História Solis Ruinam - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Sehun
Tags Chanbaek
Visualizações 18
Palavras 6.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


koéééé <3
bom dia bom dia
quero agradecer muito aos comentários do capítulo anterior, me alegraram bastante <3 também quero agradecer a quem dedicou um pouco do seu tempo para ler a fic, obrigada <3
espero que gostem do capítulo!

Capítulo 2 - Mantenha seu olho elétrico em mim, baby


Fanfic / Fanfiction Solis Ruinam - Capítulo 2 - Mantenha seu olho elétrico em mim, baby

 

Dois meses depois

 

Se alguém contasse para Baekhyun que um dia estaria numa banda de rock e que dividiria uma casa irada com caras que pareciam modelos, certamente mandaria a pessoa ir se foder e iria chorar sob seu chuveiro com a temperatura da água congelando seus neurônios.

Precisamos de você sempre à disposição para ensaios, não vamos deixar que fuja de suas responsabilidades, moleque”, tinha sido o que Chanyeol respondeu num tom divertido quando o Byun quis saber que diabos de loucura era aquela de morar com eles. “Se vai fazer parte da nossa banda, vai fazer parte de todo o resto também”, Kai completou com seu típico sorriso doce.

Aqueles argumentos foram o suficiente para calar a boca do baixinho, deixando-lhe apenas com um sorrisinho contido na beira dos lábios rosados, fracassando em tentar acalmar toda a euforia que queimava em seu interior e fazia seu sangue borbulhar.

Santo Bon Jovi.

E não era como se Baekhyun fosse ser imbecil de recusar.

No mesmo dia, voltara para o antigo cubículo que morava para buscar suas coisas, que não eram muitas, na verdade. A primeira coisa que pegou foi a Stratocaster, depois umas trouxas de roupa suja. Ainda foi na garupa da moto de Chanyeol, que lhe oferecera uma carona até lá. Ficou feliz e grato por não precisar gastar dinheiro com ônibus.

Tentara deixar a cabeça fria e não viajar muito, entretanto, enquanto tinha os braços entrelaçados ao redor da cintura dele, sua mente só dava voltas e mais voltas que... bem, de qualquer forma, isto definitivamente não vem ao caso agora.

O síndico carrancudo do prédio quis comer o coro do Byun, mas engoliu as ofensas quando viu que o baixinho estava acompanhado de um rapaz de quase dois metros de altura e que possuía um olhar que parecia dizer que lhe esquartejaria de cima à baixo.

O Park não entrou no apartamento com o garoto, só esperou do lado de fora, no corredor. Viu as condições precárias do prédio caindo aos pedaços, e viu quando o baixinho saiu do apartamento só com algumas roupas embrulhadas e uma guitarra nas costas. A garganta secou e tentou não se sentir mal por ele, mas foi inevitável. Mesmo o conhecendo há pouco tempo, tinha criado uma simpatia pelo moleque e não gostou de vê-lo daquele jeito, mas não tocou no assunto. Conhecia a sensação amarga e ruim que cresce na boca do estômago quando os outros te olham com pena.

Baekhyun foi embora daquele inferno, mas ainda estava tendo que quitar o aluguel atrasado – isto era o de menos, sinceramente, nada poderia amenizar sua felicidade.

Finalmente algo bom parecia ter caído do céu.

Estava abandonando sua vida antiga para embarcar em uma nova.

Seu sonho de viajar por aí num trailer não parecia tão distante agora.

- Valeu, caras, chega por hoje. - O Park murmurou com a voz mais enrouquecida do que o habitual, suspirando em cansaço.

Definitivamente, tentar aprender a música nova dos Guns n' Roses, Sweet Child O' Mine, se mostrou uma tarefa nada fácil. Para Chanyeol, estava sendo complicado pegar o mesmo tom de Axl Rose na música. Para Baekhyun, então, aquele solo de guitarra estava o tirando do sério. Não era muito difícil, mas era um solo longo e estava se atrapalhando para gravar todos os acordes e sequências, sempre acabava se perdendo. Assim como estes dois, Sehun e Kai também estavam exaustos. Basicamente, os quatro estavam tendo dificuldades para tocarem em sincronia, não havia harmonia.

- A competição vai ser daqui a um mês, galera. Temos que quebrar tudo com essa música. - Falou Kai, mas não discordou da decisão do vocalista, logo, tirando a correia da guitarra dos seus ombros tensos.

Era uma competição amadora que acontecia todo ano num festival de rock, onde o lugar ficava recheado de trailers e hipsters fumando e bebendo por todos os lados e cantos. Era a maior doideira, como também era uma experiência sem igual. Ano passado, quando se inscreveram pela primeira vez, tiveram que se desclassificar de última hora, porque o outro guitarrista – e ex-namorado do ruivo – resolveu não dar as caras. Havia sido um completo desastre e dentro de Chanyeol só havia ódio.

Tinham treinado tanto para, no final, terem que desistir sem nem ao menos começar...

- Não pode ser outra música? Sabemos tantas... - Sugeriu Sehun, bufando enquanto deixava as baquetas descansando sobre a bateria.

- Não. - O Park respondeu com convicção, curto e incisivo. - Tem que ser essa. É uma música nova e não é fácil, ninguém vai se arriscar tanto.

