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História Sob as estrelas - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Hellou meus anjos! Era para eu ter postado esse capítulo mais cedo, mas, vocês sabem como é a preguiça, né?
Eu acho que estou satisfeita com o resultado desse capítulo, principalmente após a ajuda da betagem da @Mayonaka_Astery. Você é uma deusa! Arigato por ter lido esse cap antes de todo mundo e ter evitado-me postar com uns trechos nada a ver ksksks.
Espero que gostem do capítulo!
Ah, e tenham noção que o ensino médio no internato tem 3 anos de duração, assim como aqui no Brasil. Talvez algum dia eu pesquise um pouco mais para fazer uma fanfic com o sistema gringo, mas no momento isso só confundiria o meu cérebro e o de vcs.

Capítulo 3 - Confusos


Fanfic / Fanfiction Sob as estrelas - Capítulo 3 - Confusos

[...] 

 

— Katsuki! Para de graça! Você não sai desse quarto desde a hora do almoço! — Kirishima gritou, socando a porta do dormitório do loiro pela milésima vez — Você sabe que não pode ficar aí trancado para sempre, né?

 

— Saia daí. — a voz apática em um tom extremamente sério agora era emitida pelo alto de cabelos bicolores, estando inteiramente calmo, como sempre, o completo contrário do ruivo ao seu lado. 

 

— Caralho, vocês são uns filhos da puta! Porra, não dá para ver que eu não quero sair? — uma voz abafada e rouca xingava em uma velocidade impressionante, finalmente se dispondo a falar. 

 

— Eu desisto! É oficial, Bakugo, tem algo de muito errado com você hoje! — Kirishima dizia com uma voz claramente chateada, parando de gritar para falar contra a porta de madeira. Estava decepcionado. — Não entendi até agora porque você foi arranjar confusão com o Kaminari do nada e, ainda por cima, me proibiu de pegar a lição de casa daquele nerdzinho verde. Porra Katsuki, você não enxerga quem são os seus verdadeiros amigos? Não percebe que, eu, sou seu amigo? — seus olhos lacrimejavam pelas laterais por causa do irritamento, todavia, Kirishima sabia que não era só raiva que sentia por seu “melhor amigo”. 

 

— Você está sendo ridículo. 

 

— Bakugo. Por favor, enxerga!

 

… 

 

— Boa noite. — Desistiu de esperar uma resposta, apenas se dirigindo para longe do local e puxando consigo Todoroki, que apenas mantinha a face indiferente perante a situação. 

 

[...] 

 

— Eu acho que devo ir, certo? Não tenho nada a perder mesmo! — Izuku argumentava com seu enorme urso de pelúcia branco, sendo aquele um presente que havia ganhado de sua avó na infância, a única pessoa de sua família que realmente se importava com ele. Era uma pena que esta houvesse partido há muitos anos atrás. — Bem… talvez alguns ossos quebrados. 

 

Midoriya, mais do que nunca, precisava da companhia das estrelas para conseguir entender o que se passava na sua cabeça. Um dos aspectos mágicos de quando estava na floresta era que sua cabeça inteira parecia fazer sentido sem esforço, os pensamentos simplesmente fluiam com uma facilidade impressionante.

 

Sim. Ele precisava tentar.

 

Mas… e se Bakugo estivesse lá? O pequeno tinha certeza absoluta de que se chegasse a encontrar-se com ele novamente iria, no mínimo, quebrar umas costelas no processo. Esse foi o motivo pelo qual estava tremendo de medo quando finalmente saiu de seu dormitório, levando consigo apenas um singelo lápis e seu pequeno caderno de desenhos. 

 

Andava pelo campo vagarosamente, como se quisesse atrasar ao máximo entrar na clareira e, talvez, dar de cara com a morte certa em forma de Katsuki Bakugo. Ele estava sendo ousado, isso era fato, mesmo assim necessitava daquele lugar, tinha se viciado na felicidade e aquele lugar era a sua droga. Exigia.

 

A esperança pode ser a sua melhor amiga nos momentos mais sombrios, mas quando essa ilusão criada pelas nossas mentes é quebrada em milhões de pedaços, nem Deus sabe o que pode acontecer. Bem, foi exatamente isso que aconteceu ao o jovem esverdeado. Ele tinha chegado, mas não estava sozinho. Lá estava, sentado relaxado sobre uma espécie de toalha de piquenique, o loiro de olhos carmesins cortantes. 

 

Bem, agora só restava voltar para o dormitório, não é mesmo? 

 

— Ah. Você veio mesmo. — ele assustou o esverdeado ao proferir as palavras sem nem mesmo olhar para onde Deku estava. Sua voz era forte e áspera, mas parecia estar escondendo alguma coisa. Algum sentimento.

