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História Sobre Tentativas e Entendimentos - Capítulo 1


Escrita por: e peachaewon


Notas do Autor


Olá pessoal, como estão? Esta é minha primeira estória junto da família do TXThouse e eu realmente fico muito feliz com isso! Eu espero que gostem desta estória, que tem um estilo bem diferente do que eu costumo fazer, enfim, obrigada desde já a todos e claro, muito amor ao TXThouse <3'

Capítulo 1 - Capítulo Único


"A dor percorria pelo corpo de Choi Beomgyu, seus olhos estavam ardentes, doíam e pareciam tão intensos quanto o vermelho que os circulava. Era mil oitocentos e quinze, provavelmente em um dos primeiros dias do sétimo mês — este que era Julho — quando o garoto de aparência infantil, que tinha aproximadamente quinze anos passava pelo pôr do sol desesperadamente, com sentimentos amargos e sentimentos cheios irregularidades, parecia totalmente miserável em meio ao choro, estava mais miserável que suas vestes descoloridas seguidas por um cabelo castanhos claro cheio de cachinhos. Todavia Beomgyu continuava correndo, com lágrimas ardentes escorrendo sobre seu rosto. Precisava achar Choi Yeonjun, por Deus, realmente precisava tanto, o jovem havia sido preso novamente. Yeonjun não era uma pessoa ruim, o Choi mais novo nunca desistiu do outro pois sempre soube disso. Mas, o fato é que o mais velho viera e se tornar uma pessoa teimosa, não o julgue, por favor, não faça isso com ele, seus sonhos que haviam se concretizado em ser alguém de orgulho o fizeram desabar. Seus pais haviam falecido, e neste momento, passaria com seu irmão mais velho, Choi Tae Hyung. Mas como poderia continuar vivo se naquele momento, Paris estava tão dividida em meio a política e a ações junto de guerras perdidas por grandes combates? Como poderia continuar vivo se seu irmão estava lhe entregando prática tudo que possuía? Como poderia?

Yeonjun foi preso por roubar pães e mel, por invadir um pequeno pomar e por acima de tudo, tentar continuar vivo numa pátria onde para todos, a vida de um adolescente não valeria nada se ele não trouxesse dinheiro a uma indústria — algo envolvendo capitalismo, pois dentro da prisão, o Choi mais velho teve a sorte de aprender a ler por conta de certos trabalhos — certamente havia sido em medidas de força, talvez com pouco entendimento, mas pode entender. Teve de fazer inúmeros trabalhos, e foi um bom trabalhador, teria dinheiro para mais tarde. Mas era impulsivo, queria liberdade. Havia cometido tão pouco em relação a pessoas de cargos altos. Por que o condenavam como se fosse tão culpado? Por que o olhavam com repudia? Gostaria certamente de chorar, perder todas as forças que tentou manter, estava doendo muito e consequentemente, continuaria doendo, pois Yeonjun apenas pensava em TaeHyung — em como seu irmão o protegia, o quanto constantemente dava tudo de si para fazer com que o caçula saísse de tal lugar rapidamente —  e claramente, em Choi Beomgyu — seu único amigo, — que sequer imaginou que iniciaria uma amizade, pois bem… O outro tinha situações bem melhores, sua mãe trazia boas rendas de um comércio pequeno e seu pai, fazia parte de um cargo pequeno na prefeitura, mas certamente, já era o bastante para um bom reembolsamento. Era totalmente diferente de Yeonjun, mas assim que se encontraram num lugar público pela primeira vez, em meio a uma feira aberta, discutiram sobre temas e até mesmo sobre às peças que aconteciam em tal dia. Ambos tinham apenas quatorze anos, mas pareceram entender perfeitamente que constantemente, fariam de tudo um pelo outro, assim como vice-versa. E até mesmo, passaram a possuir sentimentos inexplicáveis, até mesmo para ambos. Gostavam dos beijos que trocavam, talvez não mais que isso naquele momento, mas o coração de ambos batiam tão fortemente, que sequer poderiam expressar e muito menos negarem que algo estava acontecendo e era muito curioso, porque sua sociedade jamais aceitaria isso, então deveria continuar sendo algo escondido, certo? Mas quem Yeonjun queria enganar? Ele não ligava para a sociedade, queria deixar isso claro. Mas Beomgyu ligava, a sociedade o via todo dia, não teria coragem. E o mais velho realmente não o julgava, imaginava o quão difícil era, mas não podia concordar. Então fugiu, mas foi pego e fugiu novamente, mas não pode deixar de ser pego novamente e o ciclo se completava, com anos de pena sendo acrescentados aos dois anteriores e com mais trabalhos sendo inseridos, com mais problemas econômicos para Tae Hyung e para mais tempo de espera de Beomgyu. É, ele realmente estava disposto a esperar Yeonjun, ele era importante, realmente impressionantemente importante e o outro verdadeiramente estaria disposto para tudo. Mas, sentia orgulho do mais velho, pois constantemente por onde fugia, era notícia em jornais, pois deixava toda sua essência e seus pensamentos por ali, mesmo que todos os julgassem.

Mas, foi por uma dessas fugas que o Choi mais jovem se sentiu desesperado, Yeonjun não foi encontrado e não o procurou, sequer procurou Tae Hyung. Não acharam evidência nenhuma após uma semana. Constantemente, sentiu seu corpo cheio de amargor e veio a trabalhar na lembrança de todos os lugares que seu amigo gostava de conviver. Foi em parques, armazéns, feiras como a que se encontraram pela primeira vez e nada achou. Não poderia contar com ninguém para isso, e estava verdadeiramente amedrontado, e apenas chorou mais um pouquinho, não conseguiu evitar

Porém, com sua súbita memória, passou a lembrar-se do galpão pequeno — numa rua que esbanjava lonjura de onde o mais jovem morava, além de possuir apenas um cômodo. O jovem apostava que era uma antiga loja ou uma moradia de alguém solteiro — que ficava junto do garoto mais alto. Era um modo de ter um mundinho apenas para ambos, onde pudessem construir tudo sozinhos e com uma felicidade sem interrupções. Era o mundinho de ambos e não deixariam isso de lado, independente de acontecimentos prejudiciais, prometeram entre si que continuariam ali, e por isso o pequeno correu para lá, pois Yeonjun não mentiria sobre algo, ele nunca quebrou uma promessa, não quebraria agora, e Gyu tinha certeza disto. E por isso caminhou para lá, numa madrugada qualquer, donde fugiu pela janela de seu quarto espaçoso, com um sorrisinho amarelo. Precisava achá-lo imediatamente. Acelerou o passo conforme ia se distanciando do próprio lar, não precisaria se resguardar naquele momento. E realmente, assim que abriu a porta, com um empurrão usual, achou o amigo. 

