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História So far, but so close - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite... Capítulo fresquinho para vocs, com reencontro Vauseman... ansiosas??? Boa leitura ❤️

Capítulo 6 - Encounter with the past


Capítulo 06

 

15 ANOS SE PASSARAM DESDE O ACONTECIDO.  Tantas coisas mudaram em minha vida... Bom, para começar eu e meus pais viemos para Nova York, onde nossa família ficou unida novamente já que meu irmão Cal estava aqui por conta da sua faculdade. Não vou falar que foi fácil esquecer tudo que aconteceu, não foi para mim, não foi para meus pais... Tive que frequentar um psicólogo, que confesso, me ajudou sim, mas não, ninguém fica 100%... ninguém esquece um trauma por completo.

Finalizei meus estudos com êxito, entrei para Universidade, optei pelo curso de advocacia. Formei com notas altas, tirei minha licença, consegui um ótimo emprego e montei meu consultório. Sim, posso dizer que sou uma mulher de sucesso agora. Tirei o aparelho dos dentes, mudei um pouco meu visual, mudei meu guarda-roupa, aprendi a usar roupas atuais, modernas, que combinassem mais com a nova Piper. Eu agora sabia mais de moda, nunca ninguém iria rir de mim por conta disso. Foi o que eu coloquei em minha cabeça.

Podia-se dizer que agora eu era uma mulher imponderada. Eu tinha os homens em meus pés, mas não, eles não me serviam de nada. Não passava de beijos. Eu não conseguia. Sempre tinha a sombra do passado que me barrava. Não passava de pequenas ficadas em festas, eventos e essas coisas. Nunca os via pela segunda vez e nem desejava. Eu procurava não me envolver afetivamente.

Eu não morava mais com meus pais, agora eu tinha meu próprio apartamento – e era um apartamento e tanto, para ser sincera – eu tinha uma bela vista para o Central Park, eram um dos edifícios mais requisitados de Nova York.  E meu consultório ficava na avenida principal, a Time Squared.

Todas as noites eu tinha pesadelos. Pesadelos com aquele fatídico dia... em que Larry Vause me humilhou para todos verem. Eu tinha pesadelos, em que nele em revivia esse momento. Era horrível.

Estava finalizando mais um dia estressante em meu escritório, quando Maritza Ramos, minha secretária, assistente, amiga para todos os momentos, quebra galho e tudo mais, entrou pela porta.

— Flores para você! — disse ela com um embrulho tão grande em frente seu rosto, que eu nem conseguia vê-lo e as flores eram horrendas.

— Que horror! — fiz uma carranca e ela riu. — De quem é isso?

— Do sr. Fernandéz, agradecendo por ajuda-lo com o divorcio — respondeu ela colocando o embrulho sobre minha mesa.

— Jesus... ele até que foi gentil, mas esse embrulho e as flores são enormes e fedidas — falei sentindo o cheiro delas. — Tem cheiro de enterro.

Maritza riu. — Só você mesmo!

— Como está minha agenda para amanhã?

Ela analisou e foi falando todos os meus compromissos agendados. — Ah, e sua mãe te ligou.

Franzi o cenho. — Quando?

— Há uns dez minutos. Esqueci de comentar.

— Tudo bem. Vou ligar para ela — peguei meu celular. — Você pode ir se quiser.

— E vamos beber aquele drinque hoje, não é? — questionou com um enorme entusiasmo.

— Mari... estou bem cansada hoje. O que acha de deixarmos para outro dia? — sugeri.

Ela então rolou os olhos. — Você sempre dá a mesma desculpa. Coisa chata, Piper!

Ri. — Desculpe... mas é sério. Estou um caco.

— Tá... — murmurou desconfiada e saiu da sala em seguida.

Disquei o numero de minha mãe, que não demorou a atender.

— Oi, querida.

— Mãe, me ligou?

Sim, acabei de receber notícias de Beaufort, o padre Healy faleceu hoje e amanhã vai ser a cerimonia dele. Queria saber se você desejaria ir conosco?

Engoli em seco.

Voltar a Beaufort?

Jamais!

— Olha, mãe-

Ela me interrompeu. — Eu sei que nunca voltamos lá.  Que voltar é reviver o passado, mas lembra de o que seu psicólogo disse há alguns anos atrás?

— Sim. Disse que eu tinha que voltar a cidade e enfrentar meus demônios.

Exato, meu bem. E se for exatamente isso que falta, hun? Você agora é uma mulher independe, feita... Só feche esse ciclo. Esse é meu concelho de mãe. Sem falar que estamos falando do Healy.

Realmente o padre era muito querido por toda a cidade. Fiquei em silêncio. Suspirei

— Sinceramente eu não sei... tenho que pensar. Faz o seguinte: se eu aparecer amanhã é porque eu vou. A que horas vão sair?

— Às oito da manhã.

— Então é isso, mãe.

Ok, mas pense com carinho, ok?

— Vou pensar — sorri de leve. 

— Tenha uma boa noite!

— A senhora também! — finalizei a chamada e peguei minhas coisas.

Assim que abri a porta, Maritza estava também juntando suas coisas.

— Mari, talvez corra o risco de amanhã eu não poder vir, mas eu te aviso ainda hoje, sim? Se caso acontecer, quero que amanhã na primeira hora cancele meus compromissos e diga que foi uma urgência.

— Ok — concordou confusa.

