História Smorklys a cidade do Medo - Capítulo 23


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cidades, Sillent Hill, Terror
Visualizações 5
Palavras 4.649
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


"E eu sei
Eu posso acabar falhando também
Mas eu sei que você era como eu
Com alguém desapontado com você"
-Numb

Capítulo 23 - Corredores da Morte


Fanfic / Fanfiction Smorklys a cidade do Medo - Capítulo 23 - Corredores da Morte

PIPER

Levanto-me com um pouco de dificuldade do chão e começo a andar, distanciando-me dos dois corpos. Sentia-me pesada e a dor era tanta que queria tirar minha própria vida.

Muitas pessoas confundem a dor emocional com a física, porém tudo tem sua diferença. A emocional é dez vezes pior que a física, pelo simples fato de você querer ao ponto se matar para que ela acabe.

Minha visão começa a se distorcer, ficado a cada segundo mais turva. Meu corpo começa a agir como de uma bêbada desnorteada.

Tento seguir um caminho reto, mas é impossível. Até que cedo-me a tontura e caio no chão. Sinto uma dor forte na perna, mas não consigo reunir forças para ver o que aconteceu.

Deito-me no chão e olho para o céu embaçado. A chuva acaba e tento ficar acordada.

- Socorro... – digo com a voz fraca, como quase um sussurro.

De repente um borrão preto aparece andando em minha direção e tento me mexer, mas como antes, é impossível.

Percebo o mesmo se agachar e sinto suas mãos firmes me levantar do chão, me pegando no colo deitada.

- Calma... Vai ficar tudo bem – ouço sua voz distante e minha visão se apaga por completo. Não sinto mais nada e nem ouço.

 

LOGAN

Minha visão fica turva e a chuva se sessa. Caio no chão e me deito por completo. Fico olhando para o céu e de repente um borrão preto aparece, se aproximando a cada segundo de mim.

- Quem... É você? – digo com a voz fraca.

- Alguém que vai te salvar hoje – escuto uma voz masculina e distante.

Ele segura meu antebraço e me levanta do chão, passa meu braço por seu pescoço e começa a andar devagar, me levando junto a ele.

- Para onde... Vamos? – pergunto com a visão se escurecendo.

- Para onde você possa ficar seguro – ouço sua voz mais distante e minha visão se esvai por completo.

 

GRACE

Acordo de repente como um susto e olho ao meu redor mal iluminado. Uma lousa, carteiras sujas, quatro paredes, armários...

- Uma escola? – digo me levantando e percebo que estava no chão.

Olho para todos os cantos da sala, observando cada detalhe para ver se não acharia algo de estranho ou uma pessoa.

Começo a andar em direção à porta, no canto direito da sala, perto da lousa. Chego a mesma e procuro pelas partes próximas, um interruptor de luz.

Por sorte o acho e ligo a luz. A luz amarelada e fraca não ilumina muitas parte da sala. A cada segundo me questiono por saber como é que eu vim parar aqui e que escola é essa. Será que mais um demônio quer testar meu nível? Pelo espírito desta cidade, posso comprovar o sim.

Olho para lousa e vejo escritas. “Socorro!”; “Me ajude!”; “Não!”; “Ele está vindo”; “Vocês serão os próximos”.

Um arrepio passa-se por meu corpo e acaricio meus braços. Ando até a mesa e me sento a cadeira de madeira velha e que ao me sentar na mesma, um ranger alto de faz no ambiente.

- Tem que haver algo nesta sala que possa me ajudar a sair desta cidade... – digo, escorando meus cotovelos na tabua empoeirada da mesa, aspecto escuro e velho. Escuto poucos estalos vindo sob meus cotovelos, tudo aqui parece estar caindo aos pedaços. – Pensa Grace... Pensa...

Olho para cada carteira velha e empoeirada da sala, procurando algo de especial que me chame a atenção. Nada. Exatamente nada me chama atenção, a não ser o fato de tudo estar velho.

Viro meu corpo na cadeira a 90º e observo cada palavra escrita na lousa. Essas letras... Como vieram parar aqui? Pelo que conheço o físico do giz, já havia anos que não deveria estar escrito nada, realmente nada.

