quando notou que o curto período sem falar havia feito Camila tomar uma proporção duvidosa sobre estar incômodo, apenas se deixava em um silêncio de apreciativa com o quão bem a texana podia reproduzir.

— Assistia também? Quando era mais nova... – Investiu interessada em ter mais de Lauren, uma conversa mais duradoura e instigante.

— Sim, bastante. Na verdade, eu sempre apreciava um romance quando podia, seja entre linhas ou cinematográficos. – Retrucou uma resposta que mergulhava em mais de si, Camila abandonou a ideia de se surpreender, realmente não conhecia nada daquela mulher e tomava o que acabara de falar como um sobressalto a suas expectativas.

— Romances, uh? Não parece ser do tipo de mulher que os admira. – Olhava-a sobre o ombro desde que ouvira proferir a última sentença, agora recebendo a recíproca no tal.

— Hoje eu posso cogitar condená-los, a maioria deles tratavam algo abusivo como apaixonante, e é até estressante saber que ainda produzem enredos desse tipo e contaminam pessoas. Mas não entendo o que diz... por que não pareço ser mulher de romances? – Condenava aquele gênero de entretimento por também deixá-la cega em um momento da vida, tirando sua visão real por tanto que a matou em certa particularidade. Sua conduta crítica se expôs momentaneamente antes de pronunciar uma pergunta em partes confusas, fazendo Camila desviar.

Foi apenas um esteriótipo. – Justificou rapidamente, voltando-se ao instrumento e ignorando a sensação de proximidade que sentia vinda de Lauren. Havia aplicado um esteriótipo com a base do que seus captaram nos dias em que a observara longamente sem ser flagrada.

Chegou ao seu lado, e encarou a texana por um instante antes de mover a própria palma para tocar nas teclas de lateral do piano e produzir algo mais grave do que Camila reproduzia anteriormente, sendo assistida pela mesma, mas não retribuindo sua olhadela por estar concentrada demais em tocar da maneira certa por um curto momento.

— Gostaria de assistir novamente? Comigo? – Referiu-se sobre o filme de uma longa franquia, olhando-a do mesmo modo que era observada, não deixou de aceitar a sugestão de ter sua companhia.

Aurora se juntava momentaneamente às mais jovens para se atentar ao filme, mas logo as deixava com alguns retruques de haviam coisas a se fazer e não podia desperdiçar o sol que dava as caras em uma raridade em meio às tantas nuvens que carregavam torrenciais.

Talvez considerasse aquela situação incomum, pois já eram exatamente três filmes em sequência e podia afirmar facilmente que poderia ver mais o resto da franquia de romance e fantasia à companhia silenciosa da mulher a pouca distância de si, eram quase nulos os comentários que emitia nas horas as quais se passavam.

Quando retornou de um retiro breve que fizera, tinha o olhar de Camila em si por trazer algo em suas mãos Precisava repor a costura em seu sobretudo, mais precisamente onde havia sido baleada há pouco mais de uma semana.

— Crescer com uma costureira tem suas vantagens. – Citou dispersa ao perceber que a texana parecia realmente curiosa sobre si a segurar entre os dedos uma agulha que puxava um fio do tubo descansado no estofado.

Desvendou com mais uma semana e alguns dias de estadia que a família de Lauren era extensa, recolhia-se no quarto da mesma pelo motivo de sentir-se desconfortável com tantos olhos estranhos a lhe rondar, apesar de Aurora sempre reafirmar que eram todos confiáveis e sem perigos eminentes.

A presença da californiana voltava a ter ausência constante em muitas horas, parecia ter coisas a fazer e saia cedo da noite quando acordava do descanso da tarde, quando trocavam alguma palavra necessária Camila se empenhava em buscar qualquer resquício que revelasse o motivo de tanto peso que carregava nos ombros, mas só captava extremo cansaço e aflição interna.

Parecia entorpecida em suas próprias profundezas.

Aurora era afetada com tal, a texana percebia também enquanto caminhavam pela vizinhança logo pela manhã para que Camila tomasse um pouco de sol, mas naquela manhã parecia quieta demais.

— Sente-se bem, Aurora? – Camila indagou quando ouviu mais um suspiro vindo da mais velha, que se manteve a caminhar lentamente ao seu lado. — Percebo que tem estado dessa maneira... pensativa e desanimada. – Afirmou em aflição. Em duas semanas "morando" naquela residência, não havia presenciado um estado tão melancólico vindo da mais velha, seria então algo de provável importância para que a deixasse daquela maneira.

— Eu não sei, querida... Lauren pouco fica em casa e tem estado mais enevoada que o normal... Fico tão triste com isso, entende? Penso que deve ter alguma relação com a proximidade do aniversário. – Gostaria de ter alguém para soltar as inquietações acerca sua neta, não era desde de sempre tão difícil conversar com a mesma, mas Aurora sabia que as circunstancias fizeram-na daquele modo. — Amanhã será aniversario de morte dos pais dela... são exatos vinte e um anos.

Camila moveu freneticamente os olhos, como não poderia ter pensado em tal? Quando Aurora citara sobre os pais da mesma logo quando chegara, não pensou complexamente o bastante para que fosse a fundo.

— Oh meu Deus... – Sussurrou desconexa com a informação, olhando para o verde da grama sob seus pés, logo lembrou de algo que poderia ter relação com o que acabara de ouvir. — Eu... eu não sei se isso possui qualquer ligação, deveria ter falado a você... Houve uma noite que acordei e vi Lauren tendo algo como um pesadelo, ela foi ao banheiro e vomitou um pouco, não parecia bem... e depois lembro de vê-la quase chorar, achei que era coisa particular, não a ajudei... – A texana falou sobre o que tinha visto e a intrigado por alguns dias, depois simplesmente decidiu esquecer por achar que não era algo que deveria se importar.

