História Somos Fogo - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Do Kyung-soo (D.O), Kim Jong-in (Kai), Park Chan-yeol (Chanyeol)
Tags Chankai, Chankaisoo, Chansoo, Exo, Kaisoo, Políamor
Visualizações 53
Palavras 5.372
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oláaa! Ai, viado, tô muito feliz!<33
Obrigada por não desistirem de mim e dá uma chance a esse trisal que amo, muito.

Foi rápido né? Eu aqui hehuehue! Mas estou tão ansiosa, o capítulo já foi betado pela a maravilhosa e rainha @OhLalalaka. Obrigada anjo❤

Taok, espero que gostem, pois foi com carinho. Então, até no final! Chu~❤

Capítulo 2 - Exposto ao Vento


S O M O S   F O G O;

Exposto ao vento. 


Mas você destruiu a fortaleza
Voltei para encontrar ruínas
Você deixou todo o meu amor nos escombros com estas paredes.. 
─ Windswept; Crywolf


Desde de criança, Kyungsoo sonhava com algo assim. Numa tarde, com sua xícara de chá e o sorriso em seus lábios, essa é uma das poucas coisas que conseguiu realizar em sua lista criada há muitos anos. De sua janela, ele via carros correndo contra o tempo, pessoas esbarrando uma na outra sem um pouco do senso comum para pedir desculpas. Era mais um dia fatídico, o céu de Seul estava nublado por nuvens indicando que, a qualquer momento, o céu vai desabar. 

Em meio ao caos, ele ainda via beleza naquilo, nas nuvens carregadas, na ventania forte e no frio hostil. Sua época do ano preferida; inverno. Em seus lábios possuía um sorriso singelo, seu apartamento estava quente por conta do aquecedor, Kira insistia em arrancar o barbante de sua toalha de mesa. Estava sendo como sempre, e ele gosta. Todavia Kyungsoo nunca gostou de mudanças, mesmo nas pequenas coisas, ele nunca soube como reagir a elas. São problemas que para ele é complicado, e naquele momento, ele sentia que estava em uma completa mudança. Seus pensamentos sobre Jongin e Chanyeol estava sendo constante, faz quase um semana que ambos trabalham no hospital, mas sentia que era uma eternidade. 

Era comum ver os dois andando juntos pelo corredor como se conhecem há muito tempo ─ o que realmente é, mas ele não sabia. Às vezes, sentia os olhares dos homens em si. Bom, eram da mesma ala, era comum se encontrarem tanto no refeitório quando no corredor, Kyungsoo nunca soube como reagir aos olhares selvagem que lhe era direcionado. Era ventania forte ou fogo ardente, nunca sabe definir a violência naqueles olhares, nunca soube dizer ao certo o que significam. 

Kyungsoo não sabia o que estava acontecendo consigo, de certa forma sentia uma necessidade mais forte que si. 

Era estranho aquele ar todo de mistério e tensão em volta deles, Baekhyun já percebeu mesmo que o Do negue até a sua morte.

Seus lábios estavam entre os dentes e o chá já se encontrava frio dentro da xícara. Deixou um suspiro sair de seus lábios e caminhou até a cozinha deixando o objeto em cima da pia. Ultimamente, estava se perdendo muito fácil em pensamentos, mas isso é uma de suas características.

Kyungsoo pensa muito. 

Mas sempre voltava a memórias de quando era criança ou adolescente. Gostava de sentir as sensações que lhe proporcionaram, algo entre a felicidade e melancolia, principalmente se essas memórias envolvia os dois homens mais importantes para si.

Mas Kyungsoo estava com medo de se apegar novamente, mesmo que seja apenas memórias, estava com medo. ─ medo de ser danificado. ─ e ele se afundava lentamente a esses pensamentos, o gosto do âmago e da tristeza estava entalado em sua garganta. Seguido de lembrança veio cada arrepio, profundo e intenso de certa forma. Com um suspiro caminhou até o quarto a fim de deitar-se. 

Mas sua mente lhe pregava peças, e por um momento sentiu um calor em que não sabe se dizer quando ou porquê. Talvez uma perda de controle. Sob os lençóis, Kyungsoo sentia-se afundando dentro do colchão, a dor da saudade machuca mais que dor física e junto vem a dor de memórias. O pequeno não queria voltar ao passado, não queria sentir o que verdadeiramente sentiu mas também era necessário para sua estirpe. 

