História Sobre amor, tartarugas e novas chances - Capítulo 24


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Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Snsd, Taeny, Taeyeon, Tiffany
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Palavras 6.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fluffy, LGBT, Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


CHEGAMOS A 100 FAVORITOS UHUUUUUUUUUL!!!!! Queria ter postado ontem mesmo para comemorar, mas meu pulso começou a doer e eu tive que parar. Obrigada galero e boa leitura.

Capítulo 24 - Vinte e três


Mudança. Era a palavra que Tiffany escolheu para definir esse específico momento de sua vida. Nenhuma outra caberia melhor para essa nova fase. Ela estava mudando, Taeyeon estava mudando. E Irene estava mudando. Isso a assustava ao mesmo tempo que a empolgava. Às vezes ela se perguntava se seria capaz, se os desafios alguma hora acabariam, se ela estava tomando as decisões corretas. Tantas coisas estavam diferentes desde que a menina chegara para ficar.

Começando pelo mais sútil e singelo momento das manhãs. Ela tinha contado sete vezes que Irene entrara no seu quarto pela manhã, escalando a cama e se deitando entre ela e Taeyeon, geralmente se enganchando numa ou noutra, o que significava que Irene já estava com elas por oito dias. Ela por vezes acordava com o calor do corpo da criança ao seu lado, outras vezes com os dedos de Irene dançando no seu peito, ou no rosto, traçando desenhos invisíveis e abstratos. Quando ainda era muito cedo - mesmo para Tiffany - ela se virava na cama, abraçava a criança e dormia de novo. E Irene dormia também, ou pelo menos ficava imóvel o suficiente para Tiffany voltar a dormir tranquilamente. Outras vezes a morena acordava e encontrava a menina deitada em cima de Taeyeon, a cabeça virada para o lado, o cabelo escuro da criança se misturando no da loira. Era gracioso e harmonioso o jeito como elas tinham suas semelhanças, e isso alegrava Tiffany. Nessas manhãs ela ficava dividida entre a tentação de beijar as duas até acordá-las ou simplesmente a pacificidade de ficar apreciando a cena.

É claro que as manhãs não seguiam tão calmas assim. Ao contrário de Irene que sempre parecia disposta na primeira parte do dia, Taeyeon continuava tão preguiçosa como antes. Acordar cedo era torturante para a morena, mas não podendo fugir da rotina, a alternativa continuava sendo a mesma de antes: acordar mal-humorada. Agora com a presença de Irene, a irritação matinal tinha diminuído para quase nada, no máximo para um resmungado de palavras antes mesmo de abrir os olhos, e depois ela experimentava a transição da rotina anterior para a nova, o que lhe trazia um sorriso bobo nos lábios. Irene era doce, esperta e sensível. Os dedos brincando com seu cabelo loiro, enquanto ela esperava pacientemente por Taeyeon acordar e se levantar, a deixava desarmada. As vezes Irene murmurava algumas palavras para ela, do mesmo jeito que ela fazia para a garotinha antes de colocá-la para dormir. Certa manhã, quando a menina dormia encolhida na cama entre ela e Tiffany, Taeyeon acordou com o murmúrio choroso da criança enquanto tinha um pesadelo. Ela a recolheu nos braços e sussurrou confortos, e quando a menina abriu os olhos ainda imersa em sono, sorriu disse seu nome. Taeyeon se sentiu uma heroína - o tipo que mesmo o departamento de Seoul não podia fazê-la se sentir. Irene tinha voltado a dormir em paz em seus braços, sabendo que estava protegida de qualquer pesadelo que fosse a assombrar.

Não, elas não eram mais acordadas pelo soar frio e distante do alarme despertador. Em contraponto, pelo menos nessa semana, nenhuma delas tinha sido acordada com o calor das mãos da outra. Não que importasse, por agora. Ainda que tivessem privacidade, elas não o fariam - Tiffany estava no período menstrual, o que significava que para qualquer tentativa de Taeyeon, ela receberia não. Em relação ao futuro, elas descobririam um jeito de como lidar com isso. Nesse momento tudo o que queriam era aproveitar a companhia de Irene. Uma coisa de cada vez, tudo em seu tempo.

E tempo era o que elas precisavam aprender a manipular. Ainda não tinham decidido pela escola da menina, o que resultava em Irene em casa o dia todo. Tiffany e Taeyeon trocavam os horários no trabalho, e quando não podiam se fazer ausente, Yonghee se oferecia para cuidar dela. Irene - surpreendentemente - gostava de ficar com ela. A artista lhe ensinava formas educacionais de pintar desenhos. Alguns só com pontinhos, outros só com linhas, cores claras, cores escuras. Recortes e montagens com papel. Tiffany ficou surpresa quando Irene lhe entregou um gatinho feito com caixa de leite, recortes e pinturas. Ela colocou a nova escultura na sala, deixando à mostra para quem quisesse ver. Quando Yonghee voltou para os Estados Unidos, três dias atrás, Irene passou a parte da manhã chorando, porque aparentemente sua gramma ficaria um longo mês distante dela. Quando Tiffany não entendeu a palavra, ela se viu obrigada a perguntar de novo.

- O que você quis dizer, Irene?

- Gramma! Minha gramma demora pra voltar! - Ela dizia inconsolavelmente, chorando.

