História Sol Provocante - Capítulo 7


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Anna, Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Elsa, Emma Swan, Ingrid / Rainha da Neve / Sarah Fisher, Lacey (Belle), Lilith "Lily" Page, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Princesa Aurora, Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emmaswan, Lanaparrilla, Ouat, Reginamills, Swanqueen
Visualizações 146
Palavras 5.965
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela, Slash, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite, e ótima leitura a todos!

Capítulo 7 - Capítulo 7


 O domingo daquela semana passou voando. David passou o dia em casa, trancado no escritório resolvendo assuntos da empresa. Nada muito diferente. Ingrid leu livros, andou pelos corredores de casa sem ter algo de interessante para fazer e sorria cada vez que lembrava do passeio com a filha. Mas, o sorriso logo se desfazia sempre que lembrava que não poderia repetir a dose tão cedo. O sorriso sempre ia embora, cada vez que pensava no passado.

Por vezes naquele dia ela sentiu vontade de chorar. Já não aguentava tudo o que estava preso em seu peito, gritando para sair. Mas ela não podia. Não ainda. Era um assunto delicado demais para ser tratado a qualquer hora do dia, quando Emma chegasse do colégio ou durante um passeio no shopping. Instantaneamente, e pela milésima vez, Ingrid se arrependeu de não ter feito antes.

Emma permaneceu no quarto quase o dia inteiro. Vez ou outra foi ao quarto de pintura. Tocou com a ponta dos dedos cada pintura já feita, com a intenção de decorar a textura e relembrar o que sentia quando pintava. Mas, um específico a fez parar e analisar por longos minutos. A fez reviver a sensação pelo menos seiscentas vezes. A boa fonte.

Também procurou mais informações sobre Regina em sua rede social e assistiu a vários desenhos enquanto pensava no rumo que seu coração estava tomando. Estaria ela fazendo o certo, ao deixar ele tomar as decisões? Não deveria ela se

Regina estudou, como disse a mãe que faria. Adiantou a matéria de história, química e física, e notou em si própria uma melhora. E quando enfim terminou, ao pôr do sol, se alongou em seu quarto como sempre fazia. Arrumou os livros na prateleira, as meias na gaveta e as canetas do pote da escrivaninha. Caminhou por toda a casa quando terminou, e redecorou todos os detalhes dos quadros que haviam pelas paredes.

Henry ficou pelo jardim, cuidando das flores e tomando um pouco de ar. Morar ali era cansativo em demasia, ás vezes. Ele se sentia como um pássaro na gaiola, assim como Regina. Ambos com uma infinita vontade de voar para todos os cantos, mas com grades bem resistentes os impedindo.

Cora, esteve no escritório desde cedo adiantando o trabalho do colégio. Organizou tudo para o baile de inverno daquela semana, e fez várias notas mentais sobre o retorno de Zelena para a Califórnia. Principalmente, sobre sua companhia para Regina. Ela esperava, realmente que a filha mais velha enfim, tivesse adotado uma postura compatível com sua idade.

E o fim do dia, fora igual para todos. O mesmo vazio preenchia o peito de cada um. O mesmo vazio fez Emma chorar, fez Regina demorar a dormir e fez o peito de Ingrid doer. Doer tanto, quanto o de Mary Margareth noutro canto da cidade. Eram corações pequenos demais para tanta dor. Corações complexos demais pra qualquer situação no mundo.

POV> Emma

Segunda-feira

Ainda não consegui esquecer a noite passada. Para Elsa, Killian e Ruby pode ter sido apenas uma diversão com a qual estamos acostumados. Mas, para mim foi mais do que isso. Os sorrisos de Regina, o calor de sua pele tocando timidamente a minha, ainda estão gravados em minha memória. Não foi porque eu quis. Apenas se infiltraram e não saem, mesmo que eu queira. Eu nem sei se ela realmente gosta de mim, ou me odeia como diz. Mas, tudo bem! Tenho certeza de que isso não é amor. É apenas, uma atração. Isso! Apenas, atração.

Assim que cheguei ao colégio, meus olhos prontamente se puseram a procura da morena e logo a encontraram. E lá estava ela, sentada no corredor com o resto da turma. Por um momento, o som do mundo acabou. Eu a vi rir de alguma conversa boba vinda de Killian, mas não ouvi sua risada. Eu não consegui. Talvez fosse por causa da beleza em seu largo sorriso, fazendo seus olhos diminuírem chamando minha atenção. Mas talvez, fosse apenas porque meu dia já estava completo por simplesmente vê-la.

Preciso parar com isso!

