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História SNARRY - The green eyes - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O acordo


Harry bebericou com certa desconfiança o chá de ervas que o professor lhe oferecera, mal conseguia acreditar que estava mesmo vivendo aquela situação: encurralado e sozinho com o malvado professor Snape a lhe espreitar suspeitosamente do outro lado da sala de estar da própria casa. A casa do professor era uma casa comum, facilmente confundida com a moradia de um trouxa se não fossem os curiosos títulos dos pesados livros colocados às prateleiras e alguns frascos com coisas viscosas e estranhas que dificilmente seriam encontradas no lar de alguém não-mágico. Harry observava tudo curiosamente, evitando encarar o olhar do professor encostado à um pequeno armário ao lado da porta de entrada, ele parecia muito aborrecido, mas ainda assim oferecera ao garoto um chá e pedira-lhe para sentar.

- Eu não envenenei o chá, se é isso que está pensando. – o homem quebrou o silêncio angustiante. Não tirara os olhos do rapaz desde que este entrara na casa.

- Não pensei isso. – Harry apressou-se a dizer.

- Então beba.

Harry, percebendo que estando debaixo do teto do homem não tinha moral e direito algum para desobedecer, bebericou o chá mais uma vez, tentando manter sua expressão a menos nervosa possível. – Explique-se, Potter. – Snape murmurou, de repente.

O garoto baixou as mãos que seguravam a xícara fumegante lentamente e encarou os tensos olhos do professor, esperando ver ali algum ódio ou desprezo, mas não conseguiu captar nada disso. Parecia estar se controlando para ser cordial, mas por quê?

- Sobre o quê? – questionou, confuso.

- Por que não volta para casa? E por que está aqui?

Harry deu um suspiro cansado, preparando-se para dar uma longa explicação, abriu a boca por alguns breves instantes, preparando-se para falar, e então, a fechou repentinamente, pensando na maneira menos penosa de explicar a causa de seu aparecimento aleatório na vizinhança, não era nada demais, mas Snape o deixava nervoso, como se fosse o acusar de qualquer coisa a qualquer palavra que dissesse.

- Bem, como eu disse, meus tios foram viajar. – começou a dizer, lentamente, escolhendo bem cada sílaba do que falava. – Não queriam me levar para as férias em Majorca e sinceramente eu não queria ir. Também não quiseram me deixar a chave de casa, disseram que eu deveria ir para a casa de algum dos meus amigos em Hogwarts. Eu pen...

- E por que o senhor não os obedeceu? Tenho certeza que Weasley não se recusaria a abriga-lo por algum tempo. – Snape o interrompeu.

- Eu sei. Mas... Eu não quis, ok? – Harry admitiu. – Não quis pedir ajuda mais uma vez, e exibir para todos que tenho uma vida digna de pena ou algo assim, eu resolvi me virar.

- Sozinho? Sendo um bruxo menor de idade? Procurado pelo Lorde das Trevas em pessoa e todos seus seguidores? Sério, Potter? Eu sabia de sua estupidez, mas jamais imaginei que chegaria a tanto. – Snape zombou.

- Eu não pensei nisso, ok? – Harry bufou, irritado.

- Isso é óbvio. – o professor retrucou. – Potter, tenho certeza absoluta de que Dumbledore já lhe informou que andar sozinho pelo país não é o jeito mais fácil de se manter vivo quando se têm dezenas de bruxos das trevas a sua procura. Você pode pensar que é forte e poderoso porque se safou de alguns perigos (por pura sorte, creio eu), mas você não é páreo para um bruxo adulto e muito menos para Lorde Voldemort.

- Eu sei, já disse que não pensei nisso. – Harry aborreceu-se. – Olha, não pedi sua ajuda, se vai ficar me insultando eu prefiro ir embora. – e levantou-se, dirigindo-se corajosamente à porta de entrada.

O professor foi mais rápido, em um ágil movimento estava na frente de Harry, encarando-lhe com aquele velho ar de zombaria de quem diz “Sério?”.

- Não ache que lhe deixei entrar porque me importo com você, Potter, como eu disse, recebi ordens. – esclareceu, encarando profundamente os olhos verdes do garoto baixo à sua frente. – Se tornar a sair por aquela porta – e ele apontou para a porta à suas costas. – Não vai voltar, e eu não me responsabilizo por mais nada do que lhe ocorrer.

- Ótimo. – Harry resmungou, desviando do professor e tentando seguir até a porta, mas Snape agarrou seu braço e o puxou para perto novamente.

– Você não vai sair.

- O senhor pode por favor me soltar? – Harry bufou, repuxando o braço ainda preso no puxão de Snape. – Me deixe em paz, não vou voltar mais aqui, prometo.

O puxão no braço do garoto diminuiu repentinamente, mas Snape não o soltou.

- Esqueceu-se de responder uma coisa, Potter, por quê é que está aqui? – questionou, os olhos demonstrando desconfiança.

- Me solte e eu lhe respondo. – Harry barganhou.

Snape afrouxou o aperto, mas não o soltou, e o garoto baixou os olhos resignado, pensando novamente em uma forma menos penosa de explicar-se. Ele voltou a encarar os olhos frios de Snape alguns segundos depois.

- Certo, eu não sei quase nada sobre meus pais, então, agora que tenho tempo, resolvi fazer uma viagem em busca de detalhes sobre suas vidas, sabe, só pra... conhece-los. – murmurou, Harry ficou observando a expressão do professor mudar um tantinho, sem entender. – Posso ir embora, agora? – pediu.

Snape sentiu-se novamente a temer que Harry descobrisse sua participação essencial no passado dos pais, mas, a quem o rapaz perguntaria? Até onde Snape se lembrava não havia nenhum morador na vizinhança que houvesse vivido naquela época e se lembrasse de Lílian Evans e do garotinho pálido que costumava andar grudado a ela. Seus olhos piscaram rapidamente, como se ele estivesse pensando nervosamente em algo, e Harry captou aquele mínimo sinal de incômodo, mas nada comentou, querendo livrar-se o quanto antes das perguntas e insultos do professor. – Posso? – ele tornou a perguntar, como se avisasse a Snape que independente do que o professor pensava tão seriamente em sua mente, ele ainda estava à sua frente querendo ir embora.

- Não. – Snape respondeu depressa. – Potter... – ele pareceu novamente pensar em algo muito incômodo, suas sobrancelhas quase se juntaram. – Potter, se eu lhe ajudar, nessa tal busca por informações... Promete ficar aonde eu possa vê-lo? – pediu, num tom mais educado do que se dirigira a Harry nos últimos seis anos.

Harry boquiabriu-se rapidamente, chocado com o pedido bizarro do professor, mas então, percebendo que não era uma boa hora para fazer cara de idiota ou discordar, ele pensou seriamente no que acabara de ouvir por alguns instantes, ainda encarando os olhos negros que lhe fitavam profundamente.

- Só se você soltar o meu braço. – disse, olhando aborrecido para o braço que Snape ainda segurava.

O professor o soltou instantaneamente e mostrou as mãos, como se dissesse que não pretendia mais fazer aquilo. – Nesse caso, prometo. – Harry respondeu, um meio sorriso enfeitando o rosto.

Snape não sorriu de volta, tampouco, apenas suspirou e encarou mais uma vez os olhos verdes de Harry, com uma sensação estranha no estômago.



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