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História Sobre o Amor e Fantasias - Capítulo 13


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CVV
Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio.
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Organização que dedica-se à defesa e promoção dos Direitos Humanos na Internet.
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Cuidado com gatilhos, galera. Isso é uma história, se você estiver precisando de ajuda, procure ajuda.
Todos nós precisamos de ajuda algum dia, então não hesitem.

Capítulo 13 - Descontrole


Yoshiaki dirigia o carro até a cobertura de sua família em Tóquio. Rin sabia que ele a olhava pelo espelho todo momento que podia, com os olhos verdes atentos à qualquer movimento da menina, que apenas olhava fixamente para um ponto fixo à sua frente.

Imóvel, ela se aprofundava cada vez mais na imensidão de seus pensamentos.

Era como se fosse um túnel escuro sem luz no final. Cada vez ficava mais escuro, assim como seus pensamentos. Ainda pensava nas coisas que aconteceram durante aquela tarde, e arrependeu-se de ter entrado naquela situação achando que conseguiria administrar e sufocar seus sentimentos.

A imagem do youkai saindo de cima dela e colocando as próprias roupas não saía de sua mente. Ele mal havia chegado ao orgasmo e a largou no quarto, sem sequer olhar para trás. Ele arrancou tudo que queria escutar dela, e basicamente sentia-se como se alguém tivesse invadido sua alma e a dilacerado. Rin só conseguia ouvir os seus pensamentos gritando para que ele não fosse embora daquele jeito, e que não a largasse nua e exposta de todas as maneiras. Sesshoumaru havia lhe dado prazer de tantas formas que ela sequer imaginaria que poderiam existir.

E ela falou tudo que ele queria saber durante esse momento.

Nunca se expôs tanto à uma pessoa daquele jeito, e logo o fez com a pior delas. Justamente a que tinha controle de toda sua vida, que já tinha família, filhos e toda uma família encaixada nos mais altos patamares hierárquicos da sociedade. Alguém que ela não poderia ter.

Não poderia amar.

E foi isso.

Rin engoliu em seco.

Depois de tudo que tinha acontecido com o Hatsuomo, ela se sentia um espelho quebrado, usado e sem remendo. Completamente trincado e estraçalhado. Mas não era só isso. Como poderia comparar a dor do corpo com a dor de não ser merecedora do mínimo de amor nessa vida?

- Srta. Rin? – chamou Yoshiaki, tirando-a da sua visão de túnel – Estamos chegando. Gostaria de algo especial para jantar?

Voltou seu olhar para o youkai.

- Hoje meus pais estão em casa, eles já devem ter decidido isso com a cozinheira – respondeu indiferente – Obrigada.

Mas então o ouviu suspirar.

- Eles já foram para a casa de campo – informou-a, e ela assentiu levemente – Gostaria de comer algo especial no jantar?

Mas ela logo o mirou calmamente, porém atenta ao youkai, que havia acabado de estacionar o carro na garagem privada da família de Rin.

- O que você ganha com isso? – perguntou ela diretamente, chocando-o levemente – Qual a diferença que isso faz?

Visivelmente impressionado, Yoshiaki voltou seu corpo para trás para observá-la melhor.

- Eu me preocupo com seu bem-estar, Srta. Rin – respondeu de uma vez, mas ela só assentiu levemente e abriu a porta do carro sozinha. Quando o Yoshiaki percebeu, logo a seguiu pelo estacionamento até o elevador. Carregando sua bolsa e vestida ainda no uniforme escolar, Rin sequer prestou atenção que a sua blusa estava parcialmente aberta. Seus seios parcialmente desnudos pareciam não incomodá-la.

- Então é só você – falou baixinho, entrando no elevador... e quando ele foi entrar junto, ela fez um sinal para que ele ficasse – Obrigada, e é só isso. Eu me viro a partir de agora. Pode ir embora.

Os olhos verdes do youkai não estavam acreditando no que via.

- Eu tinha receio que isso acontecesse – revelou ele, que impediu que as portas do elevador privado se fechassem automaticamente. Rin apenas observava o youkai, sem muitas reações, sem muitas surpresas – Eu sabia que uma hora seria demais. Conheço o mundo, conheço as mulheres, conheço a sensação de quando alguém não aguenta mais. Vim da guerra, Srta. Rin, conheço esse cheiro.

Mas ela apenas o encarou friamente.

- Você só é um youkai que segue ordens de outro youkai – começou ela sem se importar realmente com o efeito de suas palavras – Assim como seguia as ordens de Hatsuomo, mas sua lealdade estava ao lado dos Taisho. Como posso acreditar que suas palavras significam algo, sendo que seus ideais são distorcidos? Nem precisa perder seu tempo me explicando, não quero escutar, saber, entender ou compreender o lado de ninguém.

