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História Solitude. - Capítulo 12


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Notas do Autor


Eai galere, tudo bom com vocês?


Esse capítulo era para ter sido postando ontem, mas eu sofri de uma crise alérgica bem foda. Tenho alergia a abelhas, e isso quase me matou por várias vezes ao longo da vida. Kkkkkkkk (não é coisa para rir, mas estou rindo por ter de fugir de um insento. É patético e pouco viril.)

Aviso!

Esse capítulo contém conteúdo sexual explícito.

Todos prontos? Boa leitura.

Capítulo 12 - Reféns.



Hermione acordou quase sem fôlego. O pouco ar que chegava em seus pulmões carregavam o cheiro de chocolate, e pasta de dentes. Junto ao outro cheiro que ela conhecia muito bem, já que sempre fantasiava em seus sonhos. Mas dessa vez não era um sonho, o cheiro da colônia masculina de limão-siciliano realmente estava no ar. Abriu os olhos preguiçosamente e entendeu o porquê de quase não conseguir respirar. Uma bagunça de braços e pernas a rodeavam, Harry estava deitado por detrás dela, predendo-a pela cintura. E Ronald estava deitado a sua frente, com os braços entrelaçados ao redor do seu pescoço. Obrigando-a a esconder o rosto em seu peitoral, enquanto ronronava como um gatinho dormindo.

Apesar de todos os seus músculos estarem protestando com câimbras, e seus pulmões revoltados pelo ar escasso. Ela não pode deixar de sorrir, um sorriso de fazer doer as bochechas. Era bem verdade que ela não era nenhuma menininha indefesa, não precisava de proteção. Mas não pode deixar de se sentir segura e derretida pelo modo protetor que foi embalada nos braços dos dois. Um gesto mudo, embora gritante de que "nunca mais vamos perder você outra vez"

Após alguns minutos onde ela se permetiu sentir-se segura e finalmente em casa, com sua familia. Outro cheiro invadiu o quarto e se misturou ao cheiro dos meninos. Cheiro esse que ela também conhecia bem, paquencas com cobertura de mel.

Draco já estava acordado e seguindo seu ritual culinário de preparar mesma receita todas as quinta-feiras. Hermione já estava acostumada com as peculiaridades do rapaz, suspeitava que talvez ele fosse aspeger. Além do TOC, ele mantinha um calendário culinário, cada dia da semana preparava um prato já determinado.

E estupidamente, cozinhava muito bem. Melhor que ela, ela diria se seu ego permitisse. Rendida a promessa do café da manhã reforçado e apetitoso, ela começou a empreitada de tentar se livrar dos braços dos garotos.

Foi difícil e rendeu a ela algumas gotas de suor, se considerar que estava no meio de dois homens com o dobro do peso dela, Ronald murmurou algo como "Mamãe, eu não quero ir cuidar dos gnomos de Jardim" e ela teve que prender o riso. Não queria acordar os garotos. No dia passado, percebeu as olheiras e o rosto abatido de ambos, eles não dormiam bem há tempos. Provavelmente preocupados com ela. Ronald perdeu uns dois quilos, o que era espantoso e uma prova irrefutável de que com o desfalque dela no trio, os outros dois enfrentaram grandes problemas.

Após conseguir se livrar dos dois, saiu pela porta do quarto e imediatamente notou a diferença no corredor.

As paredes foram raspadas, e pintadas. Agora não eram mais da cor verde clara, eram da cor cinza. O chão fora lavado e encerado, e ela sentiu pena dos pobres cupins que ousaram parar na frente da mania de limpeza do loiro. O maluco conseguiu estender sua limpeza até ao teto, que outrora estava rachado, e agora estava impecável. Ela não tinha ideia de como ele sozinho conseguiu pintar todas as paredes por quais ela passava em direção a cozinha. Havia tomado a varinha dele, e mesmo assim, sabia que o loiro gostava de limpeza do modo trouxa.

