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História Solstício de Almas - Capítulo 1


Escrita por: e guelbs


Notas do Autor


Olá!! Aqui é a RivaMika... Mais uma fanfic linda para vocês lerem está sendo postada no site! Solstício das Almas é realmente uma fanfic com um plot lindo e eu espero que gostem.

Guelbs (um xuxu): Oiiii seguimores, to aqui junto com a clarinha com uma fic lindaaaaa bem cheia de drama, romance, vmin e taekook. Espero que gostem viu? Pq a gente colocou muito amor e carinho nesse plot ♡

O capítulo ficou grandinho para vocês apreciarem bem <3 Espero que gostem e não se esqueçam de falar para a gente o que vocês acharam e nem de seguir nós duas para ver nossos outros trabalhos <33

Amamos vocês!

Até a próxima <3

Capítulo 1 - Almas Conectadas


Fanfic / Fanfiction Solstício de Almas - Capítulo 1 - Almas Conectadas

Seis de Agosto, 2019

Terça-feira 

 

A manhã havia começado com o clima leve como sempre. Jimin estava de frente para o balcão de mármore claro da pia, terminando de fazer uma Torta di Mele como parte do trabalho que deveria entregar naquela noite. Estava inseguro, acreditava que tinha cortado as maçãs grossas demais e tinha errado na separação das texturas e camadas, mas colocou as tiras cortadas ali em cima do mesmo jeito, tentando ser o mais caprichoso possível. 

Olhava para o prato e depois para a panela que ainda tinha o resto do creme que sobrou. Queria jogar tudo no lixo e refazer, mas nem tinha tempo para aquilo. Dali meia hora teria que sair de casa e ir direto para o trabalho. Mas também estava completamente frustrado naquele momento quando soltou um suspiro alto e pesado, olhando para o relógio outra vez, revirando os olhos ao notar que novamente, Taehyung não tinha levantado sozinho naquela manhã. Desde pequeno, o Kim sempre dera trabalho para acordar e Jimin se via doido na época da escola quando chegava atrasado por causa da alma gêmea. 

Mordeu o lábio farto e começou a pensar em mil desculpas que poderia dar para seu professor ao entregar aquele prato, poderia dizer que duas semanas não tinha sido tempo o suficiente para aprender aquela receita, ou que sua alma gêmea era tão carente que sugava todo o tempo livre que tinha para cozinhar. 

Tirou aqueles pensamentos de sua cabeça e concentrou-se no que devia fazer. Deixou a panela suja em um canto e começou a colocar todos os outros utensílios na pia para começar a lavá-los segundos depois. Deixou que a Torta di Mili esfriasse adequadamente e depois limpou todo o balcão. Aproveitou para varrer o chão e deixar Taehyung dormindo por mais alguns minutos. 

Reclamava demais do parceiro, mas o mimava como ninguém. 

Quando terminou tudo, pegou a panela ainda suja com o resto do creme que tinha feito e pôs-se em direção ás escadas. Iria acordar Taehyung logo, provavelmente iriam tomar um banho juntos e partiriam para seus empregos como faziam todos os dias. Era uma rotina que havia surgido naturalmente e havia agradado os dois. 

Subiu os degraus devagar, limpando uma das mãos no avental levemente sujo, enquanto a outra segurava a panela que continha o creme que tinha feito, murmurando incontáveis xingamentos para Taehyung que mesmo com vinte e um anos, continuava parecendo uma criança que odeia acordar cedo. 

O quarto que dividia com o rapaz de fios azuis como o céu estava totalmente escuro, Taehyung sempre fazia questão de fechar toda a cortina antes de irem dormir porque detestava acordar com os raios de sol incomodando sua retina, por conta disso, em todas as manhãs Jimin precisava tomar cuidado para não tropeçar nas roupas da alma gêmea jogadas no chão enquanto caminhava devagar até a cama de casal. Seus olhos foram se acostumando mais com aquela escuridão e logo conseguiram contemplar a imagem do mais novo esparramado entre os lençóis e os travesseiros, a coberta fina cobria até metade de seu corpo nu, deixando o tronco bronzeado à mostra. Taehyung tinha essa mania desde muito pequeno, ele odiava dormir com roupa, dizia que sempre parecia o sufocar a noite e mesmo que os pais tentassem colocar pijamas bonitinhos no filho, no meio da madrugada o rapaz tirava tudo.

Jimin colocou a panela em cima da mesa de cabeceira e se debruçou sobre o corpo de sua alma gêmea, colando os lábios grossos na pele amorenada das costas nua de Taehyung devagar, fazendo-o arrepiar e suspirar ainda preso no mundo dos sonhos. O Park riu, e subiu os beijos para o pescoço a mostra, sussurrando rente o ouvido que continha uma argolinha de prata.

Hora de acordar, amor da minha vida.

Taehyung se remexeu na cama, com um sorriso largo no rosto e os olhos ainda fechadas puxando Jimin para perto e lhe roubando um selinho gentil de bom dia. 

— Já está na hora de acordar? — O Kim questionou com a voz rouca, ainda entorpecido de sono fazendo Jimin sorrir entre o beijo. Não adiantava quantas vezes reclamasse sobre ter que acordá-lo, sempre se apaixonava um pouco mais quando sussurrava pela manhã que já era hora do mais novo se levantar e era recebido com resmungos roucos e manhosos. 

— Na verdade já passou da hora de acordar, bela adormecida. E eu preciso que você prove minha nova receita de torta — disse ao se soltar dos braços da alma gêmea, virando de maneira rápida para pegar a panela e enfiar uma colher generosa da boca de Taehyung que nem estava completamente desperto ainda. — O que você acha? — Perguntou depressa, ansioso para a resposta. Esperou o mais novo terminar de engolir enquanto formava um bico nos lábios, impaciente. 

— Hum... — soltou arregalando os olhos — está uma delícia, assim como tudo o que você faz, bebê — Jimin entortou o nariz para o apelido. Ele gostava muito quando Taehyung o chamava assim, mas era engraçado porque ainda era alguns meses mais velho que o Kim.

— Você tem certeza que está bom, Tae?  — Formou uma careta que deixava bem exposto que não havia acreditado muito naquela opinião. — Sabe, você não é muito especialista nisso… Acho que não sabe se algo está mesmo bom... — colocou a panela novamente na mesa de cabeceira, cruzando os braços rente ao peito coberto pelo avental, abaixou a cabeça, querendo jogar-se na cama e ficar ali para sempre. 

Taehyung soltou uma risada rouca, sentando-se melhor na cama e colocando as duas palmas grandes em cada bochecha do mais velho, fazendo com que os dois pares de olhos se conectassem de forma intensa. 

