História Sobre garotos e monstros... - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Sekai
Visualizações 965
Palavras 2.668
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus lindinhos. Mais um cap. de SGEM. Provavelmente só terá mais dois.

Estou respondendo aos comentários de trás pra frente, a quem eu ainda não respondi não pense nem por um momento que não vi suas palavras lindas. Pq eu li, amei e estou respondendo. <3

Ganhei esta capa da Carol linda (@CarolRiff) e ganhei uma segunda da maravilhosa da da Hook (não sei sei nome, sua linda!). Portanto, para que essas duas artistas que se compadeceram de meu sofrimento com minha incapacidade de fazer capas, sejam reconhecidas deixarei cada capa por um mês. Hook, sua linda... sua capa entra em 01 de fevereiro. Carol, minha queridíssima, muito obrigada. <3

Capítulo 8 - Branco como o Paraíso


Na manhã da véspera de Natal Kim Jongin acorda em um quarto de pousada em sua cidade dos sonhos, com a cabeça pesada e os olhos vermelhos e ardentes. Meio desorientado, ergue-se na cama, nota sua solidão, a ausência dos cachorros e um bilhete no chão cuja informação está escrita na letra de garranchos de Sehun (“Fui arrumar comida. Não coloque os pés no chão porque está gelado.”). Sehun. Sente um ardor de vergonha tomar seu rosto, mas este é passageiro. Não é da natureza de Jongin guardar verdades. Não é de sua natureza se envergonhar ou se desculpar por elas.

Apesar do aviso de Sehun, Jongin coloca os pés no chão e sendo açoitado por centenas de arrepios atravessa o quarto e se tranca no banheiro. Lava o rosto, escova os dentes e depois, tão rápido quanto foi, volta e se enfurna nas cobertas. São necessários alguns minutos até que seu queixo pare de bater. Permite-se a preocupação com a falta de roupas próprias para este lugar e se pergunta como e onde irão arrumar dinheiro para que não acabem tendo que procurar um desses abrigos de sem-teto como aconteceu uma ou duas vezes em sua viagem. Abrigos nunca aceitam bem os cachorros e foi necessário muito charme para que Robert e Aretha pudessem entrar.

Estica-se e puxa a cortina verde que mantém o quarto na penumbra e precisa fechar os olhos ante a iluminação absurda que chega das janelas. Enrolado no cobertor como se este fosse um casulo, deixando a descoberto apenas os olhos, o rapaz se coloca sobre os tornozelos e espicha a cabeça até que a rua principal de Holy Town surge.

Holy Town parece um cartão natalino. A rua branca pela neve, as casas cinzentas e revestidas de pedra parecendo afogadas no branco, os telhados pesados, os bonecos de neve, os pinheiros, os postes enfeitados em luzes pisca-pisca coloridas (mesmo que quanto a isso ele só possa imaginar). Sua felicidade é tão grande, tão genuína, tão inocente que ele recosta a testa contra o vidro gelado, a boca aberta em um silencioso “Uoww”. É assim que um silencioso e constrangido Sehun o encontra.

Ao click da porta Jongin se volta, o Natal brilhando em seus poros, em seus olhos, na entonação de sua voz.

- Sehun, venha ver! – fala. Sehun larga a sacola sobre a cama, passa os dedos pela cabeça úmida de Robert e se aproxima do amigo. Olhando de relance para o maravilhado e maravilhoso Jongin que voltou seu interesse para a janela, Sehun relaxa um pouco.

- Esta cidade é perfeita, não acha? Igualzinha àquela que a gente tem na caixa de bolachas.

Sehun silencia enquanto olha para o cartão postal. Está suficientemente feliz apenas por não sentir o calor pegajoso na pele, e sua felicidade aumenta tanto que chega a doer. Ele que nunca sentiu o que é isso, não em sua vida adulta pelo menos. A felicidade dói em Sehun porque ele não está acostumado a ela.

- Você está feliz? – pergunta tímido, quase como um garotinho de escola que deu a resposta correta.

Jongin olha para ele com seu sorriso mágico.

- Demais. Demais. Demais.

Sehun sorri. E é um sorriso verdadeiro.

 

__

 

Às dez horas da manhã, devidamente alimentados e vestidos eles descem as escadas da Hospedaria ChanSoo com a forte intensão de passearem pela cidade. Sua senhoria, uma mulher de 55 anos, muitas camadas de roupas (calças por baixo de saias, que por sua vez estão por baixo de um robe feito de pele de algum bicho muito peludo) e sorriso alegre lhes tira as esperanças.

