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História Somente teu - Capítulo 19


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Capítulo 19 - Medo do mar


Conversando com o historiador Tharles S. Silva, descobri um fato interessante: àqueles que serviram a Segunda Guerra nos litorais do Sul da Bahia, voltaram, em sua maioria, com medo do mar. Isso se deve à vários motivos, e o inicial foi o motivo que eles foram convocados. Segundo dados levantados por Tharles e expostos em seu artigo “Os Lugares e a Memória: a Segunda Guerra Mundial no Sul da Bahia”, no dia 2 de março de 1943, um navio brasileiro que carregava tanto pessoas quanto mercadorias foi torpedeado por um submarino italiano. Neste ocorrido, morreram 120 pessoas e os sobreviventes ficaram à deriva durante a noite, e, quando conseguiram chegar às praias, contaram os horrores que foi presenciar o ataque.

Por conta do terror feito em volta da situação (e com razão), os soldados que foram convocados para guardar o litoral e combater estes submarinos viviam em constante vigilância voltada ao mar. Posteriormente, como consequência, eles sentiam medo do mar no geral.

Pois bem, com o vô Chiquinho não foi diferente. Tinha medo da água e estava sempre alerta quando ia à praia. Ok, agora vamos para a história engraçada. Após muitos anos, mais ou menos em 2000, ele fez uma viagem à praia com toda a família – filhos, netos e agregados. Ele não gostava de entrar na água, mas como eu era muito pequena e estava brincando em uma piscininha na beira do mar, ele quis ir brincar junto comigo (e já tinha bebido um pouco).

Ele colocou uma cadeira para sentar, quando de repente veio uma onda – mais forte do que ele esperava –, ele caiu dando umas três capotadas, e quando levantou ficou tão bravo com a “merda de cadeira”, que ninguém teve coragem de ir perguntar se estava tudo bem, isso que estava rodeado dos genros e filho. No fim das contas, estava tudo bem, apenas a coitada da porcaria de cadeira que levou a pior.

Querida Ernesta,

Como prometi 4ª feira, escrevo-te hoje novamente. Graças à Deus continuo com saúde, esperando que tu e todos os nossos estejam com bastante saúde e tranquilidade.

Meu amor, como vais? Estás mais forte depois que tomas o fortificante? Espero que tudo corra bem.

Aqui é a mesma coisa que já te disse nas outras cartas; vamos ficar mais tristes agora, porque já foram transferidos para Pouso Alegre dois de nossos companheiros.

Ernesta: a vida aqui não tem nenhum conforto, quase que nem água, é transportada de uma bica, em barris, por burros. O lugar não é bom, o clima que parece ser bom, dá maleita. Já temos alguns casos, o sub-tenente está de cama com ameaça de impaludismo.

Eu, graças a Deus, estou do mesmo modo que vim. Dois amigos foram promovidos a 2º sargento; mas, para mim não há nenhuma vantagem, e mesmo que houvesse, o que me interessa é viver mais perto de ti. Sinto tanto a tua falta, que nem imaginas, de modo que sempre procurarei arranjar transferência para lugar melhor, que pelo menos tenha luz. Estava escrevendo-te e parei para fazer um cigarro de palha (aqui é dificílimo até cigarro).

Vou esperar ansioso o correio de amanhã para ler uma cartinha tua.

Recomenda-me a todos da casa e beijos nas crianças.

A ti, tudo o que é meu, coração, amor, abraços, carinhos e beijos.

Teu e somente teu em toda vida.

Chi.

Porto Seguro, julho de 1943.



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