- Será? - O Byun se instrometeu na questão, atraindo a atenção dos meninos. - Talvez eles estejam pensando a mesma coisa.

Kai, Sehun e Chanyeol se entreolharam, pensativos.

- E o que você sugere? - Questionou Kai, levantando a sobrancelha. Chanyeol cruzou os braços e aguardou pela resposta do baixinho.

- Não devíamos nos preocupar em deixar as pessoas impressionadas com nosso som, temos que tocá-las com o coração. - Foi sincero. Achou que tinha dito algo incrivelmente profundo, porém, a julgar pelas caretas que eles fizeram, não ajudou muito. - Acho que isso soou um pouco boiola.

- Só um pouco? - Indagou Sehun, rindo.

- Tá, tá bem. - Balançou a cabeça e gesticulou exasperadamente com as mãos, suspirando. - O que eu quero dizer é que, às vezes, uma boa e velha música já é o suficiente. Não precisamos explodir as caixas de som, só... tocar o coração das pessoas com a nossa música. - Não ligou de parecer boiola. - E aposto que, assim, vamos conseguir fazer todo mundo cantar.

Os três meninos se entreolharam de novo, até que, por fim, Chanyeol deu de ombros, sorrindo para o baixinho.

Gostava do jeito dele.

Aquele garoto definitivamente tinha alguma coisa.

- Ainda não respondeu a pergunta, moleque. Qual música você sugere? - O Park quem perguntou desta vez, cruzando os braços em frente ao peito, sem abandonar o sorriso que fazia cosquinhas nas suas bochechas.

O sorriso largo que se abriu no rosto do Byun não foi brincadeira. Ele exibia as presinhas bonitas naquele sorriso retangular e tinha um brilho arteiro nos olhos enquanto afundava as mãos magricelas nos bolsos da calça jeans rasgada que trajava.

- Beatles, Hey Jude.

 

 

Durante aqueles dois meses que passara com eles, Baekhyun descobrira muitas coisas: Sehun não era tão quieto depois que o conhecia melhor, Kai era muito bom no videogame e Chanyeol dormia de olhos semiabertos, era assustador.

Achara que seria difícil se adaptar a uma nova rotina, contudo, no dia seguinte, já parecia ter se esquecido da vida anterior que levava. Era engraçado, porque nunca tinha verdadeiramente se acostumado com seu velho cotidiano e, agora, em menos de vinte e quatro horas, se sentia parte daquilo, como se sempre tivesse feito parte.

É realmente difícil se adaptar com coisas ruins.

Nunca tinha cogitado a possibilidade de participar de uma banda. Baekhyun não era muito de se misturar, era do tipo que dizia estar ocupado para não ter que ir à festas e se sentia nervoso com apresentações, sempre gaguejava quando tinha que falar em voz alta para a turma. Entretanto, ele era do tipo que sonhava. Não se imaginava numa banda, mas imaginava o quão deveria ser legal estar em uma. Não se imaginava jogando futebol, mas imaginava o quão deveria ser legal ganhar o campeonato entre as escolas. Não se imaginava expondo suas artes numa galeria, mas sonhava com esse dia.

Ser integrante de uma banda de rock, ainda que os ensaios fossem cansativos, era muito divertido, tão divertido quanto parecia que era quando assistia os shows pela televisão – quando às vezes tinha dinheiro para pagar as contas de luz.

Para falar a verdade, nunca esteve tão envolvido com a música quanto estava agora.

Agora, a música literalmente fazia parte de seus dias, estava impregnada em cada canto daquela casa.

Agora, se alguém perguntasse para Baekhyun o que ele queria para o futuro, ele não pensaria apenas num trailer, numa câmera fotográfica e tintas.

Pensaria também em um porão empoeirado, três garotos e músicas bonitas.

E sua Stratocaster estaria com ele, independente do caminho que seguisse.

Estar numa banda não era exatamente estar num emprego como inocentemente pensava, só ganhavam dinheiro quando conseguiam se apresentar em bares ou lugares que os pagassem, mas, ainda assim, tudo estava dando tão certo que não conseguia ver um lado ruim nem nisso. O cachê que recebiam era bom e, também, agora que Baekhyun dividia as contas da casa com outras três pessoas, não tinha mais que esquentar a cabeça, só curtir.

Quando estava no ensino médio, achava que a vida de um estudante era difícil, que ser excluído e tachado de esquisito era o cúmulo, mas descobriu depois que a vida não cansa de te jogar para baixo. Os adultos levam ainda mais porrada, e são obrigados a engolir coisas mil vezes piores. Descobriu isso da pior maneira.

Felizmente, agora, as coisas finalmente pareciam estar se alinhando. Esperava que assim permanecesse.

Redescobria como era morar com outras pessoas, havia se esquecido de como era. Mesmo que fosse acordado a paneladas e às vezes com baldes de água fria, um calor gostoso se alastrava pelo seu peito todas as manhãs, sempre que acordava.

