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História Sob o Meu Guarda-Chuva - Capítulo 22


Escrita por: EliTassi

Notas do Autor


Dps dos comentários sinto qe fiz um terror desnecessário nas notas de ontem kkkk
Fiqei pensando "ué...... esperam tão o pior de mim assim?" (eu sei qe a resp é sim e tá td bem kkkk)

Vms de Dieguinho hj de novo? 💙

Boa leitura
💙

Capítulo 22 - XXII - Um lar em pedaços.


Diego

 - É loucura, Diego! Tudo isso é loucura! – Lila dizia conforme caminhava pelo quarto, inquieta. – Tudo bem que vocês não foram criados de forma normal, mas vocês ainda são irmãos. O que pretendem dizer para a criança dele? Quando ele descobrir que vocês são irmãos? Como ele vai explicar para os amiguinhos ou professoras ou quem mais for!

 - Você não se importa com Adrian... – dissera baixinho, sem saber se ela ia ouvir ou não, mas é claro que, para seu azar, ela ouvira.

 - Claro que não! Ele é problema do tampinha. Mas eu me importo com você e com Leone. Olha para mim, Diego! – ela exigira, fazendo Diego respirar fundo e erguer o olhar. – O que o Leone vai dizer quando perguntarem quem é aquele outro filho do seu pai?! E ele também tem quase a idade do Leone! Todos vão achar que você me traiu para ter um filho com seu próprio irmão!

 Não respondera nada sobre aquilo, só baixando o olhar novamente, culpado.

 - Nosso filho nunca vai ser normal se você continuar com essa loucura. Ele nunca vai ter paz! – ela continuara, caminhando, mudando de tom de voz constantemente, mas nunca perdendo aquela ansiedade furiosa. – Qualquer lugar que ele vá vai ser o filho que foi trocado e vai ter que responder perguntas do porquê do pai dele ter um outro filho quase da idade dele com o próprio irmão. Olha para mim, Diego!

 Erguera o olhar para a mulher novamente. Ela estava quase encima, lhe queimando com todo o desgosto que ela realmente sentia. Não era para lhe assustar, mas os pensamentos sinceros – e cruéis – de Lila.

 - Me diz que você entende isso – ela demandara. – Me diz que entende o que você está fazendo com o seu filho de verdade só pelo capricho do seu irmão psicopata. Que você vai negar para o Leone uma família de verdade e uma vida normal. Ele nunca vai ter paz ou ser uma criança normal por causa da sua escolha. Você entendeu isso?

 Ouvir aquilo doía. Tanto o jeito como ela falava quando a verdade dolorosa que residia naquilo. Leone teria mesmo a vida mudada por suas decisões e, sendo adotados ou não, Leone ainda seria uma criança pequenina sendo constantemente interrogada e julgada pelas decisões do pai.

 Todas as decisões.

 - E-eu entendi, Lila – respondera com a voz sem a firmeza que gostaria de ter demonstrado, falhando no prelúdio da ruptura.

 - Ah, não, Diego...! – Lila protestara, indignada. – Por que tudo tem que ser assim com você?!

 Já aquele sermão era um que não queria ouvir, ainda mais no limite como estava, então levantara-se da cama, disfarçando o ruído de fungar.

 - Eu vou... ver o Leone – dissera em tom baixo, tentando limpar a tremulação da voz. – Ele está muito quieto.

 - Você vai lá é para estragar ele, dando atenção enquanto o Leone está muito bem quieto! – ela argumentara, cruzando os braços e batendo o pé.

 - Eu também preciso pensar – respondera ainda em movimento, sem perder tempo na fuga do quarto de clima abafado e opressivo, apressando os passos no corredor até o quarto do filho.

 Fechara a porta do quarto infantil para que ela não viesse lhe cuidar da porta e respirara fundo, expirando, limpando os olhos e fungando de leve.

 Seria muito mais fácil se pudesse simplesmente ceder e seguir com as decisões de Lila como ela queria. Mas se as verdades dela já não eram difíceis e dolorosas o suficiente, agora tinha também outra culpa na consciência, da qual só piorava toda a situação tanto para Leone quanto para si mesmo.

 Pensar naquilo lhe trouxera mais uma onda de pranto e desespero.

 - Papa! – Leone chamara ao lhe ver, cheio daquele sorriso amável dele. Tentara retribuir da forma mais verdadeira possível.

 - Oi filho. O papa está aqui.

 Fora até o berço e pegara Leone no colo, sendo recebido por um abraço apertado do pequeno. Ele era tão amável... tão amável que jamais poderia censurar Leone por aquilo. Dizer para seu filho “você não pode ter todos os abraços que quiser” ou “não pode pedir atenção o tempo todo” não estavam nem nos seus planos mais remotos, por mais que Lila insistisse. Ele era só um bebê, o rostinho dele encostado no seu pescoço, sentindo-se seguro nos seus braços e assim deveria permanecer.

