1. Spirit Fanfics >
  2. Sol da Meia Noite: O Despertar >
  3. A Lua Que Orbita Seu Planeta

História Sol da Meia Noite: O Despertar - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Oi pessoinhas ><
Bom, quem me acompanha a mais tempo sabe que eu tenho uma certa preocupação de correr mt com o desenvolvimento dos meus casais, então estou meio insegura com o cap de hj... Acontece que esses TaeTen se conhecem a vida toda, então espero que vcs não achem que isso aconteceu rápido demais ou algo assim sheuhsue eles tem intimidade e história o suficiente para se relacionarem de forma mais carnal >SPOILER ALERT: tem lemon nesse cap<
No próximo já teremos de volta a presença ilustre dos johnil, pra quem está com sdds dos pitelzinhos :3

Boa leitura, perdoem os errinhos e até as NF!
Obs.: o cap tá enorme por conta do lemon, então podem dar uma pausa no emoji de foguito se quiserem um tempo para respirar *-*

Capítulo 5 - A Lua Que Orbita Seu Planeta


10 Anos Antes

Desde os remotos tempos do fim da guerra os feiticeiros eram inclinados a acreditar quase única e exclusivamente na profecia. A Escolhida lhes traria de volta a velha glória da qual eles mal se lembravam, ela destronaria os lobos atacando de dentro do covil, ela serviria à causa mais nobre ao doar sua vida pelo seu povo. E em gratidão, o povo viveria sob a fidelidade forçada e infligida pelos Anciões, direcionada a ela.

 Mas Lee Taejoon sempre acreditou apenas no que ele podia ver. E eis o que ele via.

Ele via famílias tendo que entregar seus filhos às embarcações que partiam secretamente para a terra dos lobos em missões que nunca eram reveladas, ele via a fome e o frio que assolavam seus vizinhos e ele via a apatia que tomava crianças cuja imaginação era podada logo cedo por tarefas que eram mais importantes do que o brincar: ajudar no cultivo, ajudar na pesca, honrar a Escolhida.

 Taejoon nunca quis isso para Taeyong. Não importavam quantas batatas e cenouras ele seria capaz de colher no decorrer do dia, o que importava era o rubor e o suor das brincadeiras inocentes ao redor da vila às quais ele e Chittaphon se comprometiam. Taejoon não queria ver o momento em que ele tivesse idade o suficiente para ser mandado para longe de seus braços protetores, não queria ver toda a vitalidade de sua pequena criança ser sobrepujada por pensamentos arcaicos. Mas não foi olhando para Taeyong que Taejoon resolveu agir.

 Foi olhando para Jung Jaehyun.

 A família Jung era respeitada na pequena vila como aquela que tinha um relacionamento mais próximo dos Anciões sem ao menos serem servos internos do palácio. Seu filho mais velho já navegara em diversas missões em nome da Escolhida e do grande plano que os levaria de volta à terra dos lobos e eles acreditavam cegamente no que era pregado pelos Anciões. Taejoon achava quase triste a forma como criaram Jaebeom, mas o dilacerava observar Jaehyun crescer. Pois em Jaehyun ele tinha esperança.

Jaehyun também subia pelas árvores atrás de Chittaphon e Taeyong vez ou outra, também deixava de colher vegetais de vez em quando para passar o dia no mar e não sorria encantado para cada nova palavra dos Anciões sobre a honra da Escolhida ou o dever que tinham de segui-la. Taejoon podia ver que o fanatismo dos Jung assustava Jaehyun, ele podia ver que depois de cada dia que ele escolhia passar brincando com seu filho ao invés de se ocupar com tarefas da ilha, Jaehyun recebia repreensões silábicas e físicas que murchavam seu espírito jovem por dias silenciosos e melancólicos.

 Era uma noite de ventania sutil quando Taejoon escutou a discussão da família Jung aumentar timbres o suficiente para alcançar sua audição do lado de fora. O senhor Jung reclamava que Jaehyun só tomaria jeito quando fosse enviado na próxima remessa de treinamento para se tornar servo dos Anciões e culpava a mãe pelo garoto ser tão descrente das palavras sagradas ditadas pelos governantes. A mãe se irritava e dizia alto o quanto nunca desejou um segundo filho e que tudo aquilo era culpa do patriarca, que só pensava em aumentar sua reputação entre as pessoas simplórias do vilarejo. Prensando os lábios, Taejoon se perguntou o quanto doía em Jaehyun escutar aquelas palavras, mas não precisou imaginar muito quando notou a porta dos fundos da pequena casa ser escancarada em desespero e a diminuta figura correr desnorteada pela trilha que levava à praia. Preocupado, Taejoon escolheu segui-lo.

