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História SoHo Dolls - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Capitulo dedicado à autora original, Emily Pierce e a chata da Why_Delena que fez drama diariamente para eu postar.

Capítulo 8 - -900 Dólares.


Fanfic / Fanfiction SoHo Dolls - Capítulo 8 - -900 Dólares.

Me olha nos olhos

E escuta o que sinto

E não paro de pensar

Tanta coincidência de termos nos encontrado hoje

E não deixo de pensar que algo vai acontecer

Se meu coração despertar

Rápido demais

Esta noite vou dizer que não

Quero que isso não seja só algo sexual

E apesar da paixão

Quero ver se há algo entre nós dois

Mais além de um beijo e um “goodbye”

Porque te sinto, porque te sinto

Sei que vai acontecer

Porque te sinto, porque te sinto

Muito dentro da minha pele

Estranha sensação, poderia ser amor.

── Extraña sensación; RBD.

 — Oh merda. — Sussurrei.

Oh merda mesmo! Milhões de vezes merda

Instantaneamente o ar ao meu redor ficou denso demais, meu coração batendo descompensado demais em uma ansiedade que eu desconhecia — Será que dá tempo de dar meia volta e fingir que não o vi?

Damon aproximava—se lentamente de nós com seus passos macios e confiantes, mantendo as mãos nos bolsos da frente de seu jeans assumindo aquela postura despreocupada que era capaz de deixá-lo terrivelmente sexy. Tão sexy quanto aquele sorriso sutil que formava-se naturalmente em seus lábios rosados como se ele estivesse constantemente sorrindo com algum pensamento. Puta merda ele era absolutamente lindo

Mas naquele momento minha própria mente se contradizia com a vontade imensa de ficar ali e reencontra—lo e o impulso de entrar na primeira loja, tramava mil maneiras de recebê—lo e mil formas de fugir de seu encontro. E ao mesmo tempo tentava entender como e o motivo de meu coração ter acelerado daquela forma.

— Claro que não Elena, ele já nos viu... — ela insistiu, passando a falar pausadamente — Ele é apenas um cliente! Você sabe lidar com eles.

— Ele é apenas um cliente que sabe demais sobre mim! — sussurrei de volta, enfatizando as palavras. — Caroline, por favor...

Ele era apenas um cliente que em um raio um pouco maior de dez metros conseguia criar uma dormência desconhecida em algumas partes de meu corpo. Só isso era motivo o suficiente para não saber lidar com ele.

— Já era Elena, ele está vindo com aquele sorriso de "quero te foder" em nossa direção. Agora será que tem como você voltar a respirar? Está me dando agonia!

A minha resposta fora calada por aquela voz deliciosamente rouca que fizera—me arrepiar dos pés à cabeça. Oh merda, merda mil vezes merda.

— Elena! — Ele sorriu ao ver—me, um sorriso lindo, mostrando todos os dentes perfeitamente brancos e que criava aquela covinha sutil em suas bochechas. Maldita covinha que aparecia com qualquer movimento que ele fazia com os lábios. Aquele tipo de sorriso que não tinha como passar despercebido, que deveria emoldurado para apreciar.

Não apenas o sorriso mas a obra inteira. Seus olhos azuis-celestes límpidos e aquela barba para fazer e ao mesmo tempo muitíssimo bem feita. Seu maxilar largo e os cabelos compridos o suficiente para os meus dedos puxarem. Suas sobrancelhas grossas junto com a camada espessa de cílios que destacavam seu olhar e aqueles lábios carnudos que pareciam ter sabor de paraíso. E até mesmo aquela ruguinha de cansaço em sua testa era digna de se expor.

— Damon, hey! — eu sorri, o cumprimentando de volta e finalmente suspirando fundo — Eu não esperava encontrá—lo por aqui!

— É uma ilha pequena como dizem, não é? — ele respondeu. Seu lado da ilha, querido.

Era o lado dele da ilha e eu era inocente o suficiente para esperar não tropeçar nele em meio ao coração de Manhattan.

— É, parece que sim! — eu disse com uma falsa neutralidade — Acho que você se lembra de Caroline….

— Claro! Como vai, Caroline?

— Damon! — minha amiga cumprimentou educadamente — Estou bem, obrigada!

— Dia de compras, então? — ele sorriu ao passar brevemente o olhar por todas nossas sacolas de compras compulsiva.

— É, acho que acabou virando mesmo…. — respondi um tanto sem graça — E você veio procurar algo para Emily?

— Na verdade não, vim matar tempo por aqui enquanto não dá a hora de busca—lá na escola para jantarmos juntos. Eu saí do hospital faz pouco mas preciso voltar em breve para o plantão — ele explicou, seu olhar procurando o meu sob as lentes escuras de meu óculos como se fosse a única coisa que ele precisasse olhar, ficando em silêncio em seguida como se não pudesse atrapalhar um pensamento que lhe ocorria — Você está com pressa? Pensei em irmos tomar um café enquanto isso….

Direto assim. Porém, eu apenas era capaz de abrir e fechar a boca sem saber o que falar, sendo atingida novamente por aquele paradoxo, o desejo enorme de acompanha—lo e a vontade de inventar qualquer empecilho para não ir.

— Eu, hm, preciso…. — eu comecei sem saber como terminar.

— Ela vai, claro que vai! — mas não fora preciso terminar, uma vez que Caroline já havia feito aquilo para mim — Eu preciso estar em casa em breve mesmo, deixe suas coisas comigo e vá….

Eu queria poder estapear o maravilhoso rosto de minha amiga e ao mesmo tempo abraçá—la forte por ter dito as palavras que eu não conseguia proferir. Talvez eu estivesse desenvolvendo algum tipo de transtorno bipolar ou algo relacionado a dupla personalidade para justificar tamanha confusão de sentimentos naquele dia.

— Tem certeza? Vocês ficarão bem? — perguntei a Caroline.

— Claro, sobreviveremos! — ela sorriu para mim, rodando sutilmente os olhos antes de virar—se para Damon — A devolva inteira, certo?

— Pode deixar, vou tomar conta dela! — ele garantiu, sorrindo para minha amiga mas olhando ainda para mim.

Eu passei minhas sacolas de compras para as mãos de minha amiga e então me despedi dela, com um abraço forte e um sutil “vai dar tudo certo!” sussurrado em seu ouvido. Certamente aquilo não havia passado despercebido do homem grudado aos meus calcanhares e mais tarde ele me perguntaria de Caroline, mas não pude evitar de dar aquilo a ela e mostrar que me importava.

Assim que a cabeça loira e brilhante de minha amiga se afastou o suficiente, eu me virei para ele, encontrando seu olhar ainda em mim.

— Então, o que quer fazer? — eu perguntei, ajeitando nervosamente meus cabelos para trás da orelha e tirando meu óculos escuros por impulso e puro nervosismo.

Instantaneamente aquele sorriso sutil se desmanchara, substituindo por uma preocupação que fizera—me dar conta do que eu havia feito apenas depois de ver sua expressão. Boa Elena!

— Elena, o que é isso em seu rosto? — delicadamente ele pegou meu rosto e virou meu lado esquerdo para si. Meus cabelos escondiam esse lado do rosto propositalmente junto com o óculos escuro, o hematoma e o leve corte que a surra de Logan no dia anterior me rendera. — Alguém bateu em você!

Era mais uma afirmação do que propriamente uma pergunta.

— Não, claro que não... — Mas ainda assim eu neguei, rapidamente tratando de tirar meu cabelo de trás da orelha o fazendo voltar para onde estava, cobrindo meus machucados. — Eu cai, foi isso.

— Não minta para mim anjo, quem bateu em você? Eu conheço hematomas de agressão e de quedas, ninguém machuca essa região em uma queda. — com delicadeza, Damon colocou aquela mecha para trás de minha orelha novamente e com a ponta de seus dedos frios contornou meus machucados daquela forma que me obrigava a encara—lo novamente.

Obviamente não iria ser fácil passá—lo para trás.

