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História Snapshots - Tradução - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Em algum lugar um sino está tocando.


Capítulo Dez - Em algum lugar um sino está tocando
 Sábado, 27 de agosto de 2044

 "Foi um verão incrível",  falou Blaine, quase perdido nas lembranças do sol, do oceano e da magia.  Ele tirou a foto de si mesmo fazendo o discurso que, até hoje, ainda é referenciado em encontros ocasional.  Deixou o prato vazio de lado, permanecendo no olhar triste e saciado nos olhos de Kurt na última foto dele no primeiro apartamento.  Kurt suavizou um vinco no bilhete para o cruzeiro que os levara ao México, com o sol quente da tarde iluminando seus rostos enquanto eles ficavam juntos no calor cintilante de Cozumel, antes de passar com reverência o texto desbotado das letras amareladas que  mudou suas vidas para sempre.

 "O melhor", concordou Kurt.  "É claro que eu poderia ter vivido sem a máfia dos mosquitos perseguindo todos os meus passos..."

 "Você nunca vai deixar de se lembrar disso, não é?”

 "...Não."

 "Algo que eu sempre quis saber", começou Blaine depois que eles se viraram para a próxima página. A foto era do Natal de 2016 na casa dos Hummel-Hudson. Kurt quase visivelmente estremeceu com os hediondos suéteres de natal em que Carole os forçara a vestir.  Ele ergueu as sobrancelhas um pouco para Blaine, levando-o a continuar.  "Por que você não me beijou naquela noite?"

 Kurt não disse nada por um momento.  “Eu... eu simplesmente não podia. Vamos apenas... Vamos apenas dizer que foi por causa dos charutos.  Eu ainda podia sentir o cheiro deles em você, mesmo depois de tomar banho.”

 "Eu nem fumei!"  Blaine exclamou, embora ele estivesse rindo.  Kurt tentou não demonstrar seu alívio pelo fato de que, às vezes, seu marido ainda podia ser incrivelmente alheio.  Mas havia algumas coisas, alguns momentos que ele simplesmente não tinha coragem de arruinar.  "E ei, você não parecia se importar com a maneira como eu cheirava depois do nossa despedida de solteiro”. 

 “Eu estava chapado, Blaine.  Você sabe que não deve tentar me responsabilizar por qualquer coisa que aconteceu naquela noite”, disse Kurt, arrogante.

 "Blame it on the goose, got you feeling loose” (Culpe o ganso, você está se sentindo solto), Blaine cantarolou em seu ouvido.

 "O ganso não teve nada a ver, como você bem sabe", Kurt bufou, se contorcendo quando as mãos de Blaine encontraram o ponto sensível entre suas costelas. “E, de qualquer forma, tudo foi culpa sua por ser um facilitador em primeiro lugar."

 "Espera espera. Só para ter certeza de que estou entendendo, aqui. Você está dizendo que enquanto eu estava desmaiado no chão do banheiro e você estava esgueirando-se para... Bem, seja lá o que você tenha feito... que foi minha culpa”, Blaine declarou incrédulo, em vez de perguntar.

 "Sim", disse Kurt, colocando um dedo na boca de Blaine quando seus lábios se abriram para protestar.  "Mas não vamos nos antecipar."

 Domingo 25 de dezembro 2016

 Enquanto Kurt estava na pia com Carole, secando os pratos que ela passava para ele e examinando seu reflexo no espelho escuro da janela da cozinha, ocorreu-lhe que ele não via nem ouvia Blaine há alguns minutos. Ele ouviu atentamente por um segundo, inclinando a cabeça em direção à sala de estar, mas tudo o que ele podia ouvir eram os murmúrios baixos das vozes de Finn e Burt contra a TV.  Não havia nada da cadência profunda e reconfortante da voz que ele viria a associar semanticamente ao cheiro de café da manhã; as antigas canções da Katy Perry;  de acordar envolto em um abraço caloroso.

 “Blaine foi a algum lugar?”, ele perguntou a Carole, tentando manter a tensão rastejante longe de suas palavras.

 “Sim, querido, ele saiu. Ele não te contou?”

 Kurt balançou a cabeça, desculpando-se enquanto ia para o corredor e puxava o telefone do bolso enquanto se empoleirava nas escadas.