 Ele pensaria depois no poder que as pequenas escolhas têm de mudar completamente a vida de um indivíduo, ou dois. Mas naquele momento, tudo o que Taejoon fez foi caminhar em passadas apressadas até um estuário que abrigava embarcações simples das famílias pesqueiras. Jaehyun tentava desencalhar o barco de sua família do montante de areia onde ele estava preso, mas a maré era baixa naquela noite e Taejoon sorriu triste ao nota-lo fungando e esfregando o nariz.

 – O que pensa que vai fazer? – questionou com os braços cruzados e Jaehyun se sobressaltou com sua voz, girando o corpo em um pulo e arregalando os olhos molhados para o pai de um de seus amigos.

 – Eu... – bem, era óbvio que estava fugindo então não via sentido em inventar alguma desculpa. Com um suspiro, soltou – Por favor, não conte aos meus pais.

 Taejoon expirou e descruzou os braços, caminhando sem pressa até encher a mão com os fios de Jaehyun, acariciando-o com cuidado como fazia quando Taeyong estava com medo de alguma coisa.

 – Não vou contar – disse – Mas acha que iria longe em um barco à remo? Com essa ventania do leste? Você não passaria nem da primeira enseada, Jaehyun.

 O garoto arregalou os olhos e voltou o olhar para as águas revoltas do mar, alguns metros ao longe. O suspiro foi derrotado dessa vez e Taejoon lhe deu dois tapinhas no ombro.

 – Eu imagino que não deva ser fácil – disse e percebeu o punho secando o nariz pequeno enquanto Jaehyun controlava o próprio choro – Mas você não precisa levar em consideração tudo o que eles dizem.

 – Mas eles são meus pais – disse em uma voz conformada, mas Taejoon viu a confusão do semblante infantil.

 – E daí? São humanos como nós dois, certo? Também podem estar errados – Jaehyun parecia maravilhado pela fala de Taejoon e o mais velho precisou se conter para transformar a gargalhada em um sorriso simples – E a melhor forma de provar isso a eles é crescendo e superando as expectativas que colocam em você com as suas próprias.

 Jaehyun achou ousada a alternativa, mas acabou rindo. Parecia melhor do que se arriscar no barquinho não tão novo que tentava empurrar nos momentos anteriores. Antes que pudesse agradecer às palavras dele, uma terceira presença foi notada pelo farfalhar das folhas e Taejoon se moveu automaticamente ao proteger o corpo de Jaehyun com o seu.

 – Taejoon-hyung – Minhyung era um jovem bonito e gentil que, como Taejoon, não concordava com a forma de governo a que eram submetidos. Secretamente, eles formaram uma Aliança juntos há poucos meses, reunindo-se com outras famílias fartas da obsessão anciã – Alguém nos delatou, capturaram a Aliança. Levaram Dosoo.

 O peito de Taejoon diminuiu ao mesmo passo que sua mente parou, imitando sua respiração. Existem amizades que transcendem o plano físico em uma ligação íntima de almas e era assim que Taejoon se sentia em relação a Kim Dosoo, o pai de Kim Doyoung e tio de Lee Minhyung. Ele também fazia parte de sua pequena e silenciosa resistência, mas mantinha o filho longe de qualquer uma de suas reuniões. Pois era um pecado imperdoável questionar as leis anciãs ou suas profecias. Era uma transgressão digna de aprisionamento. E quando Minhyung disse que o levaram, Taejoon entendeu que sua descrença havia, de alguma forma, sido descoberta. Em um movimento rápido, se virou para Jaehyun e agachou de frente a ele, segurando-o pelos ombros em uma forma de passar seriedade sem assustá-lo mais do que ele já estava.

 – Consegue voltar sozinho? – questionou, os olhos grandes de Jaehyun ainda estavam rosados pelo choro recente, mas ele parecia tão concentrado em suas palavras que Taejoon se sentiu nauseado em deixa-lo sozinho.

 – O que... Está acontecendo? – perguntou e Taejoon suspirou, erguendo-se e acariciando uma última vez os fios macios.

 – Preciso ajudar um amigo – disse simplista e Jaehyun entendeu a urgência na pose rija e no olhar preocupado de Minhyung. Assentiu, conhecia o caminho para sua casa como a palma de sua mão. Mas mesmo depois das duas figuras esguias sumirem pela noite, Jaehyun continuou estático.

