História Sombras do Passado - Capítulo 15


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Karin, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Assassinato, Gaasaku, Máfia, Naruhina, Nejiten, Passado, Policial, Sasodei, Sasusaku, Segredos, Shikatema, Sombras, Tragedia, Violencia
Visualizações 56
Palavras 8.938
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Mistério, Policial, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Estou aqui de volta o/ Peço desculpas pela demora e por algum erro de português!

PS - Leiam as notas finais!
Beijos :3

Capítulo 15 - Verdades


Fanfic / Fanfiction Sombras do Passado - Capítulo 15 - Verdades

 

Konoha, centro. – EMESK (faculdade) – 9h30min – Quinta-Feira.

 

Mantinha seus olhos fixos à figura careca parada no meio da lousa que explicava com êxtase um cálculo extremamente complexo, mas útil para uma possível construção civil. Obito os fechou por alguns minutos, massageando as têmporas e suspirando fundo. Por mais que quisesse prestar atenção na aula, nada entrava em sua cabeça a não ser a figura de seu primo e isso o estava deixando irritado.

Ergueu-se da mesa e saiu da sala, colocando seus fones de ouvido em seguida no último volume. Botou a mochila nas costas e as mãos no bolso da calça indo diretamente para o pátio aberto. Chegando lá, sentou-se em um banco de cimento que ficava abaixo de uma cerejeira, e este era o lugar preferido de Rin. Sentia saudade dos momentos que passava com a garota e o melhor amigo, porém seu orgulho por este era maior, pois julgava ser culpa de Kakashi o término de seu namoro e o afastamento do trio. Apesar disso, o Uchiha admitia que era um verdadeiro cafajeste, mas estava disposto a mudar.

Cerrou os olhos, alçou a cabeça e permitiu que a brisa um pouco gélida beijasse seu rosto, fazendo-o ter um choque de realidade enquanto escutava qualquer melodia do Metallica. Abriu-os novamente e avistou uma garota correndo pelo pátio e pela sua feição parecia estar preocupada com alguma coisa. Era ela. Rin vestia um vestido não muito curto da cor vermelha, seus cabelos castanhos estavam soltos e trajava sapatilhas claras. Um sorriso vago surgiu nos lábios do moreno ao contemplá-la, todavia logo desapareceu ao vê-la se aproximar de si.

– Finalmente te achei! – clamou um pouco ofegante enquanto o outro retirava os fones de ouvido para prestar atenção no que dizia.

– O que aconteceu? – as palavras simplesmente saltaram de sua boca. – Por que está desse jeito?

Obito ainda permanecia com uma feição de surpresa desenhada em seu rosto, ainda mais depois da morena sentar ao seu lado sem mais nem menos, recuperando seu fôlego e brincando com os dedos, demonstrando seu nervosismo aparente. Ambos não conversavam há bastante tempo e procuravam evitar olhares, por isso julgou estar tão hesitante.

– Aconteceu algo horrível. – disse por fim, cabisbaixa, colocando os cabelos curtos através das orelhas. O outro arqueou a sobrancelha, estranhando seu comportamento. – Eu sei que não nos falamos nesses últimos tempos, mas achei que você precisaria saber do que aconteceu. Afinal, vocês eram amigos.

Obito cravou seu olhar no chão, tentando raciocinar e acalmar o coração que batia aceleradamente. Pelo visto, era algo relacionado com Kakashi e algo relativamente sério devido à atitude dela.

Óbvio, ela nunca me procuraria se o assunto não fosse o Hatake”. Pensou consigo mesmo, suspirando e revirando os olhos.

– O que aconteceu? – indagou indiferente, sem ao menos olhá-la. Porém, não obteve resposta imediata o que o fez encará-la, percebendo sua feição tristonha. – Rin? O que aconteceu? – repetiu certamente irritado pela demora.

Ela engoliu em seco e por fim o encarou.

– O Kakashi me ligou desesperado agora mesmo dizendo que seu pai cometeu suicídio hoje de manhã. – deu uma pausa, notando o quanto Obito ficara abalado com tal notícia. – Eu queria vê-lo então pensei em chamar você para me acompanhar. Isso se você quiser é claro, já que vocês não se falam mais.

– Vamos lá. – articulou erguendo-se, puxando-a pelo braço.

Ambos durante o caminho até o estacionamento não trocaram mais nenhuma palavra. Era perceptível o clima tenso, ainda mais depois daquela pavorosa notícia. Obito não sabia nem o que pensar diante tal situação. Samuko havia cometido suicídio? Seu orgulho era grande, mas não maior que a sua preocupação no momento.

– Olha... – comentou Rin quebrando a quietude. – Eu sei que não é a melhor hora para dizer isso, mas quero deixar claro que eu e o Kakashi nunca tivemos nada. Somos apenas amigos.

Obito permanecia quieto.

– Eu sei que você não acredita em mim, só que deveria. – continuou: – Obito, você tem todo o direito de não querer falar comigo, mas você e o Kakashi são amigos há anos, sempre estiveram juntos, até mesmo antes de me conhecer. Então pense bem antes de acabar com uma amizade incrível como a dele. – suspirou profundamente, esperando-o dizer algo, porém este permaneceu quieto, fitando a rua movimentada e pisando fundo no acelerador.

Em cerca de alguns minutos, já estavam em frente ao prédio de Kakashi.

– Rin, – segurou-a pela mão impedindo-a de sair do carro. – Eu sei que fui um completo idiota com você. Realmente não merecia seu amor e peço desculpas por te fazer sofrer. Mas você não tem noção do que o Kakashi fez.

A morena arqueou a sobrancelha, estranhando aquela afirmação. Ela contestou, mas o Uchiha disse que era melhor conversar sobre aquilo outra hora, pois o que importava no momento era ver o estado de seu amigo – ou ex-amigo. Ao entrar no elevador, Obito sentiu um aperto no peito. Ele não sabia exatamente o que fazer diante aquele caso, ainda mais depois da discussão, entretanto sabia que ele estaria precisando de um ombro amigo naquele momento delicado. Bateram na porta e não demorou muito para ser aberta. O albino estava com os olhos inchados e vermelhos devido ao choro e fedia à bebida. Este se surpreendeu em ver seus velhos amigos perante si. Obito e Rin juntos?

– Rin? – lançou seu olhar a figura morena ao lado da garota. – Obito? O que hic!... Estão fazendo aqui? – era nítido o quanto estava embriagado, mas não o culpavam.

Sem responder sua pergunta, Rin o abraçou com força, sem dizer nenhuma palavra. Kakashi retribuiu a ação com a mesma intensidade e sentindo seus olhos arderem. No entanto, logo encarou Obito seriamente o que o fez ficar cabisbaixo, talvez envergonhado. Permitiu a passagem de ambos e em seguida fechou a porta.

– Não venha agora dar uma de que se importa só porque meu pai morreu. – disse referindo-se ao moreno. – Você mesmo deixou bem claro que não somos mais amigos e que o responsável por destruir seu namoro foi eu. – soltou um sorriso irônico. Obito iria retrucar, mas ele o cortou. – Por que você não vai lá com o Deidara? Aquele falso da porra? Não é nele que você confia?

– O que você quer dizer com isso, Kakashi? – indagou Rin, estranhando sua fala.

