História Something That We're Not - Capítulo 38


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Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Asa Noturna, Ciborgue, Estelar, Mutano, Personagens Originais, Ravena
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
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Palavras 3.755
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nome do capítulo: Você está apaixonada.
OIOIOI MANAS!!! Até o próximo.

Espero que gostem.

Capítulo 38 - You Are In Love


O quarto de Ravena estava milimetricamente arrumado ás onze da noite.

Ela afofou os travesseiros e os colocou novamente na cama, passando as mãos pela colcha preta que estava perfeitamente esticada. Aproveitando a luz dos abajures, que ficavam dos dois lados de sua cama, deu uma boa olhada no cômodo, encontrando uma estátua fora do lugar. Revirou os olhos e empurrou o objeto de mármore para o canto, tirando-o do meio do caminho, onde seria um risco para Asa Noturna que poderia tropeçar e se machucar.

Andou até a tábua solta do piso e pisou na mesma com força, deixando-a mais nivelada com o resto do chão. O kit que Brad lhe enviara há algum tempo ainda estava escondido ali, com algumas ampolas de vidro a menos, uma vez que ela já tinha enviado algumas coisas à ele.

Respirou fundo e foi para a cama, sentando-se com as costas retas e encarando a porta. Já estava de pijama – um conjunto confortável de moletom, preto e largo, para dormir da melhor forma possível. Esfregou as mãos e olhou a hora no celular, vendo que passava de 23h05.

Havia perdido o costume de esperar Asa Noturna para terem conversas durante à noite, e o nervosismo a castigava sem dó; parecia uma uma adolescente prestes a encontrar o melhor amigo na calada da noite, escondida dos pais. Patética.

Uma batida na porta a tirou de seus pensamentos, e ela se levantou imediatamente, andando rápido para atender ao chamado. Destravou a fechadura digital e deu de cara com Asa Noturna, vendo que ele segurava um prato cheio de biscoitos e marshmallows artificiais, além de dois copos grandes de leite.

Sorriu verdadeiramente.

Deu espaço para que ele entrasse no quarto e trancou a porta novamente, sentindo-se aquecida com a presença dele.

- Você está treze minutos atrasado. – cruzou os braços, verificando a hora mais uma vez.

- Eu não tive culpa – ele riu, colocando o prato e os copos em cima de um dos criados-mudos. – Você me deu pouco tempo para arranjar a comida.

- Você teve quase duas horas.

- Não sou o homem mais rápido do mundo.

- Por que não pediu para nos encontrarmos amanhã?

- Porque eu senti falta disso – Asa Noturna olhou para o quarto. – Seu quarto continua o mesmo.

- Eu sei. Ele estava um pouco empoeirado quando cheguei há alguns meses. – Ravena arqueou a sobrancelha. – Parece que os donos da casa não fizeram questão de limpá-lo.

- Você está sendo maldosa. Nós não mexemos no quarto de nenhum de vocês. – deu de ombros. – Foi uma decisão conjunta que eu tomei com a Kori. – sentou-se na cama. – Quando a equipe acabou, nós trancamos todos os quartos e deixamos do jeito que estavam.

- Por quê?

- Se tivéssemos limpado teríamos mais certeza de que vocês tinham ido embora para sempre.

Ravena assentiu e se sentou ao lado dele, pegando um biscoito.

- A Kori não se importou com a sua saída?

- Ela está dormindo. O passeio de vocês a deixou muito cansada.

- Me deixou cansada também – recostou-se na cabeceira na cama. – Andamos mais que o normal.

- Você fez uma nova amiga.

- Fiz duas.

- Duas?

- Minha relação com a Kori não estava sendo das melhores quando cheguei aqui. Graças a Liz consegui me reaproximar dela, então estou considerando como uma nova amizade.

- Ela continua a mesma.

- Eu sei. Quem mudou fui eu. – ela balançou a cabeça. – Então, como está sendo a vida de casado?

- É uma boa pergunta – Asa Noturna tomou um gole de leite. – Está sendo incrível. A Kori é a mulher da minha vida, e eu realizei meu sonho de ter uma relação de verdade com ela.

