História Someone Like You - Capítulo 6


Escrita por: e VChanRhimes

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Sehun, Suho
Tags Baekhyun!trans, Primeiro Amor, Sebaek, Sehun!modelo
Visualizações 95
Palavras 4.046
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa tarde!!!!
VOLTEIIIIII!!!

Eu sei...SLY não é atualizada há quase dois meses (dois meses!!!).
Vergonha me define nesse momento, porém espero que entendam meu sumiço.
Acho que toda a autora, uma hora ou outra, por motivos pessoais ou não, sempre sente um certo desânimo por tudo e, infelizmente, eu não fugi a essa regra.
E não é só com SLY, mas com todas as minhas outras fanfic's.
Mas acreditem: por mais que pareça um problema, de fato, não o é. Pelo menos não para mim.

Há uns dias atrás uma certa leitora, a quem dedico esse capítulo com todo o meu carinho e agradecimento, trouxe vida com seus comentários lindos à SLY novamente.
AyaMichaelis, nós não nos conhecemos, mas quero que saiba que tudo que você escreveu, todos os comentários, o carinho e os debates lindos que trouxe me fizeram parar esse fim de semana e reler essa fanfic toda novamente e perceber que por mais que eu esteja desanimada ainda assim eu amo o que faço aqui e não poderia parar de fazer isso jamais.
Em momento algum.
Então, de coração mesmo, obrigada por ter "despertado" a leitora e a escritora que estavam insistindo em se esconder dentro de mim <3
Prometo te responder com textões lindos dignos de debates que só SLY consegue proporcionar <3

Ps: agradeço à todas as outras guerreiras que sempre estão aqui comigo, vocês são incríveis e espero que saibam disso <3

Sem mais para o momento, bora ler?
Espero que gostem e perdoem erros ;*

Capítulo 6 - Hamartia


— Baek, tá me escutando? — Hi Nam estalou os dedos em minha frente, tirando-me de um torpor pessoal que nem percebi me enveredar.

— Você disse alguma coisa? — a pergunta era patética, até porque a cara de Hi Nam denunciava que sim, ela havia falado algo, mas que não, eu não tinha prestado atenção em nenhuma palavra proferida por si.

— Sério, Baek: onde você estava com a cabeça agora?

Naquela tarde, com um batom rosa chamativo, um short branco minúsculo e uma bata multicolorida que quase encobria todo retângulo até metade de suas coxas, Hi Nam me encarava séria, o sorriso sempre presente esquecido sob um repuxar de lábios que não indicava algo bom, mas sim uma careta em meio a repreenda incontida das duas ruguinhas entre suas sobrancelhas bem desenhadas.

Suspirei fundo.

Faziam quase quinze dias, mas ainda estava tão vivo e forte dentro de mim que parecia sempre apto a me puxar para longe de tudo e todos com pequenos detalhes, muito embora aquele, em específico, fosse enorme e visível há metros de distância.

Com uma expressão triste indiquei a placa há dois quarteirões à nossa frente.

Hi Nam acompanhou meu olhar e vi compreensão pincelar seus olhos bem delineados.

Em meio a uma movimentada e tecnológica Seoul, um outdoor imenso se situava entre a estação de metro e um prédio esguio com uma silhueta invejada por todos os engenheiros daquele país, indicando um homem de pele clara e cabelos negros a esparramar-se sobre lençóis desalinhados; o tronco nu e a borda da roupa íntima a aparecer.

Nunca marketing de roupas íntimas masculinas me parecera tão atrativo quanto naquele instante, nem mesmo quando desejava ser Baekhyun e ainda estava sob a custódia de Hyunhee.

Nossa...até parece um fantasma ele. — ditou Hi Nam fazendo pouco caso e agarrando minha mão novamente, enquanto atravessávamos o semáforo com ela rebocando-me.