Não havia sequer um dia que não brigassem na mesa do café da manhã, sempre disputando pelos últimos pães e brigando pelo último pedaço de presunto, muitas vezes acabava virando uma guerra de comida enlouquecida. Era uma loucura, mas adorava. Da última vez, jogara suco de uva na cara de Chanyeol, que ficou uma fera. Baekhyun teve que correr o máximo que seu sedentarismo permitia, rindo ao olhar para trás e observar aquelas pernas tortas o perseguindo. Fugiu do grandão pela casa inteira, até que ele o pegou e ambos acabaram caindo na terra – a essa altura, já tinham corrido para fora da casa e foram cercados pelas árvores. Baekhyun se acabava de rir, achava que tinha deixado Chanyeol puto, porém, quando virou-se para encará-lo, viu que ele ria escandaloso igualmente a si.

Enquanto Jongin e Sehun se preparavam para dormir, Chanyeol e Baekhyun começavam outra partida no videogame. Mesmo os dois estando no porão, Kai e Sehun, lá do segundo andar, podiam ouvir os sons de tiro do jogo e as gargalhadas altas – sempre bufavam e tapavam as cabeças com os travesseiros, mas não adiantava muito.

Acharam que Baekhyun era uma pessoa calminha, o que logo descobriram que não. Ele parecia todo frágil e acanhado quando o conheceram, mas era só puxar a cordinha dele e, pronto, não parava mais de rodar.

Kyungsoo, ex-namorado do Park, era o completo oposto do Byun. Era sério, meio frio... era legal, mas os dois... não davam certo. O relacionamento deles era uma montanha-russa, e não no sentido bom. Ora estavam bem, ora mal se olhavam. Qualquer coisinha desmoronava com tudo e voltavam para a estaca zero.

E agora, com Baekhyun, Kai e Sehun estavam vendo um lado de Chanyeol que há muito tempo não viam. Não viam este lado nem quando ele namorava com Kyungsoo, e olha que os dois tinham começado a namorar quando estavam na faculdade! Depois, os quatro simplesmente decidiram que se virariam para comprar uma casa, deixariam de tocar uns instrumentos aleatórios numa das salas abandonadas da faculdade, montariam uma verdadeira banda de rock e, quem sabe, isso tornaria a vida deles menos merda.

E conseguiram. Por um tempo.

Porque, quando Dyo queria ser o demônio, a casa caía.

E o Byun era, definitivamente, tudo aquilo que eles precisavam para levantar tudo de novo.

O baixinho era tão agitado quanto o Park, e Sehun e Jongin notaram que isso definitivamente não daria certo – já amaldiçoavam o jeito inquieto demais do ruivo, os dois juntos, então, fodeu. Não que não gostassem do jeito deles, mas às vezes sentiam vontade de esganá-los, porque pareciam duas crianças!

No entanto, apesar de ficarem reclamando e implicando, não mudariam Baekhyun e Chanyeol nem se pudessem. Só mudariam o hábito deles de jogar a noite inteira, mas, de resto, até que gostavam de se irritar com as palhaçadas deles.

Não viam aquele lado brincalhão e leve do Park há anos e, com o passar do tempo com o Byun, este lado voltou a florescer tão rápido quanto tinha-se ido.

E também não eram bobos. Definitivamente tinha algo rolando entre aqueles dois.

Baekhyun, de início, achara que Kai seria a pessoa com quem mais teria intimidade, por ele parecer mais aberto a se relacionar e ser estranhamente simpático demais. Por mais que Sehun fosse quieto, quem parecia ter a personalidade mais difícil era Chanyeol. Sehun podia ser quieto, mas ele era de boa, não era difícil conversar com ele. Agora, com Chanyeol... você nunca sabe se ele está sendo grosso de brincadeira ou se está puto de verdade. Ele era simplesmente uma coisa difícil de entender. Baekhyun não fazia ideia de como começar uma conversa com ele sem se perder no meio da fala, não conseguia decifrar se ele estava o olhando daquele jeito porque estava lhe achando irritante ou se só olhava para todos daquele jeito.

E é impressionante como a vida é uma caixinha de surpresas.

A pessoa que Baekhyun achava que tinha a personalidade mais difícil era a que, agora, lhe fazia companhia em suas caminhadas floresta adentro e que lhe entregava café da manhã na cama. Bem, este último exemplo não era como se acontecesse com muita frequência também, mas, de qualquer forma, um gesto assim já eram imenso vindo do Park, que geralmente não levantava o dedo para ajudar em nada, como podemos analisar na situação a seguir:

- O combinado não foi você lavar a louça, Park? - Baekhyun perguntou assim que pisou no porão e cruzou os braços ao se deparar com a cena do tal ruivo jogado despreocupadamente no colchão d'água. Sua cabeça estava deitada numa das almofadas, uma mão manuseando o cigarro que pendia entre os lábios secos e a outra mão segurando o controle da televisão velha, arrastando o dedo preguiçosamente para ver os variados canais - alguns fora de sinal e outros com programações tão fúteis que não valiam sua atenção.

- Foi? - Retrucou o Park, obviamente desinteressado. Nem olhar para o Byun ele olhava, o filho da puta. Ele tirou o cigarro da boca e semicerrou os olhos brevemente ao que deixava a fumaça escapar pelos lábios, logo pondo o cigarro novamente entre eles.

