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História Sob o Meu Guarda-Chuva - Capítulo 21


Escrita por: EliTassi

Notas do Autor


Pfvr, n me matem pela leve decepção no início desse cap, lembrem-se qe eu tenho filhos felinos para alimentar </3

Esse cap foi mto pensado, então prometo qe é lgl, msm n sendo o qe qerem ~

Boa leitura
💙

Capítulo 21 - XXI - Sete momentos.


Diego

 

 Em uma noite que nada tinha de especial, Diego acordara com choro de bebê.

 Fora apenas por um ou dois segundos que pensara ser Leone chorando. Levantar da cama para ir atender ao filho fora automático, era quase sempre seu o papel de levantar no meio da noite, mas logo depois dos segundos iniciais percebera não ser o choro de seu bebê – tampouco vir do quarto dele.

 Não tinha ideia do que pensar, ainda estava meio dormindo, mas correra escada abaixo atrás do choro abafado.

 Ao abrir a porta, deparara-se com uma visão um tanto quanto perturbadora – porque aquilo só podia ser um sonho, tamanha a irrealidade da cena.

 Cinco estava ali.

 Cinco, Cinco. Seu irmão sumido, Cinco Hargreeves, no corpo de adulto que vira pouquíssimas vezes.

 Cinco Hargreeves, mas que não parecia ele mesmo. O cabelo desgrenhado, as olheiras, a palidez e a expressão de desespero não eram nada típicas de Cinco. Nem quando o apocalipse batia à porta seu irmão tinha aquela aparência desalinhada.

 Piscara, incrédulo. Porque Cinco não era a única aparição na sua porta. Havia um embrulho choroso nos braços dele, o cobertor descendo pelo braço de Cinco que talvez estivesse tremendo em um tique nervoso, ou talvez estivesse tentando embalar o bebê que ali dormia.

 - Por favor, me ajuda – ele praticamente implorara.

 E Cinco nunca implorava por nada.

 Poderia ser tudo uma ilusão, mas o choro era real e Leone ainda estava dormindo tranquilamente lá dentro. A primeira atitude que tomara, ao decidir que eram mesmo reais, fora dar um passo em frente e fechar a porta para abafar os gritos dolorosos do bebê.

 - Vamos sair daqui – pedira. – Onde você quiser.

 Cinco lhe pegara pelo ombro e lhes teletransportara para o salão da mansão Hargreeves, embora estivesse cheia de itens que definitivamente não pertenciam ao lugar arrumado do velho: itens de bebê. Saco de fraldas, mamadeira, lenços, roupinhas, coberta de adulto, roupa de adulto...

 - Ele está chorando assim absolutamente o tempo todo – Cinco declarara em um tom que beirava o desespero, o olhar dele vagueando, perdido. – Não para. Eu já troquei a fralda, já dei leite... E foi leite de bebê mesmo, não de vaca, e eu fiz na medida que a lata mandou e ele bebeu tudo, mas tem algo de errado e eu não, não sei o que eu...

 - Entendi – interrompera-o, já se deixando afligir pela preocupação de Cinco. Não precisava ouvir mais para ter certeza de que ele fizera tudo o que sabia. – Me dá ele aqui.

 Pegara o bebê dos braços de seu irmão. Sentir o peso diminuto de um recém-nascido lhe trouxera um mínimo sorriso ao lhe lembrar dos primeiros dias de Leone, bem como a preocupação dos primeiros dias.

 - Eu não sei o que eu fiz de errado, eu...

 Mas Diego já estava focado no bebê:

 - Ei garotão! – chamara ao bebê, quem não lhe dera ouvidos. Cinco dizia “ele”, então devia ser um garotão. – O que foi? Por que todo esse choro? Parece que você está com dor...

 Era um choro forte demais para ser de necessidade. Além disso, seu irmão tinha dito ter feito de tudo. Só podia ter algo incomodando o bebê e ele não tinha como entender a dor.

 Procurara por marcas no corpinho, alguma picada, alergia, algo inchado... A barriguinha parecia bem, mas ao mexer por ali o bebê se remexera, demonstrando um certo desconforto.