 

— E-e-eu… — estava preocupado demais em inventar uma desculpa e escapar dali do que para falar. Estava prestes a morrer, podia sentir. Suas pernas bambearam e a qualquer momento sentia que iria ceder. — Nós temos assuntos a resolver. — sua voz subitamente saiu perfeitamente calma e direta, quase grossa demais para um corpo tão pequeno. 

 

Deku, percebendo o que havia falado, não pôde evitar levar as mãos a boca. Ele nunca quis dizer aquilo, não em voz alta pelo menos. A boca do loiro se abriu umas três vezes, sem nenhuma saída de som, mas na quarta vez finalmente conseguiu proferir. 

 

— Sente-se.

 

Izuku queria muito fugir dali o mais rápido o possível, mas outro ser parecia estar controlando o corpo do esmeraldino naquele momento. Andou calmamente até o lado de Kacchan, como se aquele fosse o seu plano desde o início. E, ainda assustado com suas ações, Deku deitou-se na toalha alaranjada que o outro havia estendido. 

 

Se Izuku não estivesse tão assustado com o seu próprio corpo — que parecia se recusar a obedecer às suas ordens —, teria achado fofa a expressão que Katsuki exibira naquele momento, com as bochechas da cor de seus olhos e um olhar fatal no rosto. 

 

— Eu vou te matar! — Katsuki gritou repentinamente e Izuku se encolheu ao seu lado, ainda sem poder controlar o corpo. Porém, ao invés de socar o corpo do pequeno, o dono dos olhos carmesins lhe deu um abraço apertado. — O que você estava pensando quando foi mexer com o Denki? Ele poderia ter quebrado o seu nariz se tivesse acertado aquele soco! Você sabe o quanto me deixou preocupado?!

 

Katsuki se afastou quase tão repentinamente quanto se aproximou, dando um tapa no próprio rosto com força e deixando uma marca aparente de seus dedos em ambas as bochechas. Aparentemente, Izuku não era o único que estava tendo problemas em controlar as próprias ações. 

 

— E-eu não quis dizer isso nerd de merda! Seu filho de uma puta, o que você fez comigo? Eu já vou indo… — Katsuki saiu correndo, tropeçando um pouco, mas com uma velocidade impressionante e deixando Midoriya ali, totalmente só. 

 

Se ele queria esclarecer as suas dúvidas, só havia conseguido ficar mais confuso. Novamente, pôde ter o controle de seus movimentos, mas não se levantou. Podia ver as estrelas e novamente sentia-se completo. Por que seu peito estava batendo tão rápido? Por que os locais onde Kacchan havia lhe tocado estavam mais quentes do que o restante? 

 

Havia conseguido, conquistado novamente o seu território, só não imaginava que em tão pouco tempo o loiro estaria de volta, arfando exaustivamente. Desta vez, carregando uma sacola em mãos. 

 

— Porra Deku, tá aqui essa merda! — ele entregou o que estava carregando nas mãos do esverdeado, parecendo estar extremamente insatisfeito. — Seu idiota! — completou apressado, como se tivesse esquecido-se de falar algo importante.

 

Izuku pegou o que lhe fora trazido com cautela e, mesmo quando Kacchan se sentou ao seu lado, com uma cara intensamente emburrada, o esmeraldino se sentiu… seguro. De alguma forma acreditava que, naquela floresta, ninguém poderia lhe fazer mal algum. 

 

Deku espiou dentro do pacote com medo, devia ser mais uma das brincadeiras de mal gosto do loiro, mas não pôde evitar soltar um barulho baixo de pura surpresa quando viu o que lhe esperava. Um pequeno pote com comida, enrolado desleixadamente em um pano verde da cor dos cabelos de Midoriya. 

 

— O quê?

 

— Você não comeu nada no almoço, então achei que talvez você estivesse com fome.

 

— P-p-por que…? — estava chocado demais para conseguir falar mais do que isso, ainda não conseguindo entender àquela mudança absurda em seu comportamento. 

 

— Se você não quiser, tudo bem, seu lixo! Eu estou com fome o suficiente para comer tudo isso e não deixar nada para você! — Bakugo proferiu irritado, voltando aos maus hábitos, mas Deku pôde perceber que, por detrás da grosseria e de um rosto emburrado, existia uma… preocupação? 

 

Izuku se manteve fitando o rosto do loiro, mas sempre evitando seus olhos, já que estes lhe davam calafrios. Mesmo sem nunca nem ter direcionado a atenção para eles, ficava assustado com a intensidade que estes poderiam ter sobre si. No momento, estava apenas encarando um dos fios espetados — quase brancos e aparentementes ressecado — de seu cabelo que chacoalharam juntamente à brisa leve que lhes encobria. 

