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História Solitude. - Capítulo 13


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Notas do Autor


Eai galere, tudo bom com vocês?

Senti saudades de vocês!

É uma surpresa ter capítulo novo no sábado já que nunca posto nada nos fins de semana. Mas como passei um tempinho sem atualizar, aconteceu essa exceção.

Desejo a vocês uma ótima leitura, nos encontramos lá embaixo. 💜

Capítulo 13 - Desabafo.



- Grampo, você poderia nos ceder alguns minutos do seu tempo? - Hermione disparou assim que entrou no quarto ocupado pelo Duende. Estava irritada, havia acabado se separar uma briga dos garotos na cozinha. Briga essa provocada por Malfoy que parecia ter acordado com um péssimo humor. E como de costume, descarregou descontando nos outros. Harry e Ronald vinheram em seu encalço. Ambos os garotos de saco cheio pelos joguinhos e tentativas de extorsão feitas pela criatura humanoide.

Hermione logo percebeu que o quarto onde Grampo estava fora um dos únicos que não havia sido organizado pelo loiro. Provavelmente por Harry ter ocultado a porta desde a chegada de Malfoy a casa, e com o descobrimento de seu interesse pelo Duende.

Grampo abriu um sorriso quase maquiavélico e conspiratório. Os dentes pontudos e os lábios rachados e amarelados não eram exatamente uma visão agradável para se ter pela manhã. Hermione não diria em voz alta, a fim de não causar estranhamento ou ofender alguém, mas sempre sentiu aversão por tais criaturas. Talvez fosse pela aparência doentia ou a notável astúcia maldosa, diferente dos elfos, ela não gostava de Duendes.

- Claro, enfim estão dispostos a ceder minhas exigências? - A voz aguda do Duende soou com um quê de empolgação vitoriosa.

- Exigências! - Ronald bufou baixinho atrás de Hermione - Estaria morto se não fosse por nós, criatura ridícula e aproveitadora.

- Ainda não fui informada sobre essas exigências. - Hermione fitou Harry de soslaio a fim de entender sobre o que o Duende falava.

Harry retirou os óculos e coçou os olhos, suspirando cansado logo em seguida.

- Ele quer a espada.

Hermione arqueou uma sobrancelha sem compreender bem

- A espada de Godric Gryffindor. - Harry esclareceu.

Hermione voltou a olhar para o Duende, confusa, e levemente ofendida. Ronald tinha razão sobre estarem lidando com um extorquidor da pior espécie.

- Isso não será possível. - Ela dispensou, não demonstrou impaciência em seu tom. Soou amistoso, porém longe do gentil ou passivo. - Harry tem ouro, muito ouro ... Podemos renegociar.

- Eu não me importo com ouro. - o Duente bufou - Quero reivindicar a herança do meu povo. É um valor simbólico e sentimental, somente a espada me interessa.

- Herança do seu povo? - Ronald ergueu a voz - A espada de Gryffindor  não pertence ao seu povo.

- Bruxos ... Sempre arrogantes e igualmente ignorantes. - O Duente cruzou as mãos com os cotovelos apoiados no descanso da poltrona velha e mofada -  A espada foi forjada por Duentes, os bruxos a roubaram!

- Se a minha memória e conhecimento não me traem - A voz arrastada do sonserino soou pelas costas dos três leões - A espada de Godric Gryffindor foi vendida aos bruxos. Vocês a venderam. Não foi roubada e mesmo se fosse o caso, você não está em posição de exigir nada.

Hermione notou o Duende estremecer na poltrona e seus olhos cor de cocholate escurecerem, tanto de fúria, tanto de medo.

Ele não tinha boas lembranças com Malfoy.

Por um momento ela temeu ter a "negociação" comprometida, caso o loiro passasse a confrontar e amedrontar a criatura.

- Isto é uma meia verdade! - Brandou a criatura, se forçando a  recuperar rapidamente do choque que foi ver o comensal da morte junto aos três leões - Não tivemos opção! Ou vendiamos, ou nos seria tomada a força.

Draco adentrou o quarto passando direto pelos leões, ficando a frente da criatura humanoide. Torceu o nariz, tanto pelo quarto empoeirado, tanto pela aparência grotesca da criatura.

