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História Solar - Capítulo 9


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Notas do Autor


Olá meus amores!
Voltei com mais um capítulo para vocês!
Eu iria postar ontem, mas acabei esquecendo kkkkk mas aqui está :)
Boa leitura!

Capítulo 9 - O padre


Fanfic / Fanfiction Solar - Capítulo 9 - O padre

Do lado de fora do castelo ouvia-se os mesmos sons habituais, passos dos guardas e serviçais que caminhavam pelo pátio, pássaros que voavam aos arredores, as músicas, anúncios e conversas que vinham das pessoas de fora. Mas dentro do castelo a situação era oposta. Naquela sala ouvia-se apenas a respiração dos dois indivíduos presentes; o silêncio dominava o ambiente desde a última palavra que saiu da boca do príncipe.

Os dedos do rei batucavam na cadeira em que estava sentado, seus olhos estavam sobre a cabeleira vermelha de quem o encarava com expectativas.

— Não.

A reação de se afastar e balançar os dedos como se tivesse um espasmo foi instantânea ao ouvir o tom de voz de seu pai e o significado daquela resposta.

— O-o que...

— Hoseok, tem noção do que está me pedindo?

— Sim! Eu tenho, mas-

— Você está querendo se arriscar em meio a tudo o que estamos vivendo?

— Olha, eu sei que é perigoso, mas eu preciso, papai! — o príncipe colocou as mãos na frente do corpo, seu olhar e suas expressões denunciavam sua insatisfação mista à surpresa.

— Por que precisas? Eles são passado. — Minseok esfregou a mão no rosto, insatisfeito com o assunto daquela conversa.

— Minha família não é passado, eles são do nosso sangue e-

— Hoseok, nada do que disser me fará mudar de ideia. — o rei suspirou, um pouco receoso de como seu filho responderia àquela negação.

Não que Hoseok fosse um filho mimado que não aceitava receber um não aos seus desejos, mas Minseok conseguia notar o quanto aquele pedido em específico era importante, só não entendia o porquê.

— Papai, por favor! O que vai lhe custar me deixar ir? Não ficarei por muito tempo e terei cuidado! — o ruivo se aproximou mais do seu pai, suas mãos estavam cruzadas agora. — Eu só quero ir vê-los, quero poder conversar com a vovó, sinto falta dela!

O rei permanecia com a expressão séria, seu queixo amparado em uma das mãos, seu olhar sobre seu filho. — Por que isso agora? Você nunca demonstrou querer ir tanto até eles.

O príncipe separou as mãos e agarrou suas próprias vestes, sentia-se nervoso, não queria contar ao seu pai o que se passava em sua cabeça, é que poderia parecer um absurdo aos olhos dele e, com certeza, faria com que Minseok ao menos pensasse em deixá-lo ir. Não era uma pessoa mentirosa, mas não via outra solução naquele momento.

— Depois que Sorin morreu eu me sinto sozinho. Tenho o senhor e a Hyebin, mas... Sinto que me falta algo. — fez uma expressão triste e encarou o mais velho com seu olhar de 'cachorrinho abandonado'.

Mas aquilo não surtiu efeito. — Eu entendo, Seok, sei que é muita coisa em pouco tempo. — o príncipe balançou a cabeça em afirmação, com esperanças de que seu pai dissesse um 'sim'.

— Ele disse não. — bufou, irritado. — Ainda terminou dizendo que só poderia me levar lá quando tudo isso terminar e se terminar. — rolou os olhos. — Então sem guardas e segurança para que eu possa ir. 

Era uma viagem importante, por mais arriscada que fosse, já estava com aquilo na cabeça desde que caiu desmaiado no quarto. Por mais que aquela marca não tenha voltado a aparecer em seu rosto, e, felizmente, aquele calor também não, Hoseok se sentia diferente e não conseguia voltar ao normal.

Alguma coisa estava mudada dentro de si, literalmente falando, se sentia obrigado a descobrir o que era.

— E então, você conseguiu o que te pedi?

Jimin segurou o príncipe pelo pulso e o puxou com cuidado até dentro de uma das portas que ficava naquela cozinha enorme, levando-o para longe dos outros serviçais e cozinheiros. 

— E pretende continuar com isso mesmo com a negação dele? — Hoseok concordou. — Seok, você não pode! — ditou preocupado. 

O Jung revirou os olhos. — Jiminie, eu já disse que preciso e não voltarei atrás da minha decisão! — cruzou os braços e virou o rosto. 