Com um corpo jogado pelo chão e com ferimentos em todo o corpo. Se espantou, não pode nem ao menos reconhecer todo o acontecimento, Yeonjun estava morto e sequer soube como tudo aquilo aconteceu. E o sentimento percorreu de um modo muito mais doloroso do que imaginou."

17 de Janeiro, 2020, Seoul, Coréia do Sul

— Yeonjun! — gritou, e o quarto e o quarto ecoou, Beomgyu apenas sentiu-se perdido, algo estava errado, os acontecimentos não eram premeditados.

— Hyung! — seu companheiro de quarto, um estudante do primeiro anos do ensino médio o chamou, sua voz demonstrava preguiça, principalmente pelo tom manhoso, mas aquele bebê gigante carregava um semblante de preocupação e parecia estar pronto para ajudar, e Beomgyu precisava tanto disso! — Está sonhando novamente com aquilo?

O mais velho suspirou pesado, acreditava que novamente iria despejar tudo meio às costas do dongsaeng, e se sentia realmente culpado. Provavelmente era de madrugada, e sentiu-se um pouco culpada. Hueningkai — que para si era apenas Kai ou Ning — era realmente um anjo, se disponibilizava para tudo, e por mais que não quisesse incomodar novamente, precisava dizer, precisava apenas conversar. Era necessário para se falar de Yeonjun, em todos os acontecimentos, de todos os sonhos que o levavam para uma realidade tão estranha, tudo parecia tão real que até mesmo sentiu-se louco e ignorante por vezes. Eram sonhos afinal, então por qual razão sentia que deveria salvar Yeonjun de tudo? Cuidar de si como algo tão precioso? Sequer o conhecia, era algo de seus devaneios, mas seu coração e sua mente não pareciam entender isso, porque por mais que quisesse apagar tudo relacionado ao garoto de rosto tão belos, olhos brilhantes e tamanha coragem para enfrentar tudo, toda vez que lembrava-se do fim do mesmo, não conseguia esquecê-lo, era simplesmente muito preocupante, não conseguiria vê-lo do mesmo modo, como apenas algo criado por sua mente.

— Eu sonhei de novo com Choi Yeonjun. E novamente estávamos em outro lugar, Ning! — pausou rapidamente, tomando as palavras certas para si próprio — Já o terceiro sonho, saeng! Pode parecer pouco, eu realmente sei, mas está me invadindo de modo que eu não sei contradizer, de repente, eu quero salvar algo que vem de minha mente, algo que não existe. Eu estou ficando louco em relação a isso, Kai! — soltou um ar em sinal de nervosismo, enquanto o mais jovem soltou um sinal com um assentir de cabeça para que o outro desse prosseguimento — No primeiro sonho, tudo foi mais estranho, era como um verdadeiro pesadelo. Eu estava em uma era medieval, algo que envolvesse reinos, sequer pude entender onde eu estava, na verdade, eu acho não cheguei a poder entender tudo que estava alí. Eu acredito que eu ajudava em algo qualquer, e Yeonjun vivia em uma realidade superior a minha aparentemente. M-mas…, nossa proximidade era intensa e constantemente, ele desafiava às pessoas, às leis necessárias, mesmo com grandes problemas envolvendo isso, ele nunca deixava de esclarecer o que desafiava. Continuou assim até o próximo sonho, onde estávamos na segunda guerra mundial, ou algo parecido. Não sei que tipo de conexão tínhamos, mas terminamos juntos em meio a trabalhos que eram necessários, sequer sei o que aconteceu.

Hueningkai por sua vez, pareceu entender a deixou a intenção de dizer algo de lado, e apenas abraçou o mais velho, murmurando que ficaria tudo bem enquanto sua respiração estava afobada. O mais novo também teve sonhos como o do Choi por várias vezes, com o mesmo garoto, e tudo aquilo parecia perturbar ambos.

— Hyung! Durma um pouco, escute alguma música que lhe acalme, ainda é de madrugada, qualquer coisinha, grite novamente, pois eu estou aqui. — Sorriu genuinamente, tentando passar um conforto — Uma hora tudo isso irá passar hyung, tenho certeza!

— Eu juro que vou tentar Kai, juro mesmo! — suspirou pesadamente, com o rostinho ainda coberto por lágrimas finas e pouco vistas por conta da luz apagada — Obrigado por me aguentar independente de tudo! Eu sou tão grato…

— Não agradeça Beomgyu, por favor, você sabe que eu não me importo com isso, eu apenas quero você bem… — iniciou um abraço e logo após, afastou-se para que o outro pudesse voltar a dormir e relaxar, pelo menos um pouco mais.

[...]

Choi Beomgyu encontrava-se encolhido em meio a sua cama, enquanto abraçava uma almofada, e escutava uma melodiosa música com seu fone de ouvido que estava conectado ao seu aparelho celular, "Skinny Love" o fazia chorar, mas naquele momento, o garoto encontrava-se apenas concentrado no som e olhava para o teto, enquanto encolhia ainda mais o pequeno corpo, naquele momento apenas estava pensando sobre os sonhos, em Choi Beomgyu e no modo em que constantemente o perdia. Tinha medo de dormir e logo ver novamente o corpo perdido em algum lugar, não respirando, não tendo sua liberdade. Se sentia louco, era algo de sua imaginação, mas estava afetando-o mais que o imaginado e queria se livrar de tudo aquilo, mas realmente não poderia. Seus olhos se fecharam pouco depois, e Beomgyu tentou não se sentir culpado e com medo, mas realmente, foi inevitável.

O choi sentiu pequenos toques em suas costas, entretanto, apenas resmungou, se debruçando a cama e mesmo que estivesse cansado e "meio acordado, meio dormindo", o Choi escutou a voz aguda do colega de quarto gritando por seu nome, poderia jurar que ficaria surdo se não demonstrasse que já estava acordado. Franziu seu cenho e deu um pequeno sorriso, bastante forçado no entanto, demorando um pouco para abrir seus olhos. 