— Você é talentoso e por isso sempre tira as melhores notas, você sabe disso, seus professores sabem disso e os outros alunos também, lembra que em trabalhos em grupo todo mundo quer sempre ficar com você? — Levantou uma das sobrancelhas e observou o Park balançar a cabeça positivamente, ainda mantendo aquele bico lindo e irresistível nos lábios. 

Se aproximou mais um pouquinho. 

— Não tem porque ficar inseguro agora. Seu creme está ótimo, eu acabei de provar, posso não ser mesmo especialista, mas acredite em sua alma gêmea... — Deixou um selar nos lábios fartos, admirando cada traço daquele rosto que amava desde muito novo. — Agora vem aqui, vem — o puxou para mais perto, juntando os dois lábios rapidamente, começando a sugar a língua macia do Park junto com a sua. 

Foi puxando-o e fazendo com que o mais baixo ficasse por cima de seu corpo nu, não perdendo tempo em levar suas mãos até a cintura macia por baixo da blusa que usava, invadindo cada vez mais a corpo do outro, o explorando como amava fazer. 

— Tae... — Chamou baixinho, fechando os olhos enquanto se controlava para não gemer. Apertou sem muita força os ombros largos do namorado e retribuiu com ainda mais vontade ao beijo que trocavam. Quando a falta de ar se fez presente, Jimin se afastou um pouquinho, mordendo o lábio inferior do Kim enquanto sentia as mãos dele descerem em direção a sua bunda, apertando cada banda com um força desmedida. — Tae... Tae... Vamos nos atrasar se ficarmos assim... 

— Mas agora eu estou tão excitado, bebê... — Gemeu rouco, girando os dois corpos e fazendo com que o seu ficasse por cima de seu namorado, pegando uma das coxas fartas e macias para prendê-la ao lado de seu corpo. 

Jimin soltou uma pequena risada. 

— Não posso fazer nada... — Soltou de forma brincalhona, mas não querendo se afastar de verdade. A rotina dos dois andava bem pesada, ambos estavam ficando ocupados demais com os trabalhos que recebiam de suas faculdades, as provas estavam chegando e estudar se tornou grande prioridade para ambos. Não tinham muito tempo reservado para momentos íntimos.

— Claro que pode... — Deslizou os lábios contra o pescoço alheio, começando a chupar a pele macia e cheirosa que em alguns lugares tinha pequeninos traços de farinha. 

— Tae... — Tentou empurrar um pouco o mais novo, mas ele não deixou, grudou-se ainda mais em si, beijando-o com mais vontade enquanto deixava suas mãos percorrendo cada pedaço de sua pele que já conhecia como ninguém mais no mundo. 

Era bom, Jimin nunca conseguia resistir e ia cedendo cada vez mais, não se importando com a hora ou com o trabalho, tudo o que desejava era mais daquele toques, mais daqueles sons que os dois provocam juntos no quarto que já fora testemunha de muitas noites de amor dos dois, muitas discussões bobas e beijos de pazes calorosos e quentes. 

— Tá bom, senhor pontual — levantou-se de cima do corpo do outro, mas fez questão de puxá-lo para ficar de pé, e assim que os pés de Jimin tocaram no chão, o Kim o pegou no colo. Não se importava com o fato de estar nu, nem com mais nada que não fosse levar logo o namorado para o banheiro onde iriam tomar um banho quente e teria a sorte de ver mais uma vez o corpo despido de segredos de Jimin, tê-lo bem pertinho de si. Iria beijá-lo até que estivesse com os lábios dormentes e a pele enrugada pela água morna. 

Os dois trocaram sorrisos, entre mãos despudoradas e beijos suaves com carinhos doces sob as peles nuas enquanto caminharam para o banheiro. 

[...]

Depois que tomaram banho juntos, com ainda mais carícias e troca de beijos dentro do chuveiro que o fizeram se desfazer em prazeres conhecidos, as duas almas gêmeas se arrumaram correndo e sem tempo, visando logo chegar no carro que dividiam.

— Quer dirigir hoje, Tae? — Jimin perguntou, ao chegarem na garagem, ajeitando os fios acinzentados com os dedos pequenos. — Ontem eu fiquei com o carro. 

Taehyung acenou positivamente com a cabeça e tomou o banco do motorista para si. O local de trabalho dos dois não era muito longe de onde moravam, ficava entre a faculdade para ser mais fácil se locomover. Por ser um bairro para estudantes era tudo tranquilo e pacato. Eles gostavam disso. Aquele cenário era bem melhor que as ruas agitadas do centro de Seul.

Jimin trabalhava numa doceria retrô delicada e cheia de papel de parede cor-de-rosa de uma senhora simpática que amava fazer doces. Era o sonho do Park ser confeiteiro e abrir sua própria doceria depois de se formar e Taehyung o apoiava completamente, até entrou no curso de administração para cuidar dos negócios do namorado. Formavam uma bela dupla desde muito cedo e quando se descobriram almas gêmeas, foi ainda melhor. Era como se o mundo gritasse para eles o quão a vida dos dois seria extremamente perfeita e completa. 

Já o Kim, trabalhava em uma espécie de livraria com cafeteria de Kim Namjoon, um rapaz sábio de covinhas fundas e sorriso gentil que estava noivo de Park Sooyoung. Taehyung gostava muito de trabalhar ali por causa da aura leve que o lugar possuía e da facilidade em encontrar livros de receita que às vezes Jimin precisava em suas aulas. No entanto, havia um único problema; odiava café mais do que tudo em sua vida. 

— O Yeonjun me mandou mensagem hoje de manhã — Jimin falou de repente depois de colocar o cinto de segurança, observando a bonita imagem de Taehyung manobrando o carro para sair da garagem. 

Yeonjun era seu irmão caçula, tinha dezesseis anos e idolatrava completamente Taehyung. Até mesmo tinha pintado seu cabelo de azul para imitar o mais velho. Jimin entendia em parte aquela fascinação que seu irmão tinha com seu namorado, Taehyung era realmente incrível. Era popular na época da escola, bonito, educado, sempre gentil com todos e tinha uma genialidade diferente do normal. Mas o Park não gostava de tanta babação de ovo que seu dongsaeng tinha, sempre bajulando o mais velho e engrandecendo qualquer coisa que o Kim fazia. 

Aquilo o irritava de certa maneira.

— O que ele queria? — Perguntou após começar a virar o volante, saindo do prédio e entrando na rua calma que moravam.

— O que você acha? — Revirou os olhos — Queria ver você né, estava reclamando sobre você não estar mais mandando mensagem ou algo assim... Eu disse que você estava ocupado, mas parece que minha palavra não vale mais nada para aquele pirralho — bufou, balançando a cabeça negativamente.

Taehyung soltou uma pequena risadinha. Sabia que Jimin e Yeonjun se amavam demais e eram super unidos, mas também sabia que o Park mais velho tinha certa implicância com o fato de que seu irmão caçula era realmente muito apegado ao Kim. 