— Quer carona?

— Claro né? — respondeu.

Ri.

Deixei Maritza em sua casa e parti para a minha. Enquanto eu dirigia meus pensamentos fervilhavam.  Eu não queria ir até lá, mas era o padre Healy... Além do mais poderia mesmo me fazer bem enfrentar meus demônios, não é?

Suspirei agarrando com mais força o volante do carro.

Que duvida!

Por um lado eu iria vê-lo novamente... Aquele monstro asqueroso, mas por outro ele iria me ver e ver como eu mudei graças a tudo o que houve. Como sou uma nova Piper. Uma Piper mais segura de mim, forte... acho que ele merece saber disso.

Peguei meu celular ligando para Maritza que atendeu no segundo toque.

— Sim, chefa?

— Desmarque todos os meus compromissos para amanhã, e depois também. Vou te atualizando sobre quando voltarei à Nova York, ok?

Você e seus mistérios, mas ok. Deixa comigo.

Cheguei em casa no momento em que o sol estava se pondo. Abri a porta e já fui tirando meus saltos. Caramelo, meu gatinho veio miando em minha direção. Ele era amarelo e gordinho. Parecia aquele gatinho do filme que nem me recordo o nome.

— Oi, meu amor! 

Ele se esfregou em minhas pernas e miou.

— Está com fome, é? — ri e fui em busca de sua ração, colocando em sua vasilha.

Me servi de um vinho e sentei-me no sofá, enquanto via o fogo da lareira.

— Amanhã, Larry. Se prepare — murmurei com satisfação.

Eu queria ver Alex... Ah, Alex. Há 15 anos nem cheguei a me despedir dela, mas ela sempre foi tão boa comigo. Mas não, certamente eu não chegaria a vê-la, pois ela era maluca para sair daquela cidade.

Esperta!

Um sorriso ficou nos meus lábios ao me lembrar dela. A única pessoa que me enxergava ali, que me tratava de uma forma humana.

É, seria muito bom poder revê-la.

 

۞

 

CAIXAS E MAIS CAIXAS PELO APARTAMENTO DE NICOLE.  A mesma estava jogada no sofá com uma cerveja em mãos assistindo ao jogo dos yankees. Eu estava em seu apartamento devido a tantas coisas que aconteceram nesses 15 anos que se passaram.

Bom, vamos lá... Nicky e eu nos tornamos melhores amigas em questão de pouco tempo. Logo era eu, ela e sua namorada Lorna Morello. Lorna estudava estética, nós três nos formamos. Nicky e eu arrumamos um estagio em uma das melhores construtoras de São Francisco. O que foi uma ótima experiência, ficamos lá por sete anos. 

Durante esse sete anos, eu conheci Artesian Mccllough,foi em uma boate. Nós ficamos, trocamos os telefones e quando dei por mim ela estava morando no mesmo apartamento que eu. Em três anos de namoro noivamos, um ano mais tarde casamos, nos mudamos para Nova York, onde eu e Nicky tivemos a brilhante ideia de montar uma construtora. Infelizmente o casamento não saiu como esperado, acabei pegando-a me traindo com o sócio dela. Ela me pediu uma nova chance, mas como eu poderia lhe dar uma nova chance? Ela tinha me traído. Eis que agora eu estava morando com Nicky no apartamento dela. Em plena crise de casamento. Ah, porra... perfeito isso.

Já Nicky ficou noiva de Lorna, o relacionamento delas duraram seis anos, chegaram a ficar noivas, mas daí acabou não dando certo. Lorna acabou se tornando alguém obsessiva e Nicky não aguentou. Há três anos ela conheceu Shani, que é a atual noiva dela agora. Mas eu como amiga, eu sabia muito bem que Nicole Nichols ainda amava loucamente Lorna Morello.

Cheguei a voltar a Beaufort algumas vezes, mas nada demais. Somente visitar minha mãe e consequentemente o idiota do meu irmão e o escroto do meu pai.

Larry não se formou, aos 19 anos saiu de casa chutado pelo meu pai por ser um vagabundo. Um vagabundo que para piorar tudo ainda engravida a namorada. Sim, sou tia, mas não tenho  muito contato com essa pobre criança. Hoje Larry é sustentado pela esposa, sogros e meu pai idiota ainda ajuda ele.

Seu futuro.

Em Beaufort tudo continuava a mesma coisa de sempre. Aquela cidade nunca mudaria. Podiam-se passar os anos, mas sempre seria a mesma coisa. Mas confesso, sinto falta de lá. Passei momentos bons também.

— Valeu por me hospedar aqui, Nicky — falei me sentando no sofá para ver o jogo e bebendo minha cerveja.

— Relaxa, Vause. Sou sua amiga para isso, além do mais, uma mão lava a outra — sorriu tocando meu ombro.

Ri maneando minha cabeça. — Tá certo — bebi um pouco mais de minha cerveja. — Não vai ver Shani hoje?

— Não — negou. — Ela vai ficar até tarde hoje no restaurante.

Shani era uma das chefes principais de um dos melhores restaurante de Nova York.

— Ah — assenti.

— E Artesian? Ligou?

Suspirei. — Claro... Eu não sei o que fazer... Quer dizer, ela me pediu perdão de joelhos literalmente, mas eu não sinto nada. Eu não sinto nada não por ela ter me traído, na verdade eu me sinto aliviada por isso, porque eu nunca-

Nicky me interrompeu. — Amou ela?

