1. Spirit Fanfics >
  2. Sobre a dor de nunca ser bom o suficiente >
  3. Quem um dia se reencontrou...

História Sobre a dor de nunca ser bom o suficiente - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Voltei, perdão a demora eu tava enrolando um pouco, confesso, ao mesmo tempo que comecei outras milhares de coisa que não sei se um dia postarei
espero que estejam tendo um bom dia para relevarem os erros do capítulo que não teve correção de ninguém além de mim mesma e bom... eu não sou lá muito boa em achar meus próprios erros
a falta que o leonardo faz é incrível
boa leitura, obrigada a quem ainda está acompanhando eu to bem feliz que teve uma quantidade bem legal de comentários no capítulo passado me sinto até animada com a história
amo vocês

Capítulo 3 - Quem um dia se reencontrou...


A relação estabelecida entre Jaemin e Renjun era uma coisa que nunca foi esperada por nenhum dos lados desde o momento que trocaram palavras pela primeira vez. 

  Não, eles não eram mais as mesmas pessoas que se encontraram no banco de concreto observando o crepúsculo chegar. Muito tempo havia se passado desde aquele dia em que absolutamente tudo mudou e ruiu, eu poderia lhes dizer exatamente quantas horas ou dias, bem como meses ou ano, todavia, o importante é que eles estavam juntos em algo que se assemelhava a uma amizade. Se era de fato esse o laço ninguém poderia dizer, afinal, o tempo chegou correndo e os levando junto sem que houvesse uma pausa para ousar de buscar nomenclaturas. O fato é: dentre todos os planejares quem ambos fizeram jamais esteve a de que um dia, após tanta convivência estranha eles estariam no apartamento do Na tentando, de modo bem falho e vergonhoso, dançar November Rain como se fosse uma valsa. E foi justamente por isso que a relação deles se tornou algo verdadeiro: era instavelmente planejada. Algo que a vida apenas trouxe e poderia levar quando também almejasse.  

 O corpo magro e pequeno se perdia no balanço enquanto buscava acompanhar Jaemin em um ritmo que claramente não cabia em seus passos de dança. Renjun acabou rindo quando pisou no pé do Na, a situação era um tanto quanto estranha, todavia, sentia-se feliz por ver a estima que o outro tinha consigo.  

 Havia sido um dia difícil, como boa parte dos dias eram para o Huang. Talvez a vida tivesse dessas coisas bobas que se tornavam grandes problemas, é bem provável que todos sofram dessa mesma sina. Mas Renjun, bom, o amor havia se tornado um castigo desde Jeno. Não que ele tenha perdido sua fé de conseguir se apaixonar novamente ou qualquer coisa do tipo. Ainda acreditava com toda suas forças no quão bom é ceder parte de sua alma e alguém e todos os sentimentos serem recíprocos. Porém algumas coisas sempre ficam marcadas na pele como cicatrizes enormes e feias nas quais ficam sensível a qualquer toque.  

 Renjun havia tentado de todos os modos possível tentar ocupar seu coração com outras pessoas. Havia saído com todo tipo de gente possível, conhecido personalidades incríveis e rostos bonitos, se jogado entre as melhores camas das melhores e piores pessoas, porém, o pesar no peito nunca ia embora. Sentia-se constantemente insuficiente. Algo que não bastaria e muito menos poderia valer o suficiente para ser amado. Tentou namoros que não puderam durar sequer dois meses, afinal, a insegurança lhe sufocava o tempo todo, a constante sensação de poder ser trocado ou traído novamente lhe aflorava. Desejava olhar as mensagens das pessoas ao seu redor e saber constantemente os motivos dos atrasos ou de simplesmente não estarem sendo rápidos em lhe responder. Estava crente de que tinha enlouquecido, pois já não era a mesma pessoa que antes tinha confiança em si e nas pessoas ao seu redor. Jaemin era seu único porto seguro entre o turbilhão de problemas criados dentro da sua mente, agora, problemática.  

 Era engraçado o modo como simplesmente se encontraram quando sentiam que precisavam de alguém para estar ali. Huang não sabia se era destino ou coincidência, também pouco lhe importava os porquês. Jaemin estava ali consigo tentando danças lento enquanto um solo de guitarra e um grito gutural escapava em forma de música pelo autofalante do celular.  

 —Vamos lá! Dance com mais animação e evitando esmagar meus pés! — Dizia com um tom de voz alto para cobrir o volume da música.  

—Eu tenho toda a certeza do mundo que Axl Rose deve estar se revirando no túmulo por estarmos tentando dançar valsa na música dele. 

—Pois eu tenho certeza que não está. Axl Rose nem morreu ainda.  

—Pior para nós, o cara ainda está vivo, ele não merece isso. 

E Jaemin sorria largo como se o dia fosse o mais incrível de todo os dias. Ele estava sempre assim, como se vivesse intensamente a cada dia seu tentando fazer com que sempre seja o melhor de toda a sua vida. Renjun o invejava visto que estava preso em si mesmo de um modo que não conseguia se soltar sozinho. 

 —Essa música parece que não tem mais fim. — Reclamou o chinês, mostrando-se já cansado da dança.  

—Não exagerado, afinal, nada dura para sempre... 

—Se você terminar a frase com “nem mesmo a chuva fria de novembro” eu juro que piso no seu pé novamente e com mais força. — Interrompeu o Na rapidamente. 

E Jaemin riu baixinho do fato que sua piada foi descoberta antes que de fato terminasse.  

