História Sol da Meia Noite - Capítulo 2


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Categorias Star Wars
Personagens Anakin Skywalker (Darth Vader), Capitã Phasma, Finn, General Hux, Han Solo, Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Padmé Amidala, Poe Dameron, Rey
Tags Kylo Ren, Rey, Reylo, Star Wars
Visualizações 115
Palavras 1.936
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Segunda parte da angústia e uma revelação sobre a dor

Capítulo 2 - Breu


Me sentei curvado para o droid e a lâmina fria encostou na ferida aberta. Kayla continuava ao meu lado tentando fazer alguma coisa além de me irritar desde que chegamos a High Supremacy. A nave tinha uma enfermaria completamente nova e maior que a nave anterior, antes de ter sido partida na antiga batalha com a Resistência.

Senti a agulha da anestesia entrar mas afastei lentamente o ombro então ela não perfurou como deveria, para que assim o microlazer e as agulhas pudessem me fazer grunhir de dor, uma tonelada de dor que eu precisava exatamente no momento. E Kayla na minha frente observava a ferida, iria me impedir e me encher de perguntas se percebesse o que estava fazendo, então eu precisava engolir toda a dor, concentra-la pelo corpo sem me mover, sem expressar nada.

A agulha fervendo afundou a carne e passou a linha no início da fissura, depois apertou com um tranco e começou a junta-la, fazendo o sangue jorrar um pouco com a pressão. O músculo repuxava e as micro linha espetavam milhões de vezes a ferida enquanto suturavam, o procedimento é agonizante sem a anestesia.

Suportar a dor é um exercício constante, era o que Snoke dizia. Superar o medo do início e supera-la depois que ela passar, sem receio de ter que senti-la novamente. A cara repuxada de Kayla me dizia que ela ainda não sabia lidar. Apesar de forte e tendo passado nos testes o medo ainda continuaria até que ela fizesse exatamente como eu e aproveitasse esses momentos ímpares de completa aflição. Momentos quando seus músculos são repuxados de dentro pra fora, fervendo o sangue que se concentra no local ferido e faz os nervos pulsarem em desespero em uma reação em cadeia por todo o restante do corpo, da coluna até a ponta da cabeça quando encontram os nervos do cérebro contrito por algum trauma recente. Tal circunstancia é um momento perfeito pra se observar energia de Força que o lado sombrio consegue criar através da dor.

Esses momentos infelizmente ficam cada vez mais raros. Quando Snoke vivia ele conseguia me fazer submeter a esse tipo quando bem quisesse. E antes dele, Darth Vader havia alcançado um poder inimaginável por saber sintetizar esse conjunto de aflição, a constância do corpo doente e a dor da perda, as feridas na pele pujantes e a dor psicológica de ter errado e decepcionado a única pessoa que se importava com ele.

Este era o meu caminho, a senda, eu sabia desde o início. Desde a descoberta sobre meu avô previ muito do que viria, uma visão clara mas não completa. A família destruída e a traição de meu mestre, não sabia por completo mas sabia que seria assim, que os caminhos da Força me levariam para o mesmo lugar que meu avô e eu havia escolhido isso.

Mas admito que o surgimento dela me surpreendeu, penso nisso até hoje. Seu caminho, de tão distante se cruzando ao meu como aconteceu. Eu não a reconheci de imediato como com os atos da minha família mas a trama com Snoke mudou tudo e depois da ultima batalha com a antiga Resistencia eu soube que estava se repetindo. Que os sentimentos dela eram tão puros como foram os de minha avó por Vader, abrindo nele a mesma fenda de emoções intensas, de paixão, obsessão, fascínio e...amor.

Sempre me incomodou a dor psicológica ser maior que a dor física, tornava tudo mais difícil. Essa era a dor que eu estava acostumado quando lembrava dela, a de que eu estraguei tudo tão bem que a expressão de sofrimento em seu rosto alimentava exatamente o que eu precisava tirar da dor.