 Pusera-o no ombro e dera alguns tapinhas leves. Em instantes estava sendo vomitado pelo bebê.

 - Ah, merda...! Foi mal, eu não...

 - Tudo bem, já estou acostumado – dissera interrompendo ao irmão, então falando com o bebê: – põe para fora, garotão.

 Continuara com o gesto até o bebê terminar de vomitar e abrandar o choro, cansado, aliviado e se entregando ao sono.

 Puxara o bebê para encarar e aquele fora o momento. Precisamente naquele momento em que o bebê lhe olhara pela primeira vez com aqueles grandes olhos idênticos aos de Cinco, a expressão meio marrentinha natural, mas prestando atenção em quem era o cara que ele tinha acabado de vomitar.

 Naquele momento fora conquistado pelo bebê recém-nascido.

 - Ele está bem? – Cinco preocupara-se.

 - Está sim. Ele devia estar com refluxo. E ninguém gosta de sentir dor, não é, carinha?

 Arriscava-se achar que também fora naquele momento em que o bebê decidira que gostava de si. Ele lhe encarava com certo interesse, como se reconhecendo a importância que Diego teria.

 - Então vamos dormir agora – dissera para o pequeno, aconchegando-o em seus braços para niná-lo, caminhando pelo espaço e murmurando uma das canções que costumava cantar para Leone.

 O bebê estava cansado, então ele adormecera rápido. Aquele corpinho minúsculo aninhando-se em seu peito.

 - Ele dormiu – dissera com um sorriso para Cinco, quem suspirara e relaxara os ombros.

 - Graças a deus.

 - Onde fica o berço dele? – questionara, olhando ao redor pela bagunça.

 - Ah... Não tem ainda. É... aqui.

 Cinco sinalizara um cesto encima da mesa que fora puxada para bem próximo do sofá. Aconchegara o bebê ali e então cheirara a si mesmo e informara que iria tomar banho e voltaria.

 Enquanto tomava banho, começara a processar o que tinha acontecido.

 Já tinha certeza de que aquele bebê era parente de Cinco, pois eram muito parecidos, mas só teria o choque de descobrir ser filho – o que deveria ter deduzido ser uma possibilidade, mas Cinco ser sexualmente ativo era chocante demais para ter passado pela sua mente – na manhã seguinte.

 Descobrira que o nome dele era Adrian.

 E descobrira, mais rapidamente ainda, que Cinco era louco por aquele bebê.

 Louco do tipo capaz de fazer Cinco entrar em pânico só de não ver o bebê ao acordar. Louco a ponto de achar que Diego estar com o bebê poderia ser, de alguma forma, uma ameaça. Louco a ponto de fazer tudo o que fosse necessário para garantir que aquele bebê ficasse bem e, de preferência, grudado nele.

 Poderia dizer que era ali que as coisas começaram a andar para o outro lado, mas seria mentira.

 - Então... Esse é seu filho? Adrian? – questionara de forma tranquila, sentando-se ao lado de Cinco na mesa.

 - É...

 Ele encarava aquele bebê como se uma boneca amada, mas outra coisa lhe chocava mais na cena do que Cinco e bebê: seu irmão parecia frágil.

 - E onde está a mãe dele?

 - Ele não tem mãe – Cinco respondera de má vontade e sem lhe encarar. – Somos só nós.

 Dizer que seu coração não estivera mexido ao ouvir aquilo seria mais uma mentira.

 - Ok – mantivera o tom tranquilo. – E vocês estão morando aqui na mansão?

 - É... – o tom de seu irmão era tão frágil que Diego quase não queria perguntar.

 - E o Adrian tem um quarto aqui?

 Ele negara de forma muda.

 - Então tudo o que ele tem são as coisas na sala?

 A ausência de resposta servira para confirmar e lhe partir o coração.

 Sozinhos, desamparados, Cinco e um bebê abandonados e isolados.

