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História Sob o olhar do demônio - Capítulo 1


Escrita por: eymeric

Notas do Autor


🍁 — outra fic feita em collab com Marcelo 😭😭, sim minha vida agr é fazer fanfic com meus amiguinhos mesmo nenhum de nós ter terminado nenhuma 🥳🥳. enfim, a idéia veio do @Sakurh, que propôs pra gente fazer fics inspiradas no mundo de Shadowhunter pq nós dois somos completamente apaixonados pelos malec e eles salvaram série sim, viu?? mas enfim, daí eu plotei uma danthur meio romance meio investigação do arthur lobisomem e do dante feiticeiro pORQUE SIM, eu precisava. a fic também tem vários outros casais pelos quais eu sou surtado, como as bearin e os aarissimo que já já céis vão ver. e basicamente é isso, passem na fic do marcelito tbm (vai estar nas notas finais) e dêem amor a esse projeto, pessoal!!

boa leitura <3

Capítulo 1 - PRÓLOGO: O feiticeiro e o senhor lobisomem


Inicialmente, a raiva se apossou de suas entranhas e ossos, tão profundamente que parecia dominar cada fibra de seu ser, levando embora sua paciência outrora infinita. O autocontrole parecia tê-lo abandonado, sobrevoando livremente pelas ruas de São Paulo e lhe virando as costas para nunca mais voltar. Era assim que Dante se sentia, a dois passos de simplesmente abrir mão de seu glamour e deixar que todos naquela mesa vissem a sua marca como um feiticeiro, para colocar medo neles e fazê-los perceber o óbvio: se temiam o Alto Feiticeiro, precisavam descobrir o quanto antes aquilo que os caçadores de sombras estavam escondendo deles. Então por que não o davam ouvidos? Por que preferiam a ignorância, deixando tudo nas mãos completamente incompetentes dos shadowhunters? Se algo desse errado com aquilo que estavam omitindo, sobraria para os submundanos lidarem. E diferente dos próprios e alheios mundanos, eles não tinham nephilins para protegê-los, justamente porque os mesmos nephilins eram o motivo de sofrerem preconceitos estúpidos todos os dias.

Os shadowhunters se achavam melhores que cada feiticeiro, vampiro, lobisomem e seelie que Dante havia reunido nessa sala. Se a balança pendesse para o lado deles ao invés dos caçadores de sombras, só teriam uns aos outros. Ou até pior, jogariam uns aos outros na boca do leão. Porque importavam-se apenas com a sua própria espécie. Nem mesmo aqueles que o tinham dado inúmeros elogios por se tornar o Alto Feiticeiro pareciam dispostos a ceder; os vampiros estavam inquietos, taciturnos como sempre, mas também fiéis a ideia geral de que deixassem os assuntos dos shadowhunters para que eles resolvessem e simplesmente se lascassem com eles. A representante enviada pela rainha (ou rei, o loiro nunca soube direito, até porque nenhum submundano além dos próprios seelies já tinham visto ou ouvido sobre sue soberane¹ antes) sequer tinha feito um pronunciamento oficial, debochando de suas palavras e alarde o tempo todo. Era óbvio que ela só estava ali para provocá-lo e fazê-lo perder a razão — era assim que Artemis era. Até mesmo seus feiticeiros não pareciam dispostos a apoiá-lo em sua dia de ir atrás da Clave e tentar conversar com eles, para que dissessem o que de fato estava acontecendo. Beatrice não estava presente, mas sabia que ninguém ouviria-a também. No fim, Dante só queria permitir-se explodir e deixar aquela raiva toda sobrecarregá-lo.

Mostrar para esses submundanos que as vidas que viviam não eram livres de preocupações, simplesmente porque os shadowhunters também eram inimigos em potencial. Não somente uma encheção de saco. Porém, antes mesmo que abrisse mão de seu admirável controle, uma voz gentil e divertida tomou conta da sala onde reuniam-se os líderes e figuras de poder de cada espécie e grupo. Quem falava agora era o líder da alcatéia mais forte e reconhecida de São Paulo, o alfa deles, Arthur Cervero.

