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História Somente um amanhecer - BokuAka - Capítulo 2


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Notas do Autor


Peço que, caso vejam palavras juntas, por favor, me avisem.
Boa leitura:3

Capítulo 2 - Um momento um tanto inconveniente


Fanfic / Fanfiction Somente um amanhecer - BokuAka - Capítulo 2 - Um momento um tanto inconveniente

Tudo o que Bokuto Koutaro queria era ter coragem o suficiente para declarar-se ao seu plebeu, claramente era algo que ele já deveria ter feito à tempos, entretanto sentia-se repulsivo a fazê-lo. Ao menos era assim, até ele estar decidido a declarar-se neste dia, o mesmo dia em que ele viu seu amado de olhos azuis sendo socado por um garoto de sua escola.

Ah, como Koutaro desejava que este rapaz nunca mais cruzasse seu caminho, sequer importava-se caso ele parasse no hospital fevivo a quantidade de socos que havia levado de si, naquele instante, o prateado somente queria somente saber se o seu moreno estava bem. A preocupação era tanta que Bokuto chorou ao abraçá-lo, Mas não demorou muito e logo saiu correndo com ele para longe dali. Queria deixar o seu amado o mais longe possível daquele miserável.

O prateado parou ao perceber que o moreno estava cansado e sem forças, olhou-o e um aperto surgiu em seu coração.  Sua bochecha estava extremamente inchada e o canto de seu olho esquerdo estava roxo, seu lábio havia parado de sangrar.

Koutaro sentiu-se frustrado consigo mesmo, culpou-se internamente por ter demorado, se tivesse aparecido minutos antes, poderia ter impedido o moreno de se machucar, ou não. Ele cerrou os punhos e praguejou baixo, mas o moreno conseguiu escutá-lo, todavia não disse nada e nem o repreendeu, sabia que não seria escutado pelo platinado, até que o ouviu suspirar.

O interior de Bokuto doia como se ele tivesse apanhado e não o rapaz à sua frente. Virou-se de costas e se abaixou para que o de olhos azuis subisse e ele o fez, o prateado segurou-o e seguiram até a casa deste.

O moreno abraçou Koutaro com força, mas não muito para não sufocá-lo e aconchegou sua testa na nuca dele enquanto chorava baixinho. Bokuto, perdido em pensamentos, apenas sentiu as lágrimas em seu pescoço no instante em que chegaram à casa.

- Akaashi... - chamou-o e o moreno entendeu, entregando-lhe a chave sem levantar o rosto de onde estava.

Bokuto destrancou a porta e seguiu diretamente para o quarto do moreno, deitando-o na cama, sequer o olhou, pois foi logo pegar um kit de primeiros socorros que havia na cozinha. O sentimento de culpa logo retornou para si enquanto descia as escadas e escutava o choro alto de Akaashi Keiji, a dor dele era a sua dor, Bokuto Koutaro sabia muito bem disso.

Não só pegou o kit, como também pegou sanduíches para comerem. Entrou no quarto e viu o amigo encolhido na cama, estava com a roupa trocada, o platinado concluiu que ele deveria ter aproveitado e um tomado banho, lágrimas silenciosas ainda desciam pelo rosto do moreno. Koutaro sentiu seu peito apertar novamente, mas sabia que tinha que ser forte para cuidar e ajudar o amigo no que fosse preciso.

Os pais de Akaashi não estavam na casa, só voltariam a noite devido ao trabalho. Suspirou, deixou os sanduíches na mesinha ao lado da cama e sentou-se ao lado de Keiji com o kit em seu colo e o olhar cabisbaixo.

- Akaashi, eu... - Bokuto iniciou mas foi interrompido com um gesto que o moreno fez com as mãos.

- Bokuto, por favor, não se culpe. - pediu enquanto secava suas lágrimas e gemia baixo ao tocar em um ponto doloroso - A culpa não foi sua, então não ouse pedir desculpas. - falou com a feição séria.

- Mas Akaashi... - foi interrompido novamente.

- Nada de "mas".

Bokuto ficou em silêncio e começou a cuidar dos ferimentos do amigo, ainda receoso.

