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História So far, but so close - Capítulo 10


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Notas do Autor


Boa noiteeeeee !!!
❤️ Querem Nichorello?
Vauseman? Pois aí está...
Boa leitura ❤️

Capítulo 10 - Shit coward


Capítulo 10

 

         PIPER DANÇAVA PARA MIM. Eu estava sentada em um sofá, não tinha ainda reconhecido o lugar, mas isso era o que menos interessava nesse momento. O mais importante era ela. E ela estava ali diante de mim, usando somente uma lingerie de cor vermelha, dançando para mim.

         Meu coração ia até a boca e voltava. Meu estado era bem critico. Erguendo a mão, pois ela estava agora bem próxima de mim, a puxei para que meus lábios fossem de encontro aos seus. Macios... Doces... Assim como eu me lembrava de serem.

         Nossas línguas se encontraram em questão de pouco tempo. Piper sentou-se em meu colo, uma perna de cada lado de meu corpo, e em seus lábios um sorriso travesso.

— Eu esperei tanto por isso... — murmure passeando minhas mãos por suas costas.

Em resposta ela mordeu o lábio inferior. — Shiuu... — colou o dedo em meus lábios. — Não fala nada — aplicou mais um beijo em meus lábios, puxando no final o meu lábio inferior. Provocando-me.

         Meu coração bombeava de uma forma que eu não sabia descrever. Nossas bocas se procuravam com ânsia, assim como as mãos em todas as partes de nossos corpos. O corpo de Piper estava pegando fogo, literalmente e sem exagero.

         Rasguei sua lingerie sem remorso, deixando seus seios finalmente expostos, e no instante seguinte minha boca estava junto a eles, chupando-os.

 

DESPERTEI COMPLETAMENTE SUADA E EM UM ESTADO DEPLORÁVEL DE EXCITAÇÃO.

— Ah, que porra! — resmunguei sentando-me na cama e completamente frustrada.

TINHA SIDO A PORRA DE UM SONHO?

E que sonho...

Fechei meus olhos com força e comprimi os lábios.

— Cacete... — me ergui para tomar um banho, ainda bem cedo, mas somente um banho bem frio para acalmar meus ânimos.

 

//

“Ansiosa para me fotografe hoje.”

 

         Fiquei um bom tempo lendo aquela mensagem de Piper. Estava quase no horário de almoço e o sorriso teimava em não querer sair de meu rosto.

Ah, Piper...

— E aí? — Nicky abriu a porta da minha sala, já entrando.

Analisei-a com atenção. — O que foi agora?

Nicky desabou na cadeira de frente para minha mesa, e passou as mãos nos cabelos. — Estou fodida. É isso.

Assenti e fui em busca de um bom Uísque para nós duas, pois sabia que a conversa seria tensa.

— Eu estou noiva, tenho um afeto enorme pela Shani que é uma pessoa incrível, mas agora Lorna voltou com tudo na minha vida e eu percebi que infelizmente para mim, eu ainda a amo da mesma maneira como há quatro anos, você sabe, porque eu nunca deixei de amá-la, na verdade — disso tudo de uma vez e bebeu Uísque em um gole só.

— Ei, vai com calma aí — a repreendi sentando-me novamente.

— Eu estou morrendo de medo e extremamente confusa, Alex — suspirou deixando o copo sobre a mesa. — Eu não quero magoar a Shani e muito menos terminar um segundo casamento, mas eu amo a Lorna... E agora ela vai ficar na minha vida, porque ela é sócia da minha noiva.

— Por que não abre o jogo com você, com Shani e Lorna e vai atrás da sua felicidade? Você sabe que Lorna ainda é apaixonada por você — falei bebendo meu drinque em seguida.

— Não posso fazer isso — murmurou.

— Por que não?

— Terminar com a Shani para voltar com a Lorna? — indagou incrédula. — Isso me parece uma péssima ideia, além do mais, acho que ela já está envolvida com um cara aí — fez careta.

Achei graça.

Ela estava com ciúmes.

— Ciúmes? É isso que vi agora?

Nicky fitou-me com descrença. — Qual a parte de que: “eu estou confusa” você não entendeu?

 

— Ok, ok — suspirei. — Como sua amiga devo dizer: seja feliz, corra atrás de sua felicidade. Você está com Shani, vai casar com ela, mas isso não significa que deva fazer isso. Você ama a Lorna, e ela está aí agora, dê uma segunda chance a ela, Nicky, seja feliz, corra atrás do que realmente vai te fazer feliz, poxa. Pode apostar que continuar nesse erro vai fazer vocês três sofrerem. Seja sensata. Lorna é completamente apaixonada por você, ela não te esqueceu que eu sei.

