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História Solivagant - Capítulo 5


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Notas do Autor


Helloooooo, quem é vivo sempre aparece, não é? *se esconde atrás da coberta* me perdoeeeeeem
Eu sei que faz um tempo que não atualizo, mas como havia avisado eu estava em viagem e ela foi mais... caótica do que eu imaginei que seria? Voltei em janeiro, porém voltei doente então faz pouco tempo que consegui retomar minha rotina e atualizar, peço mil perdões por isso :(
Anyway, sem delongas, aqui está a atualização tão aguardada.
Boa leitura~~

Capítulo 5 - 0.05 - I don't have enough fingers


Quem testemunhasse o Detetive Bang em seu ambiente de trabalho não imaginaria que havia muito mais além daquela fachada intimidadora de policial mal. A verdade é que Minho gargalharia na cara de qualquer um que descrevesse seu parceiro como menos que suave e compassivo. Todavia, criminosos faziam parte do grupo seletivo que nunca veria esse lado do Detetive.

Exceto...

A personificação do caos com sardas.

Chan definitivamente se sentia enojado com a perspectiva de ter cedido aos pedidos do Emissário. Mas, embora as pessoas que não o conhecessem pensassem que ele não sentia empatia, ele sentia. Até demais para seu próprio bem.

Então, mesmo sendo incômodo, parar no hospital a caminho da delegacia para que Felix pudesse ver seu hyung antes de ser preso parecia o certo a se fazer. De qualquer forma, Chan precisava verificar o estado de Han Jisung.

— Desculpe — o médico respondeu à ambos. — Apenas a família pode visitar.

— Eu sou irmão dele — Felix mentiu descaradamente, fazendo o médico pousar os olhos sobre Chan.

— Detetive Bang Chan — ele mostrou sua identidade para dar alguma credibilidade à história maluca do Emissário. — Eu...

Felix cortou-o abruptamente ao agarrar seu braço em uma proximidade preocupante, escondendo com êxito suas mãos dadas do olhar desconfiado do médico antes que ele percebesse a algema que os ligava.

— Ele é meu namorado — Felix disse com tanta naturalidade que Chan não fez nada além de observar a cena absurda. — Ele veio me acompanhar e talvez descobrir quem fez isso com o meu hyung.

A facilidade de Felix em mentir era um lembrete alarmante do quão traiçoeiro ele poderia ser.

O médico piscou, forçando-se a sorrir suavemente para o casal.

— Me perdoem. Não obtivemos nenhum dado sobre a família do paciente, só estávamos esperando ele acordar novamente para ver se conseguiríamos algo além do nome e data de nascimento, do contrário entraríamos em contato com a polícia. É bom que tenhamos conseguido os dois.

— Como meu hyung está? — Felix perguntou inquietamente, ainda abraçando firmemente o braço de Chan que não podia fazer nada além de voltar sua atenção para o médico que retornava a sua postura completamente séria.

— Honestamente, nunca vi uma pessoa com tantas deslocações ao mesmo tempo em toda minha carreira.

Chan conseguia sentir o corpo de Felix enrijecer-se ao seu lado, seus olhos franzindo-se em profundo austero.

— Conseguimos corrigir todas deslocações, exceto pelo ombro esquerdo o qual estávamos aguardando uma radiografia para verificar. Ele está com desidratação severa, uma leve contusão na cabeça e está sob antibióticos para infecção no seu estoma. Apesar disso, ele está estável e descansando.

As sobrancelhas de Felix franziram-se, seus olhos confusos e tensos eram a representação clara de como o garoto estava incerto sobre como agir ou o que falar. Desta forma, embora Chan encontra-se por um instante tão atordoado quanto o garoto ao seu lado, foi ele quem tomou iniciativa diante do olhar suave do médico que já deveria estar acostumado a dar notícias como aquelas para familiares.

Exceto que ele nem mesmo havia se apresentado para Han Jisung ainda e Felix mal o conhecia de fato.

— Podemos vê-lo?

— Está na hora dos antibióticos, então ele já deve estar acordado. — o homem de olhos serenos gesticulou suavemente para o elevador no fim do corredor pouco movimentado. — Terceiro andar. Quarto 303.

Ainda de mãos dadas para evitar tumulto, ambos andaram lado a lado até o quarto indicado, de onde já saia um enfermeiro que acenou sutilmente antes de seguir sua rotina matinal pelos outros quartos.