— Ninguém me bateu Damon, eu estava ensaiando e minhas mãos estavam um tanto suadas, eu estava distraída e acabei caindo da pole dance…. Foi isso. — expliquei, dando de ombros

Os seus dedos faziam um carinho reconfortante pela lateral machucada de meu rosto, passando pela minha têmpora, seguindo para minha bochecha e então contornando meu lábio inferior com o polegar. Seu olhar sério me examinando minuciosamente, buscando algo em meu rosto e em meu olhar que eu não sabia definir o que era. — Não me parece que você seja capaz de cair da pole dance, Elena. Me deixe cuidar disso...

A suavidade de seu toque mexia com meus sentidos e com a minha capacidade de raciocinar, assim como com a minha voz que não gostaria de ser proferida naquele momento — Não precisa se preocupar, é só um machucado de nada, já sara….

— Por favor…. Eu quero cuidar de você.

Eu queria dizer que não precisava de seus cuidados, queria dizer que eu mesma já havia cuidado de meu machucado — mesmo que fosse mentira —, queria falar que aquilo não era assunto dele. Na verdade eu apenas queria, era o que eu normalmente fazia quando alguém tentava entrar demais ou lidava como se eu fosse algo a ser protegido. Mas não com ele, não quando ele me olhava tão profundamente nos olhos e segurava meu rosto com tanto carinho.

— Ok…. — suspirei, dando—me por vencida — Mesmo que eu ainda ache que não precisa se preocupar.

— Você é sempre teimosa assim? — ele sorriu vitorioso.

— Só quando sei que estou certa! — dei de ombros.

Damon gargalhou alto, surpreendendo—me ao puxar meu corpo para si, envolvendo minha cintura com seu braço firme e mantendo—me tão colada ao seu corpo quanto minha sanidade desejava. Durante o caminho até a farmácia no primeiro andar eu tentei convencê—lo de que ele estava exagerando e tentei afastá—lo apenas o suficiente para que meu corpo não estivesse tão consciente de seus músculos e de seu calor, mesmo por baixo de seu suéter. Mas óbvio que minhas duas tentativas foram completamente em vão visto que Damon não queria distância entre nós e não aceitava “não” como resposta sobre meus machucados.

Eu percebi que não adiantava mais insistir quando nós entramos em uma enorme Discovery Sport HSE bordô, com ele sentado no banco do motorista inclinado sobre mim.

— Damon, isso é frescura! Você está exagerando demais….

— Não é, não quero que você pegue uma infecção! — insistiu, passando álcool em gel nas mãos para abrir o pacote de algodão e remédio com cheiro forte. Isso era tudo mesmo necessário? — Não me surpreenderia em saber que você encheu de maquiagem isso aí….

Ele me olhou com uma desconfiança sob seus cílios que me fizera corar com seu divertimento, o observando molhar o algodão.

No fundo de minha mente eu considerava que ele apenas havia encontrado um propósito para me levar até seu carro e nos distanciar da movimentação do shopping ao invés de simplesmente ter pedido para termos aquele tempo sozinhos. Mas sua preocupação com meus machucados era tão real que me fizera perguntar como ele reagia quando sua filha se machucava... Será que ele a obrigava a fazer uma ressonância magnética, um raio-X, uma tomografia quando a garota caia ou ficava doente? Algo me dizia que sim...

— Mas ele já está cicatrizando…. — insisti, mentindo mais uma vez.

— Pare de ser teimosa, Elena. Isso ai está longe de cicatrizar! — ele bufou alto olhando com certa diversão para mim. Com delicadeza Damon afastou novamente meus cabelos do machucado os prendendo para trás de minha orelha — Vai demorar menos tempo do que levou para reclamar, você vai ver!

Ele aproximou perigosamente seu rosto de mim me fazendo puxar uma lufada grande de ar, sentindo seu cheiro entorpecente reascender meus sentidos na lembrança luxuriante que era aquele aroma em sua pele suada contra a minha. E mais uma vez meu corpo estava consciente demais dos estímulos externos que recebia e do calor envolvente que emanava de seu corpo. E da merda do remédio frio que ardera em meu machucado até a minha alma e em minha pele quente.

Inconscientemente eu gemi baixinho me afastando levemente dele.

— Desculpe anjo, vai arder um pouco mas já passa. Procure ficar quietinha…. — ele orientou, sua mão fazendo uma carícia reconfortante no lado bom de minha face.

— Sim senhor, Doutor! — eu disse pesadamente, arrancando um sorriso travesso daquele rosto glorioso tão próximo ao meu. Aquele sorriso que repuxava os cantos de seus lábios formando um par de covinhas em suas bochechas. Aquele sorriso diferente do que dera quando nos cumprimentamos, extremamente convencido e que me implorava para desfaze—lo.

Malditas covinhas.

E bem, eu queria perguntar o motivo de seu sorriso, de seu leve riso e o que em mim estava o divertindo mas meu corpo estava inerte, paralisado assim como minha voz, que parecia não querer ser proferida naquele momento. O único pensamento que me ocorria era que nós estávamos sozinhos de novo, só que dessa vez sozinhos de verdade, trancados em seu carro naquele enclausurado de couro bege e em quantas mil maneiras nós poderíamos aproveitar daquele espaço maior que o normal. Ou então na forma como nossos corpos em movimento fariam aquele carro balançar no meio do estacionamento do shopping. Ou como os vidros do carro se embaçariam com o calor de nossos corpos nus. Ou quão macios seus lábios seriam e o sabor de sua boca em minha língua.

— Só mais um pouquinho…. — ele advertiu, sua voz mais rouca do que o habitual.

A minha resolução começava a despedir—se de mim no momento em que meus olhos encontraram seus olhos azuis safira, que pareciam escuros demais para aqueles azuis límpidos que eu encontrara mais cedo…. E havia fome, desejo, uma avidez que não estava ali antes de entrarmos no carro. Havia um 'que' de homem faminto e controlado ali, um olhar que ia além das minhas roupas ou da decência. E céus, como eu queria sacia—lo. Queria seus lábios nos meus, suas mãos em minha cintura vagando pelo meu corpo com ousadia, necessitava de seu corpo completamente nu sobre o meu e sua voz aveludada, extasiada de prazer gemendo meu nome em meu ouvido….

— Está tudo bem…. — o acalmei.

Bem, não estava tudo completamente bem para ser sincera.

O movimento de seus ombros, seu peitoral expandindo—se com sua respiração acelerada, seus lábios ligeiramente afastados em uma certeza de que partilhávamos do mesmo desejo. Tinha Damon em todas as partes. Mas eu sentia uma enorme falta de tê—lo em mim.

Eu sequer sentia o algodão em minha pele mais, minha mente fantasiava na sensação de sua mão quente em mim.

— Está pronto, anjo…. — ele anunciou. Anjo? Por que ele tinha que me chamar assim? Por que ele tinha que me chamar assim quando tudo o que eu pensava em fazer com ele não era nada angelical?

— Obrigada, Doutor! — respondi, minha voz tão rouca quanto à sua.

Fora preciso apenas alguns segundos para ele se livrar dos algodões usados e voltar para sua posição anterior, só que ainda mais junto a mim, suas mãos ainda mais presentes em meu corpo. Sua presença quente ainda mais intensa.

— Então quer dizer que a pole dance criou vida e também se prendeu ao redor de seu braço assim?

Ele acariciava meu braço direito com a ponta dos dedos e minha mente excitada demorou alguns segundos para entender a o que ele se referia. A manga de meu cardigã havia escorregado pelo meu ombro deixando a mostra a marca dos dedos de Logan em um hematoma que eu ainda não havia visto. Claro que ele perceberia.

Eu não respondi, não sabia o que justificar para aquele machucado e pensar em algo estava difícil demais quando sua mão viaja pelo meu braço e seu rosto aproximava—se de meu ombro. E então com aqueles lábios quentes e macios ele beijou o local, enviando tremores em meu corpo a cada encontro deles com a minha pele arrepiada. Seus dedos abaixando a alça de minha regata e meu sutiã, inalando o cheiro de minha pele para então depositar um beijo demorado em meu ombro nu. E então em minha clavícula, meu pescoço e logo abaixo de minha orelha.