Assim que me aproximei, eles se levantaram. Estranhamente, eu estava tímida. Sorri de um jeito diferente para eles, e principalmente para Regina. Ela me olhou de um jeito tão terno, tão dela que fui incapaz de não paralisar por um momento, ali mesmo. Só me dei conta da vida novamente, quando um aluno esbarrou em mim.

- Está acordada, Emma? - Ruby me chamou atenção.

- Bom dia, gente! - Cumprimento a todos, e eles correspondem com beijos e abraços. - Bom dia, Regina!

- Bom dia, Emma! - Me sorriu, com timidez.

Um engraçado silêncio se fez.

Eu definitivamente, não estou sabendo agir normalmente.

- Gente, que clima é esse? - Killian me vem com extravagância no tom de voz. - Vocês transaram?

- Eu também senti! - Ruby diz, rindo.

- Acho que qualquer um nesse corredor, sentiu. - Elsa acrescenta.

- Vocês são ridículos! - Digo ao rolar os olhos, e ajeitar a mochila mas costas.

- O quê você tem a dizer, Regina? - Killian a segura nas mãos, a fazendo rir.

Um palhaço, mesmo!

- Não aconteceu nada! - Puxou as mãos de volta. - Ela, apenas me deu bom dia! - Me olha, e eu sorrio envergonhada.

Quando foi que fiquei tão boba?

- Parem de sorrir tanto! - Ruby protesta. - Se vocês querem se pegar, façam logo! Não aguento mais esperar! - Cruza os braços.

- Do quê vocês estão falando? - Regina indaga, levemente ruborizada. - Não quero pegar ninguém! Isso é tudo coisa da cabeça de vocês!

- Ah, Regina! Não minta! - Elsa diz, com um olhar duvidoso. - A gente sente o clima entre vocês sempre que estão perto uma da outra! Não sabem nem disfarçar a vontade louca de se acabar, de tanto beijar! - Suspira, olhando para o nada e prossegue. - Parecem até casal de alguma comédia romântica!

- Eu já disse que não quero pegar ninguém! - Eleva o tom de voz, e ninguém mais fala. - O sinal vai tocar. É melhor todos entrarem! - Diz e sai na frente, a passos largos.

Tudo bem! Esta é a prova definitiva de que tudo na minha cabeça é uma grande ilusão! Uma ilusão que eu criei sozinha! Eu devo ter sérios problemas.

- O quê deu nela? - Killian cochicha ao meu ouvido.

- Não faço ideia! - Digo, e suspiro desanimada.

O sinal toca e seguimos para a sala. Mas ainda na porta, Rose veio saltitante até mim, e com um sorriso estranhamente maior que o rosto nos lábios. A cena seria assustadora, se não fosse Rose.

- Hey, pessoal! - Cumprimentou toda sorridente, e deixou um beijo em meu rosto.

Pela primeira vez, me incomodei.

- Decidiu aparecer? - Elsa indaga, fingindo ofensa. - Não falou conosco desde o início das aulas.

- Desculpem! - Faz cara de arrependimento. - As aulas, sem vocês não é a mesma coisa! Então acabei me afastando, sem querer. Fiz novos amigos, também e foi por isso que dei uma sumida.

- Ótimo exemplo de amizade! - Ruby é ríspida em sua resposta, e eu segurei o riso.

Ela e Killian não iam com a cara de Rose. Não sei exatamente o porquê. Talvez algum problema mal resolvido no passado. Nunca perguntei, pois nunca me interessou. Se Rose já foi alguém ruim, não importa! O importante, é quem ela é agora. E, particularmente a acho uma ótima pessoa. Ao menos, nunca me deu motivos para pensar o contrário.

- Emma, quero te perguntar uma coisa! - Se vira para mim, completamente animada segurando em minhas mãos.

Automaticamente procurei os olhos de Regina, e ela desviou. Já estava em seu devido lugar, aguardando a chegada da professora assim como o restante da turma. Ela estava brava, mas era comigo?

- Estou louca pra saber o quê é! - Respondo ao forçar um sorriso.

Elsa, Ruby e Killian estavam em silêncio junto com Regina. Havia algo de errado e eu ainda não sabia o quê era.

- Aceita ser meu par, no baile de inverno? - Era nítida a empolgação em sua voz.

- M-mas, eu vou com Killian! - Menti, sem saber o porquê.

- Killian, libera ela pra mim! - Pede para ele. Praticamente implora. - Vocês nem namoram de verdade!

- Eu não tenho nada a ver com isso! - Franze o cenho, não compactuando com a minha mentira.

Ódio dessa bicha! Ele me paga!

- Então, está tudo certo! - Responde e me puxa para um beijo inesperado na frente de todos.

O beijo desta vez, foi na boca.