Seu estômago deu cambalhotas quando abriu a porta da cozinha. Como o esperado, estava impecável e metodicamente organizada. Ele fora evasivo o suficiente para arrumar tudo do jeito que achava melhor, ignorando o fato de que Harry era o dono da casa e que TALVEZ pedir a opinião dele quanto a decoração tivesse alguma relevância. O problema não era esse, na verdade não fora isso que a fez tremer de alto a baixo e causou o arrepio de todos os pelos em seu corpo.

Draco estava de costa, concentrando na frigideira, estava sem camisa e um pouco suado. Hermione abriu a boca em perplexidade ao notar os rastros de unha que deixará nas costas dele. Olhou por breves instantes para a própria mão e conferiu o tamanho de suas unhas, descrente de que nada além de uma tigresa com garras enormes poderia deixar marcas como aquelas nas costas do homem.

Ele se virou ainda distraido para pegar a manteiga e ela assistiu o corpo do sonserino se retesar quando seus olhos se encontraram.

Hermione ficou ainda mais perplexa pelas marcas de unhas bem mais evidentes nas linhas de abdômen do rapaz. Draco seguiu o olhar dela e ela pode jurar que por um meio de segundo, um sorriso carregado em malícia brincou nos lábios dele.

- V-você precisa se vestir. - Ela murmurou desviando o olhar do corpo dele caminhando até a pia onde se serviu de um copo com água.

- Eu não posso cozinhar vestido. - Foi a resposta que ela recebeu.

E realmente era um desastre, sujava toda a roupa.

- Eu não ...

Hermione foi interrompida por um barulho conhecido de aparatação.

- Blue! - Hermione largou o copo sobre a pia e foi na direção do pequeno elfo. Onde envolveu seu corpinho com um abraço, quando se ajoelhou na frente dele.

- Senhora Hermione! - A criatura saudou-a feliz e correspondeu o atípico gesto direcionado a seres de sua espécie.

- Blue, conseguiu achar mais daquela tinta? - Draco quis saber, ignorando a cena de afeto desnecessária a sua frente.

- Não, meu senhor. Procurei por todos os lugares e só consegui achar tinta azul e branca. - Blue respondeu.

A compreensão invadiu Hermione. Ele teve a ajuda do elfo para pintar as peredes.

- Tudo bem ... - Draco murmurou pesaroso - Você já trabalhou muito hoje, sente-se e sirva-se de uma panqueca.

Os olhinhos do elfo brilharam em alegria. Pela primeira vez seu amo o estava tratando bem na frente de outra pessoa. Blue cuidará do herdeiro dos Malfoys desde que ele era um menino de oito anos, e seu amo sempre fora gentil com ele, nunca na frente de outras pessoas, mas sempre o tratou com respeito.

Hermione soltou o pequeno corpo do elfo e olhou para Draco sem esconder sua supresa em suas sobrancelhas arqueadas.

- Eu quero a minha varinha. - Draco exigiu enquanto servia três pratos com as panquecas e as cobria com mel. - Acho que já ficou claro que não vou amaldiçoar sua cenoura patética e a bicha do seu namoradinho.

Hermione cerrou a mandíbula quando se sentou na bancada da cozinha ao lado de Blue que já atacava suas panquecas.

- Você vai ter que aprender a controlar sua língua. - Mumurou.

Draco se inclinou de onde estava no outro lado da bancada e apoiando em seus cotovelos, provocou:

- Alguma sugestão de como posso ocupar minha lingua, Granger?

Os olhos de Hermione cresceram e o ar fugiu de seus pulmões.

- Como é? - Saiu em um meio sussurro, meio rosnado.

Ele estava, provocando-a descaradamente? Ela esperava que no mínimo, ele fosse passar o resto dos seus dias afogado na crise de consciência provocada por seus preconceitos. Não isso, isso jamais! Era Draco Malfoy e apesar de ser um canalha, um Malfoy jamais agiria assim após uma noite de sexo com uma "sangue-ruim". O esperado era que ele a ignorasse, até conseguir recuperar sua mãe. Era a única coisa que ainda os matinha presos um ao outro.

