História Sombra do Fogo - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Humor, Interativa, Investigação, Londres, Morte, Originais, Tortura, Tragedia, Traição
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Palavras 5.017
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Luta, Romance e Novela, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Quem aí acha que demorei????
Ok ok... Meio cara de pau, mas me perdoem sim? Pfvvv!!!

Ignorem os erros ok? Vejo vocês ali em baixo, aproveitem o capítulo calmo de quase todos.

Capítulo 6 - New Days.


 

Tel Aviv, Israel.

22-03-2018

19:37

 

-Tem certeza que Ghost quer apenas informações sobre o Coiote? – Stephany questionou olhando, como se não quisesse nada, para o grupo de pessoas que saía do prédio, onde a Mossad funcionava. Ali havia Tamir, um secretário de cabelos acastanhados, mais dois homens corpulentos, vestidos com ternos negros e mais uma mulher, com um rabo de cavalo prendendo seu cabelo no alto. – Quem é aquela ali?

-Não sei... não é uma secretária? Ela tem cara de secretaria. – Mask comentou, lançando um olhar analítico em direção a ruiva acaju que adentrava o carro esporte, seguida de Tamir e dos seguranças, deixando o secretário de madeixas castanhas para trás.

-Não com um terno daqueles... Estranho, eu não vi nada marcado para esse horário na agenda dele. -A morena resmungou, nada satisfeita, porém, acabou respirando fundo, aspirando o ar mais frio, mas não menos arenoso, de Tel Aviv. -Ele deve ter marcado em última hora. -Os olhos achocolatados dela se focaram no homem, que não entrou no carro junto com Tamir, ele ainda estava parado, encarando o chão de forma pensativa. -Melhor sairmos daqui, antes que arrumemos algum problema.

-Aham. – Katherine concordou, dando razão a morena, deviam ser quase nove da noite, e isso não era algo normal para duas jovens ficassem conversando, a uma boa distância da rua movimentada da sede. -Acho que precisamos fazer uma pesquisa... suspeito de quem seja aquela ruiva, e esse achado me resultará em um bom motivo para Kléber me dá um aumento.

-Duvido você conseguir. -  A Collier riu daquela possibilidade, pondo-se de pé enquanto guardava o celular, que havia usado para registrar os movimentos do alvo, na bolsa de pano que usava.

-Nunca duvide de mim, baixinha. – A ruiva advertiu de modo divertido, recebendo uma careta da menor.

 

20:05

 

-Kloe Lúkin, atualmente, 27 anos, descendência russa. – Praticamente mergulhada dentro da tela de seu notebook, Mask avisou. -Aparentemente trabalha em uma empresa de fachada de exportação de diamantes.

-Exportação de diamantes? -Stephany, que se ocupava em ler um dicionário em hebraico, levantou o olhar para a mulher deitada na cama. -Se levar em conta a economia forte de Israel, devemos crer que é um bom disfarce.

-Essa mulher, Lúkin, é suspeita de ser a segunda no comando da Desert of Glory, uma agência de espionagem, que funciona quase que basicamente como a Sombra do Fogo.

-Se ela é a segunda em comando, quem é que comanda oficialmente? -Deixando o livro mediano de lado, ela se aproximou rapidamente da mais velha.

-Aqui não fala... mas o que temos já é muito. Aposto que essa daí sabe alguma coisa do coiote, e se Kléber quer todas as informações do amigo dele, bem, essa é uma boa fonte.

-Não seria algo bem mais complicado do que sequestrar o velho? – A agente Arma da Noite perguntou, não descartando a ideia, desviava um pouco dos planos, ficava bem mais complicado, mas não era algo totalmente complicado. Não se descartava a hipótese da Desert of Glory ser bem mais perigosa. -Nunca ouvi falar dessa organização.

-E nem eu. Sinceramente, se levarmos em conta que a SF também gosta de se manter escondida, não chega a ser surpresa. – Mask se sentou, cruzando as pernas e pondo o travesseiro em cima de suas coxas para apoiar o notebook, mas seu olhar se focava na sua parceira de missão que parecia ponderar uma longa lista de altos e baixos. – O que acha?