Assim que consegui me desvencilhar de seus braços, busquei o olhar de Regina e a encontrei completamente vermelha. Não vermelha de vergonha, mas visivelmente de raiva. E foi então, que entendi que a culpa era minha desde o início.

- Até mais, Emms! - Rose se despede, e some no outro corredor, em seguida.

Ruby me olhou com um olhar reprovador, assim como Elsa e Killian. Regina, nem me olhou nos olhos e então, a professora chegou.

Fui em silêncio até meu devido lugar. A todo momento tentava puxar um assunto qualquer com Regina, e ela mal me respondia. Definitivamente, eu estava me sentindo uma completa idiota. Mas nem sabia o porquê, exatamente. Do nada, Regina saiu brava da conversa no corredor e cinco minutos mais tarde, os outros três estavam bravos comigo! Eu já não estava entendendo mais nada!

Tinha a ver com Rose?

Modo Narração

- Bom dia, turma! - A senhorita Blanchard entra na sala com os materiais nas mãos.

A pele está levemente pálida, e o olhar que sempre foi tão brilhante, está apagado. Mas, mesmo assim, o sorriso continua lá para todos. Não apenas pela ética profissional, mas porque Mary sempre fora assim. Emma notou, mas fez comentário algum.

- Estão animados para o baile deste ano? - Indaga e sorri ao ouvir na voz de todos a animação. - Todos já têm um par? - Transforma o doce do olhar, em um tipo de malícia divertida.

Emma busca o olhar de Regina, e a encontra completamente fixada ao que a professora diz. Ela nem estava interessada, pois seus planos era não ir. Não via um porquê pra isso. Apenas não queria olhar para Emma. Não naquele momento. Vê-la beijar Rose tão naturalmente, a incomodou demasiadamente.

Se perguntava a todo momento por que estava tão incomodada com aquilo. Segundo ela, não deveria ser o tal do amor que os amigos insinuaram. Não tinha como! Elas mal se conheciam, e se odiavam na maior parte do tempo! E definitivamente, nunca em sua vida cogitou a ideia de se apaixonar por uma garota. Muito menos, quando a garota era Emma Swan.

Ambas completamente diferentes, em quase todos os sentidos e ao mesmo tempo, tão iguais.

Não! Com certeza, não era qualquer tipo de atração e muito menos, amor.

- Tenho duas notícias sobre o baile! - Mary diz, caminhando de um lado ao outro. - Uma boa, e uma ruim, eu acho. Qual vocês querem ouvir primeiro?

- A ruim! - Todos respondem, em uníssono.

- A ruim, é que este ano nenhum buffet ficará encarregado de organizar o baile. - Sorri animada. - Vocês, é que farão absolutamente tudo!

- Ai, ninguém merece! - Uma aluna comenta, desanimada.

- Ora, vamos! Será divertido! - Mary, tenta animar a menina. - E agora vem a parte boa! - Faz um breve suspense, olhando no rosto de cada aluno. - Eu serei a capitã desta turma, e vou distribuir os afazeres! Nada de Gold, pra pegar no pé de vocês! - Brinca, sabendo que os alunos não gostavam do outro professor.

Todos comemoram.

Definitivamente, Mary Margareth era a professora preferida por todo o colégio. E por isso, era um tanto invejada por Gold e outros professores ali. Mas esta, sequer se importava.

- Ai, vai ser ótimo! - Killian comenta com Ruby, completamente empolgado.

- Com certeza! - A menina com olhos verdes concorda. - Eu adoro ela!

- O que será que deu na sarjentona pra nos deixar fazer tudo, este ano? - Emma fala baixo apenas para Ruby ouvir.

- Acho que tem a ver com a verba do colégio. - Dá de ombros.

- Você não sabe, Regina? - Emma indaga para a morena, que nem vira o rosto em sua direção.

- Pergunte a ela, Swan! - É seca em sua resposta.

- O quê foi que deu em você? - Franze o cenho. - Estava toda animada até ainda a pouco, e agora mal troca duas palavras comigo!

- Me deixe em paz, por favor!

Emma respira fundo, e cruza os braços completamente emburrada ao se virar para a frente.

- Já montei as duplas desta turma e cada uma já tem uma missão! - Ergueu um papel para que todos vissem. - Então, vamos começar! - Se senta na beirada de sua mesa, como de costume e segue com a lista.

Mary, citou os nomes de alguns alunos e seus respectivos afazeres. Todos estavam animados, mas não mais que o grupo mais conhecido do colégio.

