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História SolarLunar - Capítulo 2


Escrita por: SunnyLiu

Capítulo 2 - Após O Pôr Do Sol


Fanfic / Fanfiction SolarLunar - Capítulo 2 - Após O Pôr Do Sol

O ano era 1982.

Era quase fim de tarde em Paris. O céu estava em um tom rosa avermelhado, com suas nuvens brancas que o deixavam ainda mais majestoso. A brisa leve do ambiente balançava levemente as folhas das árvores. Portas de comércios sendo fechadas, o movimento dos carros desaparece vagarosamente assim como as pessoas. O sino badala fortemente ecoando por toda a cidade, as luzes dos postes se acesdem uma por uma. A quase noite sorri feito uma criança, mas o sorriso de alguém estava sendo desfeito naquele exato momento.

- Senhorita Nogues, logo a senhorita estará completando seus 18 anos, e não poderá mais ficar aqui. - diz a senhora em frente a mim. - Já lhe aconselho a procurar um lugar para morar, e provavelmente um trabalho.

- Eu entendo... - começo - Mas, Senhora Albert, me dê mais um pouco de tempo. Tenho certeza de que encontrarei um lugar, e também um trabalho, ainda tenho tempo. Por favor... eu... - tento me explicar mas sou bruscamente interrompida pela mesma.

- Tempo, tempo, é sempre o que me pede! - diz olhando para cima de uma forma entediada. - Sua certeza já estás a começar parecer um plano seu para coseguir mais tempo. - diz estreitando o olhos e cruza os braços. - Está bem, mas antes de seus 18 anos quero você fora daqui! Estás me entendendo? Sabes muito bem que não sou uma mulher de voltar atrás!

- Sim senhora. - digo abaixando o olhar.

- Ótimo. Era só isso. - diz se virando para a grande pilha de livros atrás de si.

Me retiro da sala fechando a porta atrás de mim. Aquele mesmo assunto invadira meus ouvidos novamente, que pelas minha contas, já era quinta vez. Me dirijo até a sala principal, já escura pelo horário, começo a subir os degraus da imensa escadas a minha frente até chegar ao andar de cima aonde ficavam os dormitórios. As garotas estavam separadas em duas filas, uniformizadas assim como eu, um vestido bege que ia até a altura dos joelhos, sem magas e com alguns botões dorados na frente. Elas conversavam descontraídamente entre si, mas ao notarem minha presença se viraram em minha direção agora aos sussuros. Dei um suspiro e abaixei minha cabeça voltando a andar.

- Parece que alguém logo terá que dar o fora daqui. - ouço uma delas falar.

"Continue seu caminho Rose, não a dê ouvidos."

- Que pena. Acho que irei conseguir vê-la da minha janela. Dormindo debaixo de alguma ponte. - todas riem. Aperto meus passos naquele corredor que parecia não ter fim, mesmo que elas fizessem de tudo para prenderem-me e me humilharem mais.

- Correndo feito uma ratinha. - diz outra, e sinto algo entrar em frente aos meus pés me fazendo tropeçar e cair. Lágrimas já se formavam em meus olhos, e mais uma vez, eu não tinha sido forte o suficiente. - Tão tola. Já caiu. - agora todas estavam em volta de mim como se fossem predadoras e eu uma presa assustada.

- Por que não vende as suas histórinhas em algum beco por aí? Talvez algum mendingo se interesse em comprar lixo. - diz aumentando seu tom de voz e se aproximando mais de mim, fazendo eu me arrastar para trás. Me levanto aos prantos indo em direção ao meu quarto que era no final daquele corredor torturante. Me tranco no mesmo e escorrego lentamente até sentar-me no chão com meus joelhos em meu rosto. Encostada na porta, ainda ouvia os risos das mesmas, juntamente de seus comentários cheios de ódio.

Fiquei ali por alguns segundos. Chorando. Me sentia uma idiota. Uma ninguém. E novamente um vazio enorme me invadiu. Não conseguia me levantar. Apenas ficar caída ali, e ouvir passos se afastarem para o andar de baixo.

Olho pela pequena fechadura da porta de madeira, checando se não havia ninguém, e não havia. Dei um suspiro pesado secando meu rosto molhado. Observo aquele imenso quarto, que apesar de enorme não era tão bem aproveitado, já que haviam apenas uma cama de ferro e um guarda-roupa perto de um minúsculo banheiro. Sinto o cheiro forte do ambiente incomodar minhas narinas, apesar de ser bastante ventilado, o mesmo não podia ficar por muito tempo fechado.

Suas paredes ásperas e mofadas, eram o motivo do quarto ser tão mal-cheiroso. Algumas partes dela eram úmidas, principalmente perto de onde eu dormia. O piso gélido e sem cor, apenas coberto pelo cimento, um pouco esburacado. Era completamente impossível de se andar descalço. O teto não tinha forro, apenas suas grandes madeiras amostras e algumas teias de aranha. Vez ou outra eu as limpava, mas não era tão bom incomodar as "vizinhas".