Não era novidade que mesmo após tudo que acontecera entre mim e Sehun a vida voltaria a normalidade costumeira em algum momento. Não estava esperando flores, declarações ou a simples aceitação por parte do Oh, mas uma parte de mim, uma parte extremamente ilógica, esperava que quando ele desaparecesse fosse como fumaça: impossível de se ver novamente.

Porém, para minha mediocridade crescente, naquelas duas últimas semanas os comerciais com Sehun pareciam ter se multiplicado na televisão, os outdoors haviam atingindo um índice alarmante pela cidade e, até mesmo, os anúncios na internet pareciam aptos a estamparem o rosto bem desenhado do Oh toda vez que eu me arriscava a navegar pela rede.

Era como correr em meio a um rio cheio de tubarões: por mais que eu nadasse, ainda assim sempre encontrava um ou outro a me perseguir, mostrando suas presas e o estrago que poderia fazer com sua simples imagem.

— Eu não entendo....não houve nenhuma ligação? Nada? — na calçada, já longe dos carros que poderiam me juntar e me transformar em um amontoado de ossos, Hi Nam continuou a segurar minha mão entre a sua, o passo mais tranquilo após a corrida até a segurança dos pedestres.

— A última vez que o vi foi naquela tarde. Acho que foi uma espécie de despedida. Eu só...não notei na hora. — confessei meio cabisbaixo. Havia dito a mim mesmo para não ficar remoendo aquilo, mas era difícil agir condizente com o que queria, principalmente quando meu peito se tornava pequeno quando à menção de Sehun.

Senti os olhos carregados de rímel de Hi Nam a me observarem, mas não sustentei o olhar. Eu sabia que se a olhasse veria uma espécie de compaixão junto a uma penalidade gigantesca. No fim, por mais direta e liberal que minha amiga fosse, ainda assim ela era minha amiga, cujo único desejo era me ver feliz, independe de como.

— Se eu fosse rica Sehun com toda certeza receberia um murro bem onde o sol não bate! — disse sorridente, sorvendo o ar e me encarando faceira.

Balancei a cabeça, a sombra de um sorriso nascendo em meio à tristeza enfadonha que me acompanhava nas últimas semanas.

— Você seria processada, se não fosse presa ou ainda pior: linchada pelo fandom dele. — lembrei, balançando nossas mãos em um ritmo preguiçoso que fazia com que as pessoas que passavam por nós dois nos encarassem como se acreditassem que éramos um casal apaixonado e cúmplice em meio às flores de cerejeira da estação.

— Querido, se eu apanhasse por você acredite: seria uma honra enorme ser lembrada por esse feito. — disse antes de piscar em minha direção e diminuir nossa distância tacando um beijo em minha bochecha e manchando-a com seu batom chamativo.

Passei um braço pelos ombros desnudos de Nam e vi um casal de velhinhos arregalar os olhos em minha direção, muito provavelmente achando aquilo o cúmulo do cúmulo em meio a uma sociedade tão restrita quanto a coreana.

Hi Nam, que de santa não tinha nada, alimentou ainda mais o rubor da terceira idade circundando minha cintura e acompanhando meus passos coladinha a mim; como a perfeita namorada que nem em um milhão de anos seria.

— Você ainda vai desconstruir todos os muros hipócritas dessa sociedade, Nam. — cochichei rindo quando ela estapeou minha bunda e fez a senhorinha de idade arfar em ultraje.

Nam passou a língua pelos lábios chamativos e piscou de forma inocente, mesmo tendo a certeza que jamais aquele gesto teria o dom de me fazer crer em suas boas intenções:

— Querido, eu nem preciso fazer isso, porque você já começou essa revolução muito antes de mim. — salientou com um dos seus mais brilhantes sorrisos, aconchegando-se em meu abraço lateral e sendo acolhida ali com o mesmo carinho.

