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História Some Years - Capítulo 19


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Boa noite 😍

Capítulo 19 - Descobertas.


Arizona Robbins


- Arizona! Entre!

- Malcolm! - levantei e apertei sua mão - Obrigado por me receber. E sem aviso.

- Sem problemas, garota. Entre, entre.

- Imagino que haja problemas. - brinquei, entrando na sua sala em um dos últimos andares da Walton Global - Não sou a pessoa favorita de ninguém no mercado agora.

- Bobagem. - gesticulou com a mão - Considero você uma sobrinha. Sabe disso. Como está tudo? Calliope e o jovem rapaz?

- Estão todos bem, obrigado.

- E Elizabeth?

- A audiência será amanhã.

- Será uma mulher livre em breve! - brincou, apontou para o uísque pedindo minha permissão.

- Sim, mas não por muito tempo, eu espero. - sorri e aceitei a bebida apesar de ainda estarmos no meio da manhã. Aquela conversa ia precisar de álcool.

- Torres?

- Está surpreso?

- Nem um pouco. - sentou-se no sofá em uma das mesas menores na lateral da sua sala, me indicando uma das poltronas - Acho que sempre foi ela para você. Não é?

- Acho que sim. - sentei.

- Mas bem, Arizona, o que posso fazer por você?

Bebi um gole antes de balançar a cabeça devagar.

- Gostaria se pudesse esclarecer um assunto para mim, Malcolm. - comecei.

- Claro, o que houve?

- Callie me contou sobre como voltou para a cidade. Sobre toda a coisa da investigação envolvendo Eleanor.

- Hm? - murmurou, escondendo-se atrás de seu copo. Há algo aqui...

- E o que exatamente ela lhe contou? - quis saber.

- Ela me disse que Zahner foi até ela... Queria sua ajuda para desestabilizar Eleanor, entupi-la de pressão e força-la a cometer um erro. Talvez até... usar Calliope para ter acesso a mim e mais informações. E disse que pediu que você fosse com ela, para que ela se sentisse mais segura. Sentisse que poderia confiar nele.

- Hm. - concordou.

- O que deu certo, obviamente.

- Obviamente. - repetiu, baixinho - Mas ainda não entendi qual o problema.

- O problema - continuei - é que eu percebi que não sabia nada sobre Zahner e resolvi investigá-lo.

- Entendo. - encarou o chão.

- E acabei descobrindo que...

- Que ele não está trabalhando para a Interpol.

Respirei fundo e encarei Walton por alguns segundos.

- Quem é esse cara, Malcolm? Ele está perto demais da minha família e eu estou preocupada.

- Gary é um bom rapaz, Arizona. Não precisa se preocupar com a segurança de sua família. Não em relação a ele, pelo menos.

- E por que ele sumiu? Descobri que ele não era da Interpol há três dias e depois disso não o encontramos em lugar algum. Ele deveria estar protegendo...

- Arizona... - Malcolm se levantou e colocou a mão em meu ombro - Acalme-se. Tem muitas coisas que você precisa saber.

- Gostaria se pudesse começar do começo.

Terminou de beber seu uísque e serviu mais uma dose.

- Gary é um velho amigo. Apesar de estar de férias, no momento, ele realmente é um agente da Interpol. É um cara decente e muito dedicado. Honesto. Nos conhecemos há uns anos atrás. Eu o ajudei com algumas coisas que ele precisou e... nos tornamos amigos naturais, embora não mantivéssemos um contato constante. Eu seria capaz de confiar minha vida a ele. Saiba disso.

- Tudo bem, então ele é confiável. Mas o que diabos está fazendo nessa investigação?

- Aí é que está... - sentou-se - Não é uma investigação. Ou pelo menos não era, até você lhe apresentar todos aqueles documentos. Agora, há umas doze polícias diferentes querendo abrir uma investigação sobre o assunto.

- Mas não começou como uma investigação oficial?

- Não.

- E por que Zahner partiu nessa Cruzada contra Eleanor? De onde eles se conhecem?

- Não foi ele, Arizona. - respirou fundo - Fui eu.

- Você? - eu ri, cheio de incredulidade - Malcolm, não estou acompanhando.

- Claro que não está...

- Você e meu avô foram criados juntos! O que poderia ter acontecido para lançar uma investigação contra minha família?

- Não contra sua família, Arizona. Contra Eleanor.

- Até pouco tempo atrás essas duas afirmações seriam idênticas.

- Você sempre foi uma boa menina. - se inclinou na minha direção - Honesta e trabalhadora. Há muito do seu pai em você. E do seu avô Baxter também. Mas Eleanor te dominou. - abriu os olhos forçadamente e eu não discordei - Eu sempre soube que, se lhe fosse dada a escolha, você faria a coisa certa. O problema seria fazer você enxergar o que estava acontecendo. O que estava verdadeiramente acontecendo.

Soltei o copo em cima da mesa e me recostei na poltrona.

- Calliope. - murmurei. Walton balançou a cabeça devagar - Você descobriu algo ruim sobre Eleanor, mas ela se protegeu bem demais... Você precisava de alguém de dentro para conseguir provas.

- Mais do que "alguém de dentro", Arizona. Você é a Garota de Ouro. Eleanor tem um ponto cego quando o assunto é você. Ela acha que você está tão sob seu controle que sempre vai acabar seguindo o que ela diz. E por um bom tempo, ela esteve certa. Você foi embora logo depois do acidente que matou seu pai e sua irmã... Mas estava superando seu luto. Culpou sua mãe pela que aconteceu e... Deus, até a própria Bárbara se culpou. Não é de estranhar que ela tenha acabado naquele lugar. Mas seu relacionamento com Eleanor era diferente. E assim que ela conseguiu, te trouxe de volta, não foi? Você era assim... você sempre voltava para ela.

