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História Soho Dolls - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capítulo X


 

Deixei o dinheiro em cima do criado mudo e então com uma piscadela, despedi-me da mulher nua, tão delicada, deitada de bruços naquela enorme cama. A realidade dos fatos voltava aos poucos para mim assim que fechara a porta do quarto, voltando para o hall onde passamos tão depressa mais cedo. A boate havia enchido consideravelmente nesse intervalo de uma hora e meia que ficamos trancados no quarto e eu sabia que a noite ainda mal havia começado para ela.

Eu estava atordoado, confuso demais. Mas satisfeito, malditamente satisfeito como há meses, quiçá anos, não me sentia. Puta merda o que eu estava fazendo?!

As luzes vermelhas pareciam ter ficado mais intensas no andar debaixo, pesando a atmosfera do local que exalava luxúria em todos os cantos. Uma música com batidas lentas parecia alta demais para os meus ouvidos que ouviram há pouco tempo a sensualidade da música lenta que aturdira meus sentidos, e a mulher que tinha o corpo iluminado no palco sequer chamara minha atenção enquanto dançava com seus movimentos ousados para uma plateia de homens sedentos... Não era Ela ali.

Com um suspiro fundo eu caminhei depressa até onde precisava pagar o cento e cinquenta dólares pelo quarto que havia usado naquela noite. Aquele lugar estava deixando-me sufocado, aquela situação toda me sufocava. Me atordoava. Eu sequer reconhecia aquele Damon e apenas isso era o suficiente para tirar-me do sério... Ela acabava com meu autocontrole.

Ela Nina. Ela Elena. Ela, que com sua voz macia e seu corpo voluptuoso trazia o pior e o melhor de mim, que me moldava entre seus pequeninos dedos como uma massa de modelar e que me tinha na palma de sua mão sem o mínimo de esforço.

Eu definitivamente estava enlouquecendo, perdendo minha cabeça, a essa altura da vida, com malditos trinta e três anos.

As luzes de Nova Iorque passavam como um borrão diante de meus olhos enquanto eu sumia pela rua entre os carros. Com as janelas abertas e uma música ligada quase no último volume em uma vã tentativa de apagar os vestígios daquela noite de meu corpo, mas o vento frio em minha pele febril parecia apenas alastrar aquele calor e, nem mesmo as batidas de Smells Like Teen Spirit conseguiam abafar os gemidos esganiçados daquela mulher de minha mente. Estava se tornando cada vez mais difícil desconectar-me dela e o pior era que eu não tinha a mínima força de vontade para passar por cima disso. Ou sequer sentia vontade em si de fazer.

Como a música dizia, eu estava em negação e malditamente excitado como um adolescente.

Elena era uma droga, sim isso mesmo, uma droga. E eu era um usuário dela, um viciado... O êxtase. A excitação. Céus, o prazer. E então a culpa, aquela maldita culpa que amargava minha boca e fazia-me jurar que iria manter a distância, para assim ter as malditas crises de abstinência. Aquela mulher tinha todos os efeitos de uma droga e, ao mesmo tempo em que adorava tudo o que ela e seu corpo pudessem me proporcionar, a culpa aparecia para abater minha consciência. O motivo? Bem, eu não saberia explicar e ainda que tivesse passado os últimos sete dias pensando sobre o porquê daquelas reações tão adversas, a resposta sairia mais confusa do que meus próprios sentimentos.

Talvez fosse seus olhos castanhos e seu corpo curvilíneo que me faziam esquecer qualquer pensamento decente ou pudor. Ou a voz doce de Elena e seu jeito misterioso, e a forma com que Nina transformava-se em uma mulher sedutora, cheia de desejos e prazeres. Ou a forma com que ela gemia por mim e se desfalecia sob meu toque quando transávamos, como ela chamava por mim enquanto gozava, apertando-se contra mim como se sua sanidade dependesse daquilo. Como se eu fosse sua transa mais memorável. Mas havia algo que fazia-me ansiar cada vez por mais. Provavelmente fosse a placa imaginaria em seu pescoço escrito "perigo" em letras neon, que a tornava irresistível ou o seu cheiro maravilhoso de encrenca misturado com a fragrância de Carolina Herrera que ela usava, mas Nina, Elena, havia se tornado a minha definição perfeita de tentação.

