História Sol e Lua - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Personagens Jinyoung, Mark
Tags Apolo, Artêmis, Got7, Jinyoung, Mark, Markjin, Mitologia Grega, Starter
Visualizações 78
Palavras 4.679
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Preciso dizer que me arrisquei muito escrevendo essa fic, amo demais esse universo de mitologia grega, mas não tenho conhecimento quase nenhum por assim dizer.
Embora tenha sido trabalhoso eu simplesmente amei escrever e to me sentindo bem feliz com o resultado.
Agradeço PRA CARALHO a @eternomalik que me aguentou enchendo o saco dela esses dias todos, te amo Kah.
Agradeço também a @peronni que também me aguentou enchendo o saco dela, mas valeu a pena pq saiu esse hino de capa, te amo passarinho.
Espero que gostem e boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Quando Ártemis escolhe suas caçadoras ela preza principalmente pela fidelidade e pureza das meninas. A partir do momento em que elas aceitam todas as condições impostas pela deusa, tudo que está a sua volta é rejeitado e elas têm que se entregar de corpo e alma a caça para que possam ser perfeitas no que fizerem e dar orgulho a deusa da lua. Entretanto, várias delas acabam negando a caça e também a imortalidade que lhes é oferecida por um único motivo, o amor, sentimento este que deve ser abandonado para que se juntem a caça.

Com Haneul não foi diferente, a mortal havia sido recrutada bem nova pela deusa e como ainda não havia provado do sentimento, não achou incômodo rejeitar o amor romântico, passou anos servindo na caça e se acostumou totalmente a viver daquele jeito, somente entre as caçadoras; mas foi em um belo dia de serviço onde estava junto a outras caçadoras ajudando meios-sangues a chegarem em segurança ao acampamento que se viu completamente apaixonada por um filho de Ares, o deus da guerra.

Haneul ficou fascinada com tal beleza, nunca havia sentido as coisas que sentiu quando olhou bem fundo nos olhos negros; diferente da maioria dos filhos de Ares Daejung não possuía tanta malícia e maldade, era mais pacífico e até mesmo foi desacreditado quando disse que era filho do deus da guerra. Se passado meses de encontros secretos e um sentimento considerado proibido entre as caçadoras Haneul tomou coragem o suficiente e acabou por quebrar os votos que havia feito e deixou de ser uma caçadora.

Conforme o tempo foi passando Haneul ficava absurdamente feliz com a escolha que tinha feito, amava a vida como caçadora, mas poder sentir o amor recíproco era algo indescritível e nem mesmo a imortalidade que lhe era oferecida chegava aos pés da vida que tinha com Daejung, que por sinal, era um marido excepcionalmente maravilhoso. Em certo momento da vida Haneul sentiu uma coisa curiosa, sentiu outro tipo de amor, algo até mesmo maior do que sentia por Daejung, ela havia ficado grávida. Não soube colocar em palavras ou em pensamentos a felicidade em sentir seu pequeno menino chutando sua barriga ou se ajeitando dentro de seu corpo.

É estranho pensar em algo desse tipo, mas somente Haneul conseguia sentir a felicidade em cada um daqueles gestos um tanto quanto incomuns. Os anos se passaram e sua vida continuava perfeita aos seus olhos, seu menino ia crescendo saudável e seu marido era o ideal para si, mas como nem tudo que é bom dura para sempre Haneul teve um gostinho do sofrimento que o amor infelizmente sempre trazia. Em uma das várias batalhas em que Daejung participava o filho de Ares acabou morrendo, foi apunhalado e não resistiu; Haneul nunca imaginou sofrer daquela forma, nunca mais iria ter o seu primeiro e único amor de volta e foi castigada a viver uma vida toda sem ele.

Por mais que fosse difícil continuar a viver sem seu amado por perto, Haneul tinha seu pequeno Jinyoung que lhe servia de âncora em dias difíceis e ainda mantinha vivo dentro de si o sentimento de amor. Quando Jinyoung estava para completar seus doze anos de idade Haneul sentiu que estava chegando ao fim da vida, os vários anos servindo a caça lhe renderam uma boa parte da vida e da sua juventude e, por mais que não aparentasse tanto assim em sua fisionomia, sua alma já era velha e sua saúde ia definhando aos poucos.