 Sabia que algo estava errado, era claro nas palavras e ações dos mais velhos. Mas ele sentia que era mais do que isso. Voltou em passos apressados para casa e entrou pela porta da frente, parando com um semblante surpreso ao notar a figura encoberta pelo manto escuro dos servos dos Anciões. Ele agradecia seus pais pela denúncia do grupo blasfemo e Jaehyun sentiu o mundo rodar assim que o olhar de seu pai caiu pétreo em seu corpo.

 O grupo blasfemo.

 Jaehyun, mesmo na pura inocência de sua jovem idade, entendeu que aquilo era uma armadilha. Haviam levado parte da Aliança exatamente para atrair o restante de seus companheiros e prender a todos, ou fazer algo pior. Ele mal sentiu quando os calcanhares giraram e o pequeno corpo correu em direção à Montanha Furada. Arfava as lufadas de ar que soltava durante a corrida, mas nem mesmo os tombos e a queimação na panturrilha diminuíram sua velocidade. O sorriso do senhor Taejoon, o carinho em seus fios e a presença reconfortante ainda eram frescas em sua mente. De todas as pessoas da vila, ele era o que menos merecia estar em uma prisão.

 E a vida de Jaehyun sofreu uma guinada brusca ao chegar na base do furo montanhoso, à poucos metros do castelo aterrorizante. Ele entendeu que Minhyung e Taejoon haviam conseguido acessar as masmorras e calabouços, ele viu os outros membros da Aliança ajudando os prisioneiros escaparem. E ele quase teve esperanças de que tudo desse certo. Até ver os servos marcharem de todos os lados para cerca-los.

 Não havia saída, seria um massacre. Jaehyun correu em direção a eles, sem entender como seu pequeno corpo poderia ajuda-los de qualquer forma. Mas era instintivo proteger aqueles que o protegiam, não era? Então porque os servos estavam atacando-os à sangue frio? Por que feriam aqueles aldeões desarmados e espalhavam seus corpos inertes pela terra cinza? Por que os olhos de Minhyung não tinham mais brilho e as roupas de Dosoo estavam manchadas de vermelho?

 Jaehyun parou seus passos sentindo-se impotente, sentindo que a base do mundo havia desaparecido de seus pés e ele despencava no trauma que aquela visão lhe imprimia no coração. Um a um, os integrantes da Aliança foram ao chão e ele viu quando o próprio Taejoon desistiu de lutar, o único homem de pé – mas não por muito tempo. Jaehyun fechou as mãos em punhos ao ver o corpo sempre tão ativo desabar contra o de Kim Dosoo, ele ouviu – mesmo daquela distância – quando Taejoon chorou a morte do melhor amigo. O som era assustador e Jaehyun não notou que chorava também, silencioso como nenhuma criança deveria chorar. Ele não entendeu quando, ao invés de findar sua vida, os servos o ergueram em um ímpeto, empurrando o corpo que se debatia querendo voltar ao luto ao lado de Dosoo. Jaehyun viu que o levaram vivo. E inspirando profundamente, secando as lágrimas salgadas que manchavam seu rosto sujo pelas partículas da montanha, ele voltou na mesma corrida da ida.

 Quando abriu a porta de novo, foi saudado com um tapa estalado e alto em seu rosto. A surpresa foi maior do que a dor e mesmo que não quisesse chorar pelo tratamento injusto, sentiu o peito queimar na tristeza da rejeição. Seu pai estava furioso, mas o espírito de Jaehyun estava decidido. Por isso ouviu os gritos em silêncio pela última vez.

– Você é uma desgraça, Jaehyun! – o grito não foi impedido pela mãe, que observava a tudo de braços cruzados de um lado da sala. O rosto impassível de quem não desprezava de todo aquela cena – É uma vergonha te ter como filho. Você acha que eu não sei que você estava com aquele imundo do Taejoon hoje? Que brinca com a imundice do filho dele?! Eu não vejo a hora de te mandar-

 – Me mande, por favor – disse na voz baixa que usaria por anos, uma voz quase desprovida de emoções que seus pais ouviram pela primeira e última vez naquele momento. Os braços de sua mãe se descruzaram e ambos o olharam confusos. Jaehyun inspirou e falou tudo na mesma respiração – Por favor, me mandem para o treinamento de servos.

 Seus pais acharam que o acontecido havia colocado algum juízo no filho mais novo e o sorriso mais orgulhoso que sua mãe lhe lançou foi quando o passou para as mãos frias e duras de servos do castelo que estariam encarregados de treiná-lo daquele dia em diante. Os dias seriam incolores, insípidos e gélidos e Jaehyun quase se entregaria pela forma desalmada que o moldavam, quase cairia nos encantos da lavagem cerebral que tentavam fazer em suas crenças. Mas toda noite, antes de dormir, pensaria na cena que presenciara, na crueldade dos servos e dos decretos dos Anciões. Sonharia quase toda noite com a morte da Aliança e resistiria.