Ela escorou na cadeira e encarou o teto, suspirando. — Porra, porque você não fala o que eu quero ouvir. Você não está ajudando muito.

Ri alto. — Como sua amiga, devo fazer o certo e não o que você quer. Crie vergonha nessa sua cara.

Ela riu de leve.

— E Shani?

— Está em reunião com Lorna nesse exato momento.

— A coisa é mais séria do que eu pensava, hun? — disse.

— Estou te falando — retorceu a boca. — Não sei se vou suportar isso de ter as duas próximas. É muita maluquice.

— Ué, mas se lembra que você mesmo se sujeitou a isso? — questionei-a.

— Sim, eu estava emocionada. Queria... sei lá, queria manter Lorna perto de mim de alguma maneira, mas foi burrice — bufou.

— Agora vai ter que arcar com as consequências — dei-lhe uma piscadela e ela me respondeu me dando o dedo do meio.

Ri pegando o celular para responder Piper.

 

Idem!”

 

— Falando com Artesian ou Piper? — quis saber.

— Piper — sorri de canto bebendo meu drinque em seguida. — No fim da tarde iremos nos encontrar no Central Park.

— Quando você fala nela seus olhos até brilham — constatou rindo.

Dei de ombros. — Você também fica assim quando está falando da Lorna.

— Ah, caramba... — suspirou. — É o amor.

— É — ergui o copo.

— Aí, aceita almoçar comigo?

— Tá. Só estou terminando esse projeto — falei pegando o lápis novamente.

— Hm, tá ficando com, hein? — analisou.

— Tá mesmo.

         Meu celular vibrou mais uma vez.

— É seu amor.

Comprimi os olhos pegando-o e abrindo a mensagem de Piper.

 

“Mandei seus papéis de divórcio para o seu antigo endereço.

Esperando a resposta dela.”

 

— Porra, Piper mandou os papeis de divorcio para a Artesian — falei escrevendo uma mensagem de volta.

— Ah, agora sim, hein? Acha que ela aceita numa boa agora?

 

 

“Sinceramente espero que desta vez ela tenha bom senso.”

 

Suspirei deixando o aparelho de lado. — Não sei, mas espero que sim. Ela me magoou e ainda fica dificultando as coisas.

— Filha da puta, é isso que ela é — maneou a cabeça incrédula.

— Calma aí, Nichols — ri finalizando o projeto. — Vamos comer? Estou com fome, tipo, muita.

— Eu também estou. Vamos lá — se ergueu da cadeira.

— Voltando ao seu assunto — peguei meu terninho. — Você tem que colocar as coisas em uma balança e ver o que é o melhor para você, fora claro, o fato de quem você ama de verdade.

— Pois a Shani já perde, porque eu não a amo, e sim tenho afeto — bufou abrindo a porta.

— Ah, então você já tem sua resposta.

— Não complica, Alex, por favor — resmungou. — Eu tenho que pensar.

— Boa sorte com isso.

 

 

۞

 

 NICKY ESTAVA FINALIZANDO UM PROJETO, QUANDO SHANI APARECEU EM SUA SALA, COM UM SORRISO NO ROSTO E FOI EM SUA DIREÇÃO.

— Ai, meu amor. Que bom que você fez eu não desistir da sociedade! — exclamou aplicando um beijo no rosto da noiva.

Nicole encarou-a sem entender. — Ah, é? Por quê? — tentou não demonstrar muito interesse.

— Lorna é incrível! — respondeu com o maior entusiasmo sentando-se na cadeira. — Ela... Jesus, ela é muito boa em culinária e tem ideias ótimas. Vamos nos dar muito bem. Ela é uma pessoa incrível, sério. Seja qual for o problema dela, ficou no passado.

Nichols sorriu sem acreditar no que estava ouvindo.

Sua atual estava se dando bem com a ex... Era algo bom ou ruim? Não sabia ainda definir.

— Deu tudo certo então?

— Sim, amor. Deu mais que certo. Iremos reformar o restaurante e por isso estou aqui. Quero o seu serviço e da Alex. Quero uma planta, mas para isso eu já marquei uma reunião com nós quatro, tudo bem? — seu entusiasmo era gritante.

— Nós quatro...?

— Eu, você, Alex e Lorna.

Nichols engoliu em seco. — Nossa... Bom, eu vou ver com Alex um dia, pode ser? Ela anda ocupada nesses dias com uma pretendente aí — respondeu afetada.