Finalmente soltando a mão do garoto, Chan pousou seus dedos sobre a maçaneta antes que Felix pudesse agir, fitando-o com um olhar severo, lembrando-o firmemente:

— Cinco minutos.

— Sim, senhor — Felix respondeu com humor, colocando sua mão sobre a de Chan e girando seu punho até a porta abrir-se com um estalo suave.

Chan quebrou o contato rispidamente, entrando no quarto sem qualquer polidez, arrastando o Emissário consigo.

Apesar da falta de sutileza na entrada dos dois rapazes, Jisung não sobressaltou-se. Talvez, já acostumado demais com a movimentação de entra e sai do quarto para se importar. Ele desviou calmamente o olhar das largas janelas, girando a cadeira de rodas onde estava sentado com facilidade apesar de estar com um dos braços imobilizados até o ombro.

A surpresa nos olhos grandes do Facilitador sumiram tão rápido quanto surgiram, dando lugar para uma expressão fechada no momento em que pousaram sobre os pulsos conectados dos rapazes há poucos passos de distância.

— Droga, então as algemas não eram uma alucinação? — ele fez uma careta, voltando o olhar para Felix. — Em que merda você se meteu dessa vez?

— Bom dia, hyung, é bom ver que ainda está vivo.

Chan respirou fundo, impaciente demais para contribuir à tentativa falha de esquiva do garoto ao seu lado, direcionando-se ao rapaz de cabelos azuis na cadeira de rodas:

— Detetive Bang Chan. Só viemos verificar seu estado antes de levar seu cúmplice para a delegacia.

Os olhos de Jisung saltaram comicamente, o queixo caído em choque. Então, após um breve momento de silêncio, sua cabeça pendeu-se para trás com um longo e sofrido ruído.

— A Ajumma vai me matar.

— Hyung já parece uma autópsia aberta — Felix respondeu com um sorriso de escárnio. — Como está se sentindo?

Han Jisung abaixou novamente a cabeça para encarar o amigo com um olhar raivoso que fazia Chan identificar-se com o rapaz de cabelos azuis.

— Eu não tenho dedos do meio o suficiente pra te fazer entender como me sinto.

Felix ergueu as mãos, arrastando o punho de Chan com sua mão direita, em sinal de rendição. Seus olhos divertidos, por outro lado, não demonstravam arrependimento.

O Detetive ignorou o garoto ao seu lado que parecia se entreter com o prontuário médico preso no único leito aparentemente em uso do quarto, voltando seu foco para o ocupante do leito que o analisava de sua cadeira de rodas.Jisung ergueu as sobrancelhas, desconfiado, quando seus olhos se encontraram.

— Mandarei mais tarde alguém da delegacia para te proteger.

— Não é preciso... — Han respondeu, desfazendo suavemente sua carranca dando lugar a suavidade de seu rosto arredondado e já menos pálido. — Em breve serei transferido de qualquer forma.

Chan não precisava questionar. Lembrava-se com clareza da firmeza na senhora Han, ela com certeza buscaria o filho assim que soubesse onde ele estava.

As palavras não tiveram chance de escapar dos lábios cheios do detetive. Felix, com uma expressão frígida, tirou os olhos da prancheta em sua mão para fuzilar o confuso Han com seus olhos.

— Você... — ele apontou a prancheta na direção do rapaz que ergueu as sobrancelhas, claramente repreendendo-o pela falta de honoríficos. — Você é de 2000?

Chan pousou seu olhar afiado sobre aquele que até então Felix havia se referido como hyung. De fato, ele parecia jovial mesmo sob circunstâncias como aquela. O que o surpreendia não era o fato dele ter vinte e quatro anos e sim a perspectiva de Felix ser muito mais novo do que aquilo.Encarando o garoto ao seu lado, Chan sentia-se subitamente nauseado.

O Emissário ao menos era maior de idade?

— Eu posso estar em uma cadeira de rodas, mas ainda sou seu hyung, fedelho.

Felix avançou, tentando acertar Jisung com a prancheta em sua mão, sendo impedido apenas pela algema que o mantinha preso à um imóvel detetive e o reflexo de Jisung para afastar-se rapidamente do possível perigo.

O Facilitador piscou, perplexo.

— Yah!