- E finalizando, o cardápio ficará por conta de Killian e Ruby, junto com a dupla da sala 108… - Sorri ao vê-los festejar. - Elsa e Mulan, que são as mais responsáveis desta turma ficarão responsáveis pela parte da organização, ou seja, irão supervisionar todos vocês enquanto eu não estiver por perto, e vão ajudar no que precisarem.

Elsa acena para a jovem tímida do outro lado da sala, e ambas sorriem.

- E por fim, Emma e Regina ficarão responsáveis pela parte da iluminação e da música.

- O quê? - Regina indaga chamando a atenção da professora.

- Menos, Regina! - Emma resmunga ao rolar os olhos. - Eu não mordo, tá?

- Só se você pedir... - Ruby comenta.

- Não quero fazer dupla com a Emma! - Ignora o comentário.

- O quê eu te fiz?

- Pega fogo cabaré! - Killian solta, fazendo toda a turma rir e Emma o repreende com o olhar, fazendo ficar calado.

- Regina, não posso mudar as duplas. - Mary responde, ao se aproximar da mesa da morena. - Seria injusto com o restante da turma.

A morena faz uma expressão tão sôfrega, como se fosse a pior coisa do mundo. E, Mary ri com a cena.

- Se te consola, vocês vão ganhar pontos extras pela participação! - Diz, ao passar uma das mãos no ombro de Regina, e se vira para Emma. - Swan, o quê você fez desta vez?

- Juro que desta vez eu não fiz nada, senhorita Blanchard! - Ergue as mãos, em rendição.

- Deixei vocês duas juntas, pois vi que se deram bem. - Cruza os braços. - O que há de errado?

- Isso se chama fogo no c…

- Killian! - Mary ruborizou com a frase que se formou em sua mente, e o repreendeu. - Olhe os modos!

- Eu ia dizer apenas, fogo no couro! Calma! - Troca risos com todo o restante da turma. - Sou um muito educado, tudo bem? - Disse, e jogou seu cabelo imaginário para o lado, fazendo a professora sorrir.

Ao dizer isso, dois alunos não muito notáveis da turma se incomodaram. Eles já haviam percebido na forma de agir e falar de Killian, que ele era gay. Ele não era do tipo que gostava de corresponder ao sexo em seu corpo. Adorava tudo no universo feminino, e sentia orgulho de quem era.

Nunca em sua vida, sequer cogitou a ideia de abaixar a cabeça algum dia para quem quer lhe apontasse o dedo, ou o humilhasse.

- É bom que seja isso mesmo!

Mary responde com um olhar divertido, e volta para a frente de toda a turma.

- Bem, tarefas entregues! Teremos essa semana inteira para organizar tudo, mas no período da tarde apenas. Para não atrapalhar as aulas. Se esforcem, e divirtam-se! Mas, por favor não percam o foco nas aulas!

- Pode deixar, professora! - Emma responde, olhando para Regina emburrada em seu lugar. - Fazendo dupla com a filha da sarjentona, não vou querer focar em outra coisa. - Sorri maliciosa, e observando Regina tampar o rosto com as mãos, procurando por paciência.

- Emma, você quer ir tomar uma água?

A loira respira fundo, e se levanta para deixar a sala. Ela sabia que Mary não a estava expulsando de sua aula. Foi literalmente um convite para tomar água, que prontamente ela aceitou, visto que estava irritadiça. Estava sentindo que precisava se acalmar de coisas que nem sabia o que eram. Precisava de seu cigarro, preso entre a calcinha e seu corpo.

Ao chegar no banheiro do segundo piso, ela se sentou na pia, no mesmo canto de sempre e tranquila ascendeu o cigarro. Enquanto fumava, tentava entender o que estava sentindo. Que estava se sentindo atraída por Regina, estava e reconheceu isso. Não pôde negar. O problema é que Emma, não estava conseguindo se soltar desta atração. Quanto mais tempo ela passava ao lado da morena de olhos amendoados, sentindo seu perfume com cheiro de maçã; maior era o desejo que sentia de chegar mais perto.

Jamais outra garota chamou tanto sua atenção.

- Droga! - Resmunga com voz baixa e coça a ponta do nariz, como sempre fazia quando sentia vontade de chorar, mas não queria.

E nem sabia porquê queria chorar. Neste momento, Rose entra.

- Está tudo bem? - Se aproxima, lentamente.

- Não! - Responde com grosseria e desce da pia. - Por que você tinha que aparecer justo naquela hora?

- Do quê está falando? - Franze o cenho, ao cruzar os braços.

- Do beijo de hoje cedo! - Joga o cigarro na pia, com raiva.

- Eu apenas…

- Cale a boca! - A interrompe, e a puxa pela mão.

Sem entender, Rose é arrastada por Emma até uma das cabines do banheiro e ali, a loira as tranca.

