História Sombras do Passado - Capítulo 13


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aishiko, Hitomi, Milles, Yuri
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Palavras 2.907
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, LGBT, Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Sobre o passado


Já se passaram alguns dias desde que visitamos aquele cemitério e em um certo dia acordei meio indisposta, resolvendo então ficar na cama.

- Vai passar o dia todo ai amor? - Yuri perguntou ao entrar no quarto.

- Se depender de mim, sim.

- Por quê? Aconteceu algo? - se sentou na cama perto de mim.

- Não, nada. Só indisposição mesmo.

- Já que vai ficar ai, já volto. Irei pegar o seu café.

Assim que ela saiu, passei a olhar o quarto, muitas coisas tinham mudado ali desde que nos mudamos. As paredes de seu quarto que antes eram brancas, foram mudadas para um rosa claro quando soubemos que esperávamos uma menina. Sua cama foi jogada para perto de uma das paredes, onde estava até hoje, para assim termos mais espaço para o berço, que era a única coisa que não estava ali. 

Fui tirada de meus pensamentos com o barulho da porta.

- Vejo que trouxe reforço. - falei ao vê-la trazendo uma bandeja cheia e nossa filha ao seu lado.

- E claro, assim garanto que você se alimente bem.

Sentei-me e ajudei Aiko a subir na cama.

- Vocês vão comer também né? 

- Não mamãe, isso tudo e para você e meu irmãozinho.

- Mas tem muita coisa aqui filha, a mamãe não vai conseguir comer tudo.

- Ela tem razão filha. - Yuri falou ajeitando as coisas na cama - Eu peguei para todo mundo.

- Então, vamos começar pela princesa da mamãe. O que você quer comer primeiro filha?

Ela começou a olhar as coisas e apontou para um dos pedaços de bolo que ali tinha.

O peguei e entreguei a ela.

- Mamãe. - disse tocando minha perna.

- Sim? 

- Faz "ah". - falou abrindo a boca.

- Não filha, esse e o seu. O da mamãe ta aqui.

- Faz "ah". - repetiu o gesto.

- Mas filha...

- Faz "ah". - fez pela terceira vez.

- Abre logo essa boca amor. - Yuri falou rindo - Você sabe que ela e insistente nisso. E depois você diz que eu e que não conheço a filha que tenho. 

- Esta bem.

Fiz a vontade dela, assim que terminei o bolo, ela pegou um dos pães e fez o mesmo gesto.

- A mamãe pode comer sozinha filha, você pode comer. 

- Não, só depois de você. - falou ao aproximar o pão de minha boca.

- Por que você esta fazendo isso?

- Cuidando da minha mamãe e do meu irmãozinho. - me respondeu.

Ela só parou de fazer isso quando me fez comer toda a parte destinada a mim, só ai passou a comer também. Assim que as duas terminaram, Yuri saiu para levar as coisas.

- Agora que estamos sozinhas, me diz. Foi a mamãe que pediu para você fazer isso filha?

- Não mãe. Fiz porque quis.

- Mesmo?

- Mesmo, quero cuidar do meu irmãozinho.

- Esta bem então, mas quando ele nascer você vai ajudar a cuidar dele também. Mas vai ter que fazer tudo viu? Como dar comida, ajudar no banho, fazer dormir, trocar as fraldas sujas. 

- Acho que isso ela não vai fazer amor. - Yuri falou rindo ao voltar - Na primeira ela vai fugir.

- Também acho isso. Mas ela pode nos surpreender e encarar numa boa.

Ela voltou para a cama e se deitou.

- Vocês duas vão ficar aqui mesmo?

- Sim, já que nossos amores estão aqui, ficamos junto, né filha? - Yuri perguntou olhando para Aiko.

- Sim mamãe. - respondei com um belo sorriso.

- Vocês vão acabar ficando entediadas aqui, isso sim.

- Não vamos. - Yuri passou a fazer carinho em meu ventre e nossa filha passou a repetir o gesto.

Sem nenhum motivo, ela passou a cantarolar aquela musica hipnótica.

- Já pode ir parando, não estou afim de dormir.

- Mas eu não quero que você durma. – sorriu.

- Sei, então por que estava cantando aquela musica?

- Por causa dela.

Olhei para o lado e vi nossa pequena deitada com os olhos fechados.

- Ela e mais fraca para essa música do que você. – riu.

- Alias como se chama essa música? Pois até onde me lembro, nunca a ouvi em lugar nenhum, só com você. 

- Provavelmente você nunca a ouviu em nenhum lugar, pois fui eu que a inventei quando éramos pequenas, para tentar de acalmar. Já o nome, eu nunca parei para pensar em um.