Tiffany arregalou os olhos diante da realização. - Você quer dizer grandma?

- É. - Ela dizia enquanto limpava os olhos.

Tiffany olhou para Taeyeon, um nó se fazendo na garganta. A loira sabia pouco inglês, mas conhecia a palavra.

- Você sabe o que isso significa? - Ela perguntou ansiosa - e um pouco feliz, é verdade. O que Yonghee estava pensando, afinal de contas?

- Amiga mais velha? - Irene disse incerta, como se não tivesse pensado muito nas palavras de Yonghee antes.

- Certo. - Taeyeon confirmou ao seu lado, porque Tiffany não sabia mentir e porque ela tinha quase certeza de que se abrisse a boca, lhe escaparia um soluço e não palavras.

Tiffany tinha ficado surpresa com a cumplicidade e o afeto da mãe com Irene. Nunca havia lhe passado pela cabeça, ainda mais nessa situação, de que Yonghee diria para Irene que ela era sua avó. Bem, ela era a avó da menina agora, mas nada ainda estava claro. Talvez seja por isso que a mulher tinha dito a palavra em inglês, e conotado um novo significado para a menina. Desde que nada tinha sido estabelecido e desde que ela não tinha pedido permissão a Tiffany e Taeyeon, aparentemente ficara contente em ter a menina chamando-a de grandma, satisfeita em apenas ouvir Irene chamando-a assim, mesmo que não soubesse o real significado. O que só aumentara sua vontade de chorar - porque estava comovida, não triste - com a atitude da mãe. A necessidade de ligar para a mulher tinha sido substituída pela necessidade de acalmar Irene. O fato de vê-la tão abalada pela partida da artista deixara Tiffany preocupada e de coração partido. Ver Irene chorando - ela descobriu - lhe causava dor física. Então ela tinha dedicado toda a parte da manhã para ela, procurando distraí-la com passeios, e Taeyeon tinha jogado basquete e baseball com ela durante a tarde. Taeyeon a colocou para dormir as quatro da tarde, e mandou mensagem para Tiffany dizendo que talvez, tudo aquilo fosse o resultado de uma noite mal dormida. Ao contrário do que se esperava, a menina tinha acordado uma hora depois, parecendo mais miserável do que antes. Quando Tiffany retornou para casa, a ligação para a mãe foi adiantada. Depois de trocar algumas palavras com a mulher, longe de Irene, a morena passou o telefone para a criança. Tiffany nunca soube o que Yonghee disse, mas Irene pareceu significativamente melhor depois de falar com ela.

Há duas noites atrás, elas receberam Eunseo e Minji em sua casa. Tiffany sentia gratidão pelas palavras da mulher, e considerando a mudança de Eunseo em relação a posição que Tiffany ocupava em sua vida, a médica tinha decidido por criar um laço mais forte com ela também. Irene não ficou surpresa ao saber que Tiffany tinha uma irmã mais nova, mas ficou perplexa ao descobrir que ela tinha duas mães. Ela tinha explicado para a menina num vocabulário adequado para sua idade que ela tinha crescido na barriga de Eunseo, mas que quem cuidara dela tinha sido Yonghee, e por isso ela tinha duas mães. Irene observou e assimilou, em completo choque, como Eunseo e Tiffany se pareciam fisicamente, e ficou encantada com a companhia agradável de Minji. A jovem tinha arrancado várias risadas dela, e no final da - sua - noite a garotinha tinha presenteado sua nova amiga com um desenho das duas. Taeyeon tinha colocado a criança na cama quando os primeiros sinais de sono apareceram e depois descera novamente para se reintegrar à conversa entre as mulheres. Eunseo estava definitivamente feliz por Tiffany, e Minji dobrara e guardara o desenho da menina em sua bolsa. A mãe biológica de Tiffany ofereceu a elas qualquer ajuda que pudesse dar no processo de adoção, e Minji se ofereceu para cuidar da menina quando precisassem, principalmente nos finais de semana em que estava livre. As duas não poderiam ficar mais comovida com a atitude vinda delas, e a promessa de proximidade daquela parte da família tinha encerrado a noite da melhor forma possível.

É claro que nem tudo eram flores. É claro que Irene tinha os momentos ruins e os de birra. Na tarde anterior, quando completou uma semana ali, a menina começou a chorar, do nada, simplesmente porque Prince tinha comido um pedaço da banana que ela tinha oferecido para ele. Ela não queria uma fruta nova, não queria abandonar aquela, e não queria, principalmente, que Taeyeon chegasse perto dela. Irritada depois de ser recusada várias vezes, a loira deixou que ela chorasse por um longo tempo, e Irene grudou os pés no chão e ficou em pé durante vinte minutos, brigando com Ginger quando o cachorrinho tentava lamber a mão, resmungando para Prince que tinha aceitado sua oferta, e chorando simplesmente porque... ninguém sabia. Em certo ponto Taeyeon começou a rir, porque a situação era ridícula demais. Determinada, ela andou em direção a menina, pegou-a no colo e segurou com força quando Irene tentou se soltar. Hora de encerrar a sessão choro. Ela se sentou no sofá com a menina no colo, segurando como se fosse um bebe, e descansou seu pequeno corpo em suas pernas.

- Ok, tartaruga. Já chega. Qual é o problema? - Ela perguntou e a menina ergueu a banana para ela, que agora já estava amassada, abrindo a boca e chorando mais.