Com medo de seu filho ficar sozinho no mundo sem ninguém para cuidar de si, Haneul não teve outra escolha senão ir falar com a deusa da lua que lhe acolheu quando era bem nova. Haneul se encontrou com Ártemis no meio da madrugada dentro da floresta onde a deusa sempre vagava e com seu coração bem aberto pediu encarecidamente para que a deusa ajudasse seu filho. Haneul explicou que não tinha mais ninguém da família com o passar dos anos servindo a caça e que a família do marido nunca havia aparecido; se desculpou por ter traído a deusa e disse que se não fosse de extrema importância jamais pediria algo daquele nível. Ártemis escutou a mulher com calma, sentiu a dor nas palavras e se lembrou de quando Haneul era apenas uma criança e teve seu coração amolecido; a deusa não tinha fama de ser alguém de má índole e quando viu sinceridade nas palavras de sua ex-caçadora aceitou em abençoar o filho de Haneul.

Quando a mulher morreu, Ártemis se revelou para Jinyoung e disse ao menino que agora ela seria responsável por ele, Jinyoung sentiu medo, mas viu nos olhos da deusa uma confiança estranha e aceitou sem rodeios ir com a mulher para onde quer que fosse. Jinyoung era treinado e educado longe das outras caçadoras, o que ele tinha era uma benção já que Ártemis nunca havia recrutado nenhum caçador antes e por isso vivia totalmente isolado. Com o passar dos anos Jinyoung ficava mais maduro e forte, se mostrava um excelente caçador e Ártemis via que ele tinha herdado certos talentos da mãe e também do pai já que Jinyoung manuseava uma espada como ninguém e tinha elegância na hora de lidar com o arco e flecha.

 O Park nunca havia tido nenhum contato com as caçadoras, tinha seu próprio mundinho dentro do chalé pequeno que vivia na floresta e ocupava todo o seu tempo melhorando suas habilidades na caça para que pudesse ser perfeito em qualquer missão que lhe fosse designada, e tudo isso valeu a pena. Nas primeiras missões Jinyoung havia sido perfeito e como era um caçador sozinho, agia de forma pacífica, nunca dando a entender que ele havia sido treinado por Ártemis, já que, não era nenhum pouco comum a deusa possuir caçadores homens.

E foi por essa perfeição que Jinyoung foi escolhido para algo que iria mudar sua vida. Não era comum, mas às vezes os deuses podiam ter simpatia pelos seus filhos meios-sangues; Apolo era um exemplo disso, já que havia criado um carinho incomum por seu filho Mark que possuía muitas características suas. O jovem iria voltar para casa depois de uma longa temporada no acampamento, mas o caminho era perigoso pela enorme presença de ciclopes e Apolo conhecendo as criaturas não se aquietava em seu lugar com medo de algo acontecer ao filho. Foi quando o deus do sol resolveu conversar com sua irmã e lhe pedir que alguma de suas caçadoras acompanhasse Mark até estar bem seguro.

Ártemis aceitou o pedido, e esperta como sempre mandou que Jinyoung fosse o responsável pela missão, tendo em vista de que a maioria de suas caçadoras não gostava muito da ideia de ficarem sozinhas com outro garoto por muito tempo. Jinyoung aceitou prontamente e dentro de alguns dias se viu em frente ao acampamento para acompanhar o filho do deus do sol. De longe o Park viu o garoto que tinha as mesmas descrições feitas por Ártemis, acenou de leve para o rapaz que logo estava na sua frente parecendo meio acanhado.

— Então foi você que meu pai escolheu? Eu imaginava que seria alguma caçadora já que ele me disse que tentaria falar com a irmã, você é algum semideus? — Jinyoung sabia da parte do comunicativo presente nos filhos de Apolo, só esperava que não fosse em excesso.

— Vamos, não quero ter que viajar durante a noite. — por mais que tivesse se acostumado totalmente com a parte noturna, Jinyoung não se arriscaria a enfrentar ciclopes durante a madrugada. — E eu não sou um semideus.