 Kurt: Aonde você foi?  

 Blaine: Quer me fazer companhia? 

 Kurt: Claro! Certo.  

 Blaine: Vire a direita, direita, esquerda, depois mais duas vezes à direita e continue em linha reta. Você saberá onde me encontrar quando chegar aqui. Se aqueça pois está frio. Eu te amo. xoxo 

 Kurt nem precisava mapear a jornada em sua mente - ele havia percorrido esse caminho com frequência suficiente para saber para onde aquelas direções o levavam. Blaine sabia disso, e Kurt sabia que ele sabia - ele provavelmente não queria aparecer e dizer que estava no cemitério.

 "Blaine foi ver minha mãe", ele disse a Carole, quase se desculpando, depois de voltar à cozinha.  Ela simplesmente olhou para ele com um sorriso triste, com as mãos ainda imersas.

 "Eu imagino o porque”, disse ela calmamente, e Kurt mordeu a língua para não perguntar por quê.  "Estou quase terminando aqui, se você quiser se juntar a ele."

 "Você se importaria se eu fizesse?"

 “Não, querido, de jeito nenhum. Pegue a caminhonete do seu pai, ele colocou os pneus de neve há algumas semanas.  Você sabe como ele se preocupa”, disse ela com carinho.  Kurt se inclinou e a beijou na bochecha antes de atravessar a sala para recuperar as chaves e dizer ao pai para onde ele estava indo.

 Enquanto dirigia, Kurt ouviu o rádio, sorrindo um pouco quando DJ aconselhou a alguém louco o suficiente para sair de casa deveria prestar atenção especial à próxima música: Baby, It's Cold Outside.

 A noite anterior tinha sido a última de três noites na casa de Blaine.  Blaine havia lhe dito que o Natal nunca fora exatamente um grande acontecimento na casa dos Anderson no passado, e este ano tinha o potencial de ser positivamente solene na ausência de seu pai.  Mas, de alguma forma, entre a reprise de seus dueto original e o drama aparentemente interminável de Blaine e Cooper, enquanto ele jogavam Monopoly, não fora tão insuportável.  Quando finalmente se retiraram para a cama, fizeram amor quase silenciosamente, com os olhos presos de uma maneira que fez o coração de Kurt bater irregularmente. Soltaram gemidos profundos e abafados por beijos e mãos sobre as bocas, era como se eles estivessem voltado aos dezessete anos novamente e não podiam fazer barulho para que ninguém os pegasse.

 Kurt virou os olhos para o pulso por apenas um segundo, ainda um pouco incapaz de superar o presente de Fiona (não a Sra. Anderson, como ela insistia repetidamente) e o quanto ele havia adorado. Ela havia comprado dois relógios, como aqueles presentes combinados para casais e por mais que Kurt tentasse não demonstrar supresa, ele havia ficado emocionado em como a família de Blaine estava finalmente os aceitando. O dele era preto, simples e discreto, mas elegante e, de alguma forma, combinou com tudo que ele levou de seu armário.

 Ele parou no estacionamento quando os ponteiros do relógio marcavam as quatro e meia da tarde e sabia que não haveria muito tempo. Ele havia memorizado o horário da visita a muitos anos atrás, quando visitava sua mãe todo domingo, e eles não haviam mudado. Quando Kurt saiu da caminhonete, entrou na capela como sempre, levando consigo a vela que trouxera de seu quarto. Era perfumada;  a coisa mais próxima que ele fora capaz de encontrar.  Às vezes - naqueles dias particularmente difíceis em que tudo que ele queria era segurar era braços maternais amorosos - ele ainda se deitava no chão com um braço jogado sobre os olhos, em frente à cômoda que antes fora de sua mãe e que agora morava no apartamento dele e de Blaine. 

 Ele pegou uma vela, pousou-a no santuário e acendeu o pavio. Kurt nunca tinha sido religioso, mas algo sobre as velas sempre parecia simbólico;  era reconfortante que em algum lugar, uma luz estivesse acesa para Elizabeth Hummel.