Todo mundo junto assim?

Céus... seria um tormento... de novo...

— Pretendente? — indagou surpresa.

— Bem... sim. Lembra-se daquela moça que ela sempre foi apaixonada? — Shani assentiu. — Pois então, ela mora em Nova York e elas retomaram o contato — explicou organizando sua mesa, queria ir embora colocar a cabeça para relaxar um pouco.

— Bacana isso — sorriu. — Sabe o que eu estava pensando? — se levantou e sentou-se no colo da ruiva. — De eu cozinhar para você hoje lá em casa, passarmos à noite juntinhas — aplicou um beijo em seus lábios.

Seria uma ótima ideia, em outra ocasião.

Não estava com cabeça.

— Podemos marcar para outro dia, querida? Estou atolada em projetos e agora com o restaurante à vista a coisa vai ficar feia.

Shani, ainda abraçando seu pescoço, sorriu assentindo. — Tudo bem. Não quero te atrapalhar, sei que está atolada.

— Marcamos outro dia sem falta, ok? — sorriu de canto acariciando o rosto da noiva.

 — Perfeito — sorriu.

         As duas ainda saíram do prédio juntas, se despediram com um beijo e cada uma pegou seu carro.

         Durante o trajeto até sua casa, a cabeça de Nicole não parava um segundo só de fervilhar. Não estava mais conseguindo ser a mesma com Shani, sua noiva, e isso era uma merda. Porque ela queria continuar nesse relacionamento, sabia que era o melhor para todo mundo, para ela, para Shani... Não podia regredir e voltar com Lorna, poderia?

         Chegou em casa e foi direto para a ducha. Precisava de um banho quente e relaxante para talvez colocar as ideias em lugar. Já com seu pijama, sentou-se no sofá pediu um monte de besteiras do McDonalds e iniciou um jogo em seu X-box, era assim que ela tentava relaxar, e costumava dar certo – quando não tinha a opção sexo, o que nesse caso somente piorava a situação-.

 

//

 

         LORNA CHEGOU EM CASA E ENCONTROU VINCENT EM SEU BANHEIRO FAZENDO A BARBA, COMO SE A CASA FOSSE DELE. Suspirou rolando os olhos.

— Vinnie querido, o que ainda faz aqui? — indagou ela encarando-o com tédio na porta do banheiro. — Já disse que não quero que use a chave extra para ficar assim, parecendo que mora em minha casa. Não dividimos a mesma casa e não temos um relacionamento. É somente sexo.

O rapaz a encarou com o rosto cheio de creme de baber. — Lor, pelo amor de Deus, você é tão fria, sabia? — resmungou indo até ela, usava somente um calção, nada mais.

— Fria por quê? Eu sempre deixei as coisas bem claras entre nós dois. Nunca te dei esperanças, ou dei? — arqueou as sobrancelhas.

— Não — retorceu a boca. — Mas eu gosto de você — sorriu sugestivo puxando-a para mais perto. — Gosto muito.

— Pode ir parando aí, bonitão — ela o empurrou levemente, de modo que Viniie deu um passo para trás. — Sexo. A palavra se resume a sexo. Sem sentimentos, ok? — recordou.

Vincent bufou e voltou à frente do espelho para finalizar seu trabalho. Lorna então cruzou os braços, encarando-o.

— Termine isso e se mande. Nada de dormir aqui hoje! — disse séria e saiu dali, queria aliviar o estresse, então nada melhor que cozinhar um pouco e foi o que fez, começou a preparar algo bem gostoso para o jantar.

         Estava no fim do prato, quando Vincent surgiu, abraçando-a por trás e aplicando leves beijos em seu pescoço.

— Quer mesmo que eu vá?

Lorna virou-se para encará-lo. — Sim, eu quero.

Os olhos negros do rapaz faiscaram fúria. — O que está acontecendo? — indagou controlando sua voz. — Está assim porque encontrou com a sua ex noiva, é isso? — estreitou o olhar cruzando os braços.

— Que tom é esse posso saber, sr. Muccio? — ela o encarou da mesma forma.

O rapaz suspirou, passando as mãos nos cabelos. — Eu estou com ciúmes — murmurou admitindo.

— O quê? Fala mais alto, por favor, eu não entendi uma palavra que disse — pediu impaciente.

— EU ESTOU COM CIUMES, MERDA! — falou alto com o rosto vermelho de irritação. — E sei que não tenho esse direito. Não somos nada, além de amigos coloridos.