Stephany encarou o tapete felpudo do quarto do hotel, seu polegar direito preso entre seus dentes. Edgar ordenou que sequestrassem Tamir, isso era fato, mas qual era o relacionamento de Tamir com essa nova organização?

-Vamos seguir com o plano. Desert of Glory será apenas uma consequência. -Finalizou, pondo-se de pé e indo em direção a sua bolsa. -Preciso ligar para Toxina Zero, talvez ele saiba algo mais que não temos conhecimento sobre essa “russa.”

-Quem seria esse? -A ruiva perguntou com certa confusão, o codinome “Toxina Zero” lhe era vagamente familiar.

-O nosso segundo chefe. – A mais nova respondeu, não mais surpresa com a confusão da maior. Mask não parecia ter muito interesse em decorar nomes e codinomes.

-Ah, tá! – Ela lembrou, concordando sem muita firmeza, voltando a pesquisar sobre a missão enquanto a menor se afastava, indo até a sacada.

Stephany não tinha muita certa para qual número deveria ligar, poderia até tentar Ghost, porém, o mesmo vivia trocando de número, portanto, resolveu tentar o que tinha um ícone de “T” em verde, demorando algumas tentativas até que fosse atendida.

-“Armys!!” – A voz animada de Tiago soou do outro lado da linha, a fazendo sorrir minimamente enquanto olhava a grande lua arredondada no céu.

-Oi, tudo bem? Espero que sim, preciso tirar algumas dúvidas. – Avisou, quase que em um fôlego só, encostando-se no apoio de vidro e aço.

-“Hum.” – Escutou um resmungar mais sério, vindo do mais velho. – “O que seria?”

-Conhece uma Kloe Lúkin? Segunda a gerenciar uma organização chamada, Desert of Glory? -Perguntou sem rodeios, seus olhos já estavam cansados, havia passado a tarde dentro do quarto de hotel, estudando a língua local e como resultado suas pálpebras tremiam levemente.

-“Kloe Lúkin? Não, mas conheço um Dmitri Lúkin.” – Respondeu, segundo do som de folhas sendo rasgadas e um praguejar alto de “nada útil"–“.” Eh... Ele foi o ex-líder da Desert of Glory, acho que morto aos 54... 57 anos.”

-Assassinado?

-“Provavelmente. Moran Czar assumiu seu lugar como pessoa mais competente... pelo menos foi isso que fiquei sabendo, isso aconteceu antes de eu entrar para a SF, mais ou menos na época de Michael.”

-Entendi. – Assentindo involuntariamente para o nada, ela encarou a Carlheinz focada em seu trabalho. -Meu alvo tem algum envolvimento com essa “Lúkin”. Eu e minha parceira devemos ir mais a fundo? Sabe, investigar mais sobre isso e de quebra conseguir as informações que nos foram ordenadas?

-“Deve.” – Dessa vez quem respondeu foi Ghost, seguindo de um aviso de Tiago, sobre ter posto a chamada no viva voz. – “Desert of Glory não é nossa aliada, no entanto, não é a nossa rival, então tomem cuidado redobrado e pensem antes de agir, não vai ser bonito ter esses russos no nosso pé.

Armys levantou uma sobrancelha, um tanto surpresa por ambos os “agentes” estarem juntos, até onde ela havia sido informada, Toxina Zero deveria está de férias, mas logo a sua surpresa parece infundada. Claro que Toxina Zero não estaria mais de férias! Não com a Sombra do Fogo cheia de problemas!

-Okay. – Pronta para encerrar, completou. – Obrigada por ajudarem. Assumimos daqui.

 

 

Bombaim/Mumbai, Índia.

22-03-2018

21:43

 

Júlio mantinha-se encostado no parapeito da sacada de sua suíte, seu olhar perdido em qualquer canto da visível e extravagante piscina do hotel. Tinha de admitir, aquela era uma boa visão, as palmeiras de ostentosas folhas verdes e corpulentas, piscinas, agora vazias, brilhando pela luz de led em seu interior e uma leve brisa fria. Poderia passar um tempo assim, mas para a sua infelicidade, seus pensamentos logo foram substituídos por outros, mas exatamente para o simples plano que a loira havia arquitetado, claro, com uma leve ajuda sua.