Levanto-me e me aproximo da escrita “Vocês serão os próximos!”.

- Alguém esteve aqui... Alguém que sabia do que esta cidade era capaz ou que conseguiu sair – digo a mim mesma. Saio de perto da lousa e começo a andar entre as carteiras empoeiradas. De repente imagino vários alunos, sentados e escutando os professores falando e falando, querendo que dê o horário de saída ou que o professor saia.

Quando volto sou despertada de meus pensamentos do passado e como deveria ser o ambiente, me pego sentada em uma carteira empoeirada e... Com um aspecto mais escuro que as outras... passo o dedo indicador na mesa e o levanto, observando-o. Uma gosma preta está impregnada na ponta de meu dedo e se estica até a mesa. Olho para onde eu passei-o e um rastro mal feito se exibe.

- O que é isso? – pergunto a mim mesma.

Percebo uma pequena ponta prateada, como se fosse a ponta de uma chave.

Ouço um barulho e olho para frente, não há ninguém, mas há algo de estranho, uma palavra que não estava ali antes, na lousa: “A mesa”.

Levanto-me lentamente da carteira, limpo meu dedo na barra de minha calça e vou até a lousa, observando de perto a frase. Olho para os lados, procurando quem escrevera tal coisa.

- Tem alguém aí? – pergunto e sinto meu coração acelerar, dando golpes fortes entre si mesmo. A respiração fica ofegante e o suor frio começa a descer da testa.

Seco-a e olho a mesa, já que não mantive resposta.

Procuro algo que possa me ajudar, e então encontro duas gavetas fechadas, com trincos trancados a chave.

Olho ao meu redor procurando algo que possa me ajudar a quebrar ou abrir as gavetas... Então me lembro da ponta de chave na mesa.

- Tem que ser... – digo me levantando e indo em direção à mesa.

Vejo o rastro que fiz e a ponta da chave. Seguro a ponta com firmeza e a tiro da gosma preta, uma pequena chave suja pela tal gosma.

Seguro a barra de minha camisa e limpo a chave, tentando ao máximo tirar a gosma, que afinal, é difícil tira-la.

Ando até mesa novamente e encaixo a chave na abertura da gaveta da ponta direita e por sorte entra. A giro para o lado direito e ouço um barulho estranho, de pequenas engrenagens trabalhando e de repente a gaveta abre.

Olho para dentro da mesma, onde há uma lanterna preta, uma pequena chave – outra? Como assim? – e um pape dobrado várias vezes.

Pego a lanterna e a luz da sala se apaga, deixando um breu silencioso que me causa arrepios. Olho para todos os lados, procurando algo que possa ter apagado a luz, mas não a nada.

Observo a lanterna, de perto de meus olhos, para tentar enxergar algo e acho um botão escrito ligado na parte de cima e embaixo desligado. Empurro-o para cima e a lanterna ascende.

Solto um pequeno suspiro de alívio e pego o papel dobrado várias vezes. O abro, apontando a lanterna para o mesmo. Desvio o olhar pela sala, procurando, mais uma vez, alguma coisa ou alguém. Não sei ao certo, sinto que não estou sozinha aqui.

Termino de abrir o papel e vejo grandes letras escritas no centro do mesmo.

Saia daqui, antes que aconteça de novo...

Sua morte será dolorosa pelo seu próprio demônio

Fico em dúvida quanto aos avisos. Arqueio as sobrancelhas e releio mais duas vezes.

- Que loucura... – digo amassando o papel e o jogo no chão.

Escuto um barulho de giz passando na lousa e viro-me para trás.

“Você os desafiou, vá antes que seja tarde demais” as palavras se formam no quadro-negro.

Meu coração acelera e pego a chave. “Deve ser da outra gaveta...” penso e encaixo a chave na abertura do trinco, solto um suspiro de alívio quando a empurro e entra.

Giro o a chave e faz o mesmo barulho de engrenagens e a gaveta abre. Olho para dentro da mesma e fico confusa.

- Uma caixa embrulhada? – pergunto a mim mesma, observando a caixa com um embrulhe azul e bolinhas brancas, com uma fita azul escura em cima.

Escuto mais uma vez o barulho de giz no quadro-negro e me viro, observando uma nova palavra: “Abra!”.

