História Sombras do sucesso - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agências, Horror, Terror, Trainees
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Palavras 5.232
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpem a demora,.está sendo difícil pra mim estes últimos tempos, pois comecei a trabalhar e ainda tenho faculdade. Mas, irei tentar postar tudo o mais breve possível, obrigado por sempre me acompanharem.

Capítulo 10 - Histeria coletiva. Eu sou a sombra do seu sucesso


Existem muitas sensações fortes que uma pessoa pode enfrentar no decorrer de sua vida, a maioria é vivenciada durante a adolescência ou na fase adulta, raramente na infância quando muitas vezes são associadas a traumas que ficam para a vida toda no subconsciente das crianças. Talvez, a mais poderosa de todas estas coisas que podemos sentir seja estar na frente de várias pessoas te observando e julgando, o modo como você anda, se veste, ou fala. Além disso, dizem que apenas a expressão corporal pode trazer a desaprovação da plateia de imediato. Em meio a esse desafio de grandes proporções, Yuna andou lentamente, em passos trêmulos e lentos em direção às cortinas. O tempo passava em câmera lenta, todas suas lembranças até aquele dia passaram em sua cabeça.

Porém, evitava as más lembranças, não era hora para aquilo.

Quando passou pelas cortinas, viu o microfone à frente, e a banda em sua esquerda, bem escondida pelo sistema de iluminação. O destaque era para ela, apenas para ela, ninguém mais chamaria a atenção, era seu grande desafio do qual fez  fizera tudo para chegar ali, então se aproximou do microfone, deu duas batidas com o dedo indicador, mesmo sentindo o barulho da microfonia, não poderia ficar nervosa, não poderia perder o controle, respirou fundo, inspirou e expirou mais cinco vezes, e começou a cantar, ainda a capela e confiante como a música exigira, já se lembrando de que o seu relógio a garantiria a vitória, então deixou-se levar:

— Hey-oh. Quando o perigo sobressaltou a nós.

Você se escondeu, fugiu e me deixou a sós.

Mesmo que dissesse, que era tudo por mim, por mim.

Você fez tudo pelos seus fins!

Nesse momento, a melodia começou lentamente, com a batida eletrônica erguendo o ritmo da música. Todavia, ninguém prestava atenção nisso, todos trocavam olhares entre si, incrédulos com aquela voz. A mesma reação que todos os outros tiveram desde que conheceram a garota. Com o medo deixado para trás, por observar a reação da plateia, sorriu repleta de malícia e felicidade, continuou:

— Hey-oh. Quando tudo começou a dar errado.

Virou-me as costas e me deixou de lado.

Mesmo que dissesse que era tudo por mim, por mim.

Você fez tudo pelos seus fins!

Ao terminar a estrofe, a guitarra entrou em cena, dando um ritmo forte e marcante com acordes graves, caracterizado pelo Mi e Sol, nos três primeiros trastes do instrumento. Ao passo que a percussão acompanhava, dava, substancialmente, mais intensidade à melodia. Essa animação fez as pessoas começarem a bater os pés no chão, ainda sentados.

Era o primeiro passo para o envolvimento total deles.

Logo, a melodia ficou mais calma para começar o primeiro verso. E saindo de suas travas imaginárias e inseguranças, se libertando de suas prisões, e sabendo que o relógio estava a ajudando e que a partir daquele momento ia ser a dona de seu próprio destino, a enganadora pegou o microfone do tripé e tornou a cantar, aproximando-se das pessoas no palco:

— Tudo começou com a nossa união.

Algo destinado à perfeição.

Eu começava, você terminava,

O mundo seria nosso, seria nosso…

Às viagens infinitas, as novas descobertas...

Mas você mentiu, suas promessas falsas se revelaram.

Quando me deu aquela carta, dizendo que nossos destinos não estavam mais entrelaçados. Você mentiu, você mentiu!

Todos já estavam de pé quando Yuna olhou de novo para eles, além disso também batiam palmas, algo simplesmente inimaginável para uma apresentação formal entre executivos e a impressa, dentre os jornalistas já acontecia uma grande festa, mesmo que a seriedade deles fosse algo cobrado normalmente. A única exceção era para os coitados dos cinegrafistas que tinham de ficar parados, mas eles também estavam sem palavras para aquela garota que era diferente de tudo que já havia sido visto na história.