- Você que a inventou? 

- Sim, e pelo visto fiz um bom trabalho, pois ela sempre funciona. 

- Muito bom trabalho. - olhei de novo para nossa filha – Por que você ensinou aquilo para ela?

- Eu ensinei o que exatamente?

- Isso do "abre a boca". - disse imitando nossa filha.

- Eu não ensinei isso para ela. Pensei que tinha sido você.

- Eu também não ensinei isso. E sei que nossos pais também não o fizeram.

- Bem, meu irmão e Kelly também não são disso, pois senão os gêmeos agiriam assim também. Então deve ser coisa dessa cabecinha linda aqui. - disse tocando a cabeça dela.

- Pode ser. 

- E já que estamos falando de filhos, como você acha que pode ser esse menininho aqui?

- Não sei por que, mas sempre que penso nele, vem em minha cabeça a foto do meu irmão.

- Se for igual ele, será bem bonito.

- Queria que ele tivesse esses seus belos olhos também, mas sei que isso e quase impossível.

- Tendo ou não meus olhos, ele será tão bonito quando a mamãe que esta o gerando.

Ficamos ali quietas por algum tempo, olhando uma a outra.

- Você não precisa ficar aqui comigo, pode ir se divertir um pouco.

- E quem disse que eu não estou me divertido? 

- Você esta deitada na cama comigo e nossa filha. O que isso tem de divertido?

- Estamos conversando não? E também, estou na melhor companhia que eu poderia desejar. Para mim esta ótimo aqui.

- Se você diz, mas se ficar entediada pode sair.

- Eu estou começando a achar que me quer longe de você.

- Não estou, só quero deixar claro que você não precisa ficar presa aqui por minha causa.

- Se estou e porque quero. - sorriu - E só irei sair de perto de você somente para pegar algo para vocês comerem, o que será daqui a algumas horas.

Ficamos conversando em tom baixo para não acordar nossa filha.

- Posso te fazer uma pergunta relacionada ao nosso passado?

- Bem, pode sim.

- Como era a cela em que ficávamos presas? Tenho uma vaga lembrança dela, mas gostaria de ter certeza.

Ela olhou para o teto e ficou quieta por longos minutos.

- Você não precisa responder se não quiser.

Yuri respirou fundo e olhou para mim.

- Era um quartinho de dois e meio por dois e meio sem janelas, tinha um cano que saia de uma das paredes que servia de ventilação. O chão era de concreto e a porta era totalmente fechada, feita de ferro, com duas espécies de aberturas, uma no meio por onde eles nos olhavam e outra perto do chão, onde passavam nossa comida. Tinha uma espécie de privada em um dos cantos e uma torneira que usávamos tanto para beber água quando para nos lavarmos e no outro lado tínhamos deixado dois colchonetes, embora usássemos apenas um para nos deitar.

- E porque usávamos só um se tínhamos dois?

- Usávamos o outro para nos cobrir, assim não passávamos frio durante a noite, já que só tínhamos o uniforme que eles nos davam para vestirmos.

- E como sabíamos se era dia ou noite, se você disse que não tinha janelas?

- A luz da cela indicava o começo do nosso dia, como também o inicio dos nossos pesadelos. Pois sabíamos que com aquela lâmpada ligada, estávamos sujeitas a sermos levadas para aquela maldita sala. - ela voltou a ficar quieta, de seus olhos caiam algumas lagrimas, talvez por se lembrar do sofrimento que passamos ali - Tanto e que torcíamos muito para a nossa “noite” nunca acabar.

- Desculpa por ter te feito ficar mau amor, não era essa a minha intenção.

- Eu sei que não. - olhou para mim - E sabe muito bem que quem tem que pedir desculpas por tudo isso não e você. Mas me diga, porque quis saber disso só agora?

- Pois eu queria ver esse lugar de perto.

- Você esta louca? – perguntou em um tom serio.

- Não estou, mas sinto que se tiver que enfrentar cara a cara os responsáveis por terem nos condenado a aquele sofrimento, do qual carregamos as marcas em nossos corpos, devo antes conhecer bem esse lugar onde sofremos muito.

- Você sente isso?

- Sim. Você sabe se esse lugar ainda existe?

- Ate onde sei, existe sim. Só que você não pode ir para lá.

- Porque não?

- E uma área protegida, só para chegar perto será uma dor de cabeça tremenda. Mas não se preocupe, ninguém mais sofre naquele lugar.

- Entendi. Pelo menos uma noticia boa. 