— Hey, por que tão cedo? — perguntou o mais velho ainda sonolento, que cambaleou para fora da cama, tentando alcançar o pequeno banheiro de ambos.

— Hey, tão cedo porque você não acordava pelo despertador. Já são sete e meia hyung! Eu acordei a praticamente meia hora e já fiz tudo que é necessário e você não acordava. Sonhou com aquilo novamente? Está tudo bem? — seu tom era preocupado e Beomgyu achou até mesmo fofo, entretanto, não prestou muita atenção pois deveria arrumar-se em meus hora.

— Não Ning, está tudo bem! Não sonhei novamente, escutei músicas, me acalmaram, eu realmente estou bem. Não se preocupe dongsaeng! — sorriu gentil, antes de fechar a porta e iniciar seu banho, novamente se perdendo nós pensamentos sobre os sonhos e sobre o garoto desconhecido.

[...]

Chegando um pouco atrasado na aula, o Choi teve que pedir autorização para a sua entrada, com sorte, foi autorizado por ser a primeira vez, e agradeceu internamente por isso, entrando rapidamente e curvando-se num ato de respeito e também, num pedido de desculpas. Correu para a terceira carteira da segunda fileira e iniciou as primeiras atividades, e realmente, odiava não ter Hueningkai consigo, a presença dos outros alunos não o deixavam tão confortável, e sabia que com o mais jovem era a mesma coisa — com exceção de que tinha Kang Taehyun consigo, um garoto realmente muito gentil e o Choi ficava aliviado por seu dongsaeng ter alguém como ele ao seu redor. Logo em seguida, retirou seus materiais e passou a anotar a lição explicada.

Anotando tudo com atenção e com uma caligrafia caprichada, Beomgyu se permitiu dar um breve descanso, tomando um pouco de água e logo em seguida, respirando fundo. Sua cabeça novamente se encheu com as ideias e às lembranças dos sonhos constantes com o garoto de cabelos azulados. Passou as mãos pelo rosto, tentando se livrar daquela péssima sensação de perda e culpa, não sabia o que fazer. Levantou-se, pedindo para ir ao banheiro, mesmo que não fosse necessário, e assim que permitido, correu para o corredor principal do andar baixo, passeando pelas escadas e então, chegou aos banheiros, passando água pelo rosto e tentando afastar os pensamentos ruins e às imagens que insistiam em passar por seus pensamentos.

Beomgyu sentiu uma presença, ignorando inicialmente, entretanto, uma dor de cabeça junto de um friozinho inesperado invadiu seu corpo, passou mais água na face, entretanto, um som perturbador foi até seus ouvidos, não conseguia entender nada e sentiu uma súbita fraqueza. Virando-se logo em seguida, numa tentativa de sair e voltar para a sala. Todavia, em sua frente, encontrou um garoto de cabelos azuis, seus olhos se arregalaram e a fraqueza pareceu pior.

— Yeonjun? — a frase de dúvida saiu exprimida, nada confortante e acima de tudo, com uma angústia que poderia ser percebida de longe.

E apenas isto saiu.

Seu corpo caiu e Beomgyu não conseguiu enxergar, sentir ou ouvir mais nada, tudo pareceu acabar e nada mais fez sentido.

Assim que o jovem abriu os olhos, pode reparar que ainda estava jogado sob o chão do banheiro, e provavelmente, sua expressão facial demonstrava sua frustração, mais um sonho, provavelmente pensou. Levantou-se devagarmente, ainda sentindo a súbita fraqueza, olhando de um lado para o outro, e bem… Certamente o banheiro não era o mesmo que estava anteriormente. Primeiro porque possuía menos cabines e consequentemente, era menor. Segundo porque possuía paredes inteiramente brancas, junto de um piso amadeirado totalmente escuro — Beomgyu se sentiu muito bobo ao lembrar de Branca de Neve e a comparação que faziam a seu cabelo momento tão importante — e bem, o piso de sua faculdade eram decorados, e suas paredes possuíam cores variadas e fortes. Então algo estava errado, e era bem pior que antes.

Juntando a pouca força e o raciocínio nada lógico do momento, Beomgyu ergueu-se e abriu a torneira que estava próxima, lavando o rosto e logo em seguida, o seu pulso, murmurando algumas palavras nada bonitas, jogando água em seus cabelos novamente, apertou seus fios e assim que ameaçou sair, pegando na maçaneta da porta de madeira cheia de desenhos, uma luz branca invadiu suas orbes coloridas, o menino sentiu seu corpo ser praticamente engolido, diferente de anteriormente, sentindo mais medo que anteriormente, e o grito que daria, simplesmente saiu mudo.

09 de setembro de 1999, Busan, Coréia do Sul

Beomgyu acordou com uma bela dor nas costas, reclamando da dor de cabeça e da súbita fraqueza de seu corpo. Abriu seus olhos devagarmente, olhando arredores. Não estava no banheiro da faculdade, também não estava em seu quarto e muito menos em algum lugar do campus. E Beomgyu soube que algo estava totalmente errado. Olhou para os lados e reparou que o quartinho que estava era pequeno, com uma aparência velha, com um tom cinza exuberante, além de uma cômoda pequena junto de uma penteadeira, e lógico, uma cama estranhamente confortável que fazia oposição a todas às outras características do local. Claramente não estava num hospital, e só pode pensar que havia sido sequestrado. Tentou levantar-se rapidamente, mas a fraqueza fez com que a dor fosse pior e quase caísse sobre o chão. Nada passava por sua mente, apenas que não estava no lugar certo e que deveria sair o mais rápido possível caso quisesse uma que tudo ficasse bem. Mas como o faria se nem suas próprias pernas o sustentavam?

— Hey! Socorro! — Gritou. Sabia que se realmente tivesse sido sequestrado, pedir socorro não seria de grande ajuda, mas estava desesperado, e talvez fosse a única solução — Há alguém aí? — Perguntou num tom um pouco mais baixo — Por favor!

E nada aconteceu. E os segundos pareciam séculos.