Assenti em um suspiro. — Isso.

— Claro que não. Todo mundo sabe que seu grande amor é Piper Elizabeth Chapman — bebeu sua cerveja.

Encarei o chão. — É Nicky... acho que isso nunca vai mudar — suspirei angustiada. — Como pode? Já se passaram quinze anos, nunca tivemos nada de fato, só um beijo que ela nem sabe que fui eu, mas eu ainda sigo amando-a como se nada tivesse acontecido? Como se não tivesse distancia... ou tempo.

— Isso se chama amor — riu e vi em seus olhos algo que eu sabia o que era.

— Você fala com convicção de saber como é, né?

Nicky rolou os olhos. — Ah, qual é! Lá vem você com esse papo de novo? — bufou se levantando.

— Nicole, comigo você pode se abrir, poxa. Eu sou sua melhor amiga. Sei toda a sua história com Lorna, Shani... e você sabe da minha com Piper, Artesian. Se abre. Seja sincera consigo mesma.

Nicky fitou-me. — Tudo bem, olha... o que eu e Lorna tivemos durou muito tempo, é normal eu sentir afeto por ela, mas agora eu estou com a Shani, iremos nos casar, falou?

— E você a ama?

Ela hesitou, mas respondeu: — É!

Não me convenceu em nada.

Suspirei me jogando no sofá. — Tá certo... Acho que tenho que fazer igual a você. Ser realista. Artesian está aí me querendo de volta, e Piper... Piper nunca sentiu nada por mim e nem sei onde ela está agora. Então... talvez eu deva dar uma segunda chance a minha quase ex esposa? — fitei-a indecisa.

— Na real — bebeu sua cerveja. — Aquela lá é falsa. Você sabe o que eu penso, mas se você achar que deve tentar. Você quem sabe — deu de ombro.

Achei graça. — Você e seus comentários.

— Só sou sincera! — deu de ombros.

Ri e senti meu celular tocar.

Peguei-o.

Era minha mãe.

— Mãe?

Querida, que bom que atendeu... — disse ela do outro lado da linha.

Franzi o cenho. — Aconteceu algo?

Infelizmente sim, mas não se alarme. Não é com ninguém daqui de casa não — garantiu e fiquei mais aliviada. Apesar de tudo, eles faziam parte de minha família. Todos eles. — O Padre Healy faleceu hoje... amanhã vai acontecer a cerimonia. Achei que deveria saber.

— Merda isso — murmurei desolada.

Padre Healy era um amor de pessoa. No meu caso, por exemplo, ele sempre deixava claro que Deus não escolhia amar o filho pela orientação sexual. Que ele não ligava para isso. Ele me apoiava demais. E agora ele estava morto. A vida é uma merda mesmo.

Suspirei. — Amanhã bem cedinho saio daqui sem falta.

— Vou ficar te esperando, querida.

Desliguei e as lágrimas escorreram por meu rosto.

— O que foi? — indagou Nicky analisando-me.

— Lembra-se do Padre Healy que já cheguei a comentar com você?

— Claro... Sempre quis conhecê-lo, porque nunca vi um padre tão loucão — soltou uma risada bebendo sua cerveja.

— Pois ele faleceu hoje — suspirei encarando minha garrafa quase vazia. — Amanhã bem cedo irei para Beaufort.

— Caralho... isso é foda, mana — tocou meu ombro. — Como sua melhor amiga irei com você... finalmente irei conhecer Beaufort e sua família maravilhosa — sorriu com sarcasmo.

Ri maneando a cabeça em negativa. — Sabe, você não presta. 

— Já ouvi muito isso — deu de ombros sentando-se novamente no sofá ao meu lado. — Agora mudando de assunto, eu não fico falando da Lorna, você é quem faz questão de sempre falar dela — rolou os olhos.

Ri alto. — Claro, ela ainda é minha amiga, lembra? — bebi minha cerveja até o final. — E agora quem está falando nela é você. Nem estava lembrando de Lorna.

Tudo que ela fez foi me dar o dedo do meio, e eu ri ainda mais. Nicole era maluca, mas eu a amava. Ela tinha me dado muita força em relação a historia de Piper e meus pais.

 

//

 

DIRIGIA MEU CARRO A MAIS DE 120 POR HORA NA ESTRADA. Estávamos bem próximas de Beaufort, faltava menos de uma hora para chegarmos. O som estava ligado alto em músicas clássicas do Rock, Nicky estava dormindo não sei quanto tempo de viagem. Isso era porque ela iria me fazer companhia para eu não dormir na estranha.

Ri maneando a cabeça em negativa.

— Ei, Nichols! Acorde! — puxei sua orelha.

— Porra, mulher! — resmungou tocando o lugar. — O que foi? — fitou-me emburrada.

— Estamos chegando... você não queria ver como era a cidade que eu nasci? — pisquei confusa, enquanto a fitava brevemente.

— Ah.

— “Ah” — a imitei. — Você não ficou de me vigiar caso eu dormisse? — comprimi os olhos.

— Ué, e quem disse que eu não vigiei? Fala como se eu tivesse dormido a viajem toda. No máximo que eu dormi foi umas meia hora — se defendeu.

Ri alto. — Nossa, você não tem vergonha nessa sua cara não?