Park conhecia aquela maneira de agir, assim como conhecia Hoseok bem demais para saber que não iria desistir daquela ideia maluca. Jimin então fechou os olhos e soltou a respiração. — Olha, três mercadores irão sair do reino hoje, daqui algumas horas... — Hoseok voltou a encará-lo, cheio de expectativas. — As carroças sairão cheias de vazos com vinho, o que dificulta um pouco, mas você pode conseguir ir escondido.

Hoseok bateu as mãos e se jogou sobre Jimin, o abraçando. — Obrigado, Jiminie, é por isso que eu te amo! 

O Park sorriu. — Só estou fazendo isso porque é meu amigo, mas também tenho medo do que pode acontecer. — os dois se separaram, Jimin segurou as mãos de Hoseok, olhando-o com preocupação. — Se algo acontecer eu nunca irei me perdoar. 

— Não se preocupa, nada vai acontecer, eu prometo! — abraçou o mais baixo mais uma vez antes de abrir a porta. — Vou arrumar algumas coisas para levar, não pretendo ficar muito tempo, sei que meu pai mandará soldados atrás de mim assim que descobrir que eu fugi. — falava baixo, andando ao lado do amigo. 

— O que tem de tão importante para tratar com eles, Seok? — perguntou curioso. 

Hoseok respirou fundo. — Nem eu mesmo sei direito o que é, Jimin. 

 

~~

 

A tensão naquele lugar era demasiada, Taehyung estava até um pouco deslocado, não sabendo como agir naquela situação. 

Desde que chegou ali pela manhã, com sua garrafa com água, anotações e alguns mapas, esteve pensativo sobre quais seriam as ideia de Jungkook e Yoongi em relação às estratégias e como cada um daria seguimento aos soldados que iriam liderar. Taehyung já construía seu próprio plano de batalha, não estavam com tempo visto que um ataque poderia acontecer a qualquer momento. 

E ficou animado ao ver ao longe Yoongi caminhando em sua direção com sua espada na cintura e, segundos depois do moreno alcançá-lo, viu Jungkook se aproximando também. Mas não esperava que as coisas seguissem por um caminho que nem cogitou antes. 

Yoongi odiava o Jeon, notava isso e nem precisou se esforçar, ao mesmo tempo, Jungkook parecia perceber, mas não estava abalado. Tudo bem que o Kim até entendia, Jungkook tinha um ar de quem não valia nada, em sua percepção, mas Yoongi parecia estar exagerando com todo aquele ódio em seu olhar quando Jeon falava alguma coisa. 

— Concorda com isso, Yoongi? — perguntou Taehyung, apontando para certa região do mapa. 

O vampiro estava tentando se controlar, desde a noite em que o Jeon lhe ameaçou, ele não parava de pensar nos ocorridos, mas ainda não havia chegado a uma resposta de como ele simplesmente não era mais afetado por si.

— Não. — Taehyung bufou e Jungkook o encarou, curioso com o que tinha para falar. — A ideia dele até parece boa, mas eu não quero fazer as coisas desse jeito. — depois das palavras do desgraçado, era arriscado desafiá-lo, mas Yoongi ainda estava confiante de que conseguiria matá-lo. 

— E de que jeito quer fazer? — Jungkook afastou um pouco o corpo e cruzou os braços, olhando sério para o vampiro com uma das sobrancelhas erguidas. 

Yoongi pegou o pincel da mão do Kim e fez uma linha completamente oposta da que o Jeon havia feito antes. Essa linha tinha um ponto em cima dos portões do reino, que corriam em direção ao oeste. Ao notar isso, Jungkook riu baixo e Yoongi o encarou por um momento antes de terminar. Taehyung notou que o risco que o Min havia feito seguia na direção em que o colocava de frente para o reino de Arges. 

Olhou espantado para o Min, visto que aquilo significava que ele queria atacar justamente o ponto mais perigoso. — Enlouqueceu? 

— Ou é essa rota ou pode falar para o rei escolher outro oficial. — se sentou na cadeira.

Jungkook descruzou os braços e passou os olhos sobre aquele mapa, tentando entender quais eram os planos do Min. Taehyung encarava o vampiro na expectativa de que fosse ouvir que aquilo não passava de uma brincadeira idiota, mesmo sentindo que isso não aconteceria.

— Está blefando. — balançou a cabeça, sorrindo sem humor, ainda não acreditando que o Min queria mesmo fazer aquilo.

— Não, eu não estou. — encarou-o.