Agora ela entendeu.

Apressada, como se necessitasse daquele contato que se tornou estranho há poucos dias, Emma iniciou um beijo alvoroçado. Ela estava nervosa ainda, e descontava toda sua ira em Rose. Naquele beijo sem gosto, sem nada. Swan queria sentir algo naquilo. Talvez a velha atração que sentia, ou qualquer resquício de um sentimento puro que nunca teve com a pequena loira de olhos esverdeados. Instantaneamente ela quis que tivesse tudo isso. Mas não havia nada.

McIver, correspondia ao beijo sem protestos, sem nenhum questionamento. Ela acreditava que era o certo. Acreditava que o que sentia era recíproco, então, pra ela e apenas para ela, aquele beijo foi a melhor coisa do mundo. Seu corpo inteiro arrepiava ao toque das mãos suaves de Emma, caminhando por seu corpo. Enquanto que esta mesma, só conseguia concentrar seus pensamentos e sentimentos em Regina. E isso, a irritava ainda mais.

Swan se afastou bruscamente, olhando nos brilhantes olhos de Rose e respirou fundo, totalmente frustrada.

- O quê foi? - Rose indaga. - Não gostou?

- Não! É que... - Inventa mil desculpas em sua cabeça. - Estou aqui no banheiro faz tempo, e a professora já deve estar brava. - Sorri fraco.

- E, desde quando você se importa com isso? - Rodeia os braços pelo pescoço de Emma, que estava extremamente incomodada. - Fica mais um pouco!

- Eu preciso mesmo, ir. - Diz e sai da cabine ajeitando o uniforme.

Ao sair, a loira dá de cara com Regina saindo lentamente do banheiro. Como se não quisesse fazer barulho, e realmente não queria. No mesmo instante, Emma se arrepende mais uma vez de ter estado com Rose. Desejou que a menina não tivesse aparecido, e odiou o fato de tentar mentir para si própria com aquele beijo. Desejou apenas Regina, mas era um pouco tarde para arrependimentos.

- Regina?

Mills trava os passos, e se vira para fitar o rosto de Emma. Seus olhos carregavam um olhar diferente. Swan sabia que era um olhar de decepção. O reconheceu. O recebia todos os dias de seu pai, e lhe manchucou ter provocado isso em Regina. Machucou muito. Não era sua intenção. Sua única intenção era de uma vez por todas acabar com aquele pequeno ramo de flores que crescia um pouco mais a cada olhar trocado, a cada briga causada; antes que se tornasse um jardim. Um jardim doente de tanto amor.

- A professora me mandou atrás de você. - Responde, intercalando o olhar entre a loira Emma, e Rose.

- Eu só estava…

- Não preciso saber! - Engole em seco, e deixa o banheiro.

- O quê foi isso? - Rose indaga.

- Isso, o quê?

- Vocês duas… pareciam... não sei! - Ajeita o cabelo. - Tinha um clima.

- Só se for de ódio! - Tenta brincar.

- Você sabe o que era, Emma. Não precisa mentir. - Responde e deixa o banheiro também.

POV> Emma

Assim que vi Rose deixar o banheiro, com um ar de mágoa, senti vontade de ficar ainda mais tempo ali. Iria fumar todos os vinte cigarros de minha carteira. Eles eram tudo o que me restavam, naquele momento. Mas, mesmo relutante e quase entendendo nada eu sabia que deveria ir atrás de Regina.

Não é um coisa que eu faço sempre. Se eu acabasse magoando alguém, eu deixaria ir. Não era um arrependimento. Eu não me importo. Mas com Regina, foi diferente. Eu sentia que lhe devia satisfação, até mesmo desculpas. Provavelmente, ela irá usar as palavras que ela usa apenas quando está realmente zangada. Provavelmente, dirá todas elas com a veia saltada em sua testa avermelhada pela raiva. Irá reclamar tanto, e dizer tantas coisas confusas.

Eu sabia que deveria ir atrás dela, e foi o que eu fiz.

Deixei o banheiro às pressas, a procurando com os olhos por todos os cantos possíveis. O primeiro lugar onde corri para encontrá-la, foi o corredor de nossa sala. Ela não estava lá, mas também não teria chegado tão rápido. Ela estava realmente zangada. Mudou o percurso apenas para não ter que me olhar.

Fui até a biblioteca, e corri por todos os corredores em busca da filha da diretora. Mas em nenhum destes lugares ela estava. Ela ainda não conhecia a sala vazia, a quadra estava trancada e restava apenas um lugar longe dos olhos de Graham para que ela ficasse em paz: o jardim.

