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História Someone- Taekook - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Espero que tenham uma ótima leitura, pfv me ajudem a divulgar a fic no wattpad, lá eu ainda estou bem flop :(

Meu user é @/taepurpleIuv, link nas notas finais!!

Capítulo 1 - Capitulo Único


Fanfic / Fanfiction Someone- Taekook - Capítulo 1 - Capitulo Único


Jungkook estava cansado de ser aquele típico fantasma ambulante. Será que seus cabelos pretos eram tão sem graça assim? Mamãe dizia que eram macios e sedosos, brilhantes como raios de luz. 
Se eram realmente tão extravagantes, por que ninguém nunca lhe direcionava o olhar?
Seu jeito de vestir era comum, o jeito de andar, a forma de conversar, ele era comum até demais. Conversava com todos os professores, era um aluno exemplar, muito cuidadoso e bastante tímido. Nunca esqueceria da vez em que  seu poema foi elogiado por Carlota Hill, na época a forma da do terceiro ano. Aquele dia Jeon foi parado por ela no meio do corredor, pensou que a garota tinha se confundido de pessoa, mas quando os delicados dedos repletos de anéis folheados a ouro tocaram suas mãos, Jungkook pode sentir seu corpo desfalecer. As bochechas se esquentaram tão rápido,  Jungkook não conseguia entender nenhuma palavra que saia da boca de Carlota, estava ocupado de mais com a sensação de tremedeira que suas pernas lhe transmitiam.
Depois daquele fatídico dia onde a formanda mais bela da escola tinha segurado em suas mãos e declarado amor eterno ao seu poema, Jungkook nunca mais foi o mesmo. Era como se a pequena crise de timidez tivesse se transformado numa grande bola de neve, e conforme Jeon empurrava aquele problema para longe, a bola crescia e crescia cada vez mais. Alguns "sintomas" que passou a ter com frequência durante sua caminhada à formação estudantil foram: manter a cabeça e olhares baixos, se encolher toda vez que alguém  - que não fosse sua irmã - se aproximasse para uma conversa.
Devido a esse e outros acontecimentos constrangedores, Jungkook passou todo seu período de seu ensino fundamental e médio sendo o perfeito cosplay de Gasparzinho. Quem dera a piada fosse relacionada ao tom de pele claro que possuía. Na verdade, Jungkook não passava de um fantasminha que ninguém se dava o trabalho de dar alguma bola. Abaixar a cabeça e se encolher já não eram apenas sintomas, aqueles gestos faziam parte de quem Jungkook havia se tornado. 
Mas já não se importava mais se as pessoas conheciam ou não seu nome, nem ligava para o fato de o tratarem como se fosse um aluno novo durante todos os inícios de ano. Infelizmente o moreno só se sentia mal quando ele não o notava. 
Taehyung poderia ter feito um supletivo, assim não seria um dos únicos alunos do terceiro ano que estava na faixa dos vinte e dois. Ele não era um garotinho qualquer. O Kim era definitivamente um homem, todos o chamavam de maconheiro, traficante, drogado e afins. Era certo que o mais velho possuía uma aparência duvidosa, sempre vestia roupas escuras e largas, a pele bronzeada era marcada por tatuagens negras algumas já desgastadas, outras novinhas como se gritassem "fui feita recentemente e custei caro!".
Mas a fama de drogado deu-se ao fato do cara sempre aparecer com uma bituca de maconha entre os dedos. Todas as manhãs, os raios de sol nem mesmo chegavam a nascer, mas o cheiro de maconha já se alastrava pelo ambiente escolar, principalmente a esquina da da Rua Nashville, onde ficava encostado com seus amigos á espera do início das aulas.
-- Vamos lá Jungkook, faça isso por sua irmã, sim? - Jennie arqueou as sobrancelhas bem feitas enquanto esbanjava um sorriso infantil. Jeon se amaldiçoava todos os dias por ter uma meia irmã metida a emotiva cheia de aegyos que o deixavam completamente a mercê.
Estavam ali parados naquele corredor cheio de alunos e armários. Kim Jennie poderia ser comparada a tal Carlota de quatro anos atrás, era formanda e uma garota muito bonita, possuía um corpo lindo, daqueles que se vêem em revistas de "mulher pelada". Ambos compartilhavam a mesma mãe, mesmo que fossem apenas meio irmãos, acabavam se tratando com uma mistura de amor e ódio, muito afeto e inevitavelmente algumas brigas. Jennie eram alguns meses mais velha, tinha um espírito arteiro e muito sapeca. A personalidade da Kim era um tanto quanto forte, rebelde seria o termo correto.
-- Eu não gosto de festas!
-- Você não precisa entrar lá maninho, é só ir me buscar quando eu te ligar.
-- Não sou seu motorista particular - o moreno queria poder dar umas boas palmadas naquela garota, mas sempre que o sorriso gengival dela surgia, o rabo de Jungkook abaixava-se e ficava entre as pernas. Ele era um irmão bem trouxa, um tremendo de um bobão.
-- Vamos Jungkook, Taehyung e mais uns caras vão estar lá essa noite, eu não posso perder.
A vontade de distribuir palmadas estava voltando a tona.
-- Você sabe de que laia o Taehyung é não sabe? - o revirar de olhos que Jennie dera foi tão profundo que seus glóbulos poderiam ter escapulido para fora da face.
Poucas coisas estressavam Jungkook, mas naquele momento o cheiro doce e o barulho dos saltos daquela bota cara que sua irmã usava estavam o deixando a beira do surto. Não conseguia deixar de pensar também que ela tinha posse daquilo que mais queria no momento. Taehyung na palma da mão.
-- Taehyung não é bem um criminoso, ele só é um usuário comum, super gente boa e muito gostoso, não sei por que você tem tanta raiva dele.
Tenho raiva por que eu quero dar pra ele, mas ele não me nota. Respondeu Jungkook somente com pensamentos pois não tinha coragem de despejar aquilo em alto e bom som. Sem querer prolongar muito a discussão, e também por começar a sentir o cheiro de maconha a se intensificar, dinak de que o Kim estava por perto, apenas acenou positivamente como se falasse um "beleza você venceu!", deu as costas caminhando até sua sala.
Os pais de Jungkook eram bastante unidos, algo do tipo tradicional. Organizavam almoços nos feriados e finais de semana, chamavam a família e amigos para jogarem papo fora. Jeon odiava ter que aturar seus primos irritantes, os que tinham sua idade ficavam quietos na deles, os menores pelo contrário adoravam entrar em seu quarto e bagunçar sua estante de bonequinhos da Marvel. 
