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História Som de mar - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá! Depois de um tempão inativa, aqui estou eu novamente! Eu pretendo postar novos capítulos recentemente, mas fico desanimada com poucos comentários ou likes, então se vc curtiu só fala um "gostei"! Significa muito pra mim! Críticas são bem-vindas!! Tô bem empolgada com a fic!! Vamos amigar, leitores!!!

Capítulo 1 - Prólogo - Som de felicidade ao acaso


Era frio. 

Não poderia ser diferente; a brisa de outono pairava sob uma praia sossegada e vazia de Busan. A aura, assim como a leve ventania que incomodava, era discreta e melancólica, não condizente com a dorzinha brutal que mal cabia no pequeno coração de um certo jovenzinho de dez anos, que em meio às lágrimas, procurava por algum consolo. Seus cabelos negros, entupidos de gel, encontravam-se bagunçados ferozmente, após sua vã tentativa de descontar a raiva que sentia nos pobres fios. Para piorar o desconforto, tinha aquele terno. Aquele maldito terno preto que pinicava sua pele sensível, e sufocava seu pescoço, em conjunto com aquela gravata azul ridícula. Já não bastava toda a dor que sentia, ainda insistiram em obrigá-lo a usar aquela maldita roupa formal.

“Vovó odiaria essa roupa. Ela me deixaria usar o que eu quisesse, e ainda daria risada dessa gravata ridícula. Fala sério, quem gosta de azul?” 

O garoto fungava, tentando em vão secar as lágrimas e o nariz escorrendo com a manga do terno. Sua mãe havia gasto um dinheiro alugando aquela roupa, mas não é como se aquilo importasse para ele naquele momento. Só queria chorar. Sumir. Ir buscar sua amada avó, seja lá onde ela tenha se escondido. Na sua pequena cabecinha, essa coisa estranha chamada de morte não fazia sentido: sua avó o amava. Então porque foi embora? Nem sequer pode se despedir e contar o pequeno segredinho que todos os garotos guardam a sete chaves, para não serem chamados de maricas; ele a amava. Amava-a com todo seu coração. 

Sentado na areia da praia, com os olhinhos inchados e vermelhos, ele encarava com tanto ódio o mar, que mal percebeu a pequena e desengonçada figura que se aproximava gradualmente. A verdade era que ele não fazia a mínima ideia sobre o porquê de estar ali, naquela praia, naquele instante. Apenas fugiu. Saiu correndo, para fora daquele funeral chato, triste e careta que não tinha absolutamente nada a ver com a pessoa incrível e extraordinária que sua avó era. Quando se deu conta, estava sentado sobre aquela areia macia, fofa e gelada, odiando o mar, como sempre odiou. Detestava praias, ainda mais agora. Era apenas nisso que ele conseguia pensar naquele exato momento: em como odiava praias, e o mar, e a falsa sensação de alegria que ela deveria trazer. Até que, de repente, ele o viu.

Jimin adorava praias, especialmente aquela. Talvez fosse pela areia macia que fazia cosquinhas nos seus pés pequenos e gordinhos, ou talvez fosse o barulho das ondas quebrando que o relaxavam desde que se entendia por gente. Apenas amava caminhar ali, todas as manhãs, depois de comer o café da manhã delicioso que sua mãezinha preparava com carinho todo dia. Sua casa era simples, e ficava tão próxima da praia que podia escutar os sons marinhos toda noite antes de dormir. Ao auge dos seus doze anos, ele se sentia no paraíso. A puberdade ainda não tinha chegado para ele.

Naquela manhã, especificamente, estava feliz. Tinha comido panquecas, iguaizinhas as dos filmes americanos que via semanalmente na televisão. Saiu para sua caminhada diária na praia, até se reparar, ao longe, com uma figura preta e estranha, que se mexia de um jeito engraçado. Com certo receio, ele decidiu se aproximar. Sua mãezinha sempre o alertara sobre falar com estranhos, mas aquele carinha pequeno e pirralho não parecia perigoso, e sim necessitado de carinho. O coração de Jimin, que de acordo com seu próprio irmão, era três vezes maior do que o normal, se derreteu ao ver os olhos redondos e escuros do garoto de terno se desmancharem em lágrimas grossas.