- Mas daquela vez, eu não voltei sozinha.

- E Calliope era incontrolável. - sorriu - Mesmo quando ela não abria seus olhos, ainda assim conseguia te manter atenta. Você não era mais de Eleanor. Você era dela. E como só o que Calliope queria era que você fosse "sua própria mulher". - anunciou - Você se libertou das amarras da sua avó. Poderia trabalhar para ela se quisesse. Mas não precisava.

Não era seu único caminho. Havia vida para você fora de Eleanor.

- E ela não aceitou isso.

- Quando Calliope foi embora, eu tive certeza que tinha o dedo de Eleanor nesse mistério.

- Malcolm! - suspirei - Por que não me disse?

- Não estava me ouvindo, Arizona? - levantou uma sobrancelha - Calliope era o que te afastava do domínio de Eleanor. Sem ela, você teria me ouvido? Teria ouvido alguém?

Me odiei pela resposta mental que fui obrigada a lhe dar. Mas ele estava certo e eu deixei que continuasse.

- Procurei Calliope por uma eternidade. Precisava falar com ela para confirmar minhas suspeitas. Mas Calliope se escondeu muito bem. E eu nunca fui o tipo de homem que tem contatos obscuros, então, procurá-la se tornou uma tarefa cada vez mais impossível.

- Foi aí que você entrou em contato com Zahner?

- Um velho amigo de confiança. Que poderia ter os contatos que eu não tinha.

- Ele encontrou Calliope para você. E vocês foram juntos falar com ela. Convencê-la a voltar para me colocar contra Eleanor.

- Mas ela tinha fugido por medo de Eleanor... - incentivou.

- Então, não iria voltar só por isso. Não acreditaria que seria possível me convencer.

- Mas nós sabíamos que era. - dialogou comigo, como em um dança. Mas eu já sabia exatamente para onde os passos iam nos levar.

- Tiveram que dar outro motivo.

- Então, lhe dissemos que Zahner estava em uma investigação oficial, que ela estaria sobre absoluta proteção, que tínhamos um plano e que precisávamos dela apenas para desestabilizar Eleanor, o que... acredite... já seria uma ajuda grande o suficiente.

- Mas esperavam que ela mudasse de ideia.

- Gary esperava. Gary esperava convencê-la que você era uma "filha da puta mimada" - recitou e eu imaginei que a citação fosse literal - e achou que ela poderia ajudar ativamente.

- Mas você não esperou isso?

- Não. Eu esperava apenas que ela tivesse sobre você o efeito de libertação que sempre teve. Depois disso, você nos ajudaria voluntariamente.

- E estava certo. - levantei o copo em um brinde - Não aprecio o jogo e ter sido mantida no escuro tanto tempo, Malcolm. Mas concordo que seria difícil me fazer enxergar antes. - terminei meu uísque - E acho que tenho que te agradecer por tê-la trazido de volta.

- Quase mudei de ideia. - confessou - Quando a vi. Com sua vida estável, seu filho em uma boa escola... O que nós queríamos oferecer ia colocá-la em risco. Colocar Tyler em risco. Sem qualquer certeza de sucesso. Vi que seria egoísta e desisti. Mas Gareth insistiu, falou com ela. E Callie... Ela queria te ver de novo.

- Ou se vingar de Eleanor. - ri - O que é mais provável.

- Não, Arizona... Callie é esperta demais. Ela teria visto além da nossa charada se quisesse. Mas não quis. Nós só precisamos mencionar o seu nome e eu pude ver em seus olhos. Ela estava desesperada para que lhe déssemos um motivo para voltar. Qualquer um. E ela o aceitaria. E foi isso que aconteceu.

- Foi arriscado trazê-la aqui, Malcolm. Se nós sabemos algo sobre minha avó é que ela é instável. Callie e Ty...

- Estiveram seguros todo esse tempo. Tenho seguranças particulares seguindo os dois o tempo inteiro. Eles não fazem a menor ideia. Tenho mais medo de Eleanor do que você, garoto.

Entrelacei meus dedos, considerando o peso das suas palavras.

- E por quê? - murmurei - Por que tanto medo dela?

- Porque eu sei o que ela é capaz de fazer.

- O que ela fez, Walton? O que você descobriu?

Sua mandíbula travada e o brilho prenunciando lágrimas em seus olhos me avisou que a notícia seria ruim antes que ele abrisse a boca.

- Ela matou minha Merryl.

Algo dentro de mim quis rir, pois teve certeza que meu cérebro tinha traduzido errado a informação que recebeu dos meus ouvidos.

- Foi o quê?

- Ouviu bem, Arizona.

Não era possível.

Eu estava encarando Malcolm, com minha boca aberta em uma reclamação muda que jamais se faria ouvir já que eu não era capaz de colocar qualquer ideia em ordem.

- Merryl foi... sequestrada.

- Foi morta dias antes do seu corpo ser encontrado.

- Mas por sequestradores... - suspirei, sem fôlego.

- Que a sequestraram e mataram no mesmo instante? E depois pediram milhões e largaram seu corpo para trás sem sequer tentar coletar a recompensa?

- Algo pode ter dado errado...

- Pode acreditar nisso se quiser, mas estou querendo provar outra coisa.