Taeyeon suspirou. - Você não pode simplesmente aceitar outra?

Um abano de cabeça, lágrimas novas escorrendo. - Ok, ok... Vamos jogar essa fora?

- Não! - Ela disse furiosa.

Taeyeon franziu o cenho, a fruta estava praticamente escorrendo pela mão da menina. - Ok... - Ela tentou de novo. - E se a gente colocar ali em cima da mesa? Só enquanto a gente conversa? Depois você pode pegar de novo.

A menina fez um bico e depois de pensar concordou com a cabeça. Ela mesma se levantou e colocou a banana lá, e depois se virou para Taeyeon, ainda com um bico, parecendo magoada. Se Taeyeon soubesse que era só birra, ela teria rido da cara da menina, mas ela parecia realmente chateada agora. A loira esticou os braços e, surpresa, ela esperou enquanto Irene se aconchegava na mesma posição de antes.

- Sinto muito que Prince tenha comido sua banana. - Ela disse e viu os lábios da criança tremerem. - Da próxima vez fica longe dele, ok?

- Ok. - Ela disse entre uma nova onda de choro.

Taeyeon começou a balançar o corpo para frente e para trás, levemente, enquanto falava com ela. - Ele é um esquisito.

- N-n-não. - Ela defendera o animal.

- Não? Ok. Ele não é esquisito. - Vai entender.

- M-m-meu Prince.

- Sim, Irene, ele é seu Prince. Ele gosta de você. - Taeyeon a balançou no colo, esperando que o movimento a acalmasse.

A menina apontou para a banana na mesa e murmurou. - Aca-cabou.

Taeyeon suspirou. - Nós temos mais... - A frase morreu no meio da sentença. Não tinha sentido ficar discutindo sobre uma banana, o motivo tinha que ser outro. - Irene, querida... O que... Por que você tá tão triste? Não é só pela banana, é?

A menina fungou e encolheu os pés no colo da loira. Taeyeon acariciou seu rosto, limpando as lágrimas da bochecha. Agora ela olhava atentamente para Taeyeon enquanto mordia os dedos da mão. Os dedos sujos de banana. A mulher fez uma careta e tentou afastar a mão da boca, mas a menina desviou-se e fechou a cara. Ela desistiu, não era uma boa ideia contraria-la agora. Pelo menos ela tinha parado de chorar.

- Eu tô aqui tartaruga. - Ela sussurrou enquanto embalava ela. - Eu tô aqui com você.

E Irene ergueu os olhos para ela, inocentes e vulneráveis. Agradecidos. A menina encostou a cabeça em seu ombro ainda encarando ela, e Taeyeon não deixou de notar a mudança de comportamento depois das palavras. Ela abraçou Irene com força e beijou sua testa. A menina fechou os olhos conforme os minutos se passaram e Taeyeon nem tentou colocá-la na cama - ou ali mesmo no sofá - para dormir. Irene deslizou a mão por sua blusa, deixando um rastro melado de banana ali e segurou o tecido na mão com força.

Bem-vinda à vida doméstica, Taeyeon pensou enquanto franzia o cenho. Ela mesma se deitou no sofá e aconchegou a criança numa nova posição antes que ela dormisse de vez.

O resto da noite tinha se passado consideravelmente bem, até o momento em que Tiffany tinha chamado as duas para a mesa na hora do jantar. Irene comera apenas o que foi obrigada e até certo ponto. A cenoura em cubinhos tinha ficado amontoada no canto do prato junto com as ervilhas, e a garotinha parecia cansada demais, mesmo para levantar a colher. Quando Tiffany se conformou de que ela não comeria mais, disse que ela poderia voltar à sala para assistir desenhos. Concordando levemente de cabeça baixa, Irene deslizou para fora da cadeira, e ignorando a presença de Ginger aos seus pés, tropeçou na cachorrinha e caiu no chão, batendo a cabeça na perna da mesa. O grito de dor foi curto e alto, e tirou Tiffany da cadeira no mesmo instante. Entretanto, tinha sido o único som a escapar da boca da menina, que agora estava aberta na mais escandalizada expressão, uma mão pressionando um ponto da cabeça. Tiffany segurou sua cintura afim de levantá-la, mas sentiu o sangue congelar quando entendeu o que estava acontecendo: Irene não estava respirando.

Apavorada, ela juntou a menina nos braços e procurou o olhar de Taeyeon. O que ela deveria fazer? Ela sentiu sua própria respiração ficar pesada ao passo de que a menina continuava sem ar.

- Fany, - Taeyeon disse com toda calma - se você se apavorar, ela vai se apavorar.

A morena fez que sim com a cabeça e se controlou, colocou uma mão no peito da criança e pediu com calma. - Irene, querida, você pode respirar para mim?

Os olhos castanhos encararam os dela, mas fora isso, nenhuma mudança. Tiffany abraçou a criança, segurou sua nuca e tentou de novo. - Tá tudo bem, Irene, não foi nada demais. Você me deixa conferir seu cabeça, querida?