Seu cheiro me inebriando. Seus toques me entorpecendo. Seu calor me instigando.

Minha resolução e resistência despedindo—se de mim demãos dadas. Eu perderia o controle.

— Eu quero você…. — ele sussurrou em meu ouvido, sua voz pesada repleta de malícia. Não era um pedido, não era uma sugestão. Era uma ordem.

Oh sim, oh sim por favor! Era possível gemer de tesão apenas com suas palavras tamanho era meu desejo por ele.

A minha resposta imediata fora dada com o caminho que minhas mãos fizeram pelos seus braços fortes em direção a sua nuca, meus dedos se afundando em seus cabelos o trazendo de encontro a mim. Sua respiração pinicando meu rosto e nossos hálitos misturando—se em um só, eu estava ultrapassando todos meus princípios e limites para sentir sua boca pressionando—se contra a minha. Já não era mais uma questão de desejo, era uma necessidade.

Eu quase podia sentir seu sabor em minha língua e as lembranças de suas mãos em meu corpo. Seria preciso apenas entreabrir meus lábios para recebê—lo, apenas uma alteração no ângulo de minha cabeça para que sua boca possuísse a minha. Seria preciso apenas uma descarga de coragem para fazer e então tudo estaria acabado, toda a falta de intimidade, toda a distância que eu desejava manter e a porra toda aquela curiosidade seria sanada. Céus, como eu queria. Ele então sequer piscava com tanto fascínio que fitava meus lábios, que acariciava e puxava com seu polegar para baixo.

Era quase, tão quase que apenas o alarme do carro da frente junto com as luzes altas dos faróis nos arrancara de nossa bolha luxuriosa nos separando como ímãs com os mesmos polos magnéticos. Fora como um balde de água gelada em nossos corpos em chamas ou talvez um aviso do destino de que aquelas barreiras predestinadas deveriam continuar a ser mantidas.

Ou assim eu preferia pensar.

O gosto amargo da frustração revirando a boca de meu estômago, meu coração acelerado em meus ouvidos e apenas a respiração descompensada do homem frustrado ao meu lado, que tentava encontrar uma posição no banco do carro que não fosse tão incomoda para a ereção formada dentro de seu jeans. A realidade nos trazendo de volta, apagando qualquer vestígio de excitação que restava em nossos corpos e toda a tensão sexual que pendia dentro daquele carro. O silêncio constrangedor tomando o lugar do que desejo que dividíamos, em um sinal claro de que não deveríamos mesmo ter ultrapassado nossos limites, do quão irracionais poderíamos ter sido ao seguir nossos instintos.

— O que acha de ahn irmos tomar um café aqui perto? — Damon fora o primeiro a quebrar o silêncio, sua voz rouca tentando firmar—se novamente enquanto eu me recuperava, de olhos fechados e com a cabeça no encosto do banco.

— Seria ótimo! — eu assenti, sem coragem de abrir meus olhos para encara—lo. Café, cafeína, sim, era tudo o que eu precisava para ironicamente acalmar aquela parte de mim que havia acordado. Pelo menos algo familiar quando tudo o que havia provado naquele carro era desconhecido para mim.

— Certo…. — ele assentiu, suspirando fundo.

O motor do carro tremeu quando Damon dera partida e logo ele conduzia aquele carro para fora do shopping, onde, só então me permiti abrir os olhos e encara—lo novamente. Para minha surpresa ele sorria para a rua com divertimento, provavelmente ciente de meu olhar pendendo nele e na forma com que suas mãos másculas seguravam o volante do carro. Ali ele parecia confortável, ainda mais confortável que o normal e confiante, como se soubesse o quão estupidamente irresistível ficava dirigindo. Ou simplesmente soubesse de minha tara por homens fortes atrás de um volante.

Foram necessários alguns minutos a mais e um sinal vermelho para que ele se manifestasse.

— Alarmes de carros conseguem ser muito inconvenientes as vezes…. — ele refletiu, sem tirar o olhar da rua mas sorrindo sorrateiramente para mim.

— Nunca gostei de faróis altos, sempre incomodam!

— Eu também não, prefiro luzes neon ou candelabros mais escuros…. — Damon piscou com malícia. Oh a boate….

Eu não pude deixar de rir com sua lembrança. Era claro que ele gostava.

— Chegamos! — ele anunciou tão breve quanto eu esperava. — Por que mesmo tivemos que entrar no carro para vir até aqui? — ele riu com divertimento, puxando—me novamente para si pela cintura, e eu não pude deixar de notar a forma desconfortável com que ele andava devido ao seu jeans ter ficado um pouco mais apertado. Era uma cena um tanto engraçada, senão fosse angustiante tamanho desperdício.

O café ficava a alguns quarteirões do shopping, uma faixada marrom e aconchegante que não contava com muito movimento, então rapidamente fomos atendidos e nos sentamos com privacidade.

— Ainda estou esperando você me contar quem teve coragem para erguer a mão para você, anjo! — era ele, era sempre ele quem quebrava o silêncio entre nós.

— Eu já expliquei o que houve…. — eu resisti, suspirando fundo ao explicar novamente minha mentira descarada — Minhas mãos estavam suadas, eu estava distraída e então cai da pole dance. Foi isso.

— E eu já expliquei que não acredito nisso. — Damon resistiu, com mais seriedade daquela vez. — Não vou deixá—la ir embora até você me contar o que aconteceu….

Céus ele era teimoso.

— Logan... Foi Logan — eu respondi, rolando os olhos me dando por vencida. Aquele não era um dia bom para tentar debater com Damon. — O dono de SoHo Dolls.

— O dono do bordel bateu em você? — ele perguntou boquiaberto, inclinando—se sobre a mesa para falar comigo — Uma vez eu ouvi falar que…. que os cafetões normalmente servem para proteger as garotas, isso não confere? Ele não deveria protegê—la?

— Deveria e de fato o bordel nos oferece muito mais segurança do que se estivéssemos por conta própria. Mas é aquela história que acontece entre irmãos; só eu posso bater no meu irmão. Com Logan é o mesmo discurso….

“Só eu posso bater em minhas garotas!” não era difícil imaginar tais palavras saindo de sua boca.

— Isso é absurdo, Elena, porque ele ousou fazer isso em você? — Damon peguntou, visivelmente instigado.

— A cada quinze dias nós temos que dar uma parte do dinheiro que recebemos a ele e dessa vez a quantia que eu dei não o agradou muito…. — eu expliquei por fim, tentando escolher as palavras para contar aquilo a ele — Ele já estava com raiva porque passei a noite fora de casa com Caroline e eu acabei o desafiando então tudo se somou e, bem, você sabe o final.

— Isso não justifica, anjo…. — ele falou, segurando minha mão sobre a mesa.

— Bem, na cabeça dele justifica. — encolhi os ombros, observando nossas mãos juntas — Não seria a primeira vez mesmo, então….

— Ele já fez antes?

— Eu trabalho faz cinco anos para Logan, coisas ruins aconteceram nesse período…. — fora tudo o que eu disse, tentando não deixar brechas para que ele aprofundasse mais o assunto ou procurasse saber mais sobre minha jornada com Logan.

— Eu fico me perguntando o porquê de continuar em uma situação como essa…. — ele refletiu, seu olhar estudando meu rosto e eu sabia que meus machucados era tudo o que ele via. — É tanto tempo, Elena, é praticamente uma vida.

Bem, essa pergunta valia um milhão de dólares…. A minha vontade era de responder que ele não era o único que se perguntava isso, eu mesma e provavelmente muitas outras garotas de programa se perguntavam a mesma coisa. Mas era tão difícil de respondê—la quanto de sair daquela vida.

— Apesar de tudo o dinheiro é bom, dificilmente eu ganharia a mesma quantia em outro lugar. E bem, não é como se meu currículo fosse o sonho de todos os empregadores…. — eu expliquei, a resposta padrão que eu havia adquirido nos últimos anos para perguntas como aquela — Entrei nessa por não ter opções e continuo nela pelo mesmo motivo.

