História Sombras da Noite - Capítulo 3


Escrita por: e Victoriius


Notas do Autor


Olá anjos! Tudo bem com vocês? Eu não vou enrolar aqui, então até as notas finais 💜💜

Capítulo 3 - Segredos


Fanfic / Fanfiction Sombras da Noite - Capítulo 3 - Segredos

Ressaca, essa era a palavra que definia completamente o estado de Jeongguk naquela manhã fria de domingo. Ele estava jogado no chão gelado do pequeno banheiro na casa do seu melhor amigo, enquanto debruçava-se contra a privada, colocando tudo que estava em seu estômago para fora. 

A boa e velha ressaca, mas nem tão boa assim é apenas uma reação natural do organismo. Ela ocorre quando o corpo precisa de alguma forma eliminar o álcool ingerido, dessa forma os órgãos precisam trabalhar mais do que o normal. Esse desconforto acontece depois que os efeitos do álcool passam, ou seja, depois que o organismo já tenha metabolizado tudo — O que geralmente acontece no dia seguinte à bebedeira. 

O futuro jornalista havia lido uma vez em um site aleatório que de acordo com um gastrocirurgião bastante famoso na área, o abuso de bebidas alcoólicas aumentava o nível de álcool no sangue. Dessa forma, os diversos órgãos precisavam metabolizar isso de forma mais rápida que o usual. O órgão responsável por metabolizar o álcool é o fígado. Contudo, ele só consegue metabolizar em média uma dose de bebida alcoólica por hora —  então, para fazer esse trabalho, acaba produzindo e liberando várias substâncias tóxicas ao organismo que contribuem para a ressaca.

"O fígado só consegue metabolizar o equivalente a 10 gramas de álcool por hora, o que é menos que uma uma taça de vinho ou 300 ml de cerveja, que possuem cerca de 12 gramas de álcool", indicava uma parte da notícia que havia chamado a atenção do moreno. Outro órgão afetado pelo excesso de bebidas alcoólicas é o pâncreas, responsável pela fabricação de insulina e enzimas digestivas. Segundo o famoso Gastrocirurgião, o álcool muda a forma como a glicose é metabolizada, favorecendo a queda do nível de glicose no sangue.

— Está se sentindo melhor cara? —  Namjoon apareceu na porta do banheiro encarando com preocupação o garoto jogado de qualquer jeito no chão.

Melhor impossível — respondeu o mais novo com ironia enquanto passava a mão direita na boca para limpá-la e se afastava poucos centímetros do vaso. — Acho que vou colocar todos os meus órgãos para fora… — choramingou.

— Pelo menos você não está largado em algum lugar desconhecido. — falou o Kim adentrando o local com um copo de água e uma cartela de remédio para diminuir os enjoos do outro. —  E também não acordou com nenhuma nova tatuagem… 

Jeongguk soltou um resmungo pela dor no corpo e tomou o remédio que o melhor amigo tinha estendido em sua direção. Ele se não se lembrava de quase nada relacionado a sua tatuagem que consistia em um símbolo formado por três espirais entrelaçadas, porém ela havia aparecido em seu ombro esquerdo depois de ter acordado de sua primeira ressaca da comemoração de seu aniversário de dezoito anos. Namjoon e Lisa ainda o zoavam por conta da pequena aventura do moreno em ter feito uma tatuagem que não sabia o significado  enquanto estava completamente bêbado.

— Isso não é engraçado — disse ríspido se levando com cuidado do chão, já que sentia dores em seu corpo — Eu nunca mais vou beber!

Namjoon segurou o riso e concordou com a cabeça como se acreditasse finalmente no que o estudante de jornalismo dizia. O Kim o ajudou a  se levar e tirar as roupas apertadas da noite passada, o melhor amigo precisava desesperadamente de um banho gelado para diminuir sensação de mal-estar. 