 

Buscava respostas para o comportamento estranho do loiro, mas só encontrava mais perguntas. E o pior, estava gostando de ser tratado bem por ele. Por quanto mais tempo ele cuidaria de si assim? Ele sabia que algum dia Bakugo ia sair dessa espécie de transe em que agora se encontrava e voltaria a ser o babaca de sempre, mas naquele momento, só queria aproveitar o bom-humor alheio. Não queria pensar em mais nada naquele instante. 

 

Katsuki estava um pouco afastado, deitado na grama, sem nem mesmo se importar com o fato que estava fora da toalha que ele próprio colocara. Izuku finalmente se sentiu confortável o suficiente para testar a sorte, desamarrando lentamente o pano que cobria a comida e abrindo a tampa do pote.  E ali estava, como o loiro havia dito, um pequeno engradado de um macarrão com algumas almôndegas e, em uma área separada do restante, um bolo que, pelo cheiro característico, Izuku assumiu que fosse de chocolate — provavelmente a sobremesa do jantar que a escola oferecia todos os dias aos seus alunos. 

 

— Onde você arranjou isso?

 

— Lugar nenhum. — seu tom era ansioso, mas ainda apático. 

 

— Não me diga que você roubou isso da cozinha! — Izuku presumiu, assustado com a possibilidade do loiro ter quebrado uma das regras mais rígidas do internato: “nunca, em hipótese alguma, entrar na cozinha sem permissão”. 

 

— Talvez… — seu tom era mais irritado do que nunca, mas não era com Midoriya que estava irritado. Era consigo mesmo — Tsc. Que merda. — resmungou, virando-se de costas para o esmeraldino. 

 

— Você poderia ter sido pego! — Midoriya ralhou consigo, mas o loiro não estava mais escutando. — E se o zelador tivesse te encontrado? Que desculpa você daria? Onde você estava com a cabeça...

 

Se o garoto de cabelos verdes tinha dúvidas sobre o que estava acontecendo, com Bakugo era mil vezes pior. Não era o esverdeado que estava com problemas para controlar o próprio corpo, que não conseguia mais nem mesmo ficar mais de cinco minutos sem pensar no rosto do outro, nos olhos — aqueles olhos verde esmeralda brilhantes — que faziam o seu coração acelerar toda vez. Não era Midoriya que precisava se segurar para não quebrar os óculos do outro no meio para que pudesse enxergar as íris coloridas sem o obstáculo de vidro. No começo achou que estava ficando louco, depois, conseguira convencer a si mesmo de que os hormônios deveriam ser os responsáveis por aquele estrago, mas não entendia como, tão intensamente, Midoriya havia se tornado tão importante para si. 

 

“Eu não devia tê-lo seguido naquela noite. Foi lá quando…”

 

— E se você fosse expulso por causa dessa besteira? Você quer me deixar preocupado? — Bakugo voltou a escutá-lo nas últimas palavras de seu discurso lhe alertando sobre as consequências de sua ação, quando o menor, acabou deixando escapar algumas palavras que fizeram o seu coração parar de bater por alguns instantes. Ele também estava preocupado consigo?

 

Será que, afinal, Bakugo não estava ficando louco? Será que aquela sensação também atingia o esmeraldino? Uma sensação de aperto quando estavam longe, dolorida, e uma de necessidade e anseio quando perto, uma vontade profunda que tentava esconder e proibir de florescer ainda mais, apenas para não demonstrar esses sentimentos. Essa parte feia e nojenta que habitava no seu peito, a parte sensível de Katsuki Bakugo. O que era aquilo? Não conseguia definir, mas não parecera tão repentina o quanto deveria para si. Era como se estivesse lá já há um tempo, mas adormecida. 

 

Aquele local havia a acordado repentinamente. Os olhos de Midoriya haviam o encantado sem aviso prévio. Ninguém havia lhe preparado para uma situação daquele tipo. Nenhuma matéria na escola lhe ensinara a passar por aquela sensação. 

 

A vontade era de gritar.

 

— A-ah! O que está fazendo? — Midoriya se assustou quando o corpo do loiro foi parar sob o seu, sua cabeça impedindo o esmeraldino de ver as estrelas. Queria ocupar o lugar delas, ser tão importante quanto elas para o garoto que se encontrava, naquele momento, abaixo de si. — P-por favor, pare! E-ei hmphh… me, ah, solta! — o medo e raiva de Katsuki, poucos momentos antes esquecidos por Midoriya, haviam retornado, mas era de uma maneira diferente. 