A torrente de água chocava-se na janela com brutalidade, e Kyungsoo ainda pensava, lábios entre os dentes era uma mania sua desde de menino, e agora ele é um homem é ainda possui o mesmo hábito. 

Percebeu que, na sombra de um olhar singelo, muitos tentam voltar ao passado, tentar lembrar de quem realmente era ou o que era capaz de fazer. Outros tentam ao máximo esquecer de seu passado, mas poucos sabiam que o passado era como um pilar para sua construção, algo para te deixar mais forte em meio ao caos. E Kyungsoo era uma dessas pessoas. 

Ele não fugia, muito embora ele queira ocultar certas coisas que lhe machucam. Kyungsoo a muito tempo fora alguém perdido, sem uma casa para voltar quando resolvia se aventurar em sua própria mente e em seus próprios sentimentos. Por muito tempo ele fora um mochileiro, por muito tempo ele andou e andou sobre o caos, a melancolia, a destreza e a delicadeza. Mas ele sempre teve uma casa para voltar, e um ponto de impacto para se apoiar.

─ Eu sou tão pequeno, Yeollie, como posso subir até lá? ─ Indagou com um bico adorável em seus lábios enquanto olhava a fotografia do Monte Everest. Estranhamente sentia-se atraído por tudo que era frio, e soube que para lá era extremamente frio, e também porque gostava de coisas altas. Depois que Chanyeol lhe contou uma história mitológica falando sobre um Titã chamado Atlas, que fora condenado por Zeus a sustentar os céus para sempre, foi quando teve sua paixão por Mitologia e geografia. 

─ Você é capaz de tudo, pequeno. ─ Disse uma criança de quatorze a uma de nove. ─ Você pode sim, ter o mundo em suas mãos, até mesmo Atlas. 

Os lábios tocaram a testa de Kyungsoo de forma serena e singela. As mãos adoráveis foram de rumo a camisa do maior, apertando o tecido com afinco com pavor de que, algum dia, ele pudesse fugir de seu campo de visão e de si, porque ao mesmo tempo em que Chanyeol estava ali, ele também estava tão distante, assim como o Everest. Tão alto. E Kyungsoo tinha medo.

Os dedos cálidos foram em direção a testa tentando novamente sentir aquele beijo doce entre duas crianças, Chanyeol sempre fora seu monte, sua base, seu frio e o seu divino. lembrava perfeitamente do medo em que sentia e de sua atração por coisas altas e gélidas, como o Monte Everest. Kyungsoo gostava-o de comparar a Chanyeol, pois mesmo tão alto e gélido, sentia que poderia escalá-lo quantas vezes for necessário.

E no meio do frio, outra memória sublime lhe veio a sua mente impetuosa. 

 ─ Estou com medo, Nini. ─ dizia Kyungsoo, as lágrimas brilhavam em seus olhos doces, o olhar do moreno para si era indecifrável, assim como sempre foi. Mas a inquietude e o amor sublime na qual existia entre ambos o fez segurar a mão do garoto. 

─ Não tenha medo, Soo. Eu estou aqui. ─ Disse enquanto levava sua mão cálida a limpar lágrimas teimosas no rosto formoso. Eram apenas crianças ─ pré-adolescentes ─ indo se aventurar em uma casa assombrada no parque de diversões. Porém, nesse tempo, Kyungsoo lembra o quanto tinha medo de fantasma. 

─ E se eu me perder? 

─ Eu te acho. 

─ Como? ─ Indagou o pequeno. 

─ Sempre iremos nos encontrar, porque eu sou a sua casa e você a minha. 

Chanyeol, desde sempre, fora seu topo, seu monte, seu ponto frio e sua tempestade. Aquelas que por onde passa, consome tudo, mas sempre lhe dá mais uma chance de se erguer novamente. Jongin, no entanto, sempre fora fogo ardente que corta a alma, calor e a paixão avassaladora e uma falsa brisa de verão. Ele era sua casa e Chanyeol seu ponto forte. 

Coisas distintas assim como as personalidades de ambos. Mas naquele contraste, ele se sentia completo, não era um mochileiro, mas naquele momento, Kyungsoo percebeu que ainda estava a viajar pelo silêncio da sua nobre quietude, naquele momento ele sabia que ainda não tinha uma casa e que ainda era apenas um nômade. 