Odiava Duendes.

- Eu sei o que pretende, Duende. - Draco murmurou, a voz fria e cortante, quis deixar claro que não aceitaria ser chantageado. - Está pouco se fodendo para a guerra, sim?

- Obviamente - O Duente rosnou tinindo os dentes pontudos - sangue bruxo derramado ou não, que diferença faz?

Draco abriu um meio sorriso perverso de entendimento. Se existia alguma chance dele pegar "leve" com a criatura antes, acabara de se extinguir.

- Você quer status. Quer retornar com a espada de  Godric Gryffindor, e assim, conseguir a admiração e adoração do seu povo.

O Duende pareceu momentâneamente envergonhado por ter sido exposto em sua vaidade. Mas logo se recuperou, e adquiriu sua melhor expressão de desafio.

- Não importa minhas intenções! A questão é, sem a espada, sem apoio de minha parte. - Seu tom soou definitivo.

Harry rolou os olhos, estava exausto de ouvir aquelas mesmas palavras por dois meses seguidos em suas tentativas de negociação. Ronald ficou vermelho de raiva, enquanto pensava em mil maneiras de esquartejar a criatura ingrata. Hermione apenas olhava da criatura para Malfoy, e de alguma forma, sabia o que estava passando pela cabeça do loiro.

- Malfoy, isso não vai acontecer.

Os meninos olharam dela para Draco, confusos.

- Simples e acertivo, por que não? - Ele perguntou retoricamente, faria de todo o modo. Não precisava de permissão, e sabia que teria o apoio dos outros dois leões, mesmo que indiretamente. Eram frouxos demais para assumir os riscos e tomar a atitude necessária.

- É um crime de guerra imperdoável! Não permitirei tal atrocidade em minha presença!

Draco olhou para ela sobre o ombro

- Pode esperar lá fora se quiser, mas será um erro. Tenho certeza que vai querer ouvir o que ele tem para falar.

- De que droga vocês estão falando? - Harry quis saber.

- Senhor Potter, a guerra realmente muda a essência dos homens a esse nível? - O Duende se esforçou para conter a aflição e o medo em sua voz - Veja o senhor como exemplo, soube que poupou a vida de Pedro Pettigrew mesmo após saber que ele fora o responsável pela morte dos seus pais. - A criatura fazia bem o uso de sua astúcia. - E agora, vejo esse rapaz em sua casa - Apontou para Draco - O mesmo que torturou Olivaras e assassinou três trouxas em minha presença o que ...

- Chega de cena! - Draco cortou, tentando ignorar o olhar horrorizado que Hermione dirigia a ele as suas costas - Você tem duas opções, colabore por bem, ou eu te obrigo a colaborar.

O queixo do Duende tremeu e seus olhos o condenaram, ele sentiu medo.

- Você não vai torturar uma pessoa! - Potter berrou indo parar ao lado de Malfoy.

- Ele não é uma pessoa. - Draco desdenhou dando de ombros - E eu não quero o grito infernal dessa criatura nos meus ouvidos, não vou tortura-lo.

Os olhos cor de chocolate do Duende brilharam em compressão, embora ainda existisse o medo.

- Pelo visto herdou o talento de Lucios Malfoy ... Foi desse modo que você conseguiu fazer aquela trouxa pular de um penhasco? se bem me lembro, foi sim. Os homens da família Malfoy são impecáveis quando se trata da maldição império. - O Duende murmurou amargo. Sua astúcia o impulsinando a apelar pela compaixão dos três grifinórios, enquanto apontava os pecados do homem com quem estavam lidando. Era simples, apontava o vilão e logo se tornava a vitima.

Hermione mesmo que ainda atordoada pelas revelações, sacou sua varinha e se preparou para tomar a força a varinha do loiro.

- Eu não vou permetir que ...

- Império. - Draco cortou-a lançando a maldição de controle sobre Duende.

Sempre adorou a coloração dourada que saia pela ponta da varinha, e o formigamento que causava nas mão e no pulso toda vez que conjurava a maldição. Diferente de Avada Kedavra, detestava as pontadas de dor nos dedos e o bilho verde.

- Ele é louco. - Ouviu o ruivo balbuciar enquanto se preparava para pular em suas costas.