— Você me convenceu quando disse que a Clave podia estar escondendo algo de nós, eu me importo muito com o meu povo, mesmo com aqueles que não são do meu bando — começou a dizer o lobisomem, ganhando olhares de surpresa e deboche, mas tratando-os com uma leveza. Era como se estivesse acostumado com eles, com o pensamento alheio de que era inferior. — Se você estiver precisando de qualquer ajuda, eu me ofereço. Uma investigação é a chave pra gente descobrir o que eles estão omitindo e como nos proteger. Eu estou com você nessa, Alto Feiticeiro.

Naquele instante, um risinho escapou dos lábios do moreno, uma piada se fazendo presente dentro da sua mente. "Se bem que perto de mim, todo mundo é meio alto", mas Dante nunca estaria ciente disso, a quentura agradável do choque esquentando seu peito. Se sentiu tão imensamente grato ao lobisomem que não soube como responder por alguns segundos.

O que tinha os levado para aquela situação, na verdade, começou desde muitas outras semanas atrás. Mais e mais relatos do comportamento esquisito de diversos caçadores de sombras continuaram a chegar até o Alto Feiticeiro, o principal responsável pelos submundanos e pelas interações e obrigações que possuíam com a Clave. Dante geralmente não colocava toda sua atenção nesses assuntos, optando por prezar a natureza de seu trabalho, aquilo que o tinha posto em sua atual posição como o Alto Feiticeiro e tudo mais: os cuidados com os submundanos. Oferecia todos os tipos de coisas, poções e feitiços para cura, para passarem sob o radar shadowhunter se estivessem fazendo algo muito perigoso, conselhos e acompanhamentos — uma vez, o loiro até mesmo ajudou no nascimento de um Seelie e foi bizarramente novo e incrível. Bebês seelies não nasciam chorando, pois seu choro causava desastres naturais sem precedentes, dessa forma, seus primeiros sons eram risos e nunca antes o feiticeiro tinha ficado tão encantado.

E também solitário. Pela milésima vez em seus muitos séculos — milênios — de vida, desejando não ser incapaz desse momento, dessa oportunidade. O nascimento do bebê Seelie o deixou abalado por dias, chafurdando numa maré eterna de melancolia por tudo aquilo que tinha perdido a chance de ter, apenas com sua origem demoníaca. O que tinha tirado Dante de seu breve retiro pessoal de devaneios deprimentes foi a aparente falta de alarde dos submundanos. Quando mais reclamações, avisos e cobranças começaram a chegar, dizendo sobre quão invasivos e incômodos os shadowhunters andavam sendo, um enorme alerta piscou na mente do loiro, que o fez ligar para Beatrice no meio da noite, praticamente implorando pela presença da irmã. Afirmando que algo estava muito errado e que ninguém estava percebendo isso. Quando a morena chegou, no meio da madrugada, com o cabelo molhado e uma ruiva cujos fios laranjas estavam igualmente encharcados, sua sombrancelha questionadora foi parar no topo de sua testa.

— Esse é o motivo do seu atraso? — provocou, abrindo a porta e recepcionando ambas até a sala. — Oi, Erin, como você está? Não pegando minha irmã, eu espero.

— Oi, Dantezinho — ela sorriu, um braço sobre o ombro do loiro e sem um pingo de vergonha. — Eu não posso prometer nada, viu?

Então a vampira ruiva se foi, indo em direção à sua cozinha para preparar uma bebida — usando um dos muitos saquinhos de sangue que Dante guardava justamente para esse tipo de convidado —, perguntando à morena se ela iria querer algo, recebendo um aceno negativo de cabeça.