— Eu vou terminar o café da manhã — falou o de fios roxos colocando a roupa suja do moreno no cesto amarelo localizado no canto da ambiente. — Qualquer coisa é só chamar.

— Obrigado Nam… — o Jeon murmurou enquanto tomava coragem para encarar a água gelada.

Depois de demorar muito no banho, pois levou tempo demais para se acostumar com a extrema água gelada que caía do chuveiro. Jeongguk estava vestido com uma calça e um casaco de moletom, sendo os dois pretos e ambos pertenciam ao amigo. Estava sentado no aconchegante sofá de dois lugares enquanto assistia Star vs as forças do mal, um de seus desenhos favoritos. As meias de bolinhas amarelas e o grosso cobertor de flores que estava enrolado, o deixa ainda adorável na concepção do Kim que estava concentrado em não estragar a receita de sua família de Haejang-guk*. 

Um fato sobre Jeongguk que as pessoas achavam extremamente estranha quando mencionada era seu gosto por desenhos. Não que ele não gostasse de séries e filmes, porém preferia as que consistiam em animações. Algumas pessoas o julgavam como infantil por seu gosto, por isso sempre evitava andar com seus casacos e blusas que referiam-se aos seus desenhos.

A estrutura do apartamento de Namjoon era extremamente semelhante com a de Lisa. Ambos possuíam uma cozinha que havia sido separada da sala por um pequeno balcão de mármore e os cômodos não eram grandes, porém eram aconchegantes e bem decorados. O de fios roxos possuía uma extensa estante de livros, que cobria a parede externa da sala toda e a maioria desses livros estavam em inglês e japonês.

— Ainda sente náuseas? — indagou o mais velho ainda da  pequena cozinha.

— Não, mais ainda sinto dores no corpo — respondeu o Jeon desviando sua atenção do desenho para o melhor amigo.

— Você ainda vai para o jantar em família? — questionou o de fios roxos colocando uma generosa quantidade de Haejang-guk em uma vasilha de vidro branca.

— Sim — falou o moreno afundando-se mais contra o sofá macio e aconchegante — Saeron me mataria se não fosse… 

— Ela iria mesmo — concordou o Kim caminhando com cuidado para fora da cozinha. Não queria correr o risco de deixar a vasilha cair. — Espero que goste desse Haejang-guk, é um receita de família.

Jeongguk ergueu a cabeça para encarar o melhor amigo e murmurou um "obrigado" baixinho enquanto pegava a vasilha cheia e a colocava sobre uma das grandes almofadas vermelhas. Sentou-se mais para a esquerda, deixando um grande espaço para que Namjoon que correu em direção a cozinha novamente sentasse ao seu lado quando retornasse.

— É seguro comer isso hyung? — indagou o mais novo mexendo na sopa com desconfiança, analisando tudo o que conseguia.

— Claro que é! — disse o Kim indignado com a desconfiança do melhor amigo enquanto voltava para sala com uma vasilha de cereal de chocolate — Só porque eu destruo algumas coisas sem querer, não significa que eu não sei cozinhar!

— Eu sei Nam, mas… — contou o outro garoto tentando não sorrir da expressão fechada que se apossou do  mais velho. — Da última vez que comi algo feito por você, eu achei um parafuso no meu prato…

Namjoon quase se engasgou com as bolinhas de chocolate que mastigava e olhou magoado para o mais novo. Ele sempre agia assim quando o lembrava do fático dia em que o de fios roxos resolveu cozinha uma das inúmeras receitas de sua família para os dois melhores amigos em uma das noites de filmes que sempre ocorriam.

— Em minha defesa, eu não sei da onde esse parafuso saiu! — rebateu Kim com um bico nos lábios e evitando olhar nos olhos do amigo.

O de cabelos roxos conseguia ser mais dramático que Lisa quando queria e Jeongguk nunca havia conhecido alguém mais dramático que a ruiva. O futuro jornalista apenas concordou com a cabeça e começou a comer o Haejang-guk com bastante cuidado enquanto volta a assistir a animação que passava animação televisão.