 Ele parou um momento depois, antes de seguir os passos de muitos anos ao longo do caminho para a lápide de sua mãe. Os terrenos estavam cobertos de neve, e Kurt sempre amou o modo como a neve parecia iluminar o mundo a partir do próprio solo.  Blaine estava sentado de pernas cruzadas com quatro velas acesas na frente dele, e ele espalhara lilases na lápide. A cena fez o coração de Kurt doer, e ele se inclinou para a frente para abraçar o pescoço de Blaine por trás.

 "Obrigado", ele sussurrou, abaixando-se sobre o cobertor macio que Blaine havia espalhado pela neve.

 "Eu costumava vir muito aqui, quando você estava no seu primeiro ano na NYU", disse ele, passando os dedos pelos de Kurt.

 "Você vinha?” 

 Blaine assentiu. “Eu tinha ensaios do coral todas as sextas a noite”, continuou ele, e Kurt quase podia ouvi-lo capitalizar as palavras.  “Depois, no meu caminho de casa, eu sempre parava aqui e conversava com sua mãe, contando a ela tudo sobre você e como você estava. Isso meio que... Isso fazia me sentir mais perto de você, de certa forma, como se eu pudesse fazer isso por você enquanto você estava tão longe.  Eu não... eu não sei, acho que não queria que ela ficasse sozinha com você longe”. 

 Kurt não pôde evitar as lágrimas ardendo em seu rosto,  com a pele debaixo delas tensa enquanto congelavam no ar frio da tarde. Ele se inclinou para a frente, roçando os dedos nas letras do nome da mãe.

 "Era demais?”, Blaine perguntou baixinho, com os olhos abatidos enquanto esfregava conscientemente a parte de trás do pescoço.  Kurt levantou a mão por baixo do queixo de Blaine, inclinou suavemente o rosto e deu um beijo suave nos lábios.

 "Sempre", confessou Kurt. “Mas eu não mudaria isso."

—————————————————————————

 Às oito da noite, depois que todos comeram um pedaço do delicioso bolo de nozes de Carole (no caso do Finn, dois), a mesa foi limpa, Kurt e Blaine foram deixados sozinhos na sala de jantar.  Kurt esticou os braços acima da cabeça e recostou-se na cadeira, sentindo os olhos de Blaine nele.

 "O que?"  ele perguntou suavemente.

 “Eu estava pensando em como tenho orgulho de você.  O Kurt Hummel teve outro ano muito bom”, ele disse, e Kurt sorriu.

 Blaine se considerava sortudo em nome de Kurt, pois por mais que o trabalho do castanho fosse exigente e as horas às vezes ficavam um pouco curtas para o seu próprio gosto, seu chefe era na verdade um amor. Ele tinha visto O Diabo Veste Prada mais vezes do que realmente gostava de admitir, e ficou aterrorizado até que Kurt chegou em casa no final de seu primeiro dia, com seu sorriso o precedendo. Ele abriu a boca para dizer algo mas foi cortado por Burt entrando na sala de jantar, segurando dois charutos pré-cortados na mão.

 Kurt revirou os olhos. “Sério, pai? Ainda?"

 "É tradição", disse Burt, simplesmente, e estendeu um para Blaine.  Ele olhou de lado para Kurt, que balançou a cabeça e levantou as mãos exasperado.  Blaine foi pego por um segundo;  ele sabia que essa poderia ser uma das poucas oportunidades convenientes que ele conseguiria para conversar com Burt sozinho, mas a decepção potencial de Kurt nele já era quase demais para suportar. Hesitantemente se preparando, ele pegou o charuto e se levantou, tentando ao máximo ignorar o modo como Kurt se irritava.

 “Eu estarei na sala de estar”, murmurou Kurt, saindo da sala de jantar com a tensão nos ombros.

 "Ele não ficará chateado por muito tempo", disse Burt, batendo a mão no ombro de Blaine, "Carole está se preparando para assistirmos uma história de Natal".

 Blaine sorriu firmemente, levantando-se.  "Você fuma um charuto todo Natal?"

 "Velha tradição do meu pai", Burt ofereceu a título de explicação.  “Tenho que passar para alguém.  Eu estarei lá fora”. 

 Uma vez que Blaine vestiu o casaco, ele respirou fundo.  Ele estava mais do que confortável com o pai de Kurt depois do número de anos que eles estavam juntos;  eles já se sentiam uma família.  Mas isso não serviu para deixá-lo menos nervoso com o que estava prestes a fazer.  O que ele estava prestes a perguntar.