 Mas para a felicidade de Renjun, Guns n’ Roses estava certo, nada duraria para sempre, pois logo a música terminou e o chinês não hesitou em jogar-se no sofá confortável do Na, rolando pelo estofado acinzentado como se estivesse em nuvens do paraíso. Um curto silêncio se estabeleceu e consigo uma pequena tensão. O Huang estava ansioso, esperando pelo momento que Jaemin de fato lhe perguntaria o que até agora esteve evitando questionar. O homem com seu corpo miúdo agora era frágil e exposto para as questões que seriam inevitáveis surgirem naquele momento. O Na pode compreender tal fato ao encarar aqueles olhos tão escuros quanto chocolate amargo.  

—Como foi hoje?  

—Quer a verdade?  

—Se fosse pra engolir mentiras eu sequer iria perguntar, achei que já soubesse disso. 

 Renjun suspirou levantando seu corpo e o sentando no sofá. Engoliu a saliva que se acumulava na boca. 

 —Foi estranho. Digo, eu não consegui dizer muito. Ela ficou me encarando por tanto tempo e o silêncio gritava mais do que nossas vozes. Foi absolutamente estranho, quando consegui falar algo comecei a chorar. Ela me pedia pequenas coisas como onde eu morava, como era minha família, o que eu gostava de comer... — Renjun fez uma pausa para respirar fundo. — pediu se eu namorava também. Foi aí que, eu não sei, só desabei e ela apenas me alcançou os lenços e me deixou chorar.  

 —Foi seu primeiro dia, então é normal ser assim. Você provavelmente vai chorar muito mais nas próximas consultas.  

—Isso não me soa muito animador... 

—Não se preocupe, chorar é parte de se expressar. Sentir tudo que sentimos é aquilo que nos permite viver e seguir em frente. Repelir as emoções é péssimo então não há nada melhor que se debulhar em lágrimas na terapia. 

—Sei lá... Só é estranho ainda eu precisar de psicólogas pra superar um negócio tão comum como traição. 

—Nós já falamos sobre isso, Injun... Você precisa de ajuda e tá tudo bem nisso. Tem gente que consegue só lidar com isso sozinho, outros fingem que lidaram bem, no entanto, isso não anula o fato de que não tá tudo bem com você desde isso... E já fazem anos. Você conheceu tantas pessoas tão diferentes e mesmo assim continua a se sentir insuficiente e não merecedor do amor. Isso te marcou porque você acreditava ser amado e respeitado por alguém importante pra ti que no final não merecia uma migalha sequer da sua atenção. E tá tudo bem você se sentir sufocado e um pouco traumatizado, afinal, seus planos todos sumiram como mágica e tudo que você acreditou passou a não ser verdade. Algumas coisas, sejam grandes ou pequenas, podem destruir muito do que há em nós e, Injun... Você sabe muito bem o quão destruído ainda está.  

 E cada palavra tinha a sensação de calor e compreensão, pois assim era Na Jaemin para Renjun: Alguém que lhe falava todas as coisas que precisava ou não ouvir. Ele estava lá, como um porto seguro, um lugar que significava estar de volta para casa, estar salvo dos seus próprios perigos e era isso que o fez ficar sempre ali, ancorado e hesitante com o mundo afora. O resto das pessoas não eram como Jaemin, eles não sabiam exatamente o que falar a cada insegurança que tomava conta do peito frágil do Huang. Era importante que ele estivesse ali. Era importante que estivessem juntos naquele instante.  

  —Por que você acha que a vida tem dessas coisas? — Renjun questionou após um curto silêncio que se instalou com a fala gentil do Na. 

—Que coisas? 

 —Eu. As outras pessoas. Os traumas. Tipo absolutamente tudo. 

—Eu não sei, acho que a resposta também não deve ser importante.  

—Por que não seria? 

—Porque não faria com que nada dessas coisas se resolvessem. Se for destino, se for algo já traçado, ou se apenas uma consequência da nossa existência e cada mínimo ato como humanos... Nada muda que ainda estamos aqui e agora. E precisamos lidar conosco mesmo. Os porquês não curam nada disso. É uma pergunta que, no final, traz uma resposta um tanto quanto inútil.  

 —Eu odeio profundamente que você tenha cursado filosofia. Você é um chato. — Renjun brincou ao ouvir a resposta do outro.  

—É você que me faz perguntas filosóficas demais e depois não consegue lidar com meus discursos. 

— Eu me encho o saco de todas essas palavras bonitas e pensamentos profundos demais pra essas perguntas. Porém eu acho que você está certo. Não importa né. A única coisa em que se deve focar é em como nos resolvermos em meio a essa tempestade doida. 

 —Bom, pode ser uma tempestade, mas você sabe, né? 

Renjun olhou para Jaemin e sorriu após a pergunta. Sim ele sabia.  

—Nada dura para sempre... — O Na começou a dizer. 

—Nem mesmo a chuva fria de novembro... — Renjun completou.  

E então riram como dois idiotas porque aquilo tudo era tão bobo e clichê que seria impossível não rir. E Renjun sentia-se feliz, verdadeiramente em casa, com o peito quente e uma sensação de aconchego que não poderia sentir com qualquer outra pessoa que citasse Guns N’ Roses após uma conversa pseudo filosófica. Provavelmente não conseguiria rir daquele modo com mais ninguém, bem como não dançaria uma música de rock como se fosse uma balada com qualquer outra pessoa, ou escutaria os discursos filosóficos e um tanto quanto de autoajuda de qualquer outro. Estava feliz por ter conhecido Jaemin naquele dia em que tudo pareceu estar perdido e sua vida inteira se mostrava destruída. De fato, a vida é cheia de coisas que são confusas, porém, ter feito que aqueles dois garotos perdidos se encontrassem, em bancos de concreto entre a indiferença da cidade e o alaranjado do céu quase noturno, foi dar uma chance para que Renjun pudesse se reconstruir.  


Notas Finais


oi gente me segue no twitter lá eu termino de enterrar a pouca boa reputação que me resta: @qiantalk


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...