- Vocês já tinham uma.

- Sim, mas ser casado é diferente. Foi uma cerimônia simbólica, eu sei, mas você passa a enxergar a vida com outros olhos. Nós moramos juntos por anos, só namorando, e agora eu sinto que a amo ainda mais.

- Você sempre foi muito apaixonado.

- O que eu posso fazer? – ele riu. – Ela me beijou na primeira noite em que esteve na Terra. Foi rápido, mas fui conquistado ali.

- Ah, eu lembro da sua cara de bobo. – Ravena brincou. – Você ficou parado e quis ir atrás dela de qualquer jeito.

- Tá vendo? Ela sempre foi a responsável pelos maiores acontecimentos da minha vida. Paixão, amor... A formação da equipe.

- O que vocês têm é lindo, eu sempre admirei.

- Sou muito grato por tê-la. Se não fosse a insistência dela, eu não teria levado essa ideia de reencontro a sério porque você sabe que sou um pouco orgulhoso. – confessou. – Mas ela insistiu, pediu. Disse que o nosso casamento não seria o mesmo, se vocês não estivessem presentes, e no final ela tinha razão. – balançou a cabeça. – Não seria o nosso casamento sem vocês.

- Obrigada por isso. Tenho certeza que o Cyborg e o Garfield se sentiram muito felizes pelo convite, mesmo que não demonstrem.

- Você ficou feliz?

- Não. Eu fiquei irritada.

- Por quê?

- Como você teve a cara de pau de me mandar um convite de casamento depois de cinco anos sem falar comigo?

- Eu tentei falar com você várias vezes, mas você se tornou inatingível. Não sei onde você mora e mal sei o que você faz.

- Estamos bem assim.

- Sim. Tenho muito orgulho de você, do que você se tornou. Nunca pensei que você seria uma médica, mas agora não te imagino de outra forma. Você nasceu para salvar pessoas.

- Quem disse que eu salvo?

- Eu sei que salva.

- Você está errado – a voz de Ravena ficou sombria. – Só faço pesquisas. – acrescentou. – Não trabalho com pessoas, apenas com coisas exóticas.

- Exóticas?

- Você não entenderia.

- Tente explicar.

- Depois. – ela piscou e o olhou.

Asa Noturna franziu o cenho, e seus olhos azuis ficaram cheios de dúvida em relação ao que Ravena havia dito. Não discutiu e, no momento, também não achou estranho, extasiado por estar com ela, como nos velhos tempos.

Sempre sentira certa curiosidade em saber o que ela fazia, mas não tinha sido capaz de achar registros sobre seu emprego em nenhuma pesquisa feita depois do término da equipe. Era estranho, mas ele sabia que precisava respeitar a privacidade dela. Por mais que procurasse pelo nome “Ravena” nos registros do Reino Unido, tinha a sensação de que nunca encontraria nada.

- Posso falar uma coisa? – ele perguntou, com a boca um pouco cheia.

- Claro.

- Você me parece feliz. Mais do que o normal, mais do que costumava ser. Acho que nunca te vi assim.

- Eu estou feliz.

- Algum motivo específico?

- Não.

- Ravena...

- O quê?

- Eu realmente nunca te vi assim.

Ela revirou os olhos antes de encarar as próprias mãos, constrangida. Asa Noturna ergueu uma sobrancelha, desconfiado de que ela estava escondendo algo.

- Eu estou feliz, qual é o problema? – ela franziu o cenho. – Todos têm seus momentos.

- E qual está sendo o seu?

- Não preciso de uma coisa específica para ser feliz, Dick. É ridículo pensar assim, ok?

- Mas...

- Não termine a frase! Você está me ofendendo.

- Tudo bem – ele riu. – Não quis te irritar. Você só ficava assim quando eu perguntava se você não sentia vontade de sair com alguém.

- Grayson!