— E eu quero saber o motivo pra você ter me tirado da cama às duas da manhã — Bea finalmente perguntou, quando estavam a sós, um semblante preocupado no rosto da outra feiticeira.

Cruzando os braços protetoramente em frente ao peito, ela parecia pronta para conforta-lo, dar-lhe um sermão ou simplesmente virar as costas e deixá-lo sozinho em seu enorme apartamento. A mulher, cujo rosto era repleto pelas mais delicadas e preciosas sardas, tinha escutado o boato recente de que o irmão havia auxiliado no parto de um bebê seelie. E conhecendo Gaspar como ela conhecia, isso provavelmente era o motivo dele ter se trancado no apartamento por dias, sem responder suas mensagens, ligações ou até mesmo atender a porta quando ela, já exausta da teimosia do loiro, veio até aqui, uns dois dias atrás. Sim, Beatrice estava furiosa, mas também imensamente preocupada. Sabia o quão melancólico e deprimido o mais velho costumava ficar quando assuntos como paternidade vinham a tona, ela mesma tinha tido sua fase depressiva por nunca poder ser capaz de gerar uma vida. Mas enquanto a morena tinha superado isso, o irmão pareceu continuar a se afundar cada vez mais com o tempo. Era óbvio, para ela, que Dante estava sofrendo.

Mas de tudo que esperava que o homem dissesse, definitivamente não era aquilo.

— Eu posso estar começando a suspeitar que os caçadores de sombras estão escondendo algo de nós, Bea, algo perigoso. Eles não querem que a gente saiba, mas estive recebendo todo o tipo de denuncia e reclamações de outros submundanos, a presença dos shadowhunters se tornou maior nos últimos dias, eles também parecem mais duros e incisivos, como se estivessem tentando estrair alguma informação — começou a falar, quase se atropelando nas palavras pela urgência com que dizia. — Eles estão agitados e isso pode significar coisas horríveis pro nosso povo e…

— Dante — a irmã o chamou, seus olhos se fechando como se sentisse dor.

— Bea, você precisa me ouvir, os shadowhunters estão esquisitos, todo mundo percebeu isso e pode ser perigoso. Só os anjos sabem com que tipo de coisa eles andam mexendo, mas a gente sabe que eles nunca estão do nosso lado, precisamos descobrir o quanto antes o que a Clave está fazendo pra que possamos nos proteger se necessário!

— Dante — interrompeu-o outra vez, parecendo irritada, ou cansada, de toda aquela ladainha, mas o feiticeiro ainda abriu seus lábios, pronto pra reclamar mais. Ela o impediu. — Gaspar!

E foi o suficiente para o loiro fechar a boca, inquieto. Quando Beatrice abriu seus olhos, eles estavam dourados, assim como um breve brilho saia de sua pele. Era sua marca de feiticeira e significava que, se a marca estava a mostra assim, ela estava definitivamente muito puta com ele. O loiro engoliu em seco, não por medo da irmã, eles nunca se feriam ou se machucavam, era uma promessa deles, mas porque sentiu um peso na boca do estômago. A morena não iria acreditar nele, iria simplesmente pensar que era um surto pós-crise existencial, que estava criando uma teoria bizarra da conspiração apenas para consolor seu coração dolorido. Mas não era isso, Dante quase queria que fosse. Se uma possível ameaça fosse o suficiente para tirá-lo da melancolia por nunca poder ter algo verdadeiramente seu, então ele nunca seria triste — quando se é poderoso, também há inúmeros inimigos e Dante, mesmo com sua personalidade geralmente calma e controlada, era ótimo em arrumar uma lista cada vez maior deles.