 Tão seguro quanto ele se sentia com Cinco.

 Pensar naquilo lhe fizera respirar mais uma vez, tentando diminuir a dor. Não conseguira convencer Lila sequer de que poderia ser o pai de Adrian, quanto mais contar – ou pedir, não sabia mais – que Cinco fosse um segundo pai para Leone. Ela iria achar que Diego enlouquecera.

 Principalmente se descobrisse o que acontecera mais cedo dentro daquele mesmo quarto.

 Tentando fugir daqueles pensamentos, fora atrás de um brinquedo para Leone. A torre desmontável de argolas e encaixe de formas geométricas que o distraía. Sentara no tapete com o filho no colo, mostrando o brinquedo para ter a atenção dele, embora Leone preferisse lhe entregar formas ou argolas para que Diego mostrasse onde elas iam. Ele sorria em contemplação quando via as coisas encaixarem e com certeza, quando pudesse, iria querer ensinar Adrian o sobre o funcionamento do brinquedo.

 Lembrar de Adrian lhe trazia a culpa e a desolação.

 Pensar em Adrian como um filho, tanto quanto Leone, lhe enchia de um sentimento quente que já lhe trazia a beira da emoção por si só. Mesmo depois de tudo, não imaginara que Cinco não só permitiria, como, ainda, lhe “convidaria” para ser pai de Adrian. Cinco não era do tipo que compartilhava, ele era possessivo, tão igualmente possessivo com Adrian. Não permitia que Diego sequer passasse a noite com o bebê. Reconhecia que tinha liberdades e permissões que nem os outros irmãos tinham, mas considerava uma conquista árdua, não um sinal verde.

 Além disso...

 O beijo.

 Um beijo tão surpreendente, forte e tempestuoso quanto o próprio Cinco era, mas o que aquilo realmente significava para seu irmão...? Ele não tinha o que perder, afinal, era solteiro. Poderia ter notado o que Diego, próprio, não notara. Poderia querer livrar-se de Lila a qualquer custo, incluindo lhe seduzir. Gostaria de dizer que não desconfiava daquilo, que Cinco jamais o faria, mas seria desonesto consigo mesmo. Cinco detestava Lila desde o início e seria plenamente capaz de qualquer coisa para se livrar dela para que Adrian pudesse ter outro pai e Leone ficasse com eles. Na verdade, lhe seduzir era até menos absurdo do que aquilo que Diego verdadeiramente esperava que Cinco quisesse fazer para se livrar de Lila: assassinato.

 Sentia-se terrível por ter traído Lila, não só sua namorada, mas mãe de Leone. E sentia-se terrível por sequer saber se tinha traído por amor, luxúria ou apenas por estar sendo enganado.

 Sentia-se terrível por cogitar estar condenando Leone a uma vida anormal porque o pai queria mais, como se ter um filho não bastasse, desejava outro. Sim, cabiam os dois no seu coração e não amava menos Leone por causa de Adrian, mas o que Leone acharia daquilo quanto entendesse...?

 - Papa!

 O bebê tentava olhar para cima para entregar umas das peças, mas Diego pusera um dedo no nariz dele, brincando como se fosse uma campainha, e pegando a peça com a outra mão, distraindo o bebê para que não olhasse e lhe visse chorar, mesmo em silêncio. Leone era muito sensível e preocupado.

 Era desolador não ter ideia do que fazer ou alguém para pedir conselhos. Era o destino da sua família em mãos. Poderia destruir ela...? Seria mesmo os Hargreeves amaldiçoados a destruir as próprias famílias...? Estava mesmo condenando Leone a se sentir sempre relegado e esquisito dentro da própria família por uma decisão sua...?

 Beijara os cabelos do filho e apoiara o queixo na cabeça dele. Tão pequeno em seu colo, pequeno e à mercê de suas decisões.

 E havia Lila.

 Ela não era só mãe dele, como também sua namorada e mesmo com os defeitos dela, nunca tinha lhe traído ou dado a entender que os abandonaria. Não era nada justo trair ela.

 Respirara fundo, tentando abrandar o choro, caso contrário faria barulho além do fugar ocasional e chamaria a atenção de Leone. Conferira o horário: final da tarde. Poderia ir visitar Adrian e Cinco...

 ...se é que aquela era mesmo uma boa ideia.

 Tentara não pensar naquilo pelos próximos minutos, apenas em Leone, até estar mais calmo e poder secar o rosto. Então pegara Leone no colo, levando consigo para a cozinha com a intenção de preparar uma mamadeira.

 Para seu incômodo, Lila estava apoiada no balcão com o final de um café e um sanduíche.

 - Vocês não estão pensando em sair, né? – ela fora logo inquirindo, de boca cheia mesmo.

 Por um instante Diego poderia jurar que estava escrito na sua face os seus planos de tentar ir conversar com o irmão.

 - Não, viemos preparar a mamadeira.