— Já a vi desse modo também, por muitas vezes, acho que oferecer ajuda não traria tanta diferença... Lauren é uma mulher difícil, há momentos em que simplesmente acho que não existe maneira de lidar com ela, mas não deixo de me preocupar com a tensão que ela sente desde dois anos e meio atrás. – Tinha uma data em específico para o início do comportamento de Lauren, Aurora se recordava desta vividamente. Camila parecia querer compreender não por curiosidade, sim por talvez dispor algum auxílio.

— Tem algo que eu possa fazer para talvez ajudar? – Interrogou com o objetivo de ser qualquer mínima ajuda, os olhos franzindo com a claridade do sol que começava a aumentar.

— Não, querida, sinto muito... Pela tarde vou tentar uma conversa com ela, essa situação se esclarece hoje. – Informou determinada a resolver a controvérsia com sua neta.

Camila traçou sua rotina assim como fazia rotineiramente naquelas duas semanas junto a Aurora. Observou Lauren chegar por volta das 1:30pm, parecia mais neutra que o habitual, pois ouviu ela emitir que não sentia fome e não queria se alimentar.

Era um daqueles meses o qual se sentia sobrecarregada com suas tarefas, mas parecia que uma intensidade estava reinando entre sua mente fazendo-a querer se isolar como se fosse suficiente para sua mente se acalmasse. Lauren estava deitada no sofá da sala do piano, o antebraço sobre os olhos, altos suspiros escapando por seus lábios e pensamentos turbulentos atacando sua mente, sequer ouviu os passos calmos e característicos de sua avó.

A mais velha se sentou ao lado de seu corpo estirado preguiçosamente, não disse nenhuma palavra, apenas observou a postura de sua neta, que enfim notava sua presença e vinha a mover o braço dos olhos.

— O que há? Precisa de alguma coisa? – Questionou focando os verdes na figura invertida para si, já que a mesma se sentava ao lado de sua cabeça. A idosa resfolegou e se fixou.

— Sim, preciso, sim. Quero que fale comigo sobre seu comportamento de ultimamente. – Foi direta em seu tom que abrangia tanta seriedade que Lauren beirava a estranhá-lo quando o ouvia, mas não deixou de bufar e recobrir os olhos quando percebeu o que a mulher tratava.

— Não existem motivos para uma conversa sobre isso. – Avisou seriamente.

— Lauren, olhe para mim. – Aurora exigiu se remexendo em seu lugar. Vendo sua neta fumegar em incontentamento e acatar ao que pedira, ergueu-se para ficasse sentada frente a sua avó.

— O quê?

— Não vê que me importo com você? Por que está desse modo, Lauren? Fale comigo, por favor... – Pedia impetuosamente a sua neta, que a observava já no seu pior estado de humor.

— Vó, já disse que não precisa se preocupar comigo, eu cresci e sou adulta agora. – Proferiu ácida em seu tom, o cenho franzido um pouco irritada.

— Então por que não está agindo como uma e sim como uma criança birrenta? – Provocou verdadeira em suas palavras. — Você... você sai tarde da noite sem deixar qualquer aviso para onde vai e se vai voltar... Acha que isso não me desperta uma ânsia ruim? Está assim por causa de amanhã? Pelo aniversário de morte...

— Não é por isso! Não é por nada, vó! – Exclamou estupefata, sentindo os olhos arderem por algum motivo. — Eu não preciso que se preocupe comigo, certo?

— Como pode me dizer isso, Lauren? Eu te criei não só como minha neta, mas sim como minha própria filha, como espera que não me preocupe com você? – Buscou entender o comportamento das palavras da neta, tentando se aproximar.

— Só me deixa com as minhas merdas, isso que eu carrego não merece sua precaução. – Afastou-se assim que terminou, seguindo para o próprio quarto mesmo ouvindo os chamamentos insistentes de Aurora.

Fechou a porta do quarto quase num estrondo, movendo a visão rapidamente ao compasso que sentia suas têmporas palpitarem de dor e os olhos quase a ceder ao que se acumulava. Captou a figura de Camila saindo do banheiro enquanto passava os dedos entre as mechas de cabelo úmidos.

Esperou até que se distanciasse do mesmo e caminhou rapidamente ao banheiro, sendo vistoriada pelos olhos da texana em cada passo.

— Ei, está tudo bem? – Perguntou num pico de cautela. A californiana se esgueirou lentamente para olhá-la. — Aurora parecia preocupada com você mais cedo, eu... eu até citei que te vi mal no banheiro em um dia... – Lauren terminou de virar postura e encarar Camila interrogativa.

— Por que fez isso? Que porra... – Bufou irritadiça com a informação, apoiou uma mão a cintura e a outra foi para sobre sua boca, atingindo Camila e fazendo-a desviar rapidamente sem jeito.

— Apenas quis ajudar... Ela parecia tão aflita por você. – Explicou rapidamente sem encarar Lauren, sentindo-se uma idiota por estar lotada de receio em olhá-la nos olhos. A californiana pouco percebeu, apenas respirou profundamente e esfregou a palma no rosto.

— Ela é uma mulher de idade, não precisa ter a mente preenchida com aflições tolas. – Anunciou com o tom mais calmo que o anterior. A texana simplesmente assentiu ao ouvir, estando de cabeça baixa contragosto.