Baekhyun suspirou com a cena. O maldito conseguia ser sexy sem o mínimo esforço, coisa que era tão impressionante quanto irritante.

- Tô falando sério. - Realmente estava, seu tom comprovava isso, ainda que estivesse calmo. Ainda de braços cruzados, aproximou-se de onde o ruivo estava, porém, mesmo assim, ele não levantou os olhos para si. Que cara folgado, mano! Baekhyun odiava comportamentos do tipo. - Sehun foi no mercado comprar as coisas e Kai e eu fizemos a droga da comida, dá pra você fazer a sua parte? Não tem empregado aqui, não, caralho.

- Não? - O tom era zombeteiro, querendo cutucar o Byun até vê-lo explodir. Era um dos passatempos preferidos do Park, que finalmente fitou o baixinho, sorrindo com o cigarro na boca. - Você exerce bem o papel, moleque. Vai dar conta do recado.

Baekhyun só queria chutar a cara dele.

- Chanyeol, eu realmente tô ficando puto agora. Levanta. - Ordenou.

- Que pena, não gosto de deixar as pessoas putas comigo... - Comentou com um desinteresse nítido, voltando a passear os olhos pela tela chiada da TV, rindo ao ver uma garota comentando que atiraria o sutiã no palco no próximo show da sua banda favorita. É cada uma, bicho...

Aquilo lhe fez lembrar de seus fãs. Não, não poderia chamar de fãs, sua banda não era famosa o suficiente para isso. Entretanto, ainda assim, possuíam seguidores fiéis, isto é, pessoas estranhas que, de alguma forma, sempre descobriam quando e aonde seria a próxima apresentação e, então, simplesmente brotavam por lá; vai entender. Chanyeol não era muito ligado em ter fãs, quero dizer, claro que gostava de ter pessoas que admiravam o trabalho deles, mas também não fazia muita questão. Para si, só conseguir tocar em algum lugar já era satisfatório o bastante, e sabia que os outros integrantes concordavam consigo. Porém, claro que adorava ver toda aquela dedicação de seus "seguidores" e ouvir toda a admiração que eles tinham por sua simples banda, gostava principalmente quando elogiavam sua aparência, sua voz e o jeito que se portava no palco - segundo eles, sexy e desinibido, o que lhe arrancava boas risadas, mas não deixava de inflar um pouquinho seu ego.

Baekhyun quase espumava pela boca de tanto ódio. Odiava ser ignorado, odiava quando se divertiam ao vê-lo com raiva, odiava levar desaforo. Já estava cerrando os punhos, pronto para recorrer à violência, até que uma lâmpada brilhou sobre sua cabeça.

Iria jogar sujo.

Não fez cerimônia ao se aproximar em passos apressados, muito menos se fez de rogado ao sentar com tudo no colo do Park, tão forte que o corpo dele se sobressaltou e o controle caiu de sua mão, já que não esperava por uma trombada daquelas.

O ruivo mirou seu rosto com incredulidade, o maldito cigarro ainda na beiradinha dos lábios.

- Com você montado em cima de mim, aí que eu não vou conseguir levantar mesmo.

O baixinho sorriu, e não foi um de seus sorrisos comuns. Tinha algo ali, Chanyeol notou. E, a julgar pelo jeito que ele descansou as mãozinhas no peitoral do ruivo, era nítido que realmente tinha algo ali.

- E você quer levantar?

A pergunta sussurrada não demorou nem meio segundo para atiçar a curiosidade do Park – logo alguém que há instantes estava tão desatento, que curioso -, que rapidamente abriu um sorrisinho de canto e impulsionou o corpo para cima, a fim de se apoiar no colchão com o cotovelo – com o braço flexionado daquele jeito, as veias dos músculos se tornavam ainda mais aparentes e faziam um belo par com as tatuagens. A outra mão retirou o cigarro dos lábios só para soprar a fumaça e logo pôs o maldito na boca de novo, sem perder aquele sorriso idiota.

Sabia que Baekhyun só estava querendo tirar uma com a sua cara.

- Sei aonde quer chegar, Byun.

- Sabe?

Chanyeol riu soprado quando notou que o baixinho estava lhe respondendo do mesmo jeito que ele próprio estava fazendo segundos atrás.

- Você quer brincar, então? - Revidou, a voz do ruivo se tornando mais rouca a cada palavra e o sorriso ladino se alargando. E o maldito cigarro ainda estava ali.

Era a primeira vez que os dois faziam uma brincadeira daquele teor, mas surpreendentemente não era estranho. Parecia tão natural quanto desejar um bom dia. E esta naturalidade era o que de fato deveria ser estranho, mas ninguém estava pensando nisso no momento. Só pensavam que aquele tipo de brincadeira era boa. Muito, muito boa.

- Gosto de brincadeiras. Quer brincar de quê, Park? - A voz de Baekhyun estava arrastada e sensual como nunca esteve antes, o que definitivamente estava começando a maltratar os sentidos do tatuado.

Mesmo sendo uma brincadeira, Chanyeol ficou surpreso por ver aquele lado diferente do amigo. Por curiosidade, ficou se perguntando se ele realmente agiria assim se o contexto da situação fosse sério.