Como toda família grande, seus pais pegavam muito no seu pé - e no de Jennie também - em relação a notas e bom comportamento, tanto na escola como na presença das visitas, queriam ter motivos gratificantes para contar aos familiares nos almoços programados, "Jungkook começou a fazer aulas de francês!", "Jennie vai apresentar o lago dos cisnes no balé!", "Jungkook e Jennie fecharam esse semestre com as melhores notas!"
Apesar da necessidade constante em manter a boa aparência, seus pais eram bastante liberais, não tinham problemas com festas e saideras, gêneros e namoricos. Mas como Jungkook poderia ser livre - e dar sua bela bunda pro Kim - se todo seu tempo era composto por, aulas de francês, inglês, espanhol e chinês, nos finais de semana ia para as aulas de taekondo e box, sem contar que nos tempos livres praticava canto e instrumentos musicais, a dança era um hobbie que fazia escondido dos pais, estes que não aceitariam por ser algo "inútil" para vida futura do mais novo.
 
Jennie entretanto era repreendida muitas vezes, principalmente pela mãe que conseguia farejar o resquícios de maconha nas blusinhas decotadas da Kim. E mesmo que fosse engraçado ver a irmã gaguejando na tentativa de explicar de onde vinha aquele cheiro, no fundo Jeon se sentia mal pois sabia que vinham do Kim. Não era burro, sabia que Jennie estava dando praquele drogado. E queria tanto, mas tanto!, ser ele no lugar da irmã.
Aquela noite os Jeon's saíram para beber com outros amigos que fizeram parte da época de colegial - aquela tal festa de reencontro entre alunos. Jungkook não pensava que um dia seus pais iriam em algo assim, quando não estavam na empresa, via-os enfurnados em casa, assistindo filmes no quarto enquanto conversavam sobre como havia sido o dia de cada um. Mesmo que aquele repentino encontro fosse estranho, sabia que os pais não iriam beber nem nada do tipo, eram "certinhos" demais. Mas Jennie naquela noite iria virar todos os copos que pudesse. 
Chegava a ser irônico, seus pais reprimiam a bebida, porém davam toda a liberdade necessária para que ele e sua irmã fossem em festas e se embebedassem. E se isso acontecesse, nenhum familiar poderia saber, era proibido contar sobre as saideras. Sua irmã era tão imprevisível que a qualquer momento poderia chegar completamente bêbada durante um almoço em família, não teria ideia de como seria a reação de seus pais, mas seria interessante ver a máscara de ambos caírem.
Inacreditável, ela nasceu com a bunda escancarada pro universo ... pensou Jungkook quando sua meia irmã descia os últimos degraus com um pulinho seguido de um rodopio, mostrando o lindo conjunto que iria pra festa.
-- Você vai sair de calcinha e sutiã mesmo? 
-- Mas eu to de shorts e ... Seu idiota! Nem tá tão curto assim!
-- Magina, eu só to vendo metade da sua vagina sendo esmagada por esse paninho preto brilhante - Jungkook se jogou no sofá segurando a vontade imensa de enrolar o tapete felpudo do chão no corpo esbelto da irmã.
-- Você é tão exagerado Jungkook - Jennie balançou sua chave de casa entre os dedos encaminhando-se para fora, antes de sair gritou -- Vou te ligar quando estiver na hora de ir embora, melhor atender essa porra de celular em!
E Jungkook, de braços cruzados, afundou-se contra os estofado, desejando internamente que o sofá lhe engolisse para uma outra dimensão, na qual seu cosplay de fantasminha nunca teria existido e Jeon Jungkook seria alguém legal, estiloso e atraente aos olhos das pessoas. Principalmente aos olhos dele.


(...)


Eram por volta das 02:45 quando Jungkook ouviu barulho de coisas sendo caindo no andar de baixo. Deu de ombros sabendo que provavelmente era Jennie chegando da festa e derrubando os livros de empreendedorismo de seu pai que estavam sobre a mesa. Tinha ido dormir após ver que a mais velha não ligaria, estava morto de preocupação, mas também sabia que sua meia irmã sabia se cuidar muito bem. Não queria admitir, mas Jennie já não era mais uma garotinha imprudente.
De banho tomado, vestido com apenas uma cueca e uma camisa fina de algodão, Jeon voltava lentamente ao mundo dos sonhos. Adorava sentir o cobertor resvalar sua pele recém lavada, era uma sensação refrescante, "dos deuses". Quando estava bem próximo de dormir - pela segunda vez - ouviu a porta do seu quarto ser escancarada, e o cheiro forte de bebidas alcoólicas e tabaco tomarem conta do quarto. Assustado Jeon tentou se levantar mas foi surpreendido ao sentir dois corpos caírem contra o seu. 
Num ato de desespero, afastou-os com brutalidade, ouvindo resmungos de ambos. Acabou por rolar sobre a cama até a beirada, enroscando-se no cobertor e quando menos esperava, caiu de costas no chão. Segundos depois outro corpo caia contra o seu, em um baque doloroso ambos gemeram. 
Teria reclamado, gritado, berrado e até mesmo chutado aquele ser humano estúpido. Mas foi então que, com o ar lhe faltando, as costas doloridas e o cobertor roxo enrolado em uma de suas pernas, que Jungkook notou o dono de voz grossa e cheiro de fumo. Ele estava caído entre suas pernas, com a respiração ofegante e os olhos levemente arregalados. 
Poderia ser coincidência, mas Jeon era do tipo que acreditava em destino.
-- Mas que caralho -  Taehyung resmungou alto apoiando as mãos no chão próximo a cabeça do mais novo, encarando o rostinho assustado por longos segundos  -- Você? 
-- Eu? - o sussurro saiu tão baixo que o Kim não teria ouvido se não estivesse tão próximo.
-- Você que é o irmão da Jennie? - Jeon não sabia onde enfiar a cara. Céus ele tinha sonhado com aquilo por anos. Ao mesmo tempo que gostaria de se esconder com tamanha vergonha, também queria poder cheirar aquele pescoço repleto de tatuagens negras. Elas estavam lhe chamando, uma em especial que parecia uma espécie de raiz, ou veias com varias terminações, todas preenchidas de preto, pintavam a pele de seu pescoço e clavícula, era enorme e definitivamente lhe atraia. Estava sentindo o corpo firme de Taehyung pressiona-lo contra o chão, e o detalhe mais apavorante era poder sentir a ereção dura e quente contra sua virilha.