A observei por um instante, ao longe antes de me aproximar. E, descobri como é linda a forma que ela tem de apoiar os cotovelos nos joelhos, e a cabeça nas mãos completamente emburrada. Eu queria apenas ter feito algo que a fizesse feliz. Mas, mais uma vez agi errado, com a pessoa errada. E a pontada de culpa surgiu no peito, novamente.

Então, sem muita escolha fui me aproximando lentamente. E, talvez eu não tivesse sido notada até me sentar ao seu lado, não fosse uma folha seca no chão onde pisei.

- O quê faz aqui? - Ela indaga, sem me olhar.

- Eu, quero só… conversar. - Me sentei ao seu lado, um tanto receosa.

- Não temos nada pra conversar, Emma.

- Por que está brava comigo?

- Não estou brava com você! - Rola os olhos.

- Oh, está sim! - Digo com obviedade. - Eu sei que você me detesta mas isso não...

- Eu não te detesto, Emma! - Exalta o tom de voz, me assustando. - Quando irá entender isso?

Notei sua respiração descompassada, e automaticamente fiquei igual. Eu não consigo entender o que está acontecendo! São coisas que sinto, que não são do meu entendimento humano! São como enigmas! São tantas sensações novas que apenas ela me provoca, tantos desejos quase incontroláveis tomando posse de mim. Me sinto a ponto de explodir, e derreter ao mesmo tempo.

- Então, por que mal falou comigo hoje? - Rebato, usando o mesmo tom de voz. - Ainda nem te provoquei! Iria deixar pra fazer isso após o intervalo.

- Por que se importa tanto?

- Eu não sei! - Solto o ar, que nem havia percebido que prendia. - Ainda não sei.

Estamos discutindo sem olhar uma para a outra. Meu olhar está fixo a meus pés, com a perna esticada, uma sobre a outra na grama. E Regina, igual. Agora, com as mãos apoiadas na grama, um pouco mais atrás do corpo. Não olhei diretamente para ela, mas minha visão periférica me permitiu ver seus cabelos negros voar com o vento. E, digo com certeza que jamais vi garota mais linda que Regina Mills.

Meu peito estava pesado demais, há vários dias. Dizer essa única e simples frase me fez respirar melhor. Mas ainda pesa.

- Eu não queria ter beijado ela.

Lentamente, Regina vira a cabeça em minha direção com um olhar duvidoso.

- E-então, porque beijou? - Noto o nervosismo em sua voz.

- Eu acho que... Acho que, eu quiz provar a eu mesma que tudo isso é mentira. - Não desvio o olhar por um segundo sequer.

Nem que eu quisesse eu iria conseguir desviar o olhar, agora. É incontrolável.

- Isso, o quê?

- Isso aqui.

Modo Narração

Mal terminou a frase e impulsivamente, sem pensar muito Emma se viu com os lábios colados aos de Regina. Não prolongou o contato, e nem o aprofundou com medo de sua reação. Mas os poucos segundos em que a loira acabou com qualquer espaço entre suas almas, sentiu como seus lábios eram macios e guardou a sensação em sua mente.

Lábios vermelhos naturalmente, carnudos e convidativos, macios como a pétala de uma rosa que acabara de florescer. Estes, são os lábios de Regina. Os lábios que fizeram o coração de Swan, perder o ritmo. Os lábios que a fizeram desejar mais daquele contato.

Ao se afastar de Regina, ainda com os olhos fechados Emma Swan sorriu fraco. Sua cabeça não conseguia raciocinar direito. Ela não disse nada! Apenas, permaneceu em silêncio observando a morena a sua frente, que estava estática.

Tanto quanto Emma, Regina estava confusa. Ao mesmo tempo que estava feliz, se sentia culpada, e assustada. Jamais em toda sua vida pensou que poderia passar por uma situação parecida. Era tão novo, e tão bom. Tão estranho. Com cheiro de adolescência, e gosto de problemas típicos da idade.

- D-desculpe! - Emma diz quase em sussurro, completamente arrependida. - Eu não... Eu só...

- Não! - Regina responde, fazendo Emma paralisar. - Acha mesmo que eu sou como, Rose? - Franze o cenho, um tanto incomodada e com um nó em sua garganta.

Por mais que intimamente tivesse gostado do beijo, não queria ser como as outras para a senhorita Swan. Regina queria ser mais.

- Não! - Se apressa em responder. - Você não é como, Rose ou como, qualquer outra garota que eu já tenha conhecido!

Regina a observa em silêncio.

- Você, é só você, Regina! E eu… - Respira fundo procurando coragem para continuar falando o que realmente queria dizer, mas falha. - Não vou mais te incomodar, e muito menos tentar de beijar como venho fazendo. - Sorri fraco para a morena, que espelha o gesto. - Está definitivamente, livre de mim.