— Não? Então o que exatamente você é? Meu pai é cuidadoso, tenho certeza de que ele não escolheria qualquer pessoa e você não tem porte de ser qualquer pessoa, você é descendente de algum semideus?

— Meu pai era filho de Ares. — para a infelicidade de Jinyoung, Mark parecia ser do tipo bastante comunicativo e sendo o Park alguém bastante antissocial por assim dizer, tentava não soar rude.

— Nossa, sério? Está explicado porque meu pai te escolheu você deve ser ótimo com coisas que tenham haver com guerras e batalhas. Sua mãe também era semideusa? Porque se for você deve ter herdado várias características divinas.

— Minha mãe não era semideusa. — respostas curtas e objetivas eram a saída de Jinyoung que estava andando um pouco mais a frente querendo se focar em cumprir seu objetivo.

— Entendi. Você parece com alguns filhos de Ares que tem no acampamento, mas ainda existe algo diferente em você, tem certeza que sua mãe não era semideusa? Ou então filhos de filhos de deuses possam ter características controvérsias já que não são descentes diretos dos deuses.

— Acho que saberia se minha mãe fosse semideusa.

— Você não é muito de falar, desculpe se estou incomodando é que conhecer alguém novo é empolgante e você parece ser legal, de todo modo espero que não se sinta muito constrangido com a minha facilidade em ficar falando, a propósito, você não me disse seu nome.

— Park Jinyoung.

— Prazer Jinyoung, eu sou o Mark.

— Eu sei. — Jinyoung soltou um murmúrio pedindo aos deuses que o garoto fizesse um pouco de silêncio para poder se focar em tudo que realmente importava naquele momento, levar Mark para casa.

O trajeto não era longo e Jinyoung facilmente se localizava pela selva, ao que Mark havia lhe contato, sua mãe construiu uma casa mais próxima do acampamento para poder ser mais fácil do filho se deslocar e por isso não era tão difícil chegar até o local, mas isso também facilitava a presença de monstros, como os ciclopes. Durante certo momento, a noite deu o ar da graça – como o Park já esperava – e com ela Jinyoung teve que ouvir pequenas reclamações vindas do filho de Apolo, que parecia se incomodar ao se locomover na noite.

Para não ter que ouvir mais do que gostaria, Jinyoung resolveu fazer uma pausa para que Mark dormisse, porque ele mesmo não iria dormir. Montou o necessário e se instalaram da forma mais confortável possível para não terem problemas durante a madrugada, Jinyoung fez uma fogueira e Mark se deitou perto dela. Por alguma razão Jinyoung se sentia observado e quando olhou ao redor percebeu que o olhar estava vindo de Mark que observava atentamente o caçador.

— O que foi? — Jinyoung não estava acostumado com aquele tipo de atenção e estava ficando deveras incomodado.

— Sua pele é super branca, como se não ficasse no sol e seus cabelos são pretíssimos, como a noite. Descendentes de Ares deveriam ter essas características? — Jinyoung bufou em descrença, o garoto não poderia ficar quieto por um minuto?

— Filhos de Apolo deveriam fazer tantas perguntas? — Mark riu, o estômago de Jinyoung estranhamente revirou.

— Aí eu já não sei, só sei que tenho curiosidade sobre você então por isso faço perguntas.

— Tem curiosidade em mim? — porque aquele garoto teria curiosidade em si? Jinyoung não tinha nada de interessante para oferecer, ninguém nunca havia sentido curiosidade sobre si.

— Sim, você é bastante calado, então deve ter vários segredos. Devem ser legais e sua vida parece ser interessante, até porque, meu pai não iria te escolher para me levar para casa só porque você é filho de um filho de Ares. — certamente Mark não era burro e Jinyoung não saberia sair daquela situação se o loiro lhe pressionasse.

— Não vai querer saber sobre mim. — Jinyoung se levantou pegando seu arco e interrompeu Mark antes mesmo que o garoto lhe questionasse. — Vou sair para caçar alguma coisa, não saia do lugar.