Yuna então, chegando ao auge de sua euforia por todos estarem completamente apaixonados por ela, preparou a voz, enquanto a guitarra ficava mais intensa também para se encaminhar ao refrão, ela chegou perto da beira do palco e cantou, bem mais alto:

— Hey-oh. Quando o perigo sobressaltou a nós.

Você se escondeu, fugiu e me deixou a sós.

Mesmo que dissesse, que era tudo por mim, por mim.

Você fez tudo pelos seus fins!

Seus malditos fins!

Passou sobre tudo e sobre todos,

Pelo seu objetivo fútil.

Mesmo que dissesse que era tudo por mim, por mim, por mim!

A parte instrumental parou de uma vez só, deixando Yuna a capela para finalizar, do mesmo jeito que começara:

— Mas você fez tudo. —Ela estendeu a última palavra por alguns segundos, de uma forma angélica e agressiva ao mesmo tempo, de um modo que apenas ela sabia fazer e terminou. — Pelos seus fins!

Por fim, a melodia de encerramento fechou a música, e quando um instante de silêncio veio. A plateia começou a gritar e bater palmas, outros gritavam:

— Yuna! Yuna! Yuna!

Enquanto os membros da YK também comemoravam, Chin recebeu uma mensagem no seu celular, que o fez pular igual a um adolescente contente:

‘A agência está salva! Por que não disse antes que tinha uma menina dessas? As ações dispararam... Igual a um foguete.'



Por um momento, no meio dos aplausos e flashes em seus olhos, ela conseguiu esquecer, nem que fosse por um momento tudo que tinha feito naquela semana, naquele milésimo de segundo nada mais importava, as mortes tornaram-se um mal necessário no fim de tudo. Ela abria um largo sorriso, e sua culpa foi transformada em alegria, tanto que lágrimas de alegria caíam lentamente em seus pés, dos quais ela nem sentia mais de tanta euforia vibrando em seu corpo. O tempo era uma mera ilusão completamente desnecessária. Aquele era o dia mais feliz da vida da enganadora, e não queria que passasse nunca. Aquilo a fez ficar viciada mais do que já era no sucesso e reconhecimento. Muito mais viciada, a sensação não poderia ser interrompida, e queria muito mais do que aquilo, além de considerar apenas o começo.

Talvez, ela poderia matar até os próprios pais para continuar com a fama, seus olhos brilhavam em meio às lágrimas. Nada mais importava em sua vida. Tomando par da realidade novamente, Yuna disse a plateia:

— Obrigada, obrigada! Vocês foram incríveis. Eu nem sei o que falar agora!

Neste momento, Chin-Hwa correu dentre a plateia e subiu ao palco em passos apressados. Deu um abraço forte na sua estrela, quase a sufocando de tanto carinho pela pequena. Pediu gentilmente o microfone e começara a discursar:

— Isso que vocês viram é o que a nossa agência oferece ao mercado da música. Desde a primeira vez que a ouvi, acreditei nela. Essa garota... — O representante voltou o olhar para ela e continuara. — Não é uma estrela…. É uma supernova! A Supernova de Seul!

Ao terminar de falar, a plateia aplaudia com mais afinco do que antes, menos os jornalistas que saíram correndo para o corredor de saída do centro de exposições para conseguir, a todo custo, uma declaração exclusiva da que seria para sempre conhecida como “A Supernova de Seul”. Indicada pelo representante, Yuna tomou caminho para fora do palco, para começar a desfrutar a repercussão de seu primeiro show. Já no lado de trás das cortinas, a banda que a acompanhou veio inteira parabenizar a enganadora, liderados por Park:

— Parabéns Yuna, posso dizer que a nossa banda nunca viu alguém como você. Né, pessoal?

Todos concordaram, e de um a um iam cumprimentando Yuna, que ficou pela primeira vez, envergonhada com o sucesso. Então, agradeceu aquela consideração:

— Não foi nada. Vocês que foram incríveis, para fazerem um trabalho assim tão em cima da hora!

— Eu sou o mais incrível deles, né estrelinha? — Disse Park com voz aveludada, aproximando-se bastante da enganadora.