[...]


Os belos dentes brancos faziam um pequeno estrago na ponta da caneta azulada. Seu olhar febril olhava para a porta como se fosse a coisa mais interessante a ser vista e apreciada. Mas a realidade era que, sua mente estava longe, tão longe que poderia alcançar o nirvana. O sorriso de alguém vinha em sua cabeça de forma sublime e cativante, tão preeminente e encantador. Em seu peito, seu coração batia como um som alto, a dor da saudade andava de mãos entrelaçadas com a felicidade, o alívio e a serendipitia. Como? Não se sabe, mas Jongin sentia-se perdido. Por muito tempo também fora um nômade, visitando corações e casas novas, lugares e estações, mas uma era sempre difícil de esquecer. Estava tão perto de sua casa agora, tão perto mas tão distante. Em seu sorriso, memórias boas passavam em sua cabeça em flashbacks, se fechasse os olhos conseguia vislumbrar o sorriso carecido do seu baixinho, se tapasse os ouvidos ainda conseguia ouvir a voz doce dizer: "Nini…"

Será que ele sangra assim como eu sangro?

─ Perdido? ─ Ouviu a voz rouca reverberar pelo o cômodo tão sem graça. Chanyeol caminha com perfeita maestria e elegância, as mãos grandes dentro do bolso da calça e um sorrisinho mostrando uma de suas covinhas. Jongin o olhou de cima a baixo. Sempre tão lindo. 

─ Um pouco, estava pensando. ─ suspirou encostando suas costas na cadeira. Não evitou em passar a língua pelos lábios secos. Sentia-se derrotado de algum modo, não sabia o porquê, mas sentia-se e vê Chanyeol também ali lhe dava um pouco de conforto na sua mente bagunçada. Jongin acabou sendo levado em seus pensamentos e caçava o motivo para se sentir tão afável ao lado do mais velho. 

Sinceramente, não soube quando essa amizade começou, talvez quando assim que chegou em Londres, não sabia quase nada de inglês e encontrá-lo na mesma sala fora uma dádiva. Estava tão nervoso, mas em ver aquele jovem tão seguro de si e seu ar de superioridade deixava-o curioso sobre tal fato. E, quando menos percebeu, estavam conversando como se fossem amigos de muitos anos. Sabia o quanto Chanyeol não era muito de conversa, mas se soubesse disso naquele tempo teria se interrogado em como a conversa fluiu de forma tão natural que o fez morder os lábios em nervoso. Ouviu em dizer um dia sobre uma lenda japonesa bastante conhecida chamada de Akai-ito, sobre um fio vermelho entrelaçado em seu dedo, na qual, também estava conectado naquele que estão destinado. Era algo deveras complicado de se explicar, mas sentia, e sentia tão forte como um tufão a lhe atingir. Uma conexão tão especial, mesmo que longe ainda era possível sentir. Memórias, sensações indecifráveis lhe mostrava a isso. 

Mas Jongin quase sempre era um cético.

E mesmo assim, ele resolveu acreditar nesse tópico, talvez Chanyeol realmente é a ponta do seu fio. Porém sempre acreditou em seu amor por Kyungsoo, por isso estava bastante confuso com tais sentimentos. Jongin amava Kyungsoo, mas também amava Chanyeol e aquilo estava matando-o, lentamente. 

─ O que ou quem? ─ Indagou enquanto arrumava o jaleco branco em seu corpo alto. Os bíceps sendo marcado nas mangas e o peitoral evidente mesmo com a blusa social azul escura. 

─ Os dois. ─ Respirou profundamente, não sabia se Chanyeol sentia-se da mesma forma que si. Sua postura era indecifrável, sua face era como um jogo complicado. ─ Pra ser sincero, Chanyeol, eu me sinto perdido. Ele é sempre tão inalcançável ao mesmo tempo que está tão perto, eu sei que você disse para esperarmos pelo o tempo dele, mas parece que foram meses, anos. 

Um suspiro fora ouvido. Percebeu o momento em que o Park se ergueu da cadeira e caminhou até a si, encostando o quadril de forma elegante na mesa. Jongin novamente não evitou em olhar para o corpo do mais velho, deslizou até o do homem. O tom escuro que sua íris carregava era arrebatador, sentia-se tocado por tal olhar luxurioso que Chanyeol levava consigo. Ele era mais alto que si, não tanto, porém ainda sentia intimidado às vezes. E pela a forma que lhe olhava era como se penetrasse sua alma. 