Yeonjun era bem fofo. Era um garoto doce e que tinha herdado uma altura invejável que Jimin nunca teve e sempre sonhou. Com dezesseis anos, já tinha 1,75 de altura, dois centímetros a mais que o Park mais velho. E com certeza ele ainda iria crescer mais já que ainda era novo. 

— Não seja ciumento, seu bobo — esticou o braço e acariciou a coxa do mais velho suavemente. — É que dá última vez que conversamos ele estava tendo dificuldades com o Soobin — explicou baixinho —, ele deve saber que eu sou um ótimo namorado e um romântico apaixonado e me pediu conselhos, bebê, nada demais. 

Jimin virou-se para si, fazendo uma careta incrédula antes de tirar a mão do mais novo de sua coxa e o dar um tapa de leve nos ombros. 

— E eu sou um alface nessa relação então né, você é o perfeitão e eu uma pedra que nunca faz nada — revirou os olhos, jogando os fios cinza para trás outra vez, uma mania que o Kim achava linda —, aish... Além de saber que meu irmão pede conselhos a você, descubro que eu sou um nada nesse namoro!

— Você não é um nada, mas é bem dramático — provocou um pouquinho, recebendo mais alguns tapas das mãos pequenas. 

— Se eu estivesse dirigindo ia mandar você sair e ir andando até o trabalho, seu ridículo! — Cruzou os braços, formando um bico lindo que Taehyung morreu de vontade de beijar. Tinha uma enorme adoração por provocar o mais velho, adorava o deixar irritado e depois ficar deixando-o manhoso com coisas bonitas que ia dizendo. Jimin sempre caia na pilha. 

— Deixe de bobeira, você também é um doce, é gostoso, engraçado e lindo demais, sem contar que você é quem mais tem paciência comigo, acha que seu irmãos iria me aguentar? — Foi sincero, virando o carro na outra rua, e olhando para o mais velho por uns segundos. Você apenas conhece uma pessoa de verdade quando convive com ela diariamente; seus gostos, manias, trejeitos… e ninguém além de Park Jimin saberia lidar com tudo isso. — Temos nossa marca tão diferente e especial porque apenas você pode lidar comigo, só você me entende, e aprecia até mesmo minhas piores falhas... Não tem como alguém tirar seu posto. 

Não querendo dar o braço a torcer, Jimin virou-se para a janela, sabia que se encarasse o rostinho bonito de Taehyung não teria como se segurar após ouvir aquelas coisas. Iria querer chorar e beijá-lo até que a lua estivesse brilhando no céu e as estrelas, tão bonitas quanto a que tinha em seu pulso e fazia par com a do Kim, fariam companhia para o bonito satélite cintilante. 

— Sei... 

Taehyung soltou outra risada, voltando a apoiar sua mão na coxa alheia, distribuindo carinhos sobre o jeans escuro do namorado novamente. 

— Voltando ao assunto... Hoje é terça, quinta tenho uma prova e acho que sexta não terei aula, e na segunda que vem não tem prova também, então se você quiser podemos ir nesse fim de semana para a casa dos seus pais — esclareceu rapidamente, retomando o assunto anterior, dessa vez de forma mais séria, sem tirar sua atenção da rua tranquila.

— Não vai trabalhar no sábado? 

— O Namjoon hyung vai fechar, é aniversário dele com a Sooyoung noona, então ele me deu uma folga — sorriu arteiro. 

— Ah, tudo bem então, podemos ir nesse fim de semana, vou mandar mensagem pra minha mãe hoje antes de ir pra faculdade — comentou simples, começando a tirar o cinto de segurança assim que viu o carro se aproximando da confeitaria onde trabalhava. Ajeitou suas coisas, o cabelo e sem perceber arrancou sorrisos apaixonados de Taehyung que o observava se arrumando. 

Virou-se para o namorado, se esticou, tocou na bochecha mais amorenada e despejou um beijo calmo nos lábios macios. 

— Eu te amo, até mais tarde!

— Eu também te amo, bebê. 

E Jimin saiu do carro. O Kim iria esperar ele entrar no lugar como sempre fazia quando era ele quem dirigia o carro, mas apenas viu a figura bonita de seu parceiro voltando rapidamente, pedindo para que Taehyung abaixasse o vidro para lhe ouvir melhor. 

O de fios azuis obedeceu, ainda com um sorriso sincero moldado no rosto beijado pelo sol. 

— Depois da faculdade eu vou passar naquele restaurante tailandês que você gosta, de lá pego uber pra casa, não precisa ir me buscar, pode ficar estudando em casa, ok? 

— Ok. Mas só ped-

— Sem muita pimenta, eu sei. — Sorriu largo e piscou suavemente, afastando-se do veículo e retomando a caminhar em direção a confeitaria. Não viu quando Taehyung olhou uma última vez para sua bunda durinha antes de enfim, manobrar o carro para sair dali e ir direto para onde trabalhava. 

Passou a língua nos lábios e voltou a dirigir. Estava alguns minutos atrasado e Namjoon iria reclamar com toda certeza. Mas, por sorte, o lugar era bem perto de onde Jimin trabalhava e levou pouco mais de cinco minutos para chegar. Estacionou o carro na vaga para funcionários e saiu pensando em mil e uma desculpas que poderia dar ao chefe assim que ele o visse chegando atrasado. Mas nem Namjoon e nem Sooyoung estavam na recepção e o Kim correu para os fundos para colocar o uniforme e reclamar até o final do expediente pelo cheiro forte de café. 

Lutava todo o dia contra a vontade de revirar os olhos toda vez que alguém dizia amar café; só podiam ser loucos para gostarem daquele troço amargo. Ainda bem que Jimin era apenas fã de chás e bolos. Ele era realmente sua alma gêmea perfeita.

Aish — reclamou de frente à máquina de café quando o cheiro forte dominou o ambiente. —, eu odeio essa merda de cheiro amargo. 

— Mal chegou e já está falando mal do meu café? — Namjoon apareceu de repente atrás de Taehyung com uma sobrancelha arqueada. — Qual o motivo do atraso, Kim Taehyung?

— Er… — o rapaz coçou os fios azuis, bagunçando um pouco a franja. — Então, hyung… eu tava ajudando o Jimin-ssi na cozinha, ele tinha que terminar uma torta para entregar hoje a noite na faculdade. — Sorriu amarelo, tirando de Namjoon um revirar de olhos. Não iria dizer que, como sempre, demorou para acordar e em seguida ficou quase trinta minutos dentro do banheiro arrancando gemidos despudorados da alma gêmea até desfalecerem em prazer no corpo um do outro.

—Eu duvido muito, o Jimin arrancaria seus dedos se você chegasse perto de qualquer prato dele para “ajudar”. Estava dormindo, não é? Você não muda nunca! — O mais velho ralhou, mas riu em seguida, conhecia muito bem Taehyung. — Café expresso para a mesa cinco, anda, vai trabalhar sem reclamar, eu estou de olho. 