 Resistiria para que pudesse fazer com Taejoon o que um dia ele fizera com todos da vila antes de ser traído: cuidaria e protegeria o homem que para sempre seria seu herói.

🔥

Atualmente

Taeyong respeitou o momento silencioso de Chittaphon, observando-o caminhar pacificamente entre os pertences de seu pai, analisando de forma superficial o que Taeyong havia reunido até ali. O semblante impassível incomodava Taeyong, odiava não conseguir lê-lo. Mas sabia que não tinha direito de cobrar reações quando havia escondido segredos dele. Não era por falta de confiança e esperava que Chittaphon entendesse isso. Era apenas pessoal demais, interno demais. E, no momento, grande demais para que continuasse guardando sozinho. Chittaphon caminhou até a entrada da caverna e sentou abraçando as canelas, os olhos acompanhavam as águas enegrecidas pela noite do mar ao longe e Taeyong entendeu que aquele era o momento de se aproximar. Com uma calma no semblante que não acompanhava o descompasso do coração, cruzou as pernas enquanto observava o mesmo horizonte que Chittaphon.

 – Você reuniu muitas coisas nos últimos anos, estou impressionado – a voz baixa fez Taeyong apertar os lábios em uma linha fina. Chittaphon estava chateado, mas o que machucava Taeyong era perceber ele tentar reprimir esse sentimento. Chittaphon sabia que não poderia cobrar todos os segredos de seu companheiro, mas ainda assim sentia uma injusta ponta de traição por algo tão grande ter sido acobertado por quem mais confiava no mundo.

 – Grande parte são coisas que meu pai e os outros integrantes da Aliança já tinham – respondeu retraído, era estranho se sentir desconfortável com Chittaphon. Era como se algo estivesse fora do lugar. Suspirou – Não queria que você ficasse chateado, eu só achei que era algo que eu precisava fazer sozinho.

 Chittaphon pareceu se encolher no próprio corpo ao fechar os olhos para inspirar. Soltou no ar da noite uma exalada baixa e percebeu o olhar de Taeyong em seu rosto mesmo que não o olhasse.

 – Eu não estou chateado com isso – disse e balançou a cabeça. Sabia que Taeyong o conhecia o suficiente para perceber que havia algo errado – Mas não vou dizer que não me incomodou. É estranho pensar que você fez isso sozinho por anos, talvez. Mas não é como se você me devesse todos os detalhes da sua vida – inspirou e Taeyong percebeu que ele não o olhava não por estar chateado, mas pela vergonha – Estou chateado comigo mesmo por me sentir incomodado com isso.

 Taeyong umedeceu os lábios com a língua enquanto segurava um sorriso ladino, sentindo os ombros se aliviarem ao deixar cair um peso inexistente. Mais confortável, esticou os braços até alcançar Chittaphon, conseguindo o olhar dele no seu pela primeira vez. Sem palavras, como muitas vezes eram dispensáveis entre eles, o chamou para mais perto e o recebeu contra seu corpo quando ele sentou de lado em seu colo. Era como ninar um bebê tê-lo com a mão pousada em seu ombro e sustentar seu corpo com um braço enquanto acariciava a coxa por cima de suas pernas. Era satisfatório quando sentia que podia protege-lo com seu corpo, reconforta-lo com seu calor ou fazê-lo feliz com suas palavras. Às vezes parecia que orbitava Chittaphon, como se uma energia cósmica o puxasse e prendesse eternamente a ele. E era exatamente ali, daquela forma, que se sentia feliz.

 A mão subiu suavemente da coxa até o semblante delicado, o polegar contornou as linhas que sempre tiravam o fôlego de Taeyong. Costumava pensar que Chittaphon havia sido esculpido por deuses em um dia de primavera florida, pois não havia pensamento lógico que explicasse tal beleza. Ainda pensava dessa forma. Os olhos dele brilhavam na direção dos seus, a mesma forma incandescente de amor que observava nos últimos anos. A mesma forma protetora e que o admirava mesmo que o próprio Taeyong não enxergasse em si muito a ser admirado. Mas Chittaphon fazia parecer que via muito mais na imensidão de seus olhos.

– Sabe que confio minha vida a você, não sabe?