Finalmente o choro apareceu de novo, e Tiffany fechou os olhos em alívio. Um choro que não durou quase nada. Enquanto Taeyeon retirava a mesa, a médica tinha se sentado com Irene no sofá, massageando a cabeça da criança à procura de algo, mas nada tinha encontrado ali. A menina tinha os braços dobrados na frente do corpo, e mastigava os dedos da mão em seu jeito infantil, e parecia esgotada para quem tinha acabado de acordar. Será que ela estava ficando doente? Tiffany sabia que não tinha sido uma boa ideia Taeyeon oferecer sorvete para ela nesse tempo frio. Ela encostou a mão na testa da menina, mas a temperatura estava como deveria estar. Tiffany suspirou e acariciou suas costas.

- Parece que você teve um dia ruim hoje. - Ela falou baixinho e acolheu Irene em seus braços, que agora tinha se encostado nela.

A menina suspirou e murmurou um único som, em concordância às palavras de Tiffany.

- Vou te levar para você escovar seus dentes e dormir, assim amanhã chega mais rápido e você vai acordar melhor. O que você acha?

Os olhos piscaram para ela, mas a menina não disse nada. Tiffany tomou o silêncio como consentimento e se levantou com ela no colo. Ela observou enquanto Irene escovava os dentes com paciência e lançava olhares a ela pelo espelho. Algo tinha dado muito errado para a menina nesse dia, e ela não sabia o que era. Se Taeyeon não tivesse contado sobre o episódio da banana, ela diria que o choro ao tombo era totalmente normal, mas Irene não parecia nem mesmo ser esse tipo de criança.

Depois de descer do banquinho - um que tinha sido designado para ficar no banheiro, justamente para a garota alcançar a pia sem problemas - Tiffany andou para dentro do quarto de novo e puxou o edredom. Irene parou ao seu lado e segurou na barra de sua blusa.

- O que foi, garotinha? - A morena encostou a mão em suas costas e Irene se encostou na perna dela. - Pronta para dormir? - Tiffany insistiu de novo, mas a menina não disse nada. Aflita, Tiffany se ajoelhou no chão para ficar na mesma altura que ela e colocou uma mecha de cabelo escuro atrás de sua orelha. - Irene, você tem algo para me dizer? O que está acontecendo? - E o apelo em sua voz deve ter sido tão grande que a menina finalmente falou.

- Dói. - Ela suspirou.

Tiffany arregalou os olhos. Ela tinha perdido algo enquanto vasculhava a procura de hematomas na cabeça da garota? - Dói aonde?

- Dói, dói, dói! - Ela disse irritada porque Tiffany não a compreendia e começou a chorar de novo. - Tu-tudo dói!

- Shhh... Não vai doer mais amanhã, Irene. - Ela recolheu mais uma vez a menina nos braços e a levantou. O choro era tão dolorido que Tiffany sentia o coração pesando ao ouvir o som. Ela não sabia o que era pior: o fato de Irene estar chorando assim ou de ela não estar sendo capaz de ajudar.

- Pa-pa-pa-pa... - A menina dizia entre o choro, e o apelo deixava Tiffany fraca.

- Aqui, Irene. Sua Tippany. Eu prometo que vai passar, minha tartaruguinha. - Ela dizia enquanto sua mão acariciava gentilmente as costas da criança.

Levou tempo para que Irene parasse de chorar. Custou energia para que Tiffany colocasse a menina em seu pijama de tartaruga. Tão logo a morena fechou o último botão do pijama Irene jogou seus braços em torno de seu pescoço e resistiu quando a morena tentou deitá-la na cama. Ela soluçou quando Tiffany tentou soltá-la de si, e a ameaça de uma nova onda de choro a fez desistir da ideia. Irene queria sua companhia, estava claro. Ela se deitou na cama com a menina apoiada em seu peito, e somente quando ela imergiu num sono profundo foi que a médica a acomodou gentilmente na cama, cobrindo-a com o edredom e com beijos.

- Amanhã você vai estar melhor. - Ela disse em voz baixa, esperando que fosse verdade.

Ela e Taeyeon não demoraram muito para ir para cama também. O trabalho era exaustivo, e ter uma criança em casa adicionava carga extra de trabalho no dia. Tiffany estava preocupada com Irene, mas Taeyeon tinha quase certeza de que tinha sido apenas um dia difícil para ela, aparentemente sem razão nenhuma. Crianças eram assim, não eram? Dias bons e dias ruins. A preocupação foi cedendo lugar ao sono enquanto o carinho de Taeyeon em seu cabelo a ninava preguiçosamente para a escuridão tranquila dos sonhos. Tiffany dormiu nos braços da mulher, protegida e aquecida da noite fria. Quando acordou, o quarto estava começando a se iluminar junto com o céu lá fora, mas o sol ainda não tinha aparecido. Tiffany se virou para o lado para se encontrar com Taeyeon bem próxima a ela. Era cedo, muito cedo. A loira ainda dormia tranquilamente, a respiração igualada e calma. Tiffany levou a mão para o cabelo com leves ondulações de Taeyeon e acariciou-lhe os cachos. Ela era linda sob a luz fraca da manhã - sob qualquer luz, realmente - e poucas foram as vezes que Tiffany resistiu à tentação de tocá-la; mesmo antes de começarem a namorar os gestos eram sutis e inofensivos, mas que levaram Tiffany ao êxtase. Agora que não havia barreiras, Tiffany se sentia livre para fazê-lo quando sentisse vontade. Ela aproximou seu corpo da loira e passou uma mão no seu quadril, apertando seu corpo contra o dela, em possessão. Taeyeon era dela e durante sete dias seus corpos passaram tempo demais longe um do outro. A morena percorreu o contorno do quadril, da cintura e parou sua mão no ombro de Taeyeon, e sem resistir à tentação ela beijou seu pescoço e seu colo. A loira se remexeu levemente, e Tiffany segurou as costas dela para mantê-la perto de si.