— Você vai causar a morte de parte do nosso exército com essa rota, tem noção disso?!

— Pessoas morrem em meio às guerras.

— Mas podemos evitar se não usar esse caminho! — Taehyung bateu a mão na mesa, atraindo a atenção de alguns soldados que estavam mais próximos. 

— Realmente pensa que deixarei que morram assim? São responsabilidade minha agora e pode ter certeza que, no final, minha parte do exército terá mais homens vivos do que a de vocês dois juntos. 

— Se for nessa direção vai encontrar o exército do Junmyeon e não é isso que pretendemos fazer! — Taehyung disse, ainda mais irritado com o Min. 

— Vamos atacar as outras partes do reino primeiro, onde os exércitos menores e mais fracos ficam, somente depois resolvemos com este. — Jungkook concluiu.

Yoongi sorriu. — Essa é a rota que servirá perfeitamente para meus planos.

— Que planos? — Taehyung o encarou.

— Ainda não estão totalmente elaborados, mas já estou trabalhando nisto. — bateu as mãos nas pernas e se levantou da cadeira. — Se eu fiz essa rota é porque tenho uma ideia do que fazer.

— Qual ideia? — perguntou o Jeon.

Yoongi o encarou, sério, mas com uma certa ironia bem no fundo de seus olhos. — Como eu já disse, ainda estou trabalhando nisso. Saberão apenas quando eu quiser que saibam. 

Taehyung bufou, estava irritado, mas não deixaria que isso o atrapalhasse, precisava montar seus planos e suas estratégias logo. Ele então voltou a estudar o mapa, enquanto Jungkook parmanecia de pé, encarando as costas do vampiro que se afastava dali.

Sabia que Yoongi estava armando alguma coisa, ainda não tinha ideia de quais eram os planos dele, mas não iria demorar para descobrir. 

 

~~

 

Pequenos galhos e folhas eram amassados pelos dois jovens que andavam no modo mais silencioso que conseguiam, escondendo-se como podiam.

— É ali. — sussurrou, apontando na direção em que viam lá na frente algumas carroças sendo carregadas com várias caixas de madeiras por alguns homens. — Aquela mais acabada sempre vai por último e com menos caixas, ela é puxada pela da frente então não irá ninguém dentro dela.

Hoseok observou bem a carroça, notando que era velha, mas que ainda devia servir por um tempo, não estava tão cheia quanto as outras e havia um saco grande cobrindo parte das caixas de madeira. Ótimo, aquilo já ajudava.

— Para onde estão indo?

— Vão em direção ao mar, para as embarcações. — Jimin se virou para Hoseok, fazendo com que o encarasse. — Eles vão passar perto do caminho que leva até Pedra Vermelha, mas mesmo assim o caminho até lá continua longe. A viagem deve durar pelo menos uns três dias, quando chegarem no caminho perto do rio por entre as montanhas precisa descer para continuar a pé. — passou a bolsa que carregava para frente do corpo e tirou de lá um mapa. — Eu marquei aqui o caminho, você vai andar pelo menos um dia e meio até chegar.

Hoseok pegou o mapa das mãos de Jimin, mesmo que já soubesse o caminho, havia lido em seu livro. Encarou os riscos e percebeu o quão longe aquele lugar era, sentiu-se nervoso, estava preparado para se arriscar, mas ainda se sentia inseguro em ir sozinho.

— Hoseok...

— Tudo bem! — o príncipe apertou os olhos e respirou fundo, guardou o mapa em sua bolsa e segurou as mãos de Jimin. — Volte agora, lembra-se do plano, não é? Não vá para o castelo agora e diga o que eu fiz apenas quando meu pai perguntar, pode dizer onde eu fui, ele descobrirá de qualquer maneira.

— E se ele te alcançar?

Hoseok suspirou. — Então tentarei de outra forma.

Jimin riu. — Não tem jeito como você, não é?

Hoseok o abraçou. — Me deseje sorte.

— É tudo o que eu desejo. — assim que se separaram, Jimin beijou o rosto de Hoseok e saiu em silêncio, deixando o príncipe sozinho.

Hoseok voltou a olhar os mercadores, eles já haviam subido nas primeiras carroças e estavam prestes a sair, era agora ou nunca.

O ruivo então saiu de trás das árvores, correndo meio agaixado até a última carroça, havia mais algumas na frente então aqueles homens não o veriam, ao menos que fossem lá para conferir. O ruivo segurou no capuz de sua capa e o jogou sobre sua cabeça, tomou o resto da coragem que faltava e colocou as mãos na parte de trás da carroça, pronto para tomar impulso e subir em cima dela.

