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História Someone Like You (Jia Hanyu) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Decidi postar mais cedo ksks
Espero que gostem da primeira fic da saga BY :3

Boa Leitura♡

Capítulo 1 - "Por Quê?"


Fanfic / Fanfiction Someone Like You (Jia Hanyu) - Capítulo 1 - "Por Quê?"

S.N

Lá estava eu: dançando para mais de cem homens que eu não conhecia. Os excitando com danças sensuais, olhares e toques maliciosos. Tudo isso começou quando eu tinha apenas quatorze anos. Porém, eu me sentia rejeitada desde muito cedo.

-

Quando completei oito anos, meu pai faleceu por conta do câncer. Apartir desse período, minha vida começou a se tornar um inferno. Minha mãe, cansada de mim, eu acho, me deixou sentada na porta de uma grande casa e disse que logo voltaria, mas não foi assim. Depois de muito tempo, decidi bater na porta da casa. Era grande e aparentemente antiga, já que era como os grandes palácios da  China antiga.

- Olá, pequena. - disse uma moça, abrindo a porta pouco tempo depois.

Seus olhos eram puxados e escuros, assim como seus cabelos lisos que formavam uma bela trança.

- O que faz aqui? - perguntou.

- Meu nome é S.N. Minha mãe me deixou aqui sentada e disse que já voltaria. Mas estou com muito frio para ficar aqui esperando. - respondi.

sorriso que antes deixava os olhos da moça pequenos, e que mostrava suas covinhas, desapareceu. No começo não entendi porque, mas depois de um tempo, me acostumei com a realidade de ter sido abandonada em um orfanato.

Para ser sincera, não era bom, era suficiente. Eu tinha uma cama, tinha roupas, comida e alguns amigos. Haviam horas em que eu me sentia de verdade em uma casa, e outras em que eu me sentia em minha casa.

Nós eramos crianças, tinhamos uma energia que precisava ser gastada com brincadeiras, mas não funcionava bem assim. Quando não estavamos fazendo nossas próprias tarefas, faziamos as que era dever das freiras.

Limpávamos os quartos, a cozinha e até lavávamos suas roupas as vezes. Era realmente desgastante. Mas o verdadeiro mal, descobri apenas alguns anos depois.

Eu estava em meu quarto, no beliche de cima, olhando o vasto compo que havia atrás daqueles muros. Estava ventando e um pouco frio. Minha colega de quarto estava demorando para chegar. Lian era apenas um ano mais velha que eu e ela nunca se atrasava.

Pulei de minha cama, sentindo o chão gélido tocar meus pés. Caminhei pelo quarto escuro, cheguei ao corredor e encostei-me na porta para ouvir a conversa.

- Você partirá amanhã cedo. - escutei a voz da diretora do orfanato. - Você já está pronta. Obedeça-os como qualquer outra moça.

- Mas eu não quero. - disse Lian. - Eu não estou pronta!

A voz embargada de Lian ficava mais alta a cada instante, indicando que ela se aproximava da porta. Com um puxão, minha amiga saiu de lá e correu pelos corredores do orfanato, sumindo na escuridão. Queria saber se ela me viu naquela noite, mas, infelizmente, nunca mais teria a chance.

Confusa, corri a procura de Lian pelo orfanato. Chamei por ela mas não fui respondida.

Depois de muito tempo procurando minha amiga, eu a encontrei. Mas, com certeza não do jeito que eu queria. Um grito escapou de meus lábios e lágrimas escorreram pelo meu rosto. Tudo que eu conseguia ver era Lian, minha melhor amiga, com o corpo suspenso e, com a mesma corda que brincavamos, enrolada em seu pescoço. Aquela cena nunca mais saiu de minga cabeça. Ainda tenho pesadelos com Lian. Ela pedindo-me ajuda, mas eu não podendo salva-la. O sentimento horrível de perder a única pessoa que se importava comigo de verdade naquele lugar.

Ao perder sua "mercadoria", a moça que cuidava de mim, me disse que eu deveria ir no lugar de Lian, já que eu era a mais velha depois dela.

Fiquei chocada por tamanha ignorância. Ela havia perdido uma criança! Eu uma amiga! Como estava tão calma quanto a isso?

Sem entender, logo no dia seguinte, fui mandada para uma casa onde tinham muitas mulheres. Elas trajavam roupas curtas e sensuais, dançavam para homens e iam para cama com eles.