Ele levantou as mãos e riu alto, rendendo-se. Ravena semicerrou os olhos e o encarou, balançando a cabeça negativamente. Os cantos de seus lábios se curvaram um pouco para cima e ela quase sorriu, mesmo que fosse contra sua vontade. Estava prestes a soltar um risinho quando alguém bateu na porta e fez com que tanto ela quanto Dick encarassem a placa de aço.

- Você está esperando alguém? – Asa Noturna perguntou.

- Ninguém além de você. – ela se levantou. – Deve ser a Liz.

- Ah.

- Vou ver o que ela quer.

- Certo. – ele mordeu um biscoito e colocou os pés em cima da cama, deitando-se confortavelmente.

Ravena abriu a porta, esperando encontrar Elizabeth no corredor. Em um segundo, estava pronta para inventar a desculpa de que estava cansada e, no outro, estava sendo envolvida pelos braços fortes de Garfield, que a beijou sem aviso prévio, empurrando-a para dentro do quarto, incapaz de notar a presença de Asa Noturna.

Ela arregalou os olhos e tentou empurrá-lo, mas ele estava completamente disposto a beijá-la como se o mundo estivesse acabando. Com muito custo, conseguiu separar suas bocas e o fez parar de andar, olhando-o de forma alarmada.

- Desculpe o atraso. – ele sorriu, passando as mãos no cabelo. – Eu perdi a hora.

Ela apenas piscou os olhos algumas vezes. Garfield juntou as sobrancelhas e tombou a cabeça para o lado, achando graça da expressão que estava no rosto dela.

- O que foi?

- Boa noite, Garfield. – Asa Noturna fez questão de falar, fazendo com que o amigo desse um pulo de susto.

- Dick?!

- Oi.

- O que você está fazendo aqui? – arregalou os olhos. – O que ele está fazendo aqui, Rae?

- É uma longa história. – ela respondeu baixo, ajeitando a roupa e o cabelo. – Eu te explico depois.

- Mas...

- Eu não quero atrapalhar vocês – Asa Noturna se levantou. – Podem continuar.

- Não. – Ravena levantou a mão esquerda, pedindo para que ele parasse de andar. – O Gar já está de saída.

- Eu estou? – o metamorfo não disfarçou sua confusão, ainda olhando para Asa Noturna. Balançou a cabeça e soltou a cintura de Ravena, um pouco desconcertado e envergonhado, enquanto Richard mantinha um sorriso malicioso no rosto. – Eu estou. – concluiu. – Boa noite, Dick. – Ravena o empurrou até a porta. – Boa noite, Rae. – virou-se para ela, parando antes da porta.

- Boa noite – ela respondeu baixo. – Conversamos depois.

- Por favor.

- Eu vou te explicar.

- Por favor mesmo.

- Ok – beijou-o, ciente de que Asa Noturna os olhava. Garfield sorriu e piscou um olho, roubando um selinho rápido. – Boa noite, Logan!

- Boa noite, doutora.

Ravena fechou a porta e colou as costas no aço, olhando para Asa Noturna. Ele a olhou de volta, começando a rir e aplaudindo sem parar como quem havia acabado de assistir um show.

- Inacreditável! – gargalhou.

- Para de rir! – ela pediu.

- Então é isso.

- O quê?

- O motivo da sua felicidade.

- Minha felicidade não é por causa de um homem.

- Não é por causa dele, mas ele contribui.

- E daí?

- É estranho. Talvez tenha sido uma das piores cenas que já vi em toda a minha vida.

- Para de debochar! – Ravena falou mais alto, indo até ele.

- Por que ele?

- Eu não sei.

- Pode me contar.

- Eu não sei! Simplesmente é.

- Você marcou com nós dois?

- Sim. Agora estou lembrando que marquei com ele antes e depois com você – suspirou. – Sinto muito.

- Então – ele se aproximou dela. – Como foi?

- Como foi o quê?

- Como vocês começaram a ficar juntos? – fez a pergunta completa. – Atualmente o amor começa com “eu te desprezo, mas estou louca para cair nos seus braços e ser sua para sempre.” Foi assim?

Ravena suspirou alto e se sentou na cama, negando com a cabeça.

- Não é amor.

- Mas você gosta dele?

- Talvez. – olhou para Asa Noturna.