 

Eu tentava manter em minha mente; foder e não se apegar, na teoria seria fácil, mas a prática me obrigava a saber mais sobre ela. Mais que apenas seu nome ou qual era seu livro de cabeceira, ou o que ela fazia em suas crises de insônia. Uma parte de mim desejava saber cada segredo que aqueles olhos castanhos escondiam, cada detalhe de sua vida, do mais obscuro ao mais feliz, enquanto o restante me alertava a acatar o aviso de perigo que ela trazia consigo. Como alguém conseguia ser tão errada e tão certa ao mesmo tempo?

Definitivamente essa pergunta valeria um milhão de dólares, assim como tantas outras sobre ela que eu desejava obter respostas.

Outro suspiro fundo inflara em meu peito e quando notei já havia estacionado muito porcamente meu bichinho na vaga da garagem, sentindo a exaustão de uma semana corrida de trabalho juntar-se ao êxtase de uma hora e meia de sexo maravilhoso dominar meu corpo com força. Eu precisava urgentemente de um banho e de mais que duas horas de sono na noite em minha própria cama antes que perdesse de vez a cabeça. Caminhei lentamente ao elevador, deixando um sutil "boa noite" aos seguranças antes de entrar na cabine espelhada, digitar meu código de segurança e repousar na parede dourada. Minhas pálpebras imploravam para o momento em que elas fossem se manter fechadas por mais tempo que uma simples piscada.

O tempo que o elevador levou até chegar ao décimo nono andar pareceu uma eternidade e eu mal conseguia acreditar quando as portas se abriram no hall de entrada de meu apartamento. A luz do abajur no canto, junto com a televisão iluminavam parcialmente o pequeno cômodo, me deixando grato por pelo menos ter um norte quando duvidava da capacidade de meus pés de me guiar.

Deixei minhas chaves e minha carteira na bandeja de madeira sobre o aparador, e decidi por ficar com meu celular uma vez que pudesse receber alguma ligação do hospital. Não deveria, mas minha consciência falava mais alto quando o assunto era trabalho.

Chegando ao marco do milionésimo suspiro do dia, eu finalmente estava aliviado de estar em casa.  A foto de minha falecida mulher ao lado da bandeja com meus pertences, me recebia com aquele seu sorriso contagiante e seus cabelos dourados. Sorriso e cabelos que eu sentia mais falta que pudesse um dia explicar, assim como a cor de seus lábios e o rosado de suas bochechas. Durante longos onze meses eu assisti de camarote aquela saúde deixar minha esposa, primeiramente com a palidez de sua pele, depois com os seus lindos cabelos que ficaram no chão do hospital e, por último, com aquele sorriso que mesmo em seus últimos segundos não deixaram seu rosto.

A notícia de que Katherine estava com leucemia não fora um baque tão grande como quando descobrimos o quão séria a doença já estava ou em como seu corpo enfraquecera com as seções de quimioterapia. Aos poucos eu e minha filha assistíamos os últimos dias de vida de Katherine passar, até que seu sofrimento chegou ao fim. Porém, dando início a outro.

Não havia um dia apenas desde que ela se fora que eu não sentisse sua falta ou que não pensasse nela. E tinha certeza de que com Emily era a mesma coisa.

Deixei o porta retrato no local de origem, caminhando nas pontas dos pés até a sala, implorando para não ser visto por quem quer que fosse que estivesse assistindo à televisão. Normalmente eu brigaria com Emily por ela estar acordada tão tarde, mas sentada no sofá e embolada em cobertas estava minha irmã mais nova, olhando para a tela com um olhar vago, sem prestar o mínimo de atenção no que assistia.