Essa ação fez com que, Yuna lembrasse imediatamente do que aconteceu naquela festa da agência, e para piorar aquele garoto era idêntico ao seu professor. Mas, sem perder a pose de forma nenhuma, disse, forçando uma risada tão falsa quanto sempre era com todas as pessoas:

— Não. A estrelinha aqui queima quem chegar perto!



Todos os outros integrantes da banda começaram a rir da cara de Park e de seu cortejo falho. E a garota mantivera também um sorriso sarcástico para que ninguém notasse que seu trauma de aproximações estivesse atacando-a novamente. Assim, se retirou dali. E deu uma última olhada para trás, seu olhar para aquele garoto teve um efeito instantâneo no mesmo, assustando-o, o ódio que a pequena tinha dentro de si era liberado através de seus lindos olhos. Além de ter se sentido péssima com a aproximação de antes, queria também testar se o seu olhar que assustou até mesmo a Sorte, poderia fazer mal aos outros. Enquanto andava pelos corredores, deu uma última olhada para trás, e viu que sua vítima tinha caído, aparentemente passando mal, nada demais, a princípio. Voltando sua atenção para a frente, percebeu que muitos seguranças corriam em direção ao corredor de onde ela veio, além dos bastidores.

Era sua chance de aparecer para a mídia, já que com certeza o representante iria querer todo o crédito para ele se as entrevistas fossem dadas com ele junto. Igual acabou de acontecer no palco.

'Aquele idiota disse que sempre acreditou em mim… Ele que me levou para aquela merda toda escolhendo a bonequinha de trapos da Park Mi-hi, por intermédio daquela professora maldita... Agora estão todas mortas e enterradas em algum terreno perto da agência, não faz diferença alguma agora. Que esteja comendo terra enquanto eu faço mais sucesso que elas já tiveram em suas curtas e miseráveis vidas’. — Pensou Yuna.

Ela foi até o grande corredor de entrada, onde os seguranças esperavam o representante e a enganadora, mas como só viram a garota, um deles perguntou:

— Onde está o senhor Chin?

— Ele já está vindo, não queria ficar esperando, estou cansada… — Argumentou Yuna. — Cansada e com pressa.

— Façam o cordão, vamos levá-la para o carro. — O chefe da segurança disse para todos os outros que estavam próximos a ele.

A garota passou no meio dos sete seguranças que a protegiam dos jornalistas, que eram muitos, mais do que Yuna conseguia contar. Eles faziam tantas perguntas que a enganadora não conseguia entender nenhuma, era apenas um falatório confuso e incompreensível. Até que no meio do caminho, uma questão chamou a sua atenção e a fizera parar de andar:

— Senhorita Yuna, tem algo a dizer para o mundo?

— Ah, sim, tenho. Digam para toda a cidade, o país ou o mundo… Este é apenas o começo. Essa estrela brilhará muito mais do que qualquer outra, na história.

Dois segundos depois, os jornalistas voltaram a fazer aquele falatório incompreensível, Yuna simplesmente continuou seu caminho, como se desfilasse em uma passarela, sem responder mais nada, apenas deixando com que apenas uma emissora tivesse o privilégio de ter uma dúzia de palavras dela. Sabia qual era seu valor a partir de então. Entrou no carro e deu um 'tchauzinho’ para os jornalistas, que os seguranças fizeram questão de afugentar dali depois de toda aquela correria. Logo ao fecharem a porta do carro e ela se acomodar lá dentro, o celular da enganadora vibrou: Era uma mensagem de vídeo de seus pais. Sorriu e abriu o arquivo da rede social:

— Oi querida! Acabamos de te ver na TV! Se você queria nos surpreender, conseguiu. Eu tive quase um ataque do coração. — Disse o pai da garota, dando risadas. — Agora é sua vez, amor. Sua mãe vai falar agora.

Yuna também dava risadas e ficou com os olhos lacrimejando enquanto sua mãe dizia suas palavras para ela:

— Oi filha! Eu juro para você que não acreditei quando te vi ali tão bem! Acho que só isso para compensar a falta que nos fez nessa semana. Em breve, estaremos indo para Seul lhe ver! Beijos filha!