— Você vai sentar, vai comer, descansar por cinco minutos e me contar a história toda quando estiver mais calmo. Aí nós vamos discutir como investigar o que quer que a Clave esteja escondendo e aí, seu idiota, você vai dormir por no mínimo dois dias nem que eu coloque a Erin pra te nocautear. Cê tá parecendo um zumbi! — a morena começou, erguendo as mangas da blusa ate o cotovelo num gesto que o feiticeiro sabia muito bem que significava que ela estava mesmo falando sério; que acreditava nele e iria ajudá-lo com isso. Seu coração se encheu de paz e conforto ao ouvir isso, se permitindo assentir em concordância com os planos da irmã. — Ótimo, pro Alto Feiticeiro, você tá me saindo um verdadeiro irresponsável, sabia? Não atende uma ligação sequer, não abre a porta e me chama de madrugada e aí eu te encontro assim, que nem um palito de tão magro. Eu vou trazer comida e você vai comer tudo, ouviu bem?

— Claro, irmãzinha — concordou, sentindo-se mais leve e calmo agora. — Só vou ir pegar os papéis que separei, enquanto eu como você olha eles, okay? Vai entender o que eu quis dizer.

— Vai lá, vai — ela deu um aceno com a mão, indo até a cozinha, onde o loiro ainda conseguiu ouvir a conversa baixa entre as duas melhores.

"Botou ele nos eixos, baby?", questionou a ruiva, provavelmente encostada no balcão da cozinha e com uma caneca cheia de sangue nos lábios.

"É claro que sim, amor. Obrigada por me trazer aqui hoje, okay? Não sei se conseguiria ter forças pra ver o Dandan daquele jeito sozinha", uma pontada atravessou o peito de Dante enquanto ouvia a conversa, sentindo-se culpado por causar dor à irmã.

"Não foi nada, Be, eu tô contigo sempre, gatinha, cê sabe, né?"

"Eu sei, vida, eu sei", e a morena riu, provavelmente dos beijos que Erin estava distribuindo em seu pescoço.

Isso fez o feiticeiro fazer uma careta, demonstrações de afeto não eram muito a sua praia e ele nunca conseguiu entender como as pessoas ficavam tão trouxas, submundanos ou não, quando se tratava de amor. Em todos seus muitos anos de vida, nunca tinha sentido isso antes. E nem sabia se sentiria um dia, então balançou a cabeça e se afastou, deixando as duas terem seus momentos de carinho uma com a outra. Ninguém queria ver os irmãos mais novos crescendo e se relacionando dessa forma, um certo instinto protetor se remexendo em seu peito, mas confiava em Erin e se sentia feliz pela irmã ter, enfim, encontrado alguém que a amasse dessa maneira e a apoiasse como a ruiva sempre fazia. Dante que pensou, com um sorriso, que isso era meio que inevitável, ambas viviam sempre grudadas, não era surpreendente que tivessem se apaixonado. Por fim, o loiro foi até seu quarto e buscou os papéis para entregar à morena, retornando para a sala apenas para encontrar sua mesinha de centro com duas pizzas enormes — e dos seus sabores preferidos —, assim como um engradado de cerveja e um refrigerante. O feiticeiro gostou da consideração, ambas beberiam e ele apenas olharia enquanto tomava coca e seria posto pra dormir como um bebê logo em seguida.

— Nem ousa reclamar, amigo, senão ela te nocauteia mesmo, viu — a ruiva deu de ombros, divertida, enquanto se jogava no sofá. — Senta e come, cunhadinho, a Bea só tá pegando o ketchup.

Dito e feito, assim que Dante se sentou, a irmã apareceu carregando o ketchup com um sorriso vitorioso, fazendo o loiro gemer internamente. Ele sempre escondia o maldito ketchup e a morena sempre achava, independente do quanto de esforçasse pra sumir com o negócio vermelho e asqueroso que ela insistia em colocar por toda a pizza.

— Você me odeia, né — resmungou, observando a morena encher a mussarela com o ketchup.

— Não, mas você vai comer de um jeito ou de outro, Dante — ela riu. — Agora, vai. Me conta o que descobriu enquanto comemos.