Mantive os olhos nele, esperando que continuasse. Que dissesse algo que não fizesse sentido e que eu pudesse questionar.

- Boe desapareceu no mesmo dia que Merryl. - explicou - De acordo com Calliope foi ele quem a preveniu das intenções da sua avó. Eu acho que ele contou tudo para Merryl antes de ir embora. Acho que ela fez o que qualquer pessoa razoável faria: duvidou e foi falar direto com a matriarca Baxter. E então, Eleanor descobriu que ela sabia e precisou se livrar dela.

- Por que matar Merryl e não Calliope? Matar Merryl seria muito mais arriscado.

- Acho que ela tentou. Acho que Boe disse para sua avó que Calliope estava morta e ela quis se livrar de Merryl para acabar o problema.

- É uma teoria bem perigosa, Malcolm. E até agora eu não ouvi nenhuma prova.

- Você foi uma das últimas pessoas a conversar com Merryl. Diga-me, Arizona. Sobre o que conversaram?

Engoli a seco, aproveitando a breve mudança de assunto para respirar.

- Ela ia dizer para Eleanor que estava apaixonada por mim, para impedir que eu me casasse com Elizabeth. Ela sabia que eu não a amava e que seria infeliz. Era... era minha melhor amiga.

- Então ela estava indo falar com Eleanor da última vez que a viu?

- Mas eu disse a ela para não fazer isso!

- Você conheceu Mer muito bem, Arizona. Acha que ela desistiria se achasse que a felicidade da melhor amiga estava em risco?

Espremi os lábios.

- E acha que, se tivesse desistido de falar com sua avó, teria ido embora? Acha que não ficaria para ver você se casar? Ela poderia ameaçar fazer isso. - sorriu, nostálgico - Ela gostava de ameaças vazias, a minha menina. Mas duvido que te deixasse sozinha. Mas deixou, não foi?

- Isso ainda não é uma prova...

- Mandou uma mensagem para a mãe logo antes de desaparecer. Só dizia que estava indo embora resolver uma coisa. Pedia que alguém parasse o casamento e dizia que Eleanor tinha ficado louca. Agora, Arizona, olhando para trás. Diz para mim: o que pode ter acontecido para fazer com que essa mensagem de Merryl fizesse sentido?

O ar rasgou minha garganta quando eu inspirei.

- Se ela tivesse descoberto que Eleanor mandou matar Calliope. Se Boe tivesse dito que Calliope ainda estava viva e escondida com medo.

- Sim. - fechou os olhos - Perfeito sentido.

Nos encaramos em silêncio por alguns instantes enquanto eu digeria as informações.

- Mas ainda é circunstancial. - Malcolm continuou - E eu precisava de mais. Cresci com seu avô, Arizona. E lembro como ele mudou depois que se casou. Lembro do tipo de pessoa que se tornou por causa da proximidade com ela. Sempre a considerei o tipo de pessoa perto da qual não se pode baixar a guarda. E você escuta coisas na vida... mesmo que eu não tivesse companhias de moralidade questionável... ainda assim escutei coisas sobre ela. Então... quando Merryl desapareceu logo depois do seu casamento deixando para trás nada a não ser uma mensagem enigmática com o nome de Eleanor... Eu decidi procurar Calliope.

Ao longo dos anos eu a investiguei... e descobri indícios. Muitos indícios que, infelizmente, eu não poderia provar. Mas, admito, parte de mim estava só querendo culpar alguém pela morte da minha garotinha. - seus olhos se perderam por um instante, cheios de saudade - Mas quando Calliope admitiu o que Eleanor tinha feito... Aí eu soube que era verdade. Tinha que ser.

- Se ela estiver envolvida com isso, Malcolm... Ela vai pagar. Vou ajudar como puder.

- Sei que vai. - sorriu - Nunca duvidei disso, garota. Nunca duvidei que dada a escolha, você faria a opção correta. É uma boa menina.

Movi minha cabeça em uma breve reverência.

- Então é por isso que Gareth esteve aqui todo esse tempo?

- Sim. - concordou - Me fazendo um favor. Mas agora ele teve que se ausentar. - passou a mão nos cabelos grisalhos.

- O que houve?

- Encontramos Boe a partir do contato que você nos deu. Ele chegou na cidade no fim de semana. Foi esfaqueado na estação de trem. Não sabemos se vai sobreviver.

Eu estava congelada na poltrona.

- Eleanor parece mais culpada a cada segundo, não é? - acrescentou.

Pretendia responder. Pretendia concordar.

Mas meu celular tocou alto, quebrando meu momento de absoluta descrença.

- Alô? - ouvi minha voz rouca e sem vida.

- Senhora Baxter?

- Sim?

- Aqui é Margaret Ellison. Da escola dos seus filhos.

- Ah, olá, senhorita Ellison. Algum problema?

- Tivemos um problema no intervalo. Seus filhos brigaram. Foi um pouco mais sério do que simples discussão de crianças. Poderia vir até aqui?

Desliguei o telefone depois de confirmar.

- Malcolm... eu... preciso ir. - esfreguei meus cabelos tentando voltar a realidade - Um problema na escola dos meninos.

- Espero que esteja tudo bem.

- Eu também. - admiti com um breve nuance de desespero - Podemos... ahm...

- Continuar a conversa depois? Claro, Arizona. Quando quiser, minha porta está aberta.






🍀







Eu vi Elizabeth parada do lado de fora da porta da senhorita Ellison.