Não tinha muito conforto ou beleza, mas era onde eu costumava passar a maior parte do meu tempo. Talvez possa parecer um pouco solitário, mas estranhamente eu gostava. Eu escrevia minhas poesias e histórias que capturava em minha mente, e sonhava. Sonhava com talvez o impossível do possível. Mas os sonhadores são os últimos que morrem, não é mesmo? Esse era o meu lema na época, hoje em dia eu só penso: Sonhadores não morrem nunca.

Andei até a única janela do local, que era junto de uma sacada. Abri a mesma revelando a quase noite. A Lua prestes a tomar o lugar do Sol. Vejo a pouca claridade invadir o espaço em que estava, iluminando suas paredes brancas. Pego uma de minhas mexas rosadas a observando. Suas pontas estavam começando a ganhar um tom esroxeado, e aos poucos tomou-a mexa por inteiro.

Era sempre assim. Depois do Pôr do Sol, eu me tornava uma outra eu, se é que posso dizer assim. Agora a noite já se fazia presente, as poucas nuvens que antes haviam, agora sumiram por completo, dando lugar a um belo e estrelado céu. As outras garotas deviam estar jantando naquele momento. Mas por que eu não estava junto a elas?

Sou proibida de descer quando estiver em minha forma "horrenda", como sou chamada. Ordens da diretora, ela tem medo que possa ser algo contagioso, ou que eu ataque alguém. Todas devem pensar que eu sou algum tipo de fera que todas as noites saí a procura de sangue humano. Devo admitir, já pensei isso. Então, eu esperava a comida ali mesmo. Parece um pouco desumano, mas, todas foram a favor dessa idéia. Acho que o problema seja realmente eu.

Ouço fortes batidas na porta. Meu jantar chegou. Trazido na porta. Mas não pensem ser de uma forma elegante, ou refinada, e sim da forma que um animal seria tratado. Acho que nem mesmo um animal deveria ser tratado dessa forma.

- Seu jantar! - ouço a voz de Penélope, uma das coordenadoras do orfanato. Fui até a porta abrindo uma brecha e sem a encara-lá, também ordens da diretora. Acho que sou uma espécie de Medusa também. Ela apenas colocou o prato no chão e o empurrou com o pé, logo depois fechando a porta. Era sempre assim. Me abaixo pegando o mesmo e me sentando em minha cama. Começo a comer, e sem perceber acabo derramando algumas lágrimas, mas as seco rapidamente. Aquele sentimento de inferioridade estava voltando novamente, mesmo que eu fizesse de tudo para não me sentir assim. 

Termino minha pequena refeição de sempre, uma porção de arroz e purê de batata. Coloco meu prato no chão ao lado de minha cama, e vou até o banheiro. Me olho no pequeno espelho do mesmo, e vejo que meu rosto estava um pouco inchado e avermelhado. Um pouco de água deveria resolver, e foi isso o que fiz. Fechei a janela da sacada, e me dirigi a minha cama novamente.

Respirei pesado deitando-me sobre o travesseiro começando a pensar.

Eu queria uma ajuda. Queria mudar tudo aquilo que estava sentido. Me sentia culpada. Sentia que eu merecia tudo aquilo. Merecia sofrer. Ser tratada daquela maneira. Mas... alguém poderia acabar com nem que seja um pouco daquele meu sofrimento? Ou, eu estaria sozinha para sempre?

- Se alguém estiver me ouvindo aí de cima... - começo com a voz já embargada. - Seja quem for... me ajude. Me ajude a suportar tudo isso. Por que... eu acho que já não terei mais forças. - dizia aos sussuros como uma oração. - Por favor... por favor... por favor... - e assim acabo adormecendo.

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- Rose... - abro meus lentamente meus olhos com a vista um pouco embaçada. - Rose... - me sento em minha cama agora envolvida por uma poeira roxa. Olho em volta não vendo ninguém, mas ainda escutando aquela voz. - Rose... - olho em direção ao banheiro vendo que lá também havia aquela poeira. Caminho em passos lentos e ainda um pouco sonolenta. - Rose... - a voz parecia estar vindo de lá, mas quando finalmente entrei no mesmo, não havia ningué. Estava completamente vazio.

Dou um suspiro.

- Só um sonho. - digo a mim mesma indo em frente ao espelho e me abaixando na altura da pia. - Apenas um sonho... - lavo meu rosto e o seco voltando a encarar o pequeno espelho.

- Por que não acredita em mim? - ouço a voz novamente, mas desta vez atrás de mim. Me viro de súbito, mas não havia ninguém como antes. Apenas a parede. Saio do banheiro ainda assustada, e noto que a janela da sacada estava aberta e suas finas cortinas balancavam conforme a leve brisa da noite as movimentava. Vou em direção a mesma prontamente  a fecha-lá, mas vejo algo que me deixou ainda mais assustada... ou melhor... desacreditada.



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