 Lá fora, Burt já havia acendido o charuto. Blaine estremeceu, apertando o casaco com mais força antes de se sentar na espreguiçadeira de madeira ao lado da de Burt, uma pequena mesa entre eles com um pequeno cinzeiro de vidro no centro.  Ele segurou o charuto entre os dedos incerto por um momento.

 “Você não precisa se não quiser, garoto”, disse Burt, com seu olhar fixo em algum lugar no meio do gramado.  “Eu apenas ofereci para que eu pudesse te trazer aqui;  você tem agido estranho o dia todo”. 

 Blaine riu, sua respiração como uma pluma à luz da cozinha que caiu no pátio.  "Eu realmente não sou do tipo de charuto."

 “Acho que não. Agora me diga o que houve”, disse Burt, lançando a Blaine um olhar conhecedor.

 "Sr.  Hummel—“

 "Burt".

 "Burt", Blaine corrigiu.  "A razão pela qual eu queria falar com você sozinho é..."

 “Você não vai me fazer ter outra conversa com Kurt, vai?  Porque filho, acho que esse navio já navegou há muito tempo pelo sol”. 

 Blaine mordeu o lábio com o uso quase casual de Burt da palavra "filho" e tentou não deixá-la doer muito.

 "Não não. Nada disso." Ele fez uma pausa, lutando para agarrar os fios das palavras que ele queria dizer.

 "Então, o que é?"  Burt pediu depois de um longo momento, fumando o charuto.  A fumaça pairava espessa no ar parado ao redor deles, e Blaine teve que admitir que o cheiro não era totalmente terrível.  Era um perfume forte que tinha algo de um pouco desagradável, mas era rico, profundo e intrigante.

 Blaine sentou-se ereto em seu assento, virando-se para encarar o pai de Kurt completamente.  "Gostaria formalmente de pedir sua permissão para casar com seu filho."

 Burt pousou o charuto no cinzeiro, com a brisa leve fazendo os cachos de fumaça dançarem preguiçosamente em direção a Blaine.  Ele inalou lentamente, com os olhos fixos nos de Blaine como se o estivesse avaliando.

 "Você ama ele."

 "Sim, senhor", respondeu Blaine, sabendo que Burt estava simplesmente reconhecendo o fato, em vez de questioná-lo.

 "E você vai tratá-lo direito."

 "Sim senhor.  Enquanto ele me quiser”.

 Outra longa, longa pausa.  “Bem, eu amo vocês. Você tem minha permissão e minha bênção”, disse Burt.  "Quando você pretende perguntar a ele?”

 Blaine exalou pesadamente, passando a mão por seus cachos rebeldes.  “Sinceramente, não faço ideia.  Eu já passei por tantas datas diferentes na minha cabeça.  O problema com Kurt é que ele adora romance, mas tem que ser original.  Nenhuma proposta de Natal clichê ou de ano novo.  Não em um aniversário e definitivamente não no dia dos namorados. ”

 Burt riu.  "Você o conhece muito bem."

 "Como as palmas da minha mão", Blaine respondeu distraidamente.

 "Você já comprou o anel?"

 Blaine assentiu. Ele carregava o anel com ele em todos os lugares;  não havia uma polegada do apartamento deles em segurança, especialmente quando Kurt estava em um serviço de limpeza. “Eu o tenho aqui", disse ele, lentamente, puxando a pequena caixa do bolso do casaco e segurando-a no colo. “Eu não posso mantê-lo no apartamento."

 "Eu posso?"  Burt perguntou, e Blaine entregou a caixa. Burt soltou um assobio baixo quando viu o anel com tres pequenos diamantes, e limpou a garganta bruscamente antes de passá-la de volta para Blaine.  "Você fez bem, garoto."

—————————————————————————

 Kurt observou a troca, de olhos arregalados, da janela do quarto.  A janela estava fechada para que Kurt não soubesse do que estavam falando até Blaine enfiar a mão no bolso, pegar uma pequena caixa escura e passá-la ao pai de Kurt.  Ele desviou o olhar naquele momento, apenas olhando para trás depois de um minuto agonizante.  Burt se levantou, apertando firmemente a mão de Blaine antes de puxá-lo para um breve abraço e bater com a mão no ombro dele.