 Naquele momento, quisera abraçar os dois. Pôr Cinco em seus braços e dizer que ficaria tudo bem, ele não estaria sozinho e não precisava lidar com tudo só ele e o bebê. Quisera muito abraça-lo com força, mas era ao seu irmão Cinco a quem estava se referindo e Cinco nunca deixava ninguém tocar nele, ele se teletransportava se alguém fizesse menção de encostar.

 Então Diego tentara não fazer daquela situação mais difícil do que já era a afastara-se, avisando que voltaria mais tarde.

 E no dia seguinte.

 E no seguinte.

 E no seguinte.

 

 

 As coisas começaram a andar para o outro lado no dia em que Cinco surgira com aquele corpo de um adulto com 21 anos.

 Tudo era mais fácil quando Cinco tinha o corpo de uma criança. Ele era fofo, arredondado, uma gracinha de uniforme, exatamente como ele fora quando eram crianças. Tudo era mais fácil. Ser xingado por Cinco era mais fácil;

 Não sentir nada de estranho era mais fácil.

 Mas um dia, quando todos estavam reunidos para um jantar na mansão porque Lila lhe autorizara a exibir o ultrassom, Cinco surgira como um adulto: mais ossos, menos formas arredondadas, roupas de adulto e os cabelos mais compridos. Ele ainda era pequeno e magro, não tanto quanto antes, mas ainda pequeno e não tinha mais o ar infantil e adorável.

 Cinco em um corpo de adulto fora um choque.

 Tudo parecia mais real com Cinco adulto.

 Sua presença era mais real e menos fantasiosa. Deixar ele irritado era mais real. Ver o ódio dele era mais real.

 Surrealmente real.

 A maioria dos seus irmãos estavam lhe dando parabéns, mas Cinco não, ele declarara em tom irônico:

 - Que ótimo, mais baboseira sentimental para tapar o buraco de daddy issues dessa família. Parabéns por embarcar nessa, Lila. Boa sorte, porque vai precisar.

 Cinco fora até o bar, servira uma bebida e deixara a sala sem aguardar para ouvir os planos ou sequer ajudar com o jantar.

 Diego pensara que seu irmão só estava sendo insuportavelmente cruel – e a acidez dele soava pior no corpo adulto.

 Doía mais.

 E havia algo em Cinco adulto que roubava seus pensamentos.

 Primeiro porque era terrivelmente bonito. Não ia ser hipócrita: todo mundo sabia, e Klaus verbalizara de forma bem indecente, que Cinco em um corpo adulto exalava sexy appeal. O único defeito, de acordo com Klaus, era a baixa estatura. Viktor protestara e Diego também – porque Diego sempre vira charme extra em pessoas baixas. Klaus alegara que era um sistema de proteção da natureza: se ele fosse alto, chamaria ainda mais atenção e não deixaria nem migalhas de atenção para os outros meros mortais Hargreeves. Klaus era ousado demais, mas também tinha razão: fora impossível não achar ele sexy.

Segundo porque ele lhe enchia de “e se...”

 Se Cinco não tivesse ido embora, mas crescido com todos? Seriam amigos? E se ele tivesse surgido como adulto no enterro de Reginald? E se Cinco tivesse uma vida normal? Adulto ele parecia mais apto a “normal”.

 E se...

 

 

 Mas Cinco não queria ser seu amigo.

 Dizer que não tinha se magoado quando ele literalmente sumira no ar ao ser convidado para ser padrinho do filho de Diego seria outra mentira.

 Doera a rejeição, tanto quanto doía quando tentava tocar nele, quando crianças, e Cinco se teletransportava para longe. Aquilo não havia mudado: Cinco sempre tendo “algo mais importante” e sumindo em um piscar de olhos, deixando para trás a dúvida de quando voltaria – e se voltaria.

 Talvez Cinco tivesse odiado seu entusiasmo em querer que ele fizesse parte novamente. Talvez tivesse soado terrível sua mudança, encarando Cinco mais como próximo do que antes só porque ele parecia um adulto ao invés de uma criança. Talvez tivesse sufocado ele com coisas de bebês. Talvez ele odiasse tanto Lila que estivesse brabo consigo. Talvez ele achasse que os Hargreeves não devessem mais ter filhos, pois era uma linhagem maldita e nenhum seria apto a criar um filho emocionalmente saudável. Talvez ele detestasse que todos os esforços dele para salvar o mundo culminaram em Diego abandonado a vida de “justiceiro noturno” para se tornar apenas mais um tedioso e comum pai de família.

