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História Sobre eu, você e o que nos impede de ficarmos juntos - Capítulo 1


Escrita por: e PJCT_GANEB


Notas do Autor


Eu espero que vocês gostem da história, o tema "Quem é você" passado no primeiro ciclo do projeto @PJCT_GANEB, me pegou de um jeito... Passei bons dias e horas matutando o que eu poderia escrever, ouvindo a playlist recomendada. E foi ao som de várias estilos musicais que eu pus uma parte da minha "experiência" amorosa.

Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction Sobre eu, você e o que nos impede de ficarmos juntos - Capítulo 1 - Único

Caminhava lentamente pelo imenso jardim do central parque, admirando as folhas alaranjadas, que também cobriam parte do campo verde. Casais e familiares faziam piquenique por ali e, algumas crianças corriam soltas a brincar. Perto do lago, próximo à árvore mais antiga do parque, meus olhos se encontraram com os dele. Sorri inconscientemente. Era assim, meu corpo reage instantaneamente quando se tratava dele. Me aproximei, alargando o sorriso em meus lábios ao que seus olhos diminuíram, sorrindo em me ver. 

— Ficou muito lindo — falei admirado, olhando o pano xadrez em vermelho e preto, a cesta no centro com algumas flores em cima e nossas comidas preferidas. Estava tudo perfeito. — Deve ter dado trabalho. 

— Pra você vale o esforço — lhe dei um soco fraco no ombro esquerdo, me aproximando mais para passar meus braços por seus ombros. — Ei, não se bate no melhor namorado do mundo, que prepara um piquenique no aniversário de namoro. 

Balancei minha cabeça para os lados, achando graça. Aproximei nossos rostos encostando nossos narizes. Jaebum então colou nossos lábios em um beijo calmo e carinhoso. Beijá-lo era uma das melhores sensações que já havia experimentado em toda minha vida, fora a primeira vez em que comi o pudim da tia Tuam. 

O encarei encantado, observando cada detalhe de seu rosto, as pintinhas perto dos olhos e a forma que seus lábios ficavam vermelhinhos após o beijo. Eu estava apaixonado por ele. 

Eu estava apaixonado por Im Jaebum

Mas, o quê?

Acordei meio suado pelo calor abafado no quarto, olhei o ventilador; desligado. Passei minha destra por meu cabelo me sentindo perdido. 

— Que merda de sonho foi esse?

Encarei a cama vazia na outra extremidade do quarto. Mark devia estar na sala. Me direcionei ao banheiro, tomando um banho e depois escovando os dentes. Assim que troquei de roupa, me joguei no sofá ao lado de Mark, que mexia em seu celular, parecendo estressado. 

— Bom dia. Tem pão em cima da mesa — informou ele. 

— Bom dia, cara. Levantou cedo — disse indo para a cozinha, passando manteiga no pão e me servindo um pouco de suco de laranja. 

— Minha namorada me ligou. 'Tá fazendo um drama do caramba desde cedo. 

— De novo? Não é querendo julgar, mas sua namorada é chata pra caramba, mano. O tempo todo você reclama que ela fica fazendo drama e, claro, depois fica babando por ela. 

— Fazer o quê? Aliás, você não disse que ia acordar só duas da tarde? Ainda é oito horas — constatou, olhando o horário em seu celular. Voltei a me sentar ao seu lado, comendo logo depois. 

— Tive um sonho… Estranho. Não consegui dormir de novo — respondi, de boca cheia. 

— Sonho é? Como foi? 

— Sonhei que beijava meu amigo e a gente meio que namorava no sonho. Tipo, a gente já ficou algumas vezes, na escola. Mas esse sonho foi loucura. 

— Tá apaixonadinho, ele. E aí, gosta mesmo dele? 

— Eu gostando de alguém? Cara, na verdade, não sei direito — sacudi minha blusa para retirar os farelos do pão e pus o copo no chão, ao lado do sofá. — Eu penso nele às vezes e já faz um tempo que isso vem acontecendo. A gente nem fica mais. E por causa das férias, faz tempo que não nos vemos. 

— Você gosta dele. Passa o dia pensando nele e ainda sonha que tá beijando ele. Quer mais provas? — citou Mark, contando nos dedos.

— Também não é pra tanto. Eu penso nele às vezes, não o dia todo — o corrige. — Mas eu não sei o que fazer, pois, ele gosta de outra. E ela é bonita. 

— Mais que você? 