- Quem é você? – pergunto olhando a lousa, esperando uma resposta, que, no entanto, poderia não aparecer.

Entretanto novas palavras se formam na lousa, fazendo o barulho de giz: “Eu sou você Grace, você de verdade”.

Meu coração acelera e me viro para a caixa novamente. “Já tive muitas experiências comigo mesmo... Com certeza não sou eu, e afinal, esses demônios conhecem meu estilo e como ajo... Sabem os meus passos e está na hora de pular por cima deles” penso e seguro a fita azul da pequena caixa na gaveta, apontando a lanterna para a mesma, ouvindo o som do batimento de meu coração.

- Não... Não caio nessa! – digo e fecho a gaveta, tranco-a e retiro a chave. – Você não é eu, está na hora de mostrar quem eu sou de verdade...

Jogo a chave para longe da mesa, no meio das carteiras que agora estão bagunçadas no meio da sala.

Respiro fundo e corro até a porta da sala, abro-a rapidamente e saio, adentrando um corredor mal iluminado, por sorte estou com a lanterna.

 

PIPER

Sinto algo forte me segurar no colo, meu corpo ir para cima e para baixo, como se quem estiver me carregando, andando às pressas.

- Clama Logan... Já chegamos... – ouço sua voz, uma voz um pouco grossa.

Abro meus olhos e olho para o homem que me carrega. Cabelos negros, olhos verdes, pele levemente bronzeada.

- Quem... é você? – digo com um pouco de dificuldade e ele olha para mim surpreso.

- Finalmente acordou... – diz ele sorrindo. – Consegue ficar em pé?

Sinto uma pontada de dor em minha cabeça e fecho meus olhos, me concentrando na dor, aprendi que assim ela se esvai mais rápido. Abro meus olhos novamente e pisco várias vezes. Balanço minha cabeça que sim algumas vezes.

- Acho que sim... – ele para de andar e me coloca devagar no chão. Olho ao meu redor, o ambiente escuro demais, porém dá para reconhecer como uma escol antiga. – Uma escola?

- O único ugar que possamos estar um pouco seguros, não tanto, porém melhor do que lá fora – diz ele e olho em seus olhos, de relance, vejo Logan escorado em seu ombro.

- Logan! – digo indo ao seu lado e o ajudando a ficar em pé direito.

- Está tudo bem – diz ele e percebo conseguir equilíbrio por seu corpo. – Estou bem...

- Certeza? – diz o homem estranho, sua aparência é de dezesseis anos, mas tenho dúvida se não é mais um demônio.

- Tenho sim... – diz Logan ficando em pé, mostrando uma aparência de que realmente está bem, mas não acredito em aparências que ele faz. – E quem é você?

- Ah... Me desculpem... – diz ele sorrindo. – Me chamem de Gustin, Gustin Flowkys... E presumo que sejam amigos de Grace.

Arqueio as sobrancelhas. “Como ele a conhece?” penso.

- Sim... Somos... Como a conheceu? – pergunto o olhando com os olhos cerrados.

- Longa história... – diz ele coçando a nuca com a mão direita.

- Não importa... Aonde ela está? – diz Logan olhando nós dois.

- Eu a trouxe aqui também, mas a deixei por aqui... Deve ter acordado e está andando por aí... – diz Gustin.

Solto um suspiro longo e começo a andar pelo corredor longo e escuro, mal iluminado.

- Espere um minuto – diz Gustin vindo atrás de mim e segura meu pulso. Olho para ele com um olhar sério. – Tome isto... – ele estica sua outra mão, me entregando um objeto cilíndrico que após um tempinho com ele em mãos, percebo que é uma lanterna.

Ascendo-a e passo a luz branca e forte por Logan, depois a Gustin e por fim pelo chão, atingindo alguns armários azuis.

- Espera... Esta cidade não é antiga? – pergunto.

- Sim... e pelo visto, acho que ela se adapta com o passar dos séculos – diz Logan andando até mim. – Isso realmente é estranho...

- Muito – diz Gustin vindo até nós. – Vamos, temos que achar Grace e ficarmos todos juntos.

Faço que sim com a cabeça e começo a andar devagar pelo corredor.