O garoto se retirou deixando Mark imerso em seus próprios pensamentos, era nítido para si que o rapaz de cabelos negros tinha lhe atraído, eram tão diferentes dados vários motivos e isso de certa forma encantava o garoto de cabelos loiros. Não era novidade que o filho de Apolo tinha uma grande curiosidade, coisa que herdou da mãe, então quando percebeu que Jinyoung estava fora do caminho resolveu mexer nas poucas coisas que pertenciam ao rapaz.

No meio da floresta escura estava Jinyoung com seu arco e flecha preparado caso algum animal aparecesse, mesmo que aparentasse estar concentrado na ação seus pensamentos constantemente se voltavam para o filho de Apolo. O garoto era peculiar e como Jinyoung nunca havia tido contato com praticamente ninguém aquilo parecia ser curioso demais, a forma como ele era espontâneo na hora de conversar, ou como se mostrava curioso sobre tudo nunca deixando faltar assunto, o loiro era alguém singular aos olhos de Jinyoung.

Nunca tinha mantido conversas longas com as outras pessoas com que teve contato, sua maior companhia era Ártemis, mesmo que a deusa só fizesse presença em seus sonhos e que só falasse com o rapaz a respeito da caça. Jinyoung sentia falta da mãe, era uma criança quando a mulher morreu, mas se lembrava dela, se lembrava das historias que lhe contava sobre os anos que passou na caça e como a mulher tinha um sorriso doce. Quando a mulher morreu Jinyoung soube que ficaria sozinho no mundo e mesmo quando foi recrutado pela deusa da lua, esse sentimento não foi embora, parecia ate mesmo ter ficado mais forte.

A flecha foi disparada em direção a um animal de pequeno porte, mas Jinyoung parecia tão cego que só viu a flecha quando a mesma atingiu um tronco de árvore espantando sua caça para longe. O garoto bufou e percebeu que pela primeira vez havia se desconcentrado, aish, não era comum de sua parte se perder em pensamentos, com a flecha em mãos o caçador decidiu voltar para o acampamento e esperava ver Mark dormindo, o que não aconteceu. Ao chegar ele viu Mark sentado perto da fogueira com algo em mãos, parecia ser algo importante já que o loiro parecia totalmente concentrado no objeto, quando se aproximou mais e viu do que se tratava seu corpo travou.

— O que você... — o rapaz que estava sentado se levantou rapidamente antes que Jinyoung tivesse reação.

— Eu sabia! Meu pai disse que ia conversar com Ártemis, não teria como você não ser um caçador.

— Isso não é da sua conta, devolva isso Mark. — o caçador se jogou na direção de Mark tentando a todo custo tirar o objeto de suas mãos.

— Não, agora que já sei seu segredo não tem porque escondê-lo. — Mark tinha as mãos atrás do corpo escondendo o objeto enquanto Jinyoung estava na sua frente tentando ter o que era seu de volta.

— Você não tem nada haver com a minha vida, devolva Mark! — os dois não pareciam querer ceder, se Jinyoung quisesse ele poderia usar a força, mas não seria justo.

Mark só queria saber um pouco mais sobre o garoto de cabelos pretos, queria entender aquele segredo e por isso não queria desistir. Jinyoung avançou sobre o rapaz levando suas mãos para trás do corpo de Mark tentando alcançar o objeto, o loiro recuou e acabou por se desequilibrar indo de encontro ao chão. A cena a seguir foi a mais clichê possível, Jinyoung estava em cima de Mark encarando os olhos castanhos do garoto que parecia totalmente sereno visto de tão perto, os dois se encaravam e as palavras pareciam ter sumido, ate que Mark caiu em si.

— É tão ruim assim ter alguém para compartilhar segredos? — a cabeça de Jinyoung voltou à razão e ele rapidamente pegou o objeto de volta e se sentou no chão deixando Mark ainda deitado. O caçador passou a mão pelo símbolo, era um arco mesclado com uma lua, de bronze, era bonito, era de sua mãe. A única lembrança concreta que tinha de sua genitoria. Jinyoung suspirou passando os dedos pelo objeto.