- Esse será seu quarto. - disse uma menina me mostrando o pequeno lugar.

Ela não parecia ser muito mais velha que eu - no máximo três anos mais velha. Mas, ela estava com uma maquiagem forte, roupas curtes e coladas. Aparentava ser bem mais velha.

Eu tinha apenas dezesseis anos quando fui mandada para um bordel. Você pode não saber, mas essa é a realidade de muitas meninas e meninos.

-

Eu não queria estar ali. O olhar daqueles homens sobre mim me dava repulsa. Minha vontade era sair correndo de lá e nunca mais voltar. Mas eu não podia. Eu perderia tudo se saísse de lá. Nós podíamos sair, mas se não voltássemos, as portas do lugar não se abririam mais para nós.

música tocava e meu corpo se movimentava conforme a melodia ficava mais quente. Estava tocando a música "River", era excitante, realmente.

Quando acabou, fui para o camarim e encarei meu reflexo no espelho. Uma maquiagem preta e chamativa, juntamente com minha roupa: um bori apertado com uma saia extremamente curta.

- Oi, "Mary". - disse uma das meninas que estavam lá.

- Não enche, Hanna. - respondi franzindo as sombrancelhas.

Ela me chamava assim por conta da Virgem Maria. Eu era a única ali que não havia tido relação sexual. Já Hanna, havia dormido com meio mundo. Acho que ela tinha ciúmes de mim. Eu era mais nova, mais bela e mais inteligênte que ela, além de nunca ter sido tocada por alguém.

Infelizmente, tudo mudou apartir daquele dia. 

As meninas que estavam ali comigo, me deixaram sozinha e foram trabalhar. Depois de tirar minha maquiagem, comecei a trocar de roupa. Eu estava nua e vi a porta do camarim sendo aberta, mas ignorei pensando que fosse uma das meninas. Ah, como eu estava errada.

O contrangimento que senti ao ver que, na verdade, era um homem, era indescritivel. Meu corpo estava totalmente descoberto. Eu não me movi. Eu não gritei. Para mim tudo estava em camera lenta. Aos poucos, ele se aproximou e o cheiro de álcool veio junto.

Senti como se eu estivesse em uma paralisia do sono. Seu cérebro não consegue despertar seu corpo a tempo, mas você sabe que está acordada. Para te despertar, ele faz você imaginar coisas que possam te acordar. Meu corpo só acordou quando tudo tinha acabado.

Aquele homem destruiu-me por fora, assim como por dentro. Lembro de sentir uma dor horrível e de chorar muito enquanto ele tapava minha boca. Suas palavras sujas atravessavam meus ouvidos e isso me dava cada vez mais repulsa.

Não consegui mover minhas pernas. Meu ventre sangrava. Minha alma doía mais que tudo. As lágrimas corriam soltas pelo meu rosto e, com um grito alto, liberei um pouco da raiva e da dor que ele deixou ao sair pela porta. Eu acordei do demônio que meu cérebro havia criado. Mas foi tarde demais.

- S/N! - disse uma das meninas que eu conhecia do bordel entrando no camarim. 

Ela levou a mão a boca e encarou meu corpo no chão. Seus olhos transbordaram e imadiatamente ele se abaixou para me ajudar.

- Não toca em mim! - gritei ao sentir sua mão tocar minha pele.

Por quê? Por que minha vida tinha de ser tão horrível? Por que me fazer sofrer tanto? 


Hanyu...

Meu coração estava acelerado. Minha respiração ofegante. Soltei um grito alto ao sentir meus músculos estralarem. O que antes era um garoto, agora era um grande lobo de pelos pretos.

Escutei um barulho estridente que atravessou meus ouvidos como uma rajada de tiros. Era o despertador. Só aí percebi que eu estava sonhando.

Me sentei na cama ofegante. Minha camiseta cinza claro estava em um tom escuro por conta do suor. Algo me diz que eu fiquei algum tempo preso naquele pesadelo.

Olhei para o relógio e vi que eram cinco da manhã. Ainda estava escuro. Sem sono, levantei, coloquei minhas pantufas e caminhei até o banheiro. Encarei meu reflexo no espelho: um menino de olhos asiáticos e cabelos negros. Como um flash, as imagens que apareceram em meu sonho incomodaram minha mente. 