— Certo, certo, só não prometo não reclamar — voltou a preparar o café e precisou se segurar para não enrugar o nariz quando o cheiro forte bateu novamente no ambiente. A dificuldade de seu emprego era o dobro por conta daquele detalhe. 

O dia passou tranquilo apesar das dificuldades em fazer café, mas tentou ser o mais profissional possível. Não poderia estar mostrando caretas de nojo para a bebida que servia aos clientes novos e já antigos que frequentavam ali. Apesar de tudo gostava de trabalhar ali, gostava do fato de que no fim do espaço, bem atrás das mesas para que as pessoas sentassem, haviam prateleiras de diversos livros e os clientes poderiam se sentar nas confortáveis almofadas bem distribuídas. 

Iam lendo, bebendo e alguns até mesmo faziam seus trabalhos de faculdade ou escola ali, tomando a bebida amarga para os manterem acordados. O Kim gostava quando alguém passava pela porta e pedia ajuda para encontrar alguma obra literária e o rapaz de fios azuis poderia se ver longe da máquina, sentindo o cheiro bom dos livros novos e antigos. 

Passava o dia daquele jeito, conhecendo pessoas, ouvindo histórias engraçadas ou tristes sobre alguns dos casais que iam ali. Também ouvia os resmungos de pessoas da faculdade que reclamavam sobre como era ruim ficar longe de sua alma gêmea por conta do quão puxados seus cursos eram. Taehyung agradecia por ver Jimin todo dia, por ser acordado por ele, por dormir abraçando-o a cada noite, sentindo seu maravilhoso cheiro e desfrutando de uma nova e deliciosa sobremesa todo domingo enquanto se aninhavam no sofá para maratonar algum anime ou série da Netflix. 

Não era atoa que sua marca com Jimin era completamente diferente das de todo mundo. Era comum que almas gêmeas tivessem traços simples em seus corpos, mas que eram idênticos ao de outra pessoa. Seja uma marca de nascença em algum formato nada grandioso, era sempre simples, uma pinta diferente, uma cicatriz que ninguém sabia como havia sido feita... A de seus pais era assim, os dois tinham um corte idêntico no cotovelo. Mas, a sua marca com a de Jimin era rara, algo diferente de tudo. 

Em seu pulso carregava uma estrela azul, uma marca de nascença em forma específica que não seria nada demais, se é claro, não tivesse a coloração azul safira. Era linda, Taehyung todo dia a admirava com amor, era uma marca que desde sua infância despertava inveja em todo mundo. E só ele e Jimin tinham aquilo, no mundo inteiro. 

Era um símbolo mais do que especial, para uma relação mais do que especial que tinha com o mais velho. 

E sempre que o Kim tagarelava sobre aquilo para algum cliente que perguntava, qualquer um conseguia perceber o amor e felicidade em sua voz. Falava daquele cujo sua alma estava ligada para sempre, Taehyung nunca conseguia esconder sua euforia, os sorrisos bobos ao mencionar como amava-o em demasia e como era feliz por tê-lo como apenas seu.

Taehyung era um bobo apaixonado por Jimin e não escondia isso de ninguém. 

Quando o final do expediente chegou, perto das seis horas da tarde, Taehyung tirou o uniforme e voltou a vestir sua própria roupa se despedindo de Namjoon e de Sooyoung com acenos de mãos e sorriso aberto, indo buscar Jimin em sua confeitaria preferida. 

Enquanto caminhava até o estacionamento, parou por alguns segundos para observar o pôr-do-sol e a lua que já aparecia na vasta imensidão púrpura do céu de Seul. Taehyung amava o céu, talvez este houvesse sido o motivo para pintar seus fios — naturalmente castanhos — num tom celeste. 

O caminho para o trabalho do Park foi tranquilo como sempre e quando chegou, apenas buzinou e Jimin apareceu saltitando até o veículo entrando no carro. Beijou os lábios cor de pêssego do Kim e colocou o cinto de segurança.

 — Passa em casa pra eu pegar a torta, Tae, por favorzinho. — Pediu voltando a encostar os lábios fartos nos de Taehyung que sorriu e assentiu bobinho de amor. Foram rápido em casa para pegar a torta e se puseram a ir para a faculdade. As aulas começavam às sete e meia e ainda tinham muito tempo para o início do período letivo daquele dia então foram para o refeitório encontrar seus amigos e ficaram por lá até o sinal tocar e terem que se separar com beijos gentis e sorrisos afáveis. 

[...]

Assim que suas aulas acabaram, Jimin foi direto pedindo o uber enquanto descia rapidamente a escadaria da faculdade, indo ao encontro da entrada. Poucos minutos depois já estava entrando dentro do carro cinza, recapitulando com ele o endereço do restaurante. 

Não era muito longe, mas ainda assim demorou quase 20 minutos para chegar. Assim que entrou no lugar fez o pedido, nunca esquecia cada detalhe daquele prato, o preferido de Taehyung na culinária tailandesa. Esperou ficar tudo pronto e seu nome ser chamado, pagou e chamou por outro uber. A volta para casa demorou um pouco mais, quase trinta minutos até ser deixado na porta da residência que dividia com o namorado. 

Abriu o portão do apartamento, subiu pela recepção e cumprmentou o homem que ficava ali, mas Jimin sempre se esquecia do nome. Pegou o elevador e esperou as portas se abrirem, caminhou pelo corredor silencioso, tirou a chave de casa do bolso de sua mochila e destrancou a porta. 

O cheiro bom de onde morava logo invadiu seu corpo, fazendo sorrir bobo. Tirou os sapatos, foi logo para a cozinha e colocou as bolsas da comida em cima do balcão, caminhou até a sala e deixou a mochila em cima do sofá. Estalou o pescoço e foi em direção ao quarto, abrindo a porta e vendo o namorado sentado na cadeira em frente a mesa que usavam para estudar. 

Caminhou até o mais novo e o abraçou por trás, beijando sua bochecha enquanto passava seus olhos pelas folhas repletas de cálculos e informações que não entendia nada. 

— Cheguei já — informou, mesmo que nem precisasse de fato —, vamos lá comer. 

— Deixa eu só terminar essa conta — comentou baixo, esfregando sua cabeça na do mais velho como se fosse um gato. — Pode ir colocando a mesa, eu limpo tudo depois. 

— Você sempre fala isso, mas sempre se faz de sonso pra arrumar tudo porque sabe que faz tudo errado! Ai eu que tenho que lavar a louça e o resto — se afastou, revirando os olhos enquanto aproveitava e tirava a calça. Queria deixar as pernas livre, assim como o mais novo estava. Taehyung estava vestido apenas um short folgado que ia até metade de suas coxas bonitas. Nada mais. 