— Era da minha mãe, ela me deu quando me contou que já tinha sido uma caçadora. — a voz de Jinyoung era tão mansa que Mark achou que estivesse imaginando coisas, mas se colocou sobre os cotovelos vendo que era realmente o garoto que falava. — Não fui recrutado como todas as outras, fui abençoado por Ártemis que atendeu um pedido de minha mãe, ela quem cuida de mim.

Mark ainda olhava para Jinyoung esperando que ele continuasse, o garoto tinha perguntas, mas não gostaria de fazê-las no momento, queria que o moreno falasse desta vez. Os olhos negros de Jinyoung se voltaram para Mark e o olhar foi sustentado por minutos, o estômago de Jinyoung ainda revirava.

— Ninguém sabe que Ártemis me recrutou, bom, pelo menos ninguém deveria saber. Sou como um caçador fantasma, Ártemis me envia quando não tem outra escolha, ou quando não quer seu nome envolvido em certas ocasiões.

— Mas e as outras caçadoras?

— Elas também não sabem sobre mim, eu vivo num chalé na floresta e treino sozinho. — naquele momento Mark percebeu que tipo de garoto Jinyoung era, ele era um garoto solitário e por dentro também deveria ser triste.

— E seus familiares? — Jinyoung sorriu sem humor voltando os olhos para o objeto de bronze em suas mãos.

— Meu pai morreu em uma batalha, minha mãe morreu de causa natural. Nunca ouvi falar em outros familiares, eu tinha somente os dois e agora tenho somente Ártemis. — era triste ouvir aquelas palavras saírem da boca de Jinyoung, ele era um garoto sozinho e sua única companhia era uma deusa que provavelmente aparecia para si somente em sonhos. O rapaz não tinha ninguém.

Com cautela o loiro se sentou ao lado de Jinyoung, bem próximo, os ombros se encostando levemente e os corpos sentindo o calor um do outro, Mark olhou nos olhos negros do caçador e entendeu que Jinyoung só sentia medo em ser abandonado novamente, mesmo que não tivesse sido largado intencionalmente, o rapaz ainda sentia falta de uma presença sólida em sua vida.

— Você não tem só Ártemis, tem agora um filho de Apolo para lhe fazer companhia. — os dois sorriram, Jinyoung um pouco assustado com aquela aproximação nova e Mark sentindo-se bem por fazer Jinyoung se sentir bem.

O restante da noite foi silenciosa, nenhum dos dois sabia o que dizer e eles ate que preferiam o silêncio. Na manhã seguinte Mark foi deixado em casa, o loiro insistiu para que Jinyoung entrasse, mas o caçador negou e se despediu do filho de Apolo recebendo um beijo na bochecha e um sorriso iluminado. Jinyoung voltou para seu chalé com um sorriso no rosto, uma áurea diferente; seus dias de treinamento pareciam menos forçados, não se cobrava tanto e fazia o que achava que deveria fazer, naquele momento Jinyoung tinha um passatempo melhor, pensar no filho de Apolo.

Os dias se seguiam, Mark passava um tempo com a mãe e os irmãos, Jinyoung treinava em seu chalé como sempre, mas os dois tinham uma coisa só em mente. Tinham medo de nunca mais se virem, das coisas ficarem por ali mesmo e terem seus desejos reprimidos, Mark sentia medo de que Jinyoung não lhe procurasse mais pelos seus votos de caçador, Jinyoung sentia medo do filho de Apolo estar mentindo para si sobre ele agora ter a presença do loiro em sua vida. Eram duas crianças nessa situação movidos apenas pelas poucas experiências que tiveram juntos.

Mas como Afrodite não brincava em serviço quando o assunto era um amor tão puro e singelo – que nem havia sido descoberto ainda – os rapazes sempre davam um jeito de se verem, de uma forma inexplicável, mas se viam. E em um dia qualquer de muito sol e um vento refrescante, Jinyoung andava pela areia da praia. Às vezes o rapaz se pegava naquele pedaço de terra olhando a imensidão do mar admirando o trabalho de Poseidon enquanto sentia os raios solares lhe tocarem a pele que era tão acostumada com a noite fria, o rapaz andava descalço pela areia sentindo a água lhe tocar os pés fazendo com que eles se afundassem na areia molhada, foi quando sentiu uma presença.