- Por que escolheu essa escola? – pergunto enquanto andamos devagar e cautelosamente.

- Não sei... Eu meio que fui atraído para cá – diz ele observando ao seu redor. – Ah... E recebi um aviso: não importa o que aconteça, não entre em sala alguma!

- O que isso quer dizer? – pergunta Logan.

- Não sei, mas tenho certeza de que coisa boa não é... – diz ele.

Engulo em seco e passo a lanterna por uma porta, que tem uma placa prateada pregada ao meio, com escrituras pretas. Aproximo-me mais da mesma e leio-a.

Seu esquecimento...

Um calafrio se passa por minha espinha. Olho para o outro lado do corredor, que logo tem outra porta com a mesma placa. Corro rapidamente até a mesma e leio-a.

Sua morte espiritual...

- O que essas placas querem dizer? – pergunto olhando os dois, que me olham com as sobrancelhas arqueadas.

- Que placas? – pergunta Logan.

- Essas cravadas nestas portas – digo apontando a lanterna as duas.

Logan segue a luz da lanterna para cada porta. Ele olha para Gustin confuso. Os dois se entreolham confusos e depois me olham.

- Não há porta alguma, somente armários – diz Gustin. – Acho que era destas portas que ele me avisou.

- Quem? – pergunta Logan.

- O espírito da sala – diz ele e fico assustada.

- Gustin e Logan, parem com isso, me digam que não estou ficando paranoica – digo olhando para o chão com os olhos bem abertos.

Não escuto suas vozes, que no caso me causa mais pânico.

 

GRACE

Ando rapidamente pelos corredores, que, no entanto, só tem armários para todos os lados. Acho isso muito estranho, pois deviam ter salas para quase todos os lados.

Um calafrio se passa em minha espinha e vejo a minha frente, uma fumaça branca aparecer e ir se distanciando, então, logo lembro do quer Logan disse assim que entramos à cidade: Todo calafrio significa que um fantasma te abraçou...

Arrepio e continuo a andar, passando a lanterna por todos os lados.

Finalmente, depois de virar dois corredores cheios de armários, vejo uma sala, que há uma placa prateada pregada ao meio da porta fechada, que tem escrituras pretas.me

Não se importam com você, nunca fez diferença...

Arqueio a sobrancelha e seguro a maçaneta redonda e também prateada. Está fria, mas giro-a devagar para a direita, ouvindo um pequeno estalar e a abro por completo, com um simples gesto rápido.

De repente me vejo em outro lugar, uma porta está a minha frente. Olho para os lados e vejo um gramado mal cuidado, atrás de mim três pequenos degraus de uma pequena varanda aberta, as paredes de cores claras.

- É a minha casa? – pergunto a mim mesma olhando incrédula ao meu redor. – Eu saí da cidade? Como? Meus amigos...

Ouço um barulho, na verdade um gemido oco da porta se abrindo lentamente e olho para frente. Ela abre-se por completo e suspiro fundo.

Dou um pequeno passo para frente, lentamente para não fazer barulho algum, e então ouço sussurros. Não sussurros normais, era como se pessoas, várias pessoas tentassem me dizer algo que eu não vejo, mas não consigo as entender.

Ando cautelosamente pelo pequeno corredor que há de frente para a escada, com uma grande abertura ao lado que dá passagem à cozinha.

Chego à beira da porta e escuto risadas, risadas que são contagiantes. E por fundo, percebo duas risadas masculinas.

Apareço a porta e vejo meu pai, com cabelos grisalhos, aparência um pouco mais acabada. Mas então vejo Jozy, cabelos brancos e poucos pretos. Pele rugosa e a aparência de acabada também.

Mas meu olhar se dirige a duas pessoas em comum no local, uma garota, de aproximadamente a mesma idade que eu, e um garoto de aproximadamente a mesma idade de Logan.

Ela tem cabelos castanhos escuros, pele branca levemente bronzeada, magra assim como eu e não consegui ver sua face direito, pois estava de costas para mim. Mas conseguia ver perfeitamente o garoto, cabelos castanhos escuros também e curtos, feitos num topete jogado para o lado, olhos azuis e pele branca levemente bronzeada.

- Selly, você é a melhor – diz meu pai ainda rindo e fico assustada.