– Eu não te disse? – soltou uma gargalhada enquanto os outros dois se entreolhavam. O albino apenas alçou a mão em seu rosto e retirou a maquiagem, permitindo que contemplassem sua cicatriz. – Está vendo isso? Foi ele quem fez em mim. – apontou para Obito. – Mas ele estava tão bêbado que nem deve lembrar que quebrou uma garrafa em minha cabeça, não é mesmo? E olha que engraçado... Você chamou de amigo e confiou na pessoa que apunhalou pelas costas e não acreditou naquela que queria te ajudar.

– Você quer dizer que...

– Der... – sorriu jogando-se no sofá, achando graça daquela situação. – Foi o Deidara que armou tudo, até porque você não correspondeu seu amor. Isso mesmo, ele sempre foi caidinho por você. – agarrou a garrafa de bebida que estava em sua frente, na mesa de centro, e tomou o líquido amargo, arrotando em seguida. – Na verdade, ele iria te chapar para aproveitar de você, mas eu vi o que iria fazer e o questionei, mas depois brigamos. Vou mentir não, apanhei pra caralho por conta disso. – sorriu, bebendo novamente. – E aí você já sabe o resto... Ao invés de você ficar com ele, você traiu a Rin com uma garota qualquer e o Deidara filmou tudo e postou na internet, fazendo vocês dois passarem vergonha. – fuzilou-lhe com ódio.  – Sabe Obito... Mesmo depois de eu parar no hospital por causa de você, sempre tentei te falar a verdade, mas você preferiu me ignorar e me xingar pelas costas, espalhando um monte de mentiras sobre mim.

– E por que você nunca me falou isso, Kakashi?– intrometeu Rin, roubando seu olhar. Hatake sentiu um aperto em seu coração por ver seus olhos cobertos por lágrimas, mas já era tempo de lhe falar a verdade.

Levantou-se, caminhando em direção à garota, ficando em sua frente. Alçou as mãos e acariciou seu cabelo, dando um sorriso de lado repleto de tristeza.

– Eu simplesmente não sabia como te falar isso. – ficou cabisbaixo, evitando olhá-la. – Na verdade, fui egoísta. – levantou o olhar, tomando coragem de encará-la. – No fundo eu fiquei feliz por você ter terminado seu namoro com ele. O Obito nunca amou você de verdade, até porque se amasse não ficaria dando em cima de garotas pela faculdade e nem transaria com outra. Eu estava cansado de ver a garota que amo sofrer daquela maneira por conta de um babaca. Porém, ao mesmo tempo eu sabia que deveria te contar a verdade, mas não encontrei uma maneira e eu peço desculpas por isso. – deu uma pausa, bebendo novamente e fitando o garoto que permanecia em silêncio enquanto sentia a culpa consumir o seu corpo. – Não queria contar a verdade desse jeito, embriagado. – gargalhou, dando as costas para ambos.

Rin encarava o chão, sentindo um vazio por dentro por ter confiado daquela maneira em Kakashi e por ter descoberto que até mesmo durante o namoro Obito estava em olho em outras mulheres. Este por sua vez, encontrava-se intacto absorvendo aquelas verdades; sentindo a dor de ser traído e de ter sido um idiota com a pessoa que mais queria ajudá-lo. Era nítido seu olhar vazio e a culpa transbordar de seu corpo pálido. No entanto, uma imensa onda de cólera percorreu o seu corpo, fazendo com que cerrasse os punhos ao se lembrar da figura de Deidara.

– Quer saber? – disse por fim, roubando a atenção de ambos. – Saiam da minha casa. – apontou para a porta. – Eu tenho que resolver esse problema da morte do meu pai. Tenho que arrumar tudo e voltar para Suna hoje mesmo e não estou com cabeça para ficar discutindo sobre problemas do passado. – virou-se. – E também...

Calou-se ao sentir braços envolverem em seu corpo, abraçando-o por trás.

– Desculpe-me por tudo! – Obito gritou permitindo que as lágrimas rolassem pelo seu rosto. A culpa era muito grande em seu peito e simplesmente não conseguia aguentar mais aquela angústia. – Desculpe-me por tudo! Eu fui um escroto! Preferi acreditar naquele desgraçado do que em você que sempre esteve ao meu lado até mesmo quando meus pais me deixaram! Desculpe... hic! Eu não consigo acreditar que fiz isso com você... Que te feri... Desculpe-me...

Kakashi ficou intacto por alguns segundos tentando acreditar no que estava ouvindo. Obito chorando e pedindo perdão? E pôde perceber que aquilo era realmente verdade, pois conhecia aquele garoto e sabia que o orgulho dele era maior que tudo. Hatake não aguentou e sentiu seu mundo despencar em um choro. Havia muita dor em seu peito; a perda de seu pai; o amor não correspondido; o silêncio; a quase perda de sua amizade mais antiga. Kakashi deu um grito na tentativa de toda aquela dor ir embora, mas ainda continuava lá, o que importava agora é que seus amigos sabiam da verdade.

 

                                                                            ***

 

Konoha, zona leste. – Casa Yamanaka – 10h00min a.m – Quinta-Feira.

 

Resmungava mentalmente vários palavrões enquanto enchia uma xícara de café e mandava inúmeras mensagens para Sasori, dizendo como estava arrependido pelo seu comportamento bruto. Tamanha era sua consciência pesada que Deidara nem conseguiu terminar de assistir as aulas naquela manhã. Além disso, não conseguia parar de pensar na questão de Obito e Kakashi. Se o moreno soubesse a verdade, tudo estaria perdido.

Acordou de seus pensamentos ao escutar a porta principal ser aberta. Era seu padrasto e sua irmã que entravam.

“Escrotos.” Pensou consigo mesmo enquanto voltava a escrever mais uma mensagem de pedido de desculpas. Porém, em uma atitude repentina, jogou o celular para longe. Suspirou profundamente, passando as mãos pelos cabelos e massageando suas têmporas. Aquilo era mesmo necessário? Não entendia o motivo de estar tão preocupado com aquele garoto e com aquela situação besta – era o que achava – que acontecera mais cedo; não compreendia e nem aceitava sua atração por homens. Sentia nojo de si mesmo.

No entanto, esse sentimento de repulsa não era culpa sua e sim da maneira que fora criado por seu padrasto. A infância de Deidara não fora a melhor de todas. Seu pai morreu quando tinha apenas sete anos e na tentativa de seguir em frente, sua mãe se relacionou com Yamanaka Inoichi com quem teve uma filha que deram o nome de Ino. Porém, o homem a deixou para seguir seu sonho de se tornar alguém famoso e nunca mais tiverem notícias deste. No decorrer de três anos, Mei conheceu Hayato, um homem particularmente com boas condições financeiras. Casaram-se e mantiveram uma relação abusiva, mas ela não conseguiu o deixar, visto que seus filhos não iriam sobreviver somente com o seu salário baixíssimo.

O brutamonte, baseado no sistema patriarcal, sempre ensinou Deidara os princípios para ser um macho alfa. Quando Hayato percebera seu interesse por homens, reprimiu-o, lançando inúmeros comentários homofóbicos e ofensivos. Porém, prometeu-lhe que iria curá-lo de alguma maneira. Impediu que Deidara se encontrasse com seus amigos durante meses e contratou prostitutas para lhe despertar desejo carnal.