Como se não fosse suficiente, o ruído de notificação do celular de Lauren surgiu, fazendo-a colocar a mão no bolso de sua calça e capturá-lo para checar, era a tão fodida mensagem codificada de Mark, indicando que naquele dia seriam as últimas três do mês. A californiana não deixou de fechar as pálpebras uma vez que sabia que não podia ignorar aquilo, desviou para onde indicava as horas e observou que se indicavam 7pm.

Vagou o cômodo com o olhar antes de se inclinar para capturar o sobretudo negro sobre a poltrona, desviou uma única vez para a figura da texana que encolhia os braços ainda sem jeito pelo que havia escutado.

Deixou aquela casa carregando um sentimento pesado no peito, não só por tratar erroneamente sua avó, mas também Camila, que possuía nenhum envolvimento com o que passava.

Nunca fora um trabalho sujo fácil de se executar, fazer o que fazia lhe trazia consequências em algumas poucas vezes corporalmente, as luzes da cidade sob sua postura eram agora as únicas testemunhas do cuidado que Lauren aplicava delicadamente em sua própria coxa, as vítimas que lhe eram passadas eram sempre homens por exigência sua, e estes eram eventualmente mais fortes fisicamente e conseguiam atrasá-la ou lhe causar ferimentos.

Marcava 5 da manhã do dia 28 de Abril, data a qual lhe marcou e sempre marcaria eternamente, quando há vinte e um anos atrás seus pais foram vítimas de um tiroteio sangrento em uma avenida movimentada em Los Angeles.

Não recordava perfeitamente, apenas tinha em mente a imagem de uma Aurora mais rejuvenescida de joelhos ao pé de sua cama, ninando-a para dormir após o dia turbulento e lotado com suas lágrimas ao raciocinar que seria uma criança de cinco anos a viver sem os pais a partir dali. Tudo fora em um momento tão inusitado, vivia às altas gargalhadas infantis quando brincava com os pais em meio à areia da praia banhada pelo sol, deixando uma marca deveras traumática – que considerava até idiota ao pensar – sobre aquele lugar o qual fora o receptáculo das melhores lembranças de sua infância. Também era o motivo o qual lhe fora como incentivo a seguir carreira policial, ansiando que aquilo não se repetisse.

Sobretudo, não se nomeava como órfã, cresceu o resto de sua infância, toda a adolescência e pequena parte da vida adulta com os avós, os quais preenchiam quase por total o espaço vazio que seus pais deixaram...

Balançou a cabeça, empurrando os pensamentos para longe de si e decidindo se despedir daquele pico alto que lhe abrigava já fazia uma hora exata, checou as notificações de seu aparelho quando houve um soído.

Lety: Hey, sente-se bem com hoje? Posso cobrir seu turno sem problemas.

Letitia sabia das condições daquele dia, era gentil, uma mais que ótima amiga, mas Lauren se recusava a aceitar tamanha magnitude, enviou rapidamente uma mensagem avisando teatralmente que estava tudo bem consigo e nada daquilo era necessário.

Contornou o caminho para a casa de sua avó, sentindo-se má apta para lidar com a consequência que tinha gerado com Aurora e Camila. Então se livrou do sobretudo grosso que usava e vestiu o par de roupas reservas que armazenava no porta-malas de seu carro e logo estava a se dirigir ao departamento.

O tempo que se consolidara ali pareceu passar despercebido, e com ele veio o cinza impecável a preencher totalmente o céu de Los Angeles, estava longe de casa, mas não o suficiente para que o que tinha em mente desaparecesse, foi após o toque de Letitia em seu ombro que Lauren despejou uma rápida despedida e se colocou rapidamente no assento de seu automóvel.

Play Music* FourFiveSeconds – Rihanna

Sem investir importâncias solenes, a californiana dirigiu rápido pelos tráfegos secretos de areia que se colocavam como rotas de atalho. A chuva se moldava a um torrencial constante, porém não suficiente a transparecer um empecilho que fizesse parar a alta velocidade até que chegasse onde desejava.

Procurou fôlego ao encarar a terceira chamada que ignorava vinda de Aurora, abandonou o aparelho de sua palma para que seguisse seu caminho uma vez que o veículo já se encontrava devidamente estacionado frente ao cemitério de Riverside. Não carregava consigo flores ou qualquer objeto parecido, levava consigo somente a frustração de falta de conhecimento em como sentir-se perante àquele dia.

Caminhou lentamente, como se procurasse algum rumo firme, até que chegou sem demora diante as duas lápides, lado a lado. Leu e releu cada um dos dois nomes, carregavam a mesma data de falecimento, Michael Jauregui e Clara Morgado, Lauren caiu sobre o joelho direito, as mãos tremendo foram as mesmas que levou para dedilhar o molde de nomes.

Eu... eu perdi o caminho... – As lágrimas incontroláveis de Lauren se misturaram com as gotas grossas da chuva, dando-a um perfeito disfarce para que alguém qualquer não viesse a identificá-las. — Acho que gostaria de saber se faria alguma diferença se estivessem aqui.

Os dedos escaparam de onde estavam e o outro joelho da californiana cedeu ao seu próprio peso.

Fora um momento extenso ali, ajoelhada na terra molhada sem traçar importâncias de estar a sujar o tecido de suas roupas, apenas na companhia mordaz dos pensamentos. O torrencial perdurava firme quando Lauren dirigiu finalmente para casa, a estrada escura e apenas com o brilho do farol.