 Diego sabia que fizera algo de errado e se culpava.

 Toda a família tinha perdido Cinco de novo por causa sua.

 Cinco tinha escolhido se afastar de todos que amava por algum erro de Diego.

 E sentia-se um idiota por não saber o que tinha feito. Remoía principalmente pela noite, quando Lila se cansava das suas mãos na barriga dela e o afastava. Quando não podia pensar no seu bebê não-nascido, pensava em Cinco e remoía onde tinha errado. Haviam tantas opções... e só descobriria a verdade quase um ano depois.

 

 

 Sabia que as coisas não seriam perfeitas desde o início – e não vira problema naquilo.

 Lila não era o tipo de mãe babona e que deixava tudo para girar em torno do filho. Ela ainda queria um tempo para ela, suas diversões, viagens, comidas que gostasse... E detestava se Diego desse muita atenção para o bebê.

 - Ele é só um feto, Diego. Para de ser idiota – ela dizia quando Diego pedia para tentar ouvir algo.

 Também tinha o:

 - Me deixa um pouco! Você vai ter muito tempo com ele depois que nascer.

 E ainda:

 - Eu não sou só o recipiente de um bebê, sabia?!

 Diego não sabia ser pai e se culpava, muitas vezes, por “dar mais atenção ao bebê do que para ela”, como Lila alegava. Pior era quando ela dizia que nem toda mulher era modelo Grace: robótica e perfeita para desempenhar os papeis maternais impostos por homens.

 Jamais poderia culpar Lila por não ser o “padrão materno” de trocar tudo pelo bebê, querer estar com ele a cada segundo, ou ficar só admirando o bebê. Diego pensava que podia ser seu aquele papel de amar incondicionalmente e totalmente Leone Rafael Hargreeves. Além disso, tinha irmãos para mimar seu filho também. Mesmo faltando um, ainda eram uma família cheia de atenção e interesse – e amor, embora não admitissem.

 Algumas coisas – muitas coisas – não eram como gostaria que fosse. Preferia que ela não se irritasse tanto com o bebê, ou que gostasse ao menos de alguma das tarefas de criação. Ela não gostava nem das fraldas, nem mamadeira, banho, ninar... Era impaciente com tudo, cansava e repassava para si.

 Detestava quando Lila fazia caretas ou falava de um jeito grosso com Leone. Não precisava sorrir e ser amável o tempo todo, não, isso seria coisa de Grace, mas chamar de “melequento”, “grudezinho”, “coisinha carente”, “coisinha” e todos aqueles diminutivos com uma leve dose de crítica ao filho lhe machucava. Ou não querer os abraços de Leone, dizendo que “já tinha tido demais”.

 Mas ninguém era perfeito. Famílias não eram perfeitas. Podia relevar muita coisa, ainda mais quando via ela feliz brincando com Leone ou quando Lila se empolgava e dava mamadeira. Ela sempre começava as atividades, só não tinha paciência de ir até o fim. Lila era daquele jeito mesmo: a atenção de um peixe.

 E quando Diego cansava, ela normalmente estava disposta a “cuidar bem do papai urso”.

 Não era perfeita, mas era a sua família.

 Seu lar passara a mostrar as rachaduras no quarto momento em que seu caminho fora, mais uma vez, desviado e reconstruído.

 

 

 O primeiro fora quando Cinco surgira no corpo novo – ver Cinco adulto.

 O segundo quando ele surgira na sua porta no meio da madrugada e lhe levara para a mansão – ver Adrian pela primeira vez.

 O terceiro quando ele se demonstrara tão frágil, sozinho com o filho – ver Cinco precisando de um abraço.

 O quarto era Cinco ser... um pai incrível.