As mãozinhas delicadas começaram a deslizar sutilmente pelo peitoral coberto do ruivo, que não conseguia desviar os olhos escuros dos semelhantes alheios. O contato visual que faziam era intenso demais para uma brincadeirinha tão inofensiva.

E o peso quente que o corpo do menor fazia sobre o seu já estava distorcendo um pouco seus pensamentos coerentes.

Aquilo não acabaria bem. Ah, não mesmo.

- Eu acho que-

- Que você deve deixar de ser palhaço e ir lavar a louça? Sábia decisão, concordo plenamente. - E saiu do colo dele num pulo, cortando completamente o barato do Park. Com a maior cara de pau, Baekhyun simplesmente caminhou para a saída do porão, subindo as escadas enquanto batia com as mãos na própria roupa, como se tivesse acabado de rolar na terra e estivesse todo sujo. - E não demora, porra.

Chanyeol o seguiu com os olhos, incrédulo, ainda parado na mesma posição. Sabia que era uma brincadeira, mas não esperava que fosse terminar tão rápido.

Estava tão bom, poxa.

Não pôde conter uma risada soprada ao mesmo tempo que balançava a cabeça em negação. Fechou os olhos, tirou o cigarro da boca e jogou a cabeça para trás, rindo mais uma vez ao se lembrar da audácia daquele moleque.

Aquele baixinho...

 

Os três já tinham assistido Re-animator, Cujo e logo em seguida começaram a assistir Show de Horrores; este último tinha sido lançado naquele mesmo ano e apenas as fita cassetes pirateadas estavam disponíveis, mas estavam ansiosos para ver, então a compra valeu a pena, apesar da qualidade da resolução não ser tão boa quanto um não-pirata certamente seria.

O filme era de terror, baseado em diferentes contos de Stephen King – cara por quem Baekhyun nutria uma admiração do caralho. Era simplesmente brilhante, nada diferente do que se espera de King. Baekhyun estava com os olhos esbugalhados vidrados na tela da televisão – aquelas antigas com a parte traseira enorme – enquanto pescava as migalhas de pipoca com os dedos e as jogava rapidamente dentro da boca. A bacia de pipoca estava em seu colo e todos metiam a mão ali para pegar.

Nem lembrava de como tinha ido parar naquela situação, no entanto, quando viu, já estava com o corpo encaixado entre as pernas flexionadas do Park, que estava com o peito colado às suas costas, lhe envolvia com os braços tatuados pela cintura e apoiava o queixo no seu ombro. Quando o questionou, ele só disse que tinha medo de filmes de terror e que precisava abraçar algo para não ficar tão tenso. Então, deixou por aquilo mesmo e voltou a focar só no filme, tentando ignorar seus pelinhos eriçados por sentir constantemente a respiração morna do Park em sua nuca.

- O que foi aquilo, Baek? - Kai perguntou quando estavam na cozinha, quase uma hora e meia depois, quando o filme já tinha terminado. O moreno pegava uma latinha de cerveja na geladeira enquanto observava o Byun lavando a bacia de pipoca.

- Huh? - Confuso, encarou o outro com uma sobrancelha arqueada, abanando as mãos no ar para secá-las após terminar de lavar.

- Você e Chanyeol. - Riu. - Estão ficando?

Baekhyun arregalou os olhos por um breve momento, sentindo o coração vibrar instantaneamente. Porém, logo riu alto, movendo a cabeça de um lado para o outro e tentando não ligar muito para a inquietação na boca do estômago.

- Cara, que pergunta é essa, do nada?

- Uma curiosidade normal, ué. Vocês pareciam bem entrosados lá embaixo. - O sorriso sugestivo brincava em seu rosto, seus braços cruzados. Estava adorando ver o Byun meio nervoso – podia notar pelo jeito que ele tentava não lhe encarar diretamente e tentava desconversar.

- Ah, aquilo? Não foi nada. Chanyeol disse que gosta de abraçar quando está tenso. Por causa do filme, sabe? - Deu de ombros e afundou as mãos nos bolsos do grande casaco de moletom vermelho, fingindo indiferença.

- Chanyeol sempre assistiu filme de terror com a gente e eu nunca soube dessa. - Riu com a cara de pau do ruivo em mandar uma mentira daquela. - Que curioso, pelo visto nunca conhecemos uma pessoa por completo. - Brincou.

- Pois é, que coisa... - Soltou uma risadinha nervosa. - Tô indo. - E vazou dali, sorrindo amarelo enquanto metia o pé rapidamente pra fora daquela cozinha, deixando um Jongin risonho e descrente para trás.

Aqueles dois só tinham tamanho...

 

 

Baekhyun revirava os lençóis da cama à medida que rolava de um lado para o outro. Não conseguia pregar os olhos nem por um mísero segundo.

Bufou, desistindo daquela palhaçada. Deu um pulo para se sentar na beira da cama, bagunçando os cabelos pretos exasperadamente. Olhou para o relógio, vendo que já marcava quase três da manhã.

Definitivamente, nunca conseguiria dormir cedo.