Beomgyu fechou os olhos, sua mente estava confusa, a todo momento pensava em tudo que estava acontecendo e sua cérebro apenas processava a palavra "por favor…" 

Até a porta fazer um barulho, o jovem se assustou com o acontecimento, e bom, se escondeu embaixo da coberta. Não adiantaria nada. Mas o raciocínio do Choi não era dos melhores, e ele certamente se odiaria por isso mais tarde, se é que teria mais tarde.

— Hey garotinho, acho que se esconder embaixo de uma coberta não vai ajudar muito! — um riso foi dado, era certamente bonitinho, mas o outro estremeceu ainda mais — Eu não vou fazer nada! Eu simplesmente te encontrei junto do seu amiguinho, hm...Hueningkai? Acredito que seja isso! Estavam jogados na frente do prédio, então simplesmente, junto de Taehyun e Soobin, outros garotos que ficam por aqui, nós trouxemos ambos para dentro. O que foi arriscado, a possibilidade de minha mãe me dar uma bronca mais tarde é literalmente assustadora, então não, eu realmente não vou fazer nada com você, caso esteja com medo ou simplesmente assustado com a situação.

— Hueningkai? Taehyun? Você está falando de Kang Taehyun? — perguntou saindo debaixo das cobertas, Ning e Taehyun alí seria a coisa mais estranha de todo o acontecimento. Realmente seria, isto se o jovem a sua frente não fosse Yeonjun. Não possuía cabelos de tons diferentes e vestia-se de modo casual, e nesse momento, o Choi mais nove abriu um perfeito "O" com a boca e certamente pediria para alguém lhe beliscar. 

— Conhece o Taehyun? Ele está junto do seu amigo, ele parece muito confuso, mais que você, para ser sincero. — Riu divertido das expressões do outro.

Mas o mais novo não respondeu, sua mente estava uma bagunça. Yeonjun estava em sua frente, não podia acreditar, era realmente ele. Como aquilo havia acontecido? Estava parado, literalmente havia dado um tipo de pane', preocupando o mais alto.

— Hey, você está bem? — disse um tanto incerto, chegando perto. Nenhuma resposta positiva. Aquele garoto era certamente estranho, mesmo que bonitinho. — Garotinho?

— Yeonjun, me belisca! — Pediu. Como nunca pediria por algo. Deveria perguntar "Onde eu estou?", mas não saiu como desejava.

— Como sabe meu nome? E como sabe o nome do Taehyun? — Ok, certamente o outro estava mais assustado do que Beomgyu, e até mesmo pensou que poderia conhecê-lo de algum lugar, mas sua memória não era realmente boa para ter certeza.

— Yeonjun, por favor, me belisca! — O pedido pareceu muito estranho, óbvio, mas poxa, o mais novo não sabia se manifestar diante disso.

— Meu Deus, você é realmente é doido! Eu não quero nem saber como me conhece. Por favor, descansa. Isso é muito esquisito! — De verdade, ele gostaria de ser menos grosseiro, mas era tão estranho que o tom do garoto de cabelo — já não — azulado saiu um tanto rude, deixando Beomgyu um pouquinho mal ouvindo isto.

— Não, por favor! Isso com certeza é um sonho! Eu só preciso entender! Você precisa me escutar Yeonjun. De verdade, eu não estou inventando nada, não fique bravo…

— Hey, me desculpe pela grosseria! Eu só acho o fato de você saber meu nome é também o de Taehyun muito esquisito, sequer nós conhecemos, mas se acalme, eu vou preparar algo para você e então nós conversamos! — Disse um pouco mais calmo após reparar o quanto o menor pareceu tristonho com sua fala anterior — Gosta de mingau de aveia? — Perguntou, sendo respondido por um assentir de cabeça — Certo, então vou trazer para você, junto de água e chamar os garotos que estavam comigo no momento que te encontrei junto de seu amigo para aqui, já volto, vai ser rápido!

E ele saiu do quarto, com certeza mais confuso que o outro e pensando que o destino claramente estava zombando de sua cara.

[...]

— Enfim, aqui está seu mingau de aveia — disse Yeonjun, abrindo a porta e entregando a comida para o mesmo — E de companhia, aqui temos Choi Soobin, também conhecido como Peter Choi, Choi Jisoo ou Julia Choi, também conhecida por nós como Lia e este é o Taehyun, que aparentemente você já conhece de algum modo, assim como eu, não é mesmo? — perguntou num tom divertido — Enfim, o que aconteceu e como você e seu amigo vieram parar aqui? 

— Sei que vai parecer doideira — suspirou fundo —  mas eu literalmente acho que me teletransportei de algum modo para cá, parece que foi cuspido de algum jeito, mas constantemente eu sonhava com Yeonjun e de onde eu vim, eu conhecia o Taehyun, assim como o Kai, que segundo vocês, está por aqui. Por favor, não riam, na verdade, eu só queria saber onde eu estou e ir embora!

— Espera! Você está dizendo que literalmente viajou até aqui de um jeito desconhecido e não sabe como isso aconteceu, além de conhecer o Yeonjun por sonhos e o Taehyun na sua realidade? — perguntou a única garota que estava alí, e o mais jovem assentiu receoso em receber julgamentos — De verdade, eu duvidaria disso se tanto você quanto seu amigo não estivessem com roupas tão estranhas e se ele não estivesse com um livro que na biografia diz que o lançamento é em dois mil e dois!

— E o que há de errado nisso, Julia? Digo, o lançamento, o que pode estar relacionado? — Perguntou ainda acanhado, recebendo um sorrisinho de todos que se encontravam no quarto.

— Estamos em mil novecentos e noventa e nove, garoto! Seria impossível que seu amigo fosse realmente daqui com um livro lançado depois disso, ou seja, de qualquer forma, vocês vieram de algum lugar e seria muito bom se você explicasse, porque Hueningkai sequer conseguiu abrir a boca! — dessa vez quem respondeu foi Soobin, com um sorriso doce no rosto, mas na verdade, aquilo deixou Beomgyu ainda mais chocado, ele havia falado com uma enorme naturalidade e ninguém pareceu surpreso com isto, tudo pareceu ainda mais sem explicação.

— Não! Isso só pode ser brincadeira, eu só posso estar sonhando, mesmo! Sério, não pode ser real…— tentou levantar-se, mas a fraqueza de seu corpo ainda era tamanha.