Não se virou para ver quem era, por algum motivo Jinyoung já sabia e sua hipótese só se confirmou quando a mão quente e macia tocou a sua e seus dedos se entrelaçaram com o filho de Apolo que passou a caminhar calmamente do seu lado. Andaram uma boa parte em completo silêncio, apenas sentindo a maresia e como sempre, Mark foi o primeiro a falar.

— Achei que caçadores de Ártemis gostassem mais da noite. — Jinyoung riu olhando pela primeira vez o rosto iluminado do rapaz ao seu lado.

— Não sou um caçador comum.

— Mas tem costumes de um caçador comum. — o caçador negou com a cabeça ouvindo a risada de Mark, suas mãos ainda estavam unidas.

— Não deveria estar no acampamento? Ainda não entendo como consegue sair.

— Eu também não, mas acho que não vão dar falta de mim enquanto os jogos estiverem rolando.

— Você não participa? — Jinyoung se sentava na areia puxando Mark para se sentar ao seu lado, as mãos não estavam mais juntas, mas os corpos continuavam bem próximos.

— Acha mesmo que eu tenho paciência para competir contra os filhos de Ares ou filhos de Atena? — os dois riram enquanto Mark se deitava de lado colocando a cabeça no peito de Jinyoung.

— Eu te ensinaria se quisesse.

— Nah! Prefiro continuar como estou; gosto mais quando ficamos juntos, em silêncio.

— Você gosta do silêncio? — a voz foi carregada de sarcasmo e isso não passou despercebido para o filho de Apolo que ajeitou sua postura voltando a ficar sentado dessa vez olhando incrédulo para o caçador a sua frente.

— Você gosta do sol? — Mark usou o mesmo tom que Jinyoung arrancando risadas do moreno, Mark amava esses momentos em que Jinyoung sorria.

— Eu gosto do filho do deus do sol. — o loiro se constrangeu, mas Jinyoung parecia estar sendo sincero, mesmo que ainda houvesse um sorriso em seus lábios.

Mark se sentia quente pela vermelhidão em suas bochechas e a sensação só piorou quando ele viu Jinyoung se aproximar de si fechando os olhos e batendo a respiração contra seu rosto. Depois daquele momento Mark não viu nada, só sentiu quando os lábios macios e frios de Jinyoung se conectaram com os seus iniciando um beijo sem línguas, apenas o toque singelo e singular dos lábios que pareciam inocentes e tímidos perante àquilo. As bocas se separaram, mas os rostos não.

Era um contato novo, mas que fez as chamas em seus corações aumentarem consequentemente. Não houve palavras naquela tarde, somente beijos e carinhos desajeitados, nenhum dos dois sabia o que estavam fazendo, só sabiam que era o certo a se fazer porque era o que seus corações mandavam e ao obedecer nenhuma culpa lhes atingia, então sim, era o certo a se fazer.

A partir daquele dia Jinyoung não teve mais medo de ser abandonado e Mark não sentiu receio perante os votos de Jinyoung com Ártemis. Os dois se amavam e tinham certeza de que o amor falaria mais alto; os encontros continuaram às vezes a noite, às vezes durante o dia; às vezes na floresta, às vezes na praia; os garotos sempre davam um jeito e quando estavam juntos se sentiam como pessoas normais, não pareciam ter relações com deuses do olimpo. Era digno de um conto o romance dos dois, não se assustariam se a historia fosse contada na roda envolta da fogueira dali a alguns anos no acampamento meio-sangue, era singelo demais para não ser contata. Mas como todo conto, o romance deles teve um momento de controvérsia.

Jinyoung voltava de mais um encontro com Mark, estava radiante e seu sorriso não passava despercebido, o garoto estava se sentindo nas nuvens e nem notou quando entrou em seu chalé e viu a deusa da lua sentada parecendo impaciente, Jinyoung gelou por dentro, Ártemis só havia aparecido para si uma vez há anos atrás quando lhe recrutou.

—Aconteceu algo? —Jinyoung tentou não soar tão amedrontado.