“Não vou ter nenhum viado nessa casa.” Dizia-lhe na maioria das vezes. E com o tempo, Deidara desenvolveu um grande sentimento de repulsa por si mesmo pelo fato de que não conseguia retirar aquele desejo por homens dentro de seu corpo e devido às humilhações e ordens, impregnou em sua cabeça que estava estragado, por isso tentava ao máximo passar uma imagem de pegador e aguçar sua volúpia por mulheres – mas não conseguia. Além disso, nunca foi próximo de Ino. Não conseguia aceitá-la simplesmente pelo fato de não ser filha de seu pai. Desprezava-a e na maioria das vezes fingia que nem existia.

Na tentativa de fazer ir embora aqueles sentimentos, saiu da casa e botou-se a correr pela rua. Porém, parou quando avistou uma figura morena caminhar em sua direção.

– Obito! – exclamou indo ao seu encontro, percebendo seus olhos inchados e a cara fechada. – O que aconteceu com você? Está péssimo! – soltou um sorriso, mas logo o cessou devido à maneira como o outro lhe encarava. – O que você tem cara?

Antes que pudesse ter sua resposta, sentiu o punho do outro ir de encontro com seu rosto e lhe lançar para trás. Tamanha fora a força que seus cabelos acompanharam o golpe, porém antes que pudesse contestar, sentiu mais outro murro, só desta vez fez seu nariz sangrar. Assim que a dor passou, fitou-o apreensivo, imaginando o motivo de estar tão nervoso. Não conseguia falar nada, pois parecia que sua garganta havia secado perante tal situação.

– Isso é por você ter arruinado minha amizade com o Kakashi. – disse Obito cerrando os punhos. – Você é um desgraçado. Eu só não acabo com sua raça aqui e agora por que estou com pressa. – umedeceu os lábios com saliva, demonstrando sua irritação. – Apodreça no inferno, seu merda.

 

                                                                       ***

 

Konoha, centro – EMESK – 11h15min – Quinta- Feira.

 

 

Encontrava-se perante o espelho do vestiário feminino, fuzilando-lhe e permitindo que as lembranças de repulsa percorressem pelos seus pensamentos. Por mais que não quisesse admitir, tinha grande culpa do término de seu namoro, não pelo fato de Kiba ter a abusado, mas simplesmente por ser a pessoa mais escrota do colégio. Hinata reconhecia que tudo o que Naruto falara sobre Sakura era verdade. Inveja. Era realmente o sentimento que nutria por esta, não pelo seu passado sombrio, porém pelo seu jeito de ser, indiferente para as coisas mundanas. A perolada almejava ser assim como Haruno, todavia ao mesmo tempo não se via naquela posição, sem nenhuma fama.

Abriu a torneira, encheu as mãos de água e jogou no rosto, nem se importando com a maquiagem que poderia sair. Fuzilou-se mais uma vez, notando sua pele mais branca que o normal e uma onda de angústia e repugnância subir pelo seu corpo à medida que recordava do dia em que tudo aconteceu. Por que ainda andava com um estuprador? Por que o defendeu? Por que fingia que nada tinha acontecido? E acima de tudo, como acusou Naruto de ter inveja de Kiba?

 

– Solte-me Kiba! – exclamava enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. – Solte-me! – debatia-se tentando sair do domínio do moreno que não parava de sorrir, mostrando o quanto chapado estava.

– Qualé Hinata! Só um pouquinho! – suplicou jogando-a contra a parede.

Recompondo-se, arrumou seu cabelo bagunçado, limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto e o encarou com ódio.

– Eu nunca vou transar com você! – cuspiu as palavras. – Eu o amo! Agora se me der licença... – disse apanhando sua mochila e caminhando para a saída do banheiro, todavia sua ação fora interrompida quando o moreno a segurou com força pelo braço e a jogou novamente contra a parede. – O que você está fazendo? Você está chapado!

– Foda-se! Eu irei te comer... – articulou mordendo os lábios enquanto a olhava de cima a baixo. – Você é muito gostosa... Quero que seja minha e não daquele loiro babaca que nem ao menos pode te dar prazer. Mas eu posso... – sussurrou cheirando seu cabelo e sentindo a onda de prazer pelo seu corpo. Prendeu-a contra a parede permitindo que fuzilasse os olhos repletos de lágrimas e desespero. – Você pode me dar ou senão eu vou atrás de Naruto e irei espancá-lo de uma forma que nunca fiz antes... Além de humilha-lo na frente de todo mundo por causa da sua doença. Acho que você sabe o quanto ele é inseguro, não é mesmo?

Ela fez um sinal positivo com a cabeça sentindo suas pernas tremerem involuntariamente.

– Oh Hinata... – Kiba fez uma cara triste passando as mãos por seu cabelo e em seguida limpando suas lágrimas. – Não fique assim. Afinal, acho que você já esperava isso. Você sempre me provocou, sempre quis me ver correndo atrás de você sendo que estava namorando com ele... E simplesmente não aguento mais essas provocações.

– Seu escroto.

– Isso mesmo, me xinga. Isso me deixa excitado. – sussurrou novamente e mordendo o lóbulo de sua orelha. – Agora se vire. – puxou-a pelo cabelo bruscamente, virando-a de costas para si e desabotoando sua calça. – Isso não vai demorar muito.

Hinata deu um grito alto clamando por socorro, porém Kiba tampou sua boca apressadamente e isso fez com que o irritasse ainda mais. De uma só vez, enfiou seu membro dentro da garota que arfou de dor e chorou desesperadamente enquanto o jovem aproveitava de si.

 

As risadas de suas amigas a acordou de seus pensamentos. Piscou várias vezes na tentativa de que todo aquele sentimento repugnante fosse embora, todavia tudo retornava. No fundo, sabia que deveria falar novamente com Naruto, dizer-lhe o quanto se sentia culpada por implicar com Sakura e pedir desculpas por ter sido uma péssima namorada e, finalmente, poder ser feliz ao lado de quem ama de verdade. Além de denunciar Kiba por abuso sexual e acabar com a vida daquele idiota. Ódio, nojo e arrependimento. Era isso o que sentia perante tudo. Porém, fazendo isso arriscaria perder sua popularidade na escola e em hipótese alguma queria que isso acontecesse. Hinata escondia todas as suas frustrações através daquilo.

Socou com força a pia fazendo com que Tenten e Tayuya a encarassem assustadas.

– O que aconteceu, Hina? – a morena, que terminava de fazer seus coques, ousou a perguntar. – Por que está agindo dessa forma?

A Hyuuga a fitou com uma feição repleta de nojo e logo depois lançou seu olhar para a outra.

– O que vocês duas estão fazendo? – perguntou incrédula. – Nós temos que terminar de arrumar as coisas para o baile que já é semana que vem e ficam conversando sobre garotos?! Acordem! – lançou seu olhar para Tenten, dando um sorriso irônico. – Acho melhor você começar a emagrecer, Tenten. Ou pode esquecer aquela fantasia naquele tamanho. Sua gorda! – cuspiu as palavras enquanto a outra apenas ficou cabisbaixa, possivelmente chateada com aquele comentário. – E você Tayuya? Quer parar de bancar a que pega todo mundo?! Está pagando um grande mico, porque já sabemos que isso não é verdade!

Recompondo-se, pegou sua mochila.

– Encontro vocês lá em casa para terminarmos de arrumar os preparativos do baile. – sorriu como se nada tivesse acontecido e em seguida saiu do vestiário.

Esse era o pior defeito de Hinata, visto que para se sentir melhor perante suas angústias e frustrações, humilhava até mesmo suas melhores amigas.