- Não. Ouse. - Ordenou quando girou nos calcanhares e apontou a varinha para o Ronald - Já está feito!

- Você é um bárbaro! - Hermione acusou.

Sentiu repulsa por Malfoy ... Por sí mesma, em saber que já havia sido tocada por um homem como ele. Um homicida, um torturador e um criminoso de guerra. Novamente seu cérebro perdeu o pouco entendimento que tinha sobre Malfoy, antes, acreditava que foi salva por um inesperado ato de compaixão e misericórdia. Isso antes de saber que Malfoy já havia torturado e assassinado outros nascidos trouxas. Novamente a facilidade em enxergar o quadro ao todo, proporcionada por sua inteligência, ajudou-a a entender. Não havia sido salva por compaixão ou misericórdia. Draco Malfoy a salvou para propósitos próprios. Era a única explicação, diferente da oferecida por ele onde disse não desejar se tornar um homem como o pai. Mas ele já era um homem como Lúcios.

- Um bárbaro? - Draco soltou uma risada amarga em escárnio - Deixa eu ver se compreendi; vocês estão desde de o ano retrasado, rodando todo o mundo bruxo, passando fome e frio. Nessa empreitada de conseguir essa coisa, que eu suponho estar agora no meu cofre, e momento que tem a chance de conseguir, deixam esse maldito coração misericordioso interferir no que se DEVE ser feito?! - Perdeu o eixo e ergueu a voz, odiava o coração pouco inteligente dos seus rivais. - Esses dois panacas tiveram dois meses para conseguir as informações necessárias dessa criatura horrorosa, e hesitaram em fazer o que obviamente já passou pela cabeça de todos aqui. Eu fiz, pois pouco estou me fodendo para a moralidade do trio de heróis! Imbecis, não se negocia com Duendes, são astutos e desleais!

E para provar seu ponto, Draco voltou sua atenção para a criatura, que agora, diferente da carranca esperta e maldosa de antes,  tinha uma expressão abobada, efeito da maldição.

- Você iria ajuda-los a entrar em Gringotes, caso cumprissem o acordo te deixando com a espada?

- S-sim

- E depois?

A luta interna do Duende contra a maldição era notória. A criatura enfiava as longas unhas pretas nas próprias coxas e se debatia, mas não tinha chance nenhuma. O Duende realmente teve razão ao dizer que os Malfoys conseguiam conjurar a maldição Império mais potente de todo o mundo bruxo.

- O acordo era sobre ajuda-los a entrar, porém nada foi combinado sobre ajudar a sair. - Respondeu com a voz esganiçada, as cordas vocais não atendendo os comandos do cérebro ainda consiente - Não me arriscaria a tal ponto, não existe maneira de sair ... Não em um grupo grande, eu iria fugir com a espada.

- Seu canalha filho da puta! - Ronald vociferou, direcionado sua raiva antes depositada em Malfoy, para o Duende - Devíamos ter deixado você para morrer! - Em passos largos foi até a poltrona onde estava a criatura e  tentou agarra-lo pelo pescoço, sendo impedido por Harry.


- Então, você é realmente capaz de nos guiar para dentro do banco? - Harry quis saber, segurando Ronald pelo braço.

- S-sou. - O Duente rosnou.

Hermione ainda encarava toda a situação completamente aturdida, não entendia o porque de Harry nada ter feito a respeito do crime que Malfoy acabará de cometer. Todavia, confirmou suas suspeitas sobre o péssimo caráter do Duende. Mesmo sendo por meios hediondos, era uma chance de descobrir mais coisas.

- Que tipos de informações você vazou sobre o cofre de Bellatrix Lestrange? - Hermione quis saber.

- Nenhuma! - O Duende cravou ainda mais as unhas em sua própria pele, o sangue viscoso minou, enquanto balançava a cabeça freneticamente em negativa.

- Para quem pensou em vazar essas informações? - Draco inquiriu.

- Albus ... Albus Dumblerdore.

O loiro se questionou por breves segundos se o Duende havia conseguido resistir a maldição, já que obviamente estava mentindo. O que o falecido diretor de Hogwats iria buscar no cofre de Bellatrix Lestrange?