—Eu que deveria perguntar isso, tem ido treinar em lugares tão distantes do chalé nos últimos meses. — Jinyoung engoliu seco enquanto guardava seu arco no lugar, o tom da deusa a pronunciar a palavra treinar fez os músculos do caçador se contraírem. — Na verdade percebi que você tem feito muito isso, achei que preferia ficar aqui, onde é de seu conhecimento.

—Apenas queria visitar outros lugares, treinar em ambientes novos.

— Vou lhe contar uma historia, sente-se. — a deusa puxou uma cadeira de frente para a sua e Jinyoung se sentou em obediência. — Anos atrás eu recrutei uma mortal, jovem, bom coração e que se mostrava muito fiel, foram anos de serviço à caça e se mostrando uma ótima caçadora. Mas um dia, essa caçadora foi enviada para uma missão onde ela conheceu uma pessoa da qual se apaixonou perdidamente, achando que me enganava ela se encontrava com ele várias vezes, ate tomar coragem o suficiente para me contar e quebrar os votos. Fim! Gostou?

Jinyoung estava mais branco do que o normal, Ártemis não era burra e Jinyoung não sabia o que fazer diante daquela situação. Ele sabia que estava agindo errado ao se encontrar com Mark, mas o que fazer quando o amor toma a frente de suas ações? Jinyoung não soube responder a deusa que estava a sua frente, só soube abaixar a cabeça em vergonha. Havia traído a mulher que o abençoou. Ártemis suspirou.

— Sua mãe era uma ótima caçadora, mas também deixou os sentimentos falarem mais alto. — o moreno olhou a deusa com a testa franzida, sua mãe? — Sua mãe saiu da caça por causa de seu pai, os dois eram iguais a você e aquele filho de Apolo, achavam que me enganavam.

— Me perdoe. — o rapaz voltou a abaixar a cabeça, mas ela foi erguida pelo queixo pelas mãos frias da deusa.

— Nunca irei compreender esse sentimento, mas parece ser a coisa mais poderosa do mundo, já que me tira caçadoras quase todos os anos. — os dois riram sem humor e Ártemis acariciou o rosto bonito do rapaz a sua frente passando a lhe olhar sério agora. — Você o ama?

— Amo, ainda não entendo o que isso quer dizer, mas eu o amo. — Jinyoung sabia o que estava fazendo, ele estava quebrando seus votos com Ártemis para poder viver seu amor romântico com Mark e não parecia ser errado.

— Você e sua mãe se parecem tanto... — a deusa sorriu e se levantou deixando um beijo no topo dos cabelos negros de Jinyoung antes de sair. — Espero que encontre felicidade.

A deusa saiu deixando um Jinyoung sorridente dentro de seu chalé, uma parte de si estava triste por abandonar a única vida que teve, mas outra se mostrava puramente feliz por começar uma vida nova ao lado de quem amava. Sem rodeios Jinyoung se pôs a correr querendo mais que tudo encontrar Mark, o garoto correu ate o acampamento pedindo aos deuses que lhe abençoasse só mais uma vez, o inexplicável precisava acontecer uma última vez na vida dele. Quando chegou a entrada esperou um pouco, seu coração batendo rápido e suas mãos suando, esperava impaciente, começava a achar que os deuses teriam desistido de si, andou de um lado para o outro enquanto implorava para Afrodite lhe ajudar só mais uma vez.

Jinyoung tremia por dentro em ansiedade e seu estado só piorou quando viu que os deuses tinham atendido seu pedido e o rosto iluminado de Mark apareceu entre as árvores. Jinyoung sorriu enquanto corria em direção a Mark por não conseguir se aguentar, os dois se abraçaram com força enquanto o caçador se sentia realizado por dentro por ter certeza dos próprios sentimentos. Jinyoung tinha lágrimas nos olhos enquanto sentia Mark afagar seus cabelos negros.

— O que foi Jinyoung? — Mark sussurrou rente ao seu ouvido de forma mansa.

— Estou feliz por ter um filho de Apolo como minha companhia.


Notas Finais


Eu sinto muito se vocês encontraram algum erro, revisei, mas sei lá neh??
Obrigador por lerem

Não sejam leitoras(es) fantasmas.
xoxo


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