-- Tae? - a voz preocupada de Jennie cortou o pequeno momento fantasioso de Jeon -- Meu Deus, eu errei a porta me desculpa Jungkookie! - mesmo que embolada, Jeon podia sentir a preocupação e ver os olhos assustados da irmã -- Vêm Tae eu te ajudo a levantar.
E contra a vontade de Jeon, Taehyung se levantou ainda encarando o mais novo nos olhos. Um sorriso de inúmeras intenções surgiu no rosto bem desenhado do Kim, era tudo que Jungkook precisava para alimentar suas fantasias sexuais por longos dias.
E infelizmente Jungkook não sabia explicar como conseguiu voltar a dormir naquela noite, seu corpo tremia, espasmos involuntários lhe atingiam. Talvez tenha ficado acordado por horas, não sabia ao certo em que momento havia pregado os olhos e descansado. De qualquer forma sonhou com ele, com seus traços e seu cheiro marcante da erva.
Durante a semana que se passou, tudo pareceu estranho para o garoto. Após sentir o corpo delicioso de Taehyung sobre o seu, inacreditavelmente os dias se tornaram mágicos. Olhares eram direcionados a si, ele podia perambular com roupas azuis que o camuflassem nos armários dos corredores, e mesmo assim ainda poderia sentir olhares pregados em si.
Talvez ser notado não seja tão maravilhoso quanto pensava, mas definitivamente saber que as pessoas conheciam sua existência estava sendo mil vezes melhor do que prosseguir com seu personagem fantasma.
-- Ouvi dizer que você é gay Jungkook - Park Jimin, um dos garotos populares da escola falava alto em seu ouvido. Era seu jeito, extravagante e alegre, muito mais fofo que o normal.
Uma grande mudança que aconteceu de uma hora para outra estava relacionada ao seu ciclo de amizades, este que não existia, mas que passou a acontecer, e o integrante número um tinha cabelos loiros, um sorriso amigável e um porre físico intimidador. Estava sendo estranho - muito estranho - ter a presença de um outro alguém além de Jennie em seu encalço. 
-- Por que está falando comigo? - Jeon não queria parecer rude, mas estava sendo esquisito ter seu pescoço acolhido pelo braço forte do mais novo colega. Jimin realmente tinha um belo corpo completamente esculpido por conta do time de basquete o qual fazia parte.
-- Oras - indignou-se afastando um pouco o rosto para que pudesse olhar para as belas jabuticabas de Jeon -- Você é um belo de um anti-social!
-- Não sou não..
-- É sim senhor! - Jimin interrompeu cruzando os braços mantendo uma expressão uma pouco mais séria. Os fios dourados caiam sobre seus olhos, deixando-o um pouco menos brutal -- Você simplesmente não se abre cara! Eu já tentei me aproximar de você, os meninos da turma de robótica já tentaram te chamar pra comer pizza no Harry House's, até as amigas da Jennie já te convidaram pra fazer parte do grupo de estudos de sexta feira, e mesmo assim você continua fugindo.
Jungkook arregalou os olhos com todas aquelas revelações. Primeiro que ele não fazia ideia de que as pessoas soubessem ao menos seu nome. Ver que aos olhos deles Jungkook era um anti-social assustava-o imensamente. Droga!
-- Mas eu... eu não, nunca quis passar isso - resmungou baixo, encolhendo-se por instinto, lá estava sua Boa e velha timidez  -- Eu só não queria parecer um desesperado por atenção.
-- Como assim?
-- Qual é Jimin, ninguém sabe meu nome nessa escola - exclamou um pouco raivoso, talvez mais magoado do que bravo, dizer aquilo em voz alta parecia ainda mais deprimente -- Nem sei como você sabe meu nome...
O loiro  desfez o nó em seus braços e rapidamente puxou o mais novo pela mão até o pátio um pouco movimentado por conta saída dos estudantes. De frente para um painel de madeira, Jungkook pode observar vários avisos que variavam desde datas comemorativas, feriados, avaliações e bailes que ocorreriam ao longo do ano. E bem no centro pode reconhecer o folheto de "alunos de ouro" onde a escola selecionava os estudantes com notas boas ou extremamente criativos, e os deixavam em destaque no mural.
A foto de Jungkook estava ali no cantinho, seus cabelos estavam tão bem penteados, o sorriso avantajado tornava-o extremamente adorável. Logo abaixo havia uma pequena descrição: "2° aluno com melhores notas, criador do poema "química e seus sinais"
-- Sua foto está aí faz uns 4 anos, todo mundo te conhece - Jimin murmurou observando os outros 9 estudantes presos no mural -- Tá vendo aqui, Kim Jisoo ela está na sua frente, tem as melhores notas da escola a foto dela entrou ano passado, isso é meio óbvio já que ela se transferiu pra cá faz pouco tempo... 
Jungkook não conseguia prestar a devida atenção no que o jogador estava lhe contando. Encarava ali sua foto enquanto um turbilhão de pensamentos lhe atingiam como pingos gordos de um chuva fria e intensa. Quer dizer então que em todo esse tempo seu rosto, seu nome e seu poema estavam bem ali? Então ele não era um completo desconhecido? Será que foi dessa forma que Carlota anos atrás havia lhe descoberto? 
-- Aliás você poderia fazer uma continuação do poema? Eu sei que a carga positiva do próton e a negativa do elétron vão se juntar por que os opostos se atraem, mas você poderia falar das dificuldades da vida sabe? E se o próton se apaixonar por outro próton? E se o próton for tão forte que atraí mais de um elétron? E como fica a camada eletrostática? Ela não  pode ficar sem a companhia dos elétrons, mas e se por algum motivo todos aqueles caras de carga negativa abandonarem a camada, como ela vai ficar?
Jeon observou-o atentamente, ainda atordoado pela quantidade de informação, tanto as que vinha do Park que balançava as mãos implorando por uma resposta, quanto seus próprios questionamentos. Aquilo definitivamente estava sendo a coisa mais estranha que já havia  presenciado durante suas manhãs monótonas e sem graça.