                                             [...]

— Jeongguk, você poderia ajudar Hana terminar o jantar? — indagou Saeron se encostando no batente da porta vermelha do quarto do filho e o encarando sentado na cama de casal.

O Jeon ergueu os olhos do computador para a mulher de cabelos escuros. Jeon Saeron exalava juventude para uma mulher na casa dos quarenta e cinco anos. Os cabelos longos em uma tonalidade de preto azulado e o rosto com feições delicadas a deixavam ainda mais jovem do que realmente era. Mas, o que mais se destacam na mulher de estrutura alta era os grandes e enormes olhos azuis.

Jeongguk se lembrava perfeitamente de quando havia sofrido bullying por causa de suas duas mães pela primeira vez. Ele estava no quinto ano do Ensino Fundamental. As crianças olhavam para ele como se ele tivesse chifres na cabeça e cochichavam sempre que ele passava por elas. No começo, ele não conseguia compreender porque as outras crianças eram sempre tão malvadas e cruéis com ele. Faziam piadas de mal gosto sobre suas mães e sempre diziam o quando ele era extremamente diferente por possuir duas mães ao invés de uma família tradicional como as outras crianças. 

O moreno havia demorado tempo demais para perceber que mesmo que tentasse fazer amizade e se encaixar nos padrões das outras crianças nunca conseguia tal proeza, pois o preconceito estava tão enraizado nelas que jamais o aceitaram por se considerado diferente.  Três anos depois, Kim Namjoon apareceu em sua vida, não dando a mínima para o que outras crianças falassem sobre si. Somente sentou-se ao seu lado no terceiro dia de aula depois das férias de verão e perguntou se eles poderiam ser amigos. E desde então, eles eram inseparáveis. 

Jeongguk gostava do fato do melhor amigo nunca ter julgado o fato de possuir duas mães. Depois Lisa apareceu, quando estava no primeiro semestre da faculdade e seu pequeno grupo de amigos que consistia nos três estava completo. 

— Claro! Eu já vou descer. — respondeu o universitário enquanto pausava um dos últimos episódios da quarta temporada de Star vs as forças do mal.

Por causa da semana de provas (ele particularmente não entendia porque se chamava assim já que ela sempre durava quase um mês), não havia conseguido assistir a nova temporada do desenho assim que foi lançado. E agora que estava completamente livre de qualquer trabalho ou prova estava aproveitando para colocá-lo em dia.

— Eu vou ao mercado, Hana cismou que quer fazer cookies para você. — contou Saeron com um sorriso nos lábios — Mas se esqueceu de comprar as gotas de chocolate.

Jeongguk soltou uma risada com o tom de divertimento na frase da mais velha. Ela também sorriu e seus olhos formaram apenas dois riscos enquanto um enorme sorriso brotou nos lábios cheinhos. Saeron realmente parecia ter por volta dos vinte e cinco anos, ainda mais quando vestia aqueles vestidos larguinhos de cores pastéis, combinando com a pele pálida. 

Desceram as escadas de madeira juntos e o universitário seguiu para a cozinha enquanto Saeron foi em direção a garagem. Hana estava cantarolando uma canção antiga que Jeongguk não conhecia quando adentrou a cozinha e deve a atenção da mulher voltava para si. 

Jeon Hanna era baixinha e os cabelos loiros curtos valorizam o rosto perfeitamente simétrico com os pequenos olhos castanhos escuros. Sem contar que era extremamente simpática, carismática, elegante e curiosa, mesmo que não fosse realmente sua mãe de sangue, Jeongguk gostava de acreditar que havia puxado a curiosidade da mulher.

— Olá querido — disse Hana desviando a atenção de uma das panelas no fogão para o filho. — Você poderia cortar essas cebolas?