- Não! Eu… - Tenta dizer algo. Talvez um protesto, mas falha. - Tudo bem! Era o que eu mais queria. - Mente, e faz uma breve pausa em um silêncio incômodo. - A senhorita Blanchard deve estar surtando, à nossa espera.

- Tem razão! - Diz e se levanta. - Vamos, antes que Graham apareça do nada, e nos leve até a sala de sua mãe.

Ambas retornam para a sala em silêncio. Durante todo o resto daquele dia, mal trocaram olhares ou qualquer palavra mesmo com o grupo todo reunido. Killian, Elsa e Ruby já haviam percebido algo de errado, mas nada disseram. Não ainda.

Intimamente, Emma estava triste. Queria não ter feito tudo errado. Queria não ter beijado Regina de qualquer jeito, por mais que desejasse aquele contato. Queria não ter beijado Rose no banheiro, e nem em outros lugares, de outras vezes. Queria simplesmente ter feito tudo do jeito certo, no tempo certo. Definitivamente, estava se odiando por tudo aquilo.

E Regina, queria apenas esquecer o beijo. Mas, a sensação dos lábios finos grudados aos seus não saía de sua mente. Não a deixava em paz. Se perguntava a todo momento porquê tinha que gostar tanto do que Emma lhe causava, e principalmente o quê era tudo o que ela causava. Por que não poderia ser uma simples garota do colégio, assim como as outras?

***

- Filha? - Ingrid bate na porta. - Posso entrar?

- Sim. - Responde sem vontade.

Ao entrar, Ingrid se depara com Emma deitada e com um semblante desanimado. Sentiu seu coração ser partido em várias partes, diante da cena. Preferia mil vezes que ela própria fosse ferida, do que a filha.

- O quê houve? Te vi chegar tão triste. - Se aproxima, e se senta ao lado da loira.

- Nada demais. - Respira fundo, fechando os olhos bem lentamente. - Só quero ficar sozinha.

- Posso não ser a melhor mãe do mundo, mas se precisar, estarei lá embaixo. Tudo bem?

Swan franze o cenho, como quem vai chorar e se agarra a cintura de Ingrid. A atitude inesperada da filha, assustou a mulher. Ingrid a conhecia suficientemente bem para saber que aquele abraço, e som de choro preso saindo de sua garganta se tratava de assuntos delicados. Não assuntos delicados como, David. Mas aqueles assuntos de adolescentes em crise.

- Como eu faço pra desfazer algo que já fiz, mãe? - Indaga em meio ao choro abafado, no colo de Ingrid.

- Não dá! - Responde, com pesar. Mesmo sem entender nada. - Você só tem que arcar com as consequências, agora. - Afaga os cachos dourados da filha, com delicadeza.

Emma poderia saber lidar com qualquer tipo de situação na vida. Mas se havia um sentimento, do qual não entendia quase nada, além do que se passa na tv ou em livros de romance, este é o amor. Amor estranho. Teimoso.

- E se as consequências forem dolorosas demais? - Se senta com o rosto vermelho, para fitar os olhos da mãe. - O quê eu faço?

- Se as consequências forem dolorosas demais, é só me chamar e eu vou te socorrer. - Sorri, causando o mesmo efeito em Emma. - Se forem dolorosas demais, você ergue a cabeça e lida como a verdadeira mulher que você é. - Ergue o queixo da menina, com a ponta do indicador.

- Eu nunca senti isso. - Diz ainda olhando nos olhos da mãe.

- Isso, o quê?

- Amor.

- Mas, se não é sobre você e Killian, é sobre você e quem? - Franze o cenho.

- Qualquer dia te conto como anda minha vida. - Sorri fraco e se deita no colo de Ingrid, novamente.

- Estou ansiosa para saber. - Torna a fazê-la carinho.

- Será, mesmo? - Suspira, receosa.

Talvez, o maior desejo de Emma fosse contar a sua mãe sobre sua orientação sexual. Ela sabia que ela poderia não gostar, mas tinha certeza de que seu amor jamais diminuiria por isso. Diferentemente, de seu pai. Mas o medo ainda era grande. Por que era tão errado assim, sentir atração, gostar ou amar outra pessoa do mesmo sexo? Por que tinha que ser tão complicado para o mundo, entender que o amor é que decide tudo por nós?

Se antes a loira tinha alguma dúvida sobre o que sentia por Regina, por menor que fosse, agora já não tinha mais nenhuma. Mesmo que pensasse ser apenas uma atração. Ela sabia que havia algo ali, e não faria muita questão de correr.