— Exatamente! — exclamou firme. — Além do mais, não tem porque ter ciúmes. Nicky nem pensa em mim, está bem? Está noiva agora e Shani é uma pessoa ótima.

— Mas você a ama.

— Sim, e você sempre soube disso, porque eu nunca fiz questão de esconder — fitou-o.

— É, eu sei disso aí — suspirou. — Se você quer que eu vá embora, eu vou — ajeitou seu terno. — Mas... Sei lá, Lor, tente ser feliz de verdade e não querer somente sexo das pessoas. Talvez você acabe esquecendo a sua ex que já está em outra, sabe? — encolheu os ombros. — Tchau! — aplicou um beijo no topo da cabeça de Morello e se foi.

         Seus olhos se encheram de lágrimas assim que a porta se fechou. Até parecia que ela não tinha tentando isso, sem êxito algum. Como poderia ela esquecer alguém tão maravilhosa como Nicole Nichols? Ah, se ela não tivesse surtado... estariam casadas agora e quem sabe até com filhos, mas isso é algo que ela não pode mudar. Nicky estava noiva e claramente feliz.

         Limpou as lágrimas e finalizou seu prato. Estava com fome e ele combinaria com um bom vinho tinto seco.

 

۞

 

         ESTACIONEI MEU CARRO E DE ACORDO QUE FUI ANDANDO PELO CENTRAL PARK, PUDE VER PIPER, COM SEUS CABELOS VOANDO LEVEMENTE COM A BRISA DO VENTO.  Ela estava mais que linda, usando um sobretudo negro. Um sorriso bobo alcançou meus lábios, sem que eu pudesse me controlar, meu coração bateu fortemente como um martelo. Eu não conseguia me controlar.      

         Com passos firmes me aproximei dela, que estava sentada em um banco, olhando algo em seu celular.

— Demorei?

Erguendo o olhar, seu rosto se iluminou. — Não, eu que sou ansiosa e chego antes mesmo — riu se erguendo e aplicando um beijo em meu rosto.

Seu aroma adentrou minhas narinas. Eu tinha vontade de puxá-la e afundar meu nariz na curva de seu pescoço, ainda mais depois do sonho maluco que eu tive. Piper usando aqueles trajes... Oh, pai.

Sacudi a cabeça.

— O que foi? — fitou-me quando se afastou.

— Nada demais — sorri sem jeito ajeitando meus óculos. — Então, preparada?

— Sim, mas eu tenho um convite para você! — exclamou toda animada, parecia até uma criança.

— o...kay —analisei-a com atenção.

Piper mordeu o lábio inferior, e aquele gesto causou-me coisas, que eu preferia nem especificar. Eram vulgares demais.

— Aceita ir comigo no cinema hoje mais tarde lá para as 8h?

Sorri de forma involuntária e passei as mãos em meus cabelos. — Ah, é isso? — indaguei risonhosa.

Piper deu de ombros. — Sim, por quê? — indagou-me confusa.

Sacudi a cabeça tocando a ponta de seu nariz com o dedo. — Não precisa ficar sem graça. É claro que eu aceito ir ao cinema com você, aliás... Tem muito tempo que eu não vou ao cinema. Tanto que nem faço ideia de quando foi à última vez — admiti.

Piper corou. Corou e eu sorri ainda mais. Fazia um bom tempo que isso não acontecia, já que essa Piper era mais confiante.

— O que foi?

Ela deu de ombros novamente. — Você às vezes me deixa sem graça — suspirou. — Mas, mudando de assunto, — encarou-me com seus grandes olhos azuis. — Você não ia ao cinema com sua esposa? — arqueou as sobrancelhas.

Franzi o cenho analisando-a.

Havia algo estranho ali.

Ela parecia me desafiar com o olhar.

O que diabos estava acontecendo?

— Hm — ponderei sua pergunta, então caminhávamos lado a lado. — Como vou dizer? Tinha coisas mais interessantes do que ir ao cinema — respondi sem parecer cafajeste.

Piper mordeu os lábios segurando o riso. — Nossa!

— É — dei de ombros rindo sem jeito.

— Isso que eu adoro em você.

Franzi o cenho. — O quê?

— A sinceridade— empurrou-me usando seu ombro.

— Hm. Que bom — ajeitei meus óculos.

— Vamos às fotos antes que esse sol vá embora? — sugeriu.

— Claro — tirei a mochila de minhas costas e já fui montando minha câmera profissional.

         As folhas caiam no chão, as arvores estavam ficando completamente peladas. Era o inverno dando seu sinal de que estava próximo. E esse local daria uma foto incrível, ainda mais com Piper como modelo.