— Yah o quê?! — Felix retrucou. — Você me fez colocar dez mil wons em uma jarra por cada vez que não usava honoríficos quando você é do mesmo ano que eu?!

— Mas eu ainda sou mais velho que você, fedelho.

Felix voltou o olhar exasperado para o prontuário em suas mãos, rompendo-se em risos descontrolados. Ele voltou-se para o detetive inexpressivo ao seu lado, mostrando-lhe o motivo de suas gargalhadas.

— Dá pra acreditar? — Felix apontou deliberadamente para a data de nascimento do paciente Han Jisung: 14.09.2000. — Um dia... Você é mais velho que eu uma porra de dia!

Chan suspirou, relaxando os músculos de uma forma que permitiu que Felix avançasse a pouca distância que o afastava de bater em seu hyung que prontamente pulou para fora da cadeira, tentando fugir dos punhos cerrados do Emissário.

Jisung cambaleou, apoiando-se desajeitadamente no metal da cadeira onde até então estava sentado. Seu rosto pálido se contorcia em dor mas o foco dos dois rapazes de olhos esbugalhados à sua frente eram suas pernas.

— O quê...?

Felix interrompeu a linha confusa de pensamento do detetive, jogando a prancheta contra o torso de seu amigo que sibilou em dor, tentando colocar a cadeira entre ele e um furioso loiro sardento.

— Mas que merda, Han! Você está fingindo ser deficiente? — gritou, empurrando a cadeira ao lado. Sendo impedido por Chan que o conteve pela algema, dando tempo para que o rapaz de cabelos azuis tropeçasse até o leito. O Facilitador não parecia bem e Chan não estava com disposição para lidar com outro homicídio pela parte de Felix. — Sobre o que mais você mentiu, huh?

— Eu não menti, o.k? — Han respondeu com uma voz drenada, a dor evidente enquanto ele se ajustava na cama com dificuldade.

— Ah, como você explica isso então? — Felix apontou exacerbado para a cadeira de rodas abandonada por seu suposto usuário.

— Nem todo cadeirante tem paralisia — ele respondeu com um tom cansado de quem já havia tido aquela mesma conversa diversas vezes. — Eu sou capaz de andar, mas isso não quer dizer que sempre consiga ou até mesmo deva.

A carranca formada no rosto sardento de Felix transparecia a confusão que o Detetive sentia diante de toda aquela situação absurda, mas Chan não estava disposto a continuar assistindo os dois criminosos discutirem.

— Bem, fico contente que você esteja se recuperando, mas minha parte termina aqui — ele puxou pontualmente a algema, Felix deixando-se ser levado para o lado do Detetive com resignação. — É a hora da outra parte do acordo cumprir sua parte.

Os olhos de Jisung se estreitaram, sua postura subitamente rígida denunciava sua vontade de intervir, mas seu corpo debilitado o prendia na cama enquanto o nome de Felix morria em seus lábios em um murmúrio inquieto.

— Está tudo bem, Hannie. — o Emissário sorriu relaxado em contraste com a tensão presente em seus músculos que só era possível ver pela proximidade que a algema o trazia do detetive. — Eu vou resolver isso.

— Merda, Felix, toda vez que diz isso você só se mete em mais problemas!

A porta do quarto bateu suavemente contra o batente abafando a voz inquieta de Jisung antes que Felix pudesse respondê-lo. Um empecilho aceito intencionalmente pelo garoto, se o nervosismo em sua feição fosse qualquer indício de sua incapacidade de responder às preocupações de seu Facilitador.

Ah, o Detetive Bang tomaria seu precioso tempo para fazer questão de que o Emissário ficasse definitivamente enrascado.

 

 

Bang Chan pousou um copo de café sobre a mesa, a força demasiada no ato deixando claro a aspereza em sua oferta. Sentando-se na cadeira oposta do Emissário que bisbilhotou o conteúdo do copo antes de voltar o olhar desconfiado para o detetive que o fitava.

Não deveria ser, mas era particularmente estranho ver o garoto no outro lado da mesa de metal. Pareciam meses desde a última vez que eles estiveram ali quando, de fato, faziam apenas dias. A leveza de seu punho agora livre trazia uma sensação quase errônea.

— Ew! — o garoto sibilou, o rosto franzido em uma careta ao largar o copo de onde havia tomado um gole. — Se esse é o tipo de café que você gosta, então você precisa de mais doçura na sua vida, Detetive.