— Não — sorri, fazendo charme. — Ela é estranha, cara. E a sobrancelha dela é junta! 

— Sério? — Sorriu, largando o celular e se voltando a mim. — E vai fazer o quê? Deixar quieto ou falar com ele? 

— Falar com ele. Não quero criar expectativas. 

Eu não me sentia apaixonado por ele, ou pelo menos não conseguia aceitar tais sentimentos. Jaebum não gostava de mim, isso era fato, até porque ele não parava de falar da menina de que ele gostava, a tal Dahyun. Ela era bonita, mas o batom vermelho forte e a sobrancelha unida não favorecia ela. Não a conheço bem, mas para o Jaebum e o Jinyoung terem ficado com ela, talvez a Dahyun seja até legal. 

Eu não tinha problemas de alto estima, nem tinha falta de amor-próprio, só não me sentia bem (nem pensando) em me relacionar sério com alguém. Das duas tentativas, eu acabei as magoando e também não me sentiria menos pior, nem que fossem meninos no lugar delas, porque somos humanos e quando se trata de amor, é um assunto delicado. Porque nunca vai se tratar apenas do "eu próprio", é algo que envolve ambas partes. 

Estar apaixonado por uma pessoa é um sentimento além do que eu posso imaginar, pois, nunca senti algo tão forte e verdadeiro assim por alguém que não seja meus pais. 

Uma coisa que eu sei sobre estar com uma pessoa, é que não se deve mudar por causa dela e nem mesmo ela deve mudar por nós. Ninguém deve mudar por ninguém, a não ser por nós mesmos. 

Por exemplo; você se apaixona por alguém, do jeitinho que ela é, mas quando ele diz "vou jogar com os meninos, volto mais tarde", você não gosta e altera o humor. Me responde, quando você se apaixonou por ele, ele já jogava bola? Saia para curtir com os amigos? Ela usava roupa colada ou curta? Cortava o cabelo ou o pintava? 

Não somos ninguém para definir o que o outro pode ou não fazer. Pois, se fosse assim, quem nós seríamos se cada pessoa decidisse a roupa, o cabelo ou o nosso jeito de agir? 

Eu não estava pronto para doar meu tempo. Não posso simplesmente jogar um amor e carinho qualquer em cima das pessoas. Não é assim que funciona. 

Eu não gosto de machucar alguém por um erro meu. Eu não gosto de magoá-las pelo meu jeito. 

Abri o aplicativo de mensagens e procurei pelo contato dele. Logo o enviando uma mensagem. 


Você 

JB, eu preciso falar com você 

Sonhei contigo hoje

Mozão Machista

Oi bebê 

Eita, sonhou comigo? 

Como foi? 

Você 

Te falo já já 

É que eu preciso fazer o almoço 

Mozão Machista 

Ah não 

Vai me deixar com curiosidade mesmo? 

Que maldade Jae


Desliguei o celular rindo, indo para a cozinha ajudar Mark a preparar a cmida, seus pais já chegariam para o horário do almoço e nem limpamos a casa ainda. 

— É… Youngjae, sabe a minha namorada? — concordei, o olhando. — Então, na verdade, ela é ele. Eu fiquei meio apreensivo se te contava ou não. Não sabia como ia reagir. Não que eu esperasse que você fosse me falar coisas ruins, só que eu ainda não falei pra ninguém sobre isso entende? Mas pretendo. 

— Relaxa cara, eu não vou julgar nem nada. Pra falar a verdade, nunca desconfiei da sua sexualidade, sério. 

— Sério mesmo? — assinto com a cabeça, rindo. 

Depois que limpamos a casa, fizemos o almoço e dobramos a roupa. Mandei uma mensagem para Jaebum me encontrar na praça. Vesti a primeira roupa que encontrei na minha mochila e saímos de casa, Mark iria se encontrar com seu namorado, que descobri se chamar, na verdade, Jackson. 

Senti uma estranha impressão de já ter passado por esse momento. Estralei o pescoço, observando as crianças correndo pela praça, adolescentes jogando vôlei na quadra com areia e outros andando de skate e bicicleta pelas rampas. Alguns casais tirando fotos e conversando, familiares sentados em volta de mesas batendo um papo enquanto comiam seus lanches. Olhei mais para frente, vendo Jaebum sentado no banco de madeira, embaixo de uma árvore. 

Caminhei até ele, me sentindo nervoso de repente. 

— Oi Jae. 