Nicky riu colocando seus óculos escuros. — Entrada bonita, hein? — desconversou.

— Sim — assenti rindo. — A cidade tem alguns lugares bonitos, na verdade.

Em questão de poucos minutos estavam completamente dentro da cidade. Por consequência passei em frente à antiga casa de Piper e foi inevitável que as lembranças não voltassem com toda força.

— Vamos até a casa dos meus pais, mas não iremos dormir lá. Eu já reservei dois quartos de hotel para nós — falei.

— Compreensível... Seu pai não vai gostar de ter mais uma lésbica na casa dele — riu.

Ri.

O bom era que Nicky levava tudo na brincadeira, ela era uma pessoa super leve, de bem com a vida.

— É acho que ele enlouqueceria, ou ainda pensaria que eu estou me divorciando porque estou com você agora.

— Porra... — Nicky riu incrédula.

Estacionei meu carro em frente a minha antiga casa. Tudo continuava da mesma forma como eu havia deixado. Suspirei desafivelando meu cinto e abri a porta em seguida. Nicole fez o mesmo. Ainda era cedo, não passava das nove da manhã. Eu tinha saído bem cedo mesmo de Nova York. Tirei os óculos escuros os substituindo pelos os de grau, pelo menos por enquanto.

Toquei a campainha, quem atendeu foi minha mãe, que foi logo me abraçando.

— Me bem... que saudades! — aplicou vários beijos em meu rosto.

— Como a senhora está?

— Bom, estou triste. A Cidade toda está... mas tirando isso, eu estou bem. Todos nós estamos.

Assenti. — Bom, essa é a Nicky, minha amiga que eu falo para a senhora.

— Finalmente estou te conhecendo! — disse minha mãe abraçando-a.

Nicky sorriu largamente. — É um prazer conhecer a senhora. É muito famosa, viu?

— Você também! — riu. — Vem, entrem. A cerimonia só vai começar as dez.

Hesitei. — Mãe... não sei se é uma boa ideia.

— Seu pai está com Larry vendo uns negócios da empresa, e mesmo assim. Você e sua amiga são mais do que bem-vindas — disse. — E as bagagens? Onde estão?

— Iremos ficar em um Hotel. É melhor.

Ela então suspirou. — Tudo bem. Isso não irei discutir. Entrem! — dei passagem para nós duas.

Assim fizemos. Fazia uns dois anos que eu não vinha aqui. Tudo continuava exatamente como há dois anos, e também como há quinze anos.

Dona Diane preparou um chá para nós e ficamos um bom tempo conversando, até que a porta se abriu. Era Lee e logo atrás Larry e sua esposa.

— Alex — disse meu pai somente e ergueu a mão a qual eu apertei.

Nada mais que isso.

— Nossa, eu estava me perguntando de quem era aquele AUDI SUV lá fora, mas agora já sei a resposta... Ganhou na loteria, maninha? — questionou-me Larry debochado como sempre.

Ri de forma incrédula. — Não, eu só trabalhei — sorri sarcástica.

— Chega dessa conversa — disse minha mãe.

— Que seja! — Larry ergueu a mão em redenção.

— E essa moça, quem é? — meu pai encarou Nicky de cima em baixo. — E sua esposa?

— Não — neguei. — Essa é Nicole Nichols, uma amiga minha.

— Amiga? — indagou desconfiado. — Ok — ergueu a mão. — Prazer, Lee.

— Prazer, sr. Vause — os dois se cumprimentaram.

Suspirei frustrada. 

Sabia que ele iria fazer algo parecido.

— Bom, eu só vim para ver uns documentos com o papai, mas logo já estou indo para a cerimonia — Larry disse, e os dois entraram no escritório em seguida.

 

 

۞

 

 

CHEGAMOS EM BEAUFORT EXATAMENTE AS DEZ HORAS. Estávamos atrasados para a cerimonia. Então não passamos em nenhum outro lugar, fomos diretamente para a igreja, onde Healy ministrava suas missas. Seria exatamente lá a cerimonia.  Minha mãe já tinha reservado o Hotel para nós por telefone, então não tínhamos que nos preocupar com isso.

Meu pai estacionou o seu carro em frente à igreja. Até agora, tudo que eu havia visto na cidade estava da mesma maneira que havia deixado. Era até estranho. Essa cidade não mudava.

Eu tinha optado por um vestido rodado de cor negra, por se tratar de um funeral, um escarpam da mesma cor com um leve salto, um sobretudo negro, e meus cabelos deixei soltos, em meu rosto coloquei óculos escuros. Além de combinar com o momento, ainda correria o risco de ninguém me reconhecer.

Eu, Cal e meus pais adentramos a igreja. Ela estava lotada. Todos usando a cor negra de luto. O Caixão estava logo à frente, no lugar que parecia um altar com velas e flores. Além de uma enorme foto do padre Healy do lado do caixão, que estava fechado.

Eu odiava funerais...

Procuramos um lugar para nos sentar, meus pais foram na frente com meu irmão, e infelizmente durante esse trajeto alguém puxou meu braço. Era Larry.

Encarei-o. Meu coração foi até a boca e voltou. Ele continuava o mesmo, por fora e certamente por dentro. 

Nojento!

Senti uma vontade enorme de cuspir em sua cara asquerosa, e só não fiz isso, porque estávamos em uma igreja. Puxei meu braço com força, então ele me analisou com atenção. 

