História Sombras - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Romance
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Palavras 1.646
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa fic é curta mas gostei do resultado.
Espero q gostem:3

Capítulo 1 - Para sempre...


Sombras

A paisagem ao meu redor aos poucos começava a mudar, consequência de um carro em movimento. A janela do meu lado direito estava aberta, e o vento balançava meus cabelos. Eu estava no banco de trás do Corolla do meu padrasto, enquanto ele e minha mãe estavam nos bancos do motorista e do passageiro. Estávamos viajando para a casa de minha tia Meg, onde poderia ver minha prima Ashley e meu amigo de infância, Josh.

Quando todos nós saímos do carro, uma onda de frio percorreu minha espinha e me fez tremer, mesmo sabendo que o clima estava quente. Olhei para os lados, com a forte sensação de estar sendo observada. Além do meu padrasto, de minha mãe, de minha tia Meg e de minha prima, não tinha ninguém lá. Ninguém estava me observando. Mesmo assim, entrei na casa o mais rápido que podia.

Lá fora, o lugar é estranho e perturbador. A casa da minha tia foi construída em uma floresta, com árvores que se inclinam sobre os vidros das janelas, como dedos magros, compridos e sem vida. O chão é coberto por folhas secas, uma mistura de vários tons de marrom, verde e laranja.

A viagem me deixou cansada e eu só queria poder deitar. Quando eu era pequena, meu pai costumava fazer uma fogueira ao lado das árvores e ficávamos lá até a hora de dormir, cantando e comendo marshmallows assados no fogo. Ao me lembrar dele, uma solitária lágrima escorre pelo meu rosto pálido, descendo por minha bochecha e caindo sobre minha blusa azul.

Desfaço minha mala, espalhando minhas roupas sobre a cama e suspiro. Logo, Ashley vem me abraçar, trazendo consigo uma flor vermelha. Ela a coloca sob mechas de meus cabelos, na parte de cima da minha orelha e sorri. Mesmo estando triste e assustada, sorrio novamente.

Pego a flor e a giro entre meus dedos. Eu amo a cor vermelha. O vermelho me traz a sensação de algo apaixonante, me traz determinação. Esse talvez seja o motivo pelo qual pintei meu cabelo de tal cor. Eu precisava de determinação para me manter em pé mesmo quando meus pés não aguentavam o peso de meu corpo.

Meu pai costumava me dizer que a vida é o que você quer que ela seja. Se você vê o mundo como um lugar incrível, o mundo será dessa forma. Mas o contrário também pode acontecer, e eu percebi isso tarde demais.

O som da porta se fechando fez com que minha mente voltasse ao mundo real, longe de meus pensamentos. Tia Meg e minha mãe resolveram sair para pegar algumas frutas, mas horas se passaram e elas não voltaram para casa. Preocupado, meu padrasto resolveu procura-las.

A mesma sensação de antes tomou conta de mim. Minhas pernas tremiam e eu só conseguia sussurrar para mim mesma “não, de novo não”. Eu não queria que meu padrasto tivesse o mesmo fim de meu pai. Não queria que ele desaparecesse do nada e não queria que a polícia batesse em nossa porta para dizer que ele estava morto.

Ashley me chamou para sentar com ela e Josh perto da fogueira. Meu corpo estava aquecido e eu tentava tirar todos os meus pensamentos ruins da cabeça. Nós cantamos e conversamos até o anoitecer e eu não estava pensando em mais nada.

Então, Josh olhou em meus olhos. Eu conseguia ver as chamas da fogueira refletindo em seus olhos azuis. Desviei o olhar.

Eu me lembro da época em que éramos crianças. Ele é um ano mais velho que eu e parece que isso faz com que ele queira sempre me proteger. Quando meu pai morreu, eu saí da vila na floresta e fui morar na cidade grande, e eu nunca mais tive notícias dele. Agora que voltei para passar as férias aqui, voltamos a nos ver.

Eu não devia me sentir envergonhada nem nada assim. Somos apenas amigos, nada mais do que isso. Josh é um cara inteligente e seus olhos azuis devem ter conquistado várias meninas. E eu não sou uma dessas meninas. Eu tenho muitas coisas para me preocupar.

Ficamos em silêncio. Ao longe, ouvia-se o canto das cigarras e dos grilos. Aquele canto me fez sentir sozinha, mesmo com Ashley e Josh comigo. De repente, o som parou e o silêncio era quase ensurdecedor. Olhei para os lados. Um vento forte passou por mim, bagunçando meus cabelos e apagando a pequena fogueira à minha frente.

–Vamos para dentro. É mais seguro, ficamos lá até o pessoal chegar. -Josh comentou, levando sua mão ao meu ombro esquerdo.

Olhei para seu rosto, mesmo estando escuro demais para enxerga-lo com precisão. Pensei em dizer que ele agia como se a casa fosse dele, mas lembrei de que a casa também não é minha e que sua mão apertava meu ombro, como se ele precisasse se sustentar em mim, e não o contrário.

Pisquei para que meus olhos se adaptassem a falta de iluminação do ambiente. Em passos inseguros, voltei para a entrada da casa. Meus dedos trêmulos seguraram a maçaneta e a puxaram, para que a porta se abrisse. Mas a porta estava tão imóvel quanto o chão sob meus pés.