— Devo fazer alguma coisa? Ajeitar meu cabelo, sei lá? — indagou meio sem saber o que fazer.

Neguei. — Não. Seja somente você mesma — respondi analisando bem o local. — Ali. Fique ali — indiquei com uma das mãos.

         Piper então se posicionou e fui colocando todos os programas da câmera que eu costumava usar.

— Não olhe para mim. Aja naturalmente. Esse é o truque — orientei já fazendo alguns clicks.

         Fui tirando as fotos e analisando-as. Estavam ficando incríveis. Piper deixava tudo ainda mais atraente. Seja foto em preto e branco, ou colorida. Ela simplesmente  deixava tudo ainda melhor e mais fácil de se fazer. E seus cabelos, seus olhos mesclado com o sol se pondo... Céus, era de arrepiar. Eu com toda certeza guardaria aquelas fotos como meu tesouro.

         Ela fez questão de olhar todas as fotos assim que tudo terminou. Estávamos sentadas em um dos bancos bem próximas, enquanto ela analisava cada uma das fotos. Eu podia sentir seu doce aroma, que sempre me entorpecia. Era algo que não estava em meu controle.

— Você leva muito jeito para isso — comentou ela boba.

Sorri de canto. — Gostou?

— Amei! Tem noção disso? Estou me sentindo uma Gisele Bundchen agora.

Ri alto e ajeitei meus óculos. — Não é preciso muito esforço para isso, para ser sincera.

Encabulada, Piper encarou-me e sacudiu a cabeça.

Sim, eu falei merda de novo.

É meio que a minha agora.

— Desculpe se te deixo sem jeito.

— Tudo bem. Eu já me acostumei — sorriu de leve e continuou analisando as fotos com atenção. — Alex Pearl Vause, me diga: o que você não sabe fazer bem?

Coloquei a mão no queixo brincando e fingindo pensar. — Pois eu não sei! Talvez... flertar? — arrisquei encarando-a de forma intensa.

Eu estava passando dos limites hoje.

Piper retribuiu o mesmo olhar. — Por que acha isso?

Dei de ombros. — Sempre me enrolei nesses assuntos.

— Pois você não tem cara que não flerta bem — concluiu. — Sempre foi rodeada de mulheres na época do colegial e sinceramente duvido que agora seja diferente.

— Quê? — ri alto. — Que mulheres? Eu somente ficava com Silvye.

Piper encarou-me com tédio. — Tá, mas isso não muda o fato de que elas se jogavam para cima de você.

O sorriso não saia um instante de meu rosto.

Piper me enxergava mais do que eu imaginava.

— Eu não tinha culpa — falei na defensiva.

         Caminhamos para fora do parque, enquanto conversávamos assuntos aleatórios. Com Piper era assim, eu sempre tinha muito assunto e pouco tempo. Com ela os assuntos fluíam.

— Olhe, se meu apartamento não estivesse uma algazarra só, eu te convidaria para entrar — disse sem graça.

— Sem problemas. Deixa para próxima, ou iremos no atrasar para o cinema, se ele ainda estiver de pé, claro — fiz questão de frisar.

— Está de pé sim — confirmou com um sorriso nos lábios.

Assenti com um enorme entusiasmo, até que meu celular anunciou uma mensagem. Era de Artesian. Abri e li com atenção.

 

“Seus papeis de divórcio chegaram, Alex. Passei a tarde toda chorando e só pude ter condições de te responder agora. Não vou assinalá-los. Qual parte que eu te amo e te quero de volta você não entendeu? Irei devolvê-los em branco.

Podemos nos ver hoje? Eu imploro!”

 

— O que houve? Pela sua cara não pode ser uma coisa nada boa — comentou Piper analisando-me.

Com o celular em mãos, fique indecisa entre dizer ou não a ela sobre a mensagem.

— Uma mensagem de Artesian — procurei as palavras. — Ela não assinou os papeis do divórcio e nem vai, e quer me ver.

— Ela é mesmo dura na queda — constatou. — É bom falar com ela. Façamos assim, então: deixamos o cinema para outro dia e marque com ela. Coloque as cartas na mesa e-

A interrompi. — Não, Piper — neguei séria me aproximando dela. — Sinceramente, não — suspirei. — Não quero ter que lidar com ela hoje.

Piper encarou-me com atenção.

— Talvez amanhã.

— Você parece mesmo cansada dessa situação toda — observou.