— Não me diga que você é quem eu estou pensando que é — disse com as sobrancelhas juntas, intrigado.

— Eu ainda não leio mentes! — retruquei debochada.

— Porra... — seu queixo caiu, e o vi engolir em seco. — Piper?

Tirei meus óculos com raiva. — O que você quer? — indaguei entre os dentes.

— Nada... Só estou surpreso em te ver... assim...

— Assim como? — ri com ironia.

Ele era muito cara de pau!

Ele abria a boca e fechava, mas nada saia. — Você está linda — disse por fim.

Arqueei as sobrancelhas. — Obrigada, mas de você eu não quero nem elogio. Vê se me esquece — respirei fundo para não dar um tapa em seu rosto.

— Nossa... Eu errei no passado com você, mas eu nunca imaginaria te ver de novo, ainda mais assim. Tão gostosa — passou as mãos pelo cabelo negro.

— Você é tão nojento! — falei incrédula. 

— Você não achou isso quando esteve comigo há quinze anos — riu convencido.

Senti o ódio tomar conta de mim, mas respirei fundo e disse: — Nunca mais me dirija à palavra!

— Calma aí, esquentadinha! — riu segurando meu braço, mas puxei novamente e olhei ao redor para ver se não estava chamando muito a atenção, afinal estávamos em um funeral.

— Me solta! — pedi com ódio, porém baixo e assim ele fez.

— Vamos conversar. Que tal marcamos algo hoje à noite, hun?

 Meu queixo caiu. — Você tem uma audácia enorme — pausei rindo completamente incrédula. 

Ia continua a respondê-lo, mas de repente meu mundo parou por completo, quando vi Alex adentrar a igreja de braços dados com sua mãe, estava amparando-a. Diane Vause estava claramente abalada com a morte do padre Healy. Meu coração bateu forte, como nunca antes e uma adrenalina tomou conta de meu corpo.

Eu sabia que Alex era linda, mas não me recordava da intensidade do quanto ela era. Ela também usava trajes em cor negra, só que era uma calça, coturno e uma camiseta negra, e sobre sua cabeça estava os óculos escuros. Em seus dedos esmaltes negros, e algo diferente eu percebi, tatuagens, muitas tatuagens em seu braço.

Meu mundo girou e minha boca secou, minhas mãos suaram e eu pensei que logo iria cair desfalecida no chão. Não sabia o que diabos estava acontecendo comigo. Nunca tinha me sentindo assim antes. Certamente ela a emoção em vê-la depois desses anos todos.

Engoli em seco, com meus olhos vidrados nela. Eu não conseguia tirar meus olhos dela.

Ah, merda!

Ela era tão linda... era a visão do pecado. 

Céus, o que estava acontecendo comigo?

Pânico. Entrei em pânico, em alerta, chamem como quiser. Minha respiração ficou curta de repente, então tudo piorou quando suas esmeraldas encararam-me. Seu semblante era surpreso, e começou a mudar para feliz, porém não tive mais tempo de saber, pois Larry fez com que eu acordasse do transe em que eu me encontrava.

— Você está bem?

— Me deixa! — falei super afetada, mas não por ele e sim por ter visto a Alex e então me juntei com meus pais e irmãos.

— Querida... tudo bem? — quis saber mamãe.

Respirei fundo. — Sim, estou.

— Aquele idiota te abordou? — questionou papai já enfurecido.

— Está tudo bem — encarei-o e dei meu melhor sorriso.

— Tudo bem, minha filha — ele sorriu de leve aplicando um beijo em minha testa.

A cerimonia teve inicio. A igreja estava mesmo lotadíssima. Procurei Alex com o olhar, e então deparei com ela fitando-me. Ela estava sentada nos bancos do outro lado do correr um pouco atrás de mim.

Era incrível como o tempo tinha que feito tão bem. Não que ela não fosse linda antes, mas agora... havia algo... algo que eu não sabia explicar que a deixava mais do que linda. Estonteante, acho que essa era a palavra que se aproximava mais. Porém eu sempre soube que Alex era cobiçada no colégio por homens e mulheres, mas claro que os garotos nunca obtiveram êxito, já que ela sempre foi 100% lésbica. Acho que quem tem sorte nessa história toda são as mulheres.

Seus cabelos negros soltos, seus olhos extremamente verdes, sua boca carnuda extremamente vermelha sem necessidade de nenhum batom para isso. Engoli em seco. Céus... Ela sorriu, retribui o sorriso, mas eu estava tão confusa, que quase não consegui fazer tal ato, mesmo sendo extremamente simples.

Suas tatuagens... Embora não desse para vê-las por completo, eu podia ver pedaço de uma rosa em um deles, e no mesmo braço, mais perto do pulso uma tribal e no pulso da outra algo que parecia ser uma frase. Sim, eu era detalhista e sempre tive uma ótima visão.

A cerimonia se passou como todas, algumas fizeram discursos fúnebres, relembraram alguns acontecimentos com o Padre, e então caixão foi levado para o cemitério. Lá algumas pessoas jogaram terra sobre o mesmo, e então a cerimonia chegou ao fim. E quando isso aconteceu já era hora do almoço, eu estava morrendo de fome.

— Podíamos ir naquela lanchonete de sempre? — sugeriu Cal.

Sorri e deu de ombros. — Pode ser.