Basicamente ele teria que distrair a secretária pessoal de Ashok Chaturvedi, já que ele não era alguém de fácil acesso e muito menos permite que publiquem sobre a sua vida, não tinha um escritório fixo, por isso, precisam dos arquivos que supostamente a mulher tem, arquivos esses que poderiam conter os compromissos do alvo e até informações do Coiote.

O momento perfeito seria em uma evento de “confraternização” da elite Indiana, onde ambos estariam.

O segundo passo era com a platinada, que com as informações em mãos, poderia traçar o destino do Chaturvedi e achar a melhor maneira de prosseguir.

Raven tinha um potencial notável, uma agente moldada com o objetivo de substituir alguém querido. Red tinha de admitir que o resultado foi bem “aceitável”

Richard Moore era o “alguém” Júlio havia lido esse nome a muito tempo. Pertencia a um agente de alto calibre que atendia pelo codinome de Chard, morreu em missão, mais detalhadamente, na mesma missão em que o pai do arruivado voltou vivo por um “triz”

Red havia praticamente crescido com seus pais trabalhando na Sombra do Fogo, sabia que baixas do tipo não eram comuns, no entanto, mesmo que seu pai e sua mãe pedisse uma apuração mais detalhada do caso, o patriarca Meryt não autorizou.

Pelo menos era o que havia ficado sabendo, já que tal assunto não foi mais pronunciado entre os Francis. Red até tentou investigar, apenas por curiosidade, mas como suspeitou, os arquivos haviam sido deletados, menos a ficha do “Chard”

Posso não acreditar em destino, mas aquela loirinha ainda vai se ajoelhar para mim. -O homem abriu um sorriso para si mesmo, enquanto saía da sacada, fechando a porta de vidro atrás de si. Não se sentia cansado fisicamente, mas mentalmente era o dobro da sensação, investigar o passado da platinada trouxe a tona lembranças que ele vem tentando ignorar a tempos e que mesmo assim ainda tinha seus efeitos.

Negando avidamente, como se quisesse afastar aquelas lembranças, pôs a se despir, ainda era cedo, ainda teria tempo de aproveitar o que a noite de Mumbai tinha a lhe oferecer.

 

Pullach, Alemanha.

22-03-2018

22:16

 

-Eu acertei… pena que suas pernas não ficaram visíveis. -Trevo disse, com um falso ar decepção, arrumando a própria gravata apenas com uma mão, mas não antes de lançar um olhar zombador a loira ao seu lado, que mantinha os braços cruzados juntamente com uma careta de desgosto. -Ótimo, você já está no clima, isso é bom.

-Apenas cale a boca e siga o plano. - Caméléon ordenou, sem alterar sua expressão e muito menos descruzou os braços, cobertos pelo tecido do terno negro.

-Ah… sim, o plano. -Revirando os olhos, o agente pisou mais fundo no acelerador da van negra em que estavam, desviando dos carros que estavam à frente deles. -Olhe no porta luvas, a empregada do hotel comprou algumas coisas que pedi, você vai precisar. Quando eu estacionar não seremos nada mais que colegas de trabalho, trajados em um disfarce de desconhecidos e prontos para proteger com as nossas vidas a integridade física do Schindler.

Antes de fuçar o porta luvas do carro, Amanda não resistiu ao ímpeto de lançar um olhar incrédulo para o motorista ao seu lado.

-E desde quando foi diferente?- Questionou negando com a cabeça, abrindo o que lhe foi pedido, revelando um pequeno estojo cinza, dentro, três seringas com um líquido arroxeado. -Veneno? Desde quando uma empregada aceitaria comprar algo como isso?

-Suborno. É um bom meio para elas terem um dinheiro extra. -Respondeu com simplicidade, sem esconder o sorriso mínimo em seu lábios ao constatar que conseguiu chamar a atenção da platinada… mínima, mas conseguiu.

-Hum. -Ela resmungou, recolhendo uma das seringas e a escondendo no bolso interno de seu terno, antes que ficasse ainda mais tentada a afundar uma das agulhas no pescoço do mais velho, afinal, ele é que estava dirigindo. -Para quê três? Alfa Uno não irá se infiltrar.