- Ei...

- Sim, eu gosto. – disse a contragosto e seu rosto corou um pouco. – Eu gosto.

- Muito?

- Bastante.

- Ele sabe?

- Não sei.

- Tem muito tempo?

- Bom, eu fiquei em cima dele desde o seu casamento.

- O quê? – ele perguntou alto.

- Você me ouviu. Eu corri atrás, provoquei, atentei... Ele era muito tímido. Me irritava.

- Você fez isso só por que a timidez dele te irritava?

- Ele me deixou curiosa.

- Sei como é. Ele se tornou um mistério.

- Já não é mais pra mim.

- Como assim?

- Eu o conheci, Dick. – suspirou e sorriu. – E gostei do que vi.

- Acho que ele também gostou do que viu em você. – deu de ombros. – Eu nunca mais o vi com uma mulher desde o fim da equipe.

- Pois é.

Asa Noturna levantou o queixo dela e olhou nos olhos, percebendo um brilho neles. Sorriu, acariciando o rosto pequeno de Ravena com os polegares, enquanto ela o olhava de volta.

- É mais que gostar?

Ravena mordeu o lábio inferior, pensando na pergunta. Franziu o cenho como se estivesse em dúvida, com várias lembranças e pensamentos passando por sua mente. Pensou nos olhares que Gar lançava diretamente para ela, reprisando-os em sua mente. O tempo corria rápido, ele soltava piadas despreocupadas, jogavam conversa fora, tomavam leite à meia-noite.

Lembrou-se de Gotham, de manhã, na casa dele. Ficou vestida o dia todo com uma camisa dele. Comeram os restos da pizza da noite anterior. Se beijavam nos corredores da Torre, nas salas vazias, em qualquer momento que pudessem estar sozinhos. Discutiam e conversavam, passavam um tempo juntos. Admitiram que eram melhores amigos.

Ela conseguia ouvir no silêncio, conseguia sentir o sentimento na volta para casa, enxergava com as luzes apagadas. Estava apaixonada. Verdadeiramente apaixonada.

Seus olhos encontraram o de Asa Noturna, e ele abriu um sorriso compreensivo, abraçando-a pelos ombros. Não conversaram mais, porém, ela sabia que ele tinha entendido seu olhar quase apavorado, sem o menor resquício de orgulho.

- Como é tão fácil para você ser gentil com as pessoas? – foi a única coisa que ela perguntou, sentindo-se agradecida por estar sendo abraçada por ele.

- Porque as pessoas não foram gentis comigo. – ele respondeu, beijando seus cabelos.

- Você promete que não vamos falar sobre isso?

- É claro, Rae. – riu um pouco. – Você é que precisa falar com ele quando estiver preparada.

- Sim. Quando eu estiver preparada. – ficou abraçada nele por mais alguns minutos, até deixá-lo voltar para o próprio quarto. Esperou um pouco depois que Asa Noturna foi embora, e dirigiu-se ao quarto de Garfield, onde entrou em silêncio e se aconchegou ao lado dele na cama, necessitando de sua presença. Ele resmungou sonolento e a olhou, esticando os braços para que ela o abraçasse, e assim ela o fez, dormindo à noite inteira, completamente aquecida por àquele abraço único que lhe causava todas as melhores sensações do mundo.

Na sala de estar, o grito estridente de Elizabeth cortou o ar e ela agitou a mão direita no ar, segurando o celular com a esquerda. 

Cyborg saiu distraidamente da cozinha, tentando encaixar duas peças quebradas de um antigo motor do T-Car, mas não estava conseguindo ter sucesso.

- É sério? – ela respirou fundo. – Eu posso sim! Qualquer hora. Eu estou sempre disponível. Sim! Muito obrigada! – ele parou de andar e a olhou. – Muito, muito obrigada! Certo! Amanhã cedo! Acho melhor eu ir dormir para não acordar com olheiras. Muito obrigada! – sorriu muito. – Desculpe, vou parar de agradecer. Tudo bem. Até amanhã. Obrigada! Quero dizer, tchau!