Chan piscou, não impressionado. Tendo aguentado tanta merda vindo do criminoso nos últimos dias, ele não estava disposto a perder nem mais um segundo sequer com suas provocações.

— Você já fez algum trabalho para Do Hyunsuk, não é? Qual foi?

Felix enrijeceu-se ao lembrar-se que estava em uma sala de interrogatório na delegacia de Incheon e que o Detetive à sua frente não era mais uma ajuda e sim uma ameaça. Han podia estar em segurança no momento, mas o rosto do Emissário ainda rodeava pela mídia como um procurado e as quarenta e oito horas passavam sem pausa.

— Não temos tempo para isso, Detetive.

— Eu não tenho compromisso em nenhum lugar. Você tem?

Felix apertou os lábios, encarando a figura de detetive composto diante de si, portando uma postura de interrogador. O garoto sentia-se subitamente sobrecarregado com inquietude, seus olhos em alerta pendendo deliberadamente na única porta da sala. Porta esta que estava fechada há alguns passos atrás da figura proeminente do Detetive.

— Nem pense nisso — Chan alertou seriamente, atraindo a atenção flutuante do Emissário de volta para si. — Pensei que tinha dito ter palavra. Responda minha pergunta.

— É contra as regras falar sobre nossos clientes.

Chan ergueu as sobrancelhas, sustentando o olhar profundo do garoto sardento.

— Você não parecia se importar com suas regras quando aceitou o acordo com Do.

— Era a única forma de salvar Hannie.

— Um enorme sacrifício pra alguém que você mal sabe sobre — o Detetive retrucou, apoiando os braços contra a mesa de metal para diminuir ligeiramente a distância entre ambos. — Eu diria que vocês confiam demais suas vidas à completos desconhecidos.

Felix não piscou. Seu rosto desprovido de qualquer resquício de provocação ou raiva sendo uma imagem no mínimo inquietante.

— Você não sabe de nada, Detetive — murmurou de forma branda. — Han não escondeu sua vida de mim, eu que quis assim. Manter distância é mais seguro.

Chan observou atentamente o rosto obscuro do garoto, por um breve instante sendo incapaz de encontrar qualquer coisa ali. Apenas um garoto vazio.

Mais seguro para quem?

Seguro do quê?

Afastando-se da mesa, o Detetive encostou-se novamente na cadeira desconfortável.

— Quanto mais rápido você me responder, mais rápido terminaremos aqui.

O loiro suspirou silenciosamente, alguns fios caindo suavemente sobre seus olhos grandes e fixos no homem diante de si. Ele não moveu-se para afastá-lo de seus olhos.

— Senhor Do tem uma bela e jovem filha bastarda, ela é professora de jardim de infância e tem uma pequena e linda família numa cidade distante daqui — Felix disse suavemente, continuando apesar do olhar breve de surpresa do Detetive. — Não que ela saiba, é claro. Mas há alguns anos alguns idiotas começaram a ameaçá-lo e ele me contratou pra preservar o anonimato da sua filha.

— Então, você os matou?

Felix franziu o cenho, seus punhos fechando-se sobre a mesa ao lado do copo intocável de café amargo.

— Não, Detetive, eu destruí todas informações que eles tinham sobre a mulher e a entreguei novas identidades, endereço e uma vida nova que ninguém possa descobrir sobre — respondeu em um tom complacente. — Você queria saber o que nos diferencia de mensageiros e nos compara com assassinos, mas somos à quem as pessoas recorrem quando não podem confiar em vocês.

Chan não tomou o veneno na voz do garoto como ofensa, era evidente que ele tinha questões pessoais de confiança contra a polícia. Ele definitivamente não era o único criminoso que os odiava, era quase um critério entre eles e o sentimento era mútuo.

A única porta da sala abriu-se abruptamente fazendo Chan engolir as palavras de requisição para fitar severamente o intruso.

Kim Seungmin ofegou do batente, seus olhos grandes em contraste com a palidez atípica foram o suficiente para que Chan contivesse qualquer represaria que estivesse planejando fazer sobre interrupções de interrogatórios.

— Encontraram mais uma possível vítima da Moonlight.

Chan congelou por um breve instante, sua respiração contida escapando por entre seus dentes cerrados.

— Chame o Tenente Seo aqui.