-- Que tal ... E se você me ajudasse com a segunda parte do poema? - Jimin estreitou as sobrancelhas, não era isso que esperava ouvir -- Você viaja bastante nisso, na verdade você se afunda completamente num mar de maionese, nem surfar na batatinha seria o suficiente pra você, mas..  - balançou a cabeça de um lado para o outro tentando de alguma forma organizar seus pensamentos para prosseguir com coerência  -- Em fim, você poderia me ajudar ...
 -- Está ... Está falando sério? 
Após alguns segundos de silêncio, o grande e contagiante sorriso do garoto loiro surgiu deixando Jeon um pouco encabulado. Deveria trabalhar mais a respeito de seus sentimentos, a começar pelas bochechas coradas que sempre o entregavam.
-- Certo! Então, semana que vem a gente marca um hora na sala de criação da senhorita Perry, vamos usar todo aquele espaço ao nosso favor! Tudo bem? Pode ser lá?
Com um último sorriso, e sem esperar por respostas, Park foi chamado por outros garotos e aquela foi a deixa para que Jungkook pudesse dar meia volta e se afundar mais uma onda gigantesca de pensamentos que faziam sua cabeça doer.
Ele não era filho do homem invisível. Não era era um fantasma. As pessoas o conheciam.
Voltar para casa, mesmo sem Jennie em seu encalço, nunca havia sido tão rápido. Poderia ser loucura sua, mas por onde passava os cachorros latiam, até mesmo os animais notavam sua presença e aquilo fez com que um sorriso bobo ficasse grudado em seus lábios finos por todo o trajeto. Já podia observar sua casa surgir no final da rua, conseguia ver as paredes bege um pouco imundas por conta do tempo sem pintura. A janela de seu quarto estava aberta e se focasse um pouco mais, conseguiria captar alguns pedaços de móveis de madeira branca. 
Faltando alguns passos para alcançar seu jardim bem cuidado, um puxão foi dado em seu braço. Seu corpo naquele instante assemelhava-se a uma gelatina molenga, completamente sem firmeza. Tropeçou nos próprios pés, bambeou totalmente desorientado, sentiu as costas irem de encontro a um corpo firme. O cheiro característico de maconha alcançou o olfato do moreno, já lhe indicando de quem se tratava. 
-- M..mas que porra!
-- Olha a boca mocinho - advertiu Taehyung com sua voz de entonação grave, voz essa que faziam as pernas do mais novo tremelicarem. Virou-o pela cintura, deixando-os cara a cara.
-- O que esta fazendo? - o tremor em sua voz fez com que um sorriso petulante e confiante surgisse nos finos lábios carmim. 
Jeon estava assustado, mas algo ali naquela situação o excitava, a adrenalina eletrizava seus músculos, sentia-se verdadeiramente como maria mole, sem forças para afastar-se do braço firme que rodeava sua cintura.
-- Quero conversar com você.
-- C..certo. 
-- Não precisa ficar nervoso - como se as palavras não significassem nada, o mais velho aproximou seu rosto do pescoço de pele leitosa de Jungkook, fungando o cheiro doce do perfume desconhecido. 
Jeon poderia desfalecer a qualquer instante. Ter aquele cara tão perto de sua boca, esfregando seus corpos, numa sensação gostosa, ele poderia morrer naquele instante, e ainda sim morreria feliz.
-- Queria tanto fazer isso - sem cerimônias os lábios do Kim juntaram-se aos belos beiços de cor pêssego de Jungkook. Era um selar lento e molhado, onde o moreno sentia-se perdido e completamente surpreso.
Os dedos compridos e finos do mais velho subiram até sua bochecha, acariciando-a conforme o beijo se desenrolava. As línguas quentinhas dançavam juntas, um esfrega-esfrega lento e babado. Jeon se encontrava de olhos fechados, apreciando as leves mordidas que lhe eram deferidas pelo Kim. 
Finalizaram o beijo com o mais novo tomando coragem e sugando a língua quente e carregada com um gosto esquisito. Deve ser o gosto do tabaco, pensou enquanto afastava o rosto e procurava por alguma explicação.
-- Vamos nos encontrar lá perto do tribunal.
-- Você quer dizer lá no centro, onde acontecem os bailes? - Taehyung acenou positivamente, afastando o emaranhado de fios castanhos escuros que caiam por cima de seus olhos  -- M..mas eu nunca fui lá...
-- Pra tudo tem uma primeira vez meu amor - e sem aviso prévio as mãos firmes do Kim agarraram suas nádegas durinhas, apertando-as de tal forma que ele não pode evitar um gritinho -- Não se preocupe, quero te mostrar o prazer que é estar ao meu lado - com um piscar de olhos, Taehyung selou os lábios pêssegos mais uma vez antes de se afastar do corpo trêmulo, alcançou seu skate abandonado pela calçada, assim despedindo-se com um beijo jogado no ar.
Jungkook, tremendo e completamente inconstante, não sabia dizer se o que sentia em seu peito era algo bom ou ruim, mas definitivamente, sentir os beijos quentes e braços firmes do Kim foram os tópicos necessários que faltavam para completar sua listinha  "conquistas de Jeon Jungkook"
 -  Beijei o maconheiro (pelo qual sou caidinho).
 -  Fui segurado pela cintura (foi tão firme, tão bom... Somos o encaixe perfeito).
Durante todo o restante do dia, Jeon pensou naquele maldito e delicioso beijo. Foi dormir pensando nos olhos felinos de Taehyung, em seus cabelos castanhos e desalinhados, no cheiro natural que sua pele emanava, ele podia sentir que a pele bronzeada do Kim transmitia um odor másculo, suor misturado com um perfume amadeirado e a essência característica do cigarro e da maconha.
E foi assim durante mais uma longa semana, as aulas que eram consideradas entediantes, Jungkook as usava para sonhar com seu drogadinho. Na quinta feira dormiu tão bem na aula de sociologia, quando acordou com o barulho do sinal, teve de limpar a boca pois um filete estava conectando seus lábios com a superfície branca da carteira escolar. 
Jimin o havia parado no corredor, riu escandalosamente da testa amassada de Jungkook com a marca de espiral dos cadernos, mas logo em seguida passou a encher o saco fazendo perguntas e mais perguntas sobre o tal poema da química.
Sexta-feira havia chegado, na escola Jungkook só viu seu amado maconheiro a distância, sempre fumando alguma bituca, ou abraçado à Jennie junto ao grupinho de drogados. Era muito estranho saber que o cara pelo qual estava doido para se entregar, estava bem ali a alguns metros beijando a boca da sua própria irmã.