Um sorriso ladino se fez presente nos lábios do sonserino que sem grande dificuldade notou o constrangimento e a confusão da leoa. E esse era o objetivo, aquela situação toda já estava suficientemente desfavorável e degradante para ele. A única forma de conseguir alguma distração seria provocar a sangue ruim. E foi divertido como ele imaginou que seria. Não que fizesse planos de repetir aquela noite, persistir no erro não era coisa para um homem como ele. Provocaria ela com o único intuito de se divertir com a raiva e a vergonha dela, nada mais.

- Eu quis saber, se você pode sugerir algo com  que posso ocupar minha lingua. - Sua voz soou baixa e acertiva, como um verdadeiro canalha - Já que se sente desconfortável quando uso ela para desdenhar do cenoura e do seu namoradinho de quatro olhos.

Hermione levantou os olhos e fixou o olhar no dele. Apesar de estar visivelmente envergonhada, não ia dar o deleite a ele em demonstrar passividade perante sua malícia inapropriada.

- Você poderia experimentar manter ela imóvel dentro da boca, por muito ... Muito tempo. - Ofereceu em uma gentileza ridiculamente forçada - Não sabe o quanto sua língua é agradável quando você não faz o uso dela.

Foi uma meia verdade, mas ela não se importou.

Draco uniu as sobrancelhas e seu sorriso malicioso cresceu ainda mais. Porém não teve tempo de devolver o que provavelmente lhe renderia um tapa na cara.

- Mione? - A voz de Ronald soou no corredor.

- Cozinha, Ron.

- Blue, vá. - Draco ordenou para o elfo que havia devorado sem cerimônias suas panquecas - Amanhã pela manhã, traga a firewhisky, sim?

- Sim meu senhor. - O elfo fez uma reverência - Até mais senhora Hermione.

- Até mais Blue. - Hermione deu um último olhar de afeto para a criatura antes dela aparatar.

Ela quis dizer para o sonserino vestir uma camisa, tanto pelas marcas deixadas por ela, tanto pela marca negra que emanava seu brilho mórbido de desesperança. Mas seria ignorada, e no fundo sabia que o loiro queria provocar seus amigos, exibindo a marca de Voldermort sem pudor.

Um vinco se formou no meio da testa do ruivo quando ele se aproximou da castanha.

- Pode usar uma das cortinas se não tem roupas. - Ronald provocou correndo os olhos pelas marcas no corpo do Sonserino até seus olhos pararem na Marca negra. - Coisa nojenta. - Torceu o nariz antes de emendar para Hermione - Ei, isso são panqueca? -  Voltou sua atenção para o prato da castanha e pegou as panquecas dela para sí sem nem mesmo saber quem as havia preparado - O que aconteceu nessa casa? Limparam até mesmo o quarto do monstro. - Mumurou com a voz abafada por conta da boca cheia.

Draco se limitou a encarar o ruivo com ambas sobrancelhas arqueadas. Se perguntando até quando suportaria aquilo sem amaldiçoar alguém. 

- Ele tem problema com limpeza. - Murmurou a castanha roubando uma das panquecas do prato do loiro que se serviu mas não tocou na comida.

- Eu não tenho problema com limpeza. - Rosnou em voz baixa voltando sua atenção para as omeletes na frigideira.

- Isso é bizarro - Ron sussurrou para Hermione quando pegou um garfo e pode assistir seu rosto perfeitamente refletido - Tia Herminia tinha essa doença, lembra? Vocês se conheceram no casamento do Gui.

Draco cerrou a mandíbula enquanto se controlava para não jogar o óleo quente na cabeça do ruivo. Não era uma doença, ele simplesmente não conseguia pensar sem estar com tudo em ordem ao seu redor.

Ronald estreitou os olhos quando viu o loiro mexendo nas omeletes com uma espátula, e quase imediatamente virou de costa cuspindo a panqueca que estava mastigando.

- Ronald! - Hermione chiou revoltada pelo ato nada higiênico.

- Ele quem fez?! Não coma isso, Hermione! - O ruivo afastou o prato da menina

Hermione respirou fundo antes de passar uma mão pelo rosto, não seria nada fácil explicar aos amigos que o sonserino não era uma ameaça constante.