Chittaphon apertou os lábios e Taeyong sabia que não era por desconfiar, e sim por saber o tamanho da veracidade daquela afirmação. Ele assentiu e Taeyong sorriu antes de se inclinar na direção dos lábios róseos que se desprenderam para recebe-lo no mesmo carinho que trocavam no decorrer dos anos. Os dedos se entrelaçaram sem que percebessem que haviam ordenado tal ação aos próprios corpos, era instintivo se conectarem de todas as formas possíveis. Apertando as costas de Taeyong como se o puxasse para mais perto, Chittaphon empurrou minimamente a ponta da língua contra os lábios finos e suspirou quando ele os separou para recebe-lo. Era como se uma pequena faísca incendiasse o sangue em suas veias, fogo e gasolina se encontrando no enroscar dos músculos. Chittaphon se ergueu minimamente para desenlaçar os dedos e leva-los à nuca de fios curtos, embrenhando os dedos em um aperto firme e prazeroso que fez Taeyong derreter em seus braços enquanto o apertava mais contra seu corpo.

 As respirações eram dificultosas, emboladas e sôfregas ao passo que o beijo se intensificava. Havia uma quantidade abundante de papeis espalhados na mesa baixa, livros antigos abertos em páginas marcadas pelo tempo e mistérios grandiosos e destrutivos esperando para serem desvendados a pouco metros deles. Mas naquele momento o mundo era pequeno demais, a importância do futuro era circunstancial. Nas mentes nubladas pelo prazer, a importância mais eminente era sanar as vontades que sentiam um do outro.

 Nos corações nublados pelo amor, o mundo podia acabar algumas horas mais tarde apenas para que tivessem tempo de se amar um pouco mais.

 Chittaphon arfou quando sentiu o movimento forte enquanto Taeyong se erguia e levava seu corpo junto. Sorriu extasiado e observá-lo daquela forma fez Taeyong se perder um pouco mais no sentimento que os atava juntos. Beijou carinhosamente a linha do maxilar, ouvindo as risadinhas provocadas pelas cócegas e acabando por sorrir ao sentir a felicidade dele o fazer feliz também. Seu peito se enchia daquilo que apenas Chittaphon sabia provocar. Atrás da mesa baixa, um pouco afastado da bagunça de folhas e evidências da Aliança, uma manta azul, fina e gasta pelo tempo comportava poucas almofadas – as únicas companhias de Taeyong quando se perdia em devaneios naquele lugar.

 Foi entre elas que depositou cuidadosamente o corpo de Chittaphon, parando momentaneamente acima de seu corpo para analisar o sorriso doce que parecia nunca lhe abandonar os lábios. Suspirou quando sentiu a mão dele acariciar sua maçã sobressaltada, descendo lentamente para desenhar a fina linha do lábio inferior.

 – Eu amo o jeito que você me olha – Chittaphon sussurrou e Taeyong virou o rosto minimamente para plantar um selar no polegar dele, gesto que aumentou seu sorriso.

 – E como eu te olho? – perguntou, descendo para selar a testa dele antes de seguir para a bochecha e o queixo. Aproximou os rostos, olhando-o nos olhos à espera de sua resposta.

 – Como se eu fosse seu mundo inteiro – disse, tons ainda mais baixos que fizeram os pelos de Taeyong se arrepiarem até a nuca.

 Era a confirmação de que era a lua que orbitava o planeta de Chittaphon, até ele percebia. Sorrindo, inclinou-se na direção dos lábios macios em um beijo lento pelo arrastar das bocas, os dedos de Chittaphon alcançando mais uma vez sua nuca em seu carinho favorito.

 – Eu sou sua lua, Chitta – murmurou, descendo os lábios para o pescoço delicado, deliciando-se ao percebê-lo ceder mais espaço e tremer abaixo de seu corpo – E farei tudo para iluminar até suas noites mais sombrias.

 Chittaphon assentiu, sentindo o peito apertar ao ser atingido por suas verdades sussurradas. Como se soubesse disso, Taeyong levou os lábios até seu peito, exatamente em cima de seu coração, e o beijou ainda por cima das roupas. Era tanto amor que as vezes doía, como se seu pequeno coração não o suportasse por completo, a ponto de extravasar. Mas os lábios cuidadosos o confortavam e Chittaphon sentiu vontade de chorar, dominado pelo sentimento despertado por Taeyong e Taeyong apenas.