- Não minta, seu cretino! Para quem você ia vazar as informações?

- Albus Dumblerdore. - Insistiu a criatura.

Draco soltou um som raivoso pela garganta e ergueu sua varinha.

- Pare, ele não mente! - Harry abaixou a varinha do loiro com um tapa.

- Não seja burro, Potter. Pelo que me lembro Dumblerdore não era um tipo específico de ladrão de bancos.

O silêncio se instalou por alguns segundos. Sendo cortado apenas pelos gemidos e rosnados do Duende.

Foi então que Draco percebeu, o que era o óbvio. O velho quis saber sobre o cofre para encarregar Potter de pegar, seja lá o que fosse, por ele.  Era obviamente um segredo precioso, já que os três leões se recusavam a pronunciar uma única palavra quando o assunto era mencionado. Draco quis saber o que era, apesar das toneladas de ouro presentes em seu cofre, nunca soube sobre algo do tipo. E como não era uma opção sentar com o trio e convencer eles a revelar, teria de descobrir sozinho.

- Ele está sangrado muito, liberte-o! - Granger exigiu.

Draco olhou brevemente para a criatura e pelo brilho maníaco e odioso presentes nos olhos cor de chocolate, soube que o Duende sabia o que era a coisa que o trio buscava.

Com um movimento de varinha libertou o Duende da maldição, por hora, aquela "conversa" havia acabado. Teria de conseguir um momento a sós com a criatura.

- Vamos Ronald, mudança de planos, precisamos ver Moody. - Potter puxou o amigo pela manga - A segunda reunião tem de acontecer logo.

- Harry, quero um minuto - Hermione exigiu, puxando-o pelo braço para fora do quarto.

Assim que entraram em outro quarto, Hermione pensou ter assistido um brilho estranho passar pelas íris verdes do amigo. Ignorou, focando no mais importante.

- A Horcrux está lá. - Ela afirmou, não sabendo se esse era motivo para euforia ou pesar - Precisamos de Narcisa Black, você precisa convencer Moody e a Kingsley de que não há muito mais tempo.

Harry ajeitou os óculos e se debruçou na janela, parecia pensativo.

- O que aconteceu entre vocês dois, nesses meses? - A voz soou calma e baixa, mas Hermione sentiu a aflição oculta por detrás de algumas palavras.

- O-que? - Hermione se repudiou mentalmente. Que poderia dizer? Optou por dissimular enquanto tentava entender o porquê do tópico inesperado durante um assunto importante.

Harry a olhou sobre o ombro

- Eu quero saber, o que houve entre você e Malfoy.

- Que tipo de pergunta é essa? Por Godric, Harry!

- Me fala a verdade, Hermione. - Harry praticamente rosnou.

Hermione sentiu que ele travava uma batalha interna contra seus impulsos.

Hermione levou as duas mãos a cintura, não que ele estivesse errado sobre ter acontecido algo entre ela e Malfoy. O que não impediu de deixar Hermione indignada pelo tom acusatório usado pelo amigo, quase raivoso, ela diria. Não sabia dizer de onde surgiu aquilo, se foram as marcas, as olhadelas que ela dava as costas do loiro enquanto ele cozinhava. O clima estranho, ou a quase óbvia tensão sexual.

- Harry Potter, o que você está in ...

Hermione se interrompeu quando Harry se moveu para longe da janela e foi em sua direção, agora ele estava a centímetros do rosto dela.

A respiração estava descompassada, afobada, raivosa.

- Eu não sou um idiota - Ele deixou em evidência - diga a verdade.

Hermione deu um passo para trás, lágrimas pesando em seus olhos.

Culpa, incompreensão, nervosismo, medo.

- Nós ... Eu ...

Harry estalou o pescoço tenso, e cerrou o maxilar.

- Você transou com ele. - Foi uma afirmação.

Hermione agora corada, tanto de raiva, quanto pelo constrangimento em ouvir aquelas palavras sairem da boca de Harry.

- Isso não te diz o respeito! - Ela censurou se esforçando para não desviar o olhar do rosto dele, embora não o olhasse nos olhos. - Qual é o seu problema?

Harry quebrou a distância entre eles, e com ambas as mãos na cintura da castanha, levou-a até a parede.