— Piper, querida... se não se sentir bem podemos ir embora hoje mesmo — disse minha mãe aplicando um beijo em meu rosto..

Sorri de leve negando. — Já que estou aqui, mãe irei enfrentar isso de cabeça erguida, mas enfrentar mesmo. Se vocês quiseram podem ir... a cerimonia acabou cedo mesmo, mas eu vou posar aqui. Vocês já reservaram um quarto mesmo.

Meu pai sorriu. — Fico muito orgulhoso de você. Deve mesmo enfrentar o seu passado, é a melhor forma de seguir em frente.

Assenti com um sorriso nos lábios.

— Mas se a gente for embora você vai de quê? — quis saber Cal.

— Não se preocupe, maninho. Vou de trem... eu amo andar de trem.

— Tudo bem — deu de ombros. — Jesus... não me diga que aquela que está vindo aí é a irmã do idiota do Larry?

Virei-me para fitar na mesma direção que ele estava olhando, e vi Alex se aproximar de nós. 

— Estou surpresa em vê-los — disse ela assim que se aproximou. Então cumprimentou cada com um aperto de mão.

— Resolvemos vir e prestar uma homenagem ao padre — disse minha mãe, e eu, bom, eu não dizia nada somente a fitava.

— É mesmo uma pena o que houve — Alex suspirou.

Eles conversavam e eu somente... a olhava. 

Jesus, disfarce pelo menos, Chapman, meu subconsciente chamou minha atenção.

— Bom à gente já vai indo — anunciou meu pai erguendo a mãe.

Alex a pegou. — Certo. Foi bom vê-los — ela sorriu, parecia desapontada.

Minha mãe e Cal se despediram de Alex. E em seguida se despediram de mim e se foram.

— Então... vai ficar? — questionou-me.

Suspirei, mas não lhe respondi, ao invés disso, corri para os seus braços. Eu estava morrendo de saudades, mas não tinha me dado conta até o momento em que a vi entrar pela porta daquela igreja. No começo Alex manteve seus braços de lado, sem ação e então em seguida envolveu-me com seus braços.

— Eu também estava morrendo de saudades sua — sussurrou em meu ouvido. 

Foi inevitável. Era uma carga de emoção grande demais, então lágrimas escorreram por meu rosto. Alex tinha me ajudado tanto, quando ninguém mais o fez. E se eu fui embora sem me despedir, era porque eu estava completamente fora de mim, anestesiada de dor. Só por isso.

Eu chorei, chorei tanto e em nenhum momento ela me soltou. Seus braços eram quente, acolhedores, como assim eu me lembrava.

— Eu sinto muito — afastei-me limpando minhas lagrimas com as mãos. — pela minha reação, mas é que eu não me segurei.

Alex sorriu de canto e negou. — Está tudo bem — sua mão foi até meu rosto, e ela limpou a lágrima. 

Segurei sua mão que estava sobre meu rosto ainda. — Desculpe por não ter me despedido. É que eu estava... desolada, mas não fiz por mal. Você sempre esteve do meu lado, Alex.

— Não precisa se desculpar tanto... entendo tudo — disse ela. — Eu... — sorriu, parecia emocionada. — Eu estou tão feliz em ver você, ainda mais porque não te esperava por aqui. Jamais.

— Pode acreditar... eu também não esperava estar de volta aqui — ri sem emoção.

— Temos tanto que conversar — exclamou tirando os óculos escuros de sua cabeça guardando-o e colocando seus óculos de grau no rosto.

Ela ainda usava aqueles óculos?

Sorri. — Quer almoçar comigo?

— Eu adoraria, mas — bufou. — meus pais querem que eu almoce com eles... sabe como é... almoço em família. Eu geralmente não venho muito aqui, então minha mãe me usa o quanto pode — riu ajeitando seus óculos.

— Ah... tudo bem então.

— Mas... se você quiser podemos marcar alguma coisa.

— Você vai embora hoje ainda ou-

— Aí Vause? Estava te procurando, cacete! Como você me deixa sozinha com seu pai homofóbico e seu irmão escroto? — uma mulher baixinha, de cabelos ruivos desgrenhados apareceu e de repente parou de falar.

Ela me analisou com atenção com seus olhos cor de mel.

— Oh! — colocou a mão na boca. — Você é-

— Foi mal, Nicky! — Alex a interrompeu.

Franzi o cenho.

O que ela iria dizer?

— Piper, essa é minha amiga Nicole, Nicky, essa é a Piper — Alex nos apresentou.

— Oi, Piper... Prazer em te conhecer, hein? — ela aplicou dois beijinhos em meu rosto.

Ri. — Prazer, Nicole.

Ela transmitia algo muito bom.

— Bom... eu vou para o carro, tá? — disse ela a Alex. — Prazer em te conhecer novamente, Piper — sorriu e se foi.

— Ela é maluca... liga não! — Alex rolou os olhos.

— Ah, mas eu gostei dela — comentei rindo.

Alex riu assentindo. — Bom, eu vou ter que ir, se não é capaz da Nicky vir até aqui me buscar, mas podemos combinar algo. Me passa seu numero de celular — disse pegando o aparelho em seu bolso.

Trocamos nossos números, e então ela se foi. Com um sorriso bobo nos lábios, segui com os olhos enquanto Alex se distanciava.

Eu não sabia explicar. Eu estava pouco me fodendo para o Larry, eu estava morrendo de felicidade em ver a Alex. Isso sim.