Resolveu tomar um banho rápido, seu sovaco pingava de suor, portanto, andou até o banheiro do corredor – o único da casa – e foi gostosinho sentir o piso gelado contra seus pés quentinhos. Quando terminou, agitou os cabelos molhados com a mão e, sem nada cobrindo o corpo – não era como se estivesse alguém acordado e, sinceramente, não estava ligando muito -, voltou para o quarto. Estava calor e não se importava em andar por aí sem calça – às vezes andava até sem cueca. Todas suas cuecas estavam lavando, então vestiu só uma boxer preta que encontrou jogada sobre sua escrivaninha – esperava que ela não estivesse tão suja assim. Vestiu só uma camisa xadrez preta e vermelha bem longa cujo tecido cobria até a metade das coxas e as mangas desapareciam com as mãos. Deixou os primeiros botões abertos, exibindo um pouco das clavículas bem marcadas – afinal, estava calor. Para falar a verdade, por mais que gostasse de usar casacos grandes e calças confortáveis para sair, não gostava de usar muita coisa quando estava em casa, até dormia pelado. Dormia pelado, coberto até o pescoço e com o ventilador ligado no máximo.

Desceu as escadas calmamente até o primeiro andar e caminhou até a cozinha. Abriu a geladeira e suspirou em deleite com o ar frio que bateu contra sua pele. Pegou uma latinha de cerveja e, antes de fechar a porta da geladeira, ouviu o som distante de um cantarolar baixinho e o som bonito dos acordes de um violão. Sorriu. Pegou mais outra latinha e, por fim, fechou a geladeira, tomando seu rumo até o quintal.

Acertou em cheio. O Park realmente estava lá.

Tão previsível.

Sentado de pernas cruzadas como índio e o violão no colo, dedilhava as cordas enquanto cantava alguma canção baixinho. Olhava para o horizonte. Lá ao longe, a quilômetros de distância de onde estavam, a cidade movimentada podia ser vista.

Os quatro garotos não trocariam a calmaria daquele lugar por nada. Não havia nada melhor do que estar rodeado de árvores. Até o ar era mais puro.

Também, não era como se morassem no meio do nada. Haviam outras casas naquela região – cada uma bem afastada da outra, felizmente. Para pegar um ônibus, tinham que andar cerca de quinze minutos até a estrada principal. O caminho até a cidade, de transporte, levava de trinta a quarenta minutos, porém, era tranquilo, sentiam o vento leve de encontro ao rosto e observavam as árvores até que fossem substituídas pelas fumaças das fábricas.

Baekhyun se aproximou, abriu a latinha e a estendeu para o Park, que lhe encarou por um momento antes de aceitar de bom grado, dando uma golada longa. O baixinho sentou ao seu lado, os joelhos flexionados e os braços descansando sobre eles, também tomando um gole da sua própria cerveja gelada.

Permaneceram em silêncio, como em um acordo mudo.

Só escutavam aquela bela música e, de brinde, o som da brisa morna de verão que remexia as folhas dos galhos e balançava o gramado.

Outro ponto positivo de estar tão longe assim da cidade, era que as estrelas brilhavam muito mais ali.

- Você compôs? - Baekhyun se pronunciou, quebrando o acordo de silêncio. Não reconhecia a letra que Chanyeol cantava, então pensou que provavelmente fosse uma canção autoral. Era uma melodia suave e serena, nada se assemelhava com a tempestade que o próprio Park era.

- Ainda não terminei. - Respondeu simplista.

- Tá ficando muito bom.

O Park soltou uma risada soprada.

- Eu sei, moleque, fui eu que compus. - Brincou, arrancando uma risada escandalosa do baixinho.

- Você tem uma habilidade incrível de estragar o clima, é inacreditável. - Balançava a cabeça em descrença.

- Tava rolando um clima, então? - Chanyeol virou a cabeça para lhe encarar, abrindo um sorrisinho idiota quando um gato pareceu ter comido a língua do Byun.

O contato visual estava deixando o baixinho nervoso. Encarar o Park era sempre difícil, principalmente quando ele olhava... daquele jeito.

E este era o problema. Ele sempre lhe encarava daquele jeito.

Baekhyun, subitamente nervoso, desviou o olhar numa velocidade invejável.

- Não viaja, Park. Não foi nesse sentido que eu quis dizer, você sabe.

- Claro. - Zombou, rindo da cara boba do Byun. Voltou a dirigir o olhar para o violão sobre suas pernas, deslizando a ponta dos seus dedos ásperos pelas cordas de aço. E tornou a cantar, porém, uma música diferente.

Sua voz rouca agraciava os ouvidos do pequeno, que bebia sua cerveja devagarzinho, olhava para o céu estrelado – se questionando se existia vida em outros planetas - e só desejava um pouquinho de maconha para a equação ficar perfeita.

 

I'm an alligator, I'm a mama-papa comin' for you

(Eu sou um crocodilo, eu sou mamãe-papai que vem para você)

I'm the space invader, I'll be a rock 'n' rollin' bitch for you

(Eu sou o invasor do espaço, eu sou uma vadia do rock pra você)

Keep your mouth shut, you're squawking like a pink monkey bird

(Mantenha sua boca fechada, você está guinchando como um pássaro-macaco rosa)

And I'm bustin' up my brains for the words

(E eu estou separando meus miolos para as palavras)

 

Keep your 'lectric eye on me, babe

(Mantenha seu olho elétrico em mim, gatinha)

Put your ray gun to my head

(Ponha sua arma de raios na minha cabeça)

Press your space face close to mine, love

(Aperte sua face espacial contra a minha, amor)

Freak out in a moonage daydream, oh yeah!