Era seu estado mais árduo de entorpecida, e sua desintoxicação só chegou quando bateu a porta de entrada e ouviu passos rápidos enquanto retirava o sobretudo mais pesado que o normal por causa da água acumulada.

— Lauren? – Sequer conseguiu mirar Aurora quando chegou ao seu encontro, sentia-se envergonhada demais por seus atos de mais cedo.

— Vó, por favor...

— Lauren?! O que houve? – Tocou os braços de sua neta já em falta do sobretudo, observando que a pele estava mais pálida e os lábios levemente roxos.

— Nada, vó, apenas me deixe ir... – Pediu sôfrega, tentando afastar o toque cuidadoso que recebia, a cabeça baixa para evitar que se constrangesse ainda mais.

— Lauren, pare com isso, minha filha. – Porém Aurora era firme, conhecendo bem as fraquezas de sua neta e aprendendo como lidá-las. — Você é minha menina, eu não vou deixar que passe por isso sozinha, seja o que for. Venha, olhe para mim. – Cedeu à dedicação enviada pelo tom da avó, olhou-lhe e não se conteve a se desmanchar totalmente.

Desculpe... desculpe-me pelo que disse. Eu sou uma estúpida. – Cobriu as palmas de Aurora repousadas em suas maçãs com as suas próprias, dando um leve aperto enquanto emitia que estava arrependida. A mão esquerda da mais velha escorregou para a nuca de Lauren, trazendo-a para si em um abraço necessitado.

Aceitou o ato de carinho da avó, era tudo que precisava e somente.

Mais tarde, Lauren despertava confusa, viajando o olhar pelo local e notando a TV ligada sem se mover, identificou uma mão macia vagando por entre seus cabelos e foi atingida com as recentes lembranças. Aurora havia lhe aberto os braços por horas até que pegasse no sono ali mesmo no sofá.

— Ei, bom dia... – Ergueu o mirar e achou a figura de sua avó.

— Bom dia... Bom dia? – Alarmou-se instantes depois ao raciocinar que certamente havia perdido o horário do trabalho, prontificou-se agilmente no assento, mas se arrependeu logo em seguida quando sua visão ficou turva.

— Letitia disse que estava tudo bem cobrir seu turno se não despertasse a tempo, ela ligou um pouco depois que você dormiu, perguntava se estava bem. – Explicou calmamente enquanto a californiana esfregava os olhos e tentava se orientar.

— Certo. São que horas agora? – Tomou impulso para se mover e ficar pronta o mais rápido possível, passou pela cozinha e pegou alguns pãezinhos para se alimentar quando sentiu o estômago incomodar.

— 8am, querida. Caso ainda não se sentir bem, fique por aqui mesmo, Letitia disse que estava tudo bem. – Ofereceu visando que sua neta poderia não estar completamente estável. Lauren se aproximou de sua avó sentada no sofá com um tecido de lã e uma agulha sobre o colo, beijou carinhosamente sua testa, aspirando a essência doce de seus cabelos branquinhos.

— Estou bem, vovó, prometo. Obrigada... obrigada por isso e também me desculpe pelo que disse, mais uma vez, desculpe-me. – Lauren disse em uma investida de tentar aliviar algum temor da mais velha, que segurou em sua mão e a apertou em conforto.

Sorriu-lhe leve antes de tomar o caminho das escadas apressadamente, verificou que a texana ainda parecia profunda em uma sonolência aparentemente calma, automaticamente sentiu o peso do tratamento que havia direcionado a mesma, tinha que expressar suas desculpas para ela do mesmo modo, mas deixaria para fazê-lo posteriormente.

Em poucos minutos estava preparada para se dirigir ao trabalho, e o fez sem muitos arredios, logo se via a cumprimentar Lety casualmente, avisando-a que tomaria seu posto dali em diante. Naquele dia, a californiana necessitou sair mais tarde do departamento devido as horas que sua amiga havia ocupado por si.

Eram 4:11pm quando retornava para a casa de sua avó com algumas compras no banco de trás e encontrava sua avó bem ativa na cozinha, de um lado para o outro, sempre fazendo algo.

— Onde ela está? – Questionou ao se dar falta da presença de Camila quando já estava ao lado de Aurora na cozinha. Não precisava citar nomes, já que ambas compartilhavam o mesmo saber.

— Provavelmente em seu quarto, pouco a vi hoje, na verdade. – Aurora citou, franzindo o cenho ao notar realmente que vira Camila apenas pelo início da tarde e durante o almoço. — Você discutiu com ela também, não é?

— Sim... – Afirmou enquanto dava um gole de água no copo e logo depois olhava para baixo ressentida pela situação que havia criado com a texana.

— Vá se desculpar com ela, Lauren, agora mesmo. Você sabe que ela não tinha nenhuma ponta de culpa ou envolvimento ao que estava sentindo. – Aurora exigiu a neta, que aceitou a exigência sem relutância.

Mexeu-se apressadamente para chegar ao topo dos degraus e passear no corredor, entrando no seu quarto e vagando em busca da silhueta de Camila por entre cada cômodo, uma ruga se manifestou em sua testa ao distinguir a luz vinda do banheiro da fresta da porta do mesmo. Aproximou-se para tentar obter algum som de chuveiro.

— Ei, está aí? – Soltou sua fala em uma pergunta, sem direcionar olhares para mais adentro do recinto por temor de estar em um momento inusitado e comprometer a privacidade de Camila. — Apenas queria me desculpar pelo que disse... agi como uma idiota.