- Draco prepara o café da manhã todos os dias ... É só uma peculiaridade dele, não está envenenado Rony. - Ela esclareceu da forma mais gentil que conseguiu, não queria uma briga logo pela manhã.

- Eu não confio nele. - Ronald não se convenceu ainda segurando o prato de Hermione como se fosse uma bomba prestes a explodir.

- Grande merda. - Draco murmurou ao se sentar no fim da bancada, o mais longe que conseguiu ficar dos dois leões, deu a primeira garfada em seu omelete e não pode esconder sua expressão de satisfação ao perceber que havia se superado, finalmente era um ótimo cozinheiro.

Então vinheram as duas palavras repletas de significados. Inesperada e surpreendente, quando Hermione interpôs;

- Eu confio.

Draco parou o garfo a caminho da boca e a fitou de soslaio, duvidando de sua audição.

Rony soltou um som estranho pela garganta, som esse que mais pareceu uma risada engasgada.

- Como é que é? - Ronald quis saber.

Hermione deu de ombros como se não fosse nada, mas ERA.

- Apesar de ele ser ... Ele, Cuidou bem de mim, durante esse tempo. - Murmurou em resposta torcendo para não corar enquanto se recusava a olhar para Malfoy.

Era estranho reconhecer isso em voz alta. Verbalizar que o detestável e intragável sonserino, mau humorado e cuspidor de insultos, não era uma pessoa ruim. E nem boa, para falar a verdade, Draco Malfoy era a pessoa mais humana que ela conhecerá. Suscetível a falhas, e lapsos de insensatez, transbordava em conflitos internos, possuía uma tonelada de defeitos que não fazia questão de esconder. Todavia, mesmo ele fazendo questão de demonstrar o seu lado "mau", seu lado "bom" o impulsionava muitas vezes. Não era exatamente um bom samaritano, longe disso, ele ajudava do modo dele. Quase impercetível. Nunca se esqueceria das vezes em que  quase perdeu a cabeça presa naquela casa isolada, e ele mesmo que sorrateiramente, a fazia sentir resquícios de alegria.

- Não se deixe enganar Hermione. - Ronald mumurou se sentando ao lado dela - Pode ser uma máscara, como já vimos antes, ele possui várias delas.

- Ronald, aqui não. - Hermione sussurrou desconfortável por ter Draco no fim da bancada escutando tudo. - Cadê o Harry? - Desviou o assunto depois de pegarrear.

- Acordou e logo saiu para ver Moody. - Rony respondeu olhando com pesar para as panquecas que pareciam apetitosas. - Depois ele deve ir ver Luna e ...

- Ver Luna? - Hermione o cortou confusa.

- É claro você não sabe ainda - Ronald deu um tapinha na própria testa - Harry está tendo um ... Lance, com ela. Legal né?

Hermione desviou os olhos para a mesa e assentiu.

Inconscientemente passou a estalar seus dedos, seu nervosismo junto a imensa dor que sentia no momento, exigiram ser descarregados de alguma forma. Sempre detestara sentir ciúmes, inveja nem se fala! Quanto a inveja, ela tinha controle, já que sabia que como todos os sentimentos ruins, era controlável caso tratasse de não alimentar em seu âmago. Mas o ciúme não, ela não conhecia método nenhum para aplaca-ló.

- Dane-se - Ouviu Ronald murmurar antes de apanhar três paquencas e colocar na palma de mão. - Eu tenho que ir agora ... Vou ajudar Fred e Tonks a fazerem ... - Hesitou desconfiado - Uma coisa secreta ... - Emendou estreitando os olhos para Draco - Você vai ficar bem? Se quiser pode vir comigo.


- Ficarei bem. - Hermione respondeu ainda sem olhar para o amigo. Apesar de ser considerado um homem lerdo, Ronald era muito sensitivo, era ótimo em ler pessoas e desvendar emoções. Por isso ela não ousou olha-ló, ele saberia de cara que ela havia se quebrado por dentro. - Espero por vocês.

Ronald soltou o ar dos pulmões e se aproximou do ouvido de sua melhor amiga.