- Não queria que tivesse de ser assim ... Mas não consigo mais carregar isso - Ele sussurou antes de atacar a boca de Hermione.

Os lábios de Harry eram salgados e a língua era gentil. Nos primeiros milésimos de segundo ela reparou nisso, antes de sua alma deixar seu corpo e decidir vagar livremente ao redor do quarto. Abandonando-a alí sozinha a mercê daquelas sensações explosivas, com milhões de fogos de artifício explodindo em seu cérebro e estômago, os efeitos da oxitocina, estava beijando o homem que amava, afinal.

Era diferente, do beijo dele. Tão diferente. Os lábios não eram frios, o gosto não era de hortelã mesclado a firewhisky. Harry não tinha o gosto de um cafajeste. Harry tinha o gosto de café, que provavelmente havia tomado aquela manhã. E mesclado a amargura do café, seu beijo era doce e transmitia uma avalanche de sentimentos bons.

Tinha paz alí.

Diferente dos beijos famintos e raivosos dele. diferente da dominância e da urgência dele. Harry não estava tateando todo seu corpo despudoradamente, como ele faria. Harry não rosnava enquanto mordia seus lábios e balbuciava palavras obscenas. Hermione não sabia ao certo do porquê estar listando as diferenças entre os dois naquele momento. O momento que ela esperou durante sete anos inteiros e consequentemente Malfoy o estava estragando.

- Eu vou leva-ló daqui. - Harry informou assim que separaram as bocas, respiração ofegante, olhos fixados.

Uma química diferente também, segurança e força.

- Não. - Ela sussurou

- Sente alguma coisa por ele? - Quis saber.

- Sinto ... Gratidão.

- Não vou permitir que ele fique aqui, te usando! - Harry se afastou e retirou os óculos, limpando o embasamento provocado pelo vapor quente do beijo.

Hermione sentiu uma pontada de raiva e soube bem o porquê.

- Enquanto você pode, suponho. - Não era uma verdade, mas também não era uma mentira.

Harry juntou as sobrancelhas sem compreender bem, quando voltou a colocar os óculos.

- Como?

- Luna.

A expressão de Harry endureceu, e seus olhos vacilaram. Ela conhecia muito bem o que ele demonstrou sentir no momento: culpa.

- Eu vou terminar isso ... Em breve.

- Legal ... Quero dizer, meus pêsames. - Hermione bateu a mão a própria testa, se sentindo estúpida.

- Venha conosco, não precisa ficar sozinha com ele.

- Não posso deixa-lo sozinho ... - Ao perceber as sobrancelhas de Harry tremerem em descrença completou - Ele pode fugir.

Harry comprimiu os lábios e girou nos calcanhares indo até a porta.

- A reunião acontecerá amanhã cedo. Se prepare. Não darei escolhas para Moody e  Kingsley, terão de fazer o que se deve ser feito. - Informou - E Hermione, - olhou sobre o ombro - se ele tocar em você mais uma vez, eu o mato.

Hermione permaneceu estática no mesmo lugar por longos minutos, seu cérebro tentando processar o que havia acabado de acontecer, e principalmente sobre o que foi dito por Harry. Pela euforia em estar de volta, ela não percebeu a mudança em seu melhor amigo. Harry estava diferente, endureceu. Não que fosse um problema, não podia esperar nada diferente disso. O beijo, aconteceu de verdade e ela sentiu tudo que sempre imaginou sentir nas milhões de vezes que sonhou com ele. Amava Harry, e acabará de constatar isso. Todavia, em seus sonhos ela nunca se imaginou comparando o beijo de Harry ao de Malfoy. Para ela, já era nítido que sentia uma forte atração carnal por seu inimigo, ele era inevitável. E isso era mais uma motivação para evita-lo a todo o custo. Ponderou se devia considerar a proposta dele ... Apagar as memórias um do outro. Era algo sobre agora Harry saber do seu desvio pecaminoso, não queria sequer imaginar o que estaria pensando dela.

Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta se abriu e Draco passou por ela, com um balde e um esfregão em mãos.

Ele a olhou por breves instantes antes de voltar sua atenção para o chão.