Esperou e esperou por qualquer palavra como resposta, concentrou mais a audição, tentando capturar algo suspeito que acontecia dentro lugar, pôde distinguir vagamente uma respiração dificultosa e não mediu mais esforços em empurrar lentamente a porta.

— Merda! – Exclamou quando captou a figura encolhida no canto da parede ao lado da pia, os ombros da texana se movendo arduamente em fôlegos difíceis. Suas pernas se moveram em automático para correr em direção a Camila. — Ei, calma, respire... — Lauren moveu os olhos freneticamente pelo recinto assim que se ajoelhou ao lado da mulher, desejando encontrar qualquer resquício de acidentes. — O que aconteceu?!

Camila cobria os olhos com as palmas, o peito ofegoso e a mente tão perturbada com a assombração de um homem aterrorizante, que agora se tonificava em uma postura mais real ao ultrapassar a linha de sonho da texana, tirava-lhe o sossego do sono por algumas vezes na noite, fazendo-a despertar um pouco assustada e vagar em busca de provas de que o que vivia gloriosamente não era fantasia, porém naquela tarde a mulher pareceu ser tomada por algo mais intenso, a gradativa havia atingido um ponto muito horrendo, deixava-lhe em uma sensação pura de medo e angústia.

— Ei... está tudo bem, não tem ninguém aqui, você se machucou? – Lauren encorporava sem dificuldades o tom mais calmo de sua voz rouca, tocando delicadamente as palmas que Camila forçava contra o rosto, tentando repuxá-las, porém a texana não parecia querer ceder, possuía um medo tão brutal de abrir os olhos e acabar encontrando aquele homem o qual por tanto tempo lhe transmitia agressões físicas em seu corpo. — Sou eu... Lauren, prometo que não irei te machucar.

Foi aos poucos que os dedos de Camila aceitaram o contanto genuíno da californiana lhe tocando o pulso com cautela, e o topo de sua cabeça também, para que livrasse os cabelos castanhos longos de recobrirem a visão que almejava ter.

— E-ele... ele estava aqui... – A texana dizia enquanto molhava a bochecha e o queixo com as lágrimas salgadas que escorriam por seu rosto ao se dar tão perto de Lauren, que assentia compreensiva sem abandonar seu lado ou deixar de tocá-la, as mãos de Camila descansando nas dela quando enfim teve seu rosto livre.

— Ele? Alguém esteve aqui? – Lauren se alertou e ameaçou se afastar, temendo que o que Camila falava tratasse de algo sério, mas a texana a trouxe com um toque fraco na lapela de sua blusa.

— Não! – Negou calorosamente que se fosse, temendo que estivesse sozinha caso viesse a sentir aquele aperto severo em seu peito novamente. — Fique aqui, por favor... – Aumentou a pressão que fazia no tecido da blusa de Lauren, que se atentou intensamente quando a texana pediu severamente, o lábio inferior trêmulo.

— Tudo bem, tudo bem... – Acalmou-a em uma aproximação mais intensa, tocando seus cabelos e confirmando que ficaria ao seu lado.

Gritou um chamamento por sua avó, que logo chegou ao seu encontro, tremendamente assustada quanto Lauren quando viu a texana por primeiro. A californiana solicitou que ficasse com Camila por um instante enquanto fazia uma checagem pela casa, não poderia deixar de perscrutar os arredores da residência visto que o que Camila dissera poderia ter vestígios de verdade, apesar de si mesma já traçar suspeitas do que a mulher apresentava.

Enquanto rolava sua vistoria pelos arredores da casa, buscou seu celular e discou entre os contatos o número de uma velha conhecida sua. Taylor Swift, psicóloga e psiquiatra. Quando terminou de rondar cuidadosamente todos os arredores enquanto contatava a médica, retornou ao banheiro de seu quarto, constatando que Camila parecia mais calma e amena com a situação, mas ainda se encontrava no chão do cômodo de tomar banho.

Tomou uma curta distância novamente, estando ao lado de sua avó que confortava a texana em seu ombro, tinha os olhos fechados apesar de estar desperta e atenta às sensações.

Acho que ela está tendo ou teve aquilo que você um dia enfrentou... não me recordo certamente, era algo como... ataque de pânico... lembra-se? – A idosa sugeriu baixinho acerca contra o que a texana poderia estar lutando.

— Sim... Lembro-me bem, também acho que possa ser isso. – Afirmou junto a ideia de sua avó, logo em seguida se agachando e ficando perto suficiente para que pudesse falar sem muita tonalidade alta direcionada a Camila. — Ei, acha que pode levantar e ir até a cama? É mais confortável. – Propôs a Camila, que assentiu lentamente e voltou a abrir os olhos para tomasse um rumo firme, sentiu a ajuda de Lauren quando a mesma escorregou sutilmente o braço por debaixo de seus ombros para que tomasse impulso, ajudou-a até que chegasse até a beirada do colchão, deitando-a com cautela. — Fique assim, okay? Tem ajuda a caminho... Logo estará bem, Aurora vai ficar aqui com você caso sinta algo.

Deixou-a na segurança de sua avó enquanto se movia para o andar de baixo em função de preparar algum chá de ervas que acalmassem-na, não demorou para que Lauren abrisse a porta para Taylor e a guiasse para seu quarto, ofereceu a xícara de porcelana com um conteúdo morno para a texana, que aceitou pacificamente e buscou respostas com o olhar sobre a presença da mulher loira.