— E nesses cinco anos você nunca pensou em tentar alguma outra coisa? Seguir um caminho diferente? Você entrou tão nova nessa….

— Eu tentei algumas vezes mas algo sempre sai errado e me faz ficar.

Como quando eu conseguira entrar na faculdade e alguém descobriu minha vida noturna e contara para o compus inteiro sobre e então a pressão de ser a prostituta estranha e isolada fora grande demais para eu aguentar. Ou como quando eu engravidara e então no final, com a perda do meu bebê, não fazia mais sentido sair daquela vida. Porém, aquele era um assunto que eu estava longe de querer conversar.

— Mas eu fico pensando, com sua rotina de trabalho no hospital com que tempo você consegue ficar com sua filha…. — eu forcei um sorriso, não me importando em mudar tão de repente o foco da conversa.

— Oh às vezes até eu mesmo me faço essa pergunta…. — ele levou as mãos aos cabelos, bagunçando nervosamente seus cabelos. Por alguns segundos desejando que fossem meus dedos ali fazendo aquilo — Sempre quando não estou trabalhando tento ao máximo dar atenção a ela, normalmente jantamos juntos e fazemos algo quando não estou de plantão. Agora meus finais de semana são direcionados a ela para compensar a semana que passamos longe, mas antes as coisas eram mais complicadas.

— Wow, espero não atrapalhar sua agenda lotada, Doutor. — brinquei. Oh mas esse safado ia ao bordel quando deveria estar com a filha?

— De jeito nenhum! — Damon sorriu, arqueando a sobrancelha esquerda sedutoramente — Essa era minha tarde livre, uma cirurgia foi desmarcada em cima da hora, e eu não consigo imaginar melhor maneira de passar essa tarde do que com você... — Damon se debruçou sobre a mesa e fez meu sorriso preferido. Ele tinha que parar de flertar comigo desse jeito...

Eu sequer conseguia pensar em algo para respondê—lo a altura, era extremamente difícil flertar quando não estávamos na boate ou trancados entre quatro paredes sozinhos. Ou melhor, era extremamente difícil flertar com ele naquela ocasião em especial. A primeira vez em que nos encontramos fora do bordel as coisas pareceram fluir com naturalidade mas naquela quarta—feira, dois dias após termos no visto no hospital e cinco dias depois de ele ter ido na boate, Damon não era mais apenas uma carteira cheia de dinheiro.

Ele era um cliente que sabia e desejava saber mais sobre mim e eu não sabia definir o motivo de isso me assustar tanto. Como Caroline havia dito, eu sabia lidar com eles, com todos eles, conseguia tê—los em minhas mãos, mas não ele….Ele era exceção. Com ele o controle passava longe de ser meu, tão imprevisível quanto minhas próprias reações ao tê—lo por perto. Ele era areia entre meus dedos, aquela areia fina impossível de manusear ou apanhar e isso era motivo o suficiente para me apavorar.

E tudo o que eu precisava fazer naquele momento era fugir. Fugir dele e de sua presença marcante e do calor que fazia minhas pernas vacilarem. Fugir para onde eu sentia ter controle novamente.

— Um donut pelos seus pensamentos? — ele indagou, bebericando seu café, seus olhos azuis encarando—me sob seus cílios.

— Estou me perguntando o motivo de você ter me trazido até aqui…. — dei de ombros — Além é claro de tomar café.

E me olhar como se quisesse me despir por inteiro.

Ele riu, balançando levemente a cabeça como se precisasse organizar seus pensamentos. Tomando coragem para falar. — Curiosidade, talvez. Algo em você faz com que eu queira me aproximar…. — ele respondeu com uma sinceridade que eu não esperava — Saber mais sobre você.

E então fora a minha vez de inclinar meu corpo sobre a mesa, nos aproximando o máximo que conseguia para respondê—lo. A única proximidade que eu desejava e me permitia ter. — Bom Doutor, tudo o que eu posso dividir com você só pode ser feito entre quatro paredes…. Pense bem em quais partes de mim que quer conhecer.

— E se eu quiser um beijo? Você concordaria em dividir mais de você comigo? — Damon me imitou, aproveitando da privacidade que a mesa afastada nos favorecia, para inclinar também seu corpo, ficando a milímetros de meu rosto.

— Justo…. — eu assenti, passeando com minha língua pelos meus lábios o instigando — Mas agora eu preciso ir embora, Doutor. Tenho um horário para voltar para casa.

— Mas já? Acabamos de chegar…. — ele reclamou, seu olhar ainda preso em meus lábios quando eu assenti, o mordiscando levemente — Então eu a levo em casa!

— Não precisa, eu sei chegar em casa sozinha!

— Eu sei que sim, mas prometi a sua amiga que a devolveria inteira. Eu cumpro minhas promessas, Elena, eu insisto em deixa-la em casa…. — ele acariciou meu rosto, seu polegar afagando meu maxilar e queixo, tentando prosseguir até onde meus dentes prendiam. — Nos vemos na sexta-feira novamente?

E então eu tinha certeza de que ele voltaria ao bordel.

***

A sexta—feira havia chego e com ela um ar quente de excitação e expectativa que me pegara desprevenida. O início da primavera elevara alguns graus significativos na temperatura, deixando o clima tão agradável que de repente Nova Iorque inteira encontrava—se animada com os primeiros vestígios de cores que se destacara após os dias cinzentos e frios.

Animação que concentrara—se inclusive debaixo do teto sobre minha cabeça, a elevação de temperatura, mesmo que mínima sempre era bem vinda para as meninas que moravam comigo e Meredith não perdera tempo em disfarçar a falta de decoração com uns vasos de hortênsias. Inutilmente, é preciso frisar mas não julgava suas tentativas de tornar a casa um lar mais aconchegante para todas nós (inclusive para ela mesma). De repente eu me vira rodeada de flores e shorts curtos demais para estação quando saíra da cama na sexta—feira e uma animação que fora impossível não se contagiar.

Mas as estranhezas não paravam por aí. O fato de meu despertador ter reassumido sua função nos últimos dois dias me trazia um vazio desconfortável, que combinava com a cama ao lado da minha que continuava intacta desde o dia em que precisei acordar minha amiga de seu pesadelo. Caroline havia sumido desde quarta quando fora contar a Aaron sobre a gravidez me deixando algumas mensagens reconfortantes de que estava bem e que voltaria antes do final de semana para casa, mas que precisava desses momentos com Aaron para os dois conversarem sobre o bebê. Não sabia exatamente o motivo mas desconfiava que discutir sobre o filho fora a última coisa que os dois fizeram, a falta de notícia sobre sua reação para a novidade e o silêncio de Caroline deixava—me preocupada com o que acontecia com minha amiga. Ainda que ela insistisse em suas mensagens de que tudo estava bem eu sabia que havia algo a mais.

Porém, não era a estranheza que me surpreendia ou então as cores das flores de Meredith entre as paredes brancas descascadas de casa e suas cantorias pelos cômodos, mas sim a inquietação na boca de meu estômago que me lembrava que aquela sexta trazia algo importante. Ou supostamente traria algo importante. Mas nem a falta de certeza fora o suficiente para aquietar minha ansiedade ou para fazer eu não me arrumar pensando em como ele iria tirar a roupa que vestia, ou então em como eu iria provoca—lo naquela noite enquanto não seguiríamos para o quarto.

Talvez uma sexta—feira nunca tivesse demorado tanto a chegar. Talvez as cinquenta horas, e um pouco mais, não teriam demorado tanto a passar. Talvez eu não estivesse tão inquieta naquela data em especial se a promessa de reencontrar certo Doutor não fizesse esquentar cada detalhe de meu corpo com a certeza de uma noite quente.

E talvez Marcos tivesse razão e eu estava me juntando ao seu grupo de viciados em sexo (viciados em macho em suas palavras) mas não podia reclamar quando sua presença fazendo—me companhia na academia fora essencial para minha distração. E exaustão, é claro. Mas a noite chegara e tudo que restara fora minha inquietação, o aumento na temperatura e então a decepção.