E talvez, mesmo que saturado de tudo, principalmente dos sentimentos que insistiam em vir à tona quando o assunto era meu passado e Oh Sehun, ainda assim eu sentia que as coisas jamais seriam ruins por inteiro, pois, para onde quer que eu olhasse uma garota extrovertida, com mais maquiagem do que o necessário e roupas minúsculas e chamativas, estaria ao meu lado empunhando a bandeira de uma revolução pessoal; uma revolução nossa e do que éramos. E, certamente, eu sorriria para si e teria a certeza que tudo estaria bem.

[...]

Ela tinha curvas na medida certa, um cabelo ondulado que descia como cascata até o meio de suas costas, além de uma pele alva e quase que completamente a amostra sobre o vestido minúsculo daquela grife. Era bonita, afinal. Mais bonita do que a grande maioria; destacando-se com maestria no meio da multidão.

Seu sorriso em minha direção era sugestivo. Seria loucura dizer que não havia notado e nem que não sentia certa atração por si. Eu estaria mentindo para mim mesmo se esse fosse o caso. Mas também não podia disfarçar que para cada piscadela direcionada a mim pela modelo era uma nova imagem de Baekhyun que se materializava em minha mente; puxando-me para uma realidade que claramente eu não desejava enfrentar.

Era exaustivo, no fim das contas.

Tentar esquecer Hyunhee e, consequentemente, Baekhyun era, de todas as formas possíveis, o desafio mais difícil que eu já havia tomado como certo.

— Você...gosta dela?

Sentado em um dos lugares do extenso estofado de couro situado no camarim levantei os olhos para Junmyeon há alguns passos de distância a observar o mesmo ponto que eu, onde Hi Lui, uma modelo chinesa e extremamente bela, terminava os últimos retoques de sua maquiagem com um sorriso refletido em minha direção pelo espelho à sua frente.

Dobrei as pernas; um gesto inútil que deveria dispersar meu incômodo por aquela pergunta, mas que de nada serviu a não ser na enfatização do meu mau humor contínuo.

— Eu sempre gostei de garotas, Junmyeon. Não sei se você lembra disso. — ironizei na defensiva.

Estava sendo complicado abordar o assunto Baekhyun/Hyunhee com Junmyeon desde que eu revelara meus verdadeiros sentimentos para si. Eu conseguia sentir, claramente, que meu amigo queria perguntar. Desejava conversar e aconselhar, mas que também, nesse ínterim, se sentia andando em uma corda bamba sem saber, de fato, como chegar até o outro lado sem pender para algum lugar. Era o clássico: quero ajudar, mas não sei o que dizer.

E por mais que eu o entendesse, ainda assim em momentos como aquele, onde suas frases e olhares colocavam a prova tudo que eu acreditava sobre mim mesmo, que eu me via irritado consigo e posto em uma centrífuga de sentimentos conflitante onde a única saída era tentar me apegar naquilo que parecia o certo; naquele que eu acreditara, por muitos anos, ser eu. Ser Oh Sehun.

— Não quis te ofender, Sehun. Você sabe muito bem isso. — falou rápido Junmyeon, arrependimento contorcendo sua expressão enquanto ele tomava o assento ao meu lado e falava baixo, sutil o suficiente para que ninguém naquele camarim nos escutasse.

Suspirei fundo. Eu sabia que sim. A última coisa no mundo que o Kim faria seria duvidar de mim ou ofender. A questão era que essas coisas, essas coisas impensáveis que eu colocava minhas duas mãos no fogo por Junmyeon, agora pareciam meus fantasmas pessoais. Aqueles que me pressionavam a questionar-me sobre o mar de dúvidas que se abatia em meu interior.

— Me desculpe. — soltei sincero, massageando as têmporas com a mão direita a quase tampar todo o rosto — Estou sendo idiota com você quando, na realidade, eu apenas estou irritado comigo mesmo.

Minha confissão tardia veio seguida de um aperto leve em meu joelho por parte do Kim. Um gesto de consolo frágil, mas que, naquele momento, significava muito frente à nossa amizade.

— Eu sei que sim. Te conheço há muito tempo para não perceber isso, Sehun.

Levantei o rosto, cansado de tudo aquilo, mas concedendo um sorriso pequeno ao meu manager e amigo.