— O que está fazendo?

Com o equilíbrio perdido com o susto pela voz rouca atrás de si, acabou caindo de cabeça para baixo dentro do veículo de forma completamente desajeitada. Ele rapidamente se recuperou e se ajeitou, ficando de joelhos lá dentro, encarando a pessoa do lado de fora, que o encarava com uma expressão curiosa.

— Deus do céu, o que você está fazendo aqui?! — sussurrou.

— Eu perguntei primeiro. — Yoongi cruzou os braços e deixou a maior parte do peso de seu corpo sobre sua perna esquerda.

Desde que saiu de perto de Taehyung e Jungkook, o vampiro seguiu na direção do castelo, obviamente sem ser visto pelos serviçais e guardas. Queria ver Hoseok, estava deveras estressado com tudo o que aconteceu e precisava de algo para o acalmar, Hoseok era justamente isso, o que o deixaria melhor.

Mas estranhou quando o viu sair pelos fundos do castelo, sendo seguido por um garoto mais baixo que parecia o ajudar a fazer aquilo. Não teve um bom pressentimento quando viu que o príncipe vestia aquela mesma capa por cima das roupas, a mesma que ele vestia quando o salvou dos saqueadores.

Ele iria aprontar, tinha certeza disso.

Por isso não hesitou em segui-los, tinha medo do que poderia acontecer com Hoseok. 

Ouviu toda a conversa que ele teve com aquele tal Jimin e não ficou nenhum pouco satisfeito. Hoseok queria fugir? Sabendo de como era arriscado queria mesmo fazer aquilo? Correr o risco de ser sequestrado, sofrer violência, ser abusado e até mesmo morto?!

Não permitiria isso de forma alguma.

— Olha, não é problema seu. — Hoseok bufou, puxando o capuz para a cabeça de volta, já que saiu quando caiu lá dentro. — Só volta para trás e finja que não me viu.

— Não vou fazer isso.

Hoseok encarou o moreno, indignado com a resposta. — Escuta aqui, eu sou sua majestade e você deve me obedecer! — cruzou os braços. — Então dê meia volta e pare de me atrapalhar! — falava tudo sussurrando, com medo dos mercadores ouvirem.

— Você não pode fugir, Hoseok, sabe o quanto isso é perigoso? — Yoongi descruzou os braços e colocou as mãos na carroça, rápido demais para Hoseok processar a informação e notar o quão perto o rosto do outro estava do seu. — E se alguma coisa acontecer com você?

— E-eu sei me cuidar!

— Do mesmo jeito que se cuidou aquela vez? Porque eu me lembro do que precisei fazer para salvá-lo.

Hoseok bufou e se afastou, segurando sua bolsa contra o peito. — Eu me descuidei por um segundo, se você não tivesse me segurado não teriam me visto! E isso não vai acontecer novamente! 

— Sim, não vai. — o ruivo olhou Yoongi com curiosidade depois de ouvir suas palavras, franziu o cenho ao vê-lo subir na carroça. — Porque você não vai fugir.

Irritado, o príncipe tentou chutar o vampiro para fora da carroça, mas Yoongi desviou a tempo. — Sai daqui! — ele não queria ser rude ou algo assim, só não queria ser atrapalhado, precisava ir até sua família. — Yoongi, por favor, me deixa ir! — se levantou e tentou empurrar novamente o moreno, dessa vez com as mãos. — Eu vou de uma forma ou outra e você não vai impedir! — ditou Hoseok, ainda confiante.

Mas Yoongi estava disposto a não permitir que o Jung fizesse aquela loucura, portanto, quando as mãos do mais novo pararam em seu peito, tentando empurrá-lo para fora, segurou nos pulsos com cuidado e encarou bem nos olhos do ruivo.

E então sorriu. 

Taehyung caminhava pelo castelo, observava cada canto em busca de uma pessoa, queria conversar com Hoseok. Resolveu dar um descanso aos jovens soldados que já estavam treinando desde cedo para assim poder ficar perto do príncipe.

Depois de seus pais, o príncipe era a melhor pessoa que já passou por sua vida, Taehyung era muito feliz por tê-lo por perto, Hoseok era a única pessoa que conseguiu fazê-lo parar de se culpar depois da morte de seus pais, amava-o muito, tinha o ruivo como seu irmão mais novo.