 Os dedos esguios alcançaram a barra de sua camisa e ele o olhou, como em todas as outras vezes, procurando pela confirmação ou negativa. Sorrindo pequeno, Chittaphon se sentou e ergueu os braços para ajudá-lo. Taeyong selou seus lábios antes de puxar a peça e os selou mais uma vez quando o peito desnudo foi revelado, fazendo Chittaphon sorrir. Era a reação que mais amava provocar nele. Levou os lábios à clavícula marcada sob a pele bronzeada pelo sol. Os beijos terminavam no arranhar dos dentes ou em chupadas leves antes que a língua o tocasse. Mais uma vez os dedos de Chittaphon estavam em sua nuca e Taeyong se equilibrou na cintura dele ao sentir os arrepios que os dedos provocavam ao tocá-lo daquele jeito naquele lugar.

 Desceu minimamente o rosto e a caverna pareceu tremer ante o gemido de Chittaphon ao receber a língua quente e úmida no mamilo sensível, grunhindo quando Taeyong impiedosamente assoprou o lugar que acabara de chupar. Sorriu minimamente quando as mãos de Chittaphon adentraram com pressa sua blusa e sinalizou que ele poderia tirá-la ao erguer os braços também. Os dedos carinhosos desenharam os poucos e firmes músculos do abdômen e do peito e Chittaphon se inclinou para beijá-lo enquanto subia os dedos pela lateral do corpo esguio, percebendo-o tremer pelo toque suave na região erógena, agraciando-o com um gemido contido que foi sorvido por seus lábios. Gostava que Taeyong soubesse onde tocá-lo, mas era ainda mais satisfatório saber onde tocar a ele também.

 Antes que Taeyong percebesse como, Chittaphon estava sentado em seu colo com as mãos espalmadas em seu peito em busca de equilíbrio – e pequenas provocações ao arrastar as unhas curtas pela epiderme quente. Taeyong arfou quando o quadril se moveu de maneira cadenciada, espremendo sua ereção ainda em formação dentro da calça. Chittaphon se encaixava perfeitamente em seu colo, deixando-o acomodado entre suas bandas de maneira tão explícita que apertou ainda mais a cintura fina entre os dedos, os arfares se embolando e aumentando de volume. Com o polegar, Taeyong afastou a calça larga que ainda o cobria e Chittaphon ajudou a retirá-la antes de se dirigir à sua. As roupas íntimas foram descartadas com a mesma pressa e logo os braços de Taeyong circulavam o corpo de Chittaphon com posse e saudade, desejo e necessidade. Circulando ombros e cintura, mexeu as pernas até que chegassem na posição mais confortável, gemendo baixo nas vezes que as ereções se esbarravam. Duro e molhado, arfando e ligeiramente tonto pela vontade cada vez mais crescente de ter Taeyong, Chittaphon voltou a sentar em seu colo. Ambos gemeram mais alto dessa vez, mais sensíveis do que quando começaram as provocações.

 Os movimentos de quadril foram mais fortes e lentos, a glande de Taeyong esbarrando por vezes na entrada entre as nádegas e os gemidos aumentando de frequência e sofreguidão.

 – Tae – gemeu arrastado, fazendo os dedos de Taeyong estreitarem ainda mais o aperto, printando em seu quadril as provas do incêndio que começavam na caverna iluminada pela lua – Por favor...

 Sem mais palavras necessárias, Taeyong o puxou para mais perto, deixando-o deitado em seu corpo enquanto o beijava no pescoço e levava os dedos previamente umedecidos pela saliva até o espaço entre as nádegas. Sabia não ser o suficiente para aliviar a dor, então desejou que Chittaphon estivesse confortável o suficiente para que o desconforto fosse mínimo. Ele resmungou quando adentrou o primeiro dedo e Taeyong o beijou mais fervorosamente no pescoço, deixando a cintura dele mexer em busca de alívio ao friccionar o órgão pesado entre os abdomens. Gemeram juntos quando o segundo dedo entrou com mais facilidade, os movimentos de Chittaphon afetando aos dois. No terceiro dedo, Chittaphon travou minimamente e cessou os movimentos, fechando os olhos com força.

 – Ei – Taeyong o chamou, mesmo ofegante. Chittaphon moveu-se minimamente para olhá-lo e gemeu baixinho por ainda ter os dedos em seu interior – Sabe que não será bom para mim se não for para você, certo?

 Chittaphon nem acreditou que conseguiu sorrir mesmo na situação em que se encontravam. Assentiu e beijou o queixo fino, relaxando pela confiança nas palavras dele. Taeyong jamais continuaria se pedisse para parar. Voltou a deitar o rosto ao lado da cabeça dele e murmurou.

 – Continua.