No fim das contas, por mais estranha que as coisas estivessem, tanto para mim quanto em relação a mim e Junmyeon, ainda assim uma coisa nunca mudaria: o fato de que eu sabia poder contar com ele para qualquer coisa e a qualquer hora.

— O que eu faço, hyung? — perguntei em tom baixo, a pressão em meu peito se intensificando à medida que eu me via cada vez mais perdido em meus próprios dilemas — Eu estou tentando, juro que estou! Não o procurei há duas semanas, mas, ainda assim...é sufocante viver com essa dúvida.

Segurei as lágrimas que estavam aptas a escorrerem face abaixo. Eu não queria chorar na frente de Junmyeon. Não queria chorar na frente dos Staffs e, muito menos, dos outros modelos. Por isso apenas respirei fundo e senti novamente a angústia tomar conta de mim de forma incondicional, aprisionando-me a si como um monstro sedutor e faceiro.

Por alguns instantes acreditei que o silêncio de Junmyeon perduraria sem resposta. O arrastar dos minutos ditava o que eu já sabia: nem mesmo o sábio Junmyeon, o tão hábil manager e lógico amigo, conseguiria me responder algo que, para começo de conversa, parecia não ter uma possibilidade a se pesar.

— Então por que você não para com isso?

O silêncio se rompeu e, alarmado, voltei meus olhos para um Junmyeon a encarar o chão pensativo, parecendo certo de suas palavras, muito embora as rugas de expressão se intensificassem em seu rosto jovial.

O Kim não esperou uma resposta minha ou uma pergunta retórica, parecia certo demais do que diria a seguir, muito embora eu soubesse que pensara muito no assunto antes de considerá-lo em voz alta:

— Minha mãe costumava dizer que uma vida de dúvidas não pode ser considerada uma vida. É por isso que que nos arriscamos a cada curva, com medo do que estará logo a frente, mas nunca recuando quando um desafio aparece. — ele ergueu o rosto e sorriu de lado; um repuxar de lábios consolador — Pare de ter medo das respostas que encontrará ao longo do caminho e aprenda a não temer elas. Seja elas qual forem.

Pisquei, não porque estivesse confuso, mas porque estava mais e mais grato por tê-lo como amigo. Por ter alguém que, incontestavelmente, decidira ficar ao meu lado seja qual fosse o desfecho de toda aquela história.

— Sem arrependimentos, hyung? — perguntei com os olhos marejados e um sorriso camarada na direção do cara que eu tinha orgulho de chamar de amigo.

Junmyeon ergueu o punho fechado e esperou um soquinho em devolutiva da minha parte.

— Sem nenhum arrependimento. — destacou, deixando implícito, naquela simples frase, que lutaria ao meu lado e tentaria entender junto à mim as mazelas que o futuro arquitetava em minha vida.

Eu não havia procurado Baekhyun. Não havia confrontado a ninguém a não ser à mim mesmo naquelas últimas semanas. Nem mesmo Junmyeon ouvira minhas frustrações. E por esse motivo, por ter depositado tanto peso em meus ombros, eu estava saturado. Mas agora, olhando meu amigo nos olhos com uma promessa silenciosa de fidelidade ininterrupta, eu sentia a pressão de outrora se dissipar gradativamente. Tornando-me mais leve com o passar dos segundos e com a certeza do que eu faria a seguir.

— Eu acabei por aqui? — questionei afoito, secando o canto dos olhos com as costas da mão e levantando-me do sofá com pressa; a mão já catando uma jaqueta pelo canto e vestindo-a enquanto esperava o aval de Junmyeon:

— Vai encontrar ele e descobrir a incógnita que se transformou sua vida. Eu deixo. — disse risonho se espreguiçando no estofado de couro e vendo-me correr em direção à saída.