Mas matar a garota hoje tinha mudado as coisas. Eu só pensava em tirar Força obscura do velho sofrimento mas transpassar o sabre me fez ficar muito mais fraco. Estava sofrendo e sem forças, não conseguia nem sequer adentrar a mente de Kayla à minha frente se precisasse, que sempre foi tão aberta pra mim, aberta até demais.

Perdi as forças após Shaloyu, e ainda na nave fiquei com um medo absurdo de que aquilo era um sinal da Força de que eu ainda teria de matar Rey, confronta-la e matá-la de verdade.

Me afastei de todos e meio desesperado juntei o ultimo impulso que consegui pra tentar localiza-la através da Força. Apenas um minuto de concentração, sem chegar perto do limite de chamar pela conexão, e para o meu alívio e imediata agonia ela continuava lá. Em algum lugar da galáxia, com sua alegria espontânea, sua determinação que é um pulso forte de Luz, mas com uma seriedade nova, fruto de um leve mas contínuo sofrimento que permanece, que é a minha marca nela. A marca nela como a dela está em mim.

Provar por milésimos de segundo da presença dela fez o resto das minhas forças se esgotarem, e esse gosto amargo tomou conta de minha mente. Odeio chegar neste ponto, quando fico extremamente vulnerável, fraco. Todo o trabalho que fiz com o Lado Sombrio se dissolve, perco a concentração e as expectativas com o poder que tenho conseguido dominar.

Infelizmente a fraqueza sobre a qual Snoke tanto quis me ensinar a evitar vinha ocasionalmente agora. Ele ficaria orgulhoso em saber o que tive que fazer, talvez. E muito provavelmente teria me atrapalhado e nunca deixado chegar àquele ponto.

Ok de qualquer forma essa era a segunda vez que acontecia depois de tudo então...passei a cogitar que a Força me trairia desta forma de tempos em tempos, para testar meus poderes como seu manipulador. E também para trazer algum tipo de equilíbrio ao crescimento do meu domínio. De tudo o que li e compreendi, esta era a única explicação para tudo o que a Força havia criado entre mim e a garota de Jakku. O equilíbrio, vindo de um jeito ou de outro.

O droid terminou o serviço no ombro e dispensei Kayla com o ar neutro de sempre, recebendo todo o carisma que ela queria me dar:

- Obrigada por ter me levado hoje – sorriu com seu rosto incrivelmente lindo – Eu sei que tenho muito a aprender Mestre mas acho que aprendo rápido, certo?

- Estou certo que sim Kayla, e não me chame de Mestre... – tentei sorrir – tudo agora é uma questão de tempo – ela me lançava um daqueles olhares:

- Espero que sim – e saiu me deixando com o duplo sentido das minhas próprias palavras.

Ela é jovem demais inclusive para saber o quão destrutivos são os sentimentos que ela quer ter entre nós. Sei lidar melhor com isso então nunca permito que ela deixe fluir o que sente, mas eles estão sempre lá na energia que ela emana pra mim, pra contribuir com os meus próprios problemas.

Entrei no meu quarto vazio. O ombro repuxava me chamando a atenção as vezes mas a maior parte da dor já se fora. Cansado completamente fui para a cama tentar dormir e o peso do sono chegou como o primeiro alívio depois de horas.

Infelizmente só dormi cerca de duas horas até puxar o ombro com força e a dor me acordar. Dormir sempre foi um problema, principalmente depois dela. O problema quase principal.

Milhares de vezes eu entrei neste quarto ansiando vê-la pela conexão, era o nosso refúgio, ela em sua nave e eu aqui. A pequena fenda entre o espaço-tempo que Snoke decidiu abrir entre nós, inconsciente de até onde aquilo iria e que a Força se encarregaria de nos levar.