O relógio escondido atrás do balcão na boate me mostrava que já passava das dez da noite, porém, as mesas e sofás ocupados com os clientes não contavam com o homem que eu esperava.

— Eu não sei por quem você está esperando mas algum desses homens está esperando por você então será que tem como mexer essa bunda até algum deles e parar de enrolar? — a voz de Meredith em meu ouvido fizera—me revirar os olhos enquanto enchia os shots de tequila para levar até uma mesa. Desde quando havia descido do palco e me colocado atrás do balcão, Meredith não havia desgrudado a atenção de mim por estranhar minha atitude diferente

— Eu estou atendendo às mesas se você não percebeu! — me defendi, mesmo sabendo que minha desculpa não havia sido aceita.

— Não se preocupe com as mesas, me dê essa bandeja que eu levo…. Agora vá, Nina! — ela ordenou, empurrando sutilmente meu corpo. O movimento na boate estava bom e eu entendia sua cobrança em cima de mim, mas nem por isso deixava de me irritar com isso. — Retoque esse batom no banheiro antes de ir mas não quero vê—la atrás desse balcão novamente!

Uma das coisas que eu havia aprendido era que não deveria discutir com Mer principalmente quando sabia que ela estava certa. Com um suspiro fundo eu segui seu conselho, sentindo a frustração na boca de meu estômago enquanto fazia o caminho até o banheiro reservado atrás da boate.

Até que uma mão firme agarrara meu braço, me puxando para trás até que minhas costas colidissem contra uma massa rígida de músculos.

— Esperando por mim, anjo?

Não fora apenas a voz grave no pé de meu ouvido que fizera—me relaxar mas o delicioso aroma másculo, que eu estava começando a me habituar, também tivera o efeito entorpecente em mim.

Oh finalmente.

— Damon…. — eu exalei, tentando conter o sorriso de satisfação ao ouvir sua voz. — Então ele realmente veio!

Foda—se meu orgulho e sua presunção, eu realmente estava feliz em vê—lo por ali novamente.

— Eu disse que viria! — ele respondeu, sua voz macia e seu hálito quente pinicando a pele sensível de meu pescoço. — Devo dizer que você está terrivelmente sexy hoje, Nina.

Eu sorri. Será que eu deveria dizer que havia escolhido a roupa pensando justamente nele? Bem, provavelmente não mas também não deveria sentir o que ele havia causado ao chamar—me de “Nina”. Meu pseudônimo sussurrado com aquela voz rouca era tão erótico quanto seus gemidos de prazer. Ele sabia meu nome verdadeiro e eu sentia—me extremamente aliviada em não precisar corrigi—lo.

— Você gostou, Doutor? — eu sussurrei, meus dedos envolvendo suas mãos firmes presas em meus quadris.

— Hmm eu gosto mais ainda quando me chama assim…. — ele confessou, arrancando um sorriso presunçoso de mim.

Virando meu corpo de frente para ele, eu aproximei meu rosto do seu, encontrando seu olhar em meio ao percurso. — Do que? De Dou…. Doutor? —sussurrei em seu ouvido em provocação, seu olhar observando minha língua umidificar meus lábios pintados vermelhos vinho.

— Sim, principalmente com essa sua voz de tesão! — ele assumiu, sua voz áspera na mesma sensação que ele descrevia para a minha — Esperava encontrá—la na pole dance novamente. Você não vai dançar essa noite, anjo?

— Hm eu estava lá mas você demorou demais, terá que esperar minha vez novamente... — respondi, inclinando meu lábio inferior em um beicinho manhoso. — Podemos pensar em algo para fazer nesse meio tempo, uh?

— Oh não acredito! Fiquei para jantar com Emily, peço perdão pelo meu atraso... — ele mantinha sua mão possessiva contra a base da minha coluna, recordando meu corpo de como era tê—lo contra mim — Não sei se tenho tanta paciência para esperá—la subir novamente no palco. Você pode dançar para mim, amor?

— Pensei que não fosse sugerir isso, mas eu posso fazer mais do que apenas dançar, sabe….

— Oh eu espero por isso! — ele riu, aquele som gutural acendendo cada fibra de meu corpo, revirando meu interior — Você fica deliciosa de vermelho, se me permite dizer.

— Então algo me diz que gostará do que eu tenho por baixo desse vestido…. — sorri com malícia, abaixando o olhar para indicar minha roupa.

— E porque você não me leva para algum lugar que eu possa arrancar esse vestido? — Damon sussurrou em meu ouvido, enviando arrepios pelo meu corpo que estremecia contra ele. — Eu estou louco para ver!

A minha resposta fora imediata, entrelaçando meus dedos aos seus, o guiando pelo caminho mais rápido até os degraus suspensos que nos levaria até os quartos no segundo andar. A boate movimentada apenas o suficiente para ocupar cinco de nossos dez quartos, restando—nos as cinco portas do canto do hall disponíveis onde a última fora escolhida por mim. Para dentro daquelas oito portas não havia diferença entre os cômodos, a não ser pelo jogo de iluminação disposto pelo quarto, mas a impaciência do homem em minhas costas por ter optado pelo caminho mais longo fora extremamente útil para deixar as coisas mais interessantes.

O baque seco da porta sendo fechada atrás de nós fora a deixa necessária para o baque de seu corpo contra o meu quando Damon puxara—me em sua direção. O braço firme fechando—se ao redor de minha cintura estreita, impondo sua presença máscula sobre mim, dominando meu corpo com o calor que ele exalava. Aquele desejo que escurecia suas orbes azuis arrepiando minha pele sensível sob seu toque, recordando—me daquele mesmo homem faminto que eu quase atacara há dois dias no carro e que finalmente naquela noite eu poderia ter inteiramente para mim.

— Você vai dançar para mim nesse pole dance, anjo? — sua boca em meu maxilar sussurrava contra minha pele antes de inalar meu cheiro em provocação. Eu sentia sua boca próxima a minha, naquela região perigosa que seria necessário apenas um breve movimento nosso para uni—las. E ao mesmo tempo em que estivesse sedenta por aquele movimento, ao mesmo tempo meu corpo hesitava a ele.

— Com certeza, mas o que acha de um jogo? — eu sorri. Com os dedos fechados ao redor da gola de sua camisa eu o puxava com delicadeza, levando—o às cegas até a divã de couro em frente ao pequeníssimo palco redondo ao lado da enorme cama coberta com lençóis brancos.

— Você gosta de jogar, anjo?

— Só com você, Doutor! — eu pisquei, empurrando seu corpo para baixo para que ele se sentasse no tal divã — O que acha?

— O que competiremos? Quem consegue resistir mais tempo antes de arrancar a roupa do outro? — ele provocou, observando—me inclinar sobre ele.

Oh ele se lembrava então.

— Dessa vez eu quero algo diferente, quem sabe não me livro delas para você. Eu tenho outra coisa em mente…. — sorri com malícia, meus lábios a centímetros dos dele — Eu danço, mas você não pode tocar a stripper, delícia.

— Oh então esse é o jogo? Você me torturar com esse corpo gostoso e eu não posso tocar? Qual o meu prêmio se eu resistir a isso?

— Bem, o que quer ganhar, Doutor? — perguntei, não conseguindo fixar meu olhar entre seus lábios e seus olhos.

— Posso pedir qualquer coisa? — ele perguntou esperançoso.

— Você pode pedir qualquer coisa se quiser o suficiente, amor. Então, qual vai ser o prêmio?

— Um beijo, quero sentir sua boca…. — ele deu de ombros, respondendo com simplicidade.

— Apenas um beijo? — perguntei surpresa, ou talvez nem tanto. Eu realmente esperava que ele fosse me pedir alguma outra coisa extremamente pervertida como costumava a acontecer.

— Minha ambição é grande o suficiente para querer apenas um beijo! — explicou — Quero tomar sua boca para mim enquanto tenho seu corpo esparramado nessa cama…. Esse pode ser meu prêmio?