Ela desligou o celular e soltou outro grito, iniciando uma dança descompassada e estranha, que fez Cyborg gargalhar alto. Parou ao escutar o barulho e o olhou, ficando muito vermelha e constrangida. Ele, por sua vez, riu ainda mais, apoiando-se no encosto do sofá para não cair.

- O que aconteceu? – fingiu limpar uma lágrima de seu olho humano. – Ganhou na loteria?

- Não. Melhor que isso.

- O que pode ser melhor do que isso?

- Eu consegui o emprego naquela última oficina que visitamos – ela sorriu muito. – Parece que o mecânico deles teve um problema e vou ser contratada sem fazer o teste!

- Que ótimo! – Cyborg voltou a olhar para as peças que segurava. – Agora você vai pagar a comida que come aqui.

O sorriso de Elizabeth se desmanchou e ela olhou para o chão, humilhada.

- E vai ajudar a pagar as contas. – ele completou. – Finalmente vai parar de morar de favor.

- Eu não moro de favor.

- Não?

- Não! A Ravena disse que não!

- Nem ela deve acreditar nisso. Acho que vou pegar metade do seu salário por ter te ajudado a conseguir o emprego.

- Qual é o seu problema? – ela perguntou, fazendo com que Cyborg a olhasse. – Só sabe ser desagradável?

- Não estou sendo desagradável.

- Você está sim!

Ele a olhou, quase gargalhando. Deixá-la irritada havia se tornado um hobbie divertido, mesmo que ele admitisse que ela era uma ótima mecânica, além de ser bonita e atraente de um jeito único – não precisava se arrumar para chamar atenção, e o leve cheiro de graxa que ela tinha o deixava encantado. Ajudá-la a procurar um emprego havia sido, no mínimo, divertido, uma vez que Elizabeth se soltou um pouco mais que o normal.

- Só quero o que é meu por direito. – ele voltou a provocar. – Mas, tudo bem, eu abro mão do dinheiro. Não vou fazer isso com uma pobre coitada.

- Pobre coitada? – Elizabeth perguntou, indignada. – Pelo menos não sou uma pessoa orgulhosa e egoísta que perdeu todos os amigos! Ninguém aqui se importa com você. Eu tenho quem me ajudar, mas você está sozinho e é todo estranho. Você é um tipo de monstro que não é nem humano e nem máquina!

- Eu sou um membro da Liga da Justiça, muito mais do que você vai conseguir ser a vida toda. Sou um herói.

- Monstros não são heróis. Além do mais, heróis ajudam quem precisar, e você está longe de ser isso. – ela o empurrou para sair da sala, e ele sorriu satisfeito por deixá-la nervosa.

Pensando ser uma boa ideia, Cyborg usou uma das peças que estavam em sua mão, e bateu com certa força na testa de Elizabeth, que arregalou os olhos e cambaleou para trás, um pouco zonza.

- Ai! – ela fechou os olhos.

- Trate um cliente assim e você será demitida no primeiro dia.

Ela o ignorou e fechou os olhos por causa da dor, incapaz de andar. Sua testa latejava e a vista ainda estava um pouco ruim, deixando-a tonta. Cyborg franziu o cenho e percebeu o que tinha feito, amaldiçoando-se por não lembrar que ela não possuía super-força como a Mulher-Maravilha.

- Espera – falou. – Eu te machuquei?

- Não. – ela respondeu entredentes.

- Eu sempre brinco assim com a Mulher-Maravilha – ele olhou a testa dela. – Ela é mais forte que o normal. Você precisa de gelo.

- Eu não preciso da sua ajuda ou de coisas que venham de você. – Liz se afastou, e ele foi calmamente até a cozinha, onde pegou o gelo e voltou. – Não! – ela falou alto quando ele tocou sua testa com a bolsa cheia de pedras de gelo.

- Não foi por querer.

- Me deixa em paz!

- Eu estou tentando te ajudar!

- Eu não quero!

- Por quê? – ele perguntou.

- Pense um pouco com esse seu cérebro de robô!