— E aí — me sentei ao seu lado, esfregando minhas mãos na calça de moletom. 

— O que tinha pra me dizer? — perguntou, de forma direta. 

— Nada demais — dei de ombros, me acomodando melhor no banco e virando-me para o olhar. — Só que eu sonhei com você. Nos beijamos e bem, você era meu namorado. Acontece que eu venho pensando em você há um tempo já. Mas não quer dizer que eu te amo ou algo assim. Só quero pedir um tempo da nossa amizade — confessei, sem dar pausas, direto como ele. 

— Uau. Isso é demais pra absorver assim. Deixa eu ver se entendi. Você sonhou comigo e diz que não senti nada por mim, por mais que no sonho eu tenha te beijado. E quer um tempo? — repetiu, tentando entender o que eu disse, voltando seu olhar para mim. — Olha Youngjae, eu entendo, mas não vejo motivo pra gente parar de se ver ou falar. Você diz que não gosta de mim mais que amigo, então porquê? 

— Eu não sei bem. Só preciso disso, entende? Não quero por sentimentos onde não tem, JB. 

— Às vezes até tem, mas se prefere me afastar, eu entendo. Vou te dar esse espaço. Eu só quero o melhor pra você, lindo. Mas saiba que eu não vou parar de te irritar, não vou parar de ser seu amigo. Eu ainda vou te fazer rir de novo quando as aulas começarem, eu sei que você gosta quando eu faço isso. Eu gosto de te irritar — Vê-lo sorrir daquele jeito fofo, contando sobre nós, sobre mim, fez meu coração se amolecer mais. Retribui o sorriso, me levantando. 

— A gente não precisa parar de ser amigo e, talvez, só talvez eu goste mesmo de ser irritado por você. — mirei meu olhar para os meus pés, calçados num par de tênis surrado. Suspirou, encontrando coragem para o encarar de novo. — E… O que quis dizer com aquilo? Sobre ‘‘até ter’’. 

— Não vamos falar sobre isso. Esqueci. Você quer um tempo e eu vou ficar esperando até a gente voltar a se falar. Então, tchau, Jae. 

Assim, ele foi embora. 

Não me senti bem como pensei que me sentiria ao falar com ele, me deixou um pouco preocupado. A carinha dele, talvez eu tenha pegado pesado. Até eu achava que o motivo que eu dei não era motivo o suficiente para nos separarmos. 

Precisava falar com alguém sobre isso, ou então eu ficaria ainda mais perdido. O que ele quis dizer? Eu fiz o certo? 

Pus minhas mãos nos bolsos frontais do moletom e passei a caminhar pela praça. De qualquer forma, eu não podia dar atenção a alguém por agora, pois eu não estava tendo isso nem para mim mesmo. 

Estar em um relacionamento não se trata de apenas querer ter um. Muitos querem ter uma pessoa ao seu lado, mas ao menos sabem as valorizar. 

Bufei me sentindo trouxa por pensar demais sobre isso. Por que eu não conseguia ser como os outros e apenas ir em frente? 

Eu tinha problemas demais para resolver e um amor agora não seria o recomendado. Aliás, eu deveria era agradecer a minha consciência. 

Perguntas sobre quem eu realmente era, o que eu queria, quem eu fui, rodeavam meus pensamentos agora. Vinte e dois anos e eu ainda me perguntava ‘‘Quem eu queria ser quando crescer?’’, o tempo passa mais eu ainda não encontrei uma resposta para nenhum de meus questionamentos. 

Os problemas não diminuíram e, bom, eu não fazia muito esforço para resolver. 

Eu tenho que dedicar mais tempo a mim mesmo, as minhas séries, a faculdade, a minha família e a minha falta de coragem. Claro, não exatamente nessa ordem. Na minha vida não tinha mais espaço, não tinha lugar para um Jaebum, para um amor. 

O verdadeiro motivo para o meu sonho não se tornar realidade era tudo. Tudo impedia que ficássemos juntos. E eu e meus problemas éramos esse tudo. 

Por hora, a única e exclusiva pessoa que eu me dedicaria e amaria era eu mesmo. É mais fácil assim.


Notas Finais


A capa foi feita por @Swag_DH
A betagem por @Vivibtskookie_2
Muito obrigada, anjos!

Obs: o nome de contado do JB no celular do Youngjae "Mozão Machista" é uma piada interna, okay? E, se querem saber, até hoje eu estou nesse "tempo" com o menino. É isso kkk


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