- Sabe que isso é culpa sua, não sabe? Lares destruídos fazem isso com crianças. - resmungou, colérica.

- Vai pro inferno, Liz. - sussurrei, ao passar por ela. A porta ainda estava fechada e eu olhei ao redor para os outros adultos que também esperavam sua vez.

- O que aconteceu? - a voz de Calliope depois daquela manhã terrível fez com que eu já me virasse abrindo os braços, enfiando ela no meu peito.

- Os meninos brigaram. Devem ter discutido por causa de alguma bobagem. Você sabe como eles são.

- Precisam fazer isso aqui? - Elizabeth rosnou.

Virei-me para ela furiosa e percebi Calliope me acompanhando, fazendo-a se calar.

A porta se abriu e o rosto cínico e irritado da diretora apareceu para nós.

- Entrem. - ordenou - Todos, vamos.

Deixei Callie e Liz passarem na frente e percebi que os outros adultos por perto entraram junto conosco.

Dentro da sala, cinco crianças estavam sentadas no sofá. Todas sujas de areia. Hyatt tinha a camisa rasgada perto da gola e Tyler tinha um hematoma perto do lábio inferior.

- Mas o que diabos aconteceu aqui? - Calliope se ajoelhou na frente do nosso filho, passando as mãos em seus cabelos, verificando o machucado e depois voltou-se para Hyatt, certificando-se de sua integridade física também.

- Crianças discutem, acontece. - a diretora estava falando - Mas não aprovamos violência física nessa escola. Todos os alunos envolvidos serão punidos de acordo e queremos que vocês falem com eles para explicar como não se pode resolver problemas com violência.

- O que aconteceu? - Callie perguntou para Ty.

- Ora, cale-se! Deixe a diretora falar! - Liz exclamou.

- Quer que eu cale a boca? - Torres se levantou, rugindo como uma leoa - Vem aqui me fazer calar, Elizabeth.

- Não vou descer ao seu nível.

- Já desceu, meu bem. - cuspiu de volta - E se não desceu, me manda calar a boca mais uma vez. Só mais uma. Que eu vou aí e te arrasto pro meu nível.

- Vagabunda. - murmurou, cheia de elegante indignação.

- Somos duas. - Callie avisou alto - Mas pelo menos eu tenho orgulho de ser exatamente do jeito que eu sou.

- Senhoras! Por favor! - a diretora recriminou - É esse exemplo que essas crianças recebem? Não me impressiona que resolvam as coisas com violência.

- Seja lá o que Hyatt tenha feito, certamente só quis se defender!

- Não importa como começou! - Ellison continuou - Hyatt e Tyler tem que aprender a se defender com palavras.

- Hyatt sabe muito bem que... - Elizabeth estava defendendo o seu sangue diante das outras duas mães e da babá que compunham o resto do grupo, mas algo chamou minha atenção.

- Hyatt e Tyler se defendendo? - perguntei acima da voz aguda da minha ex-mulher.

- Sim. - concordou.

- Eles não estavam brigando um contra o outro? - precisei confirmar.

- Não. - abriu os olhos - Estavam brigando contra os outros três meninos.

- Eles estavam brigando... juntos? - Calliope também achou essa parte interessante.

- Senhores, esse comportamento não é adequado.

- O que houve? Por que começaram a brigar? - Callie perguntou e quando a diretora ia dizer que não importava, ela olhou para Tyler que encarou o chão, antes de responder.

- Me chamaram de bastardo. - sussurrou.

Os outros três garotos se entreolharam, criminosos. Pareciam um bom ano ou dois mais velhos que Ty. E ainda mais que Hyatt.

- Oh, querido. - Callie estava nos seus joelhos mais uma vez - Precisa ignorar essas crueldades.

- Não é crueldade se for verdade. - Elizabeth cuspiu seu veneno e eu ouvi Calliope respirando fundo. Muito muito fundo.

- Não é verdade! - o grito de Hyatt chamou a atenção de todos nós - Ele não é bastardo.

- É sim. - um dos moleques ao seu lado corrigiu baixinho.

- NÃO É! - virou-se, birrento, puxando a camisa do moleque.

- Ei, ei! - Calliope os separou. Puxando suas orelhas como uma matriarca de desenho animado.

- Solte meu filho! - a mãe do garoto mais velho se intrometeu, finalmente.

- Mande ele não incomodar o meu. - se colocou entre Hyatt e os outros, protegendo-o.

- Não é seu filho! - Elizabeth se manifestou.

- E você cala a boca! - Torres levantou o dedo para ela - Que a sua hora vai chegar também.

Todos calaram diante da sua fúria e eu enfiei a mão nos bolsos.

Ela tem a situação sob controle.

- Não vou tolerar esse tipo de agressão moral contra minha família. A diretora Ellison está muito enganada e, nesse caso, importa sim como a briga começou. Na verdade, é a única coisa que me importa e se um de meus meninos for submetido a esse tipo de coisa de novo, vamos resolver na frente de um juiz. Me fiz entender?

Seus olhos eram felinos e vorazes. A babá foi a primeira a manifestar que entendeu, pegou um dos garotos e saiu de lá. As outras duas mães foram mais relutantes, mas se contentaram com um olhar de escárnio para Elizabeth como vingança.

- Eles estavam certos! Não pode punir crianças por falarem a verdade. - Liz reclamou e eu a segurei pelo braço. Sabia que Calliope tinha tudo sob controle e que ia adorar colocar Elizabeth no seu devido lugar, sozinha, mas eu achei melhor intervir.