Será que Jennie ficaria brava? A garota nunca lhe disse nada sobre estar apaixonada pelo Kim. Eram apenas peguetes, então não faria mal algum ser o próximo ficante do Kim, certo? E tudo conspirava para que fosse naquela sexta-feira.
Jeon estava em casa, havia acabado de chegar da escola sozinho, sem Jennie para lhe acompanhar, e surpreendentemente seus pais também estavam, era difícil vê-los sentados no sofá da sala relaxando.
-- Ah ... Oi.
-- Oi filho - sua mãe Sunmi lhe cumprimentou com um sorriso casto. Ela possuía traços muito parecidos - quase idênticos - com os seus, cabelos e olhos negros, pele clara e sorriso com dentes avantajados -- Cadê sua irmã?
-- Ela ficou na escola conversando com as amigas dela - odiava mentir, mas amava muito a Kim, não poderia nem ao menos citar a existência de um suposto ficante drogado. Também não poderia ser hipócrita, Jeon estava caidinho pelo mesmo garoto, então por hora, seria melhor omitir a existência de Taehyung.
-- Oi filho - Taeil, o senhor Jeon, desviou os olhos da TV, sendo como sempre muito atencioso -- Como foi a escola hoje?
-- Normal, nada novo.
-- Certo, vamos esperar você se trocar pra podermos almoçar juntos - disse jogando os fios grisalhos para trás, passando o braço por cima dos ombros da mulher logo em seguida, um gesto automático.
-- Tudo bem, vocês ah ... Vocês vão ficar em casa hoje? 
-- Vamos sim, amanhã cedo voltamos a programação normal filho - senhora Jeon murmurou baixo tendo sua atenção retomada aos noticiários. Com essa deixa, Jungkook encaminhou-se para o quarto. Jogou a bolsa perto da escrivaninha, sem demorar-se arrancou as peças de roupa com agilidade. Estava faminto.
O almoço não teve nada de especial, comeu rápido o arroz empapado da mãe, a carne dura, porém saborosa, desceu rasgando em sua garganta. No fim apenas elogiou a comida e foi para seu quarto. Decidiu adiantar os deveres de casa da semana seguinte, estava jogado sobre a cama com várias canetas e post-its espalhados ao seu redor quando a voz de Jennie foi ouvida da sala. Jeon era curioso quanto a relação afetiva de seu pai e sua irmã, Taeil era o verdadeiro pai, o que criou e cuidou dos dois filhos, mas ultimamente pequenas brigas e discussões liberavam farpas afiadas e dolorosas, resumiam-se a gritos e portas sendo fortemente fechadas. Jennie não perdia a oportunidade para gritar "Você não é meu pai!"
Jeon sabia que isso magoava muito o senhor e senhora Jeon, eles queriam apenas que a menina não fosse se perdesse no mundo. Os piercings, a bebedeira, as tatuagens, a maquiagem extravagante e as roupas curtas, tudo que Jennie utilizava era completamente o oposto do que seus pais aprovavam. Ela havia confundido liberdade oferecida com ousadia absurda. 
-- Você vai ao tribunal hoje? - se assustou com a voz de Jennie cortando o ambiente de seu quarto -- Jungkook acorda to falando com você!
-- A..acho que vou sim - os olhos dela estavam afiados e desafiadores, mas logo um sorriso sapeca surgiu em seu rosto delicado.
-- Vamos juntos então, o baile de hoje vai estar foda, sabe aquele dj que é meio rapper, o Supreme Boy? Ele vai estar lá, Tae me disse que vai lotar, vamos sair cedo, tudo bem?
Assentindo rapidamente, Jungkook só pode ver o belo corpo de sua irmã sumir para fora do quarto, deixando a bendita porta escancarada. Ainda surpreso com todas aquelas informações, levantou-se para terminar de organizar suas coisas. Tinha que pensar em que roupa usaria, começou a imaginar se Jimin não poderia o ajudar, mas desistiu da ideia ao visualizar o Park ali em seu quarto mexendo em suas coisas enquanto tagarelava perguntas e mais perguntas.
Teria de ser só, iria se preparar sozinho, não poderia ser tão difícil assim.
Abriu o guarda roupa, arrancou de lá uma camisa comprida e larga, completamente cinza com um pequeno alieningina verde na extremidade direita do peitoral. Puxou uma calça jeans de lavagem clara, estava completamente esquecida escondida por meses no fundo do armário, e por fim optou por seus inseparáveis tenis brancos.
Jungkook infelizmente era do tipo de pessoa temerosa. Conforme os minutos corriam como se fossem segundos, o nervosismo preenchia todas suas celulas. Estava suando, as têmporas encharcadas com alguns cabelos grudados por toda testa. Os dedos ossudos tremiam tanto, estava com medo. Medo de se perder, de passar alguma vergonha ou até mesmo magoar sua irmã.
Jeon mais do que ninguém sabia perfeitamente que aquilo não era um conto de fadas. Ele gostava do Kim, mas tinha em mente que o maconheiro era um cara livre, anti-relacionamentos. Ficava com quem quisesse a hora que quisesse, inclusive Jungkook já o vira muitas vezes em meio aos amassos com inúmeros garotos e garotas no beco ao lado da escola.
O beco havia ficado tão conhecido como o ponto de transas do Kim, que a escola toda chamavam o local de "point", um ponto onde ocorria sexo e um pequeno tráfico de drogas entre os próprios alunos encrenqueiros. Quando alguma garota, ou garoto, quisesse uma foda com Taehyung, bastava visitar o point e ver se ele estaria disponível.
Despertou de seus pensamentos quando ouviu a porta sendo mais uma vez escancarada naquele dia, o cheiro doce de Jennie tomou conta do ambiente. Jeon se apressou e terminou de vestir a camisa cinza, virou-se para a irmã encontrando os olhos perfeitamente maquiados e brilhantes.
-- Tá lindão em - caminhou até o irmão passando as mãos pelos braços clarinhos e cheios de músculos -- Vamos? Já falei com papai e mamãe, eles foram pro quarto assistir um daquele filmes bregas.
-- Já está na hora?
-- Falta vinte minutos para as dez, o tribunal fica um pouquinho longe, você vai dirigir?
-- Claro que não! Não posso voltar dirigindo se por acaso eu ficar bêbado. Além disso papai não vai querer me emprestar o carro, vamos de uber.