E ela apertou o botão de fechar as portas quando percebeu que o youkai havia retirado o braço que impedia as portas de se fecharem. E logo Rin deixou Yoshiaki para trás, com seus olhos verdes brilhando estranhamente, o que disfarçava o que ele realmente pensava. E não importava mais.

Só notou que ele retirou o celular do bolso do sobretudo antes que as portas fechassem completamente. Ela abriu sua bolsa e alcançou o celular, e assim que as portas se abriram diante do hall de entrada do luxuoso apartamento, notou o silêncio daquele lugar. Não havia ninguém em casa.

Nunca houve, se fosse pensar bem em toda a sua vida.

Retirou os sapatos assim que entrou, deixando suas coisas no chão do hall de entrada. Ainda segurando o celular, Rin se dirigiu até a varanda da sala de visitas e admirou a paisagem noturna da baía de Tóquio. Morava no trigésimo quarto andar de um prédio de alto-padrão. Abriu as janelas de vidro da varanda, que foi um adicional por causa do vento forte que soprava dentro do apartamento. Logo, sem pensar duas vezes, Rin jogou o celular de lá de cima.

Olhou a queda do aparelho em um piscar de olhos.

Voltou para dentro daquela escuridão silenciosa.

Retirou o laço bagunçado do cabelo, arrancou a correntinha de proteção e os jogou em cima da mesa de centro. Descalça, Rin retirou todas as joias que usava, assim como a parte de cima do uniforme escolar, mostrando seus seios envoltos de um sutiã branco.

Olhou para a imensidão ao seu redor.

Nada.

Era inversamente proporcional ao que acontecia dentro de sua mente. Um turbilhão de pensamentos a atingia de tal forma, que era até difícil organizá-los. Mas imagem de Sesshoumaru a deixando só depois de tudo que ela falou, não saía de sua cabeça. Ela só conseguia repetir a cena todas as vezes que a mesma acabava. Rin admitia que nunca havia se sentido tão bem quanto aquele momento que teve com ele, e isso a fez com que todos os segredos que mantinha dentro de si saíssem facilmente, sem filtro.

E o que ele fez?

Gozou, e foi embora.

Colocou suas roupas rapidamente e a deixou sem sequer falar nada.

Uma lágrima deslizou por sua bochecha. Ninguém veria nada. Estava escuro demais para ela mesma se encarar no espelho. Parada semi-nua no meio da sala de visitas, ela só conseguia reviver toda aquela tarde em seus pensamentos. Uma outra lágrima deslizou por suas bochechas.

Havia falado que o amava desde o momento que o viu pela primeira vez.

Havia falado que era difícil controlar suas emoções perto dele.

Havia falado que nunca se sentiu tão feliz em toda sua vida enquanto estava em seus braços, sentindo seu toque, seu beijo, suas carícias.

Rin se expôs, desnudou-se diante de alguém que ela acreditou, pelo menos naquela tarde, que a amava. O jeito que ele a tocava era diferente do Hatsuomo, mas o jeito que ele a deixou foi talvez pior do que tudo que poderia imaginar vindo dele. Ela abriu um sorriso entremeado de lágrimas. Era a sensação de ter e perder, tão rápido que nem sequer cogitou a hipótese de tudo aquilo fosse falso.

E parecia que essa seria a sua maldição.

Ter algo que nunca poderia ter.

Foi maldosa com a sua melhor amiga porque sentia inveja de tudo aquilo que ela vivia, e Rin não. Ritsuko tinha uma família que a amava, dinheiro para entrar em qualquer aventura no mundo, um noivo que pertencia somente à ela, e um futuro promissor diante de si.

- O que eu tenho para mim? – perguntou-se baixinho na escuridão.

A pior resposta era a que ela já sabia.

O seu dinheiro estava preso, sua liberdade foi concedida à um youkai que a não amava de volta e nem pretendia vê-la como ela o via. Tinha uma família que nem merecia esse nome. A única pessoa que mostrou-se preocupada era justamente um youkai pago para se preocupar com ela. Soltou uma risada sem nenhuma graça, sentindo o sabor levemente salgado de suas lágrimas.

Foi quando percebeu algo que já sabia, mas tinha medo de encarar.

Rin já não tinha o controle de sua vida, suas escolhas e suas emoções. Todo o seu esforço para manter tudo debaixo do tapete, escondido do seu consciente, era para manter uma sensação de fortaleza para, talvez, dar-lhe forças para se reerguer.

Nunca havia se sentido tão solitária em toda sua vida.

Esse pensamento fez com que ela finalmente soluçasse, ecoando seu choro naquele apartamento gigantesco, escuro e vazio. Era uma metáfora de como a sua vida era. Poderia chorar o quanto fosse, ninguém iria até ela.