— É o seu prêmio, Doutor, se é isso que quer ganhar então é isso que vai ter…. — eu garanti, reduzindo ainda mais à distância de nossos lábios o dando a ilusão de meu beijo — Mas só se você ganhar!

— E o que você escolhe como prêmio se ganhar?

— Vou pensar em algo enquanto jogamos…. — encolhi os ombros — Mas vou avisar que a minha ambição é maior que a sua, Doutor!

— Mas tenho certeza de que não tanto quanto minha força de vontade!

— Oh, eu não duvido disso mas não espere que eu jogue limpo! — eu ri baixinho —Ainda quer jogar?

— Definitivamente eu não esperava por isso, é claro que eu quero, independente do fim não vai ser como se eu tivesse perdido mesmo! — ele sorriu, umedecendo seu lábio inferior enquanto examinava minuciosamente meu corpo sobre o seu.

— Ótimo! — sorri presunçosa, depositando um beijo demorado no canto de seus lábios antes de me afastar.

Em passos lentos eu segui até o mini system sobre a prateleira ao lado do pequeno palco e com o Pen drive já plugado, fora preciso apenas pressionar o play no controle para dar início as batidas lentas que começara a soar pelas caixas.

A música ecoava baixo pelo quarto, carregando o cômodo com sensualidade no volume certo para mexer com nossos sentidos mas baixa o suficiente para que meus saltos nos breves degraus até a pole dance não passassem despercebidos. Eu comecei de costas, meus quadris remexendo na lentidão ritmada inicial da música, meus olhos fechados de forma com que eu conseguisse sentir a sensualidade melodiosa tomando conta de mim.

Era o que Julie, nossa professora, dizia; sinta a música, seja a música, dance como se estivesse fodendo com a música. Porém meus planos não eram foder com a música e sim com o homem sentado me observando com ela ao fundo. E céus, foder com Damon e com aquela música seria mais do que demais. Precisava confessar que minha expectativa de tê—lo novamente era tanta que estava quase desistindo da ideia do jogo para dar a ele o que ele tanto queria.

Apenas a ideia daquilo fazia—me ferver o sangue em expectativa.

Suspirei fundo sentindo o desejo crescente fluir entre nós mesmo que há alguns poucos metros de distância, a presença marcante de Damon quente em minhas costas como se não houvesse espaço entre nós. Sob a música eu ouvia seu jeans em contato com o couro da divã enquanto ele se reajustava sobre o acento. Impaciência? Excitação? Inquietação? Os três, talvez? Bem, eu não saberia dizer mas minha intenção era levá—lo ao limite, se era uma dança que ele queria sem dúvida alguma eu lhe daria... Mas quanto ao seu beijo eu não tinha tanta certeza assim, ainda que desejava sentir sua boca na minha da mesma forma que ele.

E assim eu lhe dei. A atmosfera luxuriante combinada com as batidas da música dominando meus desejos e instintos e os movimentos de meu corpo, que não passavam despercebidos pelo meu único espectador. A luz baixa do quarto em tons de vermelho criava a sombra perfeita de minha silhueta e de minhas mãos me tocando, procurando o zíper lateral de meu vestido colado o dando vislumbres de minha pele a medida em que ele era abaixado até que virasse um amontoado de tecido em volta de meus sapatos.

A risada excitada de incredulidade enchera meus ouvidos, no sinal de que eu ia pelo caminho certo — Nina…. — sua voz em um misto de repreensão e tesão.

Eu sorri em presunção, lembrando—me vagamente da sexta—feira passada onde ele mencionara um Strip—tease enquanto eu dançava na boate. Bem, eu havia prometido uma dança e algo a mais.

Seu olhar azul acompanhava cada detalhe de mim, cada micro movimento, capturava minhas provocações com fascínio. Nada passava despercebido. Cada remexer de meus quadris, cada giro e acrobacia no pole dance. Ali em um par de saltos quinze e meu conjunto vermelho rendado Agent Provocateur, sob seu olhar, poder era o que ele fazia—me sentir. Poder sobre ele, seu corpo, sua mente.

Damon não tinha vergonha de demonstrar o que estava sentido e naquele momento eu via tesão, deslumbramento e um magnetismo que era quase palpável. Ou melhor, definitivamente era palpável. Ele sorria, aquele sorriso que esticava as laterais de seus lábios e iluminava seu olhar em profunda lascívia viril, sua linguagem corporal expressando todo o desejo que ele sentia e o fascínio em assistir—me provoca—lo com uma dança.

Eu via fome, desejo e urgência nele. Aquele mesmo olhar que quase fora capaz de acabar com minha sanidade há dois dias e vinha perturbando—me desde então. Eu via a urgência de sanar aquele desejo que estava o deixando faminto. Faminto por mim, pelo meu corpo, pelo meu prazer.

Em passos lentos eu deixei para trás a pole dance acabando com a distância entre nós e recebendo um sorriso extasiado que apenas intensificava—se a medida em que eu me aproximava. Os ombros largos de meu Doutor endireitaram—se como uma presa —não tão— acanhada, apenas esperando o inevitável. Ele respirava longamente como se não pudesse conter a expectativa do que viria em seguida e umedecia seus lábios com a ponta daquela língua que eu desejava sentir por todo meu corpo.

O espaço entre suas pernas fora o suficiente para colocar—me entre, retomando o ritmo de meus movimentos a poucos centímetros de distância dele ignorando os limites que seu próprio corpo impunha. Em seu colo eu rebolava e montava em suas coxas, esfregando nossos corpos como se não houvesse a barreira de nossas roupas, a musculatura rígida de sua coxa estimulando o ponto de meu prazer e umedecendo minha intimidade, fazendo meu interior contorcer—se em anseio de ser preenchido.

Ele suspirou fundo, aquele tipo de suspiro que dava indícios de que seu controle estava perto do fim — Caralho Nina!

Com um breve impulso eu coloquei—me de costas em seu colo e de costas arqueadas, encostando minha cabeça em seu ombro, eu alinhei sua ereção rija sob minha bunda deixando que ele tivesse a visão completa de meu corpo enquanto eu viajava com minhas próprias mãos por onde ele desejaria tocar. Por onde eu desejava que ele tocasse. Minhas coxas, o interior delas, o local pulsante entre minhas pernas, minha cintura e então meus seios ainda cobertos pelo sutiã meia taça vermelho.

— Você quer tocar, Doutor? — provoquei, sussurrando com tesão e contorcendo—me sob meus dedos que apertavam firmemente meus seios — Lembre—se das regras, nada de tocar a stripper.

— Nem mesmo quando a stripper está fazendo a porra de um lap dance em você? — fora sua vez de me provocar, falando baixinho em meu ouvido — Você vai acabar comigo e meu autocontrole se continuar se tocando dessa forma!

— Assim? — eu sorri em êxtase, meus seios sensíveis pesando dentro de meu sutiã meia taça. Mas não era aquele toque queria, eu desejava um par de mãos másculas e firmes puxando e apertando meus mamilos arrepiados que ansiavam por atenção. — E se eu fizer isso? — eu desatei o fecho de meu sutiã, liberando meus seios para voltar a toca—los.

— Não chega nem aos pés do que eu gostaria de fazer com eles…. Mas porra…. — ele revidou, seu tom desafiador em uma promessa libidinosa que não passara despercebida pelo meu corpo arrepiado e nem pelos meus mamilos traidores — Acho que eles desejam meus toques também, anjo!

Céus, como desejavam. E não apenas os toques de suas mãos….

A minha resposta à sua provocação fora dada pelos meus quadris, rebolando minha bunda alinhada a sua ereção dentro da calça no ritmo da música.

— Oh você está tenso aqui, Doutor, será que ele também deseja o meu toque?

Ele gemeu baixinho, capturando a pontinha de minha orelha entre seus dentes. Porra não tinha nada mais gostoso que seu gemido rouco em meu ouvido, era aquele tipo de gemido que fazia estragos em calcinhas.