***

Enfim, o avião que Zelena embarcava pousou no aeroporto internacional de San Diego, próximo a Califórnia. Cora e Regina já não aguentavam mais esperar tantas horas de atraso do vôo. Ambas com a mesma mania de olhar a cada minuto no relógio de pulso, e ajeitar a roupa mantendo uma postura exemplar sem necessidade. Enquanto que Henry estava completamente relaxado, sentado ao lado das duas.

Assim que os olhos de Regina e Zelena se cruzaram, em meio a tantas pessoas o sorriso cresceu. Era uma felicidade que mal cabia no peito. Ambas saíram correndo pelo aeroporto em busca de um abraço. Regina quase tropeçou em uma mala, e a ruiva quase derrubou uma senhora. Cora simplesmente fingia que não estava vendo, para não estragar o clima de boas vindas.

- Que saudade da minha pequena, que já não está mais tão pequena assim! - Zelena diz ao enfim, abraçar fortemente a irmã. - Céus, você está linda! - Se afasta para vê-la melhor.

- E você está ficando velha!

- Ih, lá vem! - Faz careta. - Não posso receber um elogio, mesmo não é?

Regina ri com o comentário. Seu sorriso estava tão largo que poderia rasgar as bochechas. E, Zelena adorava aquela cena.

- Não ganho abraços? - Henry se pronuncia, e prontamente Zelena o aperta em seus braços.

- Quanta saudade, pai! - Inala o perfume do homem, com força. - Ainda tem o mesmo cheiro.

- E você continua linda!

Cora solta um leve pigarro, e chama a atenção da filha mais velha para si.

- Não esqueci de você, dona Cora. - Sorri e abraça a mãe também. - Senti saudades. - Fecha os olhos para apreciar o contato.

A mulher nada responde.

Aos olhos de qualquer outra pessoa, aquele ato de silêncio poderia significar falta de sentimentos, ou qualquer coisa do tipo. Mas assim, era Cora. O silêncio era sua melhor forma de demonstrar algo, por mais estranho que parecesse.

Em uma conversa animada, Regina, Zelena e Henry colocaram as malas da ruiva no porta-malas. Malas pesadas. Pareciam ter pedras, para Regina. O caminho todo para casa fora feito de risadas e fotos das irmãs juntas, novamente. Henry achava incrível como a diferença de idade das duas, não lhes afetava em nada. Na verdade, as unia ainda mais. Mas logo que a diversão foi diminuindo, as lembranças de mais cedo tomaram posse da mente de Regina, que agora está calada.

Cora está no telefone, e Henry completamente disperso. Zelena decide perguntar.

- Hey, o que há de errado? - Chama por Regina, que está com o olhar fixo aos prédios do lado de fora.

- Nada. - Força um sorriso.

- Passei três anos fora, mas isso não me fez esquecer como você é. - Se vira completamente para a irmã. - Me conta, vai! Eu posso ajudar!

A morena se dá por vencida.

Devagar, se aproxima de Zelena no banco, e sussurra próxima a seu ouvido.

- Lembra da garota que te falei?

- Emma, certo? - Sorri, ao se recordar. - O quê houve?

- Eu acho que… gosto dela. - Diz com os olhos marejados. - Como eu faço pra isso parar?

- Primeiro: eu sabia! - Sorri, fazendo Regina rolar os olhos. - E, segundo: você não faz parar. - Coloca uma mecha de cabelo da irmã, para trás de sua orelha. - Apenas, tem que arcar com as consequências.

- Mas, e se as consequências forem dolorosas demais?

- Você tem uma irmã mais velha perfeita, e linda demais! - Diz arrancando risos da menina. - É só chamar, que vou te socorrer.

Ao fim da frase, Regina se aconchega nos braços da irmã e assim seguem a viagem em silêncio. O amor que uma tinha pela outra, era sem igual. Ninguém entendia de onde vinha tanta afinidade, tanto carinho.

Ás vezes, Zelena sentia como se fosse uma segunda mãe de Regina. E, adorava a sensação. Poderia ser bem irresponsável, e agir como uma verdadeira adolescente na maior parte do tempo mas sabia exatamente tudo o que a irmã precisava. Talvez, bem mais que Cora. 


Notas Finais


Sedentos para o baile de inverno? Porque, eu sim! Emma e Ingrid, Zelena e Regina.. meu deus eu amo. O quê vocês esperam do baile?
Demorei mas vou responder os comentários do capítulo passado, sim. Eu já li e definitivamente, eu amo vocês kkkk Fico feliz a cada comentário. Vocês são muito carinhosos! Obrigada, e até a próxima att!
Xx ♡♡


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