Respirei fundo. — Ela estragou tudo e ainda quer que volte a ser como antes. Isso é chato demais — peguei meu celular lhe mandando uma mensagem.

 

“Quando eu desejar, marcarei com você.”

 

— Juro que se for por mim, Alex, eu não quero atrapalhar a sua conversa com sua esposa.

Suspirei guardando meu celular. — Eu quero ir ao cinema com você, Piper Elizabeth.

Ela sorriu e assentiu. — Ok — pigarreou ajeitando seu sobretudo. — Eu vou entrar então, tá? — disse toda enrolada.

Assenti com um sorriso bobo.

Mesmo toda impoderada Piper ainda conseguia ser fofa.

— Antes — ergui o dedo. — Vamos jantar juntas, o que acha? Conheço um restaurante no Shopping de comida chinesa que é uma delícia. Curte?

— Eu amo comida asiática, seja qual for.

— Combinado então!

Piper acenou e então adentrou seu prédio.

         Fiquei ali, encarando o nada com um sorriso bobo nos lábios, até que meu celular começou tocar. Peguei-o. Era Artesian me ligando.

Ah não, porra.

Atendi.

— Sim?

Por que está fazendo isso comigo? — sua voz era vacilante e embargada. — Eu te amo, Alex. Vem aqui em casa para conversarmos, por favor.

Suspirei forte, enquanto caminhava rumo ao meu carro. — Para com isso, por favor. Eu não vou aí, tenho outros planos para hoje.

Conheceu outra pessoa, é isso?

— Não fala besteiras — desativei o alarme de meu carro e entrei no mesmo.

É que você está estranha... juro que cheguei a pensar que nossa reconciliação aconteceria, agora você está assim toda estranha, distante e irredutível.

Fechei meus olhos com força. — Eu pensei bem, e... Para que continuar com isso, me fala? Nosso relacionamento nunca mais vai ser o mesmo e você sabe... — suspirei forte puxando ar do meu peito em seguir. — Eu não te amo.

Sim, eu sei — riu amarga. — Você nunca me amou. Você sempre foi apaixonada por aquela tal de Piper Chapman da sua cidade Natal e isso sempre foi um fantasma em nosso casamento.

Engoli em seco.

Não podia negar.

Era verdade.

Mas Alex, você nem sabe onde ela está e eu estou aqui por você. Estou arrependida, o que custa me dar uma nova chance?

Segurei o volante firme, mesmo com o carro parado.

— Eu marco um dia para conversar.

Tudo bem. Vou ficar esperando ansiosamente.

Desliguei e choquei minha cabeça contra o volante.

Puta merda...

         Eu não teria coragem de contar a ela que tinha reencontrado Piper e que ela era minha advogada, mas isso seria inevitável dela descobrir. Cedo ou tarde aconteceria.

         Liguei o carro saindo em disparada em seguida. Tudo estava acontecendo em minha vida no mesmo momento e eu estava a ponto de enlouquecer.

— Que bom que chegou, Vause! — disse uma Nicky animada assim que abri a porta.

         Ela estava esparramada no sofá enorme na sala com um controle de videogame em mãos e na mesa de centro, muitas e muitas besteiras de comida.

— Fala, Nichols... — a analisei desconfiada. — Está aliviando o estresse?

— Exatamente! — respondeu com a boca cheia de pizza.

— Quer falar sobre? — deixei as chaves no balcão da cozinha e me aproximei.

— Eu estou enrascada, é isso — deu de ombros.

— Hm... aquela mesma história?

— Sim... — pausou o jogo e passou as mãos em seus cabelos. — Eu não estou conseguindo transar com minha noiva.

— O...kay. Agora é sério — falei pasma.

— Eu sei — suspirou. — Mudando de assunto — bebeu sua cerveja. — Shani vai reformar o restaurante e quer ver um dia para fazer uma reunião e imagina? Nós quatro.

— Quatro...?

— Nós três e Lorna.

— Nossa... — murmurei ajeitando meus óculos.

— Sim... “nossa” — disse angustiada. — Quando você pode?

— Bom, — cocei a nuca. — Depois de amanhã? — sugeri. — Amanhã eu vou ver se resolvo esse assunto de divórcio com Artesian. Está me enchendo já! — bufei.

— Ela não assinou os papeis?

Ri com as mãos na cintura. — Imagina!

— Artesian filha da puta! — disse entre os dentes.

Ri. — Valeu mana pelo apoio! — tirei meu terninho. — Estamos fodidas!

— Estamos sim! — concordou. — Como foi à seção de fotos? — arqueou as sobrancelhas com um sorriso sugestivo.