O gemido era o impulso que eu precisava para instigar. Seu corpo tremia sob mim no maior autocontrole que eu já havia visto mas que, sem dúvida, eu precisava detona—lo. Seus lábios contra os meus era mais do que eu pudesse aguentar e mais pensamentos voltados a Damon era o que eu menos precisava.

Por mais que eu quisesse, Damon definitivamente não sentiria meus lábios como ele desejava. Pelo menos não naquela noite.

A música ao fundo repetia pela terceira vez, indicando que já estávamos naquele jogo há, pelo menos, quinze minutos, estendendo—se mais do que eu pretendia e provavelmente mais do que Damon, com toda sua rigidez e respiração descompensada pudesse aguentar. Uma pena.

— O que acha de dificultarmos um pouco mais esse jogo? — sugeri. E novamente me vi em pé em sua frente para sentar em seu colo, nossas coxas paralelas enquanto eu emaranhava meus dedos em seus cabelos da nuca — E se eu montar você agora mesmo, acabar com essa tensão. Será que o Doutor aguenta não tocar?

Ele gargalhou alto, levando, em seguida, um longo tempo analisando meu corpo e meus seios nus arrebitados há menos de um palmo de distância dele e de seu rosto — Você é algum tipo de sádica?

— Eu gosto de jogar….

— Lembre—me de não aceitar jogar seus jogos de tortura chinesa novamente, diabinha.

— Mas eu ainda nem comecei! — defendi—me — Em qual parte da noite foi parar o “anjo”?

— Não há nada angelical em você usando essa porra de calcinha minúscula montando em meu pau desse jeito. O anjo deixamos para fora do quarto….

Eu sorri presunçosa, simplesmente adorando descobrir o quanto Damon tinha a capacidade de fazer—me sentir desejada e o quanto eu estava adorando aquilo.

— Damon…. — eu gemi, percorrendo meus dedos novamente em meus seios, contornando com as pontas dos dedos minhas auréolas em provocação.

Seu olhar estava preso em meus lábios e em meu rosto que se contorcia. Meus gemidos baixinhos em combinação com meus toques e meus movimentos sobre ele fora o ápice para que duas mãos másculas prendessem meus quadris no lugar, com força, impedindo—me de continuar. Seu toque firme transmitindo a imensidão do desejo que seus olhos azuis marinho transmitiam, a forma com que seus dedos afundavam em meus quadris estreitos era a prova de que eu o havia levado ao limite.

— Oh você acabou de perder seu beijo, Doutor! — exclamei aliviada.

— Foda—se! — ele grunhiu entredentes. O próximo toque fora mais áspero quanto o primeiro, com a mão esquerda ele tomou o local onde antes meus dedos tocavam, levando meu seio até a boca. Sua língua morna provando e chupando meu mamilo, transformando—os em mínimos pontos rijos em sua boca — Mas agora, por favor, Elena.

Puta merda! Puta merda meu nome. Eu nunca saberia explicar a sensação que seu hálito quente batendo na umidade de meus seios enquanto ele sussurrava meu nome me causara. Era a forma mais cálida de tesão que eu já havia sentido, o latejar mais doloroso entre minhas coxas.

— O que quer que eu faça, Damon? — perguntei baixinho lutando contra o tremor de minhas mãos enquanto tentava desabotoar sua camisa.

— O que eu quero? Quer mesmo saber o que eu quero? — ele instigou e eu assenti em silêncio, seus dedos abandonando meus seios para emaranhar meus cabelos entre eles, obrigando—me a encara—lo — Eu quero foder você se quatro nesse chão, tão fundo e tão duro quanto você aguentar.

Minha mente excitada demorara alguns segundos para captar seu desejo, interpretando palavra por palavra até chegar a imagem de nós dois languidos no chão do quarto.

— Eu definitivamente quero isso também! — assumi, de olhos fechados e cabeça tombada para trás, atormentada pela sensação de seus lábios tomando meu pescoço para si.

E então os instantes seguintes foram um borrão onde, quando notei, estávamos ambos no chão, ele de joelhos com as suas calças amontoadas e baixas o suficiente para liberar seu membro enquanto eu me arqueava para ele compartilhnua e sedenta por nosso contato. O barulho da embalagem do preservativo sendo rasgada dera sequência para o meu gemido fino quando ele posicionara seu pau em minha entrada, abrindo lentamente espaço em meu interior a medida em que entrava em uma estocada lenta e profunda ao mesmo tempo.

Duro e fundo, como ele prometera e como ambos queríamos.

— Meu Deus, Nina! — ele gemeu, soltando uma lufada forte de ar. — Tão deliciosa!

— Mais, por favor! — eu implorei, não me importando com o quão vulnerável eu estava naquele momento e que naquela posição todo o controle havia sido transferido para ele.

Eu tinha de admitir que há algo absurdamente quente na imagem de um homem com as roupas fora do lugar tomando seu corpo, completamente nu, em seus joelhos, algo que eu só havia descoberto naquela noite. Principalmente quando Damon era o homem em questão. A imagem de seus ombros largos tencionados, cobertos por uma camisa aberta que exibia um abdômen trabalhado, e seus quadris estreitos onde sua continuação sumia para dar lugar ao início de meu corpo entorpecia ainda mais minha mente excitada.

Partindo de meus quadris ele subia com as mãos pela minha silhueta, roçando os dedos pela lateral de meus seios para voltar de onde partira. Puxando meus quadris para si ao ele afundava em uma investida funda, suas bolas batendo na parte sensível de minha intimidade fazendo—me contrair ao redor de sua ereção. Um gemido fino escapando de mim com a sensação de seu membro abrindo espaço em meu interior receptivo.

— Você gosta assim, anjo? Gosta quando eu vou fundo assim?

— Vou gostar ainda mais se você fizer de novo…. — respondi ofegante. — Mais forte….

— Céus, você me enlouquece garota! — ele confessou, pelo nosso reflexo era possível ver seus olhos fechados em deleite, o breve sorriso de prazer, e o suor que escorria e grudava alguns fios em sua testa. Será que ele fazia ideia do quanto ele era estupidamente lindo? Ou do que ele estava causando em mim?

Bem, eu realmente não fazia ideia e minha mente logo embaralhou, não me permitindo pensar em mais nada que não fosse seu corpo dentro do meu. A sensação de seu membro deslizando com tanta facilidade me entorpecia, eu estava tão molhada, tão louca, tão sedenta por ele que duvidava ser possível. Suas mãos lembravam—me o quão bom era receber seu toque e o quão intenso seu desejo conseguia ser…. Não apenas seu desejo mas a necessidade que cada gesto, cada contato nosso demonstrava.

Meus dedos procuravam apoio no tapete em busca de algo para fincar o mais fortes minhas unhas e extravasar as sensações que invadiam meu corpo, mas a minha falta de força e apoio não me deixava escolha a não ser gemer a quatro ventos de prazer. Gemidos que misturavam—se a elogios e os mais pervertidos sussurros, junto com o som de nossos corpos chocando—se um no outro e as provocações que nos empurravam cada vez mais para aquele fim que prometia ser devastador.

Promessa que eu sabia que seria cumprida.

Seus dedos quentes seguiram a linha de minha coluna subindo até chegar a minha nuca onde ele emaranhou meus cabelos em seus dedos, puxando minha cabeça para trás. Eu esperava o incomodo, esperava que meu clima acabasse já que puxões de cabelo me remetiam a coisas desagradáveis, mas sua ferocidade fizera uma onda de tesão arrepiar minha pele e pedir por mais. Mais de seus toques, mais de seu controle e, principalmente, mais daqueles movimentos. E cada um de meus pedidos eram concedidos mesmo que ele sequer entendesse o que exatamente eu pedia.

Cedo demais meu corpo começara a implorar por alívio, as ondas de calor fazendo—me contrair ao redor dele em sinal de que eu não aguentaria muito tempo mais. O lembrete de Meredith martelava em minha mente de que eu não deveria gozar antes dele, mas meu corpo mostrava—me que isso seria impossível.