- Ainda acordada Anabells? - exalei, atraindo a atenção de minha irmã para mim. Era mais uma provocação que necessariamente uma pergunta.

- Demorou ein... - ela rebateu, ignorando minha pergunta e checando o relógio digital da televisão. Era quase uma da manhã.

- Estava me esperando chegar, Anabelle? Acho que invertemos o jogo... - brinquei com um sorriso descontraído, implorando para que ela não quisesse saber onde eu havia me metido naquela noite após tê-la deixado com a minha filha depois do jantar.

- Não se ache tanto irmãozinho, apenas estou com dificuldade para dormir. - ela encolheu os ombros - E você Senhor Salvatore? Onde se meteu essa noite saindo todo arrumado e perfumado após o jantar?

- Estava por ai... - expliquei, sem conseguir evitar um sorriso sutil. - Você com dificuldades para dormir? O que causou esse marco histórico?

- Jeremy me ligou e nós acabamos brigando. De novo. Ele pediu para voltarmos, disse que se arrependia e que sente minha falta. De novo. - ela explicou com amargura mas com um sorriso sarcástico no fim - E aqui estou eu, sofrendo por esse bastardo, com crise de insônia. De novo.

- Não tem nenhuma chance de você perdoa-lo? Jeremy não sai do seu pé desde quando terminaram, Ana, ele me parece realmente arrependido...

- Damon, Jeremy me traiu com várias mulheres durante todo esse tempo. Não consigo acreditar que ele esteja mesmo arrependido ou sentindo minha falta. - respondeu ela com desgosto - A falta de vergonha dele me irrita demais.

- Você ainda gosta dele, não é mesmo? - perguntei, me aproximando dela no sofá e sentando na guarda.

- Não faz diferença, não vai mudar os fatos de que estamos terminados... - ela dá de ombros e eu a empurro com o cotovelo esperando sua resposta clara, verdadeira - Sim, Damon eu gosto dele, isso me faz uma completa idiota, não é mesmo?

- É, te faz bastante idiota irmãzinha. Mas não posso culpá-la por isso, infelizmente não mandamos nos sentimentos, certo? Eu sinto muito pelo o que aconteceu.

- É, eu também... - ela suspirou fundo, puxando seus joelhos contra seu peito - Se não se importa, eu não quero mais falar sobre isso. Esse assunto está me dando dor de cabeça.

- Tudo bem, só acho que seu sono é bem mais precioso que o sofrimento em cima desse canalha. Não vale a pena sofrer por ele, Anabells... - disse simplesmente, acariciando os ombros tensos de minha irmã. - Emily está dormindo já?

- Sim, estávamos assistindo filme no quarto dela antes de Jeremy me ligar e ela caiu no sono. Eu vim para sala para não acordá-la e resolvi ficar um pouco por aqui... -explicou - Mas você não me disse para onde foi essa noite, Damon. Estou esperando...

- Já disse, estava por aí... - respondi com simplicidade.

- Oh, nós guardamos segredos um do outro agora?

- Sai com Alaric, só isso. - dei de ombros tentando mostrar descaso. - Nós fomos a um bar beber alguma coisa e jogar conversa fora, acabamos perdendo a noção de tempo e foi isso. Aqui estou eu novamente.

Eu estava me sentindo um adolescente de novo. Era isso que ela me causava, além de mexer com meus hormônios, Elena me fazia entrar nas pontas dos pés em casa e mentir sobre onde estava. Já havia me convencido que aquela mulher tinha algum tipo de poder rejuvenescedor. Só podia ser.

- Wow e o que tanto você e Alaric tem para conversar quando se veem praticamente todos os dias no hospital? - com uma de suas sobrancelhas arqueadas, Ana me perguntou desconfiada.

- Porque justamente quando estamos no hospital nós conversamos apenas sobre trabalho, mal nos encontramos na sala dos médicos ou nos corredores se quer saber.