Ela precisava sentir o calor de Taeyeon. Cuidadosa, ela conferiu a porta do quarto: fechada. Não havia nenhuma chance de Irene entrar sem ser percebida. E as chances dela aparecer nessa hora eram baixas. Era cedo demais e ela parecia exausta na noite anterior. Confiante agora, Tiffany voltou sua atenção para a loira e deslizou a mão por dentro de sua blusa. A pele quente queimou em seus dedos, mas era uma sensação mais do que bem recebida. Seus dedos se encontraram com o seio firme da detetive e acariciaram, e depois ela apertou sua mão ali, arrancando de Taeyeon um suspiro. A loira jogou a mão no quadril de Tiffany e pressionou inconscientemente seu centro contra a coxa da morena. Oh sim. Ela pretendia chegar lá, mas antes ela tinha muito a explorar. Ela virou Taeyeon na cama e os dedos ligeiros começaram a levantar a blusa da mulher, e foi aqui que Taeyeon acordou.

- Fany-ah, muito cedo. - Ela murmurou, mas não mostrou resistência nenhuma quando a morena ergueu sua blusa acima do peito.

Tiffany respondeu beijando sua barriga, deslizando sua mão pela cintura e seios, se deliciando com cada parte que não tocava pelo que lhe parecia uma eternidade. Quando os lábios úmidos de Tiffany encontraram um mamilo endurecido de Taeyeon, a loira se contorceu e soltou um gemido. Tiffany rapidamente levou uma mão à sua boca para abafar o som.

- Sem barulho. - Ela repreendeu, mas a boca de volta sugando seu seio tornava uma tarefa muito difícil de ser cumprida.

- Pany-ah - Ela sussurou enquanto a outra mordiscava seu seio. - Sem provocar.

A morena sorriu maliciosamente sabendo exatamente o que Taeyeon queria dizer, mas optando ainda por sugar seu outro seio. Ela sentiu os dedos de Taeyeon prendendo seu cabelo e a pressão do corpo da mulher contra sua boca. Ela sugou com força, prendendo o mamilo entre seu dente gentilmente e soltando em seguida. Taeyeon arqueou as costas e mordeu os lábios para suprimir o som prestes a escapar de sua garganta.

- Fany, sem provocar! - Ela disse de novo, e de qualquer jeito Tiffany queria estar dentro dela agora. E sua mão deslizou facilmente por dentro da calcinha da loira, e como Taeyeon havia pedido, ela não provocou. Os dedos percorreram o caminho que já sabiam de cor, e molhados e determinados penetraram Taeyeon de uma só vez. Ela gemeu e Tiffany mais uma vez a repreendeu. - Eu disse sem barulho, Taetae. - E a morena pressionou seus lábios nos dela enquanto seus dedos investiam com força dentro da loira.

Taeyeon precisava da sensação de Tiffany dentro de si. Ela precisava de seus dedos e do seu calor e de sua língua. Ela precisava do alívio. Ela precisava de seu corpo se contorcendo, como estava agora, sob o corpo da morena. – Pany-ah - ela murmurou pedindo por mais força, por agilidade. Por mais um dígito. Ela viu um sorriso se formar no rosto da morena e sentir dedos abandonando seu corpo, só para ser preenchida com mais. As costas arquearam novamente, e Tiffany, sem piedade, sugou novamente seu seio, enquanto movimentava os dedos ritmicamente dentro de si, mandando ondas e ondas de prazer pelo corpo inteiro.

- Não resista, Taetae. - A morena sussurrou para ela, beijando-lhe o queixo. - Eu posso te dar mais, mais tarde. - E ela pressionou a palma da mão no clitóris inchado da loira, e Taeyeon sentiu o corpo tremer deliciosamente, enquanto sucumbia ao poder dos dedos da loira dentro de si.

- Oh! - Ela exclamou e Tiffany riu em malícia, adorando a sensação do corpo trêmulo de Taeyeon embaixo do seu. E ela adorava ser a pessoa que, depois de fazê-la atingir um orgasmo com força, cuidava de Taeyeon enquanto ela se recompunha. E era por isso que ela agora estava juntando Taeyeon em seus braços, deslizando suas mãos nas costas suadas e definidas da mulher, como se recolocando e firmando cada pedaço de Taeyeon em si, como se provasse a existência dela e do ato que tinha experimentado.

Taeyeon ainda respirava fundo quando descansou a cabeça no ombro de Tiffany. Ela sentiu a morena abaixando sua blusa e abraçando-a com carinho, firme o suficiente para se sentir protegida e amada. Taeyeon plantou um beijo no pescoço dela e murmurou seu nome.

- Durma, meu amor. - Ela escutou a voz doce de Tiffany invadir seu ouvido, e o convite para dormir naquele colo parecia irresistivelmente aconchegante, inegável. Ela fechou os olhos e obedeceu.

