História Sobre O Amor E Outras Artes - Taekook - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys (BTS), Jungkook, Kooktae, Lgbt, Taehyung, Taekook, Vkook
Visualizações 36
Palavras 2.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiee pessoal, vocês não sabem como eu queria liberar essa nova fic aaaaaaa

Esse plot foi inspirado é um momento pessoal, então muitas coisas aqui narradas são bem especiais e importantes para mim. Apesar disso eu modifiquei, é claro, muitas coisas pra se adaptar à história.

No entanto eu espero muito que cada um que leia se sinta tocado de alguma maneira, que de alguma forma vocês se conectem com a delicadeza da história.

Leiam com o coração aberto, eu não estou tentando ensinar nada, e desde já peço desculpas se em algum momento a história, de alguma forma, parecer insensível ou mal interpretada em determinadas situações.

Como eu disse, essa fanfic tem como base experiências pessoais. Eu sei que cada um vive de um jeito e portanto nenhuma forma de dor e como sana-la é inválido.

Boa leitura e sintam-se a vontade para me dizer o que acharam do capítulo <333

Capítulo 1 - Adeus sr. Fredericksen, adeus Ellie


[POV Jeongguk]

Meus músculos doem. Abro meus olhos e o teto acima da minha cabeça me diz que eu realmente acordei no mesmo ponto cinza. Permaneço deitado por mais alguns minutos, apenas existindo sobre a cama gelada. É quase como se meu corpo não estivesse sobre ela, a aquecendo. Nem mesmo meus lençóis reconhecem mais a minha existência, o quão deprimente me tornei?

Minha samambaia sobre o parapeito da janela parece ter mais vida que eu, sorrio desanimado com a constatação e me arrasto para fora da cama. Os raios do sol invadem o ambiente, e eu observo como a luz se modula em pequenas partículas até beijar carinhosamente o meu rosto. Estranhamente ela parece querer me fazer um afago, à sua maneira. 

Tudo está calmo e silencioso, tudo menos meu coração. Mais um dia em que ele me acordou acelerado, gaguejando num ritmo que me faz, as vezes, acreditar que ele possa errar de verdade suas batidas. Eu gostaria muito que essa sensação parasse. Ou que pelo menos que eu tivesse forças para arranca-la de mim, cuspi-la para fora de meu peito. É como ter um nó realmente apertado se fechando em torno de minha garganta. Tem sido sufocante viver dentro de mim.

Eu nem sempre fui assim, quebrado e monocromático. Meu peito nem sempre foi insalubre. Mas é difícil ser a mesma pessoa, quando parece que toda a felicidade do mundo foi roubada diante de seus olhos. Na verdade tudo era completamente diferente. Mas desde que mudei de cidade, e tudo aconteceu, tem sido realmente difícil para mim. Estar sozinho é tão diferente de se sentir sozinho, é tão amargamente diferente de se sentir solitário. Meu peito tornou-se tão vazio quanto um parque de diversões falido. Eu me sinto como um dos brinquedos, enferrujado, sem utilidade. O quão estilhaçada a alma de alguém tão jovem pode estar para que ela se sinta assim?

Os amigos tentam consola-lo, tentar reerguer você. Os colegas mandam suas mensagens civilizadas de apoio. Os estranhos apenas te olham de canto. Por que as vezes você está tão machucado que o seu sofrimento ultrapassa aquela nuance invisível, aquela fina tela do estágio final de proteção entre o perceptível e o que qualquer alma descente, mesmo e sobretudo as que nem mesmo te conhecem, pode ver. É nesse ponto que qualquer um perceberia que você é como uma aquarela que está sendo dissolvida. Uma aquarela que está chegando naquele estágio em que as cores são tão suaves que você começa a ter dificuldades de enxerga-las. É como tenho me sentido... como se eu estivesse desaparecendo.