(Perca o senso em uma alucinação lunar, oh yeah!)

 

Ah, Baekhyun definitivamente daria tudo por um tiquinho de maconha agora.

Mas, por ora, a voz grossa de Chanyeol cantando Moonage Daydream, do David Bowie, era um ótimo entorpecente.

 

Don't fake it, baby, lay the real thing on me

(Não finja, gatinha, dê a real para mim)

The church of man, love

(A igreja do homem, amor)

Is such a holy place to be

(É um lugar sagrado de se estar)

Make me, baby, make me know you really care

(Me faça, gatinha, me faça saber que você realmente se importa)

Make me jump into the air

(Me faça pular pelos ares)

 

Keep your 'lectric eye on me, babe

(Mantenha seu olho elétrico em mim, gatinha)

Put your ray gun to my head

(Ponha sua arma de raio na minha cabeça)

Press your space face close to mine, love

(Aperte sua face espacial contra a minha, amor)

Freak out in a moonage daydream, oh yeah!

(Se apavore em uma alucinação, oh yeah!)

Freak out in a moonage daydream, oh yeah!

(Se apavore em uma alucinação, oh yeah!)

Freak out in a moonage daydream, oh yeah!

(Se apavore em uma alucinação, oh yeah!)

 

Freak out, far out, in out

(Se apavore, longe fora, dentro fora)

 

- Eu realmente daria tudo por um pouco de maconha agora.

O Park caiu na gargalhada quando aquela fora a primeira coisa que Baekhyun dissera ao terminar de cantar.

- Não sabia que você era um viciadinho de merda, moleque. - Zombou, rindo ao balançar a cabeça como se desaprovasse o ato do garoto, mas não era como se o Park não curtisse ficar doidão de vez em quando também.

- Existem muitas coisas que você não sabe ao meu respeito, Park. - Encarou o ruivo, lançando-lhe uma piscadela enquanto dava mais uma golada na cerveja que já chegava ao fim.

- Hm, quanto mistério. - Sorria arteiro. Tirou o violão do colo e apoiou ambas as mãos na grama atrás do corpo, ficando com o tronco inclinado e, assim, podendo fitar melhor o perfil do garoto, que estava com o olhar perdido nas estrelas. O sorriso no rosto do Park ia aumentando gradativamente, seus fios vermelhos caindo sobre os olhos escuros.

Porra. Aquele moleque era bonito pra caralho.

- Fiquei curioso agora. - Tomou a atenção do Byun, que girou o pescoço para lhe fitar com uma sobrancelha arqueada. - Que coisas sobre você que eu não sei? - Deu um gole na própria cerveja, sem quebrar o contato visual.

- Hm... - De repente rodou o corpo, ficando sentado de lado, porém, de frente para o Park. Deu um último gole para terminar com a cerveja e, enfim, tacou a latinha pro lado – depois jogaria na lixeira dos recicláveis. - O que você quer saber? - Retrucou.

- Hm, vejamos... - Fingiu uma expressão pensativa, brincando. Desviou o olhar para logo depois voltar a encará-lo, finalmente notando as pernas desnudas. Riu. - Gosta de ficar todo vermelho? Porque é assim que vai ficar quando levantar daí. Tem muitas formigas grandes por aqui.

O Byun deu de ombros.

- Tá calor. - Respondeu apenas.

Chanyeol riu.

- Verdade, né? - Também deu de ombros, surpreendendo o baixinho quando, do nada, tirou a camisa – e até fazendo isso ele era bonito, puta merda.

O coração deu um salto no peito.

Era a primeira vez que Baekhyun via o Park sem camisa, e sua garganta instantaneamente secou. Seus olhos estavam perdidos, pois o cérebro mandava que parasse de olhar, mas a ordem não era devidamente obedecida. Descobriu que, além dos braços, ele também tinha algumas poucas tatuagens perto da clavícula que iam em direção ao pescoço longo. Queria tentar entender os traços daqueles desenhos e descobrir sobre o que eram, mas seus olhos ainda estavam perdidos, não sabia para onde olhar. Seus dedos começaram a se enroscar uns nos outros, estava suando de novo – se sentia tão patético por isso, mas não podia evitar. Seu olhar vacilou brevemente para baixo, onde viu a linha que marcava a pele dele em V e se perdia dentro da cueca cuja as bordas apareciam um pouco. Suspirou.

Todos aqueles músculos definidos, os gominhos da barriga... caralho, que puta cara gostoso.

- Tô com calor também. - Jogou a camisa pro Byun, que a segurou meio desnorteado, não entendendo o que deveria fazer e se deveria fazer alguma coisa. - Coloca embaixo das pernas. Não quero que fique enchendo o saco reclamando de coceira depois. - E desviou o olhar, fingindo que aquilo não era algo muito parecido com preocupação.

Baekhyun riu, mas não protestou. Não se importava verdadeiramente de ser picado pelas formigas, gostava de sentir o contato com a grama, mas, bem, já que ele insistia tanto... não faria essa desfeita.