 Porque se lhe perguntassem, diria que Cinco seria como pai mais ou menos como Lila era como mãe. Ao menos na sua visão de “Lila boa mãe” de antes, talvez um pai levemente mais interessado. Nunca se passara pela sua mente que Cinco seria um pai terrivelmente maravilhoso.

 Poderia dizer que fora o momento em que Cinco se enfurecera por Diego sugerir – sem a intenção de sugerir – que entregasse Adrian para a adoção. Não fora uma sugestão, mas uma pergunta, entender de que tipo de apoio ele precisava... e dizer que não pensara em se oferecer para ficar com o bebê seria uma mentira.

 E estava tentando ser sincero.

 Então poderia ter sido a forma violenta com que Cinco reagira a possibilidade de adoção. Diego sentira um medo terrível de que Cinco fugisse de novo, levando o bebê para criar em qualquer outra parte do mundo, mas também estivera admirado com a voracidade com que ele defendia o filho com dias ou semanas de vida.

 Mas não era.

 Fora o dia em que vira Cinco com Adrian no colo.

 Cinco não era adepto a sorrisos, tampouco a tranquilidade. Ele era sério, brabo, debochado, irônico, agressivo... não paciente.

 Mas ele estava sorrindo naturalmente, olhando para Adrian e admirando como se olhasse para bem mais do que um bebê. Ele via o filho dele; reconhecia aquele ser em miniatura como uma fonte de amor incondicional. Mantinha ele grudado consigo ao mesmo tempo em que se preocupava em cometer qualquer erro que pudesse prejudicar o bebê.

 Era Cinco, adulto, com um olhar suave de adoração e um bebê que o olhava de volta com o mesmo carinho.

 Aquilo derretera seu coração.

 Ajudava Cinco porque ele ficava exausto sozinho, não porque ele lhe terceirizasse algo. Cinco nunca deixara que Adrian não tivesse algo: uma fralda limpa, uma mamadeira, um colo... No máximo, pulara um banho ou dois, mas aquilo fora falta de tempo e inexperiência, não falta de vontade. Não havia nada que Cinco deixasse de fazer ou enrolasse para que fosse tarefa de Diego.

 Não havia nada que Cinco não fizesse sozinho.

 

 

 Diego estava sempre testando terreno.

 Sabia que podia perder Cinco de novo – agora Adrian também – a qualquer momento, então fora paciente em não falar nada que ele não gostasse. Ter a confiança dele de volta, deixar Cinco fazer as perguntas, dizer o que queria... Dar-lhe espaço.

 Mas ainda haviam feridas e Diego notava que não poderia fechá-las se não empurrasse Cinco.

 Leone estar longe era a sua ferida.

 Cinco tinha um amor incondicional por Adrian, sem dúvidas, e Diego também já tinha sido encantado pelo bebê desde o início, mas engolir tudo sobre Leone dava trabalho. Não poder dizer coisas como “Leone também gosta disso” ou “Leone aprendeu a sentar sozinho hoje” doía. Estava se policiando para não falar do próprio filho.

 Até explodir.

 Então o quinto momento fora Leone. Ver Leone abraçando Cinco e a expressão surpresa do seu irmão ao abrir o coração para mais um Hargreeves.

 A verdade era que estava morrendo de medo de Cinco fazer careta para Leone, mas também estava pronto. Daria tempo para ele se acostumar. Nem Lila, que era mãe, morria de amores o tempo todo.

 Mas Cinco conhecera Leone, cuidara e o amara com um carinho tão imenso que ainda lhe tirava o fôlego.

 

 

 Depois de seis golpes diferentes Diego já tinha uma leve ideia de que estava em uma emboscada.

 Não conseguia manter suas mãos quietas e comemorava internamente cada vez em que conseguia encostar no irmão sem que ele lhe estapeasse, fugisse ou xingasse. Supunha ser o “efeito Adrian” que fizera Cinco mais adepto a aceitar afeto e contato físico.

 Talvez fossem aqueles meses misteriosos do sumiço.

 Cinco, por muito tempo, fora intocável de várias maneiras.