Depois da mãe de Yuna terminar de falar, os dois cantaram o refrão do novo sucesso da garota, que eles já conheciam de longa data, pois a pequena já cantara aquilo muitas e muitas vezes. E aquela felicidade a fez pensar que tudo havia valido a pena e era apenas o início de tudo. De uma verdadeira carreira. Mesmo que fosse suja, era o único caminho, ninguém nunca a reconheceria sem seu relógio, essa era a verdade.

Sem tempo de digerir tudo que estava acontecendo, aquele sucesso meteórico e repentino, Chin chegou até o carro, deu uma batida no vidro. Mas a garota não tinha percebido, então ele o fez novamente. Até que ela olhou para o representante, de forma maliciosa, como quem dizia 'fui mais esperta'. Então, Yuna abriu a porta e perguntara, como quem não sabia nada:

— Onde estava? Vamos voltar para a agência?

— Agência? Que agência? Isso é para os amadores, para aqueles trainees. Você irá morar em meu segundo imóvel. No trigésimo-primeiro andar do prédio mais luxuoso dessa cidade. É tão alto que você vai estar perto das estrelas, mas cuidado para não as ofuscar. — Brincou.

— Então pelo jeito minha amizade com a YK será eterna. — Yuna sorria falsamente.

De fato, a enganadora sempre almejou algo a mais do que aquela agência em crescimento, segurar aquela supernova seria mais difícil do que Chin jamais imaginaria, pois, talvez não exista ninguém mais ambiciosa no mundo do que Choi Soo-yun: A supernova de Seul. Ela iria querer apenas mais e mais, e ainda tinha seus olhos escuros, onde ainda tinha mais um poder, além de controlar o poder do sucesso.

Com tal habilidade, em apenas um dia, ou melhor, em algumas horas apenas, Yuna progrediu de uma pródiga desconhecida a uma estrela, ou melhor, a supernova mais famosa da cidade. Sua apresentação foi gravada e publicada na página oficial da YK e pela primeira vez, os números levaram aquele vídeo até o quinto mais acessado da Coreia do Sul apenas meia hora depois da apresentação da garota. De fato, as implicações do relógio do sucesso quebram o tecido da realidade de tal maneira que a vontade do possuidor é expressa no mundo real, essa violação de 'regras normais da realidade' costuma causar alterações profundas e igualmente estranhas. Mesmo que, Yuna fosse talentosa, ela não era o novo Elvis, definitivamente não tinha tanto talento quanto ele, mas parecia que o mundo iria esquecer-se de quem foram os Beatles depois dela.

Pelo menos não agora, pois o relógio ainda marcava trinta minutos. As coisas ainda poderiam melhorar ainda mais.

O Azera percorria pelas avenidas de Seul, havia um certo trânsito nas ruas, mas a chuva ficava mais forte, isso fez com que a maioria das pessoas decidisse não sair de casa. O destino daquele carro era a Lotte World Tower, o prédio mais luxuoso e alto da capital sul-coreana. Apenas os mais ricos, mais prestigiados, mais importantes moravam ali. Aquele lugar era tão valorizado, que diziam que apenas pessoas especiais poderiam morar naqueles apartamentos. A fachada era feita de vidros foscos, e era impossível para a garota ver o topo daquela construção, mesmo de longe. Quando o carro estava perto do estacionamento da construção, a enganadora perguntou a Chin, que estava ao seu lado:

— Isso é uma brincadeira de mal gosto né? Eu não vou realmente morar em um apartamento deste prédio gigante né? Olha o tamanho disso, é luxuoso demais.

— Na verdade, nem sei por que não acredita, eu até tinha um apartamento nos andares superiores, mas eu sempre gostei do apartamento 31097, claro, não é o que você merece. Estávamos em tempos difíceis com a YK ainda, aí acabei de ter de abrir mão da suíte superior. Por isso, peço perdão. Em breve terá algo melhor, precisamos apenas equilibrar as coisas, com o seu trabalho, é possível a partir de agora. Infelizmente, pode demorar um pouco. — Dizia Chin, cabisbaixo.

— Não se preocupe, já é ótimo para mim. — Respondeu.