O Jeon concordou com a cabeça e sentou no banco alto da bancada. As cebolas estava em cima de um tábula de madeira na bancada e ele esticou a mão para pegar a faca que sua mãe o oferecia. 

O menino sempre se sentia à vontade para contar a maioria dos problemas e medos que rondavam sua cabeça para Hana. Ele queria contar sobre o que havia acontecido na festa a alguns dias atrás, porém não gostaria de preocupar a mais velha. Mesmo que quisesse acreditar que estava muito bêbado e por isso, devia ter imaginado coisas. Porém, algo em seu interior dizia ele estava inventando desculpas para a conversa bizarra que teve com o loiro de vestes pretas.

Mãe? — Jeongguk chamou baixinho vencido por seu subconsciente.

— Hã? — com a panela já esquecida, Hana estava mexendo em um dos armários da cozinha. — Ah, aqui está! — ela pegou uma lata de ervilha em conserva e olhou para o filho com grande satisfação.

O que você faria se visse alguma coisa que mais ninguém pode ver? — o universitário indagou mais baixo que a fala anterior, porém ele sabia que a mulher havia ouvido.

— Como se eu fosse a única testemunha de um crime, é desse tipo de coisa que você está falando? — a lata caiu da mão de Hana e automaticamente ela se ajoelhou para pegá-la, sem olhar para o garoto.

— Não. Quero dizer se houvesse outras pessoas por aí, mas você fosse o único que conseguisse enxergar alguma coisa. Como se fossem invisíveis a todos, menos para você. — contou Jeongguk enquanto observava sua mãe hesitar, ainda ajoelhada, a lata dentada firme em punho. — Sei que parece loucura, mas

Hana virou-se para ele. Os olhos extremamente grandes e redondos atrás dos óculos encaravam-no com um olhar de profunda afeição.

— Querido, você é um jornalista — disse a mais velha se levantando em um salto. —  Isso significa que vê o mundo de um jeito que as outras pessoas não veem. É seu dom ver a beleza e o horror em coisas ordinárias. Isso não faz de você uma pessoa louca, apenas diferente. Não há nada de errado em ser diferente.

Jeongguk deixou a faca de lado e apoiou os braços na bancada. Em sua mente, ele viu o barman com os olhos de gatos, os olhos intensos do loiro e a conversa estranha que tiveram. Beleza e horror.

Os dois terminaram de preparar o jantar assim que Saeron voltou do mercado alegando que nunca o havia visto tão cheio quando naquela noite de domingo. As duas mulheres estavam se divertindo enquanto faziam o os biscoitos caseiros e Jeongguk as observava com um pequeno sorriso no rosto. Ele realmente havia tido sorte por elas terem o escolhido no meio de várias outras crianças do orfanato. 

As pessoas sempre diziam a Jeongguk que ele se parecia com a mãe, Saeron, mas ele não via semelhança alguma. Só o que poderiam comparar  eram o tipo físico dos dois: ambos eram altos, tinham alguns músculos, quadris estreitos e cabelos extremamente pretos. Saeron também tinha um andar gracioso que fazia com que as pessoas virassem a cabeça para vê-la passar. O universitário, ao contrário, vivia tropeçando. As pessoas só paravam para olhar quando ele esbarrava nelas ou quando quase caia.

O resto da noite foi agradável e confortável. Jeongguk sentia extremamente mais relaxado e renovado depois de passar um tempo com as duas mulheres. O jantar estava maravilhoso, mas afinal não era de se esperar, pois Hana cozinhava muito bem, ao contrário do estudante de Jornalismo que quase incendiou a casa uma vez ao tentar fazer uma torta de maçã. Ele sempre voltava para casa com o coração aquecido de amor depois, era bom e reconfortante. 

— Tem certeza que ficará bem? — Hana indagou enquanto colocava os biscoitos em um potinho vermelho.