- Por favor ... Não some de novo. - Suplicou em um quase sussurro.

Hermione ainda desviando os olhos dos dele, se colocou de pé e o abraçou com força e puro afeto.

- Eu te amo. - Ela deixou em evidência - Não ouse se machucar nessa sua "coisa secreta"

- Na verdade vamos participar da primeira reunião sobre o caso dos Malfoys. - Ele sussurou em seu ouvido - A segunda reunião será aqui e você vai ser ouvida por todos.

- Vocês foram rápidos ... - Hermione não pode esconder sua surpresa.

- Precisamos entrar naquele cofre. - Ronald disse em um suspiro - Eu te amo. Nos vemos depois, não é?

- Nos vemos depois. - Ela confirmou depositando um beijo demorado na bochecha do amigo.

Ronald lançou um último olhar de alerta violento a Malfoy antes de aparatar.

Hermione voltou a se sentar, soltou os cabelos, deixando-os pender para o lado. Enquanto passou a massagear a própria nuca, deixando escapar todo ar de seus pulmões, numa tentativa de junto com ar, o ciúme, a tristeza e a aflição sairem também.

Talvez tenha demorado demais, a covardia cobra preços altos. E o pior é que não podia listar absolutamente nada de ruim sobre a nova parceira do homem que amava. Era Luna Lovegood, afinal, era a dona da alma mais completa e real que Hermione já conhecerá. E o sentimento de raiva surgiu no momento em que ela se flagrou agourando o novo relacionamento de Harry. Sentiu raiva de sí mesma, raiva por ser desleal e injusta a esse ponto. Acertou um tapa no mármore da bancada que fez sua palma arder e ganhar uma coloração vermelha.

- Você é humana. - Draco disse, de repente, trazendo-a de volta para a realidade.

- Desculpe?

O loiro soltou um suspiro dividido entre o tédio e a resignação

- Quero dizer que é normal sentir inveja e ciúme, raiva também. - Ele disse como se fosse óbvio, e era para ele, para ela não. - Já tentou não ser a Hermione Granger santinha e sensata alguma vez? Deveria.

Hermione soltou uma risada perplexa carregada em amargura.

- As coisas não são tão simples assim, Malfoy. E eu acho que você sabe a resposta dessa sua pergunta, você participou afinal. - Ela uniu as duas sobrancelhas olhando para um ponto fixo no meio da mesa - Na verdade você provocou esse momento.

- Está falando sobre a noite em que transamos durante horas seguidas? - Draco perguntou retoricamente, mais a fim de provoca-la - É patética essa sua coisa de tentar transcender o ser humano real.

Hermione sequer tinha força emocional para se envergonhar das palavras disparadas por seu inimigo. Mas pelo visto, ele não se envergonhava também, ou apenas era um cínico masoquista, ela não sabia.

- Onde quer chegar Malfoy? - inquiriu com impaciência.

Draco se levantou e recolheu os pratos, indo até a pia onde começou a lava-los.

- Quero dizer que sentir ciúme e inveja não te faz a pior pessoa do mundo. Mas sufocar esses sentimentos fingindo que é boa demais para sentir tais coisas, deixa você há poucos passos de se tornar o monstro que tanto repele.

- Experiência própria, Malfoy? - Ela não pode conter o escárnio em sua voz e tão pouco se esforçou para conter.

- Não. - A resposta veio rápida - Mas já presenciei isso, muitas vezes.

Hermione ergueu as duas sobrancelhas, seu ego ferido falando por ela

- E eu devo considerar as palavras de um homem como você?

Ainda de costas para ela, e um sorriso vitorioso repuxou os cantos dos lábios do sonserino. Estava conseguindo o que queria, fazendo Granger revelar seus pecados e se mostrar de verdade.

- Eu não recomendaria - Ele foi sincero - mas terá de concordar que nesse assunto em especial, tenho a total razão.

Hermione bufou indignada

- Eu não estou com inveja do relacionamento do Harry!

Mentiu, mas foi até bem na tentativa.

- Ah, sim. - Foram as únicas duas palavras que recebeu como resposta. Cortantes e cheias de verdades implícitas.