- Você é um péssimo mentiroso, Damon, sempre foi. Saiu todo arrumado e cheiroso mais cedo, agora volta com uma cara de quem transou a noite inteira e ainda quer que eu acredite que saiu para beber com Alaric? - ela riu com sarcasmo - Por favor, não tente me enganar. Além do mais, seu pescoço está todo marcado de batom, diga a Alaric que essa cor não combina com o tom de pele dele se for assim.

- Oh o meu pescoço está marcado de batom?! - perguntei com um riso nervoso, tentando disfarçar que a possibilidade dela ter razão ser bastante grande. - Eu não caio mais nessa, irmãzinha.

- Então você realmente não viu a marca de batom do seu pescoço e nem da sua camisa? - ela riu, ajoelhando-se no sofá e levar a mão ao meu pescoço - Bem aqui, batom escuro. Gostei.

E naquele momento me ocorreu que talvez minha irmã tivesse razão e eu realmente estivesse sujo de batom. A possibilidade era imensa, uma vez que Elena não abandonara meu pescoço enquanto montava em mim... Céus porque ela tinha que me fazer lembrar disso?

- Oh... - engasguei, levantando de sobressalto de onde estava para ir até o espelho mais próximo na sala - Oh... Ahm... - e tacharam, a marca estava bem ali. A marca de batom escuro que eu desejava borrar e acabar com aquele contorno perfeito ao redor de seus lábios.

- Com quem passou a noite, Salvatore? - ela estreitou os olhos e eu encolhi os ombros - Você não vai me contar quem é a dona desse batom, Damon? Desde quando mantemos segredos um do outro?

Desde quando quem deixou os resquícios de batom em mim fora uma prostituta, pensei, mas obviamente não podia contar isso a minha irmã.

- Não tem nenhum segredo, Anabelle, eu passei a noite com alguém e foi isso. Não é como se eu estivesse de casamento marcado ou em um relacionamento sério, é só sexo. Se quer tanto saber onde eu estava, pronto, eu sai de casa para transar...

- Sexo casual, Damon? Você não tem cara e nem idade de quem faz sexo sem compromisso! -zombou.

- Oh o que você está insinuando? Que eu sou velho para prazer, é isso? - perguntei com um riso magoado - Mas fique sabendo que é exatamente isso, sexo e nada mais.

E era exatamente isso que estava acontecendo, tanto que minha voz havia saído com mais convicção que eu esperava. Havia saído tão confortável e certo que sequer parecia que eu pagava para transar com ela.

- Faz apenas uma semana que estamos saindo e estamos nos conhecendo, não tem nada a se esconder. - prossegui.

- Oh eu imagino o que vocês estão conhecendo no outro ao julgar sua aparência de pós foda. Posso saber onde vocês se conheceram?!

“Não...” Pensei.

-Em um bar, fui beber com Alaric e acabamos nos conhecendo. Nós saímos e foi isso. Acabou o interrogatório?

- Seu imbecil, você a está comendo essa semana inteira e sequer a levou para jantar? - aquela curiosidade passou para indignação antes que eu pudesse codificar e meu corpo cansado demorou para se reequilibrar quando ela me atingira forte com uma almofada.

- Anabelle! - a repreendi.

- Damon! - minha irmã imitou meu tom - Estou vendo que vocês estão se conhecendo, o máximo de palavras que devem trocar é "aaah" "isso" "mais"!

- Será que tem como você parar de imaginar minha vida sexual, por favor? - resmunguei impaciente, de cenho franzido - Eu já lhe disse que é apenas sexo! Nós conversamos sobre algumas coisas mas não passa disso.

- Eu não acredito nisso! A leve para jantar, Damon, para assistir um filme ou qualquer coisa que não acabe entre quatro paredes!

A ideia de não acabar entre quatro paredes com Nina parecia extremamente distante para mim, e eu tinha que confessar que devia isso ao fato de ela ser prostituta. Era impensável não transar com ela, tanto que me fazia querer rir.