Seungmin parecia confuso, mas não questionou. Virando-se em seus calcanhares, ele rapidamente foi atrás do Tenente.

Felix estava tenso, olhando em puro alarde quando o Detetive retribuiu o seu olhar.A sua conversa com o Emissário teria que esperar...

Chan ignorou os protestos confusos do garoto ao agarrar suas mãos. O copo caiu sobre a mesa, o café quente espalhando-se sobre o metal gélido enquanto o Detetive passava as correntes pelo arco fixo no centro da mesa, fechando as algemas nos pulsos do garoto que tentou soltar-se apesar do metal agredir as feridas gritantes em volta do seu pulso esquerdo, onde a outra algema lacerou por horas.

— Mas que porra, Detetive! De novo?!

A porta abriu-se e a expressão de tédio de Changbin foi rapidamente substituída por uma de puro choque ao deparar-se com a cena. Chan teve que lembrar-se de que além de Seungmin ninguém havia visto Felix algemado uma vez que eles haviam chegado logo pela manhã e ido direto para a sala onde Seungmin ficou encarregado de levar o chaveiro assim que ele chegasse.

Ninguém além do perito novato sabia sobre a real identidade de Felix e o real acordo por trás do caso que o envolvia.

Agora, Changbin também teria que saber.

— Você está louco, Bang Chan?!

Chan suspirou, afastando-se do garoto que furiosamente tentava soltar-se. Era irritante, naquela altura ele já deveria saber que lutar contra as algemas só o feriria mais ainda.

— Você trouxe sua arma?

— É claro — Changbin respondeu exasperado. — O que diabos está acontecendo? Por que você está algemando uma vítima?

— Detetive, você não pode fazer isso — Felix exasperou desesperadamente. — O tempo está passando, você sabe o que vai acontecer comigo e com Han se você não me deixar ir!

Chan o ignorou.

— Se ele tentar algo, atire nele.

Felix parou abruptamente, seus olhos dobrando de tamanho ao olhar em choque para os dois policiais.

Changbin, não muito atrás, olhava para Chan como se ele tivesse o dito que a terra é plana.

— Chan-hyung! — Seungmin surgiu atrás do Changbin, inquieto demais para notar a situação de tensão na pequena sala.

O Detetive não queria que mais pessoas soubessem sobre Felix, mas ele conhecia Changbin há anos e sabia que ele nunca acataria seu pedido. Não achando que Felix era uma vítima e Chan havia perdido a sanidade.

— Felix é o suspeito do assassinato do Prefeito — Chan disse calmamente para que o Tenente tivesse tempo para absorver a informação, mesmo que o olhar inquieto de Seungmin denunciasse que ele não tinha tanto tempo assim. — Eu explico quando voltar, até lá não diga a ninguém, mantenha ele nessa sala e se ele tentar qualquer gracinha, atire nele.

Então, o rapaz passou pelo Tenente imóvel e ignorou os protestos de Felix em direção ao escritório tumultuado, com Seungmin em seu encalço.

— Onde acharam o corpo?

 

∆∆∆

 

Bang Chan almejava se tornar um policial com mais fervor do que ele desejou fazer qualquer coisa em sua vida.

Foi a ânsia que o manteve são enquanto escutava os gritos guturais de pura dor e desespero da mulher que nunca havia visto chorar na sala ao lado, enquanto sentado no chão fitando uma mancha ordinária na parede diante de si. Ele não sentia. Nem mesmo as lágrimas que rasgavam seu rosto jovial desfigurado em horror.

É minha culpa.

Eram as palavras que repetiam em sua mente por muito tempo, dando lugar ao anseio.

E era esse anseio que ocupava sua mente mesmo nos momentos mais exaustivos que o trabalho na policia proporcionava. Ele não se arrependia.

Exceto, em momentos como esse.

Tentou arduamente não fechar os olhos ou caminhar para longe daquele beco e longe daquela vida enquanto Seungmin, com suas mãos propriamente enluvadas e sutis, retirava o plástico que cobria o que ainda estava parcialmente dentro da lixeira caída naquele chão imundo.

Porra, ele odiava especialmente momentos como aquele.

Era difícil não desviar o olhar, não culpava Seungmin por fazê-lo em busca de ar antes de retornar ao trabalho com olhos ligeiramente úmidos.