Ninguém. Independente de quanto ela chorasse, permaneceria sozinha.

Repassou a cena dele a deixando sozinha no quarto pela milésima vez.

Não conseguia deixar de ter a sensação de que havia sido usada mais uma vez por um youkai que sequer se importava com quem ela era, com o que ela significava, com o que passava em seus pensamentos.

- Mas quem se importa realmente? – perguntou novamente, baixinho.

Seus passos ecoavam pelo ambiente.

Ninguém se importava.

Derrubou um vaso de porcelana por causa da escuridão, cortando seus pés aos pisar nos cacos afiados que ela não conseguia ver. Sentou-se em uma poltrona calmamente, e acendeu ao abajur mais próximo, iluminando a pele ensanguentada. Retirou um por um com a mão nua, cortando-a igualmente. Não doía tanto assim.

Com a pele manchada de sangue, e já sem cacos visíveis grudados em seus pés, Rin olhou por longos minutos para um enorme caco de porcelana no chão. Ele parecia ser mais afiado do que todos os outros. Era porcelana chinesa, da mais alta qualidade, uma faca de tão amolada quando quebrada. Pegou o caco com a mão que já sangrava, cortando-a novamente. Examinou o líquido vermelho-escuro deslizar pela porcelana branca assim que a enfiava em sua coxa. As gotas de sangue logo viraram um pequeno riacho que escorria até o sofá, manchando-o.

Repassou todas as vezes que achou que estava segura e feliz em sua mente, e sobre o quão rápido perdia tudo isso.

Afundou o caco de porcelana branca na outra coxa, enquanto a outra sangrava abundantemente.

Limpou o rosto por causa das lágrimas, sujando-o com sangue.

“- Desde quando você me ama, Rin? – perguntou ele enquanto beijava seu pescoço e massageava seus seios.

- Desde sempre – gemeu em meio ao prazer que ele lhe fornecia na cama, massageando seus mamilos e descendo os dedos até suas partes íntimas, fazendo-a gemer mais alto – Eu sempre te quis, sempre te amei. Toda vez que eu estava uma situação difícil, só pensar de você já me acalmava.

- Você saberia que iria me ter algum dia? – perguntou ele, insistindo nas carícias.

- Não – e gemeu novamente ˗ Mas eu tinha esperança, e aqui estou eu com você. Eu nunca pensei que poderia me sentir tão feliz mesmo com tanta coisa ruim acontecendo.

Ele tomou seus lábios novamente, retirando a própria roupa.

- E você? – perguntou ela à Sesshoumaru – Desde quando gosta de mim?

- Desde que te vi sozinha no... – mas ele parou.

- No...? – perguntou ela, mas ele a distraiu com mais carícias – Sesshoumaru, eu te amo tanto. Você é tão especial pra mim, e eu não sei explicar o porquê. Meu coração bate tão rápido. Fique comigo.”

As lágrimas voltaram a deslizar por suas bochechas.

E foi nesse momento que Rin gritou.

Jogou o abajur longe, estraçalhando-o em mil pedaços na parede, fazendo o ambiente voltar à escuridão. Rin gritou mais uma vez.

- EU NÃO AGUENTO MAIS! – berrou descontroladamente, chorando copiosamente.

Ela respirou fundo após chorar por alguns minutos.

Escutou a campainha da entrada particular do hall de entrada do prédio, lá no primeiro andar. Andou até a cozinha, o lugar que tinha o interfone. Seu sangue manchava todo o piso, deixando marcas por todos os lugares. Rin já se sentia um pouco tonta por causa da quantidade de sangue que havia perdido nesse meio tempo.

Era a polícia.

Alguém havia chamado a polícia?

Será que eram os vizinhos? Será que eles tinham escutado tudo?

- Sim? – perguntou pelo interfone, observando os dois homens através da câmera. Uma tontura lhe atingia fortemente, fazendo com que perdesse o foco por alguns segundos.

- Boa-noite, senhora – começou um deles – Recebemos uma ligação de um de seus vizinhos relatando que pode estar ocorrendo algo em seu apartamento. Gostaríamos de entrar e averiguar a situação, não tenha medo.

Rin já imaginava as fofocas que sairiam daquele seu surto.

Acendeu as luzes da sala e se deparou com uma cena assustadora.

Olhou para o seu próprio corpo pela primeira vez no claro.

- O que... – uma tontura tomou conta de sua consciência novamente - ...eu fiz?

Rin havia atingido a artéria da virilha, como notou assim que olhou para as coxas.

Ela não sabia que queria morrer, mas talvez seria essa a solução.

Com a visão embaçada, Rin abriu a gaveta da cozinha e retirou uma faca extremamente afiada. Uma faca de carne de caça.

Ela finalmente teria sua solução para tudo.


Notas Finais


CVV
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