–Alguém trancou a porta? -perguntei à Ashley. Ela negou com um movimento de cabeça, e Josh tomou seu lugar para tentar abrir a porta. Nenhum de nós conseguiu abrir nenhuma porta e nenhuma janela. Eu batia meu punho contra a janela da sala, em uma tentativa desesperada de quebra-la.

Eu realmente não sabia o que estava acontecendo e estava nervosa demais para saber. Senti os braços finos de Ashley me envolvendo em um abraço e olhei para seu rosto, tão assustado quanto o meu.

Suspirei, tentando me manter calma. A escuridão não me permitiria andar para muito longe e ninguém tinha uma lanterna. Observei minha prima soltando de meu braço e andando até uma arvore. Logo, ouvi um grito. Uma sombra se aproximou de mim e de Josh. Não o tipo de sombra que acompanha algo ou alguém, mas um vulto preto.

Meus olhos se fecharam. Quando se abriram novamente, eu estava no velório de meu pai. Josh segurava minha mão esquerda em seu peito e eu sentia suas lágrimas escorrerem sobre meu punho. O dia estava chuvoso.

Mas aquilo não estava certo. Aquelas não eram minhas lembranças. Meu pai não teve um funeral.

Eu sabia que aquilo era uma ilusão. Fiz o máximo que podia para voltar à realidade e vi que estava em uma sala apertada com Ashley e Josh amarrados nas cadeiras ao meu lado.

Tomei o rosto de Ashley nas mãos. Chamei por seu nome, mas ela não me respondia. Seus olhos se moviam e ela chorava desesperadamente. Josh fazia a mesma coisa, com expressões diferentes.

A sombra que estava antes na área da fogueira apareceu novamente. Dessa vez, eu consegui ver sua silhueta no local que também era mal iluminado.

Mas a sombra não parecia me ver.

Eu tentei pensar no melhor plano.

Um dia, li que há sombras no nosso mundo, como espíritos malignos. Essas sombras tomam conta de nossa mente, criando ilusões.

“O que é o oposto da sombra? Claro, é a luz!” pensei. Logo, me vi procurando uma lanterna, um isqueiro ou qualquer coisa que pudesse me ajudar. Percebi que estava em uma espécie de galpão e encontrei uma lanterna com a luz fraca, mas o suficiente para atordoar aquela sombra. Mirei-a na silhueta e vi todo aquele vulto se transformar em pó. Depois, minha prima e Josh voltaram ao normal.

Quando voltei para casa de minha tia, procurei não falar com ninguém. Josh voltou para sua casa e eu implorei para que minha mãe me emprestasse o carro pra eu voltar para nosso seguro e pequeno apartamento na cidade.

Enquanto voltava dirigindo para a cidade, eu mexi na caixa postal do meu celular. Havia algumas mensagens do dia a dia que minha mãe mandava, mas duas mensagens chamavam minha atenção.

A primeira mensagem era de dois anos atrás, quando completei quinze anos.

“Olá, sou eu. Josh. Eu estava pensando se em todos esses anos você gostaria que nós nos encontrássemos. Se você quiser, me mande sua localização. Eu só preciso de uma data e de um local para te encontrar. Eu percebi o quanto o tempo está sendo longo depois de que você foi embora e eu quero te contar muitas coisas quando você chegar. Por favor, chegue logo. E fique bem. Ah, feliz aniversário.”

A mensagem acabou e eu suspirei. Passei os dedos sobre a tela do celular e cliquei na próxima mensagem. Fazia alguns meses que ela foi enviada para mim.

Nessa mensagem, eu consegui ouvir a voz de Josh quase falhando. Ele estava chorando.

“Sou eu. Já é ano novo. Eu estou tentando arrumar palavras para te dizer isso. Miya, você é inesquecível. Você é a luz para todas as minhas sombras, e sempre foi assim. Eu queria que você voltasse para o nosso pequeno castelo de madeira, mas eu sei que isso não vai acontecer. –ouvi um suspiro e um soluço- Então só fique aí e me veja queimar. Tá tudo bem, eu gosto de como isso dói.”

Ele não falou para que eu fique bem. Meu rosto começou a ficar vermelho e meus olhos marejados.

Olhei novamente para a estrada. Esperei um momento para que pudesse voltar o caminho. Voltar para a floresta. Voltar para Josh.

E quando cheguei lá, minha escolha não podia ter sido diferente. Joguei-me em seus braços e senti meu coração bater mais rápido.

Olhei para seus olhos azuis. No dia anterior, eu teria me proibido de pensar qualquer coisa desse garoto. Mas hoje, eu só quero estar com ele.

-É tarde demais para pedir desculpas? –Minha voz soou baixa em seu ouvido. Mas Josh apenas sorriu e levou minhas mãos para seu peito, onde senti levemente as batidas de seu coração.

-Não. Mas só se você me prometer que estará comigo do anoitecer ao amanhecer. Que não vai mais embora.

Erguendo minha mão lentamente, com meu mindinho levantado, sussurrei:

-Para sempre.



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