- Eu não estava falando sério, ok? – Cyborg suspirou, conseguindo ajeitar a bolsa de gelo na testa dela. – Foi só uma brincadeira.

- Brincadeira que você parece levar muito a sério. – ela cuspiu. – Eu já aguentei meu irmão por muito tempo e não sou obrigada a te aguentar também.

Ele estalou a língua dentro da boca e manteve no mesmo lugar, colocando as mãos dela em cima da bolsa de gelo para que segurasse sozinha. Cruzou os braços e a olhou por alguns instantes, com um pedido de desculpa preso na ponta da língua.

- Vou te dar o dinheiro assim que receber o meu primeiro salário. – ela continuou falando.

- Fique quieta, sua teimosa. – revirou o olho humano. – Não vou pegar o seu salário e nem cobrar a comida que você come. – olhou-a de perto. – Só estou querendo te tirar do sério.

- Parabéns, você já conseguiu.

- Eu sei. – ele riu.

Elizabeth segurou o gelo com mais firmeza e revirou os olhos, recostando-se na parte de trás do sofá. O rosto de Cyborg estava perto demais do seu e ela sentia vontade de empurrá-lo, ao mesmo tempo em que desejava que ele se aproximasse mais.

- Por que você está fazendo isso? – perguntou.

- Então – ele a ignorou. – Você e a Ravena? É uma amizade inusitada para não se dizer estranha.

- Eu não acho. – ela bufou. – E, se você estava brincando, eu não estava. Não te considero um herói. Quase não te considero uma pessoa. Não te incomoda as pessoas não gostarem de você? – olhou para o olho humano dele, admirando a cor castanha escura.

- Te incomoda?

- Com certeza. É triste ser sozinho e não ser querido.

- Só uma pessoa aqui não gosta de mim, sem contar com você.

- Mas eu não vejo os outros se preocupando muito. Só o Garfield.

- É mais complicado do que você imagina.

- Eu não sou burra. – Liz colocou o gelo no sofá e pegou as peças que estavam com Cyborg, unindo-as em menos de dois minutos. Colocou-as nas mãos dele e, ainda sentindo dor, abriu um sorriso sarcástico.

- Eu vou para a oficina.

- Lógico. Agora eu já consertei essas peças.

- Isso? – ele olhou para as mãos. – Iria para o lixo de qualquer jeito, mas valeu a sua intenção.

- Então por que você estava quebrando a cabeça tentando consertar?

Cyborg fez careta e segurou as peças com uma só mão, dando de ombros. Ok. Elizabeth havia feito em um minuto e meio o que ele não conseguiu fazer em quase uma hora.

- Obrigado. – falou.

- Não tem que agradecer – ela revirou os olhos. – O que eu fiz para você me odiar? Além de eu ser mulher, é claro.

- Você é melhor que eu com mecânica, e eu gosto de uma competição.

- Já percebi isso.

- Você tem potencial e é uma concorrente.

- Concorrente? – arqueou uma sobrancelha. – Eu sou melhor que você, mas não precisa me bater por isso. Sou perfeita com mecânica, seu computador mal feito.

- Pau mandado do irmão. – ele retrucou.

- Excluído. – ela sorriu de lado. – Você precisa de algumas aulas de mecânica. Quer um professor? Ou, quem sabe, uma professora?

Cyborg sorriu amplamente e deu as costas para ela, indo em direção ao elevador. Parou e a olhou por cima do ombro, sem parar de sorrir.

- Quem sabe quando você crescer. – provocou e piscou um olho, entrando no elevador e indo para o quarto. Elizabeth arregalou os olhos e voltou a pegar a bolsa de gelo, colocando-a no rosto todo, tentando acabar com a sensação das bochechas queimando.


Notas Finais


“Atualmente o amor começa com “eu te desprezo, mas estou louca para cair nos seus braços e ser sua para sempre.” é da fic Dirty Talk, todos os créditos a autora.
“- Como é tão fácil para você ser gentil com as pessoas? // - Porque as pessoas não foram gentis comigo.” é do livro Outros Jeitos de Usar a Boca, todos os créditos a Rupi Kaur.

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