E foi por isso que não gostou nenhum pouco quando o viu sendo carregado nos ombros por Yoongi enquanto pedia para descer. 

O Kim correu até os dois, estavam na parte de trás do castelo, sabia que o Min havia entrado por ali para não chamar a atenção, mas por quê? Por que estava fazendo aquilo com o príncipe?

Taehyung ficou com medo, até tirou a adaga que carregava em sua bota enquanto corria na direção dos dois.

— O que está fazendo?! — perguntou, apontando a ponta afiada para o Min.

— Ele estava tentando fugir. — calmo, Yoongi o respondeu.

Taehyung abaixou a adaga enquanto processava a resposta. Podia ouvir os resmungo de Hoseok e viu que ele batia nas costas de Yoongi tentando se soltar.

— Co-como assim fugir?! Hoseok, o que você fez?!

— Não fiz nada porque esse intrometido me atrapalhou!! — bufou Hoseok, cansado de ficar praticamente de cabeça para baixo. — Me põe no chão, Yoongi!

— Encontrei ele pronto para entrar em uma carroça de mercadorias e fugir escondido nela. — Yoongi o entregou. — Pedi para que não fizesse isso, mas acabei tendo que eu mesmo impedir que ele fizesse besteira.

Hoseok já havia desistido de fazer o mais velho soltá-lo, passou o caminho quase todo batendo nele para que o colocasse no chão, mas não, Yoongi não o obedeceu. Agora não tinha mais veículo para ir até sua família, teria que esperar por outra oportunidade ou a boa vontade de seu pai em levá-lo lá.

E pela expressão na cara dele talvez isso nunca acontecesse.

Yoongi estava com os braços cruzados, parado ao lado de Taehyung, um pouco atrás de Hoseok, este que permanecia com a cabeça baixa na frente de Minseok. Havia levado o ruivo até ali a pedido do Kim, que disse ser importante comunicar ao rei o ocorrido, para que Hoseok fosse advertido e não tentasse aquilo novamente.

— Eu deixei você sair, Hoseok? — perguntou o rei, em tom sério e preocupado.

Quando ouviu da boca do Kim o que Hoseok estava prestes a fazer, sentiu-se mal no mesmo momento, um pressentimento ruim, mesmo que o príncipe estivesse bem ali. Não poderia deixar de forma alguma que algo acontecesse com o filho, era a única coisa que lhe restara, o único capaz de fazê-lo lutar por algo.

— Não... — murmurou o ruivo.

— E o que você fez?

Hoseok apertou os olhos. — Pai, eu só queria-

— Tem noção do perigo que correu?! Do que poderia ter acontecido com você lá fora?! — Minseok perguntou, muito irritado.

Hoseok entrelaçou os dedos, permanecendo com a cabeça baixa. — Eu só queria vê-los.

O rei apertou os olhos, encostou as costas na cadeira e levou a mão ao rosto, esfregando. Odiava brigar com seu filho, ainda mais ele que raramente fazia algo de errado.

— Eu sei, Hoseok, sei que quer ir até lá, quer falar com sua avó, seus tios, mas... — suspirou. — Mas você não vai.

O príncipe levantou a cabeça. — Mas, pai...

— Não é não, Jung Hoseok! — bateu uma mão no encosto da cadeira, fazendo o filho fechar os olhos assustado.

— Desculpa... — murmurou o ruivo, voltando a abaixar a cabeça.

Minseok respirou fundo. — Estou fazendo isso para lhe proteger, meu amor. Você irá, mas não agora. — se levantou, querendo encerrar o assunto. — Yoongi?

O vampiro, que apenas observava, um tanto arrependido por ter entregado o ruivo (mas não totalmente, já que realmente não queria que ele ficasse em perigo) elevou os olhos, encarando o Jung mais velho.

— Sim, majestade.

— Obrigado por tê-lo impedido e me comunicado do ocorrido. — o vampiro balançou a cabeça. — Quero lhe pedir um favor, mas aceite se quiser, não vou obrigá-lo. — Taehyung encarou seu rei com curiosidade, normalmente quem fazia os favores ali era ele. — Quero que fique de guarda do meu filho, não o deixe fugir ou fazer qualquer coisa perigosa.

Hoseok arregalou os olhos, não acreditando nas palavras que saíam da boca de seu pai.

— Ele está ocupado com as coisas do exercíto e não preciso de alguém no meu pé! — Hoseok disse, com raiva, os braços cruzados e um bico nos lábios.