- Eu acho que você está se intrometendo demais. Vou levá-la para jantar quando achar que devo fazer, por enquanto estamos bem dessa forma.

"E assim vamos permanecer" adicionei mentalmente.

- Céus, você é mais imbecil do que julgava. Não acredito nisso! - ela suspirou exausta - Posso ao menos saber o nome dela?

-Também não, querida, se der certo quem sabe... - o que de fato não iria acontecer.

- Damon! - ela me repreendeu - Dane-se o nome, mas a leve para jantar. Estou falando sério, fico com Emily amanhã e você a leva para comer alguma coisa e vocês conversam. Por favor, maninho, você precisa se dar uma chance... Já faz quatro anos, Damon.

- Eu realmente não quero falar sobre isso! - respondi pausadamente. - Você não me dá abertura para me meter em sua vida então não queira ter essa liberdade com a minha, Anabelle.

- Eu não me importo, não precisa falar, mas tem que escutar. Katherine se foi mas você precisa seguir em frente, se abrir. - ela encolheu os ombros. - Você continua aqui, a vida segue irmão.

- E se eu simplesmente não quiser? Katherine se foi, mas me deixou nossa filha, eu não posso simplesmente colocar qualquer pessoa na vida de Emily só para preencher uma lacuna na minha vida, Anabelle. Você não entende porque não têm filhos e minha prioridade é Emily!

- Wow essa foi a desculpa mais sem cabimento que eu já ouvi... Estou falando para seguir em frente, se envolver com outras mulheres e se distrair, não para trazê-la para morar aqui e apresentar a Emily. - ela corrigiu - Nem tudo na vida são responsabilidades, Damon, você já passa metade de sua vida internado em hospitais trabalhando. Precisa de um tempo para si.

- Estou bem, já disse! - insisti - As coisas estão bem do jeito que estão e de qualquer forma, mesmo que eu a levasse para um tour para a Europa as coisas não iriam dar certo.

E eu implorava para que ela não pedisse mais explicações sobre isso.

- Acabou o interrogatório agora? Estou liberado para poder dormir?

- Para ser sincera não acabei, mas não quero discutir com a sua cabeça dura, vá logo tomar um banho para tirar esse batom de você. - ela respondeu com um mau humor visível, fechando a cara para mim.

- Você vai ficar por aqui mesmo? - me aproximei dela e ela assentiu com um acenar de cabeça - Certo, boa noite.

Eu depositei um beijo demorado no topo da cabeça de minha irmã. - Ew Damon, saia daqui com esse seu cheiro de sexo e perfume de mulher barato!

- Céus como você é exagerada! - grunhi - Só peço para que não comente nada sobre isso com Emily, sabe como ela é difícil em relação as mulheres que eu saio.

- Minha boca é um túmulo. Sabe disso. - respondeu ofendida.

- Hm certo. Boa noite Ana.

- Noite Damon.

Sem puxar mais assunto com ela, eu dou meia volta e sigo para cozinha onde pego uma garrafa de água para levar ao quarto. Refaço o caminho da sala até as escadas de meu apartamento dúplex e passo no quarto de minha filha para a deixar um beijo. Mesmo que ela tivesse dormindo esse era um hábito nosso e, após um beijo demorado em sua testa e de ajeitar seus cobertores, eu finalmente sigo para o meu quarto no fim do corredor.

Aquele dia, que parecia interminável, finalmente estava chegando ao fim e eu não me demorei em entrar no banheiro para tomar um banho digno.  A água quente do chuveiro relaxava meus músculos rijos e levava consigo o cheiro e resquícios da mulher que criara raízes em minha mente. Era estranho eu não querer apaga-la de meu corpo? Ou seria ainda mais estranho desejar que ela estivesse em baixo daquele chuveiro comigo, dentro de seu corpo, com sua pele macia e molhada deslizando contra mim?