 

۞

 

MEU CORAÇÃO ESTAVA EXTREMAMENTE FELIZ. O sorriso não saia de meu rosto. Ela estava ainda mais linda do que eu me lembrava. Piper tinha se transformado em um mulherão, dava para perceber que ela estava mais poderosa confiante... Às vezes certas coisas aconteciam para que a pessoa se tornasse mais forte de certa forma.

Entrei no meu carro. Nicky já estava lá dentro a minha espera, no banco de passageiro.

— Demorou, hein? — disse ela assim que entrei.

Rolei os olhos fechando a porta. — Lá vem.

— Porra, Alex... Então aquela é a Piper? Nossa, ela é muito gata!

Comprimi os olhos. — Tira o olho, Nichols!

— Qual é? — riu. — Eu tenho noiva, tá? Mas você... — sorriu de forma maléfica. — Você está com o casamento por um fio já... quer voltar com sua esposinha ainda, quer? — provocou-me.

Choquei minha cabeça contra o volante, gemendo de angustia. — Nicole... — suspirei. — O que eu faço? Ela é linda demais!

Ela riu. — Pior que é mesmo!

Ri. — Tire os olhos!

— Já falei que tenho noiva — afivelou o cinto. — Mas tipo, a quinze anos você estava disposta a se declarar, então faça agora.

Cacei a cabeça. — Não sei... Tenho que pensar mais sobre isso.

— Qual é, Alex... Parece que gosta de sofrer, cara. É só falar.

Fiz uma pequena carranca. — Até parece que é fácil — liguei o carro. — Mas de todo modo, trocamos os números de celular. Penso em marcar alguma coisa hoje ainda, talvez à noite.

— Poxa, eu vim para cá, mas vou ser abandonada? — fez drama.

— Dramática — resmunguei.

— Estou brincando... acha mesmo que vou atrapalhar a sua transa?

— Minha o quê? — indaguei incrédula. — Por Deus, Nicole! — maneei minha cabeça em negativa.

— Ué, até parece que você não pensa naquela lá nua, até eu pensei quando a vi.

— Jesus, você só fala besteiras.

— Ah, sério, Alex, responde aí: pensa ou não pensa?

— Não vou responder essa sua pergunta — mantive minha boca em linha reta, tentando não rir, porque, claro que eu pensava, era normal, não?

Nicole caiu na risada. — Ok, isso já responde minha duvida.

Bufei.

Estacionei o carro em frente a casa dos meus pais, eles já tinham chegado, assim como o carro de Larry estava ali também estacionado em frente a casa.

Adentramos a casa, minha mãe e Polly preparavam o almoço, enquanto Larry e meu pai bebiam e conversavam sobre negócios.

— Ei, mãe eu e Nicky iremos te ajudar — anunciei.

— Iremos? — indagou Nicky.

Ri. — Iremos, sua imbecil!

Claro que com todo o prazer minha mãe nos deu serviços para fazer. Polly parecia chorar, mas eu não sabia se era por causa da cebola que ela cortava, ou realmente estava chorando.

O almoço teve inicio. O clima não estava muito bom entre Larry e Polly, eles pareciam estar brigados, ou algo assim, mas tirando esse clima, tudo estava ok. 

Durante a refeição meu celular tocou. Era uma mensagem de Piper. Claro que meu rosto se iluminou no mesmo instante em que seu nome na tela.

— Que cara de idiota — sussurrou Nicky somente para mim. — Ela mandou mensagem, né? Claro que é isso — zombou.

— Cala a boca, Nichols! — ri abrindo a mensagem.

 

“Oi... Só passando para confirmar o número.

Aqui é a Piper, só para saber.

Ansiosa para colocarmos o assunto em dia.”

 

Meu sorriso só fez aumentar.

 

“Oi, Piper.

Está bem, só para saber, aqui é a Alex hahaha

Número salvo corretamente.

Podemos marcar alguma coisa hoje qualquer horário... estou completamente disponível depois do almoço. ”

 

— Então mana, está divorciada mesmo ou reconciliou?

Encarei Larry. — Não que te interesse, mas ainda não.

— Hm — bebeu sua cerveja. — Ouvi falar que relacionamentos homoafetivos geralmente são abusivos.

— Alguns relacionamentos heteroafetivos também, não? — Polly retrucou com um sorriso cínico nos lábios.

— Chega dessa conversa na hora do almoço, por favor — pediu meu pai sério.

— Essa mulher só fala besteiras! — Larry rolou os olhos.

— Acontece Larry que eu amadureci, mas você parece ter a mentalidade de um adolescente ainda! — Polly se colocou de pé.

Nicky que estava ao meu lado parou de comer no mesmo instante e manteve seus olhos grudados nos dois. Eu a conhecia e sabia o quanto ela amava um barraco.

— Senta aí — pediu Larry entre os dentes.

—Temos um filho de 13 anos, mas você nem liga e infelizmente ele está seguindo a mesma linha de pensamento do pai.

— Senta aí, mulher — rosnou ele.

Nicky pigarreou. — A comida está ótima — disse para aliviar o clima.

Minha mãe sorriu. — Obrigada.

— Todo mundo aqui sabe o quanto você é um imprestável, Larry. Não precisa expor tanto assim, estou falando isso para vocês dois — disse meu pai olhando para ele e a esposa.