─ Está sendo difícil até pra mim mesmo, mas precisamos realmente ir com calma. Sabemos o quanto ele sofreu e junto também sofremos, não sabemos como ele poderá reagir a tal modo. Mas pense que agora ele está mais perto que imaginamos, é questão de tempo, hum? Seja paciente, anjo. 

Instantemente, os dedos gélidos tocaram aos seus causando um pequeno arrepio em Jongin que sempre gostou desse frio inalcançável de Chanyeol. Era contraditório, seu sorriso era calor, era fogo, seu corpo era frio e arrebatador. Aquela dualidade constante era o que deixava mais atraente. 

Não teve tanta opção a não ser suspirar e assentir. Estranhamente, sentia-se bem, Chanyeol estava ali e Kyungsoo também, mesmo que distante, estava. Era apenas questão de tempo e tudo ficará melhor ainda, ele suportou tanto longe de quem ama e não vai ser agora que irá perdê-lo. 


[...]


Kyungsoo sentia sua pele congelando cada vez que dava um passo em meio a calçada. O calor humano ao seu redor o impedia de bater os dentes fortemente, mesmo com a temperatura 20°C abaixo de zero o fazia. Era um dos frios mais intenso em que Seul sentia, mas mesmo assim não deixou de admirar a beleza por trás dos flocos de neve que caía, era único, era belo. Instantaneamente deixou um sorriso cálido surgir em seus lábios, seus dedos dentro do sobretudo mesmo com as luvas congelavam, e tremia, tremia muito. Por muito tempo Kyungsoo admirou aquela melancolia profunda que vem dessa estação, própria do inverno; embora se chegasse a 50°C graus abaixo de zero poderia matá-lo, mas permitia admirar por um curto período de tempo. 

Ouviu dizer no jornal que hoje irá acontecer uma enorme tempestade de neve, talvez também seja um dos motivos para todos ao seu redor apertasse os passos e começassem a correr contra o tempo. Afinal, o tempo realmente existe? Pensou Kyungsoo enquanto andava e sentia seus ombros serem empurrados pela a fila de pessoas. Há muitos anos o tempo foi criado pelo o ser humano, tanto os relógios mecânicos, quanto os de areia e outros. O tempo ainda é estudado pela a ciência desde a evolução como seres humanos. Existe, de fato, homens importantes que define o tempo de diversas formas, para Isaac Newton, o tempo era imutável, ou seja, não mudava era intangível e eterno, sempre fluindo no mesmo ritmo, do passado para o futuro. Já Albert Einstein elaborou o conceito de tempo elástico, mesclando-o com o espaço, dando o seu conceito de Espaço-Tempo. Para Kyungsoo, o tempo é apenas o fluir da evolução, o tempo é algo artificial que fora criado por nós humanos a fim de medir nossa construção. 

O conceito de passado, presente e futuro sempre irá existir para nós, mesmo que vários cientistas formados, extremamente inteligentes tente mudar esse princípio não conseguirá. Kyungsoo contava o tempo e acreditava que algum dia ele poderia trazer sua felicidade de volta, mas enquanto isso não acontecer ele ainda continua sendo um cético. 

Pobre garoto, não aceita que a felicidade quem construímos é nós mesmos e o sentido da vida? Não se tem, mas é uma das nossas funções como seres apaixonados dá sentido a ela, certo? 

Um suspiro quente sai de seus lábios causando um pequeno vapor a frente de seus lábios e bochechas coradas, precisava comprar um carro urgentemente. Kyungsoo agradeceu a alguma divindade celestial quando entrou na recepção do hospital e o vapor quente entrou em contato com sua face gélida. O relógio na parede marcava-se seis e quinze da manhã e com um sorriso singelo deixou um bom dia rouco e baixinho para Yuna, a mulher que sentava atrás do balcão. Por conta do horário, Baekhyun ainda não tinha chegado e por esse motivo caminhou até o vestuário dos enfermeiros. As paredes branco gelo fazia questão de deixar o corredor mais longo que o normal, as faixas azuis apenas tava um pequeno contraste àquela pureza nas paredes de concreto. Para muitos, aquele lugar era um ambiente de significado ruim e melancólico, muito embora algumas pessoas que entravam pela aquela porta tiveram um destino não tão bom todavia também haviam pessoas que ali, naquele lugar, encontraram a salvação. Uma segunda chance de pedir a namorada em namoro, uma segunda chance de se formar em um bom curso e uma segunda chance para viver e dar um possível ao implacável. Coisas ruins acontecem ali, sim, mas também acontecem coisas boas. O chamado de regressão a média, diz que nem tudo é ruim para sempre ou bom pela a eternidade. Existe um meio termo, como uma balança, uma hora ela irá pesar para um lado outrora para outro mas depois, irá ficar equilibrada de modo neutro. Por isso, Kyungsoo gosta daquele trabalho, sabe que um dia ele poderá contribuir para alguma vida e vê uma segunda chance a ela, mas também sabe que um dia, não haverá mais chances a não ser piscar ou respirar pela a última vez com as últimas lágrimas para dá. 