Passei a olhar nossa filha dormindo, como fiquei quieta ela resolveu continuar.

- Eu posso tentar conseguir te levar lá se você quiser.

- Não precisa meu amor.

- Não?

- Não, se e tão difícil assim, melhor deixar quieto. Alem do mais, estou grávida. Pode ser perigoso eu andar por aquele lugar.

- Tem razão. - disse fazendo carinho em minha barriga - Mas acho que tem um jeito de você conhecer o lugar sem precisar ir até ele.

- Como?

- Deve existir alguma gravação do local, pois me lembro de repórteres indo até o hospital tentando falar com nos após sermos resgatadas ou... - ficou pensativa por alguns segundos - Será? 

- O que?

- Pode ser que não, mas não custa nada ver...

- Ver o que?

- Não vou dizer para não dar alguma "esperança" para você, só que preciso confirmar isso antes. - disse se levantando – O bom que assim já pego um lanche leve para você, pois já esta na hora do nosso príncipe se alimentar.  

Fiquei a olhando sair do quarto sem entender nada, mas um tapa em um de meus seios me vez voltar a realidade.

"E eu pensando que era brincadeira deles." pensei ao me segurar para não acabar expressando a dor e assusta-la.

- Você e fortinha mesmo meu amorzinho. – disse me ajeitando de um jeito que conseguia abraçá-la e evitar que ela me desse outro golpe.

Não demorou muito para achar essa posição, então passei a olhar ela dormir em meus braços, ouvir sua respiração, prestar atenção em cada gesto que ela fazia onde acabei dormindo também.

O som de crianças brincando do lado de fora do quarto me acordou. 

"Mas já chegaram? Esta muito cedo ainda" olhei o relógio para me certificar da hora.

- Acho que fui eu que dormi demais. Acho que e bom descer. 

Abri a porta do quarto e dei de cara com os três correndo pelo corredor.

- Eu queria ter essa energia toda. 

- Eu também queria. - Frank respondeu - E desculpa, não sabia que estava dormindo.

- Não, tudo bem. Eu já estava acordada a algum tempo. 

- Serio? Pois não parece.

- Pode confiar. – sorri.

Cumprimentei meus sobrinhos e desci, e ao entrar na cozinha me deparei com uma cena meio estranha.

Yuri estava sentada com seu pai segurando o seu braço, enquanto sua mãe mexia em sua mão, e pela cara dela, aquilo estava doendo muito.

- O que vocês estão fazendo?

- Eu estou terminando de dar alguns pontos. - minha sogra falou seria.

- E porque a senhora esta fazendo isso? - perguntei me aproximando.

- Porque a tonta da minha filha fez um corte no dedo que precisa ser fechado. 

Olhei por cima de seu ombro e a vi a mão de Yuri completamente vermelha de sangue enquanto minha sogra dava os pontos finais.

- E como você fez isso amor?

- Eu estava cortando a carne e a faca escapou. - respondeu com um pouco de dificuldade.

- Escapou porque você estava brincando. - sua mãe falou nervosa.

- Pó mãe, eu aqui sofrendo e você brigando comigo?

- Oh, desculpe. A menininha da mamãe fez merda e eu tenho que passar a mão na cabecinha dela. - fingiu uma falsa calma - Esta melhor assim?

- Na verdade não, pois esta me assustando. Pode voltar a ficar nervosa.

- Nossa como e difícil te agradar. - falou ao tirar o excesso da linha - Querido, pega o conhaque para mim?

Ele soltou Yuri e saiu.

- Não acha que esta cedo demais para você beber mãe?

- E quem disse que e para mim?

- Não olhe para mim, eu n gosto de bebidas alcoólicas e estou grávida. – falei.

- Também não e para você, e é bom eu não te ver bebendo nada dessas coisas mesmo. 

- Aqui esta. - meu sogro voltou com uma garrafa. 

- Obrigada, só vou te pedir mais uma coisinha.

- Acho que sei bem o que e. - ele chegou perto de nos - Vem aqui filha.

Ele a levou até perto da pia onde passou a lavar sua mão, enquanto sua mãe abria aquela garrafa. Com ela aberta deu um sorriso para mim e foi para perto deles.

- Já terminaram ai?

- Sim querida.

Ela deu uma ultima olhada na mão dela antes de jogar um pouco daquela bebida por cima.

- Porque você fez isso? - Yuri perguntou fazendo cara de dor.

- Desinfetando o ferimento. E é bom que arda mesmo, assim pensara duas vezes antes de fazer isso de novo.