No trajeto, observado pela modelo de outrora que exibia uma carranca de frustração por estar sendo ignorada, não me detive a nada e nem ninguém, a não ser pela exceção em meio a planilha de regras que eu criara em minha vida. E, de modo inusitado, Baekhyun pareceria ser uma bela regra a qual eu estava prestes a tentar entender com todos os meus esforços.

[...]

— Baek, mandaram isso para você.

Chanyeol estendeu um pedaço de papel sem o sorriso maroto de sempre, os olhos sérios a me encararem de perto.

— Chefe, já disse que não estou interessado...

— Não é um número telefônico. — adiantou-se me interrompendo, os dedos insistentes a segurarem em minha direção o pequeno quadrado.

Olhei para o guardanapo por alguns segundos, confuso com aquela nova informação.

— E também não é de uma mulher. — finalizou Chanyeol com um pigarro breve, como quem estava curioso, mas sabia não dever se intrometer nos assuntos alheios.

Meus olhos recaíram sobre o guardanapo novamente, as mãos encurtando o espaço até o balcão e tomando o pedaço fino entre os dedos.

— Baek, eu não sei quem ele é, mas se está te incomodando você sabe que pode contar comigo e com o Kyungsoo para mandar ele pastar, certo? — disse calmamente Chanyeol, os olhos preocupados em minha direção a afirmarem algo de forma implícita: ele e Kyungsoo estavam sempre a postos a correrem em minha defesa, independente se eu queria ou não se defendido.

Senti meu cenho se franzir à medida que Chanyeol me dava as costas e voltava para perto da caixa registradora, o rosto severo permanecendo mesmo após se afastar.

Com o coração batendo forte no peito, a respiração se intensificando de forma súbita e os membros parecendo tornarem-se uma massa gelatinosa, encostei-me lateralmente no balcão, os olhos a passar pelos clientes e não tardar a reconhecer a figura esguia de Sehun a sentar-se em uma das mesas; a máscara em sua face encobrindo sua identidade aos presentes.

 Haviam sido quinze dias. Dias tortuosos em que tudo que eu pensara era no quão nosso último encontro agora parecia uma despedida silenciosa por parte do Oh. E aquilo, por mais certo que parecesse certo frente a todos os obstáculos, ainda assim continuara a machucar com o passar dos dias e a percepção que era, de fato, um fim.

Entretanto, lá estava Sehun sentado em uma das cadeiras com os cotovelos a se apoiarem na mesa; os olhos, a única parte de seu rosto visível, a me encarem com firmeza, demonstrando nas íris escuras uma certa ansiedade que eu não precisava ver para saber que refletia-se em mim mesmo.

Nós estávamos loucos. Aquela era uma boa hipótese. Porém, inusitadamente, era a primeira vez em quinze dias que eu finalmente me sentia vivo.

Sehun apontou em silêncio para o papel em minhas mãos, a distância me tornando lento em desvendar de cara o que ele desejava que eu fizesse.

Com as mãos trêmulas, após cinco segundos de lentidão exacerbada de minha parte, desdobrei o guardanapo e encarei a caligrafia torta de Sehun sobre o fino pedaço de papel:

 

“Vou esperar seu expediente acabar no mesmo lugar de sempre.

Espero que possa me ouvir novamente, Baekhyun.

 

Ps: me perdoe estar atrasado.”

 

Se existia uma forma de retornar e causar impacto, então Sehun era mestre naquele tipo de jogo, enquanto eu, tão mundano quanto qualquer um, me via prestes a ter um colapso nervoso frente ao que poderia desenrolar-se daquela decisão repentina do Oh.

Hi Nam tinha razão quando me aconselhara, dias antes, a esquecer Sehun e seguir a vida como eu estava fazendo antes dele aparecer. E eu concordara com ela no momento e tornava a concordar agora. Porém não era por concordar que eu assenti na direção do Oh e o vi se erguer e seguir caminho porta afora, esperando-me no velho parque, mas porque, diferente do que minha parte lógica falava, eu realmente queria um desfecho mais conciso com Sehun.

Se era para ser uma despedida, um ponto final sem reparação, então que eu estivesse ciente disso durante todo o momento.