- Lá fora está impossível, meninos. Vi na televisão que esta será a pior nevasca em anos. Não é maravilhoso?

Jongin relanceia os olhos para a janela, visivelmente preocupado com o sopro do vento, algo que ele nunca presenciou. O sopro é mais como um uivo, um uóóóóóóóóóóshhhhhhhh poderoso que bate e rebate as janelas de vidro, dando a impressão de que a qualquer momento quebrará tudo e dominará o interior quente das casas.

- Eu tenho roupas para cachorros. Acho que os pelos duros desses dois aí não serão suficientes para mantê-los aquecidos.

Robert e Aretha erguem as orelhas ao serem apontados pela mão enluvada da mãe de Chanyeol.  

- Vocês planejam ficar bastante tempo por aqui? –a mulher lhes indica duas cadeiras à beira da cozinha perfumada e se afasta para pegar um prato de bolinhos e duas canecas de chá.

Os dois rapazes se entreolham. A desconfiança retornou aos olhos de Sehun. Jongin permanece confortável, os cabelos pretos escondidos em uma touca que o amigo trouxe quando saiu para comprar comida.

- Nós queremos morar aqui.

- Mas que maravilha! Se querem saber, Holy Town precisa de jovens como vocês. É como sempre digo pro meu Chanyeol quando ele quer pegar o Soo e fugir, esta cidade está morrendo com tanta gente velha.

Jongin se apodera de um bolinho e após ter o prato colocado quase em sua cara, Sehun também pega um. Está realmente bom.

- Acho que vamos ficar trancados o dia todo. – o garoto dos cabelos pretos murmura.

- Vou mandar colocar uma televisão no quarto de vocês. Vai ter especial de Natal hoje.

E antes que eles possam responder qualquer coisa, a mulher está gritando casa adentro para que alguém com o nome de “Estevão” leve a televisão para o quarto dos “garotos”.

 

__

 

Ambos concordam que I’ts a Wonderful Life é um filme lindo para nunca mais ser visto. Uma vez é o suficiente.

- Eu acho uma merda essas lições de moral pra deixar a galera pobre menos miserável. Esse papo furado de que não é necessário dinheiro pra ser feliz. Bléh.

Jongin concorda com as palavras de Sehun, mas está achando difícil ficar acordado no meio destas cobertas quentes, com o braço de Sehun servindo de almofada para sua cabeça, a neve na janela, a caneca de chocolate quente ao lado da cama, a televisão...

 

__

 

- Acorda, Jong.

- Hmmm?

- Está passando O Grinch.

Jongin se ajeita na cama, esfrega os olhos e em poucos segundos está rindo. Em alguns momentos Sehun imita os trejeitos do cara verde que odeia o Natal e isso faz com que lágrimas de pura hilaridade saltem dos olhos sonolentos do amigo. Para Sehun, não existe cena mais linda.

 

__

 

- Jong, quando você disse... aquilo...

- Hmmm?

- Sobre... sobre nós...

- Você só precisa querer, Sehun. Se não quiser... está tudo bem.

- Ok.

 

__

 

“Você só precisa querer, Sehun.”

A frase martela a mente de Sehun enquanto ele observa Jongin que voltou a dormir no meio de Expresso Polar. O rapaz fica surpreso com a facilidade e obviedade da resposta. Quase sorri com a ausência de uma segunda opção. Não existe outra opção.

 

__

 

Sehun dorme enquanto Jongin assiste Meet me in St. Louis. Este é um de seus filmes natalinos favoritos, afinal, é da era de ouro de Hollywood quando tudo parecia mais bonito, mais mágico, mas colorido, mais musical. Sehun não gosta de musicais.

“- Não entendo como o cara tá andando na rua e de repente uma multidão surge do nada e começa a cantar e dançar atrás dele. Isso é... tipo, loucura.”

Jongin apoia a mão sobre as costas de Sehun, ajeita a coberta em seus ombros. Gostaria de poder ver as cores. As cores de Sehun.

 

__

 

Às dezesseis horas da tarde uma batida na porta desperta garotos e cachorros.

- Meninos, estão decentes?

Sehun se levanta rapidamente.

- Esse é o problema com hospedarias de cidade pequena. As pessoas se acham íntimas umas das outras. – resmunga, mal humorado.

- Pode entrar, senhora Park. – Jongin fala e quase que imediatamente a cabeça da mulher surge no vão da porta.