Umedecendo os lábios e pulsando sem conseguir controlar as próprias vontades, adentrou o terceiro dedo com cuidado e esperou que Chittaphon parasse de mostrar resistência. Levou a outra mão a uma das nádegas, incentivando-o a rebolar enquanto beijava seu pescoço. E Chittaphon o fez, lentamente, até que gemesse pelo puro prazer dos estímulos. Taeyong diminuiu os movimentos até sair lentamente do interior apertado e, concentrando a força nos braços, Chittaphon se ergueu. Estava rubro, no mesmo tom das bochechas de Taeyong, e sorriu ao voltar a sentar no colo dele. Levou a mão até o membro ereto atrás de seu corpo, erguendo minimamente o corpo antes de direcioná-lo para onde queria, sentando lentamente na extensão inchada. Gemeram juntos até que Chittaphon alcançasse a base, tremendo inteiramente e fechando os olhos em deleite. Os abriu quando a mão de Taeyong acariciou seu braço e levou os dedos até seu quadril, incentivando-o a continuar. Rebolou lentamente, para frente e para trás antes de fazer um círculo lento que fez ambos gemerem mais alto.

 – Chitta – o chamado saiu sem que Taeyong percebesse e foi como o estopim para que os movimentos ficassem mais intensos.

 As coxas grossas de Chittaphon o forçaram para cima e para baixo e o som dentro da caverna se tornou ainda mais explícito conforme os gemidos aumentavam, o suor acumulava e os movimentos se apressavam. As mãos de Taeyong o puxavam em direção ao seu quadril ao mesmo tempo em que se erguia na direção das investidas dele. Sentia que chegava fundo, sentia que o atingia onde precisava quando os olhos de Chittaphon cerravam e os gemidos saíam arrastados e desesperados. Ele se inclinou em sua direção, apoiado na manta e com o rosto escondido em seu pescoço, movimentos cadenciados que evidenciavam o cansaço das pernas e mesmo assim ele buscava pelo prazer. Taeyong o segurou pelos fios, rebolando contra as reboladas dele, gemendo contra seu ouvido para vê-lo se arrepiar.

 – Eu preciso de você – foi Taeyong quem disse e Chittaphon se ergueu lentamente, apenas o suficiente para encarar os olhos negros.

 Taeyong parecia ainda mais intenso correspondendo seu olhar daquela forma, se maravilhando na respiração ofegante e na pele corada de Chittaphon. Eles já se tinham, Taeyong o estava tendo naquele exato momento, mas Chittaphon entendia o que ele realmente queria dizer. Lentamente e ligeiramente a contragosto, ergueu-se até sentir seu interior vazio mais uma vez. Com um cuidado suave, tocou o rosto dele com os dedos e beijou seu queixo antes de sussurrar.

 – Vira de bruços para mim, Tae? – tão carinhoso, tão baixo e sensível que Taeyong se desmanchou contra a manta azul antes de assentir quase inocente e fazer como pedido quando Chittaphon lhe deu espaço.

 Deitado com a cabeça sobre os braços apoiados no chão, Taeyong fechou os olhos quando sentiu os beijos carinhosos em sua lombar, arfando quando os lábios macios desceram por suas nádegas antes de Chittaphon as separar. Ele o beijou calmamente em seu ponto sensível e Taeyong mordeu os lábios em constrangimento, mesmo que soubesse ser desnecessário. Ouviu sons úmidos precederem o roçar do indicador molhado pela saliva de Chittaphon entre suas bandas, se concentrando nos beijos que agora ele espalhava por seus ombros para relaxar e permitir que ele adentrasse aos poucos.

 Às vezes se perdia no carinho que Chittaphon empregava em cada ato, por isso, mesmo meio à dor, gemeu e se remexeu baixinho buscando por mais. Pois sendo Chittaphon, sempre seria bom o bastante, mas nunca o teria o suficiente. Sempre quereria por mais. Gemeu baixo quando sentiu a ereção dele escorregar por seu vão, um estímulo quase devasso que o fez tremer tanto quanto o gemido grave que Chittaphon deixou escapar. Ele encaixou a glande em sua entrada e quando Taeyong gemeu mais alto e arqueou as costas, sentiu os dedos dele apoiarem seu queixo. Lentamente, Chittaphon abriu espaço entre seus músculos e a coluna arqueada em um ângulo tão belo a sua frente o fazia pulsar enquanto se encaixavam por inteiro. Era quente e apertado, as contrações o massageavam deliciosamente, mas faziam Taeyong resmungar.

 – Calma, Tae. Com calma – pediu, tremia com vontade de dar vazão ao desejo acumulado, mas percebia que o rosto franzido não era apenas de prazer. Beijou a nuca e os ombros percebendo-o relaxar aos poucos – Relaxa, não tente me expulsar.