- Tsc... ai... - reclamou o moreno - Bokuto, está doendo!! - falou choroso afastando-se um pouco - Seja mais delicado, poxa.

- Olha, Akaashi, eu estou sendo o mais delicado possível. Não acho que dê para fazer com que não sinta dor. - retrucou voltando a passar uma pomada qualquer na bochecha do rapaz de olhos azuis.

- Eu... ai! Droga, isso arde!

- Fica quieto, Keiji! - Bokuto pediu exaltado.

Parecia que haviam trocado os papéis. Bokuto jamais dizia o primeiro nome do moreno, a não ser que estivesse preocupado, como era o caso daquele fatídico momento e normalmente era Akaashi quem pedia ao platinado que ficasse quieto. Akaashi era o plebeu que cuidava do príncipe bipolar, mas naquele dia estava sendo o contrário, o moreno o olhou surpreso pela forma em que Bokuto falou consigo e sorriu enquanto pegava a bolsinha térmica e pressionava contra seu olho esquerdo.

- Bem - iniciou o de cabelos espetados enquanto colocava o kit na mesinha -, irei tomar banho. Tem roupa minha ainda ou você doou para alguém? – perguntou.

Akaashi riu com o comentário, jamais iria desfazer-se de uma roupa de Bokuto, mas o platinado não fazia ideia disso.

- Na gaveta à esquerda. Só têm roupas suas nela.

O platinado abriu a gaveta e realmente havia somente roupas suas ali. Sentiu-se constrangido, mas não tanto para que o moreno notasse. Pegou o primeiro conjunto que viu e se levantou olhando para Akaashi que estava deitado naquele momento. Bokuto entrou no banheiro que ficava no quarto do rapaz, despiu-se e entrou debaixo do chuveiro.

A culpa veio em uma espécie de avalanche, pois Bokuto foi atingido com tudo, entretanto o impacto fora silencioso. As lágrimas receberam permissão do platinado e desceram dançando por suas bochechas junto à água do chuveiro. Estava deprimido, sensível, mas no momento, ele é quem deve cuidar do moreno e não o contrário, afinal quem estava sofrendo era Akaashi, não é?

"Se eu tivesse chegado mais cedo...", pensou, "Se eu tivesse pedido para ele me esperar...", Bokuto estava aos prantos, mas sequer percebeu.

- Droga! – exclamou socando a parede do banheiro em um ato automático.

Rapidamente a porta foi aberta.

- Bokuto! – era o moreno – Você está... – Akaashi interrompeu a si mesmo após ver a situação do prateado: nu e com os olhos vermelhos.

Corou de forma violenta, Bokuto não estava diferente, mas o rosto vermelho que antes estava por causa do choro, disfarçou. A porta foi fechada da mesma maneira que fora aberta e um grito de desculpa um pouco desajeitado se foi ouvido.

Bokuto estava paralisado e constrangido, tentava – inutilmente, claro – processar o que havia acabado de acontecer. Em um instante estava aos prantos, no outro, seu melhor amigo o viu nu, tudo isto porque estavam preocupados um com o outro. Akaashi Keiji era realmente inacreditável, mesmo surrado, invadiu o banheiro para saber se o de olhos amarelos estava bem. Começou a rir descontroladamente e teve certeza que, quem estava realmente sofrendo, era ele. Bokuto permitiu-se sorrir com aquilo.

Desligou o chuveiro e pegou a toalha para se enxugar, vestiu a camisa de mangas que havia pegado e a bermuda. Deixou o cabelo baixo mesmo, sabia bem que Akaashi gostava de seu cabelo daquele jeito, não que ele não gostasse da forma espetada, o próprio dizia que daquela maneira era a cara de Bokuto Koutaro, mas sua preferência era o cabelo baixo, pois lhe dava um ar de inocência e assim saiu do banheiro, dando de cara com um moreno surrado e pensativo, e sanduíches intactos na mesinha.

- Akaaaaashiii! – dramatizou ao se aproximar dele, o moreno o olhou confuso – Você nem tocou nos sanduíches! - reclamou enquanto pegava um e o colocava na boca.