 

                                                                     ***

 

Konoha, centro – EMESK (quadra esportiva) – 11h15min – Quinta- feira.

 

 

– Nossa! Você está com uma aparência horrível! – comentou Kiba com um sorriso de deboche desenhado em seus lábios ao ver a situação de Shikamaru. Shino, que estava ao seu lado, concordou soltando uma gargalhada. O outro preferiu ignorar o comentário e as risadas, tentando controlar a vontade de acertá-lo com todas as forças e acusá-lo por arruinar sua vida. – Mas pelo menos você apareceu. – ergueu-se da arquibancada.

– O que vocês querem comigo? – indagou revirando os olhos, fitando o moreno em seguida. – Eu deveria estar de repouso na minha casa.

– Você sabe que dia é hoje, meu caro? – deu uma pausa esperando para que completasse sua fala, porém o silêncio reinou e isso fez com que fechasse a cara devido ao tédio que Shikamaru transmitia. – É dia do clube de matemática. Dia de diversão com os nerds.

– É, mas acabou por ser suspenso hoje. – completou Shino.

– Era só isso? – bufou. – Vocês me fizeram sair de casa à toa?

Kiba soltou um leve sorriso ficando parado à sua frente. Shikamaru cerrou os punhos com ódio tentando esquecer tudo o que lhe fizera, porém estava sendo cada vez mais difícil. Em toda quinta-feira, ocorria o clube de matemática, este no qual participava e fizera grandes amigos, mas depois que começou a andar com os maiorais afastou-se. No entanto, Inuzuka fazia questão de tocar em sua ferida e obrigá-lo a maltratar os nerds, ou seja, seus ex-amigos.

– Claro que não, meu caro. – abraçou-o de lado, forçando a amizade. Apontou para uma única figura que estava sentada do outro lado da arquibancada que provavelmente nem percebera a presença deles ali, uma vez que se encontrava de fones e focado em seu aparelho eletrônico. – Está vendo aquele esquisito ali? – Nara assentiu com a cabeça, sem nenhuma animação. – Ele será nosso alvo hoje.

Gargalhou jogando sua mochila nas costas. Shino fez a mesma coisa e Shikamaru bufou, mostrando sua irritação. O trio aproximou-se da figura melancólica que preferiu ignorá-los, fingindo que não os viu parados à sua frente. Inuzuka cutucou Nara em sinal para que começasse a provocá-lo.

– Ei! – clamou, porém ficou sem respostas. E perdendo a paciência, bateu na mão do jovem o que fez seu celular cair e lhe despertar cólera. – Eu estou falando com você!

Em um piscar de olhos, o outro apanhou novamente seu celular e retirou os fones, fuzilando o grupo de amigos parado a sua frente com uma feição de indiferença.

– Posso ajudar? – arqueou a sobrancelha, dando de ombros.

– Mas é claro. – quem falara agora fora Kiba, roubando a atenção da figura sombria para si. – Você é o Neji, aquele esquisito que repetiu o terceiro colegial não sei quantas vezes? – debochou fazendo Shino soltar uma gargalhada falsa. Shikamaru revirou os olhos, uma vez que não suportava sua atitude de querer fazer de tudo para agradá-lo, até mesmo forçar a barra. – Você é o primo da Hinata, não é mesmo?

Neji suspirou profundamente, guardando o aparelho em sua mochila, porém Kiba segurou sua mão com força. O Hyuuga, perdendo a paciência diante tal situação, retirou a mão do outro de si empurrando-o para longe, erguendo-se da arquibancada em seguida e fitando-o com amargura. Por mais que Kiba fosse jogador de basquete, não era muito alto e a altura do outro fez com que ficasse parado por alguns míseros segundos.

“Vai lá seu idiota, mexe com quem está quieto.” Pensava Shikamaru enquanto tentava controlar sua risada.

– Eu já ouvi falar sobre você, se quer saber. E você não me bota medo e sim me enoja. – comentou enquanto jogava a mochila nas costas e encarava-o friamente. – Quer saber de uma coisa? Você vai perder seu tempo comigo. – deu uma pausa, virando as costas. – E não me interessa se você é filho do diretor. Se tentar algo contra mim, não pensarei duas vezes para quebrar sua cara então é melhor ficar longe de mim.

Shino cerrou os punhos, indignado com a maneira de como seu amigo fora tratado. Andou até o moreno bruto e o puxou pelo braço com força, porém tudo o que conseguiu receber fora um soco no meio rosto.

– Eu disse para não mexer comigo. – articulou virando novamente as costas.

Enquanto seu amigo recuperava do golpe e Nara tentava ao máximo segurar sua gargalhada, Kiba o fuzilava pelas costas.

– Vamos deixar esse anormal de lado. – disse alto a fim de que o Hyuuga escutasse, mas este continuou caminhando. – Vamos procurar outro divertimento. Quem sabe encontramos o Rock Lee por aí.

Embora estivesse surpreso com o nome de seu amigo ser pronunciado, continuou seu caminho, pensando no motivo de Lee estar se escondendo. Acreditava que ele fosse alvo constante do grupo de basquete, mas, por exemplo, por que parecia fugir de Sakura? O que realmente havia acontecido entre os dois? Neji queria realmente entender o porquê daquilo tudo, porém não era tão próximo de Lee para ficar perguntando sobre o seu passado.

Despertou-se de suas reflexões ao escutar um ruído, possivelmente um choro, vindo do vestiário feminino. Sem pensar duas vezes, espreitou o mesmo, notando uma figura agachada perante um dos vasos sanitários, colocando o dedo na garganta e provocando o vômito. Assim que a mesma deu a descarga e caiu no chão, chorando desesperadamente, percebera que era Tenten. O moreno, por um vago momento, sentiu pena.

“Você se torna cada vez mais interessante.” Refletiu consigo mesmo enquanto tornava a sair do local, continuando seu caminho.

 

                                                                             ***

 

Konoha, zona sul. – Apartamento à moda italiana – 17h00min – Quinta-feira.

 

 

– Finalmente eu te achei, desgraçado.

Congelou-se ao ouvir tal voz através do telefone. Não era possível. Gaara havia sido cauteloso demais esse tempo todo, então não tinha como ser descoberto. Quebrara até mesmo seu antigo celular para não ser rastreado após sua última discussão com o irmão. Qual erro deveria ter cometido? Engoliu em seco, pensando em seus possíveis equívocos e permaneceu imóvel escutando uma risada cínica do outro lado da linha, provavelmente Kankuro tinha percebido seu espanto graças à ligação.

“Será que ele já está em Konoha?” Pensou consigo mesmo.

Está surpreso, Gaara? – deu outra gargalhada. – Achou mesmo que poderia se esconder para sempre? Como ousou a fugir de sua própria família? Você traiu Os Bertolli, seu desgraçado! O que sente em relação a isso?!

– Sinto orgulho. – disse por fim com um nó na garganta e as pernas bambas. Sentia-se um idiota por ter medo e não manter sua postura rígida diante seu irmão. – Você e Rasa nunca foram minha família de verdade, porque nunca me apoiaram em nada, nem mesmo em meus sonhos! E me obrigaram a ser aquilo que nunca quis! – cuspiu as palavras, lembrando-se de todas as humilhações de Rasa, seus trabalhos sujos na Itália e da saudade de sua mãe. – Eu tenho nojo de você e do Rasa! Sinto nojo de toda a máfia! Vocês só pensam em si mesmos e em dinheiro!