— Basicamente, tudo começou assim: comecei a receber inúmeras reclamações de diferentes submundanos, até dos seelies — entregou à Beatrice os papéis, pegando uma fatia com uma careta e levando aos lábios mesmo assim. Mastigando lentamente, voltou a dizer. — E então, todo mundo começou a falar sobre o quão estranhos os shadowhunters andam, que fazem perguntas super invasivas, parecem estar perseguindo alguns submundanos escolhidos aleatoriamente e…

No fim, Beatrice disse que até mesmo ela, que diferente do irmão, nunca se envolvia em assuntos do Submundo, exceto se Dante a pedisse, tinha percebido a estranheza no comportamento dos caçadores. Juntos, e com Erin a reboque, acabaram percebendo um padrão repetitivo nas perguntas que eles faziam. Aparentemente, os submundanos estavam sob investigação, por um assunto que ainda era desconhecido para o feiticeiro, mas já era motivo o suficiente para convocar uma reunião com os líderes, exatamente como tinha feito. Só para ser duramente ignorado, recebendo comentários impertinentes sobre seu retiro pessoal, que talvez era incapacitado para o posto de Alto Feiticeiro e, óbvio, que se os shadowhunters tinham problemas, que lidassem com isso sozinhos e se fudessem sozinhos no fim. Foi o que levou o loiro a se estressar tanto, quase tremendo de ódio até que o lobisomem se pronunciou, acalmando-o quase instantaneamente. 

— Eu… agradeço, os lobisomens serão muito úteis durante as investigações — o Alto Feiticeiro pronunciou por fim, se livrando daquele peso da irritação de seus ombros. — A investigação vai acontecer com ou sem o apoio do restante de vocês, são bem-vindos caso queiram ajudar, mas também fica o aviso para não entrarem no caminho ou atrapalharem. É um risco que todo o Submundo corre, portanto, se não querem ajudar, não me forcem a tira-los do caminho. É o preço menor pelo máximo de vidas salvas.

Ameaçou descaradamente, sentindo como todos os outros ficaram tensos e como Arthur parecia fascinado com sua atitude. Talvez ele pensasse que Dante também não era o bastante como Alto Feiticeiro e o estivesse testando? Não sabia, mas também não se importava. Apenas virou as costas, chamando pelo lobisomem e indo até seu escritório. A reunião não tinha acontecido no seu apartamento, mas sim no teatro que usava como fachada para fazer seus negócios como feiticeiro. O moreno seguiu-o de bom grado, ambos deixando todos os outros líderes para trás, discutindo seus próprios assuntos.

— Você precisa que minha alcatéia faça algo? — o lobisomem foi direto ao ponto, parecendo mais sério e determinado agora. A gentileza e a diversão muito longe de seu tom de voz agora. — A propósito, meu nome é Arthur.

Dante se sentou, apontando para que o moreno o seguisse e também se sentasse, o que ele logo fez, enquanto o loiro o avaliava. Arthur não era um homem alto, com seus 1,65 de altura, mas era definitivamente forte, mesmo para alguém que só tinha um braço, seus músculos pareciam incríveis e capazes o suficiente para quebrar pessoas ao meio sem dificuldade alguma. E apesar de ser um lobisomem, o homem tinha presas afiadas, quase como as de um vampiro, exceto porque eram incapazes de ingerir sangue como as de Erin, por exemplo. Ele também tinha olhos de duas cores diferentes, verde e castanho, três longas cicatrizes no rosto, provavelmente adquiridas na sua luta pelo posto de alfa na alcatéia — Dante não conhecia a história inteira, só sabia que era um assunto delicado para o moreno. Seu cabelo era longo e castanho, com algumas mechas brancas, alcançando o meio de suas omoplatas. Ele definitivamente era charmoso, do seu jeito.