Saeron e Hana iriam comemorar o aniversário de  doze anos de casamento em um cruzeiro e a mais nova entre elas estava preocupada em deixar o filho para trás. A loira sempre foi muito protetora e Jeongguk se lembrava do quão difícil foi fazê-la aceitar que morar perto da faculdade seria o melhor. A mulher quase se mudou só para que o filho não precisasse sair de casa, mas Saeron estava lá para dizer que o moreno já era um adulto e que isso era o melhor para ele.

— Tenho mãe! — exclamou o garoto terminando de lavar a louça e entregando o último prato para que Saeron o secasse. — Você precisa aproveitar essa viagem!

— Eu vou! Mas isso não me impede de me preocupar com você! — a loira disse entregando o bote cheio de biscoitos com gotas de chocolate para o filho. — Promete que vai ligar sempre?

— Você sabe que sim mãe. — falou o universitário se aproximando da mais baixa e a abraçando fortemente. Sentiria saudades. — Eu preciso ir agora.

O garoto se despediu das duas mulheres e jurou de dedinho para as duas que ligaria sempre para dar notícias. Acenou para ambas de dentro do táxi antes dele começar se movimentar e elas se tornarem  apenas um pontinho distante a medida em que se afastava.

                                        [...]

— Ai, meu Deus, Jeongguk, não arranque o meu braço! — protestou Namjoon enquanto o citado o arrastava pelas escadas atrás dele, seu all star vermelho fazendo barulho ao bater no chão de madeira a cada passo apressado que dava.

— Desculpe. — sussurrou o mais novo, soltando o pulso do melhor amigo. Ele parou ao pé da escada, com a mochila amarela nos ombros.

O prédio que Jeongguk, localizava-se em Hongdae, um bairro perto da Universidade Hongik, conhecido por sua atmosfera jovial e cheio de atrações para turistas e nativos. Hongdae é famoso por reunir diversos artistas que se apresentam nas ruas do bairro. Andando pelo bairro é possível encontrar cafés exclusivos, acolhedoras galerias, lojas de acessórios e moda, clubes, mercados de arte e restaurantes gourmet. Ele possuía apenas três andares, onde cada apartamento ocupava o pequeno andar todo. Uma senhora de sessenta e três anos era a toda do local e morava no térreo e a moradora do segundo andar era uma veterana do curso de medicina da universidade de Jeongguk.

Antes que o Jeon dissesse qualquer outra coisa,  a porta de Cho Myunghee, a dona do prédio, se abriu e, um gato com olhos extremamente dourados soltou para fora. Ele parecia ler sua alma, calculando cada movimento do humano. O Jeon sentiu um frio em sua espinha e desviou o olhar rapidamente e quando o voltou para o suposto gato de pelos negros como a noite, ele não estava mais lá. 

— Você está bem? Está com cara de que viu um fantasma — Namjoon disse olhando com preocupação para o melhor amigo.

— O quê? Não, eu estou bem — falou o mais novo piscando os olhos, tentando ignorar aquele acontecimento sinistro. A senhora Cho não era alérgica a pelos?. — Vamos! — disse o estudante de jornalismo puxando o garoto de cabelos roxos para fora do prédio. — Podemos passar rapidinho na biblioteca da universidade? Eu quero pegar um livro que professora Woon mencionou na aula de ontem...

O Kim concordou com a cabeça e os dois entraram no carro do de fios roxos. Jeongguk jogou a mochila amarela no banco de trás e se ajeitou melhor no banco do carona enquanto Namjoon começava a dirigir. Em poucos menos de vinte minutos os dois garotos estava atravessando a enorme porta de madeira da biblioteca do campus.

— Eu não consigo acreditar nisso — disse Namjoon pela quarta vez, enquanto seguia o amigo pelos corredores da biblioteca, estes que pareciam com um labirinto. — Como minha mãe quer que eu saia com a filha adolescente da amiga dela?.