-É para você, caso algo dê errado, coisa que duvido. -Franzindo o cenho, o homem olhou pelo retrovisor, localizando outra van, idêntica à deles a uma distância consideravelmente perto, mas suspirou, retornando a falar. -Pronta? Porquê o grandão com certeza já está, e nosso alvo está bem atrás de nós.

Ela apenas concordou, se retirando para a traseira do automóvel, dando a deixa para “Trevo” desacelerar drasticamente, causando um desvio forçado dos carros comuns e certa confusão no motorista do carro dos reais seguranças atrás deles. Emparelhando com a van o Collard resmungou uma ordem, que foi imediatamente obedecida, fazendo Caméléon abrir a porta em um rompante.

Os carros estavam bastante próximos, próximos o suficiente para os seguranças ficarem em alerta, mas já era tarde demais. Com a mesma facilidade com que abriu a porta da van em que estava, a parceira de Trevo abriu a do outro veículo, pulando sem nenhum medo.

A agente da Sombra do Fogo atingiu primeiramente a mulher de cabelos negros, sentada no banco do carona, tendo tempo o suficiente de a empurrar contra o parachoque, mas não para evitar de ser jogada para o lado quando o carro fez uma curva forçada pelo segurança que já se preparava para empunhar a sua arma. No entanto seu corpo pendeu para a frente assim que uma bala atravessou a janela ao seu lado, acertando um pouco acima de seus tímpanos.

Caméléon não demonstrou surpresa, mesmo sabendo quem foi o responsável pela bala.

Recuperando o equilíbrio o mais rápido que pôde para retornar a direção do carro, evitando que ele ficasse mais descontrolado. A porta foi aberta novamente, mas dessa vez por Alfa Uno, que sem falar nada pegou o corpo feminino ainda no carona e retirou o crachá metalizado do terno, logo jogando o corpo na van que havia acabado de sair, fazendo a loira sentar lá e desprender o cinto do motorista, facilitando a remoção do corpo sem vida pelo maior, tendo o mesmo destino da falecida parceira.

-Pronto.- Ricardo finalizou, tomando a direção, fazendo sinal para o motorista que havia lhe dado “carona”. Pullach tinha um impressionante acervo de agentes aliados SF, infiltrados em missões paralelas, portanto não foi difícil encontrar um dispostos a ser piloto de “carro funerário”.

Sem nenhuma mensura, a platinada pegou os crachás, fazendo sinal de concordância, logo saindo pela mesma porta que entrou, dessa vez com mais equilíbrio do que dá primeira vez, mas foi surpreendida ao cambalear para frente com a guinada do carro para frente.

-Seu idiota!! -Ela xingou irritada, recobrando o equilíbrio ao se apoiar no próprio banco e voltar a segurança do cinto.

-Prefiro xingamentos melhores, na cama de preferência. -Trevor comentou, dessa vez baixo, voltando a atenção para o retrovisor e vendo a van, agora pilotada pelo Alfa, se perder entre os outros carros. -Primeira parte feita.

-Óbvio. Estou ansiosa para sermos apenas “colegas de trabalho”. -Ela resmungou com esperança, deixando bem evidente que haviam sobrado duas seringas ao depositá-las  sem nenhum cuidado a vista dele. -Nunca me subestime.

-Nunca me subestime. -Trevo repetiu, com um sorriso igualmente convencido, sacando a própria pistola do terno e a exibindo para a loira. -Não perca o equilíbrio da próxima vez, era minha última bala especial, devia me agradecer com beijos e não com algo do tipo…

-Ainda sobrou duas seringas, continue falando e sobrará apenas uma. -O olhar esverdeado da loira foi mortal, fazendo o mais velho engolir em seco.

-Okay… sem beijo então!

-Bom garoto.

 

23:57

 

O mundo de Ricardo estava de cabeça para baixo, literalmente. O agente da CIA se encontrava de cabeça para baixo em uma das barras instaladas na academia Lost Mill.

Ele forçava seu torso para cima em um abdominal avançado. Alfa Uno não estava se importando com a quantidade de suor que o seu corpo expelia, queria manter a sua mente focada na missão e naquele exercício básico.