Quando Tiffany acordou pela segunda vez, ela sentiu os dedos de Taeyeon mexendo em seu cabelo preguiçosamente. Ela só teve certeza de que a mulher estava acordada quando inclinou a cabeça para ver melhor seu rosto e Taeyeon sorriu e pressionou seus lábios em seu pescoço.

- Dia. - A voz rouca da loira arrepiou sua pele.

- Bom dia. - Tiffany acariciou sua cabeça e beijou sua testa.

Era o dia de folga de Tiffany e Taeyeon só trabalharia na parte da tarde, o que significava que as duas podiam ficar na cama até mais tarde. A médica sorriu ao se lembrar disso, e fechou os olhos quando Taeyeon beijou novamente seu pescoço, carinhosamente, enquanto acariciava sua cintura. Ela suspirou em satisfação e correu as mãos nas costas da loira.

- Eu estava sentindo falta disso. - A morena apertou os dedos na cintura de sua mulher e a puxou para cima de si.

Taeyeon riu e pressionou seus lábios nos lábios que ela amava tanto. - Eu sinto tua falta sempre que você tá longe. - Ela disse em tom de competição, entregou beijos rápidos nos lábios, bochecha e pescoço da morena.

Tiffany riu e apertou os braços em volta da mulher. - Quem diria que a detetive Kim pudesse ser tão... melosa?

- Eu não sou melosa, Fany. - Ela ergueu uma sobrancelha.

- Não? - A morena imitou o gesto, arqueando a própria.

- Às vezes? - Ela espremeu os olhos.

Tiffany inclinou a cabeça de um modo sugestivo.

- Ok, ok. Mas será que você não conta pra ninguém? Você sabe, eu tenho uma reputação de insensível e durona para manter.

Tiffany riu e beijou seu queixo. - Na verdade, eu fico muito feliz de ser a única a conhecer esse lado. Eu guardo segredo.

- Quem é a melosa agora? - Taeyeon apertou os ombros da loira e abriu um sorriso em vitória.

- Você é muito competitiva, Tae, francamente! - Tiffany revirou os olhos.

Taeyeon apertou os olhos em pensamento. - Qual é o problema com os adjetivos hoje?

A morena abriu um sorriso malicioso e puxou Taeyeon para perto de si pela nuca, apenas para sussurrar em seu ouvido. - Se você quiser eu posso falar sobre... outras coisas.

- Oh... Eu ficaria muito feliz, Dra. Hwang.

- Você se importa? - A voz era sedutora, e Tiffany percebeu a tensão correndo pelo corpo da loira.

Taeyeon balançou a cabeça, dando permissão para que ela seguisse em frente.

Tiffany deu um beijo no ouvido da mulher, e começou. - Ontem eu estava no laboratório e recolhi amostras de larvas de borboletas e fiz um milk shake delas, para recolher as fezes e o conteúdo estomacal para determinar o local da morte do cadáver.

Taeyeon afastou o rosto e olhou em completo horror para Tiffany. Não era isso que ela estava esperando ouvir. Não mesmo. A risada da morena invadiu seu ouvido e ela franziu o cenho, não achando nada engraçado a princípio.

- Isso é completamente nojento, Fany-ah! - Ela exclamou, ainda escandalizada.

A morena apenas ria, chacoalhando todo o corpo, divertida com a expressão de choque no rosto da loira. Ela não tinha resistido. Ela tinha enganado Taeyeon, e a loira geralmente era tão esperta para cair em suas brincadeiras. Ela riu ainda mais.

- Não é engraçado, Fany. - Taeyeon se afastou agora, fingindo - muito bem - estar irritada.

- Me desculpa! - A morena laçou sua cintura com as pernas e a puxou de volta para si. - Você deveria ter visto tua expressão, quer dizer...

Taeyeon revirou os olhos, mas em seguida sorriu para ela. - Quem diria que você pudesse... bem, fazer piadas. Piadas boas, Fany. - Ela adicionou quando a morena foi se defender.

Tiffany espremeu os olhos e deu um tapa no ombro dela.

- O que? Foi um elogio! - Ela se defendeu e beijou os lábios da morena. - Eu preciso tomar um banho. E embora eu queira ficar o dia todo aqui com você... Algo me diz que logo nós vamos ter companhia. - Ela suspirou.

- Irene não apareceu por aqui hoje. - Tiffany franziu o cenho. Taeyeon estava certa. Na verdade, considerando a hora, Irene já deveria ter aparecido antes.

- Não... Talvez ainda esteja dormindo, quer dizer... Ontem foi um dia pesado pra ela. - Ela disse enquanto se sentava na cama e Tiffany se levantava junto.

- Eu vou checar. - Mas antes de sair ela segurou Taeyeon pelo braço e roubou um último beijo - que foi devidamente correspondido.

A médica abriu a porta do quarto da garotinha lentamente. A pequena forma estava deitada na cama em posição fetal, e foi somente quando a morena andou alguns passos para dentro que ela percebeu que Irene estava acordada.

- Hey, bom dia. -  Ela sussurrou, ainda familiarizada com o silêncio da manhã.

- Hey. - Irene disse de volta, a voz rouca por causa do sono.

Tiffany se sentou na cama e acariciou sua bochecha. - Senti tua falta hoje de manhã. - Ela ofereceu, esperando que Irene dissesse alguma coisa. Tinha sido incomum que, depois de dias seguidos, a menina não aparecesse no quarto dela.