Mesmo a noite, o clima não estava tão fresco. Estavam no meio do verão, as temperaturas estavam altas e os dois detestavam aquilo. Gostavam mesmo era do frio porque podiam se aconchegar um no corpo do outro sem grudarem de suor. 

— Você que é chato demais com essas coisas e eu adoro ficar coladinho atras de você enquanto lavamos a louça — provocou, recebendo um tapa suave na nuca e uma risada bonita em resposta. Jimin manteve-se com a blusa simples de manga que já estava vestido, mas ficou apenas de cueca, caminhando para fora do quarto.

— Você também vai arrumar esse quarto, eu cansei de tanta roupa pelo chão já — falou um pouco mais alto. Taehyung apenas revirou os olhos levemente, voltando a se concentrar nos cálculos que deveria terminar. Também tinha que estudar logo para a prova de quinta-feira, a professora Soyul era uma das mais exigentes que já tinha enfrentado. 

Foi escutando o mais baixo no andar debaixo, arrastando as cadeiras para provavelmente varrer o chão já que Jimin gostava bastante de sua cozinha e sala devidamente arrumadas. O espaço em que moravam não era grande, os dois cômodos antes citados eram separados apenas por um largo balcão e a frente dele tinha uma mesa com quatro cadeiras. Dois metros depois, haviam os sofás da sala de frente para a televisão. 

Não era muito espaçoso, mas era aconchegante para os dois. 

E era somente naqueles dois cômodos que o Park dedicava seus cuidados exagerados com limpeza. A cozinha estava sempre impecável, mas o resto da casa não. O banheiro ele enrolava para lavar, o quarto estava sempre com roupas do Kim espalhadas pelo chão, a área de serviço onde lavavam as roupas às vezes estava molhada por conta da janela que quase nunca fechavam, e quando chovia, molhava todo o local, mas quem disse que Jimin se importava? Se sua cozinha estava perfeitamente limpa, o resto não conseguia ser importante. E então cabia a Taehyung limpar tudo, secava o chão da área de serviço, tirava sempre as roupas da corda já que Jimin sempre usava a desculpa de não alcançar o varal direito. Lavava o banheiro pelo menos dois dias da semana, limpava o hack da sala e lavava as cortinas. Recolhia toda a roupa espalhada do quarto, trocava os lençóis e arrumava o guarda roupa em seu tempo livre. 

Mas nunca, em hipótese alguma, mexia na cozinha. 

Lógico que entrava, preparava uma vasilha de cereal ou chá simples pra tomar de tarde, mas só. Taehyung era um verdadeiro desastre ali e Jimin não queria correr o risco de ter seu cômodo tão amado vítima de uma explosão porque o Kim resolveu fazer o almoço. 

O Park sempre fora assim, até mesmo em sua casa antiga, reclamava e discutia com seus pais a todo momento, surtava e xingava Taehyung quando ia para a casa do namorado e via tudo sujo, desordem dentro da geladeira, marcas de fritura no fogão, panelas guardadas de forma desleixada... 

O ápice de uma briga entre os dois foi quando Taehyung resolveu lavar a louça para agradar sua amada alma gêmea e ganhou uma noite inteira de discussão porque aparentemente a esponja estava cheia de óleo das panelas que ele havia lavado e agora estava passando tudo para os copos que estavam sendo limpos por último. Havia respingos de espuma no chão e o Kim havia usado o produto errado para limpar o fogão, deixando pequenas manchas que fizeram realmente Jimin chorar. 

Não achou o motivo bobo, sabia que o namorado tinha certas manias com aquilo tudo, reconhecia seu erro ao ser distraído demais. Porém sua cabeça quente naquela noite lhe fez dizer coisas ruins que magoaram aquele que amava. 

Ficaram quase dois dias inteiros amuados e trocando poucas palavras até que as desculpas sinceras viessem de ambas as partes. Desde então Taehyung se esforçava para não magoar Jimin nunca, não magoar aquele a quem sua alma estava ligada. Não conseguia pensar na hipótese de ferir alguém que tinha aquela ligação, magoar e prejudicar sua outra metade. 

E Jimin também pensava igual. 

Assim que Taehyung terminou de fazer todas as contas, fechou o caderno e se levantou, não pegou as roupas do chão apenas saiu do quarto, vendo Jimin terminando de colocar as coisas em cima da mesa. Foi atrás do garoto e o abraçou, começando a beijar seu pescoço macio suavemente. Sentiu quando o menor se arrepiou próximo a nuca e gostou daquilo, continuou o beijando enquanto apertava-o em seus braços por mais alguns segundos. 

— O que você comprou? — Perguntou ao caminhar até uma das cadeira. 

— Tom Yum Goong...

— Pediu sem-

— Sim, pedi sem pimenta, Tae — deu um sorrisinho, arrastando uma das cadeiras para mais próxima do Kim, colocou a sopa em uma das vasilhas e deixou-a ali para que o mais novo se servisse. Viu o namorado quase não pegar cogumelo nenhum para que Jimin tivesse mais em seu prato já que gostava bastante. 

Deu um beijo suave na bochecha dele e começou a se servir logo depois. 

— Me fala como foi sua nota lá com a sua torta, amor... — Começou a mastigar um camarão. 

— Tirei a nota máxima, o professor disse que apenas eu consegui deixar a massa na espessura certa — sorriu animado, mexendo seu corpo enquanto demonstrava a felicidade que estava sentindo. 

— Parabéns, amor — levou uma de suas mãos até a coxa exposta do namorado, acariciando suavemente o lugar —, eu disse que estava ótima, disse que você sempre acerta tudo, você nasceu para cozinhar. 

— Mas eu fico inseguro do mesmo jeito... Não quero ficar me isolando em uma bolha de confiança e depois quebrar a cara... — Soltou um suspiro, arriando um pouco os ombros enquanto cutucava as folhas de lima com o hashi descartável que estava usando. 

— Você está certo, mas também não pode ficar apenas se diminuindo, você é mais do que talentoso — se aproximou um pouquinho, continuando a fazer carinho na coxa macia, —, por favor, sempre que pensar que seu prato está ruim, ou que você não é bom o suficiente para completar alguma coisa, pense em cada reação minha após experimentar um prato seu. 

Jimin soltou uma pequena risada, observando os olhos avelãs do mais novo, fitando a pintinha que havia no nariz dele, dos lábios bem desenhados, e os selou rapidamente. 

— Obrigado. 

— Não tem que me agradecer... Agora, me fala quando que vai ser aquela festa mesmo que você mencionou? 

— Nem sei se vamos mesmo, o Hoseok hyung é popular e não estou afim de ficar vendo muitas pessoas olhando pra você — resmungou —, todo mundo tem alma gêmea e ainda ficam olhando pra você. 

— Também olham pra você. 