Infelizmente, era uma lembrança. Não um pesadelo.

- Sr. Jia. - chamou a governanta entrando em meu quarto. 

- No banheiro, Sook.

- Escutei o senhor. Teve um pesadelo? - perguntou se aproximando.

Encarei Sook por um momento. Ela já tinha uma certa idade e cuidou de mim mais da metade de sua vida. Sook era a governanta da casa e minha segunda mãe. Seu uniforme a deixava com um ar de séria, mas na verdade ela sempre foi um doce.

- Sim. E eu já disse para me chamar de Hanyu. E só tenho vinte e sete anos.  - disse sorrindo.

- Ok, Hanyu. - respondeu. - Vou ter que sair para resolver algumas coisas sobre o seu pedido.

- Demorou muito. - disse pegando as escova de dentes.

- Sim. Eu sei. - disse pegando seu celular. - Bom, tenho que ir. - Sook saiu de meu quarto e me deixou sozinho. 

As vezes eu sentia que meu maior medo se realizava: ficar sozinho. Não me leve a mal. Não é o medo de ficar sozinho em um cômodo, mas sim de não ter com quem contar. Não ter um abrigo.

Minha vida não era ótima. Na verdade, estava muito longe disso.

Era meu aniversário de onze anos. A decoração era azul, minha cor preferida. Haviam muitas crianças correndo pela casa e alguns adultos conversando. Estáva tudo muito bom, mas eu não me sentia feliz. Minha mãe não estáva lá, como sempre.

- Pequeno não fica assim. - disse Sook me abraçando. - Ela vai chegar logo.

- Você disse isso nos últimos três anos, Sook.- respondi com os olhos cheios de lágrima. - Ela sempre perde meus aniversários.

Eu estava muito triste. Minha mãe era médica e quase sempre se importava mais com o trabalho do que comigo. Naquele ano não foi diferente. Odiei meus aniversário por culpa dela.

Esperei por horas e mais horas. Depois dias. Depois meses, anos. Me acostumei a não tê-la por perto. Assim como meu pai. Mas ele era diferente. Muito diferente.

Eu não sentia raiva de minha mãe. Na verdade, eu me senti feliz. Eu sofri muito antes de Sook perceber o que minha mãe fazia comigo. 

Lembro de uma vez quando eu tinha nove anos. Eu estava jogando bola com meus amigos e estavamos dentro de casa. Acabei chutando a bola muito alto e ela bateu no lustre. O vidro que o formava, se dividiu em mais de mil pedaços. 

- Merda. - disse XinLong encarando o vidro.

- Vão embora. - disse sem tirar os olhos do vidro.

- Calma, Jia. - disse Zihao. - É só um lustre. Você é rico, pode comprar outro.

- Vão embora!

Os expulsei de minha casa sem os explicar porque. Mas foi pelo bem deles. Minha mãe iria me castigar e eu não queria que eles se ferrassem por minha causa. Nunca mais os vi.

Como esperado, minha mãe chegou em casa e viu os estilhaços no chão. Ela encarou o vidro e e depois me encarou.

Senti uma ardencia e uma dor forte rm meu rosto. Minha mãe havia me acertado com sua bolsa. Essa que tinha algumas coisas que facilmente machucariam alguém. Coloquei minha mão em meu rosto e vi que estava sangrando.

- Você é uma descepção, Hanyu.

Não sei porque ela me disse aquilo. Nós éramos ricos. Qual o problema de comprar outro? Tive de me acostumar com minha dura realidade: minha mãe era muito preocupada, mas não comigo.

-

 Novamente encarando meu reflexo no espelho, dessa vez focando em um ponto abaixo de meus olhos. Uma pequena sicatriz deixada pela bolsa de minha mãe. Uma pequena sicatriz da qual eu mentia para meus amigos e dizia: " Eu caí quando eu era pequeno."

- Por que me fez sofrer tanto? - comecei a chorar ao lembrar de minha mãe naquele dia.

*Mensagem de MeiLing*

"Feliz aniversário, Hanyu!"

Com toda a força que eu tinha em meu corpo, joguei meu celular contra a parede.

Por quê? Por que minha vida tinha de ser tão horrível? Por que me fazer sofrer tanto? 







Notas Finais


Espero que tenham gostado do primeiro cap! ^^
Desculpem qualquer erro♡

Bjss♡


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