A viagem até o tribunal foi rápida, o motorista de uber estava um pouco apreensivo por dirigir por aquelas bandas, mas concluiu seu trajeto com perfeição. Quando saíram do carro, o cheiro do "pecado" tomou conta de ambos os irmãos. Jeon conseguia sentir o cheiro de sexo no ar, nem sabia se era possível, mas conseguia distinguir perfeitamente. Cheiros de bebidas e tabaco também eram sentidos por si. 
Olhou para sua irmã e viu o belo e sensual sorriso surgir. Ela era capaz de se transformar em outro alguém quando se entregava de corpo e alma naquelas festas informais. Ele não gostava muito, se preocupava demais com o paradeiro de Jennie, nunca se sabe o que pode rolar nos bailes noturnos.
  -- Vamos entrar - murmurou a Kim se afastando da calçada quebradiça para se aproximar de uma rua estreita. O tal baile era uma festa repleta de drogados e prostitutas em sua maioria, haviam os apreciadores do gueto, os dançarinos, os estrangeiros e também os perdidos, pessoas como Jungkook que estavam ali pela primeira vez.
A festa ocorria por toda a rua, não era liberada pela prefeitura, ou seja, se uma blitz parasse ali todos iriam para a cadeia, além de tráfico e prostituição em local público, a rua estava interditada por longos quilômetros sem autorização. Só aí foram infringidos mais de 3 leis.
Era possível ver o tumulto logo a frente daquela rua estreita por onde Jennie caminhava. Jeon se aproximou da irmã tentando acompanha-la, estava com certo receio, aquele não era seu ambiente natural. Pra falar a verdade toda aquela fumaça, o cheiro forte, a música alta, tudo junto estava o deixando um pouco desesperado.
-- Jungkook, se eu for embora, ou você for antes, manda mensagem tudo bem? -  ele concordou vendo-a se afastar para próximo de um carro completamente escancarado. Seu porta malas estava aberto, mostrando a iluminação neon que contornavam as saídas de som das enormes caixas. Se possível poderia jurar que os auto falantes tremiam conforme a batida da música emitia um ritmo marcante.
Um pouco perdido Jeon não sabia para onde olhar. Mulheres surgiam diante de si, todas muito parecidas, usavam roupas curtas demais, algumas estavam de calcinha, desfilavam por entre os carros. A maioria estava aos amassos com caras fortes, alguns com mais gordura do que músculos, mas de toda forma eram intimidantes.
-- Perdido docinho?  - os olhos escuros de Jungkook encontraram-se com Yeonjun, o primo mais novo de Taehyung. O garoto era lindo, muito parecido com o Kim, alto, esbelto, sorriso bonito. Mas era novo demais para alguém dez vezes pior. Na escola desafiava os professores, fumava de 2 a 3 maços por dia e sempre que um coordenador lhe chamava atenção, ele dava de ombros ou mostrava o dedo do meio.
-- Na verdade, eu to procurando o Taehyung - Yeonjun revirou os olhos dando as costas para poder alcançar um copo de plástico vermelho. Muitas mulheres passavam com bandejas largas que continham vários corpos de bebida.
-- Aquele drogado de merda está esquisito hoje - disse voltando-se para Jeon -- Está esperando você lá no tribunal.
-- Achei que o tribunal fosse aqui ... - a risada alta do Choi poderia ser ouvida a quilômetros caso as batidas da música não fossem tão estrondosas.
-- Aqui é só o baile, o tribunal é onde acontece os acordos, você sabe todo aquele lance lá de pagar a dívida com a vida e blá blá blá - arqueou as sobrancelhas tomando um pouco do conteúdo do copo -- Venha vou te levar até lá.
Jungkook sem saber muito o que fazer, acompanhou o garoto a sua frente. Olhando para todos os lados, tentando manter cautela enquanto sentia mãos desligarem por sua cintura de vez em quando. Olhares perfuração sua pele, Jeon se sentia um homem nu onde todos prestavam atenção, estava ficando constrangido.
Ambos passaram cortando a multidão de pessoas e amontoados de carros, caminharam por mais alguns minutos afastando-se da aglomeração. Naquele instante Jungkook já era capaz de sentir o cheiro amadeirado de Yeonjun, a música já não era tão alta assim, podia ouvir a respiração pesada do garoto a sua frente.
Pararam em frente a um muro branco com um grande portão preto fosco. O Choi terminou de beber o restante do líquido, jogando o copo ali mesmo na guia da calçada, levou ambas as maos para a extremidade do portão de ferro, deslizando-o pelos trilhos que rangiam enlouquecidamente.
-- Vai reto, você já deve estar vendo ele próximo ao balcão - murmurou soltando um risinho fraco ao ver o primo ali a poucos metros, soltando uma grande quantidade de fumaça -- Se tiver dificuldades de acha-lo, apenas siga aquela chaminé humana - sorriu largo esperando que Jeon se movimentasse logo para dentro do tribunal. Assim feito, Yeonjun empurrou o portão fechando-o mais uma vez.
Taehyung estava bem ali, encarando-o de cima abaixo. A bituca de maconha estava presa em seus dedos compridos, e um sorriso mínimo surgia no rosto dele. Jeon conseguia ver tudo, todos os detalhes, desde os fios castanhos completamente desalinhados, a camisa larga com alguns botões fora de suas casas, a calca preta justa, sem contar as grandes e chamativas correntes que adornavam seu pescoço e braços.
Jungkook estava ferrado, estava gostando de um criminoso, um traficante, um cachorro que iria lhe comer agora e nunca mais. Estava caidinho por aquele que o iria tratar como apenas mais um. Seria triste se Jeon não tivesse trabalhado muito bem sua mente para aquilo.
-- Hey! - Taehyung acenou balançando bituca entre os dedos -- Vêm cá Jungkookah, se importa de que eu te chame assim?
O moreno negou rapidamente enquanto criava coragem para fazer com que suas pernas se movessem em direção ao Kim. Estava sendo complicado, por inúmeros motivos, o cheiro da droga infestava o balcão por inteiro, o ambiente escuro não estava ajudando em nada já que tanto as roupas do traficante como o comprido balcão de madeira eram completamente negros. Só o que ele podia ver claramente era o sorriso quadrado e a fumaça escapando por entre os dentes e o nariz arrebitado.