— O que ele queria? — o Chanyeol de minutos atrás poderia sim parecer não querer mostrar sua curiosidade ferrenha, mas aquele Chanyeol não mais insistia quando este outro se debruçou sobre o balcão em minha direção, os olhos arregalados a observar Sehun se afastar pelas portas de vidro do restaurante.

Abri a boca inúmeras vezes para responder, os olhos perdidos no mesmo ponto que as costas de Sehun desapareciam, porém não consegui. De certo modo eu não tinha resposta para aquilo.

— Eu não sei. — fui sincero, voltando-me para o Park e vendo as sobrancelhas do mesmo se juntarem em confusão.

— Então não vá! Ele pode ser um psicopata perseguidor, assassino de meia tigela! — falou teatralmente, me fazendo rir apesar de toda a incoerência de sua fala.

 — Está tudo bem, Chanyeol. — garanti guardando o pedaço de papel no bolso traseiro da calça e sorrindo levemente com a verdade que rondava meus pensamentos e ansiava por pular para fora da minha garganta.

— Tem certeza? — insistiu o maior, preocupado de modo extremamente fofo, até mesmo para um homem de quase dois metros de altura.

— Sim.

— E como pode ter tanta certeza assim? — contrapôs teimoso. A necessidade de uma resposta melhor moldando seu rosto contorcido.

— Porque eu confio nele. — declarei, sentindo, pela primeira vez em muito tempo, que independente do que acontecesse, ainda assim ele era Oh Sehun; o garotinho que correra uma rua inteira atrás de um carro e da pessoa que fugia de si.

[...]

Pulei do banco em que estivera sentado pelos últimos quarenta e cinco minutos e me postei frente a frente com Baekhyun, sua expressão preocupada não passando despercebida por mim.

— Eu sei que pode parecer maldade aparecer assim depois de ter ficado sumido por tanto tempo. — comecei, minha garganta falhando em nervosismo claro — Mas eu realmente precisava achar algumas respostas para todas as dúvidas que estavam me consumindo.

Baekhyun piscou mecanicamente, absorvendo meu pedido de desculpas implícito e assentindo devagar a medida que buscava sua própria voz para perguntar:

— E você achou? — questionou baixo, os olhos miúdos a me encararem hesitantes — Conseguiu descobrir as respostas que te faltavam?

Com pesar neguei de prontidão, observando uma tristeza quase que palpável contornar os traços leves de Baekhyun também. No fim éramos um amontoado de sentimento mútuos e conflitosos sobre uma camada de dúvidas e respostas nada amigáveis.

— Mas mesmo sem resposta alguma, eu descobri que viver na dúvida é ainda pior. — expliquei em um fio de voz, enquanto o rosto de Baekhyun tornava a se erguer com a mesma ansiedade de segundos antes — E ter descoberto isso talvez seja uma conclusão ruim, mas que também pode ser algo bom. Isso só vamos saber se decidimos tentar e nos arriscar.

Vi os lábios de Baekhyun se entreabrirem, enquanto ele recuava de forma lenta dois passos, como se não estivesse certo sobre o que estava fazendo.

O-o quê? — balbuciou, os olhos pequenos se tornando maiores com a incerteza de minha sentença.

O assombro no rosto do Byun poderia ser um aviso claro que eu estava fazendo algo errado. Que deveria desistir antes de começar qualquer coisa que fosse. Que não deveria ferir ele tanto quanto já estava ferido. Mas eu me tornara o que mais odiava nas últimas semanas: alguém egoísta e ambicioso, que precisava de respostas para conseguir seguir em frente. E por mais que não me orgulhasse de admitir isso, ainda assim eu não conseguia ver-me afastando Baekhyun quando era claro que eu o desejava ao meu lado. Desejava conhecê-lo como Baekhyun e não mais com Hyunhee. Desejava, enfim, entender se sua amizade era o que me fazia falta ou se algo mais estava me instigando a não desistir.