“Selly? Essa é a minha meia-irmã Selly?” penso ainda não acreditando.

- Mas é claro, e ainda ela caiu – diz Selly ainda de costas para mim. – O Jake estava lá também, não é Jake? – diz ela se direcionando a atenção para o garoto ao lado de Jozy.

- Claro – diz ele parando de rir. – Ela foi muito louca... O melhor foi ver o Daniel dando um fora nela – diz ele voltando a rir.

Meu pai pega um copo de água e bebe.

- Mas aquele seu namorado é bem engraçado – diz ele.

- Mas é claro, você acha mesmo que eu iria dormir com qualquer um? – diz ele se sentando a cadeira.

- Olha... Vocês são os melhores filhos que eu pude ter... – diz meu pai. – A Grace só me trazia problemas, sempre se metendo em confusão – diz ele. – Agora estou até feliz que ela não voltou mais para casa depois daquele acampamento.

Fico pasma e meus olhos se enchem de lágrima. Dou um passo para frente, adentrando a cozinha.

- Pai... Eu sinto muito... – digo fraco e mexendo no meu dedo mindinho. – Eu não queria...

- Incrível, nosso sonho realizado, uma família de verdade – diz Jozy abraçando Jake.

- Isso é mentira – digo, mas eles se comportam como se não me ouvissem.

Ando mais alguns poucos passos cautelosos em direção a eles.

- Eu nunca gostei dela... – diz Selly. – Sempre se achava, sempre brigava com você, mamãe... E ainda por cima achava que eu era a única que a amava – ela começa a rir e isso me atinge de um modo que é difícil de descrever.

Todos começam a rir do que Selly falara e deixo uma lágrima cair. Respiro fundo e me viro lentamente, em direção à porta da cozinha, dou um passo à frente e percebo que todos pararam de rir.

Arqueio as sobrancelhas e me viro, vendo todos em pé me encarando com expressões de desgosto.

- Por que voltou? – pergunta meu pai dando um passo à frente. – Não entendeu que aqui não é o seu lugar? Cansei de te aturar! Por que voltou?

- Pai, eu...

- Por que voltou? – diz Selly me cortando e dando um passo à frente.

- Selly...

- Por que voltou? – diz Jake indo ao lado de Selly.

- Não façam isso comigo, por favor... – digo deixando mais lágrimas caírem.

- Por que voltou? – diz Jozy indo ao lado deles.

- Não... – digo.

- Por que voltou? – dizem todos juntos e repetem diversas vezes, andando em minha direção.

O som de suas vozes ecoavam pelo lugar e me deixava cada vez mais para baixo

- Você foi a pior coisa que nos aconteceu – diz meu pai e não aguento.

Viro-me rapidamente e começo a correr, chorando. Vou a porta da entrada ofegante e a abro. Há uma luz branca e sem pensar duas vezes, adentro-a e me vejo em outro lugar. Estou novamente no corredor da escola, com a lanterna em minhas mãos.

A aponto para o meu lado direito e logo depois para o esquerdo.

Percebo que há lágrimas em meu rosto e as seco rapidamente. Viro-me para trás, para olhar a porta novamente, mas somente me deparo com um armário azul como todos os outros.

Arqueio as sobrancelhas e olho para os outros armários, conferindo se não há uma porta.

 

LOGAN

De repente vejo Piper olha para o chão e seus olhos ficam arregalados.

- Piper? Está tudo bem? – pergunto segurando em seu ombro, mas a mesma segura minha mão com uma força sobre-humana.

Ela torce a minha e solto um gemido de dor.

- Piper... Está machucando – digo me ajoelhando de dor e ouço um estalar de ossos. – Ah! – grito e logo sinto a mão de Gustin tentando separar a minha de Piper.

Ela segura a camisa dele, o olhando e por um segundo que fecho os olhos, tentando não me concentrar na dor, ouço um barulho de metal e sinto minha mão ser solta.

Sento-me com tudo no chão e abro os olhos.

Olho para o meu lado e vejo Gustin estar sentado no chão também, relutante contra a dor, e acima dele, uma porta de armário amassada.

Subo meu olhar a Piper que agora olha para o nada, seus olhos literalmente mudam de cor, para brancos por total.