Suspirei sentando-me na poltrona com um sorriso bobo. — Ah, você sabe... Aquela mesma coisa de sempre.

— Sei sim. Melaço total — zombou rindo.

Ponderei sua resposta. — Mais ou menos — admiti fazendo-a rir ainda mais. — Ficamos de ir ao cinema, aliás, eu vou tomar banho. Não quero me atrasar.

— Nossa, — murmurou. — Não se desgrudam mais, hein? — observou. — Ainda me diz que a Chapman não está na sua. Qual é... Me conta outra piada, por favor.

Rolei os olhos. — Não começa se não eu me iludo.

— Mas quem disse que é ilusão?

— Nicky... — falei em um tom mais sério.

— Ok, ok... — ergueu as mãos. — Não falo mais.

— Vou tomar banho.

 

//

 

         MEU CARRO ESTAVA ESTACIONADO HÁ UNS DEZ MINUTOS EM FRENTE AO PREDIO DE PIPER, E ELA NÃO DESCIA. Eu estava ansiosa, ou ela estava mesmo demorando?

         Meus dedos tamborilavam no volante de acordo com a música que passava em uma estação de radio qualquer.

         Meu coração deu altos saltos quanto avistei Piper sair de seu prédio. Ela estava linda... magnifica usando um vestido rodado em listras negras e azuis escuras, e um cinto na cintura de cor negra também. Havia combinado perfeitamente com suas curvas. E em seus pés um sapato do tipo ankle boot de cor negra também e carregava consigo uma bolsa. Seus cabelos soltos.

Tive que soltar um suspiro de meus lábios.

Ela me viu ali dentro do carro e sorriu caminhando em minha direção. Entrou no carro fechando a porta em seguida.

— Desculpe a demora, mas é que eu demorei achar uma roupa descente— disse vindo em minha direção e aplicou um beijo em meu rosto, ou pelo menos era para ser no meu rosto, mas acabou sendo no canto de minha boca, tipo, bem no canto mesmo, pegou uma parte de meus lábios.

Fiquei estática no banco do carro e Piper se afastou e segurou um riso, fingindo que nada tinha acontecido. Um sorriso... sapeca?

Céus, ela queria mesmo me matar.

— Não... er — pigarreei. — Não demorou não.

Piper assentiu e afivelou seu sinto.

Ainda meio fora de orbita liguei o motor do carro saindo em disparada.

— E como está Nicky? — puxou papo durante o trajeto.

— Ah... Foi bom você perguntar, porque ela não está em um momento bom não, para ser sincera.

— O que houve? — indagou preocupada.

— Ela é noiva, sabe? Tem uns quatro anos que elas estão juntas e estão de casamento marcado, mas uma pessoa muito importante na vida dela apareceu novamente e ela ainda meio que nutre sentimentos por ela. Nicole está bem confusa  e não sabe o que fazer — expliquei. — A verdade é que a história é bem mais complicada, porque por coincidência do destino, a atual noiva acabou virando sócia da ex-noiva, entendeu? É isso.

— Uau! — murmurou. — Que história louca... Pobre Nicky.

— É, ela tá perdida sem saber o que fazer.

— Ela está em duvida entre as duas? — fitou-me.

— Hm... é mais ou menos isso, mas ela não ama a atual, ama a ex.

— Ué...

Ri assentindo. — Eu sei. A escolha aparentemente é fácil, mas não é para ela.

— É, sempre é mais fácil quando se trata dos outros.

Assenti.

 

//

        

         ESTAVÁMOS NO RESTAURANTE CHINES FINALIZANDO A REFEIÇÃO. Tudo estava uma delicia, mas a conversa como sempre era a coisa mais agradável da noite. Estávamos finalizando nossos rolinhos primavera.

— Então quer dizer que você perdeu todos os contatos dos seus amigos da época do colegial? — perguntou Piper.

— Meio que sim. Com o tempo, sabe? Mas tipo, eu sei que Stella é uma DJ ótima e está morando na Austrália, Boo é escritora e mora em Chicago e Silvye se casou e mora na Alemanha

— Nossa — murmurou. — Você disse que Boo é escritora?

— Sim, por quê? — questionei-a colocando um pedaço de bolinho primavera em minha boca.

— Bom... é que na época do colégio uma pessoa que mandava cartas. Eu pensei que era seu irmão, mas... não, não era ele. Será que era ela? — questionou pasma.

Meu mundo caiu.

Ela ainda lembrava disso?

Claro que lembrava...

Engoli em seco.