Em resposta, ela simplesmente levou a mão na boca e mordeu os dedos - um hábito que vinha fazendo muito ultimamente.

Tiffany suspirou quando nenhuma resposta veio. - Que tal se a gente for fazer café juntas? Tae vai gostar. - Ela tentou de novo.

Irene concordou com a cabeça e se levantou da cama. A mão pequena passou pela mão de Tiffany e ela olhou para cima, como se esperando algum comando. Quando elas saíram do quarto, Tiffany notou o jeito incerto da garota andar, tão diferente do dia que ela a tinha conhecido. Algo estava errado. Alguma coisa estava incomodando Irene e ela não tinha a menor ideia do que era. O silêncio da garota só piorava sua preocupação, e ela se sentia culpada por não poder adivinhar o que ela estava sentindo.

A parte da manhã tinha sido calma. Tiffany optara por ler um livro enquanto Irene assistia desenhos - a cabeça da menina apoiada em seu colo recebia hora ou outra carícias da morena. No meio do período Taeyeon convidara a menina para socar o saco de areia com ela. Irene concordou sem muito ânimo, e desistiu da brincadeira quando as luvas, que eram grandes demais para ela, começaram a incomodar. Ela simplesmente sentou-se no chão e ficou observando a loira bater repetidamente até sentir os braços doerem. Taeyeon disse que compraria luvas novas para ela, no tamanho adequado, e Irene sorriu educadamente. A loira teve que admitir que Tiffany estava certa, algo estava errado com a menina, em outros dias ela teria se mostrado no mínimo animada.

Taeyeon sentou-se do lado dela no chão e começou a tirar as luvas. Ela sorriu para a menina e estava prestes a perguntar o que havia de errado quando o celular tocou. Ela esticou o corpo e atendeu a ligação, e com uma careta murmurou um xingamento. Alguém tinha sido assassinado. Ela teria que ir até o local do crime, o que significava que Tiffany também teria que estar lá, o que significava consequentemente que ela teria que ligar para sua mãe para cuidar de Irene.

Nawoon chegou minutos depois, exatamente quando Tiffany apareceu no andar de baixo avisando Taeyeon que estava pronta. As duas mulheres deram um beijo de despedida na criança e deixaram a casa. Num último olhar, Taeyeon observou Irene e Nawoon na sala, antes de partir para o trabalho. Se a loira depositasse um pouco mais de fé em sua mãe, teria logo sabido que seria ela quem descobriria o problema de Irene.

Como uma boa cozinheira coreana, Nawoon se apressou para a cozinha para preparar uma refeição que seria consumida a noite. Ela passou uma hora fazendo massa fresca da rámen, e quando finalmente terminou, sentiu necessidade de conversar um pouco mais com Irene. Ela caminhou o quintal, onde a menina estava, e correu ao seu encontro quando a viu olhando para a bola que estava no chão, chorando silenciosamente.

- Irene? - Ela chamou, os olhos arregalados. - Você se machucou? - Ela perguntou aflita.

A criança balançou a cabeça em não.

- O que houve, querida? - Ela se aproximou e se abaixou no nível da menina.

Irene fez um bico e abriu a boca para dizer algo, mas um soluço escapou pelos seus lábios. Mais do que depressa Nawoon segurou sua pequena cintura e a levantou no colo. Ela tinha cuidado de duas crianças incontroláveis, incansáveis e extremamente diferentes uma da outra. Ela saberia o que fazer.

- Você tá triste, não tá? - Ela perguntou o óbvio, mas era a melhor forma de começar a conversa.

- É. - Ela disse entre o choro.

- Hum... Eu tô triste também. - Ela confidenciou para Irene e a menina a olhou curiosa. A isca tinha funcionado.

- Por que? - Ela perguntou baixo.

- Argh! Você vê? Você tem um apelido legal, eu não tenho nenhum. Isso me deixa triste. - Nawoon franziu o cenho, fingindo estar chateada.

- Oh. - Irene imitou o gesto, aparentemente analisando a situação.

- E você, por que está triste? - Nawoon perguntou casualmente.

A menina fez um bico de novo e olhou para baixo. - Agora eu não tenho nenhuma. - Ela disse magoada.

- Não tem nenhuma o quê, querida?

- Omma! - Ela jogou os braços para cima como se fosse tão óbvio. - Taeyeon tem uma, você, e Tiffany tem duas! E eu não, minha mãe foi embora!

Nawoon limpou as lágrimas que estavam caindo no rosto da criança. Tinha sido tão fácil. - Irene... Você ainda tem uma omma, ela só não tá aqui pessoalmente, sabe?

A garota mordeu um dedo enquanto pensava. - Queria ela de volta, e meu Boo. - O bico estava lá outra vez, e se não fosse tão triste, ela pareceria adorável.

- O que é um Boo, querida?

- Meu Boo!

- Não tenho ideia do que isso possa ser. - Nawoon se desculpou.

- Um fantasma. De pelúcia. - Ela acrescentou a última parte como se para não chocar Nawoon.

- Oh, entendo.

- Eu tenho a Miyoung, mas ainda sinto falta dele.

- É claro que sim. E também sente falta da tua omma...

A menina balançou a cabeça em concordância. - É...

Nawoon pensou por uns segundos no que poderia fazer para que a menina se sentisse bem. Talvez se...