Draco retesou o corpo quando sentiu a presença dela atrás de sí

- Você é um ...

Hermione se interrompeu em sua exclamação raivosa  quando Draco se virou na direção dela.

Engoliu em seco quando notou os olhos dele vagando pelo vale de seus seios antes de focar nas iris ambares.

- Um o que, Hermione? - Ele quis saber.

Ela não respondeu e negaria até a morte caso dissessem que foi ela quem avançou contra a boca dele.

Foi correspondida e pelo suspiro de pesar do loiro, ele não esperava por aquilo. Tanto que não se preparou e novamente se rendeu a sua desgraça.

Quando ele passou a pressionar a ereção percetível, sobre a barriga dela, um lapso de consciência e sensatez berraram no cérebro de Hermione.

Ela estava novamente cedendo a esse absurdo, estava se deleitando com os prazeres proporcionados por seu inimigo outra vez.

Ela separou suas bocas em um arranque e cambaleou dois passos desastrados para trás. Tentou normalizar sua respiração por alguns segundos, desistindo logo em seguida.

Estava em chamas.

De onde estava, escorada de costa para a bancada, fixou seus olhos nos do seu inimigo. E como esperava, a raiva era grande, a frustração ainda maior, mas o tesão e o desejo predominavam.

Impulsionado por isso, e sedento por mais daquelas sensações extasiantes que era o sexo com sua inimiga Draco deu dois passos e acabou com a distância entre eles. Não permitiria que o cérebro dela gritasse mais alto que seu corpo, ela já havia causado a desgraça dele em todos os aspectos possíveis. E foi ela quem começou, que terminasse.

Não se beijaram.

As pupilas do loiro estavam dilatadas, tornando seus olhos claros quase totalmente escurecidos, ele queimava em luxúria. A pele pálida no pescoço estava corada e a artéria carótida saltada, reações espontâneas tanto para a raiva, tanto para o tesão.

E então, o cérebro de Hermione a abandonou mais uma vez, enquanto ela assistia o abdômen e o peitoral do homem se movimentando abruptamente resultado da respiração descompassada.

Ela levou as mãos até o cinto na calça dele e passou a desafivelar com lentidão, enquanto ele observava seus movimentos com o desespero e a raiva berrando em contra partida com o desejo incontrolável. Engoliu em seco, guiando as mãos para os botões da blusa dela, abrindo um a um.

Fixaram os olhos e a tonelada de emoções conflitantes eram quase palpáveis. Se odiavam, isso era um fato! Nenhum dos dois fez questão de esconder esse sentimento em seus olhos.

Porém nada podiam fazer, não há essa altura. Eram pela segunda vez, reféns um do outro.

Draco estremeceu de alto a baixo e tentou em vão conter o gemido baixo que lhe escapou quando Hermione envolveu a frágil e macia mão em seu pênis. E por vingança mesclada a tesão, abaixou a saia dela até os joelhos, e a visão da renda vermelha o fez pulsar ao redor da mão dela. Deslizou os dedos sobre o tecido que despertou o total fascínio de todos os seus neurônios, o coração se contorceu em expectativa quando sentiu o tecido molhado e quente.

Com a mão livre, ele abriu o sutiã da leoa e novamente pulsou ao redor de sua palma com a visão dos seios e os mamilos eriçados.

Ela fez o primeiro movimento deslizando a mão por todo o comprimento do pênis de Draco. E ele entendeu prontamente o que fariam e proporcionariam um ao outro.

Afastou sua calcinha para o lado e passou a rodear seu clitóris com o dedo médio, enquanto envolvia um dos seios com a mão livre fazendo círculos invisíveis na auréola com o polegar.

O gemido que fugiu dos lábios dela, por pouco não arrancou um dele também.

Masturbavam um ao outro, não desviando o contato visual por sequer um segundo. Nem mesmo para se beijarem, era demasiado excitante para os dois, assistirem a destruição que estavam causando na alma um do outro, dando continuidade ao erro que realizaram há duas noites atrás. Batalhavam entre sí, sem varinhas ou maldições. A simples noção do quanto se desejavam era como uma maldição cruciatus em seus egos e dignidade.