- Desculpe – Akaashi pediu -, estava esperando você sair do banho, aí você começou a chorar e... – interrompeu-se constrangido – enfim, você sabe o resto. – sentou-se na cama dando espaço para Bokuto sentar ao seu lado.

Ele o fez enquanto ria também constrangido. Pegou os sanduíches e entregou para Akaashi que não repreendeu e logo começou a comer.

Um silêncio estranhamente confortável surgiu entre os dois, não era algo comum, óbvio, todavia agiam como se estivessem acostumados e como se aquilo fosse uma necessidade. Para Bokuto, porém, era mais que apenas uma simples necessidade, apesar de que ele trabalhava em sua mente de uma maneira falha sobre a questão de que se aquele momento era ou não uma boa situação para revelar seus sentimentos. Parte de si dizia que era 'perfeito', outra dizia que era inconveniente. Koutaro estava cada vez mais sendo vencido pela segunda opção, entretanto sentia-se inquieto e ansioso. Desejava revelar-se à meses, ou até anos se não duvidar, mas nunca o momento certo lhe apareceu, pois não queria ser inconveniente, mas naquele instante, naquele pequeno, improvável e imperfeito instante, Bokuto Koutaro mais do que nunca quis ser inconveniente. O que lhe impedia? O desejo de um momento perfeito para seu nobre ato para com o seu plebeu.

Bokuto Koutaro sentiu a efêmera necessidade de ter Akaashi Keiji para si e somente para si, claro que ele estava sendo imprudentemente possessivo, ele sabia, mas mesmo assim o desejava com todas as forças. Entretanto, ele havia acetado que, mesmo que os sentimentos do moreno não fossem correspondidos aos seus, ele faria de tudo para vê-lo feliz, até ser o padrinho do maldito filho que ele teria com outra pessoa que não fosse ele. Tudo propriamente dito e raciocinado pelo prateado, coisa que não era comum para ele. Mas Akaashi Keiji tinha esse efeito sobre si, esse terrível, lindo e odioso efeito.

Bokuto acordava imaginando o moreno ao seu lado ao acordar, preparando cedinho o café da manhã, arrumando seus filhos, irritando-se com o prateado por estar atrasado para o trabalho ou ter perdido a chave da casa novamente. Com Akaashi Keiji não era diferente, imaginava Koutaro lhe acolhendo nos braços depois de um dia estressante, imaginava mimando-o durante um de seus momentos depressivos ou melodramáticos, colocando seus filhos para dormir, era algo perfeito que nenhum dos dois fazia ideia ser recíproco.

Bokuto Koutro estava nervosamente ansioso e Akaashi Keiji, com seus anos de experiência, percebeu.

- O que tem para me dizer, Bokuto? – direto, perguntou o moreno.

As batidas do coração do platinado erraram o compasso costumeiro com aquela pergunta, não que fosse a primeira vez, afinal tinha a maldita questão do efeito. Bokuto pensou com cuidado, "talvez, ser inconveniente fosse bom em momentos como aquele, certo?", pensou. Seu pensamento estava correto, afinal, a pergunta possuía a palavra 'talvez', mas Bokuto, em um surto de nervosismo, tornou a resposta negativa e com ela veio de brinde seu modo emo.

Akaashi, conhecendo o platinado, sabia que setratava de um assunto delicado, então, sem pensar duas vezes, pôs sua mão sobre a de Bokuto, acariciando-a.

- Bokuto? – chamou-o – O que houve? – interrogou-o apreensivo – Se for o que eu ainda estou pensando, não precisa se culpar, eu estou bem, não estou? Veja, eu nem me importo mais tanto assim. – o tom de sua voz era baixo e calmo enquanto esbanjava um sorriso sofrido e pequeno na face.

Koutaro balançou a cabeça negativamente e continuou em silêncio, suas mãos tremiam de leve e estavam um tanto suadas, no mesmo instante Akaashi percebeu que se tratava de outra coisa, até que lembrou-se de mais cedo, a ansiedade de Bokuto para vir à sua casa e o "pode ser?" que proferiu no final da frase.