- Chega. - avisei - Já deu seu show, Lizzie. Agora basta.

- Não é bastardo! - Hyatt repetiu.

- Você sabe o que é bastardo? - Elizabeth puxou o braço com força, livrando-se de mim, enquanto Calliope tomava Ty em um abraço - Sabe, Hyatt? - perguntou.

Hyatt espremeu a boca em um bico como fazia quando era contrariado.

- É do que os meninos chamam o Evin Binz quando querem ser chatos. - confessou, baixinho - Eu sei que é uma coisa ruim e o Ty não é. Mas o Ty não fazia eles calarem a boca! - exaltou-se, irritado - Ficou lá parado ouvindo eles xingarem.

- Brigar não resolve. - murmurou nos braços da mãe.

- Você é muito frouxo! - Hyatt ralhou com o irmão mais velho e eu vi Calliope sorrir - Aí eu tive que bater neles.

- Bateu neles? - Callie tinha um sorriso nos lábios e Elizabeth inspirou fundo para recriminar sua atitude, mas era tarde demais e Calliope o puxou para dentro do seu abraço e o manteve ali.






🍀







Calliope não parava de sorrir. Fechou a porta de casa e me deu mais um beijo.

- Vai voltar ao trabalho?

- Só a tarde. Não sabia qual tinha sido o problema na escola do Ty e avisei que não voltaria.

- Então, tenho você só pra mim? - tomei suas mãos com um sorriso divertido. Depois da conversa com Malcolm e do problema na escola eu precisava me perder nela mais do que qualquer coisa.

- Tem! - mais um beijo. Eu estava ficando muito mal acostumada. - Tenho que te manter satisfeita ou já sabemos que você vai procurar na rua o que não acha em casa. - levantou uma sobrancelha, me julgando.

- Você não está falando sério, está?

- Você teve ou não teve milhares de namoradas? Ao mesmo tempo? - arrancou os saltos e os colocou em um canto do quarto.

- É... - puxei-a com força espremendo sua bunda contra minha virilha - Quando estava casada com uma mulher que eu detestava só para te irritar, arranjando morenas na rua e fechando os olhos para pensar em você enquanto estava com elas.

- Verdade? - sussurrou, suculenta, me provocando.

- Verdade. - suspirei, procurando sua boca com a minha - Era o único jeito que eu conseguia ficar excitada.

- Único? - passou a língua nos lábios.

- Único. - prometi - Só ficava molhada se pensasse nessa tua bunda. - escorreguei minha mão pela sua coxa.

- Só na bunda?

- Como se você não gostasse... - revirei os olhos e levei meus dentes ao seu pescoço.

- Acho que vou ficar com ciúmes quando morenas cruzarem seu caminho a partir de agora.

- Ou pode pintar o cabelo e mudar minha preferência. - dei de ombros.

- Simples assim?

- Simples assim. - prometi - É você que me excita. Não a cor do cabelo. - nossa conversa começou como uma brincadeira picante, mas meu tom estava mais denso. Mais profundo... O que era um papo leve e provocante se tornou uma confissão que eu exalava depois de mantê-la presa por tempo demais. - Fechar os olhos e lembrar da minha morena. - sua boca estava no meu corpo fazendo meu sangue descer - Sua voz me chamando de frouxa.

Tua boca me lambendo. Teu corpo me fazendo ficar molhada e doida.

- Não sei como me sentir diante disso. - murmurou.

Rocei nossos narizes, espremendo-a contra a parede, sentindo seu hálito na minha boca. Calliope apertava meus braços com os dedos longos, acariciando pele e camisa, deixando um rastro de calor atrás do seu toque.

- Por quê? - minha voz era um sussurro rouco. Baixei os olhos para o seu decote. O topo desnudo dos seus seios, era difícil descrever a sensação que aquela curva voluptuosa entre dois peitos fartos era capaz de causar em alguém. O peso da carne redonda e o desenho dos mamilos rosados... um sexo não precisava de muito mais do que isso para ter uma severa crise de insônia. Acordada, não dormiria até experimentar um pouco daquela carne para si.

Baixei seu zíper, deixando o vestido cair para descobrir que Calliope não estava usando soutien. O vestido justo tinha um suporte próprio que mantinha os seios mais próximos.

Mas anos e falta de suporte não os tinha feito desistir. Callie sempre teve aqueles peitinho perfeitos. Erguidos, apontando para o Paraíso e além. Um nuance suave do colo ao bico e um peso imoral na descida da curva.

Eu poderia me ajoelhar e adorar aqueles seios o dia inteiro. Ia acabar o dia com uma vontade insuportável de me masturbar... ou até mesmo atingindo o gozo sem jamais me tocar.

- Não sei se é verdade... Procurou outras mulheres, Arizona. - enfiou os dedos em meus cabelos, levantando uma coxa ao redor do meu quadril, me tentando com seus ângulos - Teve várias ao mesmo tempo... e...

O lábio preso entre os dentes e uma dúvida no ar.

- Eu nunca vou me acostumar com seus raros episódios de insegurança, Torres. - sorri - Está com receio de não ser suficiente? Porque se for, eu vou precisar rir de incredulidade.

- Pois então comece a rir. - soltou o próprio lábio para morder o meu. Trocando a insegurança por uma descarada provocação. Ela me mantinha sempre no limite: eu nunca sabia quando ela ia me fazer despejar sobre ela o amor que transbordava do meu coração ou o tesão que transpirava pela minha entrada.

Calliope e sua capacidade de me deixar molhada e ambígua.