— Bem menos do que olham pra você. 

— Isso virou alguma competição, Jimin? — Sorriu largo, voltando a comer de forma calma, mastigando enquanto iam conversando. 

— Não, só tô falando a verdade... 

— Mas olhares não significam nada, só estão olhando — deu os ombros. 

Jimin optou por não dizer mais nada, não queria mais continuar aquele assunto. Não gostava dele. Conversas sobre olhar outras pessoas não o agradava muito. 

— Ah... Falei com minha mãe... Ela concordou em irmos lá esse final de semana, disse que está tudo bem e o Yeonjun ficou todo animado. 

Taehyung soltou uma risada, bebendo todo o caldo da sopa. Pegou as malaguetas no fim enquanto deixava uns camarões por último. Jimin também ia tomando o caldo, mastigando conforme deixava o silêncio reinar no cômodo. 

— Assim que eu sair do trabalho, vou logo pra faculdade ir estudar mais antes da prova com o Seojoon, então não precisa me buscar, amor. — Informou calmo. — Na sexta eu vou ao mercado, sei que vamos para seus pais no sábado, mas é que segunda eu quero gastar tempo estudando porque eu tenho prova todos os dias da próxima semana. 

— São difíceis? 

— Não muito, eu peguei fácil as questões nesse período. 

— Isso é bom, amor...

— As suas vão começar quando mesmo? — Perguntou baixo. 

— Daqui duas semanas, na sexta tenho que entregar um prato para outro teste... — Comentou de forma simples.

— E qual é o prato da vez?

— Plankstek — soltou o nome e sorriu vendo a careta de confusão do mais novo — é um bife sueco, é fácil de fazer teoricamente, mas não sei ao certo...

— Sei que vai se dar bem — beijou a bochecha do mais velho. — Se for muito bom, faça no dia do nosso aniversário de namoro. 

— Tá bom — revirou os olhos, pegando dois cogumelos de uma vez para comer. 

[...]

Depois de comerem todo o Tom Yum Goong, lavarem a louça e tomarem mais um banho gostoso, os dois enamorados deitaram-se na cama com a barriga cheia e o coração quente. Taehyung jogou as pernas nuas sobre as coxas cobertas pelo pijama quentinho e o abraçou forte, enterrando o rosto do pescoço alheio. 

 

07-08-19, Quarta-Feira

No dia seguinte, sentindo o peso de Taehyung todo posto em cima de si, Jimin abriu os olhos com preguiça e tentou se soltar devagar sem acordar o mais novo que ainda dormia como uma pedra. Claro que não iria acordá-lo ainda, faria o café da manhã primeiro e quando tudo estivesse pronto voltaria ao quarto e acordaria o Kim. Era sempre assim e Jimin já estava acostumado com aquela rotina.

Desceu as escadas depois de estalar as costas no meio do caminho e entrou em sua amada cozinha para preparar algumas simples torradas com geleia e um chá de hortelã para beberem antes de irem para o trabalho. Gostava de variar no café da manhã, às vezes realmente fazia arroz e peixe com um pouco de molho de Kimchi como Taehyung tanto gostava, mas agora que seu conhecimento culinário estava bem mais avançado, Jimin gostava de ir variando, trazendo pratos orientais e ocidentais à mesa. Também evitava tomar café porque sabia da aversão que o companheiro tinha para com aquilo, então optava por chás, vitaminas de frutas deliciosas ou até mesmo sucos geladinhos. 

Fez tudo rapidinho com um sorriso no rosto, realmente era apaixonado por culinária e até mesmo um simples preparo de torradas com geleias deixavam o Park extremamente feliz. Arrumou toda a mesa e voltou para o quarto a fim de acordar finalmente a alma gêmea dorminhoca que possuía. Como já era de costume, as roupas de Taehyung estavam espalhadas pelo chão e ele, agora, se encontrava esparramado na cama com o lençol cobrindo apenas a virilha nua. As pernas bronzeadas estavam para fora do tecido e o tronco esbelto todo aberto para cima, a respiração serena. 

Jimin amava observar Taehyung dormindo, mesmo que babão do jeito que era, ele ainda ficava belo embolado contra os lençóis finos. O Park poderia dizer que a imagem daquele homem era ainda mais bonita do que a de um Deus Grego. O Kim tinha cílios longos e sobrancelhas grossas, os lábios finos e rosados como pêssego e os cabelos azuis como o oceano mais calmo do Pacífico. A pele bronzeada sendo uma das coisas mais lindas que já vira em toda sua vida. 

Caminhou devagar até a cama, debruçando-se sobre o corpo adormecido do companheiro e beijou-lhe a bochecha com gentileza, raspando o nariz na pele escura até o mais novo se remexer indicando que estava despertando. 

— Bom dia, minha metade. O café da manhã está pronto — falou baixo, agora perto do ouvido do outro, beijando a argolinha de prata solitária. 

— Já é de manhã? — Taehyung se remexeu sonolento, a voz ainda falha pela falta de uso, exibindo ainda mais o corpo nu para o namorado que sorriu bobinho. O pingente que tinha pendurado em seu pescoço remexeu-se com o movimento, e a estrela reluziu um pouco sobre a falta de luz do cômodo.  

— Já sim, meu dorminhoco preferido. Vamos tomar banho, eu esperei você. — Jimin disse mudando o semblante carinhoso para algo que se assemelhasse ao safado, retirando do Kim a mesma expressão. 

Taehyung se levantou no mesmo instante puxando o Park para perto de si e arrancando o pijama do companheiro que suspirou quando os lábios se tocaram — não era como se ligassem para o fato de ainda não terem escovando os dentes quando conviviam dessa forma a anos — e aos tropeços chegaram no banheiro para tomarem banho. O que demorou de acontecer, principalmente porque Taehyung acordava com uma enorme vontade de sempre fazer amor com Jimin antes de saírem de casa. Acreditava que o seu dia seria bom se o começasse daquele jeito.

Depois de finalmente satisfeitos de coração, alma e barriga, as dois rapazes saíram de casa para o início da jornada daquele dia e, dessa vez, quem estava no controle do volante era Jimin que deixou Taehyung na cafeteria barra livraria e encaminhou-se para sua doceria favorita pronto para confeitar doces e mais doces junto a amável senhora Ryu Dayoung, que tratava-o como seu netinho querido. 

— Vê se não reclama demais hoje viu, Tae — Jimin falou divertido quando estacionou o carro em frente ao trabalho do companheiro que enrugou o nariz e lhe roubou um selinho rápido. — O Namjoon hyung ainda vai te descer a porrada algum dia desses, tenho certeza.

— Eu amo você também, e vê se toma conta da Sra. Dayoung e me traz uns docinhos deliciosos hoje — roubou mais um beijinho dos lábios grossos de Jimin e saiu do carro. 