— Yuna… — Chin olhou nos olhos da garota. — Obrigado por ter aparecido em nossas vidas. Eu fundei isso tudo com ajuda de minha amiga Min Hae-Kyung, era nosso sonho sabe? Fizemos tudo que era possível para poder conseguir o nosso objetivo. Sabe, trabalhávamos em um escritório, fazendo coisas idiotas, sempre iguais, sem esperança alguma, dois rejeitados das malditas agências famosas. E agora... Estamos no topo. Aposto que ela ficará feliz quando souber do sucesso que estamos fazendo, preciso apenas pegar seu novo número, ela me mandará pelo E-mail em breve, tal como ela disse...

Claro que vai… Aliás, qual vai ser minha rotina daqui para frente?

— Bom…. Vai poder fazer o que quiser o motorista aqui desse carro estará sempre à disposição, e quando precisarmos, chamaremos você para ir ao prédio de exposições. Vai ter muito trabalho nos aguardando, mas não se importe com isso por enquanto, curta o momento. Olha aí, chegamos.

Logo o carro estava no estacionamento, pararam em uma vaga perto do elevador, Yuna olhava para os carros ao redor e eram todos de luxo, próximos ou até melhores do que ela estava. Ainda impressionada, eles desceram do carro. Yuna viu se a frente do elevador e imediatamente pensou em todos os andares que precisavam ser percorridos até seu objetivo e se encheu de medo. Sabia que era impossível atravessar aquilo por meio das escadas. Seus pensamentos foram interrompidos quando as portas do mesmo abriram. E lá de dentro tinha uma pessoa que estava fazendo o caminho contrário dos dois, imediatamente ao ver a pequena gritou histericamente e disse, sem acreditar:

— Nossa! Yuna! Seu show foi fantástico ontem! Parabéns. Sou sua maior fã!

— Fã? Ah…. Obrigada. — A enganadora deu seu sorriso mais sem graça de sua vida.

— Pode assinar aqui? — Ela mostrava seu livro, onde queria um autógrafo da pequena.

— Claro. — Yuna se aproximou da moça, preencheu sua assinatura ali e escrevera uma das dedicatórias mais vazias possíveis e genéricas possíveis.

— Nem sei o que dizer! Muito obrigada!

— Imagina.



Aquela menina correu que nem uma maluca para o estacionamento, mesmo sendo uma pessoa rica, das quais costumam serem mais discretas, não foi o que aconteceu. Yuna fazia um sucesso muito maior do que conseguira imaginar em toda sua vida, nem ao menos em seu maior sonho. Com aquela cena curiosamente engraçada, e antes de subir, Chin recebera uma mensagem de texto, e ao ler ela por completo. Disse para Yuna:

— Ah… Yuna, não posso lhe acompanhar até lá, tenho um compromisso na bolsa de valores. — O representante pegou a chave do apartamento do bolso e deu para a garota. — Aqui, fique com isso. Agora é todo seu, o serviço de quarto fará tudo por você e suas malas já estão lá em cima também. Até mais. Tem até uma empregada muito legal lá, muito fofa.

'Fofa? Que bizarro...'. — Pensou.

— Sim, até mais. — Yuna ficou sem graça com aquela palavra.

Chin-Hwa deixou a enganadora sozinha, e por um momento ela pensou em como a vida do representante era corrida e complicada, mal tinha tempo para nada, o sucesso talvez não fosse inteiramente benéfico a ele, como era previsto que ocorresse. Ao contrário dela, que estava sendo tratada como uma verdadeira princesa e não deveria se preocupar com mais nada.

Yuna entrou no elevador, sozinha, de frente para o seu pior medo. Inspirou e expirou, uma, inspirou e expirou, duas. Então, apertou o botão do trigésimo andar, as portas se fecharam e vira os números do placar eletrônico aumentarem. Porém, quando chegou ao décimo andar, o mesmo travou. Todas as luzes começaram a piscar, até todas assumirem a cor vermelha de uma vez só, os números ficaram variando aleatoriamente, sem que o ascensor se mexesse um centímetro.

‘Não… O que está acontecendo? ’. — A pequena estava em completo desespero.