-- Quer experimentar? - rapidamente Jungkook negou, aproximando-se do balcão de uma vez por todas, tendo que se apoiar na superfície lisa e lustrosa -- Certo ... e narguile, já ouviu falar?
-- Sim, mas também não me quero provar isso aí.
-- Se é o que você diz - o dono de cabelos castanhos deu de ombros. Do lado de dentro do balcão, afastou-se até uma mesa redonda cheia de garrafas e um belo e gigante narguile todo ornado em tons de dourado, vermelho e preto.
Ao redor da mesa de madeira escura, haviam sofás pretos e que aparentavam ser extremamente confortáveis, daqueles em que quando se senta, afunda-se completamente, sugado para dentro de um mundo macio.
Sentando-se ali, Taehyung ajeitou a temperatura do narguile, colocando-o no chão após ajeitar os pedaços de carvão ferventes que começavam a se desfazer em pequenos pedaços.  Jungkook não soube dizer como a mangueira preta com biqueira dourada havia parado na mão do mais velho, mas estava ali, havia surgido tão rápido quanto a bituca de maconha que já não existia mais. 
A falta de atenção do moreno poderia ser atribuída a inúmeros fatores, um deles com certeza estava relacionado ao fato de ser um grande penetra. Tudo ao seu redor era novo, estava assustado e surpreso com o local. Ver ali o traficante da sua escola, sentado de maneira desleixada, chamando-o com um simples balançar de mãos, transformava sua mente numa grande bagunça.
Buscou pela entrada do balcão, caminhou para dentro do ambiente, aproximando-se dos dois pares de sofá, cada um com 3 lugares, ficou na dúvida de onde se assentar, quando fez menção em dirigir-se ao sofá ao lado, Taehyung segurou firme em um de seus pulsos, puxando-o contra si.
Um pouco atordoado pelo puxão, sentou-se desconfortavelmente por cima de suas coxas fortes. Ah o cheiro era tão marcante, inicialmente incomodativo, mas agora Jeon sentia vontade de se aproximar cada vez mais e fungar o espaço entre a clavícula e o pescoço daquele homem.  
-- Não precisa ficar com vergonha Jungkookah - levou a biqueira aos lábios,  soltando a grande quantidade de fumaça no rosto do menor -- Não iremos fazer nada que você não queira, tudo bem? - a voz rouca, os olhos pequenos formando apenas dois risquinhos, as tatuagens escuras que adornavam a pele bronzeada saltavam aos seus olhos pois a derme brilhava com a fina camada de suor.
-- Eu não me importo Tae - e com toda a pouca coragem que lhe restava, Jeon levantou-se rapidamente para se ajeitar melhor no colo do Kim, passando uma de suas pernas para o outro lado, sentando-se de frente. Seus braços foram ágeis e contornaram o pescoço largo, aproximando-os um pouco mais se possível.
-- Como assim Jungkookah? 
-- Eu não me importo, eu ... Eu só quero ficar com você ...
Como os últimos raios de luz de um por do sol, os olhos do Kim brilharam intensos e penetrantes. Miravam a pele clara de Jungkook, admiravam sua boca, desceram até mesmo ao pomo de Adão que subia e descia constantemente. Mas em poucos segundos o brilho envolvente fora tomado por uma escuridão sombria.
Ele estava sério. Kim Taehyung estava impassível, maxilar travado e sobrancelhas grossas completamente marcadas pela expressão enfurecida.
-- Você tá achando que vou te comer não é Jungkookah? - a biqueira estava jogada no chão, o cheiro de morangos e tabaco contaminava o ambiente, era a essência utilizada pelo Kim -- Quero que ouça bem o que vou dizer - os dedos compridos foram de encontro ao rosto branco e um pouco assustado do mais novo. 
O queixo de Jungkook fora brutalmente segurado, não pode evitar arregalar seus olhos ao sentir-se puxado tão próximo do rosto dele. Prendeu a respiração com todas suas forças, apertou involuntáriamente os ombros cobertos pela camisa de algodão.
-- Você vai ser só meu - dito isso deixou um selar lento no lábio inferior do moreno, uma onda tremores deliciosos atingiu-o fazendo com que Jeon se agarra-se ao corpo esbelto -- Só meu, minha putinha, está de acordo?
Jungkook sem estruturas para responder verbalmente pôde apenas balançar a cabeça positivamente, completamente desesperado para sentir mais os toques do Kim. Como se seus pensamentos pudessem ser lidos, logo uma das mãos grandes e bem desenhadas, repleta de aneis prateados e algumas tatuagens espalhadas, adentrava sua blusa, agarrando firmemente sua cintura, forçando-o contra a bela ereção que se formava.
-- Olha só o que você faz comigo - murmurou baixo retirando os dedos que prendiam o queixo e maxilar, direcionando-os para a nuca macia e cheirosa -- Nenhum dos meus parceiros me deixam assim...
As bocas em fim se encontraram em um beijo quente e envolvente, as línguas tocaram-se como na primeira vez, em uma dança molhada e sensual, seria talvez um tango? Ou uma valsa? Talvez a mistura dos dois. 
-- E..eu nem sabia que você me conhecia - murmurou Jungkook quando se afastaram em busca de ar. Os lábios do Kim agora beijavam a pele de seu pescoço, beijos molhados acompanhados que sucções  leves que não chegavam ao ponto de lhe marcar.
-- Eu não faço nada naquela merda de escola Jungkookah, acha mesmo que eu nunca te notaria? - voltou a beijar o colo branquelo dele, deslizando as mãos por suas costas em uma espécie de carinho sensual -- Você é muito lindo, gostoso - deslizou rapidamente os dedos até a extremidade das nádegas de Jungkook, apertando-as com força e arrancando em resposta um gemido arrastado da garganta dele.
-- Tae fode comigo - Jungkook não sabia muito bem se sua fala havia soado desesperadora, nada sensual ou até mesmo engraçada, mas Taehyung abafou uma risada contra a pele de seu pescoço.
-- Eu sou um drogado de merda Jeon - afastou-se um pouco apenas para encarar as belas órbes negrumes do garoto -- Mas eu não vou foder minha putinha aqui nesse sofá - abraçou Jungkook aproximando ainda mais suas ereções -- Você não sabe quanta porra despejei aqui, quantos garotos e garotas se renderam a mim neste mesmo sofá, quero fazer diferente com você, mas ... Posso te agraciar um pouco se quiser.