 — Oi! — Jimin exclamou, assim que se estabeleceu em frente ao garoto esquisito usando uma gravata azul. Jimin gostava de azul. Sentado e chorando, o menino se assustou, e arregalou os olhos ao notar sua presença. Analisou de cima a baixo a criatura engraçada, que tinha os cabelos pretos naturalmente bagunçados, e vestia uma roupa inconvenientemente e inteiramente amarela e chamativa. Como sempre de poucas palavras, o garoto tristonho não respondeu nada. —  Olha… se te serve de consolo, eu também choro de vez em quando! Meninos choram também, sabia?

Sentou-se ao seu lado, e encarou o garoto, com um sorriso acolhedor. Passaram-se alguns segundos de silêncio, até que conseguisse falar mais alguma coisa. O garoto pareceu escutar suas palavras, mas voltou a encarar o mar, pensativo e triste.

— Meu nome é Jimin. Eu moro aqui perto. Por que você está usando terno? Não me parece uma roupa adequada para se visitar a praia! — brincou, tentando transformar o clima em um ambiente agradável. — Certo… já vi que você não é muito falante. Você ‘tá de terno e ‘tá chorando. Não me diga que estava fugindo do seu casamento! — Jimin riu, uma risada inocente e contagiante, que, em meio às tristezas do momento, fizeram o pequeno coração do garoto choroso se aquecerem. Um sorriso pequeno e fraco contagiou o seu rosto molhado.

— Espero que não tenha sido isso. Você parece pirralho demais para se casar. Mas eu entenderia o chororô. Afinal, meninas são chatas! — continuou tagarelando, porque era apenas isso que o pequeno Jimin de doze anos sabia fazer. O menino de terno odiava pessoas tagarelas; mas estranhamente, aquela falação inoportuna fez a dor da sua perda suavizar. Como se um anjinho estivesse sussurrando bobagens no seu ouvido. E era bom.

— Toma! — ele estendeu uma conchinha pequena e alaranjada — Eu peguei ela logo ali! Se você acreditar bastante, essa vai ser a sua conchinha da sorte! Daí sempre que você se sentir triste, é só falar com ela que tudo fica bem. Eu já tenho a minha, essa pode ser a sua! — Jimin sorriu, fazendo seus olhos sumirem. Chorando, o garoto se perguntou onde aqueles olhinhos haviam se escondido.

 Voltou os olhos úmidos para o garoto escandaloso. Observou-o por um tempo. Jimin o observou de volta, com um sorrisinho fofo de consolação. Nada mais foi dito. Nada precisava ser dito. Aquele olhar foi o suficiente para que ambos soubessem que, naqueles curtos segundos, estava tudo bem. Encarou suas mãos gordinhas e miúdas, e pegou a conchinha, sem dizer nada.

— Jungkook! — uma mulher adulta vestida de preto gritou ao longe, gesticulando para a criança se aproximar. — Jungkook! Você quase me matou do coração, garoto! Venha até aqui agora ou vai ver só!

Jungkook suspirou, pesado. Levantou a contra-gosto, e caminhou em direção à própria mãe, enquanto sentia o olhar confuso do menino alegre o seguir. Respirou fundo e olhou para trás uma última vez, olhando nos olhos pequenos de Jimin, antes de ir embora para sempre:

— Obrigado, meu anjinho da guarda. — murmurou choroso, em um tom inocente e doloroso. Partiu, levando consigo a gravata azul horrorosa e a conchinha da sorte.

 


Notas Finais


esse foi o prólogo! bem curtinho, só pra dar um gostinho, hehe! logo posto o primeiro capítulo, acompanhem! quem achou fofinho levanta a mão e da um fav ai hehehehe

~fuii


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