Uma a uma, mensagens iam sendo escritas nas paredes do elevador, letra a letra, junto das mesmas saíam traços pretos no meio daquele ambiente vermelho, tomando conta das paredes, tal como se as mensagens pulsassem e tivessem adquirido vida própria. Tudo acontecera na frente dos olhos da enganadora. A cada letra, a cada parte de grafia, o nervosismo aumentava, suas pernas estavam perdendo os movimentos pouco a pouco. Não demorou muito a todos os dizeres estarem escritos, eram vários, mais de quinze, porém a maioria estava escrito junto de outras, tornando a leitura incompreensível. Umas em específico, por outro lado estavam perfeitamente visíveis, tais como:

‘Aproveite enquanto pode… ‘.

‘Vingarei minha morte’.

‘Não há volta para você’.


Ficaram assim, grafadas perfeitamente, até que se misturassem com outras que vinham em seu lugar e não fosse mais possível compreendê-las. Yuna batia em todos os botões em uma ação desesperada, mas nada acontecia. Sentia respirações atrás dela que desapareciam imediatamente após virar as costas, alguém estava a perseguindo.

'Não podem ser os espíritos... A Sorte disse que os havia prendido. Ele pode ter mentido sobre isso, por que deveria confiar em suas palavras? Nas palavras de um demônio? Acalme-se... Tudo ficará...'.

De repente, o elevador começou a subir em uma velocidade descontrolável, o contador subia os números tão rapidamente que em segundos passara do máximo de andares do prédio, que era cento e vinte e um. Durante os dez segundos de subida, Yuna apoiava em uma das paredes, na mera esperança de que aquilo fosse adiantar de alguma coisa. A contagem de andares parou no 31097º. Muito além do que qualquer construção feita pelo homem teria, um número impossível.  Sem saber o que estava acontecendo, toda sua alegria tinha ido embora e dado lugar a uma expressão de terror profundo, não podia acreditar que iria morrer naquele lugar… Tão próxima ao sucesso, tão perto de seu objetivo. As paredes cobertas de sangue começaram a se mexer, pelo menos, na mente de Yuna e outra frase foi formada:

‘Agora, vamos descer… Para o inferno! ’.

— Não… Por favor… Não… Se é você Sorte, por favor, tire-me daqui! Já estávamos acertados, não? Por favor! — Gritou a garota, esperando que fosse seu amigo de outra data.

Não obstante, ninguém respondeu aos clamores da garota. O único som que surgiu foi o das cordas do elevador, que eram no total cinco, se partindo. As duas primeiras da esquerda quebraram juntas. O elevador pendeu para a direita em mais ou menos vinte graus. Yuna chorava mais do que nunca enquanto tentava se apoiar agora deitada, segurando nas barras horizontais do ascensor. Começou a gritar que nem uma criança, mas ninguém a ouvia. Nada iria proteger a enganadora daquela vez.

A terceira e quarta corda arrebentaram.

Agora faltava apenas uma para a morte da enganadora, mas antes de tudo acabasse para ela, uma última mensagem foi escrita na parede, da qual Yuna já via quase em um ângulo de noventa graus:

‘Hora da enganadora... Cair! ’.

A última corda se partiu.

O elevador caiu em uma queda livre, tão rápida, que Yuna sentia o seu sangue subir totalmente a cabeça, sua consciência estava desaparecendo a cada número a menos no placar do elevador. Até que ele parasse no trigésimo-primeiro e como em um passe de mágica, tudo voltou ao normal, menos a garota que estava deitada no chão do mesmo, completamente destruída mentalmente, seus olhos tremiam quase que em estado de catatonia. Se levantou assustada, e pensara enquanto se apoiava nos braços para poder retomar a compostura, tudo tinha sido tão real que ainda sentia o sangue pulsando irregularmente dentre seu corpo:

‘Isso… Foi uma visão? Mas, eu sentia tudo…. Achei que fosse morrer dessa vez, achei mesmo... Isso não teve cara de ser algo da Sorte, mas preciso confirmar. Se foi ele, acho que vai funcionar se eu...’.

— Isso não tem graça. Seu idiota! — Yuna achava que a Sorte estava brincando com sua cabeça, mas ela não obteve resposta. 'Então não foi obra dele, nunca iria se abster de levar os créditos'. — Pensou.