— Não se preocupe, majestade, estou adiantado com os planos do exército, posso ficar de olho nele se é isso que queres que eu faça. — o vampiro sorriu fechado para Minseok.

— É exatamente o que quero, Yoongi, obrigado. — o rei desceu de onde estava e caminhou até parar na frente do filho, colocou a mão no queixo dele e fez com que o encarasse. — Não quero que fique com raiva, meu amor, estou fazendo isso para que nada de mal aconteça contigo.

O ruivo fechou os olhos, suspirando. Tudo bem, ele entendia seu pai, entendia as medidas tomadas. O problema era que agora ficaria ainda mais difícil fugir.

— Tudo bem, pai, eu entendo.


~~

 

Yoongi correu pelos corredores até conseguir encontrar o ruivo, que caminhava batendo os pés no chão com mais força que o normal.

— Ei! Ei, Hoseok, espere!

Sentia que havia irritado o príncipe, mas não pôde evitar, se não contasse para o rei sobre o que seu filho pensava em fazer, teria que estar sempre impedindo sua fuga.

— Não acredito que ele fez isso! — Hoseok parou de uma vez, encarando o vampiro. — Eu não sou uma criança, não preciso de você! — bufou e logo voltou a andar apressado.

— Eu sei que ficou chateado, mas só fiz aquilo para lhe proteger. — Yoongi continuava a segui-lo. — Hoseok? — eles andaram por mais alguns segundos até Yoongi segurar no braço do mais novo e fazê-lo parar.

O príncipe fechou os olhos quando seu corpo foi de encontro ao do moreno, quando voltou a abri-los, foi obrigado a encarar bem de pertinho aqueles olhos escuros e profundos. Colocou as mãos no peito do Min e se afastou, coçando a garganta para tentar disfarçar seu constrangimento.

— Eu... Eu sei que sou o errado da história. — suspirou. — Mas não precisa ficar me vigiando, não farei aquilo novamente. 

— Consigo ver pelos seus olhos que está mentindo. — o Min colocou as mãos nos bolsos e riu. 

— O quê? Está falando que sua majestade é mentirosa? — Hoseok cruzou os braços.

— Não que é mentiroso, mas que está mentindo agora.

O príncipe sentiu-se irritar ainda mais ao ver o outro mordendo os lábios, provavelmente se divertindo com seu estado de fúria. — Você desobedeceu a uma ordem minha, tem noção do que posso fazer com você?

— Ter eu tenho. — Yoongi deu alguns passos para frente, rápido demais na visão de Hoseok, que rapidamente se viu perto demais do moreno. — Mas você não vai fazer nada. — sorriu aberto.

Hoseok sentiu suas mãos tremerem ao ter aquele homem perto demais de si, estava mesmo perto, mais do que já esteve em qualquer momento antes. Por mais que sua mente o mandasse chutá-lo ou apenas se afastar, seu corpo queria continuar perto e seus olhos não conseguiam cortar o contato. 

Sentiu um toque frio em sua bochecha, mas não olhou para ver o que era, na verdade ficava fácil saber que Yoongi o estava tocando com seus dedos gélidos. O problema mesmo era querer deixar com que aquilo continuasse para então ver no que iria dar.

Os batuques do sapato de uma das serviçais tirou a atenção que Hoseok tinha em Yoongi e então se afastou, até demais, passando a arrumar a roupa que sabia não estar desarrumada somente por não ser capaz de enfiar a cabeça dentro do chão.

Yoongi manteve o sorriso no rosto, gostava de ver Hoseok bem de perto e mais ainda de tocá-lo, por mais breve que fosse o contato.

— E-eu vou ir para a biblioteca. — falou Hoseok, baixinho. — Não precisa me vigiar agora, não estou mentindo. — levantou a cabeça.

— Tudo bem. — Yoongi voltou com as mãos para os bolsos, balançando levemente a cabeça sem tirar os olhos de Hoseok. — Se cuida, meu príncipe.

O ruivo encarou o vampiro por um tempo antes de dar as costas e caminhar na direção da biblioteca. Caminhou com a cabeça baixa, tentando evitar olhar para trás, coisas que não conseguiu. Olhou para trás em um momento apenas para observar a expressão risonha que Yoongi tinha enquanto o via se distanciar, fazendo com que Hoseok acabasse por sorrir de volta para ele mesmo ainda estando irritado.

 

~~

 

Olhou para as velas acesas sobre uma mesa onde uma escultura estava sendo feita por alguém que não conhecia. Ali dentro era consideravelmente mais claro por causa de todas aquelas velas ali, Yoongi sentia-se desconfortável, não pelo lugar em si, mas por quem o habitava.