— Hey, fique deitado! Eu posso garantir que achar dois garotos jogados, com calças rasgadas e livros de estudos de dois mil e vinte não foi nada normal também, foi muito esquisito para nós, inclusive, mas tanto você quanto o outro garoto falaram praticamente a mesma coisa e ninguém iria aparecer aqui do nada, além disso, o tal Huening também disse que conhecia tanto a mim quanto o hyung, mas com "aparências diferentes" — fez aspas com os dedos — e ele também sequer consegue se levantar, teríamos outras opções a não ser acreditar que vocês não são daqui e algo está totalmente errado? Mas primeiramente, também precisamos entender tudo isso, apesar de achar que você  também não está entendendo muita coisa — respondeu Kang Taehyun.

— De qualquer maneira, durma um pouco...— iniciou Yeonjun, esperando uma resposta com o nome do outro

— Beomgyu… Choi Beomgyu! — respondeu — E de verdade, eu não vou conseguir dormir com tudo isso da minha cabeça, eu não sequer sei o que eu posso fazer e eu gostaria de saber onde está o Ning...Eu não posso nem dormir sem achar que do nada eu posso parar em algum lugar totalmente esquisito novamente! 

— Okay, Choi Beomgyu! Se acalme, coma o mingau e sobre Ning, você está se referindo ao seu amigo certo? — a pergunta foi respondida com um assentir — Ele está bem, atualmente dormindo, acho que ele ficou ainda pior que você, e meu Deus, ele dizia que namorava o Taehyun, mas agora, eu não dúvido de nada, para ser bem sincero.

— E não seria tão ruim se ele estivesse certo, ele parece gentil, de verdade! — o Kang respondeu, atraindo às risadas de todos os Choi's dentro do quarto, exceto de Gyu. Poxa, ele estava nervoso. Mas às risadas vieram principalmente de Jisu — Hey Lia! Não estou brincando.

— Tudo bem Taehyun, se acalme criança! Ele parece realmente gentil, mas agora nosso foco é Beomgyu — a gêmea de Soobin respondeu — Bom, amanhã eu espero que você possa ao menos levantar dessa cama e que nós possamos ter uma solução para vocês dois, por agora, descanse e se alimente e nós cuidaremos de você e do Kai! Vamos resolver isso, de algum modo, apesar de eu não saber como, e nem os garotos.

— Obrigado, mesmo! Vocês nem me conheciam e literalmente me pegaram de uma calçada, eu nem consigo explicar como isso tudo aconteceu, mas sou muito grato, de verdade!

— Não precisa agradecer, Beomgyu, nós vamos resolver! — Soobin, falou, levantando-se da cama sendo acompanhado pelos outros — Pegue o mingau e pode deixar o pote ao lado da cama, amanhã pegamos e também, te apresentaremos o prédio da mãe do Junnie e bem, trocar suas roupas porque sua calça rasgada não parece nada confortável e não é algo muito comum para nós — riu baixinho, mostrando suas covinhas, era uma pessoa fofa, apesar de ser gigante. — Vou desligar a luz para ficar melhor para você, caso queira, pode ligar seu abajur ao seu lado se você quiser! Fique bem.

— Boa noite, garotinho.

Aquela voz era inconfundível! E poxa, Beomgyu provavelmente nem conseguiria dormir direito pensando em tudo isso. Acendeu o abajur e comeu o que haviam lhe deixado, se forçando a dormir, nem que fosse um pouquinho, naquele momento, ainda que estivesse com dores no corpo e uma cabeça cheia de pensamentos confuso, tentando acreditar que sairia daquele pesadelo de algum jeito — que ainda não tinha pensado qual era, logicamente.

10 de setembro de 1999, Busan, Coréia do Sul

Quando acordou, Beomgyu reparou que além do quarto já estar um tanto arrumado, a tigela de mingau e o abajur também já estavam desligados. Mas não, não estava de volta ao seu quarto e muito menos tinha Hueningkai ao seu lado, e então, depois de um bom tempo concluiu que realmente não estava sonhando e que nada era loucura ou invenção de sua cabeça. Yeonjun existia, Taehyun era seu amigo e tanto si próprio quanto seu amigo haviam viajado no tempo de um jeito inexplicável. Concluindo a própria sentença de confusão e desentendimento, o Choi notou que já não possuía tantas dores após sentar-se na cama. Olhou os arredores e não notou nada de diferente, nenhuma luz branca e então forçou-se para se levantar — não sem antes suspirar fundo e tatear o próprio corpo em busca de algo que sequer sabia o que era — chegou perto da porta, um pouquinho desconfiado e abriu devagarmente, notando um longo corredor, e então saiu, fechou a porta com a maior delicadeza possível para evitar barulhos e se separou com algumas portas, óbvio, era um prédio afinal. Bateu em algumas portas, e foi recebido por pessoas com olhares feios, provavelmente era alguma hospedagem e estava muito cedo, teve que dizer "desculpa" várias vezes. Quando finalmente conseguiu abrir uma porta sem ouvir nenhum resmungo ou deparar-se com ela fechada, Beomgyu reparou estar num banheiro e pareceu ainda mais assustador a ironia de ele ser exatamente igual ao que havia visto no dia anterior. O Choi vasculhou o mesmo com o olhar e reparou que possuía a mesma pintura, o mesmo aspecto, as mesmas luzes baixas que passava uma aura melancólica e a mesma sensação de aperto. 

Assim que ouviu um barulho de torneira, resolveu que deveria fazer algo, e rápido, porque se alguma forma, com certeza não deveria estar ali e isto era certamente assustador. Andou pelas cabines e passou a mão por cada uma delas, suspirando fundo, mas foi logo em direção, antes olhando de lado a lado, encontrando o corpo de Hueningkai ali, sentado no chão frio perto de um grande espelho e… Hueningkai?

— Kai? Meu Deus, Ning! Eu nem acredito no que está acontecendo, você está realmente aqui. — o tom surpreso junto de alívio fez o mais velho basicamente correr até o maior e sentar-se ao seu lado para dar um abraço ainda mais caloroso do que qualquer outro que o mestiço já tenha recebido.