O moreno suspirou e soltou uma breve risada nasal, provocando uma reação confusa do de olhos amarelos e então compreendeu, Koutaro achava que era um momento incerto para sei lá qual fosse o assunto, assim dizia os pensamentos de Akaashi, o que não estava errado, já que realmente era um pouco inapropriado levando em conta a situação em que estava. Mas não era porque havia acabado de levar uma surra de um canalha aleatório que iria deixar de ajudar seu melhor amigo.

- Bokuto, olhe para mim. – o prateado o fez – Seja lá o que for, pode me dizer. – falou carinhosamente, porém o rapaz ainda se mantinha em silêncio – Você não está sendo inconveniente, Koutaro. – completou dando um sorriso gentil, porém sem dentes.

Sentindo-se mais relaxado, o prateado deu um longo suspiro e fechou os olhos buscando encontrar coragem e as palavras certas a serem ditas, porém lembrou-se de seus pensamentos "talvez, ser inconveniente seja bom em momentos como este.". Sorriu pequeno e abriu os olhos logo encontrando os de Akaashi ao seu lado, ainda estava nervoso, claro, seu coração batia tão forte e rápido que se perguntou se o moreno não estaria escutando aquelas batidas tão escandalosas.

- Akaashi...

- Eu? – incentivou.

- Akaashi, eu estou an... hum... – as palavras se perderam no ar, Bokuto tentava, em vão, juntá-las novamente.

- Acalme-se e respire. – Keiji aconselhou e ele o fez – Você está...? – incentivou-o novamente.

- Eu estou... – Bokuto olhou para baixo e depois para os olhos do moreno que não desgrudavam de si e corou como nunca havia corado antes. Em sua barriga, milhões de borboletas brigavam por espaço, sua garganta ficou seca e um silêncio instalou-se sobre eles, mas foi quebrado pelo próprio que, por um misto de emoções, tomou coragem do quinto dos infernos e continuou – estou apaixonado por você, Akaashi Keiji.

Uma declaração. Uma declaração foi o suficiente para fazer os circuitos do moreno pifasse da mais bela forma possível. Ele não sabia se ria ou chorava, permitindo-se fazer os dois. O de olhos amarelos preocupou-se com aquela reação e perguntava repetidas vezes se o rapaz estava bem, não conseguindo resposta em nenhuma delas.

Akaashi respirou fundo buscando o controle de suas emoções, estava confuso, normalmente o descontrolado era Bokuto e não ele, então, ainda em delírio com aquela revelação, em grande impulso, por sinal, selou seus lábios aos do platinado em um selinho demorado, mas logo o desfez e cobriu a boca com as mãos, extremamente constrangido, mas logo os dois estavam rindo.

Ambos se acalmaram e o moreno pôs sua mão sobre a de Bokuto que fez questão de entrelaçar seus dedos, Akaashi permitiu-se sorrir com o gesto enquanto olhava pra Koutaro.

- Também estou apaixonado por você, Bokuto Koutaro.


xxx


Tudo que Bokuto Koutaro queria era ter coragem o suficiente para declarar-se ao seu plebeu, claramente era algo que ele já deveria ter feito à tempos, entretanto sentia-se repulsivo a fazê-lo. Ao menos era assim até àquele dia, o mesmo dia que viu seu amado ser socado, o mesmo dia em que cuidou dele após a maldita situação, o mesmo dia que seu melhor amigo o viu nu no banheiro sem querer. O que houve com o agressor? Nenhum dos dois sabia, mas garanto a vocês que ele nunca mais apareceu diante deles. E mesmo agora deitados um ao lado do outro, trocando algumas carícias, Bokuto Koutaro tinha certeza que seu desejo havia sido realizado, às vezes, para si, ainda parecia um sonho, mas o mesmo sabia que era real. Porém o que ele não sabia, era que desejava mais doque apenas declarar-se, Bokuto Koutaro havia sido correspondido, sim, entretanto o que ele mais desejava era ter Akaashi Keiji em seus braços pelo resto de suas vidas e, para a sua felicidade, naquele momento isso estava acontecendo. Seu plebeu dormia sobre si e mais do que nunca se sentiu completo, permitindo-se sorrir enquanto fechava os olhos para se aconchegar a seu amado.  


Notas Finais


Espero que tenham gostado da fic, perdoem-me qualquer coisa.
Até alguma próxima:3


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