— Essa é Taylor, ela vai te fazer algumas perguntas rápidas, tudo bem? – Explicou abaixada ao lado da cama para que ficasse próxima a Camila, que acenou lentamente. — Eu vou estar na sala de baixo se precisarem de mim. – Certificou antes de se distanciar junta a sua avó.

Esperou pacientemente acomodada no sofá, depois se dirigiu para a cozinha e se serviu com o jantar com Aurora, a mesma convidou amigavelmente Taylor para que ficasse para o mesmo quando a loira desceu e foi ao seu encontro, ficando ao seu lado na bancada, mas negando o convite da idosa.

Não consigo diagnosticar com todas as certezas nesse momento, mas ela aparenta muito sofrer com o transtorno de estresse pós-traumático. Quando se recordar intensamente do que passou, ela pode ter sensações extremamente reais de estar revivendo novamente, como se estivesse voltando ao passado e vivendo tudo mais uma vez, agressões... no caso, como ela mesma me falou. – Definiu o que poderia ter acontecido com Camila, a californiana assentiu para suas palavras, sentindo-se estúpida por não ter sido rápida em fazer contato com a médica para prestar atendimentos a texana.

— O que posso fazer para que não volte a acontecer isso com ela? – Questionou interessada. Taylor era sua psicóloga de longa data, era a única que sabia sobre tudo o que Lauren havia passado e vivenciado, absolutamente tudo, cada ponta de caminho que havia traçado, não viria a perguntar sobre a identidade da mulher em seu quarto, pois tinha ciência que, com certeza, era algo que fazia por bem.

— Bom, ela não apresenta fatores de reclinação depressiva, parece até esperançosa, e isso não deixa de ser ótimo. Apenas esteja perto dela constantemente, leve-a para lugares calmos dessa cidade, já me disse que conhecia inúmeros, lembra? O adequado seria parentes e amigos, mas acho que você é o bastante por agora. – A loira sugeriu o que deveria fazer, Lauren assentiu se afeiçoando com a ideia de estar junta a texana por mais momentos, já havia pensado sobre levá-la para conhecer a cidade e os arredores, talvez até Los Angeles. — Estarei aqui novamente em alguns dias para vê-la, no momento ela não precisa de medicação, disse-me que não demora a pegar no sono. – Respondeu outra dúvida que vinha a surgir na mente da californiana. — Como está você, Lauren?

— Não... – Negou com a cabeça para a introdução que a mulher tentava. — Não veio aqui para me avaliar, Taylor. – Não deixou que a médica investisse naquilo.

— Se é como deseja... Apenas saiba que estou à favor, sempre que precisar conversar. – Avisou com sua formalidade integrada, tocando confortavelmente sobre o ombro de Lauren antes de partir.

Sua avó se esgueirou para a cozinha, onde sua neta estava, e solicitou:

— Chame-a para jantar, deve estar com fome. – Solicitou a neta, que atendeu pacificamente e logo estava a subir os degraus na mesma gradativa que ouvia o som melódico da sala ao fim do corredor.

Aproximou-se lentamente, sentindo-se satisfeita ao fisgar com o olhar que os ombros de Camila indicavam uma respiração compassada e calma, recordou-se de suas desculpas e tornou sua distância nula com a texana, ficando quase ao seu lado.

— Eu estava a sua procura naquele momento para que me desculpasse pelo disse outrora. – Anunciou sua presença, apostando no sobressalto que Camila teria, mas a mesma simplesmente procurou calmamente sua voz, olhando para trás e a observando por um tempo antes de voltar a roçar os dedos nas teclas, pressionando-as raramente.

— Obrigada por me procurar, então... Estava tudo embaçado e difícil. – Sem exigir suas reais desculpas pelo que havia ouvido, a texana até agradeceu por achá-la na escuridão de sua mente. Lauren solicitou com seus verdes uma permissão para que se sentasse no espaço vago do banco.

— Não agradeça. Ainda quero me desculpar pelo que disse. – Recuava os agradecimentos porque os achava desnecessários, constatou que faria todo o caminho de ajudá-la ao recordar de quando Camila segurou impetuosamente sua blusa por temer ao que sentira. — Desculpe-me?

— Está tudo bem com isso. – Disse verdadeira, por mais que não houvesse deixado de sentir a rudeza das palavras da Lauren, reergueu-se sem repúdios por processar que provavelmente a californiana passava por um má momento.

— Você tinha zero envolvimento com o que eu estava passando, torna-se injusto a maneira que te tratei. – Lauren insistiu por saber que era a única errada com tudo.

— Tudo bem, sério... Realmente não precisa se preocupar com isso, eu te desculpo de qualquer maneira, não criei ressentimentos. – Quis aliviar a californiana com relação a tal, Lauren assentiu com um sorriso quase triste, desviando por um instante quando seu celular vibrou dentro da calça. — Aurora está chamando para que vá jantar. – Levantou-se para que pudesse atender a chamada e a texana não demorou para se locomover afora.

William Poulter finalmente ligava após duas semanas desde que fora para o Canadá, Lauren deteve, porém, as expectativas.

Lauren?

— Sim? Estou aqui, fale. – Citou enquanto se sentava no sofá.

Os próximos átimos foram extasiantes, descrever o que sentia era complicado, mas se conteve por enquanto. O sono não veio, o que fez a californiana observar o prólogo de sonolência de Camila até seu desfecho, quando estava finalmente profunda e talvez em sonhos ilembráveis quando despertasse.