Fala alguma coisa, Alex!

— Não faço ideia, mas... não sei, acho que não foi ela não — sorri nervosa.

Piper deu de ombros. — É, acho que eu nunca vou saber mesmo.

Fui incapaz de dizer algo.

Fiquei cala.

Completamente calada.

Covarde de merda!, pensou meu subconsciente.

 

//

 

         NOS ACONCHEGAMOS NA POLTRONA MACIA DO CINEMA.  Ficamos em um lugar muito bom. Era a ultima fileira, onde ninguém ficaria chutando nossas costas, ou algo parecido.

         Iriamos assistir ao filme: “A cinco passos de você”, algo me dizia que Piper era bastante romântica.

— Você curte mesmo romance, hein? — falei ajeitando a pipoca entre nós.

— Ai, desculpe... eu sou chata, né? Mas eu disse que se você quisesse era só escolher outro filme, Alex. Não precisava ser gentil — disse sem jeito.

Ri maneando minha cabeça em negativa. — Relaxa, Piper. O filme parece bom. Relaxa.

E ela relaxou mesmo se encostando-se à poltrona. —É sério que não está incomodada, né?

— Sério. Relaxa — sorri de canto ajeitando meus óculos. — Bom, pelo menos o filme não é 3D, porque e um saco aquele óculos com o meus óculos junto.

Piper riu alto, teve que tampar a boca com a mão. — Desculpe!

— Você se desculpa demais — murmurei se recostando na poltrona e levando minha mão sobre a sua, que estava fria. — Está com frio? —  virei para fita-la.

Estava escuro e minhas vistas não eram muito privilegiadas, mas eu podia ver um sorriso de canto em seus lábios, ou estava louca demais e imaginando coisas.

— Não — negou sacudindo a cabeça.

— Sua mão está um gelo.

Ela negou novamente. — Estou bem. A sua que é quente demais.

Deu um risinho com seu comentário. Em nenhum momento ela tirou sua mão debaixo da minha e aquilo aqueceu meu coração. Logo as luzes se apagaram e o telão se acendeu. O filme ia começar.

 

//

 

         O FILME ERA BOM. Tudo bem que era o tipo de filme que se sai chorando do cinema e fica um tempo com aquele enredo na mente, mas sim, ele era bom.  O típico relacionamento adolescente dramático, não um dramático não dramático, um dramático com razão. 

         Ao sairmos da sala de cinema Piper não parava um só minuto de comentar o quanto ela curtiu o filme. O sorriso não saia de meu rosto ao ver o tamanho de sua empolgação.

— Que filme ótimo! — seus olhos brilhavam.

— É muito bom mesmo... Cole estava ótimo no papel do Will.

         As lojas e restaurantes estavam fechando já no shopping. Estava frio para caramba.

— Eu não quero que essa noite acabe. Não ainda — Piper disse quando nos aproximamos do meu carro.

Sorri.

Eu também não queria.

— Está cansada? Espero que não, mas se estiver tudo bem, eu entendo.

Ri. — Estou bem.

— Vamos à praia? — sugeriu.

— Não vamos entrar, né? — fiz uma leve careta só de imaginar.

Ela riu. — Não, só olhar.

— Me parece ótimo assim.

         E foi isso que fizemos. Pegamos meu carro e fomos para a praia. Estava sim um gelo, o frio, tudo, mas o mar negro diante de nós com a lua enorme e brilhante no céu, era uma linda imagem. Inesquecível.

— Lindo — comentou Piper ao meu lado.

— Demais — concordei.

Vi que Piper estava estremecendo de frio, e passava suas mãos em seus braços, na esperança de se esquentar, então me aproximei de suas costas e a puxei para um abraço. Uma forma de esquentá-la, e claro de mantê-la por perto.

— Eu disse: você é quente — murmurou ela contra minha jaqueta.

Soltei um riso. — É, as roupas ajudam.

         Meu nariz afundou entre seus cabelos. Fechei os olhos. Seu aroma doce estava ali presente como sempre.

— Seu cheiro é bom — deixei escapar de meus lábios e me arrependi no mesmo instante.

Piper se afastou rindo. — Obrigada.

         Nossos olhares se conectaram de modo instantâneo. Era algo tão intenso e forte que eu não sabia como explicar. Ela então se afastou.

— Acho melhor irmos, ou iremos congelar aqui logo — riu.

Assenti. — É, concordo. Está frio pra cacete! — rangi os dentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


A Piper acabou o clima pela raiz!!! rsrs O que será desses dois casais, hein?? Até mais!


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