— Também te amo! — gritou para que o namorado ouvisse e recebeu o aceno de mão do mais novo que já entrava na cafeteria. Deu partida no carro e dirigiu até a sua parada, contente de poder chegar ao local de trabalho finalmente. 

Jimin amava a decoração delicada do lugar, era tudo rosa e cheio de papel de parede de flores clarinhas, lustres brilhantes e pequenos com luzes amareladas e um chão de madeira. Logo que entrava, a visão de todos era agraciada pela vitrine cheia de doces no balcão e logo ao lado as mesinhas na cor branca com banquinhos acolchoados no mesmo tom do papel de parede. 

Ao entrar, a senhora Dayoung estava sentada atrás do balcão, a mulher de rugas e fios cinzas pela idade sempre chegava muito cedo para abrir e esperar seus preciosos confeiteiros chegarem. Jimin não trabalhava sozinho, havia mais duas pessoas sem contar com a senhorinha de sorriso enrugado. Uma menina de fios castanhos e franja bem aparada chamada Taeyeon que ajudava Jimin na cozinha e um rapaz, primo da garota apelidado de Bambam — seu nome era tão difícil até mesmo o portador tinha dificuldades em pronunciar — que ajudava com os pedidos. 

— Bom dia, meu querido pimpolho — a mulher disse sorridente, encarando Jimin com os olhos escuros. 

— Bom dia, senhora Dayoung — retribuiu ao sorriso, indo até a idosa e a abraçando com cuidado para não machucá-la. A mulher era muito carinhosa, gostava de contato físico principalmente daqueles três a qual chamava de neto. E Jimin gostava de sentir o cheirinho de baunilha da mulher sempre que se aproximava. 

— Dormiu bem? Está com as bochechas rosadinhas, gosto quando está assim me faz ter a certeza do quão saudável você é. 

— E a senhora também está com uma aparência muito boa, se alimentou bem hoje de manhã? — Jimin questionou, analisando a idosa com os olhos escuros para ver se estava tudo certinho com ela. 

— Mas é claro, o café da manhã é a refeição mais importante do dia. — Ela lhe sorriu doce. — Agora vá para sua cozinha, o Bambam já está lá bagunçando tudo. 

Jimin enrugou o nariz com a ideia de alguém bagunçando seu ambiente preferido em qualquer lugar mesmo que fosse o colega de trabalho que também entendia de culinária. Correu para onde ficava a cozinha delicada e, assim que entrou no cômodo de cor pastel, ouviu o barulho do metal das panelas colidindo com o chão de cerâmica. Bambam era um desastre sem igual por mais que fizesse ótimos doces no final do dia, ao longo dele, ficava tudo uma ruína. 

— São sete e meia da manhã e você já está destruindo minha cozinha? — O Park perguntou assim que entrou no cômodo, pegando seu avental e chapéu branco para pôr a mão na massa. Bambam o fitou com olhos irritados, mas riu em seguida ao ser ajudado pelo mais baixo ao catar os utensílios domésticos. 

— Não enche, Jimin hyung — riram juntos e passaram a colocar a mão na massa até a senhora Dayoung aparecer na cozinha dizendo que abririam em cinco minutos. 

O movimento da confeitaria estava bom naquele dia e Jimin gostava quando podia fazer o máximo de doces possíveis para os clientes e gostava ainda mais quando a velhinha dona do lugar aparecia com sabores novos de docinhos para que o Park e seu colega tailandês fizessem. Taeyeon, ficava sempre na frente dos bastidores, como garçonete, alegrando os clientes com seu sorriso meigo e olhos brilhantes. Senhora Ryu tinha muita sorte de ter aquele trio consigo de segunda-feira à sexta-feira. 

Jimin confeitou os cupcakes, decorou pequenos bolos no estilo do verão, passou mais de uma hora cortando mangas e kiwis para poder colocar perfeitamente em cima das tortas gostosas que Bambam tinha feito seguindo perfeitamente a receita da senhora Dayoung. 

Quando faltavam apenas duas horas para a loja ser fechada, Jimin se concentrou em fazer gelatinas em formatos específicos para usá-las na decoração dos bolos que iria fazer no dia seguinte. 

[...]

Taehyung estava emburrado naquele dia, mesmo que amasse de todo o coração trabalhar com Namjoon, o cheiro de café o tirava a paciência. Apesar de sempre colocar um sorriso no rosto ao ajudar os clientes na procura dos livros que o lugar possuía, naquele dia em especial, tinha algo o incomodando. Não sabia dizer o que era de todo modo e por isso culpava o odor forte do café. 

Tinha começado a trabalhar ali há pouco mais de um ano, sabia que já deveria ter se acostumado com aquele cheiro, mas não tinha como. Conheceu Namjoon por acaso e depois, em sua busca por emprego o encontrou de novo, se oferecendo para trabalhar ali já que precisava de dinheiro para pagar a entrada do apartamento em que moravam. Seus pais só poderiam lhe ajudar no outro mês e o desespero o bateu com força. 

Mentiu para Namjoon sobre gostar de café, mas em menos de duas semanas sua máscara caiu e logo o mais velho estava a par de tudo. Não o demitiu, apesar das muitas reclamações que Taehyung sempre fazia, ele trabalhava profissionalmente, era eficaz e rápido, sem contar que o rapaz de fios azuis era limpo, lhe ajuda com poucos assuntos financeiros em dicas de como fazer seu dinheiro render mais e arrancar muitos sorrisos animados de seus clientes que ficavam bobos pela beleza descomunal do rapaz. 

Taehyung gostava de trabalhar, gostava demais de ajudar seu hyung, mas aquele cheiro de café era algo que não mudava nunca, não importava quanto tempo passasse. 

— Boa tarde — um dos clientes cumprimentou educado assim que se aproximou do balcão, curvando-se um pouquinho —, eu gostaria de um Macchiato pequeno e um Caribenho grande, por favor. 

— O senhor irá tomar aqui ou é para a viagem? — Taehyung perguntou educado, prestes a finalizar o pedido quando olhou para o rapaz alto e de olhos grandes. O cabelo era bem curto e tinha uma mochila grande nas costas. 

— É para viagem, — informou abrindo um curto sorriso pegando a carteira. 

— Tudo bem... — finalizou o pedido. — Deu 4.800 wons. 

— Ok. 

O homem tirou as notas do bolso e entregou para Taehyung, o Kim deu o troco e foi preparar os dois cafés. Não tinha muita especialidade com o Caribenho, sempre errava a quantidade do açúcar mascavo ou do rum. 

Chamou Sooyoung e pediu ajuda para a mulher, olhando atentamente para a forma quase profissional na qual ela preparava a bebida e depois dava os toques finais, colocando ambos os copos na embalagem fechada e entregando para o rapaz que agradeceu com um sorriso e um curvar rápido. 