A porta se abriu, e o corredor dos apartamentos apareceu para a moça. Mesmo assustada, andou até o seu quarto. Entrou lá. Era um apartamento que ia muito mais longe da vista da enganadora, tinha a sala de estar, onde ela estava, e mais portas do que poderia contar. Ali com certeza caberiam umas vinte pessoas, tal como uma mansão. Onde estava, tinha um imenso sofá, travesseiros finíssimos, uma televisão da Samsung, para não perder a tradição das marcas coreanas, de setenta polegadas aproximadamente. Uma estante gigantesca para livros, todos os seus quadros de família, que a equipe de Chin já havia colocado anteriormente. Além de uma varanda no final de sua visão, bem distante, que deveria ter com certeza uma vista incrível.

De fato, tudo já estava preparado bem antes para a garota.

Ela continuou andando pelos cômodos, que pareciam infinitos. Havia uma cozinha igualmente gigantesca, tal como a de um restaurante, enquanto olhava por ali, encontrou uma moça, que ao ver Yuna, disse, abaixando a cabeça, um pouco nervosa. Porém aquela menina atiçou algo na pequena:

— Olá, Senhorita Yuna. Não sabia que ia chegar tão depressa. Sou a empregada deste apartamento, estou aqui para atender os moradores.

A primeira coisa que a enganadora estranhou, foi na idade e beleza daquela moça. Tinha os cabelos ruivos, amarrados dentro de uma touca transparente da qual via atentamente. Estava trajada com o uniforme de empregados do prédio, ela era um pouco mais velha que Yuna, mas pouca coisa, aproximadamente um ano, ou menos. Assustada com aquilo, a pequena disse, completamente fascinada:

— Você? Você é muito nova! Parece uma artista com esse rosto.

— Eu? Nada. Quer dizer, até queria, mas não deu muito certo.

— Venha aqui, para conversarmos melhor, aí em pé não dá para contar. Venha para a sala.

Yuna estava mudada, algo havia acontecido em sua mente ao ver aquela garota. Como em um instante que passa e tudo se transforma, as formas mudam, assim como a cabeça das pessoas, a garota que passava por cima de todo mundo e não dava valor a ninguém estava interessada em ouvir aquela empregada. Sem saber reagir, a serviçal respondeu, timidamente:

— Não! Que isso! Não posso ficar na área comum não. Ali nos fundos tem um quarto para eu ficar.

— Deixe essa timidez e venha. Aproveite e tire essa touca.

Yuna foi à frente até o sofá, sentou-se confortavelmente e a empregada ia timidamente a acompanhando e sentou longe da enganadora, o máximo que pôde apenas pela sensação de não ser boa suficiente para aquele lugar.

— Ai… Caramba que sofá é esse, parece que está fazendo uma massagem nas minhas costas. Né? — Comentou a pequena, sorrindo.

— Sim. É legal. — A empregada estava completamente desconfortável.

— Mal posso acreditar que me tornei uma estrela nessa velocidade, mas, enfim, como parou aqui? Qual é seu nome?

— Eu? Chamo-me Kim Hyun. Trabalho aqui há uns anos, e até hoje ninguém nunca se importou comigo.

— Eles são uns idiotas. Acho que eu me apresentar deve ser uma idiotice né? — Dizia Yuna, rindo.

— Sim, todos te conhecem. É o total inverso de uma pessoa que conheço.

— Quem é esta pessoa? Acho que posso dar-lhe umas dicas.

— Não precisa se preocupar, mas aprecio sua bondade.



A enganadora não percebia, mas estava claramente flertando com aquela moça, o que nunca vivenciou na vida até porque o seu coração sempre foi um bloco de metal praticamente, nem ela mesma tinha um total conhecimento acerca de seus gostos sentimentais e pessoais, apenas sabia que detestava a maioria dos homens, mas isso, em tese, não e lhe tornaria uma lésbica. Era cômico de ver que ela parecia até estar enfeitiçada, tanto que nem sabia que estava dando tão na cara que estava interessada naquela moça de modo tão rápido. Tentando puxar algum assunto naquela estranha conversa, Hyun disse:

— E então, como se sentiu na apresentação? Deve ser uma sensação única. Tantas câmeras, tantos olhos.