— Hyung, eu juro que estou tentando entender algo mas parece que minha cabeça apenas vai doer ainda mais. De verdade, eu gostaria de dizer que estou muito feliz em te ver, o que não é mentira, óbvio, mas eu não consigo entender como diabos Choi Yeonjun existe, como o Taehyun está aqui, de onde aqueles gêmeos surgiram e como eu vim parar em mil novecentos e noventa e nove com você após ter uma dor de cabeça horrível e ir para a secretaria. — Huening falou muito rápido, mas Beomgyu tentou compreender e então reparou na parte de dores de cabeça e teve uma sensação horrível de déjà vu.

— Ning, eu estou ainda mais confuso, eu tive uma dor de cabeça no banheiro na faculdade e senti meu corpo despencar na faculdade, como um desmaio, entende? Então logo depois, eu acredito que apareci nesse mesmo banheiro, e novamente, meu corpo perdeu a força e eu senti algo me puxando, não consigo definir mais nada, eu estou tão confuso quanto…

— Eu não lembro de nada hyung, nada mesmo e isso está me deixando agoniado porque eu apenas gostaria de ter o controle da sensação. — encostou o rosto no ombro do mais velho logo em seguida, como uma sensação de segurança

Um silêncio muito bem vindo se instalou, enquanto ambos se encaravam ou apenas olhavam o local. A amizade de ambos funcionava bem no clima de poucas palavras, era bom e muito mais confortante, principalmente num momento tão confuso para ambos.

— Kai… — Beomgyu quebrou o silêncio, um pouco confuso — O Yeonjun...Ele constantemente, não tinha um final bom nos meus sonhos, você acha que isso pode acontecer aqui? Digo, algo dar errado?

— Gyu hyung, eu realmente não tenho noção, isso é muito contraditório na minha cabeça, eu sequer consigo raciocinar com tudo com isso acontecendo, me desculpe mesmo 

— Não peça desculpas, está tudo bem, só... estou pensando algo e também estou preocupado, entende? — Hueningkai assentiu, porque realmente sabia, tinha a mesma sensação, talvez com um pouco de culpa também, apesar de não ter nenhuma, era estranho.

— Acho que entendo Junnie. Mas, também acho que você deve passar uma água no rosto e que devemos sair daqui rapidamente e procurar o pessoal e fazer algo, talvez para voltarmos...de onde viemos, sabe? — levantou-se, sentando na pia, esperando uma ação do outro

— Ning, eu não quero voltar, eu quero entender tudo que aconteceu, talvez poupar o Yeonjun de algo, sei que mal conheço ele, mas eu acho que eu deveria fazer algo — estava preocupado, era notável — Mas eu quero saber se você está disposto, porque se você não quiser, eu quero apenas o seu melhor, então eu quero que você escolha, dongsaeng.

— Você está deixando isto em minha mão? Poxa hyung, eu sinto que isso vai ser totalmente injusto… Mas eu ficaria com você, independente do que acontecesse, então estou disposto a ficar aqui, com você e entender tudo isso, e talvez salvar o Yeonjun de algo, se acontecer alguma coisa, eu realmente estou disposto a ficar, por você e pelo que for melhor para todos.

Beomgyu foi até a pia, lavou os olhos e simplesmente disse — É, eu realmente te amo muito, Ning. Obrigada por realmente me apoiar nisso. Se algo sair dos eixos, você me diz na hora e nós tentamos ir embora, de algum modo, vai ficar tudo bem... Eu prometo pra você, desde já. — mostrou o mindinho, e o mais novo cruzou o seu com o do mais velho, soltando um sorriso realmente verdadeiro, sentindo segurança naquele momento.

[...]

Encontrar as cinco pessoas foi certamente engraçado, todos pareceram notar o cansaço de ambos e fizeram questão de primeiramente, tomassem um bom café forte — que foi muito para Huening, já que costumava tomar apenas café acompanhado de leite — junto de um café da manhã farto, que costumava ser a refeição casual das pessoas que aparentemente habitavam no prédio. Segundo Jisu, o prédio era da família de Yeonjun, mas contava com a colaboração das famílias de Taehyun e dos gêmeos, fazendo com que as famílias morassem por lá e que o Choi mais velho, na maioria das vezes, ficava entre um dos devidos apartamentos dos amigos. Além de uma longa conversa, Taehyun e Soobin pensaram que deveria ser melhor emprestar roupas para os dois, e chegou a ser irônico para Beomgyu ter que usar as roupas de Taehyun e Kai usar as de Soobin, porque mesmo sendo mais jovem, o mestiço era praticamente gigante e ainda estava em fase de crescimento, certamente injusto para Beomgyu e com certeza os outros garotos pensavam da mesma forma, e era divertido pensar assim. Mas bem, era notável o quão incrível aqueles adolescentes eram, escutaram exatamente tudo que ambos falavam, desde os sonhos até a realidade que viviam, além dos acontecimentos que os fizeram estar alí, contaram exatamente tudo — com exceção das mortes de Yeonjun nos sonhos perturbadores que os dois tinham, aparentemente seus olhares se encontraram e decidiram que não era algo muito bom de se falar, não por agora, e talvez nem devessem fazer isso mais tarde. Óbvio, se fosse haver um mais tarde, algo que o Choi tinha muitas dúvidas e desconfianças. 

Diferentemente do dia anterior, às coisas pareciam muito mais claras, apesar de não haver uma explicação realmente bem dita para os "garotos do futuro" estarem por lá. Mas ainda sim, a companhia do pequeno grupo de amigos deixaram os dois mais calmos e mais dispostos a descobrir o que estava acontecendo e o que aconteceria mais frente, principalmente com Yeonjun. Era realmente estranho a preocupação que possuíam com ele, mesmo sendo praticamente um desconhecido.

Não foi novidade nenhuma ao perceberem que o dia já estava acabando, que o sol estava adormecendo e que também, a noite estava chegando. Haviam conversado sobre muita coisa, inclusive, sobre como voltariam, e apesar de não planejarem voltar, tentaram utilizar o melhor modo de atuação possível para parecerem concentrados, entretanto, houve um momento que Hueningkai não pode deixar de concentrar, inesperadamente, Taehyun disse:

— É incrível, o Kai está com Beomgyu hyung em todo momento... — riu divertidamente — Não imagino eles longe, nem numa viagem do tempo, isso é incrível!