 Só vim tocar colocar o pijama, pensou Kurt, atordoado.  Ele estava pedindo a permissão do papai.

 Ele quase não se atreveu a acreditar em seus próprios olhos.  Eles haviam conversado sobre se casar antes, é claro que haviam. Especialmente desde que se mudou para Nova York, onde o casamento gay era legal.  Mas, além daquela conversa no topo do Empire State Building, no dia seguinte em que eles se mudaram para o primeiro apartamento (e Blaine parecia ter um fascínio renovado pela bunda de Kurt, ele nunca teve certeza de que Blaine realmente estava o ouvindo ou até  sabendo o que ele estava concordando), Blaine nunca havia dado qualquer indicação real de que um dia pretendia propor, dizendo apenas que, quando chegasse a hora, eles o fariam.

 As leis em Ohio finalmente mudaram e, aparentemente, era a hora certa.

 "Ei, você", veio a voz de Blaine da porta, com o cheiro de fumaça de charuto o acompanhando.  Kurt sentiu como se estivesse saindo de sua pele.

 "Ei", ele respondeu trêmulo. Suas mãos estavam tremendo, e ele enrolou os dedos nos jeans para tentar esconder o melhor que pôde.  “Vim trocar de pijama.  É outra tradição de Natal.  Mas você não precisa, hum... se estiver com frio, ou... qualquer coisa.”

 Blaine lançou-lhe um olhar interrogativo. “Acho que vou tomar um banho e depois me juntarei a vocês.  Mas precisa esperar por mim.”

 "Não, não, é claro que vamos", disse Kurt rapidamente. Um flash de preocupação passou pelo rosto de Blaine.

 "Você está bem?"  ele perguntou suavemente, dando um meio passo à frente. Kurt fez o possível para parecer imperturbável enquanto se levantava, assentindo e sorrindo o mais genuinamente possível.  Um silêncio constrangedor e antinatural se estabeleceu entre eles, e antes que Blaine pudesse dizer mais alguma coisa, Kurt deu meia-volta e atravessou o quarto, abrindo a porta do mesmo e saindo da vista de Blaine.  Ele prendeu a respiração enquanto Blaine pegava algumas roupas em sua  mala e se retirava para o banheiro.  Assim que Kurt ouviu o chuveiro ser ligado, ele caiu contra a moldura da porta.

Era Demais?

 Sempre. Mas eu não mudaria isso.

 Kurt realmente não tinha idéia do poder de suas próprias palavras até aquele momento.  Vendo Blaine puxar a caixa do bolso, virando-a nas mãos... Essa caixa continha o anel que ele daria a Kurt quando ele propusesse.

 Blaine ia propor. Ele ia pedir que Kurt fosse dele, para sempre. Até ficarem velhos e grisalhos (mas ainda impecavelmente na moda), sentados em uma varanda em algum lugar, ainda de mãos dadas e sorrindo sempre que ouviam Teenage Dream no rádio durante um especial de tempos dourados. Havia algo queimando em seu estômago. Era quase demais, e Kurt sabia que se deixasse Blaine chegar perto dele naquela noite, ele não seria capaz de se conter.  Ele deixaria escapar o que tinha visto e estragaria a coisa toda.

 Então ele decidiu manter distância naquela noite, o máximo que pôde, sem deixar Blaine desconfiado.  Dormir ajudaria a acalmá-lo e centralizá-lo; sempre ajudou-o no passado. E se Blaine perguntasse o que estava acontecendo, ele diria a ele... Ele diria que não podia suportar o cheiro da fumaça de charuto que ainda se agarrava à sua pele.