Calou-se notando que sua voz tornava-se trêmula devido ao choro que segurava. Escutou um barulho do outro lado da linha, provavelmente era seu irmão tendo um ataque de raiva, porém nem ligou. Ergueu a mão a fim de limpar o suor frio que escorria pela sua testa e respirou fundo, tentando se acalmar, visto que não queria demonstrar fraqueza ao seu desprezível irmão.

Sabe Gaara... Você é um tolo de ficar encanado com essas coisas da nossa mãe. – disse em um tom de desgosto. Gaara arqueou a sobrancelha escutando ruídos do outro lado, não entendo o que estava acontecendo. – Ela nos deixou e você nunca irá encontrá-la! Ela nunca te amou! Esqueça isso e aceite seu destino, moleque!

– Cala a porra da sua boca! – vociferou permitindo que as lágrimas escorressem pelo seu rosto. Aquelas palavras haviam sido como facadas em seu coração. Em hipótese alguma iria desistir de encontrar sua mãe, pois sabia que Rasa provocou seu desaparecimento. Não cederia agora quando estava na pista certa ao se aproximar de Sakura. – Já disse que nunca serei como vocês! E provarei para você o quanto está em errado em confiar em uma pessoa tão desprezível quanto aquele ser que você chama de pai!

Kankuro riu novamente. Gaara limpou as lágrimas e cerrou os punhos.

– Onde está a Matsuri?

As palavras simplesmente saltaram de sua boca. Não sabia ao certo se seu irmão descobrira a verdade sobre sua esposa, mas decidiu arriscar, uma vez que a probabilidade de ter sido pega era muito alta. Percebeu uma pontada em seu peito ao imaginar que Matsuri poderia estar morta. Gaara não conseguia entender o motivo de estar tão preocupado com a figura da morena, todavia mal sabia que esse sentimento era denominado amor. Desde muito cedo, aprendera a esconder esse sentimento, pois Rasa sempre dizia que o amor era o responsável por deixar as pessoas vulneráveis e sensíveis.

Ambos apaixonaram-se, isso era notório. No entanto, reconhecia ser grosso a maior parte do tempo que passavam juntos, até mesmo já julgou a si próprio de usá-la para conquistar repostas sobre o desaparecimento de sua mãe, uma vez que era a esposa de Kankuro e poderia ter acesso a informações importantes.  Além disso, nunca valorizou seu amor e isso lhe trazia um sentimento de culpa. O ruivo achava que a única pessoa que amou em sua vida fora sua mãe, porém estava enganado.

Aquela traidora? – deu uma pausa. Do outro lado da linha, os sons que ecoavam pareciam ser de correntes. – Quer falar com ela?

O coração de Gaara acelerou.

– O-o que quer dizer com isso?

– Gaara! Gaara! Ajude-me! – engoliu em seco novamente ao ouvir gritos agudos do outro lado da linha. Uma de suas suposições estava certa, Matsuri não estava morta, mas sim em cárcere privado. O que de certa forma lhe trazia alívio. – Por favor! – era perceptível sua voz embargada por causa do choro.

Mio amore! – gritou desesperado, quase arrancando seus cabelos e percebendo seu coração bater mais rápido que uma metralhadora. – Eu lhe tirarei daí! Prometo!

Acho melhor tomar cuidado com o que você promete, irmãozinho. – Kankuro disse sem nenhuma expressão. – Essa vagabunda vai ter o que merece. Traiu-me e o seu próprio pai!Mas agora não importa mais, porque ela só irá servir para te dar um aviso: estou atrás de você Gaara. Não irá fugir tão fácil das minhas mãos e você vai sofrer por conta dessa desonra.

– Eu juro que te mato se fizer algo contra ela!

Reprimiu-se ao ouvir um estrondo de tiro do outro lado da linha. Gaara imobilizou-se durante longos segundos, sentindo seu mundo cair em um piscar de olhos e o vazio tomar conta de seu peito. Deu um grito coberto por um manto de ódio e as lágrimas não paravam de escorrer por seu rosto pálido.

Isso é o que acontece com traidores. – afirmou seu irmão por meio de um longo suspiro, escutando seu irmão chorar. – E isso é para você não me subestimar mais. – percebendo que o ruivo não falaria nada, continuou: – É melhor você tomar cuidado em quem confia, Gaara. Eu sei que você está atrás dos Haruno e que contratou uma gangue para protegê-lo, mas fique sabendo que sou mais esperto que você. – soltou uma gargalhada sem graça, repleta de insanidade. – Acho que você deve estar bem abalado agora já que sua única fonte de orientação está morta. Até, irmãozinho.

Kankuro desligou a chamada e tudo o que Gaara fez fora jogar o celular longe e agachar no chão, chorando desesperadamente e autorizar a dor e a culpa tomar conta de seu corpo trêmulo e frio.

– Tudo é culpa minha! – gritou abafado, socando o chão. – Minha culpa! E... hic! – respirou fundo, controlando-se. Levantou-se do chão indo em direção à mesa de bebidas, encheu o copo de uísque e bebeu-o, fazendo uma careta devido à amargura. Limpou com forças as lágrimas cerrando os punhos. – Eu vou matar aquele desgraçado.

A campainha tocou, roubando sua atenção. Arqueou a sobrancelha, pensando que poderia ser um truque de Kankuro. Agora deveria aumentar ainda mais sua cautela. Apanhou sua arma, escondendo-a no cinto e caminhou lentamente até a porta. Assim que abriu, deparou com uma mulher loura que esboçava um enorme sorriso no rosto, trajava uma roupa curta e emitia um odor de bebida misturado a fumo.

– Boa noite. – disse sorrindo percebendo a feição séria do outro. – Eu sou uma de suas vizinhas e estava fazendo um bolo, mas meu açúcar acabou então decidi pedir ajuda. – estendeu a mão. – Prazer, meu nome é Yugito.

Gaara permaneceu quieto, analisando-a dos pés à cabeça e nem ao menos pegou em sua mão e lhe disse o nome. Permitiu a passagem para dentro do apartamento a partir de um sinal com a cabeça. Ela entrou, no entanto em questões de segundos fora presa contra a parede e sua boca tampada pela mão grossa do outro.

– Shhh... Não grite ou sofrerá as consequências. – disse por fim, sussurrando em seu ouvido. A loira ficou surpresa diante tal situação e assentiu com a cabeça. O outro se afastou e ambos se encararam. – Eu conheço todas as pessoas que moram aqui neste prédio e sei que você está mentindo. Quem é você? – ela parecia hesitante. Yugito sentiu raiva por um momento de Temari, uma vez que não havia sido alertada da agressividade e estranheza de seu cliente. Na verdade, estava muito confusa e não sabia realmente o motivo de sua amiga se relacionar com aquele homem. – Quem é você?! – repetiu levantando a voz, fazendo-a dar um passo para trás, demonstrando seu medo aparente.

Yugito engoliu em seco.

– Meu nome realmente é Yugito e sou amiga de Temari. – tal resposta fez com que uma feição de surpresa esboçasse no rosto do ruivo. – Ela foi embora e me disse para ficar com você, descobrindo mais coisas sobre sua vida e o que fica fazendo às escondidas.

