História Solitaire - Capítulo 8


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Personagens Originais, Rap Monster, V
Tags Bangtan Boys, Bangtan Sonyeondan, Bts, Jimin, Minjoon, Namjoon, Nammin, Rap Monster, Romance, Taehyung, Yaoi
Visualizações 59
Palavras 1.551
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oiiiiiiii
demorei, né? mas tô melhor que o último capítulo.
gente, muito obrigada por não desistir de mim apesar da demora.
minjoon vos ama!!

Capítulo 8 - Pikit Mata


Eu tenho medo. Se você, enquanto lê isso, se pergunta “Por que ele não fala? É algo tão fácil”, saiba, eu tenho medo. É difícil falar qualquer coisa quando você sente o espírito de seu pai indo atrás de você a cada palavra. E você sabe que ele irá machucá-lo. Machucá-lo até que sangre. Até que deixe ali marcas que iram lhe perseguir pelo resto de sua vida.

Eu me lembro, antes dos traumas. Não de muitas coisas, mas me lembro especificamente disto. Eu me lembro de minhas últimas palavras antes de tudo começar. Eu estava rezando, junto a minha mãe e irmã. Eu dizia, alegre, cada palavra da oração. Eu era o orgulho de mamãe, e ela me via crescendo saudavelmente. Todos nós dissemos amém quando a porta foi violentamente aberta, revelando um homem nojento. Bêbado, de odor desagradável e olhos sem piedade alguma.

Ele sempre tivera raiva de mim. Como eu mencionei no passado, o mesmo sempre disse que eu era toda a má sorte em toda sua vida, desde que eu nasci. Eu nunca cheguei a entender exatamente o motivo de seu ódio por mim, até mesmo quando adulto, mas aquilo ainda estava lá, e permaneceria, seja lá qual for o motivo.

Eu só não esperava que o ódio, subitamente, passasse a ser violência. Eu não esperava que meu nariz sangrasse pelo menos duas vezes numa semana, que minha gengiva ficasse cheia de cortes. Eu cresci com a violência e o ódio, cresci como um mero saco de pancadas.

Toda vez que eu falava alguma coisa na mesa de jantar, ele me estapeava. E eu tinha medo de perguntar por que, desde que eu sabia que o mesmo bateria em mim novamente. E foi ali que eu senti, pela primeira vez, medo de falar.

Quando eu tinha oito anos de idade, ele me socou até que eu caísse em minha cama, inconsciente. Eu sujei meu travesseiro de sangue, que pingava de meu nariz. Quando eu voltei ao normal, eu rezei.

“Deus, como tu podes ver, eu sofro. Ajuda-me”. Eu caí no sono.

Eu não perdi a capacidade de fala gradualmente, mas subitamente. Depois daquela noite, eu travei. Acordei com algumas regiões do rosto roxas, com sangue já seco traçando um caminho de minhas narinas até meus lábios fartos e com cortes nos mesmos. Olhei-me no espelho e chorei, limpando com água da pia todo o sangue em meu rosto.

Mamãe chorou ao ver meu rosto, gritando pela casa, esperando que meu pai a escutasse. Eu não falava nada; não queria. “Jimin, o que aquele covarde fez com você?” Eu não respondia.

Naquele dia, tivemos que nos sentar como uma família normal na mesa de jantar. Eu me tremia, constantemente derrubava o arroz quente sobre minhas pernas, mas não falava nada. Eu não falava nada, naquele dia, de minha boca apenas saíram gemidos de dor.

E dos dias seguintes também. Até que parou de doer. Daí, não saia nada de minhas cordas vocais.

A ansiedade estava com as mãos ao redor de meu pescoço naquele dia. Faziam semanas desde o episódio do vinho, e eu estava vivendo uma vida paralela à de Namjoon. Minha irmã saía com Robert toda noite e eu ficava trancado em meu quarto, desde que ela estava preocupada que eu fosse me matar. O psiquiatra estava mantendo o medicamento que havia passado, desde que estavam “melhorando” meu comportamento e ansiedade. Eu discordava.

Eu queria gritar. Deus, tinha um grito preso em minha garganta, arranhando minhas cordas vocais com suas garras. E eu me perguntava se aquela sensação de estar se afogando lentamente parava algum dia.

Por que diabos nada funcionava para mim? Eu tinha alguma espécie de problema?

— Está tão quieto ultimamente. Tem alguma coisa acontecendo? — Minha irmã perguntou, colocando botas de couro em seus pés. O inverno estava chegando. Eu já gripava com o frio e estava dentro de casa tomando todo tipo de bebida quente possível.

— Não. — Respondi. Se eu soubesse o que estava acontecendo, eu diria. Acho.

Minha irmã saiu do quarto, com apenas um pé calçado.  Deitei minha cabeça no travesseiro e pensei em minha mãe. Onde ela estaria? Em minha cabeça, ela nunca atingiu o chão. Ela flutuou até a paz, e eu imaginava se o mesmo aconteceria comigo caso eu... pulasse. Olhei para a janela de meu quarto.

Três batidas delicadas na porta. Olhei, assustado, e a porta abriu-se, revelando o rapaz que eu menos esperava ver entrando no meu quarto, ou seja, Namjoon. Ele sorriu para mim, e eu vi minha irmã nos observando atrás dele.