— Byun Baekhyun... — falei baixo, mas claro o suficiente para um Baekhyun focado em qualquer palavra que saía por entre meus lábios: — Meu nome é Oh Sehun, trabalho como modelo em tempo integral, tenho um fetiche por arrumação e, ironicamente, gosto de andar só com calças de moletom quando estou em casa. — listei me sentindo extremamente infantil, mas completamente transparente naquele segundo — E seria uma honra tê-lo como amigo.

Baekhyun ofegou, enquanto observava minha mão erguer-se para si e se manter em sua direção, em uma oferta de amizade inusitada que, com toda certeza, ele não esperava ter de digerir.

Os segundos se passaram com uma rapidez indiscutível, enquanto o garoto continuava a encarar minha palma estendida para si como se olhasse uma arma ser engatilhada.

E eu não pude culpá-lo por hesitar, porque, de certo modo, eu sabia o que Baekhyun estava pensando; eu sabia que ele estava considerando tudo e, principalmente, calculando o estrago que poderia ser feito em seu coração no processo.

—Eu...não posso. — disse baixo, parecendo não acreditar nas próprias palavras que conseguira formular.

Mesmo com a certeza de que Baekhyun poderia recuar às minhas palavras, ainda assim senti o impacto do desapontamento.

— Eu não posso insistir que me dê uma chance. Até porque é egoísta de todas as formas possíveis o que estou fazendo, entretanto... — parei, tomando fôlego e erguendo meu resto em sua direção novamente — Eu sinto sua falta.

— Você sente saudades de quem eu era, não do Baekhyun! É da Hyunhee que você sente falta! — disse o Byun com o tom afetado, os olhos marejados a ditarem que era difícil admitir aquilo, mas que ele realmente se sentia frustrado com seu passado e com a ideia de preservação que os outros mantinham sobre o mesmo.

— Talvez você esteja certo, mas nunca saberemos se você não me der uma chance. Se não me deixar conhecer o verdadeiro Baekhyun. — tentei uma última vez, sabendo que aquela era a justificativa máxima que eu teria para usar. Que qualquer outra jamais teria o impacto dela. De que minha segunda chance repousava em uma única sentença e nada mais.

Baekhyun sorriu, mas seu sorriso apenas aparentava uma tristeza incomensurável, capaz de fazer ferir mesmo o mais gélido dos corações.

— Isso é golpe baixo, Sehun...

Ele tinha razão. Era uma cartada baixa e utilizada da pior forma o possível. Mas era minha última chance. Eu sabia que sim. Mas estava de mãos atadas em relação a qualquer coisa que fosse.

— Eu admito isso. — concordei com uma fungada. Não havia percebido, mas lágrimas eram coisas normais quando o assunto era Byun Baekhyun — Mas prefiro admitir minha culpa a me render.

Os olhos do Byun, uma avalanche de emoções e uma inundação infinita, se ergueram para os céus em uma tentativa ruim de fazê-los pararem de manchar seu rosto alvo.

— Você é a pior das pessoas, Sehun. Espero que saiba disso. — alertou erguendo a própria mão e suspirando em desistência.

Sorri para o garoto, sentindo seus dedos se fecharem aos meus e uma nova página começar a ser escrita.

— Eu sei. E talvez essa seja minha grande hamartia.

Baekhyun assentiu, mas havia uma sombra de sorriso no canto dos seus lábios, porque, de certo modo, talvez nossa grande hamartia fosse procurarmos obstáculos onde, na realidade, a simplicidade se desenhava como a heroína de tudo.

 

 

 


Notas Finais


Agora, meus queridos, esse trem vai começar a andar \o
No próximo capítulo esperem um Sehun e Baekhyun aprendendo a se conhecerem após anos separados e, principalmente, como homens adultos e com mais dúvidas do que certezas.

Ps: Hi Nam é uma das minhas criações mais amadas, perdendo apenas para o Baek de First Time :')
Te amo Hi Nam <333


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