— Damon…. — eu implorei baixinho, lutando contra o fisgar que começava em minha barriga.

— Goze, anjo, eu já lhe disse que não gozo antes de você…. — ele respondeu ofegante. O impulso que ele dera fora o suficiente para fazer—me gritar com a sensação que inundara meu corpo, meus músculos se contorcendo em meio as investidas enquanto ele procurava seu alívio junto ao meu.

Os espasmos de prazer em meio ao orgasmo que rasgava sob meu ventre enquanto ele estremecia conforme aumentava a velocidade, até que seu corpo seguira o mesmo fim que o meu. Reduzindo o ritmo insano das investidas até simplesmente parar. O quarto, de repente, estava silencioso demais e o suficiente para ouvirmos nossas respirações ofegantes com a música ainda rolando ao fundo. Eu não queria me mover mas meus músculos queimavam pedindo por uma trégua, mas o homem atrás de mim não parecia ainda disposto a nos dar uma.

Não que de fato eu quisesse essa trégua.

— Shhh…. Não mexa—se, anjo, nós não terminamos ainda! — ele avisou, acariciando minhas coxas até encontrar o centro de meu prazer entre elas.

Seus dedos reascenderam o desejo que eu julgava ter sido sanado, até que nossos corpos caíssem exaustos um sobre o outro no chão, trêmulos pelo segundo clímax da noite. Os minutos passavam não importando—se com o tempo que precisávamos para retomar o fôlego ou que nossa horas juntos aproximava—se do fim mais rapidamente do que desejávamos.

A respiração quente e ritmada de Damon movimentava seu peito onde eu percorria o contorno de seus músculos com a mão, e onde apoiei meu queixo quando obriguei—me a quebrar o silêncio com um gemido de desgosto.

— Você cobriu seu machucado…. — ele observou, levando a mão ao meu rosto. Meus olhos fechando—se em deleite com o contato delicado da ponta de seus dedos em minha pele.

— Não me olhe assim, eu precisei fazer. Olhos roxos não combinam com lingeries vermelhas.

— Eu não me importaria! — encolheu os ombros, fazendo—me sorrir e depositar um beijo na palma de sua mão — Você está cansada….

— Digamos que você esgotou um pouco de minhas energias, Doutor. Vou precisar de um tempo para conseguir me colocar em pé novamente.

— Eu pediria perdão se me sentisse ao menos um pouco arrependido…. — ele riu, o braço ao meu redor puxando—me mais para seu corpo.

— Não esperava que pedisse…. — sorri maliciosamente, afastando sua camisa desgrenhada pelos ombros. Ele ainda estava meio vestido enquanto abraçava meu corpo nu contra si após termos nos aconchegado no chão. — Isso aqui é um pecado não ser mostrado….

— Você acha? — ele provocou e eu assenti com um beicinho manhoso, sem desviar a atenção de minhas mãos que alisavam seu peitoral suado.

Era simplesmente um desperdício não provar de Damon…. Tudo nele implorava por minha atenção, desde sua pele quente e macia, a rigidez de seus músculos peitorais até o pequeno caminho sob seu umbigo que levava ao seu membro — que já se encontrava novamente duro como se não tivesse recebido os devidos cuidados. Tudo nele exalava sexo, virilidade e prazer. Cada parte de mim ansiando por nosso contato, por beija—lo e por retomar a união de nossos corpos que eu havia se tornado meu novo vício.

E lentamente eu fiz, minha boca e dedos o acariciando até chegar ao seu pau onde o tomei em minhas mãos. Quente e duro, do tamanho certo para minhas mãos e para alcançar em lugares enlouquecedores em mim. Céus, eu havia gozado duas vezes com ele dentro de mim e meu interior já se contorcia sentindo sua falta.

A gotinha de sua excitação escorria pela ponta de seu membro e facilitava o movimento de minhas mãos nele, subindo e descendo por sua ereção até meus lábios o envolverem.

Damon gemeu baixinho com o calor de minha boca, fazendo—o inalar uma grande quantidade de ar a medida que minha língua lambia a coroa de seu pau e o chupava. Eu precisava apenas de um gostinho, de seu prazer e de sua excitação, precisava dá—lo apenas um gostinho de mim.

— Nina…. — ele sussurrou sem fôlego. Ele me assistia de relance, suspirando de frustração quando refiz o caminho para seu peitoral. — Esse é o máximo da sua boca que eu posso ter?

— Bem, a não ser que você goste de umas sacanagens mais pesadas eu posso pensar no seu caso…. — eu respondi como se não tivesse entendido seu ponto. Esticando meu corpo para alcançar um preservativo atrás dele, meu corpo nu sobre seus olhos —e suas mãos— distraindo—o de sua pergunta.  

— Você entendeu! — ele riu, observando—me desembalar e desenrolar a camisinha por ele — Oh eu paguei uma hora apenas, anjo, isso aqui vai demorar mais do que…. cinco minutos. — ele zombou, checando o relógio para ver as horas.

— Eu não consegui agradecê—lo devidamente na quarta por ter me ajudado com meu machucado…. — expliquei, ajeitando—me novamente em suas pernas e aproveitando de nossa posição para sussurrar em seu ouvido — Essa é por conta da casa.

E então nos minutos seguintes eu afundava seu corpo no meu, cavalgando em seu colo como havia sugerido no início da noite. Seus argumentos falsos calados pelos meus quadris investindo contra ele e pelos meus seios que enchiam suas mãos e ocupavam sua boca.

***

— Vai me deixar cuidar de você na próxima vez? — ele perguntou, passando a ponta do nariz pelas minhas costas ainda nuas. — Cuidar dignamente de você….

Após termos nos convencido de que nossos corpos poderiam prosseguir a noite desconectados, Damon colocou—me deitada na cama intacta e então tratou de procurar suas roupas que eu havia me encarregado de tirar. A definição de tortura e tentação nunca havia sido tão cabível com a imagem daquele homem completamente nu, com aquela aparência de pós sexo, vestindo—se em minha frente enquanto eu o assistia cobrir aquele corpo maravilhoso diante de mim.

Seria pedir demais que ele se juntasse a mim naquela cama? Que envolvesse meu corpo de bruços com o seu?

Sim, definitivamente a resposta era sim.

— Próxima vez? — Desafiei. Então ele queria mais noites comigo? — Vou pensar em seu caso, Doutor.

— Eu posso te dar prazer também, Nina…. — Damon sentou—se ao meu lado, sussurrando em meu ouvido enquanto seus dedos acariciavam minhas costas.

— Tenho certeza que pode…. — assenti, suspirando fundo em deleite. Ele roçando seus lábios em meu ombro e inalando o cheiro de minha pele. Mal sabia ele o que ele era capaz de causar em meu corpo…. — Considere essas últimas vezes como um convite para voltar quando quiser...

— Por conta da casa também?

— Quem sabe…. — encolhi os ombros — Só voltando você descobrirá.

— Em breve, anjo. — contra minha pele eu sentia seus lábios se moverem e mesmo de olhos fechados eu sentia seu olhar analisar meu rosto — Agora eu preciso ir…. — Suspirou.

Eu assenti, abrindo meus olhos para me despedir e observá—lo deixar o dinheiro no criado-mudo e então desaparecer pela porta após me mandar uma piscadela. O suspiro fundo abafado contra os lençóis brancos da cama era o reflexo do misto de sensações que o homem que deixara o quarto havia deixado em mim.

 


Notas Finais


Good morning, Good afternoon or good night!

Ainda tem alguém ai? rs

Pessoal, mil desculpas pela demora para postar o capítulo. Eu prometi o dia seguinte e faz quase um mês ( Culpo o fuso horário da quarentena rs) Mas justificando, eu estou com alguns problemas de quarentenada e não estava tendo ânimo para postar. Sigo com o problema porém hoje me senti mais inspirada haha Não prometo postar todos os dias, mas prometo postar mais frequentemente.

Agradeço pelos novos seguidores e curtidas pelo capítulo anterior.

Agradecimento especial para os comentários das: maria1312, whydelena e Michetina.


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