Na verdade, tudo que envolvia aquela mulher ultrapassava os limites da normalidade, desde seu sorriso sorrateiro a sua voz maliciosa, até o seu cheiro inebriante. E principalmente o fato de que enquanto eu estava ali, obcecado pelo seu sexo, ela estava transando com outros caras e pouco se fodendo por ter me deixado com pau duro no banho com lembranças nossas. Definitivamente eu havia voltado a ser adolescente, daqueles que batem punheta no chuveiro lembrando do decote da amiga da irmã mais velha, porque era exatamente daquele jeito que eu me sentia. Não me surpreenderia em encontrar algumas espinhas ao acordar na manhã seguinte.

Meus dedos já estavam enrugados quando consegui me convencer de sair da água quente e me secar. Talvez, se não fosse o cansaço que triplicara de tamanho meu corpo, continuaria a ser quase que um peso morto no box, mas com muito esforço consegui me secar superficialmente e vestir a primeira boxer que encontrei no armário para deitar-me, finalmente, em minha cama.

O sono chegou mais rápido que eu previa, trazendo consigo sonhos repletos de Ninas, luzes, gemidos e um quarto de bordel.

***

 O sol entrando pela janela me despertando, me lembrava de meu relapso da noite anterior de ter deixado aberta as cortinas, acabando com meus planos de ficar até um pouco mais na cama naquele sábado. Porra Damon. Virei-me na cama na tentativa de retomar aquele sono, com o apoio do travesseiro sobre minha cabeça, mas apenas o vislumbre do horário no relógio digital me fizera despertar em sobressalto... Era quase onze da manhã e eu havia perdido o horário, não apenas para para levar Emily ao treino de patinação, como do meu próprio dia de treino. O que diabos havia acontecido comigo na noite anterior?

Levantei-me às pressas da cama, me preparando mentalmente para um mau humor de uma pré-adolescente e em quantas mil formas poderia me acertar novamente com ela, mas o completo silêncio de meu apartamento não condizia com os sinais que esperava encontrar. Assim como a cama de Emily já estava estendida e a sala arrumada e silenciosa, o quarto de hospedes onde Anabelle havia dormido também estava da mesma forma, me fazendo começar a me estressar... Minha irmã sabia que eu detestava quando ela saia com a minha filha sem me dar notícias, esse era nosso acordo desde o princípio!

Resmungando aos quatro ventos, ali estava um Damon descontrolado e protetor que corria atrás de seu celular e pensava em quantas formas poderia, não mais amansar a filha pré-adolescente, mas sim brigar com a irresponsabilidade dela e da irmã de vinte e quatro anos. Porém, ao encontrar meu aparelho em meio as cobertas, uma mensagem de Anabelle não lida de algumas horas atrás conseguira aquietar meus ânimos.

"Sei que não gosta quando saio sem avisar com Emily, mas você chegou como um zumbi ontem e como estava dormindo tão bem fiquei com pena de acorda-lo... Desculpe-me por isso seu maluco. Levei Emmy ao treino e, depois disso vamos ver a mamãe em Nova Jérsei, provavelmente ficaremos lá o final de semana se for tudo bem para você... Espero que aproveite esses dias e, principalmente essa noite para sair para jantar, você está precisando disso maninho. Amamos você."

Um suspiro fundo derretido escapara de mim ao terminar de ler a maior mensagem de texto da história de minha irmã. Claro que eu não me importava com Anabelle levar a sobrinha para ver a avó, principalmente quando eu mesmo não conseguia ver minha própria mãe direito, mas o que me incomodava mesmo era o final de sua mensagem. Por dois dias eu teria meu apartamento completamente para mim e a tentação fazia-me desejar ter a companhia de certa pessoa que, segundo minha irmã, eu estava proibido de levar para cama.

Piegas dela, claro.

Ou melhor, talvez, não tivesse nada de errado em realmente leva-la para jantar. Ou teria?

 

 



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