Gaara andou de um lado para o outro, pensando se não fora Temari quem contou seus planos para Kankuro, todavia não havia, em momento algum, contado seu verdadeiro motivo de estar em Konoha. A loira só sabia que era um Bertolli, nada mais que isso. Ele já desconfiava que ela não ficaria satisfeita ao seu lado ainda mais depois das ameaças e proibições.

Idiota.” Pensou consigo mesmo enquanto lançava o olhar para a mulher assustada.

– Ela não lhe disse para onde estava indo? – teve sua resposta através de um sinal negativo com a cabeça. Gaara suspirou balançando a cabeça negativamente. – Olhe, eu não irei lhe machucar, Yugito. Peço até mesmo perdão pelo meu jeito agressivo agora a pouco, mas estou com alguns problemas então não posso me arriscar. – aproximou-se da figura que continuava a engolir em seco. – Podemos fingir que isso nunca aconteceu e que você nunca me viu? – sorriu.

– S-Sim.

– Obrigado pelas revelações. – passou as mãos pelo seu cabelo, mudando de expressão. – Agora pode ir embora.

Em questão de segundos, a mulher já havia saído do local. O italiano encheu o copo de novo de bebida e pensava em possíveis traidores. Descartou a possibilidade de ser Sakura, visto que a mesma não sabia de seu verdadeiro passado. A única pessoa que não saía de sua cabeça era Karin, afinal a mesma não lhe dissera que conhecia Sakura. Estaria ela atrás de tudo? Mesmo que não fosse a garota, o suspeito estava dentre as pessoas que conhecia sua verdadeira identidade, ou seja, ele estava na gangue.

Aquilo tudo estava o matando.

O aparelho vibrou novamente, apanhou-o.

Desconhecido: “É melhor cuidar de sua única pista de achar Violla, Gaara.”

 

                                                                    ***

 

Konoha, zona norte. – Casa Haruno – 17h30min – Quinta-feira.

 

Após toda a conversa que tivera com Iruka, percebera que realmente estava obsecada com aquele assunto sobre a morte de seus pais, mas era algo inevitável. Seu maior sonho era descobrir a verdade, porém não queria perder seu último ano novamente. Naquela tarde, dera uma bronca em Naruto, dizendo que não podia beber daquela forma e que estava decepcionada consigo, o loiro pediu desculpas e disse que isso não aconteceria novamente. Ele contou-lhe também do encontro que tivera com Hinata e Sakura se surpreendeu ao saber que fora abusada por Kiba. No entanto, possuía um pé atrás até porque ela poderia estar falando aquilo para Naruto voltar correndo para os seus braços.

Não queria que seu amigo sofresse novamente nas mãos daquela garota.

Ao chegar a casa, antes de abrir a porta, percebera que havia um bilhete junto a uma rosa no tapete. Estranhou, mas mesmo assim pegou-o e leu.

“Você está mais linda a cada dia. Saudades.”

Sorriu, imaginando ser Gaara com seu jeito galanteador e clássico de ser. Entrou a casa e fora imediatamente tomar banho. Refletiu consigo mesma que deveria focar mais na escola e se preparar melhor para buscar respostas sobre o assassinato de seus pais. Seu emocional estava muito abalado com tudo o que estava acontecendo.

“Falarei com Yamato mais para frente, pois, apesar de tudo, tenho que dar um jeito em minha vida primeiro.” Pensava consigo mesma enquanto preparava um café. Ligou a TV e colocou justo no jornal.

“Temos notícias urgentes para a população de Konoha. Fomos informados que um jovem fugiu de um hospital psiquiátrico hoje mesmo. A polícia está investigando o caso e indo atrás de testemunhas.”

Ao escutar isso, Sakura rapidamente despejou os olhos na TV. Seu coração parecia ter parado de bater, suas pernas ficaram moles e sua pressão caiu, dando origem a um suor frio. Tudo ao seu redor parecia mudo. A repórter continuava falando sobre o acontecimento, mas só conseguia prestar atenção na foto de Kabuto estampada na tela.

– Impossível! – exclamou, sentando-se para se recompor. – Isso não é real! Não pode ser real! – passou as mãos pelos cabelos, fitando o nada, em estado de choque.

No entanto, sua atenção fora para a campainha que tocava desesperadamente. Ergueu-se, caminhando lentamente e trêmula até a porta. Olhou pelo olho mágico notando uma figura loira parada, inquieta. Sakura congelou-se novamente, porém dessa vez um sorriso imenso surgiu em seu rosto. Abriu-a.

– Eu não acredito! – exclamou, surpreendendo a figura que estava cabisbaixa, envergonhada. – Lee! – sem nem pensar, abraçou-o com força. – Eu estava tão preocupada com você! – encararam-se. – Como você está? Eu não te encontrei na escola... Achei que você tinha se mudado. E você está loiro?! Nossa você está tão... Mudado. – arqueou a sobrancelha.

Ela parou, examinando-o. De fato, Rock Lee não era o mesmo. Sua feição estava completamente mudada, não possuía mais suas sobrancelhas grosas e cabelo de tigela, até mesmo seu corpo estava diferente. Estava até que bonito. A única coisa que permanecia igual era seu olhar sincero e tímido ao mesmo tempo.

O loiro sorriu, coçando a cabeça nervosamente.

– São tantas perguntas... – suspirou. – Mas prometo responder todas.

Sakura lhe deu passagem e ambos foram até a sala. Ela lhe ofereceu algo para beber, mas ele negou. Sua ansiedade era muito grande para atender sua fome ou sede.

– Eu sei que não nos vemos desde aquele dia... – começou, evitando olhá-la. Lembrando-se de tudo, da dor que sentira por sua causa. – Sei que não é a melhor maneira de nos encontrarmos, mas eu precisava conversar com você, ao menos vê-la. Não aguentava mais me esconder. – sorriu, lançando-lhe o olhar e passando sua mão levemente no rosto da jovem. – Sakura, você sabe que sempre amei você.

A rosada fez uma cara triste.

– Lee... – suspirou. – O que aconteceu com você? Eu não me lembro muito bem do dia em que tudo aconteceu.  Só que eu apanhei pra caralho de Kabuto e depois fui levada para a clínica de reabilitação.

– Sorte que você não se lembra. – sorriu tristonho, controlando as lágrimas. – Kabuto sempre teve ciúmes de você comigo, mesmo nós sermos apenas amigos. Durante muito tempo me disse para ficar longe de você, mas continuei te encontrando e deu no que deu. – suspirou passando as mãos pelos cabelos loiros. – Naquele dia, eu apaguei antes mesmo da polícia chegar ao lugar então eu não sei o que realmente aconteceu. Só me lembro de acordar no hospital com o rosto completamente enfaixado. – deu uma longa pausa permitindo que as lágrimas finalmente escorressem pelo seu rosto. A jovem tocou-lhe suavemente no ombro, na tentativa de lhe fazer acalmar. – Fui informado que Kabuto jogou fogo onde eu estava e depois te levou para outro lugar, deixando-me para morrer e fugindo dos policiais. A polícia conseguiu me salvar, mas fui vítima de inúmeras queimaduras. Meu rosto... Meu corpo... – soluçou passando as mãos pelos mesmos. – Enquanto você estava na clínica recuperando-se, meus pais foram atrás de inúmeros cirurgiões plásticos. E agora estou assim. Demorou muito, mas finalmente consegui me aceitar. – limpou as lágrimas dando um sorriso. – Pelo menos estou mais bonito.

– A culpa foi minha... – articulou cabisbaixa.