- Crianças, o Chanyeol apareceu pra levar os dois pra casa dele.

- Quê?

- Para a festa de Natal, Sehun. – Jongin explica.

- Isso. – a mulher complementa.

- Pelo amor de Deus, Jong. Nós nem conhecemos eles. – Sehun fala em voz baixa para que a mulher não o ouça.

- Eles são ótimos, queridos. Não se preocupem. Eles não são psicopatas, eles só estão cansados de conversar com gente velha.

- Pode pedir para o Chanyeol esperar um pouco, senhora Park?

- Claro, querido. – a mulher se vai.

- “Querido”... você já é o favorito dela. Tsc.

- Sehun, é bom que a gente conheça pessoas.

- Não sei por quê. Eu tenho você e você tem a mim. Para que precisamos de outras pessoas?

- Porque senão vamos ser dois caras solitários em uma cidade bonita.

- Você está bem? Tá com dor de cabeça? Dor nos ouvidos?

- Não. Não e não.

- Se você se sentir mal a gente vem embora, beleza?

- Beleza.

 

__

 

Park Chanyeol está sentado à mesa da cozinha com uma xícara de chá entre as mãos grandes demais. Meio hesitante sorri para os dois rapazes que acabam de surgir no cômodo. Está fazendo isso por Kyungsoo, afinal não é da sua natureza pegar dois desconhecidos que podem ser assassinos e colocar em sua casa. Apesar de que o rapaz moreno tem um sorriso meio inocente demais para ser mau. Apenas o outro, o garoto com cara ranzinza é que parece suspeito.

- Eaí? – pergunta com um sorriso que parece natural o suficiente.

- Oi. – responde Jongin e Sehun apenas acena com a cabeça. Aretha e Robert surgem atrás das pernas dos dois provavelmente achando que também estão convidados para o passeio.

- Estão prontos?

Jongin se abaixa perto dos cachorros e fala mansamente alguma coisa em seus ouvidos. Eles entendem. E ficam.

- Estamos.

 

__

 

 

 

A casa de Park Chanyeol e Do Kyungsoo é um sobrado espremido entre duas casas cinzentas na rua principal de Holy Town. É revestida de pedra, como qualquer outra, tem um jardim de flores mortas na frente, uma cerca baixa e duas estátuas de ninfas guerreiras dos dois lados do portão. Jongin se encanta com as ninfas.

 O céu está pintado de um azul muito claro que prenuncia a neve que não tarda a cair mais uma vez e enquanto eles ultrapassam o portão, ouvem o riso leve e alegre dos convidados.

- Isso é loucura. – Sehun murmura. Não se conforma por terem encontrado estranhos e estarem indo passar o feriado mais familiar que existe com eles. Chanyeol para à porta e olha para os dois que estão parados no meio do caminho.

- Hey, não se preocupem. Falamos pra todo mundo que vocês são ótimas pessoas e acreditem-me, ninguém vai se impressionar ou fazer muitas perguntas. A maioria das pessoas que a gente conhece foi o Kyungsoo quem encontrou perdido por aí.

 

__

 

A casa cheira a canela e doces.

Ao passarem pela porta, Kyungsoo rapidamente se achega e os cumprimenta. O rapaz dos olhos grandes veste uma camiseta cujo desenho é um Mr. Spock usando uma touca de Natal que não se ajeita bem entre suas orelhas pontudas.

- Que bom que vocês vieram! Deve ser horrível passar a véspera de Natal sozinhos e sem comida boa. Entrem. Eu sou uma merda na cozinha, mas o Yixing é bom, então... nossa festa ‘tá salva. Venham. Venham conhecer os outros.

Sem lhes dar tempo para responder, Kyungsoo leva Sehun e Jongin para a sala.

- Nossa! – Jongin fala quando seus olhos são primeiro capturados pelo quadro gigante que mostra uma foto do Condado de o Senhor dos Anéis. – Que incrível!

- É maravilhoso, não é? – Chanyeol pergunta com um sorriso de orgulho.

- Nós gostamos bastante desse filme. – Sehun complementa.

- Filme? Rapaz, Senhor dos Anéis é uma religião. – fala uma garota de cabelos de arco-íris que se levanta e se aproxima segurando um copo com desenhos natalinos.

- Esta é a Cassandra, responsável pela criação da única revista em quadrinhos que temos em Holy Town. – Chanyeol apresenta.