Um pensamento um tanto triste, mas essa é a realidade na qual não queremos aceitar. 

Assim que entrou no cômodo, Kyungsoo deixou seu celular e a chave de seu apartamento dentro do armário, carregando consigo somente o crachá com seu nome e a chave do armário. Suas costas doíam mas caminhou até o elevador que o levaria até a sua ala, em sua cabeça, um ritmo de alguma música clássica reverberava. Quando entrou na enorme caixa de metal pronto para apertar o botão para o andar, uma voz rouca e grossa preencheu sua audição lhe causando um tremor bruto por todo seu corpo. 

─ Espere! 

Instantaneamente não deixou de abaixar a cabeça e dar um passo para trás assim que a figura alta ocupou sua visão. Chanyeol apertou o passo para chegar até o elevador encontrando Kyungsoo no canto do mesmo e com a cabeça para baixo como se seus próprios pés fossem a coisa mais importante do mundo. 

Droga, estava nervoso em tê-lo ali. Os dedos grandes e pálidos apertaram o botão do andar em que ambos ficavam, Kyungsoo cada vez mais se afastava até tocar suas costas a parede espelhada e fria, não evitou em sentir um arrepio pelo o gélido do metal. 

─ Bom dia. ─ Disse. Queria ter acreditado que o tremor e o arrepio que sentia era de frio, mas sabia que o frio não fazia arfar ou muito menos deixar o ar quente sair de sua boca sem intuito de se esquentar. Kyungsoo sentia algo amargo na ponta de sua língua, o baixo ventre se contraiu de forma involuntária; queria botar a culpa na fome mas estava ciente que realmente não era.

─ Bom… dia. ─ Sua voz saiu estranha até para a própria audição. Pigarreou baixinho e arriscou olhar para frente, afinal o que daria errado? Chanyeol estava de costas para si, ele não o veria. 

Entretanto, ele se arrependeu assim que seu olhar curioso parou nas costas do homem e por Deus, não queria, mas admirou. Desde de pequeno, ele sempre fora alto e a puberdade para si não foi algo tão divertido, além dos hormônios vía constantemente Chanyeol sofrer bullying por conta de suas orelhas adoráveis ou pelo seu tamanho absurdo para uma criança de doze anos. Mas agora, ele estava ali, como realmente um monte ─ Everest para ser específico ─. Deslizou seu olhar para os braços fortes sendo marcados na camisa social branca dobrada acima dos cotovelos e lembrou de quando eram crianças; sempre teve medo de escuro então Chanyeol sempre lhe aconchegava em seus braços e dizendo que sempre irá lhe proteger ─ Kyungsoo sempre acreditou nisso. As veias escuras marcadas no pulso firme e acima da mão grande que possuía também o lembrava das vezes que aquela mão lhe afagou quando chorava, e novamente, as memórias lhe vieram como um raio. Suas omoplatas eram retas e largas de forma nobre e inabalável com o toque final de uma digna postura de um homem importante. ─ E Chanyeol é um… ─ Kyungsoo então deslizou seu olhar nublado pela a nuca do rapaz admirando como se fosse a mais da perfeita obra de arte criada. Porém instantaneamente fora direcionado pelo o espelho a frente. 

Novamente o baixo ventre se contraiu e suas pernas vacilaram por um momento, sua respiração se tornou irregular no momento em que notou os olhos negros lhe fitando através do reflexo. Não soube como agir, poderia abaixar a cabeça ou olhar para outro ponto, mas não, o olhar, aquele olhar, o prendeu de uma forma que deixou sua garganta seca e os lábios ressecados. Viu o momento que o vinco entre suas sobrancelhas relaxou dando lugar a uma pequena curva em seus lábios. Foi inevitável não sentir sua orelha e bochecha esquentar de vergonha. 