Quando estava prestes a sair do castelo, encontrou com Taehyung, que o estava procurando. O Kim lhe disse que o padre queria vê-lo. 

O padre

Namjoon

Assim que ouviu aquele nome, o vampiro sentiu-se nervoso, havia até se esquecido do Kim depois que Jungkook apareceu.

Não sabia o que ele queria, até pensou em não ir porque poderia muito bem ser alguma armação entre o padre e o Jeon, mas, antes de entrar ali, naquela casa atrás da igreja, ficou por um tempo observando o lugar de longe, não havia sinal de Jungkook, não havia sinal de nada e por isso entrou, por isso estava ali dentro.

— Pensei que não viria. — virou rapidamente a cabeça na direção da voz ouvida.

Namjoon havia acabado de sair de uma porta, vestido com suas tradicionais roupas de padre, uma túnica marrom com uma cruz dourada pendurada no pescoço.

— Kim Namjoon... — rosnou Yoongi, apertando as mãos com força. Não aguentava ver aquele rosto. — Vai me aliviar o estresse te matar agora.

— Escuta, eu sei que me odeia, mas não sei o motivo. — deu um passo para frente, mas parou quando Yoongi riu alto.

— Claro que não sabe, padre. — falou com ironia a última palavra.

— Eu vi você, vi você chegar, vi lutar e conseguir o posto que tem hoje. — Yoongi cruzou os braços, escutando bem o que Namjoon falava. — Mas também vi que não gosta de mim e que teremos problemas por isso, mas saiba que você não irá me matar.

— Oh, não? — Yoongi colocou a mão no queixo, fingindo pensar. — Acho que vou sim.

— Não. — o Kim então se virou rápido e retirou um pano da parede atrás de si, revelando várias imagens e algumas cruzes de prata penduradas na parede. O vampiro, assim que foi atingido por aquela luz que somente ele via por estar perto demais de vários objetos de prata, cobriu os olhos com os braços e andou para trás. — Você não pode me matar, Yoongi, mas eu posso te machucar.

— Assim como o filho da puta do Jungkook?!

— O quê? Não sei do que está falando. — Namjoon se aproximou. — O que eu estou querendo mostrar é que não pode me matar, não pode e não vai porque não são os planos dos deuses.

— Mas são os meus planos! — tentou encará-lo, mas o brilho fazia seus olhos arder. 

O padre então deu as costas ao vampiro e andou até uma parte da sala em que estavam. — Tenho minha missão aqui, como deve saber. — retirou um livro de uma das estantes, caminhou até uma mesa e se sentou, colocando-o na sua frente. — Eu preciso que você... — encarou o vampiro para ver se ele estava prestando atenção, mas decidiu se levantar ao ver que ele apenas cobria os olhos enquanto rosnava baixo como um lobo feroz. Namjoon pegou o pano e cobriu as cruzes e imagens de prata que incomodavam ao vampiro.

Yoongi retirou com calma os braços da frente do rosto e se recompôs rapidamente.

Namjoon voltou para a mesa e se sentou novamente. — Você tem quase quatro mil anos, viveu perambulando pelo mundo enquanto esperava Hoseok retornar. — dizia aquilo enquanto folheava o livro.

— Como sabe? Padres sabem o futuro, não o passado.

— Tens muito o que aprender sobre nós. —  Namjoon riu. — Tive alguns sonhos que me revelaram e depois de ver o que fizestes e o jeito que agiu em reação à prata, posso ver que não foram sonhos apenas.

— O que fez com Jungkook? — fechou as mãos em punhos. 

— Já lhe disse e repito, não sei do que está falando. — encarou o vampiro por um momento. — Te chamei aqui porque preciso te falar sobre Hoseok.

— Não gosto que pronuncie o nome dele.

— Sobre a vida dele, sobre o que ele é.

— Foi culpa sua! — rangeu os dentes, tamanho ódio. 

— E do que ele pode fazer. — Yoongi se calou quando o Kim levantou o livro e mostrou uma pintura, era a imagem de Hoseok, ou melhor, de quem Hoseok foi um dia. — Esse livro é mais velho que você, acredite, muito importante para a história e o que vai acontecer aqui.

— Por que você tem isso?

— Porque sou o padre. — Namjoon colocou o livro de volta sobre a mesa e o empurrou na direção de Yoongi, insentivando-o a pegar. — E padres sempre sabem dessas coisas. Antes do meu antecessor ser capturado, ele me deixou uma carta, avisando-me sobre o príncipe e você. 