E naquele momento íntimo, Taehyung desfrutou de todas as curvas e volumes do companheiro. Tateou por todas as regiões, desde os cotovelos ásperos até a pele quente e macia da cintura, dedilhou cicatrizes, espalmou as nadegas durinhas, apertou as coxas musculosas, Taehyung memorizava cada traço, cada odor e textura, pois aquele era o seu menino.
-- Abra o zíper Jungkookah - completamente atordoado pelos toques firmes em sua pele, Jeon levou os dedos ao botão da calça apertada, as mãos tremiam tornando a tarefa ainda mais desajeitada. Em contrapartida, o mais velho com a cueca já a mostra, ajudou-o a abaixar o zíper com uma delicadeza completamente antagônica aos toques anteriores.
-- T..tae o que ...
-- Se ainda quiser uma foda depois disso, posso te levar pra minha casa, mas por enquanto quero apenas acariciar meu garoto - o "meu garoto" era uma frase tão curta, porém dita com tanta intensidade. Foi inevitável prender o gemido manhoso na garganta -- Quero ouvir sua voz clamando meu nome, ouviu bem? Agora venha cá.
Sem de fato esperar por uma resposta, Taehyung enfiou seus dedos finos dentro da cueca completamente marcada por pré gozo, com firmeza e habilidade puxou para fora o pênis endurecido e devidamente encharcado.
-- Você é tão lindo Jungkookah, estou me segurando muito para não ir contra minha palavra e te foder bem aqui apoiado neste balcão - a mão começou ágil, subindo e descendo com certa brutalidade e rapidez, Jeon não sabia explicar como tudo aquilo que estava sentindo era de certa forma delicioso e certo. A pressão em volta de seu pênis estava certa, os movimentos estavam mais do que certos, o ritmo correto, e o Kim era com toda certeza a pessoa certa para aquilo.
-- Meu deus... Ah - suspirou alto prendendo o lábio inferior entre os dentes avantajados -- Tae i..isso é tão bom ...
-- Droga Jungkook - o sobe e dece acelerou, o mais novo estava com vontade de chorar. Chorar de alegria, de tesão e dor. As agulhadas na cabecinha brilhantes de seu pênis o estavam deixando assustado, era a região onde o pré-gozo saia em abundância, na parte também onde no polegar do Kim esfregava algumas vezes. 
Em meio a masturbação, Jungkook não resistiu ao impulso de beijar aquela boca marcada pelo tabaco, puxou-o para perto colando seus lábios com violência. Era um beijo pornográfico, as línguas estavam para fora e se enrolavam em uma dança quente e bastante molhada. A mão livre de Taehyung ironicamente pousava sobre as nadegas fartas, entre ambas, como se seus dedos insinuanssem um anseio pela penetração, mesmo que com todo aquele tecido grosso, ainda sim Taehyung acariciava lentamente o meio da bunda.
Sem pensar nas consequências, Jungkook apertou o pênis quente e endurecido do Kim. Soltou-se do beijo, buscando ar desesperadamente enquanto puxava o membro teso para fora da cueca.
-- O que pensa que...?
-- Já ouvi dizer que masturbação dupla é bem gostosa - murmurou baixinho juntando uma de suas mãos a do Kim, então tanto ele quanto seu amado traficante segurava com firmeza os dois membros rijos.
O vai e vem era delicioso, e Taehyung por um momento pensou que poderia morrer ali naquele instante, morreria satisfeito. Jungkook aquele ponto segurava a vontade absurda de rebolar desenfreadamente, queria sentar com força no Kim, queria rebolar e arrancar gemidos guturais daquela garganta rouca.
Arranharia todas as tatuagens, e depois beijaria cada uma, seu desejo era ver o corpo nu daquele cara, um dia talvez poderia aprecia-lo, tirar uma foto ou quem sabe fazer um desenho. Seria um desenho obsceno e nunca conseguiria capturar os detalhes que o corpo esguio ostentava. Um desenho com rabiscos sem adjetivos, então chegaria a conclusão de que desenhar Kim Taehyung seria impossível, nada no mundo poderia retratar a beleza daquele homem.
As mãos estavam ensopadas de pré gozo, o ápice estava próximo e o cheiro de sexo pairava ao redor de ambos. Jungkook gemia manhoso, muito pelo contrário de afeminado, ele ainda era um belo de um homem, um homem com gemidos melodiosos. Taehyung também era homem, seus gemidos eram roucos e intensos.
E foi bem ali, com um gemido profundo, grosso e rouco, misturado a um grito abafado e suspiros de deleite, que ambos vieram ao orgasmo. Mãos melecadas, calças sujas, baba espalhada por todo rosto, suor impregnado em suas roupas. Mas para eles nada disso saltava a importância, diante de si sentiam apenas alívio e tesão. Queriam mais, cada vez mais.
-- Vem, vamos pra minha casa.


(...)


Eai ficou bom?
Gostou?
Sei que não foi "aquele hot" mas adorei participar da evolução do Jungkook em apenas um capítulo. Ele era aquele típico garoto que se acha desinteressante, aquele que pensa que ninguém nem conhece, nem sabe da existência. Mas de uma hora pra outra, alguém chega (esse alguém foi Jimin!) e abre seus olhos, derruba sobre ele um "balde da verdade". A partir do meio para o fim Jungkook percebe que em todo esse tempo ele era alguém sim! As pessoas sabiam seu nome, e sabiam por conta de seus feitos.
Espero de vdd que tenha atingido alguém de forma positiva!

Muitos pontos ficaram abertos, por exemplo: Jimin é jogador do time, será que ele vai receber críticas e ser alvo de piadinhas por estar se apaixonando pela poesia? E o poema "Química e seus Sinais", será que vai rolar a parte 2?
E a Jennie? Será mesmo que sua beleza, a casa e o conforto são suficientes? Ela não está feliz, briga com os pais, talvez esteja com depressão, e um dos motivos seria a separação dos pais biológicos... será?
E o Taehyung? Por que ele é assim, frio, desinteressado, aspirante a traficante, o drogado da escola...? Seria apenas escolha de vida? 
Bom, eu adoraria escrever mais sobre essas questões sociais em relação a tais personagens, mas sei que não agrada a muitos leitores, e querendo ou não eu sou humana, quero saber se minha história está sendo lida, se há pessoas que estão gostando do meu trabalho.
Então por enquanto essa  vai ser apenas uma one shot, até a próxima!
 


Notas Finais


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