 Ele era a joia de Reginald, pois era o melhor em quase tudo, menos em temperamento. O velho vivia dizendo que se fossem um pouco mais como Cinco, no quesito inteligência e poderes, o decepcionariam menos.

 A “joia da família”, quem ganhara um quadro só dele acima da lareira, sabia que era bom demais para os outros. Não chegava muito perto, não se deixava ser tocado, sempre impecável, fazendo só o que quisesse e fugindo até dos castigos.

 Além disso, Cinco jamais demonstrara interesse sequer em amigos, muito menos em relacionamentos românticos. Ele sumira quando criança, pré-adolescente, e reaparecera no mesmo corpo infantil. Para todos os defeitos, ele era assexual, bom demais até para ser tocado de forma luxuriosa. O único interesse amoroso dele fora, literalmente, uma boneca. Calada e perfeita.

 Ainda era um choque o qual Diego remoía, ocasionalmente, Cinco ter mesmo feito um bebê. Perguntava-se, em silêncio, se a mulher progenitora de Adrian fora especial, ou quão bonita seria, ou se seria apenas o efeito “natural” de Cinco como um adulto sexy e com seus próprios hormônios e desejos.

 Poderia dizer que o sexto momento fora alguma das vezes em que pudera pôr as mãos em Cinco e sentir que seu irmão era de carne e osso e estava mesmo ao seu alcance. Um pegar na mão ou um abraço...

 Diego sabia que era um caminho.

 Queria estar com Cinco o tempo todo pelos anos seguintes. Com Cinco e Adrian. Queria o riso dele, os toques amenos e a presença constante.

 E sabia, por outro lado, em um conhecimento isolado, que naturalmente sentia atração física por aquele homem bonito.

 Talvez estivesse com os pensamentos tão cheios que não ligara os dois pontos.

 Diego não tinha a fama de ser o mais inteligente da Umbrella.

 

 

 Sete era o número da sorte dos Hargreeves.

 Eram sete irmãos, então naturalmente sete era especial.

 Sete sinos, sete blá, blá... Reginald tinha dado um discurso sobre isso também.

 Então sete era o número derradeiro.

 E o sétimo momento fora quando Cinco lhe beijara.

 Não tivera pensamentos na hora. Deveria ter percebido que aquilo aconteceria, uma hora ou outra culminaria naquilo, mas a verdade era que não percebera. Era como se, de repente, tivesse sido atingido por um trem, a adrenalina lhe fazendo tomar o controle enquanto todo seu corpo era transbordado e fazia exatamente o que queria.

 O que parecera terrivelmente certo no momento.

 Não pensara em nada, mas sentia como nunca antes. Sentia que poderia desenvolver uma nova habilidade de subir pelas paredes e que o mundo se tornara, de repente, mais intenso e vívido.

 Poderia ser dramático, mas naquela hora sentira como se sua vida realmente fizesse sentido. Tudo pelo que passara fazia sentido, assim como o futuro.

 A racionalidade lhe viria importunar outra hora.

 Naquele momento, só queria beijar Cinco, sentir Cinco, consumir, ter, amar, tocar, possuir... somente um louco deixaria aquele homem escapar.

 Diego era muitas coisas, mas não louco.

 Os problemas de mais tarde... só passaram a existir mais tarde.

 Mas eles vieram.

 E à galope.


Notas Finais


O plano inicial era pegar cada um dos "sete momentos" e repetir a cena (ou criar, no caso de algumas) pelo pov do Diego, mas vcs sabem como eu sou...... ia ficar em pov do Diego até mês qe vem (meio qe literalmente pq hj é dia 26 já kkk). E aí eu ia ser morta antes por n voltar para a linha do tempo atual.
Então fiz o possível pra encaixar td em 1 cap.

Fica aqi tbm meus imeeeeeensos agradecimentos pelos surtos do cap anterior 💙💙💙 juro qe vcs deram sentido pra td fic! Eu jamais estaria aqi escrevendo ela sem vcs acompanhando 💙

Então no próximo voltamos pra linha do tempo 💙 com pov de Diego ou Cinco?? No lo sé..... (mentira, sei sim).


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