Draco levou o polegar até a boca e o umicedeu com a língua, volvendo a usa-lo nas auréola inchadas dos seios de sua inimiga. Ela tremeu em resposta mordendo o lábio inferior, colocando mais velocidade e força na mão que usava para masturbar o sonserino.

Gemiam em uníssono e ambos sabiam que não iriam durar muito tempo nesse ritmo. Só não queriam ceder, nenhum dos dois queria ser aquele quem entrega o controle primeiro.

Era uma guerra, e eram inimigos, independente do que estivessem fazendo.

Entretanto, isso não funcionou por muito mais tempo.

Hermione se livrou da saia, usando os próprios pés, e  pulou para o colo dele, entrelaçando suas pernas ao redor da cintura do seu inimigo, que por sua vez,  agarrou-a com veemência, usando sua bunda como apoio.

Ela revirou os olhos com as pálpebras fechadas quando sentiu a glande roçar em sua entrada.

- Você está me usando. - Ele rosnou com raiva mordendo o lábio inferior dela antes de atacar sua boca, com um beijo que já começou profundo.

E ela estava, precisava aplacar aquela enxorrada de sentimentos ruins em seu peito. Precisava suprir aquela inconveniente carência. E o sexo com seu inimigo superava as expectativas nesse quesito. Gostava dos toques dele, gostava da química perigosa, gostava de saber sobre bagunça que ela causará no interior dele. Talvez por ser Malfoy, talvez por ter ele completamente exitado e perdido por ela, por alguém como ela. "Uma sangue ruim". Era sobre ter o prazer em destruir a mentalidade estúpida e preconceituosa do homem, isso não tinha preço. Era uma forma de vingança! ela negaria tudo isso, mas estaria mentindo se dissesse que não era exitante fazer ele engolir cada palavra tóxica já direcionada a ela, enquanto ele estocava com ímpeto e fúria para dentro de sua entrada.

Desejando-a mais que qualquer coisa, precisava dela naquele momento.

Em meio aos gemidos, um sorriso beirando o cinismo repuxaram os lábios da bruxa, agora avermelhados pela sucção do beijo intenso e faminto, por conta também das mordidas.

- Estou. - Ela afirmou alongando a palavra no final, em resposta a investida que ele fez mais a fundo.

Fixaram o olhar quando Draco a colocou sentada na bancada da cozinha, e pela ríspidez no ato, quebrou uma dúzia de pratos no processo, também esparramando alguns talheres no chão.

Hermione viu o ódio emanar das íris cinzas junto ao desejo avassalador.

- Saiba que eu também estou te usando. - Se era verdade, ele não soube dizer no momento. Mas ao menos soaram como uma, o que era satisfatório.

Agarrou as madeixas castanhas, pela nuca, e as puxou para trás arrancando um suspiro sôfrego da leoa enquanto ela arqueava seu corpo a comando da mão dele.

- Ótimo. - Ela balbuciou  - Não vejo problema sendo assim, somos dois miseráveis.

Draco atacou o par de seios com língua e dentes, gastando longos minutos, variando no processo de chupar um antes de voltar sua atenção para o outro, enquanto ainda investia sem um pingo de carinho para dentro de sua inimiga. Ela por sua ve, também não estava muito preocupada com ternura, pois deixava ainda mais marcas de unhas em toda pele que conseguia alcançar no corpo do homem.

Ela gemia o nome dele, enquanto ele rosnava o dela com a voz abafada por estar usando boca em seus seios.

Draco não conseguia achar nenhuma lógica naquilo, nenhum resquício de inteligência da parte de nenhum dos dois. Agiam por impulso, e o pior é que não sabia como isso ia terminar. Mas a certeza era que, não ia acabar bem para nenhum dos dois.