 Puxara a cadeirinha, pondo Leone ali para livrar as mãos e agilizar o preparo. Naquele momento não queria estar no mesmo ambiente que Lila, um tanto pela culpa e outro tanto por se sentir magoado pelas palavras dela, mas não havia o que dizer, só ignorar e continuar com o que pretendia fazer.

 - Eu estava morrendo de fome. Quer um sanduíche? Vou fazer um para você – Lila dissera com a maior casualidade, como se não estivesse quase gritando menos de uma hora atrás.

 - Não precisa, eu não estou com fome.

 Mas a mulher lhe ignorara e fora preparar um sanduíche mesmo assim.

 Com a mamadeira pronta, Diego pegara Leone e subira de volta com o filho, retornando ao quartinho do bebê, longe do ambiente sufocante que a cozinha se tornara.

 Sentara-se na poltrona com o bebê, aninhando-o nos braços para que Leone recebesse a mamadeira. Ele ficava lhe encarando o tempo todo, como um agradecimento constante que fazia Diego sorrir. Ele era tão pequeno e tão grato... não fizera sequer um ano e já lhe enchia de orgulho. Também era grato por não ter Reginald por perto para torcer o nariz em qualquer boa-ação ou sentimentalismo de Leone. Ele era uma criança muito doce para ter o avô que não o merecia.

 Por outro lado, Grace adoraria seu menininho. Ela o encheria de elogios e beijos, como fizera com Diego, mas sem precisar esconder. Sempre acreditara que a mãe não era só um robô, em principal por causa dos mimos escondidos e segredos que jamais chegaram aos ouvidos de Reginald. Com Leone, ela finalmente poderia ser livre. E com Adrian. Teria muito orgulho e imensa paciência com os dois bebês.

 Seu sorriso sumira com a culpa de estar pensando em Grace como exemplo comportamental. Lila estava certa: ela era programada, não uma “mãe” (ou avó) real. Não era uma mulher real.

 Leone recusara a mamadeira, lhe encarando como se tivesse percebido que Diego estava triste.

 Tentara sorrir para o filho, fazendo um carinho de leve no rostinho dele.

 - Está tudo bem, filho. Papa só está pensando demais...

 Ouvira os passos de Lila se aproximando e em instantes ela estava entrando no quarto. Trazia o prato com o sanduíche. Deixara encima da cômoda (cuja ao lado Diego estivera com Cinco...) e ela viera ao seu encontro na poltrona, subindo no braço do móvel e apoiando-se nos ombros de Diego.

- Como estão meus homenzinhos?

 Não soubera responder. Dizer “bem” seria uma mentira, mas pedir espaço desencadearia em mais uma discussão e Diego já estava exausto pra um único dia.

 A verdade era que preferia um tempo a sós para lidar com os próprios sentimentos. Além disso, Lila sendo imprevisível como era, tornava muito mais difícil descobrir o que ela pretendia.

 A mulher aproximara-se mais da sua orelha, sussurrando:

 - Eu sei como melhorar esse seu humor azedinho... – ela mordiscara sua orelha e, por reflexo, Diego se afastara.

 - Eu não estou no clima – tentara desvencilhar-se.

 - Ah, mas eu te deixo no clima...

 As mãos de Lila foram para seus ombros, tentando uma massagem sugestiva.

 - É sério.

 - Vamos, papai urso, eu te faço esquecer os problemas um pouco... – Uma das mãos dela fora adentrando pela gola da sua camisa. Mais uma vez, Diego tentara desvencilhar-se delicadamente.

 - Por favor, Lila, me deixa um pouco.

 A massagem se transformara quase em tapas, as mãos pesando nos seus ombros em um golpe de som abafado acompanhado do bufar.

 - Que saco, Diego! Que tipo de homem você é que não aceita nem um sexo de reconciliação?!

 A culpa lhe fizera pensar em Cinco. O que fizera com ele dentro do quarto do próprio filho. Envergonhara-se pelo acontecido tanto quanto se perguntava se a própria atitude em negar a mulher era por culpa ou outro motivo. Será que ela notaria...?

 Lila estava quase na porta quando Leone, quem continuava lhe encarando no colo, começara a dar sinais de um choro doído e baixinho, como uma reclamação de tristeza. Lila ouvira, pois batera a porta com força ao sair.

 Ajeitara melhor Leone no colo, deixando a mamadeira de lado para poder abraçar o bebê entristecido, desejando saber o que fazer. Se tivesse um irmão que conseguisse ver o futuro... Apenas um vislumbre para saber qual seria a decisão certa, entretanto, Diego sentia-se exatamente no meio do caminho.

 Só queria fazer a coisa certeza para seu filho; seus filhos.


Notas Finais


Difícil esse cap, tristeza e ódio kkkk
Mas no próximo voltamos pro Cinco e adivinhem......???

Vou ter qe dar spoiler:
Ele não vai ficar sentadinho esperando...........


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