Já havia feito a sua parte nessa etapa da missão, agora teria de esperar, viajar ao amanhecer para a outra sede em Berlim.

O equipamento que havia comprado já se encontrava arrumado na grande bolsa, depositada em seu quarto, no segundo andar daquele prédio. Não sentia remorso do que iria fazer, afinal era preciso, ninguém ali era exatamente bom, havia pesquisado. O alvo deles não é conhecido por contratar pessoas com índoles boas. Muitos eram assassinos e ladrões, outros haviam saído da prisão a pouco tempo.

Desprendendo suas pernas da barra de aço, o brasileiro se deixou cair o mais confortável possível no chão, não se importando com o alto barulho que causou na academia, já fechada por causa da reforma. Caminhou até o grande garrafão térmico vermelho e se serviu de água.

Muitas vezes passava horas treinando, ou até mesmo em missões de baixo escalão. Isso pelo menos o distraia do passado, das lembranças e consequências desse passado que aos poucos tentavam lhe atormentar. Mas pela primeira vez naquela fatídica semana e se sentiu cansado, tão cansado ao ponto de se deitar no tatame frio e encarar o teto de gesso, onde por sinal havia trilhas de infiltração.

Guerras não eram boas, guerras não tinham um lado bom e um lado ruim, havia apenas dois lados tirando as vidas uns dos outros por terem opiniões diferentes. Ele participou o bastante de confrontos do tipo para saber como isso funcionava.

 

Langley, Virginia. EUA

23-03-2018

10:19

 

-A CIA gosta de se exibir bem mais que a Sombra do Fogo. -Anonymus comentou, analisando as plantas do prédio da agência americana em cima da mesa da cozinha de Sharp. -Mas devo admitir que é porque eles são bem mais públicos que nós.

-Certo. -A morena concordou um tanto pensativa, encarando específicamente a planta onde continha uma visão geral de quantos andares o edifício tinha. - 12 andares acima da superfície, mais dois abaixo.

-A sala que queremos é a última. - A hacker apontou, indicando uma das pontas. -Ela possivelmente tem dois seguranças a vigiando a entrada e mais dois ou três do lado de dentro, afinal, tem muitos arquivos importantes ali.

-Isso foi uma indireta de que não devo ser pega, caso contrário série capturada, interrogada e pior das hipóteses morta?

-Não… bem… alto do tipo. -A caramelada concordou, lançando um breve olhar preocupado para ela. -Mas isso não vai acontecer, segundo o que sei de você, você não hesitaria em usar esse bisturi que você mantém escondido no couro da bota.

-E você só sabe porque também tem uma navaja escondida. -Sharp retrucou com um sorriso divertido, arrancando uma careta de Nathalie.

-Touché! -A hacker mudou as posições bebê algumas das folhas , revelando um dossiê de capa vermelha, na etiqueta mostrava o nome de Noah, coisa que atraiu imediatamente a atenção da médica. -Ela tem as respostas sobre o Noah… se isso lhe dá uma coragem a mais para não ter medo.

-De onde você conhece ele? -Derrepente a morena pareceu mais atenta, arregalado.

-Não conheço ele, não pessoalmente, mas ouvi falar… na verdade li. -Empurrando a pasta para sua parceira, que pegou apressadamente. -Você sabia que ele era um aliado da Sombra do Fogo, não é?

-Não. -Por um momento a Belline sentiu sua garganta secar, mas isso não lhe impediu de encarar a primeira página como se fosse um animal traiçoeiro.

Ali estava a foto dele. Noah Vender e seus cabelos castanhos, puxando um tanto para o ruivo cobre e olhos de um verde tão escuro quanto uma jade na noite. Abaixo da identificação enquadrada havia sua data de nascimento, seguido de reticências… é isso tomou uma batida descompassada do coração da morena, que teve de recuar alguns passos até cair sentada no sofá.

Ele está vivo!- Pensou eufórica, seus olhos marejando minimamente, mas não a atrapalhou em sua leitura. -... “Data de Recrutamento: 12-06-2003”... “Área:Ajuda Secundária”... “Status: Desaparecido”... “Completo: Não recuperado, alto risco.”... “Localização Atual: Restrito da NSA.”