Ele tirava fotos, prezando por cada detalhe nos hematomas, feridas e sinais de fraturas que percorriam o corpo que parecia tão pequeno desnudo e quebrado ali.

— Merda, é Min Yeonsung — a voz baixa e grave ressoou ao lado de Chan. Ele não precisava olhar para saber que Moonbyul olhava para o corpo com a mesma obscuridade que ele ou qualquer policial que passava por eles para isolar a área de possíveis olhares curiosos. Aquela é uma imagem que ninguém deveria ver. — A mãe dele está há meses fazendo protestos na porta da Promotoria. Eu esperava não precisar dar essa notícia.

Eu também.

— O que você está fazendo sozinho aqui? — Moonbyul inqueriu em direção à Seungmin que colocou-se de pé, com sua preciosa câmera em mãos.

— Recolhendo provas?

A promotora loira revirou os olhos, lançando-lhe um olhar farto.

— Hyejin sunbaenim está ocupada no laboratório, mas sabe que estou aqui, não se preocupe.

Com seu terno perfeitamente justo e seu cabelo cuidadosamente impecável, seu olhar parecia mais afiado do que qualquer lâmina. Era o tipo de imagem que o fazia entender como todos na delegacia e até mesmo na promotoria pareciam se sentir intimidados com sua presença. Bang Chan, de certa forma, se identificava com ela.

Por trás da voz profunda, Moonbyul demonstrava uma suavidade quase imperceptível e definitivamente seletiva.

— Novidades sobre a Moonlight?

— Eu tenho alguém — Chan murmurou, as palavras ressoando estranhamente confortantes para seus próprios ouvidos. — Ele sabe de coisas. Eu estava prestes a interrogá-lo quando recebi o chamado.

A promotora respirou profundamente, seu olhar recaindo sobre o perito. Seungmin, habitualmente destemido, retribuiu o olhar com uma pitada de confusão. A mulher mais velha balançou a mão, indicando para que ele começasse a se reportar, o que ele prontamente fez após endireitar a postura e limpar a garganta, de repente inquieto.

— Só terei confirmações quando Hyejin sunbaenim analisar, mas eu diria que pelo estado do corpo a morte ocorreu há menos de vinte e quatro horas — ele apontou ligeiramente em direção ao posicionamento anormal dos membros. — Ele foi torturado, há mais fraturas do que eu posso contar sem auxílio e seus dedos foram cortados — Seungmin engoliu em seco, olhando para ambos veteranos que franziam o cenho em direção ao corpo frágil e sem vida. — Foi um ato de raiva, a tortura ocorreu enquanto ele estava vivo, aparentemente ele morreu por sorte.

— O quê? — Moonbyul desviou o olhar severo para Seungmin, fazendo-o olhar para o chão.

— Ele foi asfixiado, mas o pescoço parece estar quebrado.

— Está dizendo que eles provavelmente planejavam continuar a torturá-lo, mas o mataram por descuido?

Chan não prestava mais atenção na conversa entre ambos, seu olhar fixo nas mãos vazias do garoto no chão. Onde deveriam haver seus dedos, não havia mais nada além de cortes brutos e irregulares. Os hematomas sujos em seu pescoço quase roubando inteiramente a atenção do pingente que esgueirava sutilmente pelas suas costas desnudas e feridas onde os sacos transparentes e finos eram a única coisa que suavizava o chão frio.

— Você acha que isso é realmente coisa da Moonlight? — Moonbyul perguntou-o ao vê-lo se aproximar do corpo, aceitando a luva descartável oferecida por Seungmin. — Está distante da área deles.

Chan deslizou gentilmente os dedos enluvados pela corrente ensanguentada, até alcançar o pequeno pingente. Sua respiração subitamente pesada travou em sua mandíbula apertada por um momento, ele girou o pingente de lua em seus dedos. Naquele momento, ele se arrependeu de não ter apertado o gatilho quando tinha Do Hyunsuk no alvo de sua arma naquele galpão abandonado.

Talvez, desta forma, aquela criança de não mais de dezesseis anos não estaria quebrada entre os lixos que se acumulavam naquele beco.

— Eu tenho certeza. — o Detetive colocou-se de pé abruptamente, direcionando um olhar fervoroso para o perito. — Você já terminou aqui?

— Não... — Seungmin respondeu levemente desnorteado. — Eu ainda preciso checar a área por evidências.