Quando percebeu que ela estava quase alcançando o ápice, saiu de dentro dela em um arranque. E assistiu a confusão junto a frustração passar nos olhos de sua pequena inimiga. Ele quis ser nobre o bastante com suas ideologias e convicções, quis que seu ego fosse superior a sensação de êxtase que ela provocará nele. Quis ter forças e auto controle para interromper o ato e se vingar, deixando-a na "mão", literalmente. Mas já havia se aprofundado no abismo que era aquela loucura, não tinha volta.

Era um inferno, as coisas que ela despertava nele, nunca havia sentido tantas emoções e sensações ao MESMO tempo.

Girou ela, deixando-a de costas para ele, e posicionou a glande em sua entrada.

- Eu te odeio. - Ele mumurou com a voz rouca em seu ouvido antes de voltar a arrematar contra o seu corpo.

Hermione soltou um longo gemido se escorando na bancada, a fim de buscar equilíbrio e apoio, suas pernas já não eram confiáveis. E em alguma parte do seu cérebro ainda consciente, ela se perguntava como aquilo podia ser tão bom e ainda funcionar em perfeita sintonia, sendo algo tão errado.

Draco puxou-a para sí, envolvendo seu tronco com um braço, sem parar de estocar por sequer um segundo, alcançou o ouvido de Hermione, onde passou a balbuciar palavras de baixíssimo calão, ou outras vezes, apenas gemendo o nome dela.

Hermione ergueu um braço, e conseguiu alcançar a nuca dele, mesmo estando de costas, cravou suas unhas no exato momento em que alcançou o ápice do prazer. Apertando o membro de Draco dentro de sí com as contrações provocadas pelo orgasmo. Não demorou sentir o líquido dele se misturando com o seu, enquanto ele firmava o aperto do braço que a envolvia e chupava o lóbulo em sua orelha.

Não disseram uma palavra enquanto limpavam os cacos dos pratos quebrados e recolhiam os taletes no chão. Draco percebeu quando a primeira lágrima escapou dos olhos dela e se chocou contra o piso de madeira. Nada disse, que podia fazer? Ele próprio também tinha que lidar com os demônios que eram as consequências daquilo. Se colocou de pé e sem pensar duas vezes, apanhou sua varinha que fora confiscada por Granger.

- Vamos resolver isso. - Sua voz soou baixa e carregada de emoções.

Se repudiou por se deixar emocionar em um momento desses.

- O-o que? - Ela indagou quando levantou os olhos e encontrou o bruxo com a varinha em mão.

- Eu apago sua memória, e você apaga a minha. - Explanou sua idéia com esperança. Não sobreviveria daquele jeito, não suportava a idéia de que acabará de se satisfazer com ela e seu corpo já ansiava por uma próxima vez!

- Não ... - Ela negou com a cabeça - Feitiços de memória não são confiáveis.

Draco notou dor em sua dispensa. Uma dor que ia além do arrependimento em ter cedido a suas vontades mais uma vez.

- Que porra! - Murmurou exasperado. - Eu quero tentar.

- Não, Draco. - Ela se colocou de pé e usou as costas das mãos para limpar algumas das lágrimas. - Vamos ... Só fingir que não aconteceu e nunca mais permitir que aconteça de novo.

Draco a fitou por breves instantes

Sabia que era impossível fingir uma coisa dessas, sabia que tinha enormes chances de acontecer outra vez. Mas que podia fazer, por hora?

Apenas assentiu antes de abandonar a cozinha, levando sua varinha consigo.


...


Notas Finais


Cake by the ocean - DNCE.

(Maldito)

(Vejo você lambendo o glacê de suas próprias mãos)

(Quero outro gosto, estou implorando, sim senhora!)

(Perder tempo com uma obra-prima)

(Você é uma fantasia da vida real)

(Vamos começar a viver perigosamente)

(Fale comigo bebê)

(Estou ficando cego por esse doce desejo)

(Vamos perder a cabeça e enlouquecer)

(Ah sim, sim).

...

Hmmmm ... Será que vamos ter hot do Harry com a Hermione no futuro? Não sei, especulem. Haha, isso até ela perceber que vai precisar inverter os papéis e usar o Harry para esquecer o Draco. Triste né mores.

...

Eai gostaram? Não deixe de comentar.

Vejo vocês em breve. 🎆💜


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