-Restrito!?- Sharp exclamou irritada, olhando a mais nova como se a mesma tivesse as respostas. -Como assim? Onde ele está!?

-Não sei, é algo confidencial. - Explicou pacientemente, tendo o conhecimento que aquilo era um assunto delicado para a parceira. -Isso aconteceu algumas vezes, pelo menos na liderança de Michael…

-Como assim?

-Bem… não é algo que eu saiba muito… -Limpando a garganta a menor prosseguiu. -Até onde sei o falecido Meryt prezava por seus agentes, movia equipes e cobrava favores para resgatar quem estava em perigo… e quando não conseguia… bem… havia algum motivo.

-Motivo como….

-Motivo como, missões de alto risco, infiltração ou algo assim. -Nathalie deu de ombros, recolhendo as plantas e começando as enrolar em tubos. -Edgar já nos mandou em missões assim, mas não vi nenhum caso em que ele tenha posto uma tarja preta por cima. Mas uma coisa eu sei. -Ela parou o que estava fazendo para encarar uma Hera de olhar determinado no sofá. -Se entrarmos no sistema da CIA, entrarmos na NSA.

 

Pequim, China.

24-03-2018

13:42

 

-Não devíamos estar em um vôo para a Rússia? -Tiago perguntou, de cenho franzido, encarando um Edgar concentrado em desviar dos carros que encontravam no caminho. Eles já estavam a mais de um dia e meio em Pequim, e depois da discórdia declarada entre o ministro e Edgar, estava surpreso de ainda não terem sido expulsos dali.

-Sim, mas eu não ia sair daqui sem falar com eles antes… oras, não quero ser como o meu pai. -O moreno respondeu, o olhando pela visão periférica, logo trocando de marcha. Tiago apenas assentiu, finalmente entendeu a situação e esperou o mais velho completar, mas não completou.

O Valdez apoiou o braço na janela do Jaguar em que estavam, sentindo o vento bagunçar ainda mais seu cabelo, que não era tão arrumado. O relacionamento de Edgar com o pai não parecia algo tão memorável, pelo menos não quando o líder da Sombra do Fogo lhe explicou.

Michael não era um dos pais mais presente, a organização lhe ocupava muito tempo, tempo esse que não era muito dedicado ao filho, mas isso não queria dizer que eles não tinham momentos juntos. Michael podia faltar alguns aniversários por está em missões de campo, mas quando retornava, tratava de compensar sua ausência com afeto e dedicação, largando muitas vezes compromissos que devia momento  comparecer… pelo menos foi isso que Edgar respondeu quando o Valdez perguntou sobre uma fotografia na casa Meryt, onde os dois estavam reunidos lado a lado, parecendo estar se divertindo com o estado encharcado que estavam.

-No que está pensando? -Tiago se sobressaltou com a voz de Edgar, fazendo o outro rir. -Cuidado, ou então você vai ficar apenas com nove dedos.

-Ha ha. -O agente revirou os olhos, afastando o próprio polegar, que nem havia percebido, dos lábios. Era uma mania sua, não sabia como parar… mas sinceramente não o incomodava. -Não se pode ter tudo o que quer.

-Petulante. -O herdeiro Meryt revirou os olhos, mas não deixou o mais novo quieto, afinal, precisava de algo para lhe distrair. -Eu tenho o que quero.

-Depois eu que sou o petulante, não é?

-Devia ter mais respeito comigo, eu sou o seu chefe! - O acastanhado fez a sua melhor cara de indignação, arrancando uma expressão zombadora de Tiago.

-Nowan, eu por acaso pareço me importar com isso?- Questionando o mais velho, o engenheiro continuou. -Além do mais… para onde estamos indo!?

-Eu devia te ensinar boas maneiras. -Edgar resmungou, ele se importar se o outro escutou ou não, não gostava que o chamassem por “Nowan” eram o sobrenome de sua falecida mãe e não se sentia merecedor de ser chamado por ele.

-O que?

-Eu devia te ensinar boas maneiras, lobinho. - Repetiu, com muito mais malícia do que a primeira vez. -Mas já chegamos onde eu queria.