Chanyeol pretendia falar algo como se estivesse esperando o momento exato para então deixar o brado ecoar por todo elevador, porém assim que movimentou a sua boca as portas se abriram revelando o corredor branco e monótono. Estranhamente, em seu âmago, ele desejou que ele falasse algo, nem que seja um "bom dia" novamente. Sentia a necessidade de ouvir novamente aquele timbre que tanto o faz arrepiar, aquele que estranhamente faz quase choramingar. 

Kyungsoo olhava-o quase que suplicando, sabia que Chanyeol sentia seu olhar, se virasse poderia embebedar-se com o olhar puro e febril do rapaz, sua postura antes inabalável agora parecia perto de cair, o mesmo apenas suspirou e então olhou por cima do ombro.

─ Tenha um ótimo trabalho. 

E então saiu deixando-o desolado para trás, novamente suas pernas fraquejaram se não fosse a barra de metal ao seu lado teria ido ao chão. Seu coração batia desfreado e novamente o gosto amargo em sua boca. Não esperava por isso, somente uma frase lhe causou esse efeito, com um olhar ambos conseguiam tal feito, e com palavras o destruía, o levava a ruínas em seu próprio castelo. Naquele momento ele quis chorar, o que estava esperando? Talvez Chanyeol não sinta o mesmo que a si, naquele momento, não soube se algum dia poderia voltar para casa. Não sabia se era possível. 

Possível era, mas doloroso também era. Estava machucado, reencontrá-los o fez desacreditar em seu próprio Reino que construiu por anos. Chanyeol não tinha aquele direito, não tinha motivo para dilacerar seu coraçãozinho dessa forma ou muito menos Jongin. Estava enfermo, logo ele, que ajuda a cuidar de enfermos. Mas tanto a cura para sua doença crônica eram aqueles que, um dia, amou; eles são sua cura mas sua condenação. 

E para viver, Kyungsoo precisava ser remediado por eles, somente eles; e ele ainda está a esperar. 


[...]


─ Você realmente está bem? ─ Indagou Baekhyun. O rapaz apenas assentiu enquanto separava cada remédio em sua caixa específica. O representante de uma empresa farmacêutica trouxe algumas amostras de remédios para o hospital, era trabalho de Baekhyun e Kyungsoo separá-las. ─ Tem certeza absoluta? Jura de dedinho? 

Perguntou o acastanhado enquanto separava as caixas. Seu olhar deslizava pelo físico do colega apenas procurando alguma coisa notável que falava mais que suas palavras. 

Quase sempre, o rapaz era neutro e nunca demonstrava o que sentia. Sabia controlar seus sentimentos e nunca deixavam aparecer em sua forma de andar ou de falar, Kyungsoo era como uma muralha para Baekhyun, inalcançável e não demonstrava sentimentos, por isso surpreendeu quando o viu de tal forma, abalado. Sempre tentou ajudar o amigo, mas de alguma forma mesmo sem querer era afastado, isso acabava consigo porque, ora, sentia uma enorme admiração pelo o Do e um carinho imenso. Todavia, tentava seu máximo ser uma âncora para e com seu amigo, porém o mesmo parecia ter uma âncora ou talvez ele já tenha se acostumado em que constantemente está afogando-se. Conformismo, Baekhyun acha isso um dos piores sentimentos que possam existir. E, por isso, o mesmo caminhou até lá e envolveu seus braços pelo o tronco do pequeno em um abraço desajeitado. 

─ Soo… 

Sussurrou sentindo-o tremer em seus braços. Surpreendeu quando Kyungsoo virou-se envolvendo o pescoço do amigo em um abraço capaz de libertar. Não estava entendendo, mas quando sentiu fluídos quentes pingarem em sua roupa azul foi quando percebeu, oh sim, ele soube naquele momento que as muralhas que levaram anos para ser construída estava caindo uma por uma, o próprio Reino de Do Kyungsoo, estava indo à ruína. Cada vez mais indo para baixo. 