— Aish... Caribenho e Amaretto são minhas grandes fraquezas — coçou a nuca suavemente, começando a limpar tudo o que havia sido usado para preparar aquela bebida minutos atrás. 

— Namjoonie não havia lhe ensinado a fazer Amaretto?

— Ensinou sim, mas é uma bebida que quase não sai, eu fico meio inseguro porque eu sempre erro também na quantidade do licor de amêndoa. 

Sooyoung soltou uma pequena risada. 

— Você tem uma dificuldade em colocar bebidas alcoólicas em cafés, não é? — Arqueou uma das sobrancelhas escuras enquanto levantava os dois braços para ajeitar o rabo de cavalo alto. Estava bonita, o uniforme da loja sempre lhe caia bem, a fazia parecer mais madura e profissional, mas ao mesmo tempo também lhe deixava com uma aura jovial e leve. 

— Café já é ruim, enfiar um monte de coisas assim parece uma tentativa desesperada de tentar deixar o gosto melhor — resmungou enquanto cruzava os braços, apoiando-se no balcão —, se não gostam é só não beber, acho que quem gosta mesmo de café são os que tomam expresso! Bem puro mesmo!

Sooyoung soltou outra risada, mostrado todos os seus dentes e deixando que seus olhos ficassem bem fechados. 

— Igual aqueles homens que vêm aqui de manhã? — Se referiu ao grupo de quatro homens de ternos e maletas pretas que sempre eram um dos primeiros a entrar na cafeteria, dando um sério bom dia e pedindo quatro copos de café expresso grande. 

Perto de feriados eles sempre deixavam o Kim ficar com troco do pedido, algo em torno de 551 wons já que nunca pediam nada de diferente. 

— Exatamente! Eles nós sabemos que gostam dessa bebida amarga! — Resmungou arrancando um revirar de olhos da garota que era idêntico ao de Namjoon. Os dois sempre tinham aquela mesma reação quando o de fios azuis danava de falar sobre aquele mesmo assunto. 

— Aí, aí... — Deu dois tapinhas no ombro do Kim —, tudo bem, Taehyung, continua com essas teorias aí, vou lá atender a moça que parece estar com dúvidas sobre a localização de algum livro — ajeitou o avental e caminhou até a mulher de aparentemente trinta e poucos anos que olhava confusa para alguns dos títulos de livro a sua frente. 

Taehyung suspirou, estalando o pescoço antes de ouvi a porta da cafeteria se abrindo outra vez. Um garoto de cabelo escuro e olhos redondos como duas enormes jabuticabas começou a se aproximar do balcão. 

— Boa tarde, posso pedir um Caramelo Macchiato só que com a metade da quantidade de café, ou — formou um bico envergonhado nos lábios — quase nada de café na verdade...

— Deseja apenas o leite, chantilly e a calda de caramelo? — Abriu um sorriso largo enquanto anotava aquele pedido e observava como o sorriso do garoto aumentou ainda mais, assim como as bochechas foram ficando ruborizadas. 

— S-seria muito bom... — Sussurrou, mas ainda assim Taehyung conseguiu ouvir a voz melodiosa e tímida carregada por um sotaque que não pertencia a Seul. Os olhos do rapaz parecia reluzir o brilho de todas as estrelas no céu mesmo que parecesse completamente acanhado em fazer o pedido. 

— Deu 4,200 wons — o Kim informou de forma sorridente, achando fofo aquela timidez. O garoto pegou a carteira no bolso da calça, tirou as notas e entregou para o rapaz. Taehyung começou o preparo da bebida, sorrindo por ver que estava preparando uma bebida sem conter café algum. — O senhor vai tomar aqui? — Perguntou rapidamente. Havia se esquecido de fazer aquela pergunta, agora já tinha adicionado a calda de caramelo ao fundo do copo como gostava de fazer, além de adicionar um pouco no meio e pequenos fios em cima do chantilly para não ficar muito enjoativo. 

O moreno abriu a boca para responder, mas viu que o rapaz já estava começando a preparar a bebida ali mesmo. Iria levar para a viagem, beber enquanto ia para casa de seu amigo, mas talvez não fosse uma idéia tão ruim beber sua bebida ali e apreciar aquele lugar que tinha acabado de conhecer. As estantes ao fundo pareciam possuir inúmeros livros distintos e aquilo chamava sua atenção de todo modo. 

— Vou tomar aqui — abriu outro sorriso. 

Taehyung cerrou um pouquinho os olhos castanhos e conseguiu perceber a hesitação do garoto enquanto ele pensava no que lhe responder. Ficou bem claro que o rapaz não queria beber ali, mas ter se submetido aquilo apenas para que o Kim não refizesse o que já tinha feito, foi gentil. E pequenos atos de gentileza eram apreciados por Taehyung.

— Tudo bem — balançou a cabeça positivamente e voltou para o preparo da bebida. Terminou tudo em poucos minutos e entregou para o cliente de forma educada, tendo caprichado mais em cada detalhe. 

— Obriga- 

Parou de falar assim que viu a marca de alma gêmea no pulso do homem de fios azuis. Nunca tinha visto uma marca como aquela, era mais do que óbvio que não era uma tatuagem comum, e sim uma marca linda e única. 

Taehyung também percebeu e sorriu.

— É bonita não é? — Não aguentou, teve que comentar sobre aquilo. 

— S-sim, muito! — O garoto moreno pegou a bebida, tomando um gole pequeno enquanto observava a pequena pinta que o homem tinha na ponta de seu nariz. — A-ah, eu posso ler algo ali? — Apontou depressa para as estantes cheias de livros que ficava mais ao fundo do estabelecimento. 

— Sim. Caso compre algum café conosco você pode ler qualquer livro aqui gratuitamente. Se você quer comprar algum livro, pode e ainda ganha 20% de desconto em qualquer pedido de bebida que você queira! — Explicou de forma calma como as coisas funcionavam por ali, prestando atenção na expressão levemente cansada do garoto. Ele era bonito, parecia curioso e tímido, mas se Taehyung reparasse bem, conseguia notar como os olhos estavam cansados, como olheiras estavam se formando debaixo de seus negros olhos, provavelmente havia tido uma péssima noite de sono.

— Eu posso não comprar um livro, mas reservar ele para que ninguém compre? — Mordeu o lábio inferior com apreensão. 

— Claro, só deixar seu nome comigo e eu separo ele no balcão aqui junto com alguns reservados, mas para lê-lo terá que comprar o café — soltou um risada gostosa, e se esticou no balcão para pegar a caneta e um bloquinho de folhas —, me diga seu nome e depois o nome do livro. Eu vou anotar e quando você quiser voltar, pode pegá-lo. — Sorriu completamente gentil na direção do rapaz. 

— Meu nome é Jeongguk, Jeon Jeongguk.


Notas Finais


Se você chegou até aqui, muito obrigada <33333

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