Então eu penso que talvez o melhor mesmo seja me mudar de volta para os braços dos amigos, pra rua familiar onde um dia já brinquei de esconde-esconde. Voltar para os sorrisos de sempre, para o mesmo cheiro de café de dona Chungha, que mora no apartamento ao lado ao meu, na antiga casa aconchegante e cheia apenas de memórias felizes. Voltar para todos que deixei para trás e quem sabe com sorte, voltar para qualquer pedacinho meu que de alguma forma tenha sobrado com eles. Talvez na verdade seja sobretudo por isso que eu queira voltar. Para tentar me encontrar de novo. Apesar dessa vontade ter crescido desmedida em meu peito nas últimas semanas, sei que em parte o que ainda me prende aqui é o fato de não querer que todos me vejam assim.

Todos os dias eu reflito incontáveis vezes sobre isso e aquilo e todos os “se”. Talvez se eu tivesse batido o pé, se eu tivesse feito birra, se eu tivesse chorado falsamente por algumas horas, talvez principalmente se eles tivessem adiado... a mudança, a viagem. Talvez, e agora lhes digo meu último se, se eu e eles tivéssemos feito tudo isso... talvez toda dor pudesse ter sido adiada também. Me dado tempo para me despedir. Para dizer o último eu te amo. Plantar o último beijo, um mais carinhoso e atento e não apenas corriqueiro. Mas sei que é tolice pensar assim.

Meus pais viajaram. Já faz alguns meses que eles decidiram comemorar uma segunda lua de mel. A excitação de mamãe ainda reverbera em meus ouvidos, a risada dela pelo telefone, preenchendo meus poros e me fazendo involuntariamente admirar o som de sua voz. Aquela voz melodiosa e afável me dizendo como eles estavam realizando um sonho de adolescência. Eles, a propósito, decidiram viajar pelo mundo. Eles eram apaixonados como o casal de Up Altas Aventuras, e compartilhavam um sonho parecido, apesar de estarem conseguindo realiza-lo. Então os apelidei carinhosamente de Ellie e Sr. Fredricksen e os chamava assim quando falávamos por telefone. Um fio miúdo de alguma coisa que quase se parece com um sorriso se desenha na lateral da volta esquerda de meu lábio. Lembrar disso tudo me deixa nostálgico.

Mamãe era como um sopro de esperança para o mundo. Os conselhos mais sábios saiam daqueles lábios finos, os meus puxaram aos dela, aliais. A forma como ela te abraçava o faria se sentir como se fosse a pedra mais preciosa de toda a joalheria, mesmo e sobretudo se você não estivesse lapidado, ainda. Os cabelos negros sedosos que banhavam seus ombros desenhavam nela uma figura bonita além de qualquer descrição que eu posso fazer. E a maneira como eu amava até mesmo suas linhas de expressão me fazem pensar como nenhuma outra mulher poderia um dia chegar a se tornar como ela em meio peito.

Dotada de um humor genuíno e sagaz, ela era meio louquinha as vezes, e puxa! Eu amava mesmo isso, e tantas outras coisas nela. E apesar de sua comida ser horrível, eu e papai sorriamos com todos os dentes, depois de provarmos um de seus pratos. Por que ela se esforçava e amava dedicar aquela habilidade aos “dois homens de minha vida”, como ela costumava dizer. Simplesmente não tem como cuspir na inciativa de uma pessoa que deliberadamente sente prazer em perder o seu tempo tentando dar um presente genuíno à você. Essas coisas, elas não se fazem entende? Então sorriamos, e comíamos tudo verdadeiramente agradecidos.