O Valdez não precisou pensar muito para entender o duplo sentido no ultimato do outro, fazendo seu rosto esquentar involuntariamente. Edgar já tinha uma pose normalmente séria e maliciosa que fazia o mais novo o comparar com um demônio. Mas falando assim, com aquele sorriso estranhamente suspeito, o fez realmente imaginar uma cena tão quente quanto o seu rosto estava.

Se Edgar lançando piadinhas do tipo era estranho?Sim, muito. Se ele estava preocupado com o fato de está sendo usado como uma distração dos problemas “amorosos” do mais velho?Um pouco.

Mas deixou isso de lado ao ignorar tudo aquele clima, em uma tentativa, bem sucedida de evitar uma ereção nada conveniente, ao ver onde estavam e, do nada, lembrou das ordens que deu antes de iniciar a “missão” de resgate do Nowan das mãos interesseiras de Elicar.

-Você veio ver o Cainar! -Concluiu, sentindo um sorriso se apossar de seus lábios.

-Sim. -O motorista disse com simplicidade, tirando a chave da ignição e fazendo sinal para que ele saísse. -Vamos, eu liguei avisando que íamos vim e…

-A Nicole quer o seu fígado. -Tiago constatou com uma falsa esperança na voz.

-Não, ela quer o NOSSO fígado.

Saindo do carro, os agentes olharam ao redor, mais por curtume do quê por segurança. Aquele era um bairro calmo, pelo menos de manhã, e isso era até uma boa coisa para o restaurante a frente deles.

Os líderes da Sombra do Fogo foram prontamente atendidos ao entrarem no estabelecimento comercial, pegando de surpresa o Meryt, que sentiu o seu rosto arder com um tapa que recebeu.

-Olha aqui idiota… se acha que pode nos mudar de um país para o outro como se fossemos boneco ventríloquo, pode ir tirando esse seu alazão da chuva! -A mulher avisou, sua voz soando irritada contra o mais velho.

-Hei… foi o Tiago que transferiu vocês! -Reclamou, alisando o local, que provavelmente estava vermelho.

-Ele estava apenas seguindo as suas ordens!

-É Edgar!Eu estava seguindo as suas ordens! -O Valdez retrucou rindo, aproximando-se rapidamente da mulher de cabelos loiros escuros. -Oi Nico!!... Você está linda como sempre.

-Sei que é mentira, mas vou me iludir um pouquinho! -Ela riu, dando um beijo estalado na face do maior.

-Como se precisasse se iludir. -Nowan sorriu, analisando a mulher de cima para baixo. Nicole era uma mulher linda, corpo bem definido resultado das noites de pole dance, a pele um tanto amendoada assim como os olhos castanhos âmbar, não era tão alta, tanto que ao lado de Tiago se tornava baixa. -Você é linda.

-Não seja puxa saco!-Ela revirou os olhos, mas não segurou o sorriso, não conseguiu ficar muito tempo irritada com ele.

-Que seja. - Dando de ombros, estudou o salão recheado de mesas de madeira, tendo as cadeiras organizadas em suas bordas. -Você parece está dando conta para quem acabou de se mudar.

-Hum, Charles sabe administrar muito bem as coisas por aqui, Deus sabe como ele se esforça no meio dessa baderna toda…

-Charles? -Franzindo o cenho, recebeu uma cotovelada de Tiago.

-Sim. Meu marido, casei no fim do ano passado. -Nicole respondeu com uma careta de desagrado. -Você deveria saber, lhe convidei para o casamento.

-Ah é. -O moreno resmungou sem muita animação, já que lembrava que não havia comparecido. -Cadê o nosso filho?

-Lá em cima, Charles está com ele. -Informou, suspirando logo em seguida para a carranca que Edgar fez. -Edgar…

-Depois conversamos… -Disse neutramente, seguindo com passos rápidos em direção às escadas de madeira que tinha no canto do cômodo.

-Desculpe ele… Edgar apenas não está tão confortável com a idéia de Cain chamar outro homem de pai. -Zero tentou amenizar o clima pesado da mulher.