- Foder com amor, lembra? - coloquei seu rosto entre minhas mãos, abandonando sua coxa a contragosto - Eu fodi outras mulheres. Mas meu coração foi sempre seu, sua maluca irritante. - acariciei sua boca com meus lábios - As outras tentaram transformar o sexo em algo mais. Mas não havia nada mais. Eu não tinha mais nada para dar porque já tinha dado tudo pra você. E você levou embora. Levou meu coração embora. Por mais que as outras insistissem, eu nunca poderia lhes dar algo que não era mais meu. Eu lhes dava minha boceta e pensava em você para tentar conseguir algum pouco prazer de volta. Mas era só isso, Callie. É absurdo você temer ser insuficiente quando elas é que eram. Quando todas as outras pessoas do universo eram insuficientes. Por um motivo muito simples - suspirei em seu ouvido - eu só queria você.

- O que está dizendo, Arizona? - ela tinha um sorriso satisfeito e uma língua safada que umedecia seus lábios antecipando convites que iriam me fazer delirar - Está dizendo que uma mulher só pode ter sua vagina ou seu coração? Porque se for isso, eu quero saber se posso escolher. - levantou uma sobrancelha me fazendo gargalhar.

- Não. Você pode ter os dois. Esse é o meu ponto, não entendeu?

Ela me beijou como se entendesse.

E eu soube que tinha entendido.

Deitou-se sobre mim na cama, engolindo minha vagina sem qualquer aviso. Chupando com força, comprimindo os lábios ao redor do meu clitóris enrijecido e masturbando a própria intimidade ao mesmo tempo. Eu fechei os olhos agarrando os lençóis e urrei.

Tive que controlar a respiração para reunir forças. Me inclinei, estapeando a lateral da sua bunda, forçando-a a virar-se para mim e me cobrir com sua nudez. Mergulhei o nariz em seu tesão líquido, experimentando seu gosto. Callie rebolava, me chupando. Meus dedos exploraram sua entrada trabalhando em conjunto com minha língua, espremendo em ondas circulares o caroço que era seu ponto máximo de prazer.

Ela tirava meu clitóris da boca para respirar e gemer, me deixava foder sua boquinha em intervalos irregulares e sugava minha excitação como um suco favorito e zero calorias.

Eu queria olhar para baixo e assistir Callie me comer, mas a visão a minha disposição era tão absurdamente agradável que seria um crime ignorá-la. Me enfiei ali com gosto e fiz da sua bocetinha quente e pingante meu lar.

Seus joelhos raspavam nos meus ombros, enlacei suas coxas com os braços usando as mãos para agarrar sua bunda, forçando-a para baixo e para o meu apetite.

Deliciosa.

Fiz do seu corpo minha refeição, e ela me usou para o mesmo propósito e encontramos, uma na língua da outra, o nosso pequeno paraíso particular.







🍀







Callie Torres


Um barulho na sala e alguém chamando o meu nome.

- É o Zahner! - bati no braço de Arizona, enquanto ela terminava de se vestir.

- Ele tem a chave? - reclamou.

- Eu achava que ele era Interpol e estava cuidando de nós! - devolvi - Claro que ele tem a chave!

- Você confia rápido demais.

- Antes de você entrar na minha vida eu não confiava em ninguém! - lhe mostrei a língua - Então, de quem é a culpa?

Terminamos de nos vestir, apressadas, e Robbins abriu a porta do quarto, descendo o corredor, com minha mão na sua.

- Zahner. - cumprimentou.

- Baxter. - sorriu - Ótimo que estão todas aqui. Preciso falar com vocês, me disseram que não estava no escritório, Torres.

- É sobre Boe? - perguntou, rápido demais.

- O que houve com Boe? - puxei minha mão.

- Fiquei sabendo hoje de manhã. - me ofereceu uma careta de culpa e um pedido de desculpas - Pelo Walton.

- Sim. Achei o Boe. - avisou - E ele foi atacado.

- Atacado? - eu quis saber.

- É. A mando de Eleanor, provavelmente. - constatou. Parecia exausto. Eu olhei para Arizona, esperando sua reação. Esperando sua discordância. Mas ela não veio. - Precisei de um tempo para escondê-lo.

- Está vivo? - Arizona quis saber.

- Está. Por pouco. Mas forjei sua morte.

Robbins olhou ao redor, colocando o dedo sobre os lábios como se preocupada que alguém pudesse lhe ouvir.

- Relaxe, Baxter. - Gary sentou-se no sofá - Já revistei esse lugar por escutas várias vezes e tem uns geradores de interferência ali do lado do telefone. Eu sou muito bom no meu trabalho.

- Que, por sinal... - cruzei os braços - Não é o que está fazendo. Não oficialmente pelo menos. Zahner nos observou por dois segundos antes de baixar a cabeça.

- Malcolm contou para vocês que eu estava apenas lhe fazendo um favor?

- E que eu e meu filho servimos de isca sem plenos conhecimentos do perigo? - rosnei - Pois é. Vamos chegar nessa parte. Mas como está Boe?

- Está bem. - levantou as mãos, rendido - Vai colaborar, principalmente agora. Vamos colocá-lo no programa de proteção à testemunha.

- O de verdade? - sorri, sarcástica - Ou nesse de mentirinha que você arranjou para mim?

- Nunca lhe disse que era um programa de proteção à testemunha o que você ia ter. - levantou o indicador.

- Não confio em você. - decidi, sorrindo.

- Ótimo. - deu de ombros - Mas, acredite se quiser, já trabalhei bastante nessa área.