Papai sempre foi meu melhor amigo, sempre confidentes e invejavelmente companheiros. Ao contrário de mamãe ele era mais calado, e as vezes bastava piscar seus lindos cílios escuros para mim e eu entenderia o que ele queria dizer. Lembro-me de uma vez, no meu aniversário de 18 anos, depois de beber demais, cometer a grande burrada de tentar realizar um dos meus 10 desejos secretos, de uma lista idiota qualquer que criei de forma sonhadora. Escolhi o nº 1 da lista. Fazer uma dedicatória ao amor, isso mesmo, não de amor e sim ao amor. Ou seja, para ninguém específico, apenas por fazer, de forma artística é claro. O vigésimo batalhão fazia ronda, e depois de me assistir desenhar um coração idiota, meio torto, com uma frase dentro na parede de uma ruela comercial, as sirenes tocaram, eu tropecei em minhas pernas bêbadas e fui pego. Foi meu primeiro e único ato infracional em 22 anos de vida, mas não se confunda, eu não me orgulho. Mas só por que fui pego.

Eu poderia ter ligado para Hoseok, que insistiu apenas um bilhão de vezes para me deixar em casa depois que saímos do bar. Mas sabia como ele se sentiria culpado por não ter cuidado de mim até a última fração de segundo. Então liguei pro meu pai. Ele irradiava na delegacia, mas só agora percebo isso. O meu herói, entrou pelas portas, de bochechas vermelhas, maxilar cerrado, os olhos escuros como os meus, me davam um recado claro de como ele estava furioso. Eu não liguei, estava bêbado e feliz. Pois havia passado uma noite muito feliz com amigos especiais, e havia realizado meu desejo nº 1 da lista, eu era jovem e inalcançável. Tolo eu sei, mas era assim que eu me sentia, invencível, cheio de cores, desejos e tudo quanto se pode ter de bom dentro de um peito sonhador e criativo.

Eu puxei todas essas qualidades deles dois, entende? Eles plantaram tantas sementes em mim. Eu me sentia como uma estufa, cheia de preciosas mudas. E eu as cultivava bem, eles estavam realmente fazendo um excelente trabalho. Éramos o trio perfeito, quase inabaláveis. E não por que não cometíamos erros, ou porque vivíamos como nos filmes dos comerciais perfeitos da TV. Mas porque depois de uma briga séria, depois de gritarmos, e chorarmos, sentávamos os três no chão da sala, arrependidos de termos ultrapassado algumas linhas e pedíamos desculpas. Éramos o trio perfeito porque depois de eu fazer uma burrada adolescente, ou uma merda qualquer depois dos 18, eu recebia uma bronca colossal, as vezes até um castigo, mas ele estava sempre lá, o diálogo, o porquê disso e o porquê daquilo sempre na mesa. E no fundo eu sabia que merecia as vezes. No fundo eu sabia que mesmo e sobretudo quando necessário, doía também neles, talvez... principalmente neles.

Equilíbrio sempre foi nosso segredo e diálogo nosso pilar. Amor era tudo o que recobria, preenchia, inundava e fortalecia, era nossa força motriz.

Muito bem, eu falava da viagem. Eles viajaram, e tudo era novo e lindo e eles me mandavam fotos, vídeos, ligações de madrugada por que mamãe era empolgada demais para simplesmente esperar. Ela tinha todo esse sentimento, essa euforia quase infantil, esse friozinho gostoso na barriga e então ela não se controlava. Me ligava para dizer como Nova York era mesmo imensa e brilhante. Ou então para me contar como tinha visto um vulcão de verdade, montado em um elefante, e usado um Sari na Índia. E tudo parecia perfeito. Tudo estava perfeito.

Era só mais uma madrugada, o telefone tocou, acordei e meus lábios instantaneamente se modularam num sorriso doce, atendi sem nem mesmo olhar direto para a tela e uma voz masculina que não era de meu pai preencheu meus ouvidos me fazendo ficar em alerta – “Olá, gostaria de falar com o Sr. Jeon Jungkook por favor” – e então depois de desligar o telefone eu chorei por 3 dias seguidos, trancado no quarto. Logo depois os jornais noticiavam sem parar a queda do avião com destino a Espanha, e por isso eu quebrei a TV naquela noite. Mas principalmente eu, eu fui o mais quebrado daquele dia em diante. Eu tinha certeza que aquele avião havia caído em cima da estufa gigante de vidro que meus pais haviam construído. Eu tinha certeza que todas a mudas haviam se perdido.