– Não! – exclamou roubando a atenção da rosada que segurava amargamente suas lágrimas. – A culpa é daquele desgraçado do Kabuto! Foi ele o culpado de arruinar sua vida e te viciar em drogas! O culpado de ter feito você passar dois anos em uma clínica de reabilitação! Foi ele o culpado de ter me deformado inteiro! Ele era um insano! – cuspiu as palavras. Eram nítidas as chamas de ódio brotarem em seus olhos. – Eu ainda terei a minha vingança, Sakura. – ambos se encararam. – Você verá!

Sakura sorriu tristemente, passando a mão levemente pelo rosto do outro na tentativa de lhe acalmar. Engoliu o choro, visto que não queria mais lamentar por conta de seus arrependimentos. Sentia-se péssima, envergonha e culpada por tudo o que fez Lee passar. Sim, Kabuto carregava grande culpa, mas não podia se esquecer de que, apesar de tudo, durante muito tempo pensou em perdoá-lo, mesmo depois de levar uma surra, mesmo depois de ter arruinado sua vida com o vício em drogas e quase matado um de seus melhores amigos em uma crise de loucura e ciúmes doentio. Além de que fora avisada várias vezes por Naruto no buraco em que estava se metendo. Sakura tinha muita culpa, por isso não conseguia se sentir à vontade perante aquela figura.

Ambos entreolharam-se por alguns segundos. Rock Lee estava tentando entendê-la. Seus olhos encontravam-se vermelhos e o olhar profundo. Ela nunca o tocou daquela maneira antes tão singelamente. Queria compreender o motivo de estar tão frágil em sua frente, porém não conseguiu. Aquela sensação de ter a mão dela acariciando-o era incrivelmente boa. Soltou um sorriso.

Ela queria se desculpar de alguma forma e tudo o que conseguiu fazer foi encostar seus lábios nos dele, em um beijo singelo. Lee corou-se com tal atitude, mas não retrucou, apenas ficou parado com seu coração acelerado. Sakura o abraçou com força. Ele retribuiu, não dizendo nada.

– Eu peço desculpas por simplesmente ser uma escrota com você e ficar ao lado daquele idiota. – disse por fim. – De verdade, me arrependo muito de deixar Kabuto destruir minha vida e abandonar meus amigos. Mas agora pretendo consertar tudo o que eu consegui estragar com minha estupidez. – afastaram-se e entreolharam-se. – A propósito, você poderia ter vindo falar comigo direto ao invés de deixar um bilhete em minha porta e...

– Sakura, mas eu não escrevi nenhum bilhete. – disse arqueando a sobrancelha.

Ela ficou paralisada por alguns segundos, lembrando-se da notícia que havia visto na TV. Seria possível ser ele? Ou poderia ser Gaara?

– Está tudo bem? – indagou, tocando-lhe o ombro. – Você parece pálida.

– Lee... Você ficou sabendo que o Kabuto fugiu, certo? – ao dizer isso, o outro parecia surpreso com tais palavras. – Pois é.

– Então você acha que esse bilhete... – não continuou sua fala. Sakura sentou-se no sofá tentando controlar seu desespero. Percebendo isso, Lee apoiou sua mão em sua perna, roubando a sua atenção. – Se quiser, posso ficar essa noite aqui com você. Você está sozinha, não é? Eu durmo no sofá... Sem problemas. – sorriu.

– Eu agradeceria muito. – abraçou-o novamente.

 

                                                                        ***

 

 Konoha, zona leste. – Avenida 152 – 2h50min – Sexta-Feira.

 

 

– S-Shikamaru? – Naruto encarava-o surpreso e percebeu a raiva que transmitia cerrando fortemente os punhos. – O que você está fazendo aqui?

Ignorando-o por completo, Nara fora para cima de Sasuke que se recuperava ainda do golpe.

– Saia de perto de mim! – vociferou o moreno, dando passos para trás como se estivesse fugindo da situação. Shikamaru sorriu cinicamente diante tal situação. – O que você quer comigo?

– Então você não se lembra de mim? – parou, arqueando a sobrancelha.

Sasuke fingiu estar pensando por alguns segundos, mas antes que pudesse responder com um comentário irônico, de fato lembrou-se da figura perante si. Era o garoto que havia brigado consigo no bar e pela sua situação física, cheio de roxos e arranhões pelo rosto, percebera que tinha pegado pesado. O Uchiha tentou retrucar, dizendo para esquecer aquela confusão, todavia o outro apenas revirou os olhos bufando e foi para cima, empurrando-o e fazendo com que caísse de bunda no chão. Shikamaru lhe lançou mais alguns golpes e o chutou com força na costela. Sasuke não queria perder a calma, por isso tentava ao máximo se segurar perante a raiva que emergia em si e sair do domínio do outro, mas Nara não lhe deixava nenhuma brecha. Enquanto isso, Naruto gritava de longe na tentativa de fazer Shikamaru parar a agressão, mas era totalmente inútil, uma vez que continuava sendo ignorado. O loiro sentiu o desespero tomar conta de seu corpo, pois não poderia fazer nada naquele estado.

– Eu disse que acabaria com sua raça! – cuspiu as palavras chutando-o novamente. – Agora sente o que eu senti, seu merda?!

Após perceber que havia perdido o controle e que o outro já estava bem debilitado, Nara parou bruscamente seus movimentos, controlando sua respiração ofegante. Havia deixado se levar pela raiva da mesma forma que acontecera com Sai. Sasuke, percebendo que o outro estava longe de si, levantou cuspindo sangue no chão e soltando um sorriso irônico. Seus olhos que antes estavam pouco roxos pioraram e sentia uma dor intensa na costela.

– Bem feito pra mim. – comentou enquanto recuperava-se dos murros. – Já acabou?!

– Ora, seu... – fora para cima de Sasuke, porém Naruto entrou em sua frente, impedindo-o de completar a ação. – Saia da minha frente seu maldito! – cuspiu as palavras.

Ambos fuzilaram-se por longos segundos.

– Vá embora Shikamaru! – vociferou mostrando o tamanho de sua raiva. Naruto não era de brigar, muito menos com seus amigos, mas Shikamaru conseguia ver o desgosto e irritação estampados em sua feição franzida. – Qual é o seu problema?! Seu escroto! Primeiro você espanca o Sai e depois vem espancar outro amigo meu?! Vá embora!

– Olhe o que ele fez comigo, Naruto! – apontou para si mesmo, indignado com a atitude do Uzumaki ao defender aquele maldito. Sasuke permanecia quieto tentando entender o que estava acontecendo entre os dois conhecidos.  – Eu vou quebrar a cara desse desgraçado!

– Não, você vai embora. – ordenou. – Chega de ficar pagando mico por aí! Todos nós sabemos que você não é realmente assim!

A culpa bateu em seu peito. Shikamaru ficou perplexo por um longo tempo, encarando a figura loira diante si, lembrando-se dos momentos que ambos passaram juntos ao lado de Chouji. No fundo, estava com saudades de seus verdadeiros amigos e de sua vida antiga, todavia não sabia como voltar atrás depois de tudo o que fizera. Envergonhava-se daquele comportamento. No entanto, por um breve momento, lembrara-se da briga que tivera com Sasuke e como ele saiu injustiçado.

Cerrou os punhos com ódio.

– Naruto você me enoja. – disse sem mais nem menos. – Ainda mais com essa doença em seu corpo. Não é à toa que Hinata traiu você com o Kiba.