Pela sua rapidez em concordar com a teoria da "vovó assassina" - olhou para Arizona - Vou supor que Walton já lhe contou tudo sobre Merryl e o ataque a maternidade, não é? Pois bem, o que precisamos fazer agora é...

- O quê? - Arizona deu um passo a frente - O que sobre a maternidade?

Zahner mordeu os lábios, arregalando os olhos enquanto calculava o tamanho da merda que tinha feito.

Robbins olhou para mim, buscando apoio e eu não tive tempo de mudar minha reação. E mesmo se tivesse... não queria mais mentir para ela. Minha expressão nem um pouco confusa deve ter lhe explicado exatamente o que ela parecia querer saber quando demorou o olhar em mim.

- Você sabe do que ele está falando? - mas ela já sabia a resposta. Então, eu só engoli em seco.

- Gareth? Pode nos dar um minuto? - pedi.

Zahner se levantou e se retirou sem reclamar. Fez um comentário genérico sobre estar no seu apartamento bem ao lado se precisássemos de alguma coisa e lembrou que precisávamos resolver o que fazer depois. Ia continuar a explicar seu plano, mas eu o encarei com seriedade e ele se foi.

- Do que diabos ele está falando? - Arizona mal esperou que ele saísse.

- Não te contei porque... - passei os dedos, puxando meus cabelos para trás - Por tantos motivos... - levantei um dos ombros - Primeiro, porque não achei que você ia acreditar.

Depois, por medo de como você poderia reagir. E por último... - me abracei, sentindo um calafrio desagradável se apoderar da minha espinha - Acho que tive medo de te perder. Estávamos tão bem que...

- Callie! - pediu - O que houve?

Engoli a seco e a observei por um momento, para que ela sentisse no meu silêncio que era um assunto muito sério.

- Lembra como eu falei sobre Eleanor ter mandado Boe me assustar? E sobre como ela ameaçou me matar?

- Não é uma de minhas memórias favoritas. Mas lembro.

- Pois bem. Eu nunca soube exatamente qual história ela te contou a respeito do meu desaparecimento. Mas Boe disse a ela que eu tinha morrido. Disse que o plano tinha funcionado.

Enfiou as mãos nos bolsos e encarou o chão, respirando profundamente.

- Arizona, eu...

- Continue. - pediu, ríspida. - Chega de mentiras e meias-verdades sobre Eleanor, Calliope. Eu quero saber tudo.

- No dia que se casou com Elizabeth, eu... Eu estava em trabalho de parto e liguei para você.

Espremeu a boca com tanta força que sulcos brancos se formaram nas imediações da pressão.

- Eu estava me sentindo sozinha, precisava de alguém e… depois do que você falou eu me senti ainda pior. Foi aí que liguei para minha mãe.

- Sua mãe?

- O mesmo amigo que me ajudou a desaparecer conseguiu o número dela para mim. E eu liguei. O que eu não sabia era que Eleanor já tinha feito um acordo com ela há muito tempo atrás e tinha lhe oferecido dinheiro por informações a meu respeito. Acordo que minha maravilhosa mãe aceitou prontamente.

- Ela contou para Eleanor que você tinha ligado. Que estava viva?

- Contou.

Arizona levou as mãos a cabeça.

- Puta merda. - ofegou - Boe! - apontou o dedo para mim - Boe desapareceu nesse dia!

Ele deve ter percebido que ela descobriu. Deve ter fugido para se salvar! Puta merda! - repetiu, com os dedos enfiados no cabelo, como se a percepção da realidade a invadisse, dando sentido a todas as pontas soltas na sua vida. - Se ele contou isso para Merryl antes de ir embora! - o corpo de Robbins parecia pesar e ela se deixou cair sobre o braço do sofá, sentando-se com uma aparência esgotada - Ela matou Merryl. - suspirou, aceitando.

- É o que nós achamos.

- Walton te disse isso? - estreitou os olhos.

- Disse. - admiti.

- Por que não me contou?

- Estou contando agora. Pode entender isso?

Balançou a cabeça como se ainda estivesse na dúvida, mas preferisse me deixar continuar.

- Ela mandou alguém atrás de mim. Na maternidade. - tentei explicar essa parte com o máximo de suavidade que pude. Mas a lembrança de Addison, de suas palavras, da realização que minha própria mãe tinha me vendido e a memória vívida e azeda de meu filho recém nascido desaparecido ainda me assombravam forte demais. E eu não pude ser tão suave quanto pretendi - Mandou alguém me matar e matar Ty. Arizona se levantou e me abraçou.

Me apertou tão forte como se temesse que eu fosse me esvair ali mesmo.

- MERDA, Calliope! - exclamou, furiosa, sem deixar que eu me afastasse da sua proteção - Você devia ter ligado para mim! Devia ter ligado para mim no mesmo segundo!

Devia ter gritado e me chamado de filha da puta! Devia me ter feito ouvir! Eu teria... eu teria...

- Arizona... Shh... Eu sei. - tentei abraçá-la de volta mas eu mal conseguia me mover envolta por seus braços fortes e tive apenas minhas palavras para acalmá-la.

- Ai, que inferno. - murmurou - Não acredito. Não consigo acreditar. - me soltou por um segundo - Como conseguiu me perdoar? - havia um brilho peculiar em seus olhos e eu levei as mãos ao seu rosto.

- Porque eu te amo. Achei que essa parte estava clara. - Ainda assim. - voltou a me abraçar. Mas dessa vez, estava muito mais enfiada nos meus braços do que eu nos dela.