— Na verdade, eu queria agradecer de novo — o feiticeiro foi sincero, soltando um suspiro cansado e se recostando melhor na cadeira, uma mão subindo até cabelo para puxá-lo suavemente para trás, como se estivesse se contendo. — Pensei que ninguém lá ficaria do meu lado.

— Não precisa agradecer, não — Arthur sorriu, apoiando o cotovelo na mesa e então o rosto na palma da mão. Olhos presos na figura esguia do feiticeiro. — Meu povo estar em risco, sendo esse risco real ou não, é algo que eu devo saber. Para poder protegê-los quando for necessário, e você sabe que sempre é.

— Você está certo, não é como se pudessemos contar com os shadowhunters — Dante olhava para o lobisomem com alguma curiosidade. Até onde sabia, os Gaudérios Abutres (nome dado a alcatéia de Arthur) quase nunca se envolviam em assuntos políticos, exceto quando eram convocados. Eles eram mais tratados como armas do que como pessoas. — Se não for incomodar, poderia me dizer por que resolveu ajudar? Além da sua alcatéia, você poderia investigar isso sozinho. Sei que tem contatos no Instituto.

Afinal, todos sabiam quem era Aaron e o que ele tinha feito. Pelo menos 90% dos submundanos queriam arrancar fora a cabeça do vampiro. Exceto pelos lobisomens sob o comando do homem a sua frente. Os gostos diziam que o traidor era protegido por Arthur, que era um espião infiltrado, mas poucos realmente acreditavam nisso. Dante nunca soube o que pensar, ele mesmo não gostava de Aaron e preferia não ter uma opinião sobre o vampiro.

— Não é exatamente assim, mas não me importo em explicar, Sr. Alto Feiticeiro — brincou o moreno, observando enquanto Dante finalmente percebia que não tinha se apresentado (mesmo que o lobisomem tivesse certeza de quem ele era, talvez considerasse apresentações diretas importantes). — Eu me importo com todos os submundanos e tenho a mesma aversão pelos shadowhunters que qualquer um, mas também tenho uma pessoinha que preciso cuidar e proteger. Por ela, tenho que garantir que o mundo seja mais gentil e bonito, melhor com ela do que foi comigo.

Oh, o homem tinha uma filha? Dante não sabia disso, nem sabia como era ter filhos, mas conseguiu entender bem o sentimento. Se ele fosse pai, provavelmente tentaria mudar o mundo com suas próprias mãos, apenas para sua criança tivesse uma vida melhor e mais fácil. Mas antes que pudesse dizer que compreendia, o lobisomem continuou, sorrindo maliciosamente em sua direção.

— Além do mais, te achei uma gracinha e tô pensando em como te conquistar e te convencer a ir num encontro comigo — riu o Gaudério, divertido com as bochechas vermelhas do feiticeiro.

Tossindo, o loiro deu um aceno de mão e finalmente respondeu.

— Dante, meu nome é Dante — o lobisomem deu um aceno de cabeça, ele já sabia. Assim como Dante sabia quem ele era. — E talvez, se você for útil o suficiente durante as nossas investigações, eu aceite tomar um drink com você.

— Isso eu considero uma vitória — o moreno brincou, se levantando e se dirigindo até a porta. — Eu tô indo nessa, conseguir informações o suficiente pra ser útil e te levar num jantar. Gosta de massas, Dante?

O loiro riu, assentindo e observando o lobisomem finalmente ir embora, determinado. Se tudo desse certo, o Alto Feiticeito conseguiria descobrir a verdade e, não somente isso, também ia conseguir um encontro. Lhe parecia bastante vantajoso: Arthur era mesmo um homem muito atraente.


Notas Finais


🍁 - opa opa, gostaram? Espero que sim!, o link da fific do Marcelo é esse, dêem muito amor pra ele ♡. https://www.spiritfanfiction.com/historia/lagrimas-de-sangue-23579184

🧣 - recadinho especial da @astrostellar: postando aqui pro Dorian, dêem muito amor viu!


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