A mulher de terno e longos cabelos loiros ao seu lado pareceu compreender a intenção de Chan, dando-lhe um olhar sutil.

— Vá, preciso ficar aqui de qualquer forma, levo Seungmin de volta para a delegacia quando terminarmos. — dispensou-o, recebendo apenas um aceno silencioso de agradecimento enquanto ele arrancava a luva de sua mão com urgência. — Se seu 'alguém' disser algo sobre o caso, me informe.

Chan olhou a promotora nos olhos, em reconhecimento.

— Claro.

Seungmin franzia o cenho enquanto observava o Detetive Bang retirar-se do beco úmido, passando pelas faixas amarelas de isolação com rapidez. O pensamento do detetive naquele estado enquanto Minho estava afastado era preocupante.

Não havia ninguém para o impedi-lo, se necessário.

 

∆∆∆

 

Bang Chan sabia que havia algo de errado assim que o Tenente Seo colocou-se na sua frente com um largo sorriso que não atingia seus olhos.

— O que é, Changbin? Eu não tenho tempo pra explicar nada.

Chan tentou empurrá-lo para o lado, para abrir caminho à maçaneta da porta do interrogatório mas o Tenente parecia destemido em não sair do lugar.

— Foi a Moonlight mesmo? — perguntou rapidamente, olhando por cima do ombro do Detetive. — Onde está Seungmin?

O Detetive sentiu seu sangue ferver, perfurando Seo com um olhar de desconfiança à beira da raiva.

— Me diga logo que merda aconteceu. — Tenente Seo manteve-se em um silêncio que denunciava sua culpa. O suficiente para fazer um sentimento de apreensividade instalar-se em seu âmago. — Saia. Da. Minha. Frente.

Com um longo suspiro de rendição, o policial menor deu espaço para que Chan finalmente abrisse a porta do interrogatório onde esteve há algumas horas. Onde havia deixado o Emissário algemado.

Sala, no momento, vazia.

O punho de Chan fechou-se contra a maçaneta, seus olhos ferozes recaindo-se sobre o Tenente que parecia um cervo pego nos faróis de um carro.

— Não olhe pra mim assim, eu tentei!

— Não o suficiente se ele não está aqui! — Chan gritou furiosamente, alto o suficiente para que qualquer um no escritório no final do corredor soubesse que hoje não era um bom dia para ele. — Onde Felix está?

— Eu não sei... — as palavras morreram na boca do Tenente por um instante quando Chan abruptamente fechou a porta com um baque ensurdecedor e avançou em direção ao rapaz. — Que droga, Chan! O senhor Park o soltou e disse para deixarmos ir, o que eu deveria fazer?

Claro, Park Jinyoung estava o protegendo de novo.

Mas Felix ainda não havia cumprido sua parte do acordo e Bang Chan não aceitaria que Park prejudicasse o andamento de um caso por suas morais corrompidas pelo Emissário.

— Ter seguido ele.

Soltando a camiseta amassada de Changbin, o Detetive afastou-se. Estava ciente de que Park não estava em sua mesa, a havia visto vazia assim que chegou na delegacia, mas disposto a caçá-lo onde quer que ele estivesse naquela maldita cidade.

— Não achei necessário, Minho o levou.

Chan parou abruptamente em suas passadas, sentindo seu corpo enrijecer-se por um segundo, sendo necessário recobrar a respiração para voltar seu olhar estreito para Changbin.

— O quê?

— Você não sabia? Minho voltou ao trabalho hoje à tarde. Acho que os dois se conheciam porque Felix aceitou pegar carona com ele.

É claro Minho não o escutaria e retornaria ao trabalho. E é claro que ambos se conheciam, ele os havia apresentado, mesmo que não intencionalmente.

— Eu vou matar esses dois! — Chan rosnou furiosamente para ninguém em particular, retirando o celular e discando seu contato de emergência sem pensar duas vezes, retomando seus passos pesados pelo longo corredor. Changbin o seguia silenciosamente.

Uma.Duas.Três.

Chan poderia continuar contando quantas vezes a chamada ecoava em um silêncio ensurdecedor, sem qualquer resposta. A cada toque não respondido, o coração dele parecia bater cada vez mais erraticamente e dolorosamente.

Havia algo de errado.

— Há quanto tempo eles saíram? — Chan perguntou, incapaz de controlar o volume em sua garganta que fazia sua voz sair rouca.