- Bem... acho que às vezes a falta que uma pessoa faz nas nossas vidas é maior do que o erro que ela cometeu. E eu também cometi os meus e... Achei que já tínhamos resolvido essa parte.

- Como conseguiu escapar?

- Oliver. O mesmo amigo que me ajudou desde o começo. - sorri - Ele tinha mandado alguém para ficar de olho em mim.

- Eu preciso dar um abraço no Oliver. - ofegou - Devo minha vida a ele.

- Robbins, calma. - ri - Já passou. Já faz muito tempo. E eu não sei se te avisaram... - brinquei - mas eu sou bem durona.

Ela riu baixinho. Mais de alívio do que por ter achado graça.

- Tudo bem. - aceitou - Estou feliz que tenha acabado. Pelo menos agora eu sei. Vai me contar, não é? Se houver outra coisa? - beijou minha boca rapidamente.

- Arizona. - suspirei - Tem outra coisa.

- O que foi?

- Não vai ser fácil ouvir isso.

- E você acha que todo o resto foi? - arregalou os olhos.

- Isso vai ser pior. - prometi.

- Callie... Me diz de uma vez. Está me assustando.

- É uma coisa que sua avó fez. Muito antes da gente se conhecer... Boe me contou, quando sugeriu que eu fosse embora e me falou sobre as intenções de Eleanor.

- Calliope, diz de uma vez.

- Boe me deu vários detalhes, Arizona. Ele parece bem seguro de que... - ofeguei - O acidente que causou a morte do seu pai e de Amanda, Boe disse que não foi só um acidente. Ele disse que Eleanor mandou uma pessoa fazer algo com o carro.

Minha pobre Arizona.

Ela estava pálida.

Lívida.

Fraca.

Apoiando o corpo contra o sofá.

Os olhos perdidos no vazio e a boca entreaberta em um grito mudo.

Era como se não houvesse sangue circulando por suas veias.

Como se não houvesse calor em seu corpo ou brilho em seus olhos.

Como se algo dentro dela estivesse morrendo de novo.

- Ela matou minha família. - eu não saberia dizer se era ou não uma pergunta - Ela vai pagar. - sua voz era uma mistura de sobriedade com loucura de um modo tal que me assustou.

- Robbins. Calma. - pedi.

- Calma? - sorriu. Mas não havia alegria em seu rosto - Calma? Se alguém te pedisse calma quando ela te ofereceu dinheiro para matar o Ty você ouviria?

- Só quero dizer que ela é ardilosa. Não pode correr atrás dela sem medir a profundidade, Arizona. Tem que tomar cuidado.

- Merda, Callie! - esfregou os cabelos com raiva - Por que não me contou? Por que não me contou no segundo que soube?

- Você teria acreditado?

- Sabe do que eu estou de saco cheio? - exclamou com os dentes semicerrados - Estou de saco cheio de todo mundo me tratar como se eu fosse uma idiota incapaz de pensamentos próprios!

- Robbins, a mulher sempre teve um poder sobre você...

- PORQUE TODO MUNDO DEIXAVA! Porque TODO MUNDO escondia de mim as coisas que ela fazia! Como eu podia descobrir? Como eu poderia saber que ela é essa pessoa horrível? Que ela é esse monstro? Se ninguém nunca me diz nada? Claro que eu não ia acreditar! Não havia provas! Só segredos! Só segredos porque Arizona é uma idiota manipulável que não sabe pensar!

- Arizona. - toquei seu braço mas ela o sacudiu me afastando.

- Não. Não! - reclamou - Eu... Ah! Merda! - sacudiu os braços no ar - Ela vai pagar. - murmurou para si mesmo, prendendo os lábios entre os dentes - Vai pagar! - exclamou furiosa e saiu pela porta.

- Robbins!

- Não venha atrás de mim. - vociferou.

Ouvi os estrondos da sua mão contra a porta de Zahner e achei melhor ficar para trás.

Talvez Gary pudesse acalmá-la. Ou talvez pudesse direcionar sua fúria para um propósito melhor.







🍀







Arizona Robbins


- Quero falar com você.

- Notei quando você quase derrubou minha porta.

- Não seja engraçadinho. - avancei pelo seu apartamento.

- Calliope te contou tudo, han?

- A filha da puta matou meu pai e minha irmã? É verdade?

Zahner abriu os olhos e a boca em uma expressão de gloriosa admiração.

- Filha da mãe... - murmurou - Não sei. Calliope não me contou essa parte.

- Ela disse que Boe contou isso para ela.

- Se ele tiver provas! - Zahner estava falando sozinho.

- Presta atenção! - estalei os dedos, chamando-o - Ela matou minha família. Ela matou minha melhor amiga. Ela quase matou a mulher que eu amo e o meu filho. Chega, Zahner. Chega.

- Concordo.

- Todo mundo fala sobre você como se você tivesse planos que ninguém estivesse disposto a executar. Como se ninguém quisesse sujar as mãos.

- Estou honrado.

- Estou com você, agora. - rosnei - Não me importa o que precisa ser feito.

- Não se importa?

- Não me importa.

- Mesmo que isso te custe Calliope?

Respirei fundo e engoli a seco.

- Quero Eleanor na cadeia. - era a única resposta que eu seria capaz de dar.

- Tudo bem, então. - concordou - Vou te explicar o plano.


Notas Finais


Estamos quase no fim dessa continuação maravilinda. Até o próximo. Xoxo ❤


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