Uzumaki piscou várias vezes seguidas sentindo aquelas palavras tocar em sua ferida mais profunda. Ficou cabisbaixo, desorientado, com as pernas bambas, sentindo-se péssimo e pequeno diante aquela figura grotesca. Engoliu em seco, tentando segurar ao máximo suas lágrimas de raiva e mágoa. Certamente, Shikamaru não era mais o mesmo. Era uma pessoa fria, ingrata e duas caras.

– Doença? – intrometeu Sasuke percebendo o quanto o loiro ficara atordoado com aquelas palavras. – Naruto? Você está bem? – caminhou em direção ao loiro, porém ele fez um sinal para que parasse.

– Então você não sabia que ele é soropositivo? – intrometeu Shikamaru dando uma risada sem graça e surpreendendo Sasuke.

“Então era por isso que ele não me deixou chegar perto para ajudá-lo quando caiu da moto.” Pensou o moreno consigo mesmo enquanto sentia a raiva tomar conta de seu corpo à medida que o outro soltava gargalhadas cínicas.

Sem pensar duas vezes e absolutamente retraído, Naruto saiu andando para longe de ambos, cabisbaixo e pressionando a ferida que não parava de sangrar. Sasuke correu atrás de si.

– Espere Naruto!

– Não chegue perto de mim, Sasuke! – gritou, continuando de costas para o outro. Era notória sua voz embargada e coberta por decepção. – É perigoso. – fungou. – Foi legal hoje. Não consegui ganhar, mas me diverti bastante. Obrigado.

– Por que você não me disse antes? – indagou ignorando seus comentários.

– Porque você iria se distanciar de mim assim como todo mundo faz quando descobrem o que carrego comigo.

– Naruto espere...

– Só me deixe em paz, Sasuke. – continuou a andar, permitindo que seu corpo fosse engolido pela escuridão noturna e desaparecesse da vista do moreno.

Indignado perante tal humilhação, Sasuke tornou ao local onde Shikamaru estava. Encontrou-o arrumando sua moto e, de surpresa, atingiu-o com um soco na cabeça.

– Isso é por você ser um escroto! – exclamou cuspindo as palavras com nojo. – Como você tem coragem de humilhá-lo daquela maneira ainda mais em um assunto tão delicado? – afrontaram-se. Podia não parecer, mas Shikamaru estava arrependido pelas coisas que disse. – Só não quebro a sua cara de novo porque não estou a fim voltar para a cadeia.

Deu as costas ao até então desconhecido, pegou a moto e voltou à pista inicial, devolvendo o transporte e a roupa. Caminhando pelas ruas escuras e refletindo sobre o acontecimento, perdeu-se em seus pensamentos. Naruto não merecia aquela humilhação. Na verdade, ninguém merecia ainda mais em um assunto tão complicado. Sasuke não ligava se ele tinha ou não a doença, só ficara surpreso por não ter lhe contado.

Sentiu seu celular vibrar, fazendo-o parar.

Desconhecido: “Encontre-me no bar da esquina.”

Suspirou profundamente pensando que era Juugo com mais um de seus trabalhos sujos. Revirou os olhos, guardou o aparelho e apressou-se a adentrar o bar. No entanto, surpreendeu-se ao ver a figura de Gaara sentada em uma das últimas mesas. Embora estivesse desconfiado, sentou-se em sua frente e o mesmo pediu à garçonete um copo de cerveja.

– Vejo que você gosta de se meter em brigas. – sorriu, deixando-o sem graça.

– O que você quer comigo? – indagou tomando um gole do líquido amargo, estranhando a calmaria do italiano à sua frente. Ele realmente escondia algo muito sério.

– Digamos que alguém está me traindo em sua preciosa gangue. – articulou calmamente enquanto ascendia um charuto. – Até porque vocês são os únicos que sabem de minha verdadeira identidade.

– E por que você está me contando isso? – arqueou a sobrancelha.

– Porque desde o primeiro momento que bati os olhos em você percebi que não quer mais fazer parte daquilo. – tragou com força o fumo e depois permitiu que a fumaça saísse por sua boca, deixando o clima misterioso. Sasuke revirou os olhos diante o papel ridículo que o ruivo queria passar. – E aposto que tem uma dívida a pagar, por isso não consegue escapar da mesma. – o moreno surpreendeu-se com tal afirmação.

– E por que isso te importa?

– Fiquei sabendo de suas habilidades, Sasuke. Em minha visão, você consegue ser mais poderoso que o Juugo. – tragou novamente o charuto. – Basta você querer. Aposto que seria um ótimo líder para aquela gangue.

– Digamos que eu não quero mais essa vida, saca?– disse terminando de tomar a cerveja. – Já acabaram os elogios falsos? Por que não vamos direto ao ponto? – cruzou os braços, fitando o ruivo que parecia irritado perante sua postura rebelde. Certamente, Gaara não gostava de ser subestimado. – O que você quer comigo?

– Eu preciso de sua ajuda para descobrir quem está me traindo. – articulou apagando fumo na mesa. – Ou senão terei que tomar medidas drásticas naquela gangue, saca? – imitou a gíria e a voz do moreno ao pronunciá-la, provocando-o.

– E por que eu ajudaria você? – instigava-o, dando sorrisos irônicos. Parecia que ambos estavam se desafiando para ver quem era o mais irônico. – Você não me bota medo só por ser um ladrão da elite, Gaara.

– Digamos que seria uma troca de favores. – pronunciou ignorando seu comentário e roubando a curiosidade do outro. Sasuke fez um sinal com a cabeça a fim de que o ruivo continuasse a falar. – Você me ajuda e eu te ajudo. Você, Sasuke, descobrirá quem é que está de complô contra mim e eu te darei o dinheiro suficiente para quitar sua dívida com Juugo.

– E quem seria o alvo principal?

– Aquela ruiva lá... A tal da Karin. – respondeu por meio de uma revirada de olhos. – Acredito que ela seja bem suspeita.

O Uchiha refletia sobre o acordo. Era a chance perfeita para se livrar de Juugo e recomeçar sua vida. A tarefa não era tão difícil, afinal, consistia só em espionar.

– E como posso confiar em você sendo que nem ao menos sei o que está tramando com a Sakura? – cruzou os braços.

Gaara o fuzilou abismado.

– Então você a conhece? – deu uma pausa, analisando-o. Gaara não tinha muitas opções. Sasuke era o único que poderia ser seu espião, uma vez que as possibilidades de ser descoberto por traição eram mínimas. – E como?

– Não é só você aqui que tem segredos. – sorriu.

O italiano já estava ficando irritado com aqueles sorrisos e comentários irônicos. No entanto, era só questão de tempo descobrir o que Sasuke sabia da Haruno.

– Enfim... Temos uma parceria? – ergueu sua mão.

– Sim. – pegou-a. – Serei o seu espião daqui em diante.

– Ótimo! – exclamou. – Mas fique sabendo, meu caro Sasuke, se você falhar ou me trair, acabarei com sua vida.


Notas Finais


Bom, espero que realmente estejam gostando :')

Eu não queria ficar enrolando muito então no próximo já será o baile de boas-vindas, ou seja, passara uma semana. Mas não se preocupem porque irei dar uma resumida em como que foi, quem se aproximou de quem e essas coisas.
No próximo capítulo garanto que irá acontecer muita coisa XD Espero que gostem :')

Beijos e até o próximo :3


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