— Mas você sabe que a sua mãe fica assim às vezes — disse Jeongguk concentrado nas estantes repleta de livros. — Ela sempre manda em tudo o que você faz… — o moreno soltou uma pequena risada.

— Isso, muito bom, pode agir como se fosse engraçado — disse o mais velho desviando o olhar do celular para o outro garoto a sua frente. — Não é você que está sendo obrigado a ter um encontro com a filha de dezessete anos da amiga da sua mãe!

— Bom… talvez você tivesse enfrentá-la de uma vez e pedir para que ela não arrume mais encontros para você. — disse o mais novo dobrando mais um corredor. — Você sabe que ela só faz isso porque não aceita que você curte caras também...

— Não é que ela não aceite… — murmurou o de cabelos roxos — Ela só precisa de tempo para assimilar isso….

— Nam, eu conheço a sua mãe — disse Jeongguk após uma pausa. — Quero dizer, você e eu somos amigos há quanto tempo, uns doze anos? Eu sei que ela sempre foi preconceituosa e acha que eu te influencei a gostar de garotos… 

— Eu só tenho medo que ela não me aceite… — Namjoon disse baixinho olhando para as costa do melhor amigo a cem centímetros de distância.

— Eu sei que pensar em não ser aceitos pelos pais, as pessoas que mais amamos na vida é assustador... — falou o mais novo virando-se para encarar o de fios roxos. — Mas você sabe que pode contar comigo né? Para o que der e vier… 

O Kim concordou com a cabeça e suas covinhas apareceram superficialmente quando um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Segundos depois, Jeongguk finalmente havia encontrado o livro que uma de suas professoras tinha indicada em uma das aulas daquela semana e estavam na pequena fila do grande balcão da biblioteca, este que as duas bibliotecária estavam registrando os livros pegos pelo estudantes. 

— Eu soube que aconteceu mais um acidente e uma pessoa acabou morrendo... — falou o Kim com um pesar na voz, quebrando o silêncio que pairava sobre eles. — A Seulgi disse para o Yuta. — abaixou-se para ficar da altura do amigo — Aí ele me contou…

Kang Seulgi era a líder do clube do jornal da Universidade Hongik e estudava no mesmo curso que Jeongguk. Ela havia rejeitado a entrada do Jeon duas vezes e, isso se dava pela grande rixa que tinha entre eles. Os dois competiam por  exatamente tudo, eram orgulhosos e determinados.

— Porque ela ainda não liberou a matéria? — Jeongguk questionou franzindo as sobrancelhas enquanto dava mais um passo na fila. — Não faz sentido! Essa festa ocorreu há quase duas semanas atrás! 

— Foi o que eu disse ao Yuta... — contou o mais velho apoiando-se no melhor amigo. — Mas ele me disse que o diretor proibiu que ela falasse sobre esse assunto no jornal da instituição.

— O quê?! Porquê?! — indagou para ninguém em particular. 

Jeongguk não consegui entender o motivo para o diretor proibir a matéria, pois já era a terceira pessoa encontrada morta próxima ao campus. E era o dever do clube do jornal da faculdade informar todos do campus o que estava acontecendo.

O Kim encarou o melhor amigo, e parecia estar a ponto de dizer alguma coisa quando seu celular, enfiado no bolso de trás da calça jeans, começou a tocar insistentemente. Namjoon pegou-o, olhou para os números que estavam piscando na tela e franziu o rosto.

— É a minha mãe.

— Deu para perceber pela expressão no seu rosto. Você vai falar com ela? — indagou o moreno, soltando um pequeno suspiro cansaço, ainda bem que era o próximo.

— Agora não — disse o outro, sentindo aquela pontinha de culpa quando o telefone parou de tocar e a ligação caiu na caixa postal. — Não quero brigar com ela.

— Você sabe que pode ficar na minha casa — disse Jeongguk — Por quanto tempo quiser...