Baekhyun não disse nada, afinal, aquele era momento do colega e não seu, mas sentiu em seu corpo a dor que transparência pelo o corpo frágil e alvo. Pela primeira vez, ele viu a verdadeira face de Kyungsoo e percebeu o significado de ruína. Não sabia o que houve ou quem fez seu baixinho chorar, mas naquele momento Baekhyun não tentou ser âncora, tentou ser um mergulhador para tentar nadar naquele oceano de sentimentos. Tentou chegar nas expectativas do rapaz mesmo sabendo que não poderia ser aquele que o poderia salvar, mas seria aquele que daria o seu fôlego se fosse preciso. 

Por que você é tão difícil de alcançar?


[...]


Sentia-se exausto, sua musculatura doía de forma quase que assustadora até mesmo quando andava era possível sentir seus ossos estalarem. Assim que pisou do lado de fora do hospital choramingou, a quentura de sua pele se chocou forte com o vento gélido, era como sentir seu corpo se cristalizar perante a ventania. Estava nevando, mas não era tanto, porém daquela forma quase congelaria e a estação do metrô até o hospital é demorada, queria voltar para casa e descansar seus pés dentro da coberta quentinha junto do chá quente que poderia tomar. Queria poder admirar a neve mas ainda sentindo-se quente. 

Choramingou novamente, respirou fundo mesmo sentindo arrepio em sua pele; o ar frio entrava pela as suas narinas e sentia seu pulmão arder, estava sem dinheiro para pedir um táxi, mas naquele temporal eles não trabalhavam. Infelizmente, o jornal estava certo em questão da tempestade que estava por vir, a neve caía cada vez mais; se saísse assim era perigoso pegar uma hipotermia.

Kyungsoo suspirou sentindo o ar quente parear em frente a sua boca como fumaça, seu olhar estava para baixo e pensativo, possuía duas opções: sair correndo ou esperar a neve parar de cair; todavia sabia que não seria fácil assim. Entretanto, acabou por ser assustar com a buzina de um carro à sua frente. O tom preto da Mercedes mesmo no escuro ainda era possível vê o seu reflexo no carro tão bem polido, era simplesmente esplêndido, porém ainda estava assustado; quem em sã consciência andaria com um carro daquele numa rua quase cheia de neve? 

Intrigado, era o que lhe definia e espantado ficou quando o vidro escuro abaixou revelando o rosto tão conhecido por si, o sorriso singelo estava lá. 

─ Quer uma carona? ─ Indagou Jongin. A porta do carro fora destrancada dando passagem para Kyungsoo, este que possuía uma pequena batalha interna entre si sobre tal feito. 

─ N-Não será necessário, a estação não é muito longe. ─ Mesmo no breu do carro, sendo iluminado somente pela a luz do poste em frente ao hospital, ainda era possível ver o sorriso do homem aumentar, um sorriso traiçoeiro. 

─ Que eu saiba, é quase trinta minutos daqui até a estação, e eu duvido você conseguir chegar sem congelar no meio do caminho.

Seu tom era zombeteiro, mas mesmo sobre tal fato, o fez pensar. Ele está certo, poderia ficar muito doente somente com isso, não tinha outra escolha. Com as mãos tremendo e os lábios entre os dentes levou Kyungsoo a entrar dentro do automóvel luxuoso. 

Sentia-se um pouco desconfortável por está somente ele ali, mas o clima era quente e fazia um trabalho em aquecer seu corpo. Não evitou em deixar um suspiro satisfeito sair de seus lábios, porém a risadinha ao seu lado o deixou constrangido. Jongin deu a partida ainda com seu belo sorriso no rosto, deixando o baixinho intrigado sobre, afinal, o que seria de tão hilário para si? 

Por todo o caminho, o silêncio era amigo dos dois rapazes, tendo somente a voz de David Bowie baixinho, quase inaudível. Os dedos alvos brincavam com o anel em seu anelar direito, os lábios entre seus dentes indicavam mais uma de suas diversas manias, poderia indicar nervosismo ou pensativo e, bom, Kyungsoo estava os dois. Às vezes ele refletia se algum dia alguém poderia notar esses tais fatos nele, mas quem ligaria para isso? Quem ligaria que o tempo inteiro Kyungsoo pensa, que ele mergulha dentro de si e bem ao fundo numa chance de encontrar algo que o faz sentir além de um grande vazio, saber a resposta no seu silêncio e decifrar seus olhos e encontrar suas muralhas. Quem? Se indagava, não há, ele mesmo respondia.