— Única? As pessoas não sabem o que é prazer de verdade, todas as luzes, todos os olhares, magnetizados em você… Enquanto canta e os deixa sem reação… Como se os encantasse.

— Você fala com tanto amor sobre isso, deve ter sido preparada desde o começo.

— Desde que aprendi a andar, meus pais sempre me incentivaram... Os olhares deles para mim, foram meu primeiro estímulo para correr atrás dos meus, dos nossos, sonhos.

— Falando em sonhos… Eu acho que esqueci algo na cozinha, espero que não tenha queimado. — Disse Hyun, já se levantando e correndo para o fogão.

Era evidente, que ela queria apenas fugir daquela garota, nunca havia sido abordada daquele jeito por uma superior, na verdade, apenas sua irmã a tratava assim. Enquanto isso, Yuna ficava pensando na garota, no jeito como ela parecia querer correr dali fraca e indefesa, tal como a pequena era no começo de tudo, a via como se fosse sua imagem de inocência que havia morrido em seu ser, mas por sorte permanecia em outras pessoas. Porém o que lhe atiçou a memória foi lembrar-se do sobrenome ‘Kim’, que lhe dava arrepios apenas de imaginar a garota suicida, mas claro, este sobrenome é um dos mais populares do país, a probabilidade de encontrar um parente de suas vítimas deveria ser uma em cem mil, então deste problema, ela poderia considerar resolvido. Como as garotas não tem contato algum com a família enquanto estão na agência, a empresa irá esconder por um bom tempo, além do mais, a Sorte pode ajudá-los por causa do acordo que mantém com as pessoas de lá, não seria problema de Yuna nada disso. Ela olhava para os lados, vendo todo o luxo que conquistou, mas ao invés de ficar ao menos arrependida, ou em outro extremo, feliz com aquele sucesso. Ela pensou algo distinto, olhando para a sua tira na mão:

‘Eu preciso… De mais! Preciso estar no último andar! Não posso parar! Preciso de tudo que há de Sucesso neste planeta... Apenas para mim’.

Logo, a empregada trouxe uma mesinha móvel com os pratos. Mas, havia comida apenas para Yuna, e ao ver isso, se irritou um pouco com o modo de como aquela garota não colocava valor a si mesma, embora fosse um dos impactos psicológicos da profissão, ainda mais quando se serve pessoas tão importantes, que costumam serem cheias de si. Mas a pequena não se comportava como os outros, então, ela disse para Hyun:

— Não ouse em trazer apenas para mim, faça algo para ti e volte. Comer sozinha é bem chato. Além do mais, quero fique aqui comigo.

— Mas, Senhorita Yuna…

— Eu acho um saco que me chamem de senhorita, sou apenas Yuna e vá lá fazer algo para ti. Ou vou dividir com você. —  A pequena sorria abertamente.



Hyun foi embora para a cozinha novamente, mesmo que aquele tratamento fosse bem inconvencional, teria de obedecer a cantora. Yuna olhou para a mesinha e viu um jornal, que circulava apenas a noite, estava curiosa para saber se havia algo sobre sua grande estreia, e principalmente, se estaria na capa do mesmo. Quando estava com ele em mãos, sentiu o cheiro, estava com o cheiro característico de novo, então provavelmente tinha acabado de ser recolhido pela empregada. Já de cara, havia sua foto na capa. Sorrira na hora ao ver aquilo, de um dia para o outro, já era famosa no país inteiro e também o assunto que todos falavam naquele dia, olhou o título, que dizia:

'A Supernova de Seul: Uma noite inesquecível’.

Todavia, antes de olhar para a matéria, viu sua foto novamente apenas por sua vaidade crescente, mas nessa segunda vez algo havia mudado. Algo havia acontecido. O susto de ver aquilo na imagem fez Yuna gritar, ficar em pé e soltar o Jornal, deixando-o cair no chão, mesmo assim, caiu de frente para ela. Era algo aterrador, impossível de existir. Não havia uma palavra para descrever tal coisa, e então a garota percebera que não iria se livrar dele assim tão fácil, pois estava atrás da pequena, no fundo da foto envolto na escuridão de onde o flash não pegara.

Era a Sorte.



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