"E ela falava que minha mãe que dava medo, mas eu até que entendo ela." pensei ao ver a mesa suja de sangue "Deve ser bem difícil ter que fazer isso na própria filha."

- Já passou, agora senta e fica quieta.

Minha sogra saiu com a garrafa na mão, nessa hora fui para perto dela.

- Você não vai brigar comigo também né?

- Não vou meu amor, só queria ver se estava melhor.

- Um pouco. Ainda esta doendo e ardendo muito.

- Senta ali e fica quietinha. - disse pegando um pano e o molhando.

- O que você vai fazer?

- Limpar a... Quer dizer, eu ia limpar a mesa. - falei ao ver seu pai já fazendo isso - Mas pelo visto não fui só eu que tive essa ideia.

- Desculpa Hitomi, mas não quero a dona mais nervosa sabe? – riu – Ainda mais quando ela resolve fazer as coisas do jeito alternativo.

- Eu te entendo sogro.

Fiz Yuri se sentar e me sentei ao seu lado. Assim que ele terminou de limpar, o vi ir para fora.

- Como você esta se sentindo?

- Além de dor, meio tonta e estranha.

- Estranha? - coloquei a mão em sua testa - Você esta gelada amor.

- Isso e normal e a tontura também. - minha sogra falou ao voltar - Assim que você descansar e se alimentar bem, ira voltar ao normal. Hitomi, eu espero que você ainda se lembre do que te ensinei sobre fazer curativos.

- Lembro sim.

- Ótimo, então você faz. - disse colocando algumas coisas na mesa - Eu vou tentar salvar o jantar.

Fiz o curativo que ela tinha pedido e ao terminar comecei a rir.

- Qual e a graça?

- Nenhuma amor, só que com isso no dedo, parece que voltei para o dia em que começamos a namorar.

- Eu já nem me lembrava disso. - passou a analisar o seu dedo - E o pior e que foi no mesmo.

- Agora fique quieta ai, vou guardar essas coisas. 

Peguei as coisas que sua mãe tinha trazido e as devolvi para seus lugares antes de voltar a cozinha.

- Quer ajuda sogra?

- Depende, você não vai brincar né?

- Não senhora.

- Ok, mas conhece a regra.

- Sim, se eu sentir qualquer coisa, eu paro na hora.

Passei a ajuda-la no que faltava quando tocaram a campainha.

- Deixa que eu atendo. - a voz de Kelly foi ouvida.

Após alguns segundos, ela e minha mãe entraram. 

- Que surpresa boa. - falei ao ver minha mãe - Agora que sei que teremos convidados especiais, vou caprichar aqui.

- Capricha mesmo, pois estou com saudade da sua comida. E você Yuri, não me diga que quebrou o dedo de novo .- falou ao ver seu dedo enfaixado.

- Não, dessa fez foi um acidente com a faca.

- E como foi esse acidente? 

- Ela estava brincando e se desconcentrou, ai você já sabe.

- Sei sim, faca na mão. - ela falou dando uma tremida na cabeça - Não gosto muito de imaginar isso. 

- Mas me diga, o que você tem ai nessa sacola? - minha sogra perguntou.

- Isso? E coisa dos nossos maridos. O seu foi lá em casa agora pouco e após conversarem por um tempo, me pediram para trazer isso para cá. - mostrou uma pequena fita cassete – E falaram que iam atrás de outras coisas que ainda precisavam. 

- O que tem nelas? – perguntei.

- Eu também não sei. Só me pediram para trazer.

Fui para perto e peguei uma delas a olhando. Em todas tinham etiquetas com numerações aleatórias.

- Tem algum aparelho para podermos ver?

- Infelizmente não temos. - minha sogra falou.

- E em casa mãe?

- Também não.

- Kelly, seus pais tem?

- Se tiver, eu nunca vi. - respondeu – Eu nem sabia que isso ainda existia.

- Mas existe, só não sei o porquê de tudo isso. – minha mãe falou. 

- Minha culpa. - Yuri se manifestou - Fui eu que pedi.

- Você amor?

- Sim, por sua causa.

- Minha?

- Você não queria ver como era o lugar? Então, em uma dessas fitas deve mostrar ele. 

- Do que vocês estão falando? - minha mãe perguntou.

- A Hitomi falou mais cedo que sentia que precisava ver onde éramos mantidas presas, antes daquele encontro que vocês decidiram fazer. Então perguntei ao meu pai se ele tinha algo do lugar, fossem fotos ou vídeos.

- Então teremos uma sessão cinema? - Kelly perguntou.

- Só depois de colocarmos as crianças para dormir. Pois isso não será uma experiência legal para elas.



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