- Logan... – diz Gustin com a voz um pouco fraca. – Sai de perto dela... Agora...

Faço um sinal positivo com a cabeça e vou me arrastando para o seu lado.

- Obrigado por tentar não deixa-la quebrar minha mão – digo irônico.

- Não há de que – diz ele e percebo a ironia em sua voz também.

Volto meu olhar a Piper que olha para nós dois, seu olhar me transmite medo, causando arrepios em minha espinha dorsal.

De repente ela vira sua coluna vertebral por inteiro e escuto estalos. Seus pés saem do chão e entro em pânico.

- Piper... – digo assustado.

- Et ass néierens ze lafen! Dir wäert vun Angscht verbrannt ginn ... Ech zréck an ech wäert se ëmzebréngen, och mäi Jong, GUSTIN! – ela diz com uma voz estranha e ecoante. Aos poucos, sua expressão vai mudando, o olho fica preto e um calafrio se passa por minha espinha novamente

- O que ela disse? – pergunto olhando para Gustin e sua expressão e de medo por completo.

- Nada... nada que eu saiba... Corre! – diz ele se levantando e me puxando junto. Sua pele está pálida e fria, o que me faz raciocinar por um coisa: “Ele deve saber o que ela quis dizer... Afinal, a única coisa que entendi foi Gustin!”.

- Vamos – digo começando a correr pelo corredor vazio e tenebroso. Ao decorrer de meus passos pesados e rápidos, consigo ouvi-los ecoando e os de Gustin logo atrás de mim.

Meu coração acelerado e a respiração ofegante. Pulsação forte e as pernas bambas. A adrenalina passando o mais rápido que pode.

Olho de soslaio para trás e tenho uma leve impressão de solitário. Não vejo mais Gustin correndo atrás de mim e paro de correr. Fico observando a escuridão a alguns metros de distância de mim e ouço gritos, tanto masculinos quanto femininos.

Respiro fundo e fico somente observando, tentando me acalmar, mas então vejo algo sair da escuridão.

Não o vejo por completo, somente me viro e volto a correr o mais rápido que posso.

Não tenho medidas certas dos meus passos, mas ouço um rosnar estranho atrás de mim e de poucos em poucos sinto um bafo quente se dissipar em meu pescoço.

Viro um corredor a esquerda e subo uma escada. Pulo os degraus em dois em dois, sendo o mais rápido que posso, e quando chego ao último, vejo uma sombra estranha estar virada para a parede.

Não movo um músculo se quer, somente observando aquele feição a minha frente virada de costas para mim. De repente sinto novamente o bafo quente em meu pescoço e começo a suar frio.

Tento fazer o possível para me mexer, mas não consigo. Minha boca começa a tremer e respiro fundo.

Sinto algo estranho e pegajoso se estalar sobre meu ombro direito. Fecho os olhos com força, tentando me dizer que isso é um pesadelo, que logo vai acabar.

Viro minha cabeça lentamente e relutante em direção ao meu ombro direito. Vejo quatro dedos ossudos, pálidos e cinzentos, gosmentos e que tomam a forma de dedos normais assim que vejo sua mão por completo. Se transforma em uma mão bronzeada de um tom escuro de pele.

Viro-me por completo e vejo a minha frente Piper, sorrindo amigavelmente.

- Quem é você? – pergunto assustado.

- Sou eu Logan, a Piper – diz ela e arqueio as sobrancelhas.

- Não... Você é mais um deles – digo e me viro para trás, vendo agora aquela sombra estranha virada de frente para mim.

Seus cabelos negros se mexem no ar, como se estivesse em baixo d’água, seus olhos melancólicos, passando de um olho meu para o outro. Sua boca entreaberta somente transmitia uma escuridão que pairava entre o ar e sua pele pálida e cinzenta.

- O que é isso? – pergunto a mim mesmo respirando fundo e com medo, muito medo.

Cercado por dois demônios... Que vida ótima, não é?

De repente ela abre a boca e um grito ensurdecedor se faz. Minha cabeça começa a latejar, querendo explodir. Minhas veias lixam-se entre si. Levo minhas mãos até a cabeça e me inclino para frente.