-Edgar tudo bem. Eu já imaginava isso. -Dando as costas para ele, fez sinal para que o homem lhe seguir. -Vem, vamos tomar um chá, pelo menos aqui se toma tanto chá quanto em Londres.

Quem a via assim tão cordial, poderia afirmar de pés juntos que ela nunca se envolveu com nada de “errado”. No entanto, Nicole já foi dançarina striper e até mesmo cortesã de alguns bordéis. Tiago a conhecia a um tempo, um ano após conhecer Edgar o mesmo apresentou a mãe do filho dele, Cainar, um garoto de 4 anos, que praticamente vivia com a mãe.

Muitos poderiam suspeitar de que esse era o famoso “golpe da barriga” e que o Meryt caiu direitinho, mas na verdade, quem via o garoto tinha total certeza da genética, pois o pequeno era exatamente igual ao moreno, em aparência, quando criança, mudando apenas a personalidade meiga e fofa que o menor tinha.

Nicole e Edgar tinham um relacionamento bom um com o outro, uma vez que o Meryt assumiu a criança e se mantinha o mais presente possível na vida do filho. Tinha conhecimento da vida que o outro levava, e até entendia os motivos do acastanhado não ser tão presente… essa vida tinha riscos para o menino, riscos que ambos não podiam correr.

Logo, os amigos que conversavam na cozinha, viraram-se em direção ao corredor, onde surgiu um homem de madeixas caramelizadas e escuros olhos castanhos.

-Tiago, o cara lá em cima está chamando você. -O novo integrante na cozinha profissional avisou, fazendo careta ao pronunciar a última parte. -Ela parece não ter gostado de mim.

-Ele não gosta de muitas pessoas, você se acostuma. -O vice líder da SF comentou, deixando a xícara de porcelana no Pires e fazendo sinal de agradecimento para a mulher tailandesa. -Obrigado pelo chá. Vou cuidar da minha “criança”.

 Tiago suspirou muitas vezes antes de bater na porta do quarto e não se surpreendeu ao entrar e encontrar os dois acastanhados sentados no carpete azul escuro, cercados de brinquedos coloridos, mais um em especial era agarrado pela criança é mostrado ao pai, que ostentava um sorriso grande enquanto Cainar mostrava o “palaio”

-Olha o palhaço que a mãe dele deu. -Edgar disse, agarrando a criança e a virando para Tiago. -Parece com você!

-Tio Tiago!- O pequeno Meryt correu em direção ao agente, agarrando na perna do Valdez.

-Eae pequeno! -Pegando a criança no colo, Tiago lançou um olhar fulminante para seu chefe. -Babaca.

-Bakaka!- A miniatura de Edgar apontou para o pai, fazendo o mesmo arregalar os olhos. -Babaka!

-Mas que… Tiago! -Ele repreendeu, pondo-se de pé e tirando a criança do colo do outro. -Pare de ensinar coisas feias para o meu filho!

-Foi sem querer! -Defendeu-se, mas acabou rindo da cena em que se encontravam. -Foi você que começou.

-Que seja! -O Meryt mais velho revirou os olhos, arrumando melhor o menino em seus braços. -Nicole está na cozinha?

-Aham… Já vamos?

-Sim. -Afirmou, tomando a frente e saindo do quarto, indo em direção às escadas. -Temos que terminar logo com isso… não posso nem ficar com o meu filho… Tiago, não tenho tempo nem para o meu filho!

-Você não acha que… -Toxina Zero até ia falar algo, mas foi interrompido pela voz da ex dançarina.

-Já vão?- Questionou, olhando para os três de maneira curiosa.

-Papai já vai. -Edgar avisou, ignorando a pergunta, enquanto se perdia nos olhos escuros do filho. -Se comporte… tudo bem?

-Sim sim! -O menino infantilmente respondeu, um tanto sério. Estava acostumado com isso, Edgar sempre fazia visitas breves do tipo, algumas longas, mas estas eram raras. -Não demora não. Tá papai?

- “Tá”, filho.


Notas Finais


Tudo bem com vocês? O que acharam? Deixem as suas opiniões e teorias ok? A opinião de vocês é importante para mim, estimulam a minha mente.

Obs:Logo teremos um personagem novo *-*


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