Decidiu então escrever para que conduzisse sua insônia com algo, tomou o terceiro de seus três diários:

* Uma nova onda de vazio tomou meu peito nos últimos dias, trouxe-me um tratamento chato que apliquei em duas pessoas inocentes. *

Rabiscou o que acabara de escrever, sentindo-se idiota por aparentar uma adolescente repugnada. Não foi suficiente para fazê-la parar.

* "Ela" tem feito caminhadas com minha avó para tomar um pouco de sol, queria levá-la a alguma praia, deve ter um extenso tempo que ela não vê o mar, mas repenso sobre as preferências de companhia para ela. De qualquer modo, quando trocamos um curto olhar, percebo que sua pele vai ganhando cor e ela parece estar animada, os hematomas também estão se dissolvendo, também noto isso... mas há as cicatrizes que não se vão, ela parece não se importar e momentaneamente as contempla. Parece se sentir confortável em usar camisetas de mangas curtas que comprei na primeira semana para ela, por mais que deixe suas marcas amostra. *

Suspirou, dedicando uma rápida olhadela a mulher em sua cama e de costas para si, estava com falta de sono e se cansava de escrever ao se nomear estúpida em descrever uma evolução que não era sua, mas lhe cativava de qualquer maneira, assim como não queria se assemelhar a alguém obcecado ao detalhar sobre ela. Puxou o elástico do diário para fechá-lo e se concentrou a olhar entre o vidro da janela ao seu lado, observando as luzes distantes.

Marcava 10pm da noite, era relativamente cedo para que estivesse realmente com sono, ainda tinha o bônus de ter dormido até mais que o habitual e o dia a vir depois do atual era um sábado, mesmo desejando cumprir o hábito de correr logo na matina aos sábados e domingos, do mesmo modo seus trabalhos sujos já haviam se encerrado àquele mês, possuía um tempo considerável para dedicar um bom descanso, porém seu corpo parecia insistente em lhe trair e manteve-se desperto por vastas horas daquela noite fria.

Ei... – Sua noite acabava de ganhar um ornato mais aliciante que a fez se mover para capturar com seus olhos a silhueta mal iluminada de Camila com os braços envolvendo a si mesma, o rosto um pouco amassado, mas que não deixava de esbanjar um sorriso fraco, quase imperceptível. — Sem sono?

— Uhum... sente-se bem? Por que acordou? – Foi cuidadosa, vistoriou a tela inicial do celular perto de si e observou que não passava das 2am sequer.

— Apenas dormi demais pela tarde, não me senti muito bem e o resto você sabe... – Explicou o porquê de despertar tão repentinamente na noite, Lauren simplesmente assentiu cedida a companhia imprevisível de Camila, que se aproximou mais da outra ponta do sofá e se colocar na mesma posição da californiana em observar as luzes de cores adversas ao longe. — Não tinha parado para apreciá-las, são cativantes, não são? – Falava do brilho das luzes.

Lauren passou a contemplar em como elas se refletiam na pele da texana, que repetia o ato de contemplar, mas em outro alvo.

— Sim, com certeza. – Retrucou sem desviar da texana, atentando-se ao riso leve de Camila escapar quando a mesma pensou que Lauren estava sendo irônica consigo, somente dedicava um tempo naquele instante para observar algo o qual não tinha contato há anos, e pensava que a californiana ironizava o fato de achar tão bonito algo banal. — Quer ir a um lugar comigo? – Propôs de repente, sem notar toda a controvérsia que a texana divagava.

Fez exigências antes de saírem afora entre as ruas da cidade, pediu que Camila se envolvesse em uma jaqueta sua para que o frio do início da madrugada não lhe atingisse e trouxesse resfriados ou até mesmo patologias mais graves.

O caminho até seu lugar em velocidades permitidas e um caminho certeiro comportava o total de duas horas de viagem, mas tomando curvas que cortavam mais que metade do trajeto e uma velocidade acima, Lauren conseguiu enxergar o grande letreiro em menos tempo que o esperado, enquanto Camila era enfeitiçada pelas luzes do centro de Los Angeles, as baladas e boates, músicas cada uma diferente e em gêneros opostos.

Era um caminho não muito utilizado e até fora das normas, mas Lauren já estava adaptada a defraudar regulamentos.

— Você faz isso regularmente? Digo... Vir até o letreiro de Hollywood como se fosse a real dona do tal. – Camila se pronunciou quando se deu conta de onde estavam, um pouco desacreditada, de fato, mas aprendendo algo sobre a californiana, que sorriu meio de lado e contra as luzes sob suas posturas. Ela terminou de estacionar o veículo em uma posição que as davam visão quase completa das bordas da cidade e suas luzes, também podiam identificar praias de um lado.

— Frequentemente, sim. Eu só desligo os faróis e fico aqui quando preciso, ninguém nunca me deflagrou aqui, então... – Contou enquanto agia para fazer o que acabara de falar, desligou os faróis assim como todo o veículo. A texana podia até ironizar citando que era um ótimo local para cometer atrocidades, caso fosse algum tipo de louca, mas Lauren parecia do mesmo modo que se encontrava: embelezada e tranquila com tamanha magnitude sob seus olhos. — Queria que visse desse ângulo incrível, parecia tão exaltada com tão pouco lá em casa, e isso aqui... isso aqui é como um tranquilizante para mim em dias difíceis.

Depois do que tinha passado há algumas horas, Lauren pensou que seria interessante trazê-la ali, para que talvez sentisse o mesmo que sentia quando ficava simplesmente extasiada com tamanha magnitude, dava-lhe a falsa sensação de que tinha tudo em suas mãos, sob seu controle, por um único instante...