 Quando desceu as escadas, Kurt optou por sentar-se na poltrona de seu pai, que sempre o lembrava das espreguiçadeiras de Chandler e Joey em Friends.  Era desconfortável, moldado mais à forma de Burt do que à dele, mas melhor do que sentar com o braço de Blaine em volta dos ombros, o peito de Blaine subindo e descendo contra a bochecha de Kurt, o batimento cardíaco constante de Blaine sincronizando com o seu. Melhor do que perder o controle sobre a energia e a emoção que clamavam sob sua pele e explodiam em um milhão de pedaços, todos gritando 'sim' em mil dialetos diferentes.  Kurt se perguntou, por um momento, se Blaine iria propor aqui. Se fosse honesto, agora que estava diante da realidade de que isso iria acontecer, ele realmente não se importava com a perspectiva de uma pedido no meio das feiras. Mas ele queria que fossem apenas os dois. Eles eram os primeiros um do outro, e quando Blaine pediu que Kurt fosse seu último, foi um momento que Kurt não quis compartilhar com ninguém.

 "Você está bem, Kurt?"

 A voz de Burt quebrou o devaneio de Kurt, e ele passou os braços em volta de si mesmo enquanto olhava para o pai sentado ao lado de Finn na extremidade mais distante do sofá.

 "Melhor impossível”, respondeu Kurt suavemente, notando a maneira como Burt tentava disfarçadamente roubar um vislumbre do dedo anelar de seu filho.  Por um momento fugaz, ele parecia querer dizer mais alguma coisa, e Kurt se preparou. Felizmente, naquele momento, Carole entrou com tigelas de pipoca e sacos de batatas fritas com baixo teor de gordura que estavam na lista pré-aprovada de Kurt.  Ele teve que esconder um sorriso ao olhar descontente no rosto de Burt quando percebeu que o Natal era apenas mais um dia quando se tratava de lanches.

 Eles conversaram amigavelmente por alguns minutos enquanto esperavam por Blaine.  Kurt conseguiu orientar a conversa para se concentrar em Finn, que, para surpresa de Kurt, estava falando sobre o estado atual da economia de maneira informada e com conhecimento.  Ele realmente floresceu na faculdade, finalmente encontrando-se no caminho certo e saiu com uma sólida formação em negócios e economia. Ter uma figura paterna forte e com um legado para deixar para os filhos finalmente dera a Finn o caminho certo para provar a si mesmo, e Kurt nunca esteve mais orgulhoso em chamá-lo de irmão.

 Blaine finalmente entrou na sala, lindo, com uma blusa preta mais justa e uma calça cinza de pijama, com o cabelo ainda úmido. 

 "Ei, querido", Carole o cumprimentou brilhantemente enquanto se sentava no final do sofá mais próximo de Kurt.

 "Então, eu nunca assisti uma história de natal", Blaine admitiu um pouco timidamente.

 “Bem, você vai gostar.  É um clássico” Kurt conseguiu, atirando em seu noivo - namorado, Kurt, ainda não aconteceu - um sorriso caloroso.

 Na maior parte, o resto da noite passou sem incidentes.  Toda vez que os dedos de Blaine roçavam os dele, um frisson de faíscas subia e descia a espinha de Kurt, e ele tinha que morder a parte interna da bochecha para evitar fazer algo realmente estúpido, como subir graciosamente no telhado da garagem e cantar músicas inventadas sobre O cabelo de Blaine ou algo assim. Ele estava quase se fazendo querer vomitar.  No final do filme, Kurt estava com uma terrível dor de cabeça ao assistir na escuridão, e o desejo de encenar um show de um homem na cobertura foi superado pela pressão atrás de seus olhos. 

 Depois de dar um boa noite à família e agradecer pelo maravilhoso Natal, Kurt deixou Blaine levá-lo até a cama e aceitou com gratidão o copo de água fria e o Tylenol com o qual ele foi presenteado.

 "Você tem certeza que está bem, querido?"  Blaine perguntou, com suas mãos leves nos joelhos de Kurt enquanto ele se ajoelhava na frente dele.  Kurt avançou lentamente, encostando a testa na de Blaine.

 "Obrigado por cuidar de mim", respondeu ele, evitando a pergunta com cuidado.

 "Sempre", disse Blaine, e para Kurt parecia uma promessa.

 Logo depois, Blaine estava apagando as luzes, subindo na cama atrás dele e sussurrando eu te amo em seu ouvido.  Finalmente relaxando nos braços de Blaine, Kurt já podia sentir-se a deriva, e seu último pensamento antes de dormir alegou que era que talvez ele devesse seguir uma carreira de ator depois disso tudo.



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