— Umas duas horas.

— Porra, Lee Minho, atenda — o Detetive demandou, os toques que ressoavam de volta para seu ouvido atento o irritando cada vez mais. — Atenda.

Changbin estava prestes a abrir a boca para tentar acalmar o Detetive com qualquer argumento inútil que o fizesse relaxar quando, como em um estalo, o mais velho parou abruptamente e puxou o ar ruidosamente.

Não havia mais toques ressoando, ao invés disto, uma respiração frenética era dolorosamente audível.

— Minho?

 D-Detiv... Detetive...

Toda a adrenalina que queimava cada músculo e corria pelas veias de todo seu corpo pareceu congelar. Apertando os dedos contra o material do celular com uma força além do necessário, umedeceu os lábios cheios e secos antes de responder à voz grave e instável que não pertencia ao dono do número.

— Felix, o que você está fazendo com o celular do Minho? — Chan respirou profundamente, sentindo suas palmas subitamente úmidas com suor gélido. — Onde ele está?

Felix ainda respirava com dificuldade do outro lado da linha, sua voz mais grave do que o habitual tremulava em murmúrios quebrados que não eram audíveis. Fechando os olhos com uma força dolorosa, o rapaz repreendeu seu próprio temor que o fazia querer gritar com o garoto do outro lado da linha. Nos poucos dias que havia convivido contra sua vontade com o Emissário, mesmo em seus momentos de desespero ou raiva, Felix nunca havia ficado tão transtornado quanto ele soava. Era perturbador e o motivo para tanto pânico fazia seu estômago revirar. Mas ele já havia lidado com pessoas em estados semelhantes e sabia que gritar não seria benéfico para nenhum deles.

— Felix — Chan tentou falar calmamente. — Respire fundo e me diga o que está acontecendo.

— E-eu... — o garoto tentava respirar, Chan podia ouvi-lo lutando para respirar, mas sua voz ainda soava sem fôlego. — Eu não... Eu não sei. E-ele... Ele está f-ferido. — o Emissário soluçou, sua voz trêmula e úmida. — T-tem sangue.

Naquela altura, Chan já havia retomado seu caminho pelo corredor rapidamente, o celular firme contra seu ouvido totalmente focado em qualquer som que viesse do outro lado da chamada.

— Onde vocês estão, Felix?

 S-angue.

— Felix! — Chan perdeu a paciência, gritando pelo foco do garoto ao mesmo tempo em que escutou outra pessoa gritar por ele do outro lado, seus olhos franzindo-se com a voz familiar soando inquietamente de fundo: — Eu preciso da sua ajuda!

Han Jisung?

— Eu não... N-não. Não consigo. Não...

Pelas negações incoerentes de Felix, Chan mal podia ouvir a voz do Facilitador, mas ele tinha certeza que a voz requisitória pertencia ao cúmplice do Emissário.

— ... Se eu soltar, ele vai sangrar até morrer. Eu preciso de você. Por favor, Felix.

— Felix, onde vocês estão? — Chan inqueriu, incapaz de controlar seus próprios nervos. Ele precisava de uma confirmação.

Confirmação essa que não veio.

O silêncio absoluto da chamada abruptamente finalizada ressoava em seus tímpanos. Bang Chan não permitiu pensar. Ele não tinha tempo para isso.

— Chan, o que está acontecendo? — Changbin perguntou inquieto.

— Mandem reforços para o Hospital de Incheon agora! — Chan vociferou por cima de qualquer voz do amplo escritório, marchando sem olhar para trás um segundo sequer para retribuir aos olhares surpresos dos policiais que levantavam-se inquietos. Seus olhos ardiam. — Minho está com problemas.

"Mande lembranças minhas para o seu parceiro."

Bang Chan deveria ter atirado em Do Hyunsuk quando teve a chance.

 


Notas Finais


Que Minho me perdoe por sempre ferrar com ele, prometo de dedinho que pararei (e então ferrarei com outros personagens hehehehe) JASOIFJOASJF e aí? Que caossssssss, meu pai, o Detetive Bang que lute!
Espero que tenham gostado, me digam o que acharam! O que será que acontecerá no próximo capítulo?

Se quiserem me dar um grito:

ccat: https://curiouscat.me/abalva

twitter: https://twitter.com/aybalva

Um beijão e até a próxima! o/~


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