Os recém- chegados cumprimentam a garota dos cabelos coloridos e então são apresentados aos outros. Um garoto de cabelos muito pretos, com piercing na sobrancelha, no lábio e na orelha lhes envia um sorriso breve e depois volta a atenção para um número de Watchmen. Zhang Yixing (“Me chamem de Lay. Ninguém me conhece por Yixing.”). Depois um rapaz com lábios de gato chamado Kim Jongdae (“Chen, peloamordedeus!”), e então os donos da casa.

 

__

 

Após uma hora, Sehun já se sente suficientemente bem e incluído para não tentar enviar sinais telepáticos para Jongin chamando-o para irem embora. Está com um copo de maravilhoso eggnog em mãos e o conhaque abundante já lhe tirou o frio e o envolveu em um confortável e morno ambiente familiar. Neste momento, cercado pela conversa nerd, ouvindo a eventual risada de Jongin... sente que seu passado está a cada dia mais soterrado atrás de camadas e camadas de pedra que ele nunca irá retirar. Nunca mais irá se lembrar voluntariamente de seu passado. Seu passado começa em seu nascimento e termina no dia vermelho como o Inferno quando beijou Jongin em uma encruzilhada. Seu presente começa quando deixou Liberty City para trás pela última vez. Seu futuro...

- Jongin, você está bem? – sussurra para que apenas o amigo o ouça.

- Sim. – vem a resposta sorridente – Eles são ótimos, não é mesmo?

Sehun entorna o resto da bebida e não fala nada por longos segundos.

- Sim, eles são. Esquisitos pra caralho, mas legais. – diz por fim.

 

__

 

Em algum momento, Chen lhes oferece um emprego no mercado local. Não há muito o que fazer nesta cidade e como em qualquer outro lugar, empregos criativos e interessantes não dão dinheiro. Os dois rapazes levam alguns minutos até finalmente acreditar em sua sorte.

 

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Meia noite.

- Feliz Natal, pessoal!

Eles se abraçam como se fossem velhos amigos. Cassandra pousa um beijo no rosto pálido de Sehun, e abraça Jongin.

Entre os não-tão-desconhecidos, Jongin e Sehun se entreolham antes que o moreno puxe o outro para seus braços. Sussurra um emocionada “Feliz Natal, Sehun” e sente a respiração morna do amigo em sua bochecha antes de ali receber um beijo.

 

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- Foi ótimo vocês virem hoje. – Kyungsoo fala. – Venham outros dias... a gente sempre se junta pra jogar RPG e essas coisas. Será legal ter outro casal.

 

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A neve parou de cair nesta madrugada de Natal então Jongin e Sehun decidem voltar a pé até a hospedaria. O ar gelado ameaça lhes tirar o fôlego, mas a noite está linda. Principalmente para aqueles que vieram do calor sem fim.

- Quais são as cores daquelas luzes, Sehun?

- Tem vermelha, azul, verde, amarela, laranja...

- Ahn...

- Jong, nós vamos procurar um médico que vai dar um jeito nos seus olhos.

Jongin ergue os ombros.

- Talvez não exista mais jeito pra dar.

- Não fale desse jeito. – Sehun fala com brusquidão enquanto para de andar e apoia as mãos nos ombros do amigo. – Não quero que fale mais essas merdas, Jongin.

- Temos que estar preparados para esta possibilidade.

- Não quero pensar nessa possibilidade. Não vou pensar nessa porra de possibilidade.

- Porque você está tão atormentado por isso?

- Como eu vou conseguir viver a merda da vida se você nunca mais ver as cores? Foi minha culpa, Jongin. Você ter ficado quase cego, quase surdo... com essas dores... é... tudo culpa minha.

- Não foi você quem chutou minha cabeça.

- Como você sabe?

- Eu sei.

Os olhos de Sehun brilham com as lágrimas que ele jurou há muitos anos nunca mais derramar. Jongin ergue a mão enluvada e o toca no rosto.

- Eu não toquei em você naquele dia, Jong. Eu não te machuquei. Você sabe disso, né?

- Sei.

- Mas, você vê porque eu sinto tanta culpa, tanto remorso?

- Não.

 

__

 

- Eles acham que somos um casal. – Jongin murmura sentado no beiral da janela vendo a neve cair. O sol começa a nascer e eles ainda não dormiram.

- Como assim... acham?

Jongin se vira para Sehun, surpreso.

- Nós somos um casal, Jongin.

 


Notas Finais




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