— Posso entrar, pequeno Jimin? — Ri baixinho, assentindo. Me sentei na cama, indicando que ele deveria sentar ao meu lado. — Você gosta de Oasis, não gosta? Eu sou um grande fã. — Eu, tolo, pensava que ele fosse me perguntar porque eu estava tão quieto. Assenti, novamente. — É... então, Jimin, sua irmã me disse que você anda quieto demais, você quer conversar? Sei que é difícil, mas você pode falar comigo, porque você vai se sentir melhor assim que o fizer. E, bem, eu admiro até quando você assente com a cabeça ou aponta. É ótimo que você o faça, é um bom trabalho.

Fechei os olhos com força. Eu gostava da forma delicada como ele falava comigo, como ele pedia para que eu dissesse algo, como ele me tocava. Respirei fundo.

— Obrigado, Namjoon. Eu gosto... de você. — Eu quis falar que gostava da forma delicada que ele falava comigo, entre outros, mas acabei por falar apenas aquilo. Ele sorriu, fechando seus olhos. Tal momento tão pequeno e gentil, e toda a beleza que ele podia abrigar. Eu sorri, olhando para baixo.

— Eu também, Jimin. Eu também. — Suspirou, e minhas pernas tremeram. Minha cabeça estava uma bagunça, mas era bom tê-lo ali. — Obrigado por falar comigo. Isso merece um macchiato de caramelo, não concorda? — Ele se levantou da cama, e eu fui com ele até a cozinha. Minha irmã entrou no quarto novamente.

Sentei-me na cadeira e senti o cheirinho de café que me lembrava tanto minha casa. Sorri e olhei para o Namjoon, que parecia completamente concentrado em sua pequena xícara.

Passaram-se cinco minutos, e ele me alcançou com duas xícaras de macchiato de caramelo. Sentou-se na cadeira à minha frente e colocou um pedaço de seu cabelo atrás da orelha. Bebericou do café quente e olhou para mim, que fazia o mesmo.

— Me avise se estiver ruim, eu sou péssimo nessas coisas. Me dediquei o máximo.

— Bom. — Eu disse, depois do gole que eu dei. Ele sorriu para mim e terminou sua xícara. Eu sorri, mas, subitamente, me veio uma vontade irrefutável de chorar.

Busan estava se mexendo sem mim. Minha irmã também. Meu pai, não preciso nem dizer. Eu não pertencia a nada, nem a ninguém. Eu era sozinho. Ninguém dependia de mim, mas eu dependia de todos.

Terminei a xícara e caí em lágrimas, soluçando e me detestando por estar parecendo um desesperado por atenção.

— Tudo bem, pode chorar. Está tudo bem agora, Jimin. As coisas vão melhorar. Você quer ir para a sala de música? — Assenti. — Tudo bem, vamos lá. — Ele me ajudou a levantar e foi comigo até a porta de madeira, a abrindo cuidadosamente. Ele me sentou no mesmo banquinho que havia me sentado várias vezes antes, e ele arrastou a pequena cadeirinha na frente do piano até mim.

Eu queria pedir para que o mesmo não desistisse de mim, porque, apesar de ir errado muitas vezes, eu estava tentando. Eu gostava de verdade do mesmo, confiava e ele não me forçava a falar como faziam. Eu também queria agradecer; eu era difícil e triste, mas por algum motivo, ele continuava do meu lado. Pode parecer um pouco egoísta, e se for, eu sinto muito, mas eu queria que ele ficasse ao meu lado para sempre. E eu quero estar lá para ele também, quer dizer, é o mínimo que eu posso fazer.

Eu ainda estava aprendendo, engatinhando até alguma palavra. E eu queria que ele não desistisse, pois eu era um trabalho em andamento.

Eu sequei minhas próprias lágrimas, e senti meu coração batendo rápido. Eu nem tinha notado que meu sapato de verniz fazia um som irritante no piso de madeira.

— Obrigado, Namjoon. — Eu disse, e, delicadamente, toquei em seu joelho. Me levantei, tentando esquecer minha necessidade de ser importante para alguém.

Namjoon me seguiu, fechando a porta atrás de mim e me deixando em meu quarto. Minha irmã já não estava mais lá, provavelmente tinha saído com o Robert. Eu deitei minha cabeça no travesseiro e engoli minha saliva.

Meu pai estava envelhecendo sozinho. Eu estava envelhecendo ao lado de minha irmã e Namjoon, que também envelheciam. Mamãe, no entanto, não mais envelhecia; anjos jamais mudavam de rosto. E eu sabia que se eu tivesse continuado na Coreia, meu pai começaria a cair aos pedaços e me pediria desculpas por socar meu rosto constantemente durante minha infância.

Amanhã, seria o dia em que eu faria vinte anos de idade. Duas décadas. Exatos doze anos desde que meu pai me socou até eu cair inconsciente. Minha irmã já não se lembrava, estava muito ocupada com o inglês pelo qual se apaixonara.

E eu queria um bolo, eu queria fazer um pedido ao soprar as velas.

Eu queria pedir para que ele não desistisse de mim.


Notas Finais


iiiiiiiiiih...
can you smell... the loving?
gente, tenho uma novidade sobre a jiwoo...
próximo capítulo i guess.
façam um bom enem, leitores lindos!! obrigada por acompanharem minha fanfic <3


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