Estavam juntos, ok, juntos em todos os acontecimentos...Mas e se não estivessem? Aquilo ficou na cabeça de Kai de um modo que não poderia tirar, e se não estivessem juntos? Não teriam o mesmo sonho? Ficaria tudo bem? Era complicado ter uma noção certa numa situação como essa, porque tudo ficaria muito melhor se eles não estivessem juntos, e com isso, Kai resolveu que deveria fazer algo, porque não poderia continuar desse modo, não era bom para ele, para Beomgyu também não e para Yeonjun era certamente perigoso.

[...]

Com os pés para fora e uma visão embaçada, Hueningkai estava ao lado de de Taehyun, após pedir para o mesmo o acompanhar até a porta do suposto hotel. Suspirou pesadamente, sentindo o corpo pesar como chumbo e parecer totalmente dolorido, enquanto o outro simplesmente o olhava confuso.

— O que vai fazer? — perguntou o Kang, com um tom bastante preocupado.

— Vou embora, Taehyun. Acho que isso pode resolver muitas coisas e eu só quero fugir dessa situação horrível, então eu tive que te chamar, porque eu não quero nem que o Beomgyu hyung saiba que eu estou indo, pois se algo não acontecer, eu juro que eu volto — por incrível que pareça, o tom era calmo, apesar do pesar na voz — Por favor, Taehyun! Você promete que não vai contar? Que vai deixar do modo que está?

— Mas, para onde você vai Hueningkai? Eu não posso prometer algo sem nem ao menos saber o que vai acontecer! — o tom ainda era carregado, e o estrangeiro apenas se sentiu ainda mais — Me diz, por favor! Assim, eu juro que não conto 

— Eu te conheço bem Taehyun, vejo que a personalidade não muda, você ainda tem brilho nos olhos e isso é incrível, além da sua preocupação totalmente genuína, mas eu não posso dizer para onde vou porque eu simplesmente não sei, eu literalmente estou com as roupas do Soobin e com o livro de dois mil e dois! — Kai estava certamente sendo carinhoso, tentando parecer menos preocupado e amedrontado possível, apesar de ser algo totalmente complicado. — Mas sério, por favor, me prometa que não irá contar algo para ninguém, principalmente para o Beomgyu, é apenas isso que eu quero pedir para você!

— Por favor, se cuida! Sério, eu juro que não vou contar nada, mas por agora, como você pretende esconder isso do Beomgyu? Digo, não tem uma razão… 

— Se der tudo certo, o Gyu hyung vai saber o que fazer, Taehyun, e como eu disse, se nada acontecer, eu vou voltar. Apenas cuide do Soobin e da Jisu, e por favor, cuide do Yeonjun também, é muito importante! — Respondeu, fungando algumas vezes. Era emocional demais, aquele tipo de despedida, pessoas que tinha lembranças. O clima certamente estava melancólico e Huening não estava pronto para isso.

E com um abraço afogado e roubado por Taehyun, Ning se despediu assim daquele que conhecia muito bem antes de chegar. O abraço foi aconchegante, o coração do mais alto batia forte e o Kang podia escutar muito bem, não segurando uma pequena lágrima e murmurando um pequeno “cuide deles e se cuide também”. Foram segundos, talvez até mais que um minuto para se separarem, Kai sentiu um gosto amargo na boca e Taehyun sequer poderia explicar o que estava acontecendo. E quando ele saiu por aquela rua escura e nada movimentada, ambos sabiam que o estrangeiro não voltaria, e acima de tudo, que aquele sentimento nunca seria esquecido, independente do que acontecesse em tal momento tão complicado. 

Hueningkai assentiu com a cabeça para si mesmo, indicando que deveria continuar andando e não andar para trás, não olhar Taehyun e muito menos pensar em Beomgyu. Se não estivessem juntos, estaria tudo certo e ele torcia que isso fosse um fato verdadeiro. Mexeu em seus cabelos e logo sentiu uma pontada na cabeça, então, passou a correr, não havia uma razão, apenas correu, e quando toda a dor percorreu por seu corpo e uma luz veio aos seus olhos e um barulho que se parecia com um ruído ecoou, Hueningkai derrubou o livro e sentiu-se ser engolido, sabendo que alí, talvez tudo pudesse acabar ou apenas ter outro destino. Mas naquele momento soube exatamente que já não estava interligado ao destino de Choi e estava aliviado, por acima de tudo, não passar por situações tão ruins junto à eles.

[...]

— Ning!? — Beomgyu falou do nada, enquanto jogava um jogo aleatório com Soobin — Soobin hyung, onde está o Kai? — Perguntou, não sabia a razão, mas perguntou.

— Não sei Beomgyu saeng, na última vez que vi, ele estava com Taehyun e conversou um pouco com a Jisu também, mas no total, eu realmente não sei onde ele está. Por quê? — Respondeu suavemente, mas parecia um pouco confuso.

— Estou com uma péssima sensação hyung, parece que algo está errado, principalmente com ele...Eu preciso encontrar o Kai. Você sabe onde ele está? — Perguntou, seu peito já ardia e não via uma razão para isso. — Algo está certamente errado...

— Na última vez que eu vi, ele estava descendo na escada, junto do Kai, aparentemente estavam conversando sobre algo sério, e para mim foi estranho, porque por mais que o Hueningkai tenha falado sobre o suposto namoro deles na realidade de vocês, por aqui, eles mal se conhecem. Eu também acredito que algo está errado, mas eu não sei o que é Beomgyu, realmente, você me deixou confuso agora — riu baixinho, mas parou assim que percebeu o estado de choque do outro — Beomgyu? Dongsaeng, está tudo bem? — e nada respondeu. 

Sentiu uma dor percorrer todo seu corpo, sua cabeça latejava e seus pensamentos se focaram totalmente no amigo, e então, caiu na realidade, Kai não estava mais lá e tudo estava igualzinho aos dias anteriores. Dor, cabeça latejante e problemas que não conseguiria resolver mas achava que poderia. E então, saiu do quarto, correndo como nunca havia corrido, o destino do mais jovem estava alí e apenas por aquele momento, ele queria escolher o destino de seu dongsaeng, gostaria apenas de continuar com ele.

— Kang Taehyun! — gritou, ao avistar o rosto familiar sentado no segundo degrau da escada, e só então, reparou em seus olhos vermelhos — Onde está o Ning? — e o outro abaixou a cabeça — Ele foi embora? — e quando recebeu um assentir, sentiu algo que nunca havia sentido antes.