Yoongi se aproximou da mesa e tocou o livro com cuidado, passando a mão sobre a pintura. Era Hoseok, com alguns detalhes diferentes, mas era ele. Tinha um sinal no rosto e, ao se aproximar para observar melhor, pôde ver que era a figura do que parecia ser um sol, bem abaixo de olho esquerdo, os olhos dele também eram chamativos, claros, uma mistura de amarelo com laranja. 

— Este é Jung Hoseok, o príncipe de Solar, reino que hoje engloba tanto Sul quando os outros três reinos. — Yoongi não conseguia parar de encarar aquela pintura, não apenas por ser Hoseok em uma outra vida, mas sim porque sentia que já o conheceu antes. — Ele foi o responsável por quebrar correntes e livrar seu povo da escravidão dos inimigos estrangeiros. — Yoongi então notou que o Hoseok da pintura estava sentado em um trono e por cima de seus cabelos vermelhos havia uma coroa. — Vire a página. 

— O quê? — encarou o padre que fez sinal para mudar a folha, um pouco relutante o vampiro fez o que foi pedido. Sua boca se abriu e sentiu uma sensação estranha e incômoda em seu corpo ao ver a pessoa pintada na folha seguinte. Era ele, era o próprio Yoongi. — Mas esse sou... 

— Este é Drácula, a primeira criatura das trevas nascida na terra. Mas seu nome verdadeiro era Yoongi, Min Yoongi. — Namjoon viu os olhos do vampiro bem abertos, sua expressão denunciava o espanto por se ver ali pintado. —  Coloque as duas pinturas lado a lado. — pediu, mas ao ver que Yoongi ao menos se mexia, levantou da cadeira e ficou ao seu lado, logo retirou a pintura e virou a folha.

Yoongi pôde então ver que aquele livro era daqueles feitos por feiticeiros com pura magia. Namjoon retirou a outra pintura, em que Hoseok estava, e a juntou com a que já tinha em mãos. O vampiro viu o padre colocar as pinturas lado a lado e mostrar que elas, na verdade, eram uma.

Ele, ou melhor, o Yoongi do passado estava sentado ao lado de um Hoseok também do passado.

— Ma-mas o que é isso?!

Estava confuso, pensava devagar, não conseguia juntar os pontos e entender o que Namjoon queria com tudo aquilo.

— Hoseok foi o príncipe conhecido por ter o sol dentro de si. — Namjoon então voltou a se sentar. — Enquanto você, que tinha o sangue, foi responsável por apagá-lo. — o Min sentia como se sua cabeça estivesse dando voltas, nem parecia haver um chão abaixo de seus pés. — Você o matou, Yoongi.

— O-o que...

— Por causa da morte dele todo o reino se dividiu e chegou ao estado que estava anos atrás. Acontece que isso está se repetindo e Sul precisa se juntar aos outros reinos. — continuou o padre, mesmo vendo toda a confusão estampada no rosto do vampiro. —  O príncipe tem o sol e você o sangue.

— Eu nunca mataria ele, e-eu... — Yoongi levou as mãos até a cabeça, não podia ser real, Namjoon estava fazendo um jogo consigo, não era possível. — Isso não pode ter acontecido! — bradou, sua visão começava a ficar embaçada pelas lágrimas que se formavam. — Está blefando! 

Jamais seria capaz de machucar seu amor.

Namjoon respirou fundo, sabia que teria problemas com Yoongi, mas tinha que controlar toda a situação. — Sente-se e tente se acalmar, não estou blefando, isso é a história, a sua história, a de Hoseok e a do reino. — falava, tentando soar o mais calmo possível. 

Yoongi, ainda abalado pelas coisas que ouviu, andou lentamente até parar de frente de Namjoon, puxou a cadeira e se sentou. Suas mãos foram parar em seu rosto e ele ficou quieto por um momento, tentando se acalmar. 

Esfregou os olhos e então levantou o rosto, encarando Namjoon e o livro em sequência. 

Precisava entender. 

— Conte-me tudo. 


Notas Finais


Dei um nó na cabeça de vocês e saí correndo KKKKKKKK
quero ver se vão continuar achando que o Namjoon é vilão junto com Jungkook...
Não se preocupem que vocês vão entender tudo o que o Namjoon tá falando 😂😂
Qualquer dúvida perguntem!
Até mais 💕💕


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