- Irene, você acha que Taeyeon e Tiffany dariam boas ommas? - Ela perguntou soando não muito interessada.

- Aham, sim. - Ela deu de ombros e se remexeu no colo da mulher, parecendo interessada.

Nawoon sorriu. - Sabe o que é? Você tem razão, Tiffany tem duas ommas.

- Ela tem! - Irene parecia indignada, principalmente pelo fato de ela considerar como se não tivesse nenhuma.

- Eu tô aqui pensando... Por que você não as pega para você? - Ela sugeriu inocentemente.

- O que?

- Você sabe, como ommas. - Nawoon fez curvou os lábios para baixo, como se esperando uma reação positiva à proposta.

- Mas você disse que eu tenho omma, mas que ela não tá aqui. - Ela franziu o cenho, confusa.

- É claro que tem! - Nawoon pareceu escandalizada. - Eu não disse que não tinha, só estou dizendo que talvez você queira ter mais duas.

A menina abaixou os olhos enquanto pensava. A proposta parecia realmente muito boa, mas...

- Você acha que minha omma vai ficar triste? - E pareceu tão frágil que Nawoon queria abraçá-la.

- Claro que não. - Ela afirmou. - Você não tá substituindo, está só acrescentando. Yonghee ou Eunseo parecem triste por dividirem Tiffany? - Ela ergueu uma sobrancelha.

- Não parecem, não. - Ela disse naturalmente, e diante de sua percepção era verdade.

- Pois é! Três ommas parece um número bom. O que você me diz?

- Eu posso fazer isso? - Ela perguntou, incerta.

- Mas é claro! - Nawoon riu e balançou a cabeça em positivo.

Irene apertou os olhos para ela. - Omma Bora. - Ela murmurou o nome da mãe enquanto contava um dedo. – Tiffany e Taeyeon. - Ela juntou mais dois dedos a conta. Depois ela contou a sequência em sua cabeça. Taeyeon tinha uma mãe. Tiffany tinha duas. Ela teria três. Fazia sentido do jeito que sua mente organizava logicamente a sequência.

- Três é um número bom. - Ela sorriu para Nawoon. - Dá pra ser.

- Bom, parece que você saiu ganhando! Três ommas! Quem teria tanta sorte? - Nawoon riu, mesmo que por um lado fosse tão triste a dor pela qual a menina passou - estava passando. Elas, Taeyeon e Tiffany, podiam transformar isso em algo bom, e Nawoon também queria colaborar com a recuperação da garotinha.

- Ainda sinto falta dela. - Irene disse, se referindo a “primeira” mãe.

- Eu sei que sente, querida, mas não se esqueça: você tem sua omma, aqui. - Ela apontou para o coração da garotinha e bateu com o dedo de leve ali. - E agora tem mais duas aqui, nessa casa. - Ela sorriu e os olhos de Irene brilharam para ela.

A menina balançou a cabeça em sim, ainda refletindo sobre as palavras de Nawoon. De repente, como se lembrasse de algo, ela jogou a cabeça para o lado - do mesmo jeito que Tiffany fazia e perguntou - Do que você gosta?

- O que? - Nawoon estava perdida.

- Taeyeon me chama de tartaruga porque gosto de tartarugas. - Ela deu de ombro, simples assim.

Nawoon abriu um sorriso em vitória. - Halmoni. - Ela disse a palavra em coreano para avó. Se Yonghee podia, por que ela não poderia?

- O que é uma halmoni? - Irene pareceu intrigada.

- Bem, vou deixar que você descubra com o tempo. E você não pode perguntar para ninguém, eu sei que você é esperta e vai descobrir sozinha.

- Oh! - Ela pareceu indignada, mas não insistiu. - Você quer que eu te chame de halmoni, seu apelido?

- Eu adoraria! - Nawoon soou verdadeiramente feliz.

 

- Tá bom. Halmoni. - E Irene sorriu mostrando os dentes, contente em resolver o problema da mulher, da mesma forma que Nawoon tinha ajudado ela a resolver o seu.

A menina limpou os últimos vestígios de lágrimas do rosto, Nawoon sorriu e a abraçou. Sua neta, definitivamente. As coisas estavam finalmente mudando ao seu redor: Taeyeon e Tiffany tinham agora uma filha - não era oficial, mas Nawoon sabia, como toda mãe sabe, que era só uma questão de tempo para que o juiz decidisse a favor das duas - e ela tinha sua neta.

Algumas mudanças eram sutis e iriam acontecer pouco a pouco, como Irene compreender que as duas mulheres iriam bancar o papel de sua mãe, e Taeyeon e Tiffany compreenderem, por sua vez, que se preocupar com o bem-estar de uma criança era absolutamente o efeito colateral de ser mãe. Ao mesmo passo, outras mudanças não eram mascaradas: a marca de mão suja na parede, a caneca de leite em cima da mesa da sala, a meia jogada no sofá e os lápis espalhados pelo chão. Era só prestar um pouco de atenção: sinais de que a chegada de Irene naquela casa, naquelas vidas, implicava que todas elas estavam submetidas à transformação e ao aprendizado. Era novo, um tanto desafiador e assustador, outro tanto prazeroso. E soava de uma forma singular, tão promissor.


Notas Finais


Sem lágrimas hein kkkkkkk até a próxima...


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