 Quando ele gemeu baixinho e moveu o quadril em sua direção, Chittaphon entendeu que poderia continuar. Gemeram juntos na primeira estocada lenta, mas ela foi uma das únicas assim. Com o queixo ainda sustentado pelos dedos de Chittaphon, Taeyong se sentia à deriva. Exposto e vulnerável de uma forma que apenas Chittaphon via, que apenas nele confiava para mostrar. Pedia por mais ao chocar seu quadril contra o dele, gemendo alto o prazer provocado e sendo agraciado pelas mordidas que recebia nos ombros quando ele tentava controlar as próprias reações. Ofegantes e suados, cansados e necessitados de expulsar o prazer em sua forma mais luxuriosa. Chittaphon rebolou lentamente antes de voltar a estoca-lo mais lento e mais profundo, alcançando-o exatamente onde precisava. Taeyong perdeu a força nos braços e deixou que se peito tocasse a manta, a mão de Chittaphon sendo a única coisa que mantinha seu rosto ainda erguido.

 – Chitta – chamou, clamou no torpor do prazer. Um aviso, uma súplica. E entendendo seu corpo nas entrelinhas e explicitudes, Chittaphon contornou sua cintura, deixando-o ligeiramente mais empinado para alcançar o órgão inchado e sensível. Deslizou a mão em um estímulo molhado pelo prazer e o ouviu um choramingar antes que Taeyong tremesse e se desfizesse em suas mãos.

 O estimulou ainda mais um tempo, deixando beijos pela pele exposta como se o parabenizasse e deixou que o rosto dele enfim descansasse contra os braços novamente. Como se para mostrar que não tinha esquecido dele, mesmo cansado, Taeyong ergueu minimamente o quadril, como se pedisse que Chittaphon não parasse até chegar lá. A cena o fez grunhir e os dedos firmes apertaram o quadril para que estocasse com mais velocidade. Taeyong gemeu com ele, se arrepiando pela sensibilidade e se deliciando ao sentir Chittaphon se perder no prazer que se proporcionavam, ao sentir o hálito quente e úmido abaixo de sua orelha enquanto ele gemia sofrido e se desfazia entre suas paredes. Gemeram arrastado, o prazer de Chittaphon escorrendo pelas coxas de Taeyong quando se retirou com delicadeza e se jogou de barriga para cima ao lado dele. Se deram o próprio tempo para a recuperação do ar e o desanuviamento das mentes, os corações voltando aos poucos ao trabalho normal e se olharam ao mesmo tempo, arrancando sorrisos preguiçosos um do outro.

 Foi Taeyong quem se moveu primeiro, apenas o suficiente para deitar o rosto contra o peito nu de Chittaphon, que moveu as mãos como por reflexo na direção dele, acariciando os fios da nuca e a pele do braço sobre seu abdômen. Taeyong estava quase se entregando ao sono quando ouviu a voz dele novamente.

 –  Ainda precisamos conversar sobre tudo isso – ergueu os olhos e notou Chittaphon observando as coisas de seu pai. Suspirou, ganhando o olhar dele no seu antes de sentir os dedos gentis massageando entre as sobrancelhas para espantar a ruga de preocupação que surgiu – Estou aqui para te ouvir, meu amor. Não precisa continuar carregando tudo sozinho – incerto se soaria grosseiro ou ressentido, completou – Nunca precisou.

 Taeyong o olhou por um momento antes de se desfazer num sorriso fácil e alcançar os lábios inchados. Selando vagarosa e lentamente, suspiraram até que afagasse os cabelos dele e respondesse.

 – Eu sei – e quando voltou a repousar a cabeça sobre o peito que sempre seria seu melhor abrigo, Taeyong começou a contar.

 


Notas Finais


É isso, galeris!
Talvez seja o lemon mais precoce das minhas fics kk mas existem mais coisas a serem desenvolvidas, então precisava aproveitar agora para colocar esse momento deles. Será que teremos um momento johnil? É algo que vcs gostariam de ler?

Me digam o que acharam das descobertas sobre oq aconteceu dez anos atrás!
Pq Taejoon foi o único sobrevivente da Aliança? Oq a Aliança descobriu e Taeyong guardou em segredo na caverna? Teorizem ~
Ou não haha
P.S.: perdoem a qualidade do lemon sheuhsue

Obrigada por lerem até aqui e não esqueçam que o feedback de vcs é importante demais pra mim!
Até o próximo com nosso johnil lindo e cheroso :3
XOXO


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...