 

As mãos do pequeno cheio de sardas estavam prensadas contra o chão coberto pela toalha, a comida esquecida ao lado, e seu corpo parecia totalmente desligado. Não conseguia mexer nem mesmo um membro para escapar; quase como se quisesse ficar ali. Não demorou para que Katsuki se aproximasse, os olhos fechados e as bochechas quase tão vermelhas quanto os seus olhos. 

 

— Me desculpe por isso. — disse, antes de prosseguir com o ato que ansiava. 

 

Precisava testar, precisava saber se era realmente aquilo que queria, mesmo se isso significasse que Izuku sofreria um pouco no processo. Na verdade, fazer Deku sofrer já era um pecado comum para si. Estava tentando parar, mas no momento temia que seria um pouco egoísta com o esmeraldino. 

 

Katsuki nunca fora muito honesto consigo mesmo. Se queria fazer algo, sempre analisava se esta se encaixaria na reputação que havia construído, porque, mesmo que não gostasse tanto assim de ser um babaca, agir assim era mais fácil. Sempre optara por fazer o mais cômodo, aquilo que afastaria as pessoas, mas, mesmo assim, conseguira amigos. Ele se sentia abençoado, mas ao mesmo tempo culpado. E continuaria assim, se não fossem aqueles malditos olhos esmeralda, aquelas malditas sardas como o céu estrelado, aqueles malditos fios sedosos e verdes, que o fizeram perder completamente a razão em apenas uma noite. 

 

E assim, cometendo mais uma vez o pecado de violar o corpo angelical de Izuku, o mais alto o beijou. Um beijo em dúvida, um beijo estranhamente calmo. 

 

Katsuki não pediu muita permissão, preenchendo a boca do menor com sua língua. A inexperiência era clara por ambos os lados. Izuku acumulava lágrimas no canto de seus olhos e Katsuki pensou em parar, mas não conseguiu ao perceber que estava gostando daquilo, mesmo que quisesse dar um soco no próprio rosto por causa disso. 

 

Midoriya, pego de surpresa, logo ficou sem ar e totalmente engasgado, tossindo um pouco quando Bakugo se afastou detidamente. Se sentia febril. A floresta, antes fresca, havia se tornado um mar de chamas. 

 

Pela primeira vez na vida, olhou diretamente para os olhos carmesins de Bakugo. Sem querer, aquilo nunca fora a sua intenção. O esmeraldino mal sabia que acabara de laçar o destino de ambos, para sempre. 

 

Sentiu um estalo em seu interior, como se uma corda tivesse sido amarrada com todas as forças em seu coração. De repente, os olhos de Bakugo eram as coisas mais bonitas naquela floresta. Mais do que a lua, mais do que as flores, mais do que as estrelas.  Poderia ficar ali horas, apenas admirando os rubis que o mais alto chamava de olhos, mas nunca admitiria isso para alguém que acabara de lhe beijar forçadamente. Ele continuava a sentir as mãos do loiro em sua cintura, arranhando as laterais de sua barriga. Queria fugir, para longe, muito longe. Por que seu coração estava tão desregulado? Por que sentia que queria mais? 

 

Porém, antes que Midoriya pudesse fazê-lo, Bakugo levantou calmamente, quase calmamente demais, e saiu. Para onde? Nem eu sei, mas foi para longe, o mais longe possível.  

 

E partiu, dessa vez, não voltando mais. Não voltando mais pelos próximos dois anos.

 

Estava agora sozinho. Nem um barulho, nem um batimento. Era como se tivesse voltado a si, como se enfim pudesse respirar novamente. Mas o que era aquilo? Uma sensação quase de luto.

 

Pós-créditos:

 

Midoriya olhou para o lado, mais uma vez encontrando o pote com comida. Exitou, mas logo o recolheu e colocou a primeira garfada na boca — utilizando o talher que estava mais ao fundo da sacola —, como se aquilo fosse afastar toda a ansiedade que assolava o seu peito naquele momento. E, com a mão livre, pegou o caderno de desenhos, apoiando-o na coxa levantada e rabiscando aleatoriamente. Só queria despejar todo aquele sentimento sufocante em algum lugar, mesmo que fosse na ponta do lápis.

 

Quando colocou o último macarrão em sua boca — já que havia começado com a sobremesa e, só então, comido a parte salgada — percebeu que também acabara de desenhar. 

 

Por que ele desenhou Katsuki Bakugo? Se você souber a resposta, por favor, me conte.


Notas Finais


AHhhhhhhHHHhhhhhhh
Um obrigada enorme para a @Mayonaka_Astery, sem vc esse capítulo n teria sido possível!
Ficou um pouco curto, mas postei! Espero que tenham gostado (deixem um comentário para me deixar felizinha *–*)


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