Foi até o banheiro, lavando rapidamente o rosto pequeno. Apenas se culpava, e pensava não conseguiria fazer nada. Sua cabeça estava doendo, seu corpo mais ainda e seu desespero o controlava totalmente.

— Garotinho? — a voz era similar, Yeonjun...Ah, Choi Yeonjun — O que aconteceu?

— O Kai! O Kai foi embora Yeonjun! — olhou para ele, desesperadamente — Eu estou desesperado, minha cabeça está doendo, eu sinto que meu corpo virou chumbo e que nada vai dar certo, eu apenas quero chorar e então gritar e encontra- 

Sua voz foi parada assim que sentiu uma sensação estranha, como um déjà vu, novamente, seu corpo estava sendo puxado, seus olhos foram cobertos novamente pela cor branca e sentiu seu braço ser agarrado. Yeonjun estava junto, com um corpo flutuando e sem qualquer pensamento lógico, assim como Beomgyu, mas este, conseguia pensar, e tinha todos os pensamentos no amigo 

17 de Janeiro, 2020, Seoul, Coréia do Sul

Beomgyu acordou, seu corpo estava jogado no chão, no banheiro... Da universidade? Passou às mãos pelos seus olhos e então, reparou no garoto de cabelos azuis, Yeonjun, ele estava alí e Beomgyu não controlou seu sorriso, apesar de estar totalmente confuso, se segurou para não chamá-lo pelo nome e apenas levantou-se, arrumando suas roupas que estavam totalmente amassadas

— Hey, você está bem? — ele perguntou, preocupado, enquanto tentava ajudar o mais novo — Não quer ir para a enfermaria? Você estava literalmente desmaiado — comentei, Beomgyu pensou, mas reparou que seu corpo já não doía e sua cabeça também não.

— Não, obrigada! Foi falta de alimentação, eu vou ficar bem, apenas irei pegar algo de comer no meu dormitório ou no refeitório, pode ficar tranquilo. Obrigada novamente, garotinho! — riu de lado, lembrando do apelido que o mesmo havia lhe dado, estava entendendo tudo naquele momento, Yeonjun finalmente havia se livrado do seu fim trágico e Beomgyu estava totalmente feliz, havia acabado.

— Por nada! Mas sério, se cuide. Inclusive, meu nome é Choi Yeonjun! E o seu?

Beomgyu quis responder que sabia, mas se conteve e apenas disse: — Eu sou Choi Beomgyu! Muito prazer, Yeonjun! Espero que possamos nos encontrar bastante por agora. E seu cabelo é muito legal! — Riu com uma expressão fofa.

— Oh, obrigado! — sorriu confiante, aquilo era muito estranho, o garoto estava desmaiado e de repente, elogiava seu cabelo. Aquilo era muito estranho — Mas, é estranho o fato de você parecer tão bem depois de ter desmaiado!

— Eu também acho Yeonjun… — falou baixinho, mas o outro ouviu — Porém, eu preciso ir agora e falar com o meu roommate e seu suposto namorado. Juro que não irei desmaiar novamente, apesar de eu ainda estar totalmente confuso. E novamente, obrigada!

— Por nada! — Respondeu, dando outra risada — Te encontro por aí, o você me encontra, meu cabelo azul é bem único, para ser sincero, então, caso queira conversar, é só procurar!

— Okay! Até mais Yeonjun, nós nos vemos em algum lugar, de algum jeito, agora, eu estou procurando meu amigo, espero poder apresentar vocês dois. — Disse, saindo do local onde tudo havia acontecido, e sua mente se tornou uma mistura de Choi Yeonjun e Hueningkai

[...]

Foi até seu dormitório rapidamente, antes de voltar para a aula e então, reparou que havia um corpo gigante na frente de sua porta, aparentemente, o garoto estava totalmente vestido de preto, mas utilizava uma mochila de “Hora da Aventura”. Achou isso fofo. Além do mais, ele possuía cabelos relativamente grandes.

— Hey… com licença — falou, coçando a nuca, com medo de parecer rude. Quem era afinal? — Este é o meu dormitório e eu preciso muito entrar para fazer algo, aconteceu algo muito doido hoje e-

O garoto se virou, e Beomgyu partiu os lábios como modo de surpresa. Era Hueningkai, o seu melhor amigo, era Ning. Aquilo era realmente chocante, ele estava muito diferente, mas o rosto e o brilho no olhar eram iguais, Kai estava alí, com o corpo todo encolhido e parecia um pouco tímido. O coração de Beomgyu bateu forte. Estava tudo certo, Ning estava bem.

— Me desculpe… — disse saindo da frente da porta — Eu sou seu novo roommate, meu nome é Huening Kai e pode parecer esquisito, mas é porque eu não sou da Coréia...Eu irei fazer faculdade de fotografia, esse é meu primeiro ano e eu cheguei atrasado em meu primeiro dia! Isso é horrível, eu sei...Me desculpe novamente. Mas prazer em te conhecer, seu nome é Choi Beomgyu, certo? E você provavelmente é mais velho, então, eu deveria te chamar de hyung?

Então, ele não lembrava-se? Beomgyu se sentiu triste, apesar de aliviado também. Afinal, o garoto mais jovem não se lembraria de tudo que aconteceu, e realmente, ele não merecia tudo isso. Mas ainda sim, era péssimo que a Kai não se lembra do melhor amigo. Sorriu genuinamente, após perceber que estava parado por muito tempo encarando o mais alto.

— Sim, sou seu hyung, e eu achei isso muito fofo… — estendeu a mão, pegando na do outro, ela era toda quentinha — Prazer Huening Kai, sim, eu me chamo Choi Beomgyu e estou feliz em te conhecer e te ter como roommate, tenho certeza que seremos amigos e espero que seja uma estadia confortável para você. Eu sou do segundo ano e curso letras, inclusive!

— Hyung! Você é muito formal, mas obrigado! — Disse apertando a mão do outro — E me parece muito familiar também, mas eu realmente não sei da onde.

— Deve ser uma impressão Huening… Apenas uma impressão — respondeu, mas tinha um pequeno sorriso no rosto.

Não era uma impressão.


Notas Finais


É gente, foi isso. Espero que tenham gostado de STE, e muito obrigada a toda a família do TXThouse também.
Ficha Técnica:
— Beta Reader: @Sophix
— Designer: @peachaewon


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