Polly suspirou. — Lamento, mas acabei perdendo o controle.

— Tudo bem, querida — minha mãe segurou sua mão passando-lhe força e apoio.

Suspirei e nada disse.

— Você que deve estar adorando tudo isso, não Alex? — Larry se direcionou a mim.

— Não entendi.

— Entendeu sim — respondeu ele me encarando de forma séria.

Suspirei. — Olha Larry, eu não tenho culpa de você ser um fracasso em tudo em sua vida. Eu não tenho nada haver com isso, e na verdade é algo indiferente na minha vida.

— Como é que é? — ele explodiu colocando-se de pé.

Antes que eu pudesse responder, meu pai interveio.

— Chega disso. Eu já disse, pode ser? — encarou Larry. — E sua irmã não tem nada haver com essa história. Deixe ela em paz pelo menos uma vez na vida. Já não basta as merdas que você fez ela passar? — suspirou cansado. — Eu só quero ter um almoço normal uma vez na vida. Temos visitas, então assunto encerrado.

Larry se sentou novamente, seu rosto estava vermelho de raiva.

— Eu adorei o macarrão a bolonhesa da senhora — comentou Nicky para aliviar o clima novamente.

— Obrigada, querida — minha mãe sorriu.

— Eu gosto muito de comida italiana. É uma das minhas prediletas.

— Aposto que sim — sorri cínica e Nicky comprimiu os olhos.

— Está querendo dizer alguma coisa, Alex?

Dei de ombros. — Nada não.

— O que é? — quis saber minha mãe achando graça.

— É que a ex namorada da Nicky é italiana.

— Oh!

Meu celular vibrou novamente, só que não era Piper e sim Artesian.

Ah, merda!

 

“Alex, meu amor... por favor, podemos nos falar? Eu quero muito te ver. Temos que resolver esse empasse. Eu te amo!”

 

Eu nem estava lembrando dela, afinal de contas, como poderia com Piper novamente em minha vida? 

 

“Estou na minha cidade Natal visitando meus pais. Podemos nos falar quando eu voltar para Nova York, mas que empasse você quer resolver? O empasse em que você me traiu? Pelo amor de Deus, Artesian! Não tem conversa. Vou arrumar um advogado, e é isso, fim de papo!”

 

Meu celular vibrou novamente, mas desta vez meu coração se alegrou. Era a resposta de Piper.

 

 

“Também estou completamente disponível... Nos vemos na praia?”

 

O sorriso voltou para o meu rosto.

 

“Nos vemos na praia... Que tal daqui uma hora?”

 

Sua resposta foi instantânea.

 

“Perfeito!”

 

Mal deixei meu celular sobre a mesa e ele vibrou novamente. Era Artesian.

 

“Alex, por favor, reconsidere!”

 

A ignorei. Não iria ficar discutindo esse assunto que já tínhamos discutindo tantas e tantas vezes.

O almoço chegou ao fim, então eu e Nicky fomos ajudar minha mãe com as louças, meu pai ficou na sala assistindo a um jogo e Larry e Polly saíram discutindo feio fora de casa.

— O que rola entre o filho da senhora e a esposa? — enxerida como só ela, Nicky questionou minha mãe.

A encarei com espanto. — Nicky?

— O quê? — indagou. — Até parece que você não quer saber também — rolou os olhos.

Maneei minha cabeça em negativa, já minha mãe achou graça.

— Tudo bem — disse ela. — Há um ano Larry foi preso por violência domestica, mas já fazia alguns anos que eles brigavam. A verdade é que o casamento dos dois nunca foi um casamento bem sucedido. Larry trai Polly, Polly trai Larry. É assim — minha mãe deu de ombros.

— E consequentemente afeta o garoto — falei.

— Sim, afeta ele.

— Foda — exclamou Nicky.

 

//

 

ESTAVA PRONTA PARA IR EMBORA. Iria para o Hotel, para então encontrar com Piper na praia. Estava ansiosa em vê-la. Nicky vinha logo atrás, conversando com minha mãe. As duas acabaram se dando muito bem.

— Ei, você!

Virei-me e fitei Larry, ele estava completamente bêbado e fora de si.

— Você viu como a Piper está gostosa? — indagou.

Ajeitei meus óculos encarando-o. — O que você quer, Larry?

— Nada, mas você acha que vai ter ela agora, só que não vai não. Quer apostar que ela ainda é apaixonada por mim, quer? — riu.

Mantive minha boca em linha reta e nada falei.

— Vai ficar calada?

— Aquela mulher te odeia, seu imbecil! — cuspi entre os dentes.

— Só porque você acha, né?

— A deixe em paz — rosnei. — Estou te avisando, ou quer que eu quebre seu nariz de novo?

Porra, eu não queria ser como há quinze anos, mas Larry me tirava do sério quando falava de Piper.

— Me bate agora!

Trinquei os dentes e dei as costas para ele indo até meu quarto. Nicky ainda me alcançou e entrou no automóvel, assim como eu.

— Que tensão foi aquela?

— Larry é um idiota — respondi segurando o volante com mais força do que o normal.

— Notei.

Respirei fundo algumas vezes. Ele não iria me tirar do sério, não ia mesmo, porque eu iria vê-la agora. Eu iria estar com Piper e não tinha nada melhor que isso.


Notas Finais


Eita, eita, eitaaaaaaa


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