Eu sou filho único, e desde aquela ligação meu peito pesa por nunca ter pedido um irmão mais novo. Quase todas as crianças fazem isso, eu não. Eu sempre gostei de sermos só nós três. Fui bobo e ignorei a possibilidade que em algum momento a vida pudesse ser traiçoeira e decidisse que não seriamos mais um trio. E foi assim que Up Altas Aventuras terminou pra mim, mas dessa vez Sr. Fredericksen não permitiu que Ellie fosse sozinha, então eu perdi os dois.

Depois disso mergulhei tão profundamente num oceano perigoso demais para velejar num barquinho de papel, que até me esqueci completamente que a vida continuava a seguir ao meu redor, isso tudo enquanto eu lutava para não me afogar. O paraíso das cachoeiras não deixaria de existir por que Ellie e Sr. Fredricksen se foram. Mas que se dane, eu tinha o direito de chorar a minha dor e senti-la submergir em mim afiada e feroz, era a minha dor afinal. Ninguém viveria ela por mim, ninguém lutaria com ela por mim e as cicatrizes que precisavam ser feitas seria eu, sozinho, que teria que sara-las. Mas curiosamente eu estou falhando. Então talvez eu esteja errado em algum destes argumentos. Pois eu estou miseravelmente falhando.

Eu tenho medo do que me tornei em tão pouco tempo. Tenho medo pois perdi completamente quem sou e eu convivi quase a minha vida inteira com essa outra versão de mim que se foi... que foi roubada de mim. Não é fácil se adaptar e talvez eu nem deva, afinal esse novo Jeongguk machuca, machuca muito.

Olho para o relógio na parede, eu estaria atrasado pro trabalho, mas uma semana depois do que aconteceu eu pedi demissão. Eu teria trancado a faculdade também, Jimin hyung disse que cometeria um crime, então eu fiquei. A verdade é que já faltei tantas aulas que acho que já fui desligado, então talvez não faça diferença. Mas Jimin, e Hoseok hyung não sabem disso, é claro. Eu sinto falta deles, meus amigos, e sinto falta de mim... e eu sei que eles também sentem.

Estou tentando, eu juro, mas as vezes o ar de meus pulmões parece estar me intoxicando, eu nem mesmo sinto mais o sabor da minha comida predileta. Eles me incentivam a procurar ajuda, mas eu me sinto sugado para direção oposta da luz, e nunca consigo. Uma vez eu cheguei a agendar um horário, mas faltei a consulta. Então deixei por isso mesmo. E tem sido assim, lentamente fui me esvaindo de mim, deixando que a minha seiva natural fosse embora.

Mas sinceramente estou tão cansado de tudo e principalmente de mim. Eu queria ter forças para melhorar e enxergar as cores de novo. Gostaria tanto de voltar a sentir o gosto das coisas, de sentir meu peito se aquecer, mas principalmente sinto falta de dançar. Talvez isso seja o que mais tem me machucado. Dançar era a coisa que mais me fazia feliz depois de meus pais. Por isso eu sei que só vou conseguir me sentir feliz de novo, por inteiro, do corpo até a alma, quando meu corpo puder dançar de novo. Quando este dia chegar, eu saberei que estou bem de novo.


Notas Finais


Espero que tenham chegado até aqui hahaha

Gostaram do capítulo? Me perdoem por qualquer erro de escrita, eu sou desatenta e posso ter deixado um detalhe ou outro passar.

Me digam o que acharam da narração, vocês já passaram por um situação dolorosa assim? Espero que não!

Não se preocupem, apesar da melancolia desse primeiro momento, coisa boas virão ;)

Fiquem bem e até o próximo capítulo 💜

•••


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