─ Você ainda possui a mesma mania. ─ A voz rouca reverberou, deixando um tremor bruto percorrer todo seu corpo. 

─ Mania? 

─ Sim. ─ Seu olhar selvagem caiu no corpo pequeno, o sobretudo marrom cobrindo as coxas volumosas a fim de se aquecer. O rapaz, mesmo no escuro, deslizou seu olhar brando até os olhos adoráveis e curiosos do rapaz. ─ Você morde os lábios quando está nervoso e brinca com os dedos quando está pensativo. ─ Sentiu a voz de sua alma clamar, algo em seu coração se acendeu por segundos mas não soube em dizer o que foi o motivo de seu tremor bruto ou a sua respiração irregular. ─ Está nervoso? 

─ E-Eu? Por que eu estaria nervoso? ─ Oh sim, estava muito nervoso o suficiente para querer choramingar. 

─ Bom, me responde você. Por que está nervoso? 

Aquele brincadeira apenas o fez sentir mais ansioso ainda, de certa forma, ele pode refletir naquilo. Por que estava nervoso? Não era como se Jongin lhe faria algum mal; mas sentia nervoso porque Jongin lhe deixava assim, sempre lhe deixou assim, na corda bamba. Não sabia o porquê e não sabe ao certo quando começou. Mas por algum motivo estranho ele sentia aquele comichão em seu baixo ventre toda vez que o olhar nobre e sublime caia em si, ele também sentia as mãos suando sempre quando o bico manhoso em puro dengo surgia em seus lábios carnudos ou o tremor que a voz causava em si. Nunca chegou a entender o porquê dessas reações, sempre soube que seu amor por Jongin era sublime, eram como um ímã, era a beleza do fogo e a mais pura radiante melancolia. Mas, por que estava realmente nervoso? 

Não respondeu, seu silêncio por si só respondia, apenas não sabia se Jongin entenderia. No entanto, fora cortado com um sentimento tão ferino em que o Kim rasgaste-ei o peito. Por muito tempo, tentou se encontrar por si só e decifrar cada pensamento, cada sentimento e cada vontade que seu coração tentava lhe mostrar. Mas então, somente ali, naquele momento, no olhar selvagem que pôde perceber quanto o outro decifrava e o entendia somente naquela pureza do olhar meninil e era mais que isso, eles conversavam.

Ainda estava em tormenta quando avistou o poste tão conhecido repleto de neve, ou a guirlanda presa na porta do prédio onde morava, mas mesmo no silêncio ele pôde vislumbrar as mãos calejadas a segurar o volante com força; o peito subindo e descendo constantemente… No final, Jongin era como Kyungsoo. Mesmo de uma determinada distância, conseguia sentir do corpo o calor que emanava e a definição de fogo que era. Sentia saudade, tanta saudade daquele garoto que agora é um homem. Ambos os olhos brilhavam em expectativas de algo que não saberiam denominar, mas não poderiam fazer isso; não agora, naquela conversa silenciosa. Kyungsoo não sabe ao certo quem ele é agora, poderia dizer que o conhece bem, mas agora, dentro daquela Mercedes não o conhecia, afinal, as pessoas mudam. Como Heráclito de Éfeso dizia, todos nós estamos em plena mudança, não banhamos na água de uma banheira duas ou três vezes. Jongin mudou, e mudou muito, mas não sabe se é para melhor ou pior, não sabe se seus sentimentos são os mesmos; não sabe se ele ainda era casa, por isso, Kyungsoo, apenas agradeceu baixinho e saiu de dentro do veículo. 

Sabia que iria se arrepender por não ter falado algo que ainda não soube, era complexo e incompreensível, mas como dizia o sábio rei Salomão, cada coisa tem o seu tempo determinado; tempo de crescer e de florescer, tempo de nascer e tempo de morrer, e naquele momento, Kyungsoo, sentiu que não estava no seu. 




Notas Finais


Aaaaa! Eu espero que tenham entendido as memórias e o conceito de casa que coloquei neles:") sla, eles são muito meus piticos. E essas memórias? Ai meu Deus! Eu amo tanto!!

Pqp! O Chanyeol só nos faz sofrer:") esse Jorginho então? Affu, Soo e nós que lute:'C

Enfim, até o próximo capítulo amores. Chu~❤


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