- Ah... – solto um grito de dor. – Para... – tento dizer, mas parece que seu grito é infinito.

Minha visão fica turva, minha respiração pesada. Tento me reerguer, mas estou ficando cada vez mais fraco.

Dou um passo em falso em direção a escada e sento o peso de meu corpo todo ser inclinado para frente. Levo as minhas mãos para frente, tentando proteger a cabeça.

Sinto minhas costas se chocarem contra algo pontiagudo e logo depois meus braços. E isso repetidamente até que sinto minhas costas se chocarem contra algo plano e duro.

Solto um gemido de dor e abro os olhos. Subo meu olhar ao alto da escada, vendo aquele demônio estranho que havia gritado me olhando, e acima dele, uma coisa estranha. Algo negro e sombrio.

- Não tenha medo... – diz o demônio enorme. – Vamos somente comer seu coração.

Respiro fundo e faço um esforço para me levantar, mas não consigo. De repente sinto duas mãos fortes me segurarem no braço e me levantar. Não vejo quem é, mas só consigo perceber quer estamos correndo.

Meu tornozelo está dolorido, por isso dou alguns pulos ao invés de correr por muito tempo.

- Logan... – escuto e a reconheço. – Temos que correr...

Olho para o lado e não acredito no que vejo. Cabelos castanhos escuros, olhos esverdeados, pele branca levemente bronzeada, olhar assustado.

- Como isso é possível? – digo tentando correr e vejo uma sala. – Aqui...

Paramos de correr e olho rapidamente para trás, me certificando de que aqueles demônios estejam longe de nós. Ele abre a porta e entro, e logo em seguida ele.

- Precisamos conversar – diz ele fechando a porta. Olho para trás de mim e percebo que estamos numa sala de aula mal iluminada pela lâmpada acesa e alaranjada. Ele corre em direção a mesa grande que fica na frente da lousa e a puxa, colocando-a na porta.

Respiro fundo e começo a andar para o outro lado da sala, mancando um pouco e fazendo uma careta de dor quando piso em falso mais uma vez.

Sento-me na carteira e ele vem andando às pressas, se sentando a minha frente. Desvio o olhar rapidamente para a lousa, que na qual está escrito em palavras grandes “Socorro!”; “Me ajude!”; “Não!”; “Ele está vindo”; “Vocês serão os próximos”.

Viro minha cabeça lentamente para o fundo da sala de aula. Carteiras arrumadas, como se nunca tivessem sido tocadas na vida. Mas há uma que estranhamente me chama a atenção, que está totalmente suja por algo gosmento e preto, com um pequeno rastro feito por alguém recentemente.

- Como isso é possível? – pergunto voltando o olhar atentamente para seus traços.

- Esta cidade é repleta de demônios... – diz ele histérico assim como eu. – Mas não demônios normais, refletem seus piores medos... – diz ele e então me toco de algo.

 - Isso não é possível... Eu não tenho medo... – digo arqueando as sobrancelhas e olhando para o chão sujo por pegadas grandes e pretas.

- Logan... – diz ele. – Você tem medo de si mesmo... Um dos seus piores medos...

Ergo meu olhar novamente a ele, é como se eu estivesse me vendo por um espelho. Minha respiração pesa e ouço barulhos a porta, que logo se explode, jogando a mesa que finca na parede ao meu lado.


Notas Finais


Oii gentem...
Estão bem? Espero que sim hein kkkk

O que acharam do capítulo? Aposto que querem saber muito o que a Piper quis dizer com aquelas palavras estranhas, né non? Mas só vão descobrir no próximo capítulo hahahahahaha


Bom, espero que tenham gostado do capítulo, comentem aqui embaixo o que acharam, se gostaram se não gostaram, o que acham que vai acontecer, o porque de ter o nome do Gustin ali no meio kkkk. Peço desculpas pelo capítulo enorme, e parece que a partir de agora, pela criatividade e um bom senso de trazer algo que vocês, leitores, gostem está vindo a tona kkkkk

Agora vamos as notícias ruins: Não sei ainda os dias certos para postar, pois sempre tem aquele maldito imprevisto para estragar tudo... então eu quero fazer algo... Se tudo der certo, segunda-feira estarão sabendo kkkk

Kisses


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