- Então, sobre você... - O Park retomou o assunto, olhando discretamente para as coxas cheias dele antes de voltar a fitá-lo nos olhos. Realmente estava sendo difícil não olhar para aquelas pernas. - Fale um pouco de você. Eu quero saber.

Era a primeira vez que tocavam num assunto mais íntimo e profundo, Chanyeol nunca demonstrara interesse em saber nada da sua vida antes.

Baekhyun pigarreou.

- Bem, por onde eu começo? - Riu, mas não era como achasse graça. Apoiou o cotovelo no joelho e deixou o queixo repousar sobre a palma da mão. Suspirou pesarosamente. - Meus pais morreram quando eu tinha quatorze anos e tudo ficou suspenso só por um fio. Aí, meu avô morreu quando eu fiz dezenove e o fio se partiu de vez. - Seu olhar vagava por algum ponto aleatório, provavelmente preso numa árvore qualquer.

Não sentia vontade de chorar, não mais. Não demonstrava nada em sua expressão, mas seu interior estava dilacerado. Sempre que pensava ou falava com alguém sobre isso, sentia a exata mesma sensação; a sensação de ser destruído por dentro.

Uma sensação quente, tal como o fogo, vinha lá do fundo de seu âmago, queimando tudo por onde passava e deixando seus órgãos em brasas. Até que, de repente, esse fogo travava na garganta e dificultava sua respiração, como se fumaça fugisse pelo nariz. Então, era como se um imenso bloco de gelo apagasse o fogo, no entanto, em compensação, o gelo começava a escorregar, percorrendo todo o caminho que o fogo fizera de volta, arranhando e causando choques em todos os órgãos já carbonizados, até que, subitamente, o bloco de gelo se quebrava em milhões de pequenos pedaços e se tornava difícil de engolir, visto que, se engolisse, ele se transformaria em vidro e romperia toda a sua pele.

Era como se sentia. Sempre.

- A partir daí, me tornei um vagabundo. - Soltou uma risada sem humor, seu dedo fazendo círculos desconexos no gramado. - E eu comecei a me drogar pra tentar aliviar a vontade de rasgar minha garganta. - Deu de ombros, deixando um riso soprado fugir pela boca. Se sentia tão patético agora.

Houve um silêncio longo, não tinha coragem de encarar o tatuado. Odiava receber olhares de pena. Tinha certeza que o deixara, no mínimo, sem graça. Achou que aquele silêncio fosse perdurar por mais tempo, talvez a noite inteira – e não achou que fosse uma má ideia, de fato -, mas não passou de cinco minutos.

- Por muito tempo eu quis que meus pais morressem. - Chanyeol, de supetão, se manifestou. Baekhyun finalmente o fitou, curioso. - Mas agora eu só quero que eles vivam o bastante pra perceberem o quanto são infelizes. - Chutou uma pedrinha que estava por perto. Seu olhar estava distante, assim como o do Byun estava há poucos minutos. - Eu comecei a trabalhar desde muito cedo, queria aproveitar enquanto ainda podia trabalhar nos negócios do meu pai e garantir um bom salário, queria conseguir juntar muito dinheiro porque eu sabia que teria que sair de casa uma hora ou outra.

Baekhyun franziu as sobrancelhas, um vinco se formando entre elas, e sentiu que deveria perguntar:

- Por que?

Chanyeol olhou para si e sorriu de lado, exibindo parcialmente os perfeitos dentes brancos.

- Porque eu sabia que eles me expulsariam de casa quando descobrissem que eu sou gay. E eu não estava errado. - Soltou uma risada de descrença misturada com uma pitada de humor ácido, como se ainda não tivesse caído a ficha de que seus pais realmente lhe deserdaram por um motivo tão ridículo e fútil como aquele. Era algo tão desprezível e irrelevante que nem deveria ser chamado de motivo. - Mas é isso aí, moleque. Me tornei um vagabundo também. - Riu junto ao Byun, um exemplo perfeito do que significava rir da própria desgraça. - Gosto de conversar com você. - Foi dito de forma tão aleatória que o outro garoto nem soube como reagir. - Você... sei lá, me acalma, mas me anima ao mesmo tempo. - Parecia refletir sobre o que dizia, tentando achar as palavras certas. Estalou a língua no céu da boca. - Eu não sei. Falar com você é meio que... como comer uma pizza. Uma pizza com bastante queijo, molho, calabresa e azeitona. Saca?

O baixinho quase rolou no chão de tanto gargalhar. O ruivo, por outro lado, sorria, admirando como o outro ficava bonito rindo daquela forma.

Baekhyun ria, ria e ria numa tentativa de fingir que seu coração não estava prestes a arrebentar as costelas e saltar pela boca.

Uma sensação morninha cobria todo o seu coração, e só queria que aquela noite durasse para sempre.

Se estar com Baekhyun era como comer uma pizza, estar com Chanyeol era como comer um hambúrguer duplo, com tanto bacon, queijo e molho que chega a transbordar.


Notas Finais


eu sou um crocodilo, sou mamãe-papai que vem pra você~
espero que tenham gostado, agradeço a quem leu e até a próxima! <3


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