— Sei que sim — Namjoon esfregou os olhos com a parte de trás das mãos.  — Você ainda vai para a leitura de poemas da Lisa?

Lisa participava da leitura de poemas que os veteranos do curso de Literatura organizava todas as quintas-feiras, desde que era uma simples caloura orgulhosa do curso que havia escolhido. Com o estágio em uma escola infantil perto da faculdade, a garota teve que diminuir a frequência que participava, mas sempre encontrava um jeito de conseguir comparecer às vezes. 

— Claro! Ela me mataria se não fosse — contou o mais novo enquanto soltava uma risada lembrando-se de quando havia se esquecido de ir em um dos eventos, acarretando em uma Lalisa reclamando por um dia inteiro no ouvido do moreno.  

Namjoon concordou com a cabeça como se estivesse afirmando a frase do melhor amigo e se afastou quando a vez de Jeongguk chegou. Ele foi para o lado de Jeongguk e apoiou os braços sobre o balcão e encarou a bibliotecária que não gostava nem um pouquinho dele. Mas, o que o de fios roxos podia fazer se era estabanado e não conseguia fazer silêncio por muitos tempo. 

A mulher que tinha por volta dos cinquenta e seis anos ignorou plenamente o Kim e murmurou um "Boa Tarde" por obrigação e começou a registar o livro que Jeongguk havia pegado. Em menos de dez minutos os dois garotos caminhavam tranquilamente pelo estacionamento da universidade.

O ar lá fora estava tão frio que fez com que Jeongguk pegasse a toca preta de dentro da mochila amarela e a colocou sobre os cabelos compridos enquanto Namjoon se encolheu no casaco de moletom cinza. O moreno e o Kim caminharam em direção ao o pequeno café no final da rua, este que ocorreria a leitura de poemas exclusiva para a turma de literatura. O Jeon torcia para que daquele dia fosse apenas mais um normal. 

Eles ouviram Taeshin, o veterano de Lisa recitar de forma completamente horrorosa um poema enquanto Namjoon e o jovem jornalista tentavam a todo custo conter as risadas e depois que o “show de horrores”, apelidado carinhosamente pelo de fios roxos acabasse, a  ruiva subiria no palco e deixariam todos encantados com a paixão e dedicação enquanto lia um dos poemas escolhidos pelos mais velhos de seu curso.  Para logo depois, quando todas as outras apresentações acabassem iriam ouvir Taeshin gabar-se por ter sido um dos melhores naquela noite. Jeongguk realmente inveja a autoestima daquele garoto. 

E no final da noite saíram para comer no restaurante de comida chinesa favorita da única garota do grupo ou comprariam pizza e a comeria no apartamento de um dos três enquanto assistiam a algum filme. Jeongguk só queria que aquela rotina de quinta-feira continuasse e que nada interferisse, principalmente um certo garoto loiro com olhos intensos que havia conversado no bar da festa da universidade alguns dias atrás.


Notas Finais


*Haejang-guk é uma sopa típica da Coreia que leva sangue de boi na sua composição e é consumida como cura para a ressaca e, por isso, também é conhecida como “a primeira sopa da manhã".

Link da tattoo do Jeongguk : https://pin.it/r7mtjf4k27o4ei

Eu espero que vocês tenham gostado e me digam o que acharam. Se tiverem um pouquinho de tempo vocês poderiam me seguir no twitter @Vantte_18, eu juro que sou legal. Até o próximo capítulo 💜💜

PS: Eu gostaria de agradecer a @hyusuga por me escutar e me dar ideias para o andamento da estória 💜💜 E por me aturar quando eu encho o seu saco para ler os capítulos antes de postar, porque eu sou uma pessoa bastante insegura com a minha escrita e histórias. Serio, muito obrigada mesmo embuste 💜💜

OBS: Esse capítulo ainda não foi betado, então me desculpem qualquer erro de digitação ou gramatical.


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