Começou me curando e me envolvendo nas sensações mais deliciosas que existiam, cheias do cheiro e do barulho do sorriso dela enquanto ela cavava a minha alma com um monte de perguntas idiotas e me deixava sempre irritado mas muito fascinado. E depois totalmente envolvido e com uma ânsia viciante de escuta-la ou tocar nela todos os dias, e que depois passou a ser a sede incontrolável pela boca dela, por seu corpo, pela pele macia  que era só minha, pela expressão de desejo na face dela quando não resistíamos um ao outro, pelas suas perguntas que não cessavam e pelas respostas que ela encontrou sobre mim.

Como uma fera ardilosa eu armei um plano pra que ela viesse até mim, uma armadilha perfeita para a pequena criatura atraída por seus sentimentos. Na verdade eu não conseguia mais fazer absolutamente nada no posto como Líder Supremo além de pensar nela e me recolher pra tentar nos conectar, saber aonde ela estava e o que fazia o dia todo ao lado daquela escória. Enxerguei a situação completamente deplorável na qual estava metido e tinha que acabar com aquele tormento ridículo, trazendo ela até mim. Ela veio e a intimidade entre nós levou tudo ao seu limite, toda a paixão que meus sentimentos conseguiam expressar e toda a força luminosa que me enfraqueceu completamente

E foi quando o destino começou a coloca-la novamente na direção dos sabres, primeiro do meu e depois os dos membros da Ordem e eu percebi que a morte dela era o seu destino enquanto ela permanecesse ao meu lado, enquanto escolhêssemos ficar juntos ela iria ser perseguida, mas que cabia a mim decidir, mais uma vez.

Agora a droga da amargura estava voltando e me deixando estranho, uma auto piedade ridícula e mortalmente venenosa. O ponto em que meus olhos lacrimejavam com as lembranças eram sempre o alerta da perda total do meu controle. Se eu permitisse piorar eu chegava ao ponto cruciante de ter que extravasar a raiva contra alguém – o que não funcionava - ou enfrentar...esse doloroso processo de refazer o caminho.

Por incrível que pareça, de todas as formas de tortura para superar qualquer coisa, me forçar a lembra dela e daquele ano juntos era a pior opção. Me forçar a repassar cada detalhe para que me deixasse em paz novamente era doloroso de um jeito que eu odiava. O orgulho cravava as unhas no meu peito com ira por ter me permitido envolver tanto com alguém que quase me destruiu e por desejar como um doente sentir a presença dela de novo todos os dias depois que nos separamos.

Agora eu vivia para pagar o preço pelo poder que eu queria, a lembrança dela se transformava em dor e raiva, e isso alimentava o meu lado sombrio como uma fonte inesgotável, me fazendo unicamente o mais poderoso entre todos os membros da Primeira Ordem. Eu transformei o caos em poder, a destruição em uma força inigualável.

Mas o preço era alto, um misto de arrependimento, frustração e desgosto por tudo o que havia conquistado. De vez em quando teria que passar por isso, pelo truque da Força, experimentar o sabor mortal de ter ferido e abandonado a única pessoa que...a única pessoa que cabia dentro de mim.

Eu tinha que fazer, parar de bloquear o turbilhão de pensamentos, deixar as lembranças fruírem, e talvez as lágrimas, na intensidade que viessem, levar minha mente ao limite, até finalmente conseguir abandona-la de novo e me convencer de que o que eu fiz foi o melhor possível.

E assim a memória das minhas mãos passeando pelas costas dela voltou, o calor, sua pele macia se arrepiando e tremendo em cima de mim enquanto eu segurava seus cabelos finos, e aquele pequeno rosto encostando em minha mandíbula, seu hálito quente tão perto, vendo-a fechar os olhos de prazer e medo, ela gemia e isso era a loucura que me alimentava. O prazer e o medo constante que ela sentia quando não resistia e se entregava, desde quando a segurei pela primeira vez, era o meu alimento envenenado.

Suspirei fundo com o sincero medo de morrer sufocado.


Notas Finais


Gostou? Me diz o que achou, é muito importante pra mim, beijos!


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