Hermione não se importou em observa-lo em cada movimento, reparava em sua expressão dura e fechada, enquanto ele esfregava o chão com mais força que o necessário. Os nós dos dedos brancos, pela força descabida em que ele apertava o cabo. Os músculos por baixo da blusa de mangas longas, tensos e endurecidos. Os fios loiros caiam sobre a testa, e os olhos cinzas e frios ignoravam sua existência.

Era mesmo um assassino?

Se fosse dedicado em sua "carreira" de comensal da morte ele seria um dos mais intimidades. Ela poderia facilmente enfiar a força em sua cabeça que apesar dele ser um homem interessante, ainda era um assassino. E só um assassino. Mas infelizmente conheceu parte do homem por baixo daqueles traços aristocráticos frios e cruéis.

- O seu namoradinho não vai ficar nada feliz em saber que você anda me secando por ai, Granger.

Hermione piscou três vezes antes de voltar a realidade

- Você matou três trouxas? - Foi direta, falou sem pensar.

Draco cessou os movimentos com o esfregão, vagarosamente.

Hermione se arrependeu de ter feito aquela pergunta assim que o loiro guiou o olhar para ela

- Sim. - Respondeu simplesmente jogando o esfregão no chão, e ergueu seu corpo em todo seu tamanho - Quer saber o que eu fiz a eles, Granger?

Havia um tipo de raiva diferente no tom de voz do loiro. Uma raiva que ela nunca antes vira, uma raiva carregada de dor e revolta.

Ela não respondeu, no momento usava todas suas forças para permanecer impassível e não demonstrar-se afetada pelo humor sombrio do sonserino.

- Na primeira vez, meu pai estava me "ensinando" - Ele gesticulou aspas na palavra - a como lançar uma maldição Império perfeita. - Deu dois passos em direção a leoa, e como um reflexo ela deu um passo para trás - A trouxa em questão, era muito resistente. Se recusou a obedecer meus comandos, mas quando obedeceu - Draco estalou a língua - ordenei que ela pulasse do penhasco.

Hermione tremeu de alto a baixo e o loiro captou isso, ela pode jurar que viu dor nos olhos dele. Uma dor muda e reprimida, como tudo nele, ele era reprimido, desde cedo ensinado a como reprimir seu lado humano.

- Ela tinha o rosto bonito, mas naquela noite, antes de pular para a morte, o medo levou toda a beleza de suas feições. - Ele continou, recuperando a carranca raivosa e alheia a todos os horrores quais estava relatando - O segundo, foi um homem. Ele havia sido trago por Bellatrix, ela mantinha alguns trouxas nas masmorras para vez ou outra se divertir com os gritos deles, sabe, a bruxa detestava o tédio. - Ele deu mais um passo em direção a ela - Depois de torturar esse, ela me disse que "estava na hora de eu me provar um homem de fibra" e eu acho que me provei um, depois de ter matado o homem.

Hermione acabou com o espaço que restava entre ela e a parede quando deu os últimos dois passos para trás. Não estava com medo de Malfoy, estava com medo das coisas que ele dizia.

- O terceiro era um homem de meia idade ... Na noite em que matei ele, alguma coisa - ele apontou para o meio do peito - se quebrou aqui.

- Por que está me dizendo isso? - Ela quis saber com a voz falhando de tão baixa.

- Um incentivo para que fique longe de mim.

O silêncio perdurou por alguns minutos enquanto se encaravam. Hermione entendeu claramente o objetivo de Draco Malfoy, faze-la criar aversão por ele e assim, nunca mais dar continuidade a luxúria que passou a açoita-los sempre que permaneciam juntos e sozinhos. Ele falhou, talvez se tivesse dito que matou por livre e espontânea vontade, funcionaria. Hermione não era injusta, e apesar de sentir cada célula do lado racional e moral em seu cérebro implorando para que ela saísse dali correndo. Ela não o fez, de alguma maneira novamente se viu perdida na incógnita que era o sonserino a sua frente. Ele despertava fascínio na leoa, simplesmente porque ela não conseguia compreende-lo. Cada vez que pensava ter o veredito sobre seu verdadeiro caráter e identidade, ele mudava novamente. Malfoy vivia em metamorfose, era inconstante e problemático.