— Obrigada. Isso é simplesmente lindo... por completo. – Camila enunciou mais agradecimentos, desviando da vastidão em sua frente por um curto momento para olhar com dificuldade como a californiana sorriu fraco com sua fala.

Suspirou descansando a cabeça no apoio do banco, somente apreciando o momento e seu silêncio lotado de assovios do vento que passava pelas brechas de janelas parcialmente abertas. Podia encher sua mente com linhas que a deixava a par de sentenças que consideraria facilmente como inalcançável há certo tempo atrás, quando imaginaria estar ao topo de uma montanha que comodava um famoso letreiro e ao lado de uma mulher com órbitas verdes inteiramente misteriosas?

— Acho que seu nome é algo como Katherine... – A voz de Lauren retomou sua devida atenção antes que aqueles pensamentos tomassem um rumo chato de lidar futuramente, agradeceu internamente por isso, mas não a deixou saber. A texana fisgou o lábio com a sugestão que recebia acerca sua identidade, contemplou que Lauren não parecia desesperada por aquela informação que em condições normais deveria saber desde o início.

— Esteve pensando sobre meu nome? Fale mais sobre suas suposições. – Solicitou adquirindo realmente um interesse divertido pelos pseudônimos que a californiana traçava na própria mente.

— Estive curiosa sobre isso por alguns dias, até pensei em alguma forma de fazê-la ceder e revelar-se para mim. – Confessou, movendo-se levemente para olhar e constatar que já era encarada. Era instigante, nem que infimamente, poderia recorrer a própria avó que não duvidava saber sobre e acabar com aquilo de uma vez, mas renegava a desfechar tão facilmente aquela incógnita insinuante. — Pensei também que se dissimula como Camélia... não sei... por quanto tempo a mais vai me torturar com a curiosidade?

Uma flor...

Eram boas sugestões de nomes, não negava que eram atraentes e talvez se fizessem compatíveis consigo, mas se afeiçoava tanto com seu nome que não poderia pensar em outras possibilidades para levar como chamamento.

É Karla Camila... – Revelou enfim o conjunto de letras que carregava como identidade sua, Lauren procurou novamente seu olhar, as duas faces sendo presenteadas com o brilho de Los Angeles em si. — Meu nome... – Fez outra pequena pausa, vendo como Lauren parecia compenetrada. — Somente Camila é suficiente, eu gosto mais...

Karla Camila... – Repetiu, o nome escapando por seus lábios, uma primeira vez proferido de seu tom lotado de rouquidão. — Beirei incrivelmente perto, não? – Perguntou inconsciente. Era como novidade agora, não soube descrever o porquê de enxergar a mulher no assento ao lado de uma forma mais delineada quando acenou concordando em um meio sorriso para o que falara.

Era somente aquilo o que precisava para o futuro, Lauren abandonou a texana de seu olhar para se focar inteiramente a cidade de seu caos. Karla Camila se tornara sua distração favorita de se assistir, era cativante a concentração bonita em seus olhos e a esperança do mesmo modo. Tinha de contá-la naquele instante...

— Sente-se bem por agora? – Desejava saber para que o que falasse não trouxesse estrondos emotivos ruins, a texana franziu o cenho por um instante, mas logo o desfez ao notar do que falava.

— Claro... A Dr. Taylor me ajudou bastante, na verdade. – Pacificou a provável preocupação que podia traçar consigo. — Disse que o que senti poderia parecer ter proporções reais e era normal, falou que o tempo podia trazer isso mais vezes, mas que eu melhoraria. – Citou atentando que Lauren assentiu ao ouvir, mesmo que não distribuísse seu olhar diretamente a si.

— Ela falou comigo também, o melhor tratamento é estar entre amigos e família. – Dessa vez se remexeu no lugar onde estava, a californiana sentou-se de maneira que ficasse frente a Camila, que se alertou do mesmo jeito e passou a observá-la seriamente.

— O que quer dizer? – Indagou, constatando o meio sorriso de Lauren ser moldado sem desvios a si.

William me ligou essa tarde, disse que precisamos ir ao Texas de imediato trazer sua mãe para a Califórnia e permanecer aqui por um certo tempo. Somente até que tudo se estabilize, entende? – Não, não entendia, sequer processava corretamente após receber tamanha informação, seus dedos automático a repuxar um belisque na própria pele.

— Eu... – Aqueles castanhos encandecidos buscando freneticamente medidas de mentira no semblante de Lauren, mas seus olhos refletiam a total verdade que não se conteve em se aproximar cautelosamente.

— Está prestes a voltar para seu lar, Karla Camila. – Sorriu-lhe verdadeiramente feliz pela texana, reafirmando com seu nome ao final de sua sentença. O peito da mesma a resfolegar e os traços de sua boca se expressarem em um sorriso.

— Fala a verdade?! – Queria reafirmar para si, os arrepios se estendendo por seu corpo quando a determinação de Lauren foi passada por meio de acenos sorridentes e eufóricos por contemplar a felicidade e estado êxtase de Camila, que não se prendeu a se aproximar perigosamente para envolver desajeitadamente a californiana em um abraço emotivo e necessitado, a mesma não se afastou por mais surpreendida que estivesse.

Camila não se importou com sua tamanha impulsividade momentânea, estava prestes a voltar para casa, para sua mãe e lar.


Notas Finais


Nota: Preparem-se, porque agora que eu recebi meu notebook não tem quem me segure soltar altas bombas. Só para avisar isso mesmo... sem nenhum precedente.

Beijos de boa sorte.


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