- Como é matar alguém?

Draco foi pego de surpresa e não teve tempo de adquirir sua melhor expressão de frieza e impenetrável. Muito menos de formular a resposta sádica que seria ideal para faze-la sumir da vida dele.

- O cheiro da morte é horrível. - Não pensava mais quando respondeu, era pesado ser ele nesses momentos. - Não falo da putrefação ou decomposição. Falo sobre a inércia do corpo, minutos após a morte. Falo sobre a frieza no olhar, os músculos enrigesidos. E o pior, o cheiro de sangue. - Ele fez uma pausa engolindo em seco e levantou a própria mão, olhando para a palma áspera e calejada - Eu sinto o cheiro de sangue em minhas mãos, Hermione. O terceiro homem, matei a socos e a facadas, foi o único homem que matei sem influência de ninguém, matei por raiva! O sangue dele molhou minhas vestes, queimei-as todas! Tomei banhos por horas seguidas, e ainda assim podia sentir o cheiro de morte, o cheiro de sangue.

Hermione apenas ouvia, submersa por demais nas confissões que mais pareciam um desabafo do loiro. Não era mais capaz de raciocinar um julgamento ou sequer verbalizar alguma exclamação de horror ... Ou pesar.

- Te salvar foi um ato determinado por um impulso desesperado e egoísta, uma tentativa de recuperar minha alma. Não sou a droga de um herói, não deve sentir nada a respeito ...

Nenhum dos dois encontrou lógica na ação tomada pela leoa quando ela quebrou o espaço entre eles e envolveu o corpo do seu inimigo em um abraço.

Esse que agora já era o segundo abraço deles. Um gesto nada convencional entre inimigos, inesperado e perigoso.

- Que merda você está fazendo, Granger? - Saiu em um suspiro frustado com um quê de impaciência e cansaço.

O que esperar dela? Ele não sabia, nunca previa as ações de sua rival. Sempre era pego de surpresa, e as piores delas eram quando a menina se mostrava gentil e compreensiva. Ele não possuia defesas contra o afeto.

- Eu não faço idéia. - Ela murmurou escondendo o rosto no ombro dele.


- Eu preciso que fique longe. - E contradizendo suas palavras, ele correspondeu o abraço.

Quebrado demais para recusar qualquer carinho. Nunca havia confessado aquelas coisas para ninguém, e evitava até mesmo pensar sobre elas. Estava amolecendo, sabia disso, e isso era assustador.

- Você é muito estranho ... E está fodendo a minha cabeça, Draco. - Ela confessou, segurando as lágrimas nos olhos, quando percebeu o quanto gostou de abraçar ele. Era como passar metade da vida olhando para a fotografia de um lugar paradisíaco e um dia, finalmente poder visita-lo.

Um som parecido com uma breve risada anasalada escapou do loiro, provavelmente achando graça em presenciar a leoa fazendo o uso de uma palavra obscena.

- E você fodeu toda a minha vida.

- Eu te odeio.

- Eu também te odeio.

O resto da tarde fora bem nostálgico, passaram o dia como costumavam a passar antes de voltarem para a "civilização"

Cozinharam juntos, em silêncio. E juntos também construíram uma pequena biblioteca, com a ajuda de Blue que trouxe alguns dos livros da biblioteca na antiga casa que dividiram por meses. Tiveram também seus comuns debates acalorados sobre os livros em comum que já haviam lido. E eventualmente, beberam doses e mais doses da firewhisky também trazida por Blue.

Não admitiriam nem sob tortura, mas sentiram falta daquilo.  












Notas Finais


Dancing whit a stranger - Sam Smith.


( É bem claro que eu não superei você)

(Eu ainda estou pensando nas coisas que você faz)

(Você pode acender o fogo?)

(Eu sei exatamente o que preciso fazer)

(Porque eu não quero ficar sozinho esta noite)

(Olha o que você me fez fazer, eu estou com alguém novo)

(Dançando com um estranho)

(Eu nem estava saindo hoje à noite)

(Mas, garoto, eu preciso tirar você da minha mente)

(Eu sei exatamente o que tenho que fazer)

...

Eai gostaram? Não deixe de comentar.

Vejo vocês em breve.🎇💜


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