História Sonata - Capítulo 29


Escrita por:

Postado
Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Red Velvet, Seulrene
Visualizações 530
Palavras 2.470
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus mores! Voltei com um curtinho, só pra matar tudo que ficou pendente no que eu chamo de "primeira fase" de Sonata. Tudo está dando certo, até agora.

Façam uma boa leitura!

Capítulo 29 - Light my fire


O quarto de Seulgi em sua casa dizia muita coisa sobre si. As paredes eram de cor amarela pastel e os móveis todos brancos, dando-lhe uma aparência infantil. Um quarto de princesa. Em contraste, havia os posters de banda, livros em prateleiras e fotos espalhadas por todo o quarto.

 

Muitas fotos com Joohyun.

Aquilo dizia muita coisa sobre Seulgi.

 

— Então — Seulgi quebrou o silêncio. — O que te fez vir aqui?

 

— Pensei apenas em te ver — Sunmi tentou esconder a tensão ao olhar ao redor do quarto, os olhos sempre oscilando entre as fotos sobre a escrivaninha e os móveis brancos. — Fiz mal?

 

— Não — Seulgi alisou as têmporas, também tensa, e encarou Sunmi com determinação. — Apenas não esperava.

 

— Fiquei preocupada com Joohyun — Sunmi disse por fim, sentando-se na cama arrumada da estudante. — Queria saber se estava tudo bem, mas seus pais me disseram que você foi vê-la logo de manhã. Como ela está?

 

— Melhor.

 

A tensão entre elas pesava o ar, os ombros de Sunmi e a cabeça de Seulgi. Seulgi continuava olhando para janela afora, na procura de arrumar alguma desculpa para se livrar de Sunmi e não precisar vê-la tão depressa.

 

Sunmi tinha os olhos espertos, maduros, e sabia exatamente o motivo do olhar de Seulgi nunca se encontrar com o seu: culpa. Kang Seulgi era uma pessoa muito fácil de ser lida, era tão pura e espontânea que toda sua tensão, todos os seus medos, todos os seus pensamentos pareciam lhe refletir no rosto, no corpo.

 

Seulgi estava tensa como nunca estivera antes.

 

— Eu não deveria ter vindo sem avisar — Sunmi se levantou de repente, balançando a cabeça para exterminar os pensamentos que tinha em sua mente. Não podia, não queria; doía demais vê-los através da postura de Seulgi, doía muito enxergar a verdade que nunca tinha visto antes.

 

— Fique.

 

O olhar de Sunmi encontrou o de Seulgi pela primeira vez e a tensão explodiu entre elas, o olhar de Seulgi não se demorando em encontrar o chão outra vez. — Eu preciso ser honesta com você, Sunmi-ssi.

 

O tom alarmou a professora; nunca tinha ouvido a voz tão polida e formal com ela. Seulgi sempre parecia relaxada o suficiente para apenas chamá-la pelo nome, seus olhos sempre brilhando de alguma forma.

 

Naquele dia, eles brilhavam com lágrimas nos olhos.

Sunmi entendeu o que significava.

 

— Eu sei.

 

Seulgi não teve reação alguma para demonstrar, não sabia o que dizer. O corpo de Sunmi relaxou, contrariado à mente de sua dona, e ela se sentou na cama outra vez. A ponta dos dedos traçou o detalhe de renda do lençol, os olhos nunca se ergueram para encarar as lágrimas de Seulgi. — Eu sei que você está apaixonada por ela.

 

Seulgi encostou-se à escrivaninha, desleixada, e encarou Sunmi. Nunca tinha visto ombros tão caídos e expressão tão abatida antes, aquilo lhe assustava. — Você sabe?

 

— Como não saberia? — A professora rebateu com sarcasmo, seus olhos finalmente tomando a direção da estudante. — O jeito que você a olha, Seulgi... Eu demorei pra entender. E, quando entendi, neguei porque era mais fácil do que aceitar que você estava comigo para esquecê-la. Vocês namoraram?

 

— Não — Seulgi confessou de cabeça baixa, o braço apoiado na escrivaninha. — Éramos amigas, eu nunca soube que ela gostava de mim de volta.

 

Sunmi assentiu em silêncio, os olhos ainda presos aos detalhes delicados da cama de Kang Seulgi. Era ali que ela dormia todas as noites, acordava, pensava em Joohyun. Era ali que ela descansava a cabeça sempre cheia de pensamentos sobre Joohyun, era ali que as duas deitariam juntas.

 

Em algum momento.

 

— Obrigada por me contar, Seulgi.

 

Sunmi se levantou depressa, irritada, mas não transparecia sua própria frustração. Sentua qye a única culpada era ela mesma por se apaixonar por uma garota, uma estudante, que estava começando a viver a vida. Culpada era ela, uma mulher crescida, com responsabilidades estabelecidas, que tinha abaixado todas as suas seguranças por um amor proibido.

 

— Eu sinto muito, Sunmi-ssi.

 

A professora parou no arco do quarto, a mão segurança a maçaneta da porta fechada, e olhou para a garota por cima de seus ombros. Sunmi podia jurar que nunca tinha visto uma garota tão linda em toda sua vida.

 

Seulgi hesitou. — Eu deveria ter te dito como eu me sentia sobre Joohyun antes de me envolver com você, sei que te magoei. Eu sinto muito, de verdade.

 

— Ela gosta de você de volta, você sabe? — Sunmi receou se aproximar, não queria assustá-la. Desejou tocar o rosto de Seulgi por uma ultima vez, fazer o contorno de sua linha do queixo e tocar-lhe os lábios, como se estivesse guardando em sua memória a textura de Kang Seulgi.

 

Macia, cheirosa, única.

 

— Eu sei que gosta.

 

O silêncio contou tudo que as palavras não podiam, denunciou cada  sentimento não mencionado. Sunmi abaixou a cabeça, as mãos ainda na maçaneta da porta, e suspirou uma ultima vez. Seulgi não conseguia desviar os olhos, muito menos mantê-los em qualquer lugar do seu quarto. Seu quarto estava tão cheio de Joohyun, tão cheio delas, que era estranho ver Sunmi ali, parada na porta. Um universo alternativo, onde seus dois mundos se colidiam violentamente.

 

Para ter Joohyun, ela precisava abandonar Sunmi.

 

— Adeus, Seulgi.

 

Seulgi viu com muita dificuldade a mulher abrir a porta, respirar fundo, e sair. Não bateu a porta, não olhou para trás.

 

Lee Sunmi tinha fechado a porta para qualquer relacionamento entre elas, sabia disso.

Lee Sunmi estava saindo de sua vida tão intensamente quanto tinha entrado e, dela, tudo que restara era o cheiro doce do perfume importado.

 

Seulgi desejava que ela encontrasse alguém melhor.

 

(...)

 

Joohyun não conseguiu dormir, sua mente ansiosa trabalhando cada vez que ela se recordava das palavras da mãe. Não voltaria para EUA. Não completaria seu sonho de formar-se em Julliard, nunca mais veria seus amigos.

 

Pensou em Dean àquela madrugada, na facilidade com que o garoto conseguia trazer sorriso para seu rosto. Pensou no jeito que ele se arrependera amargamente de ter abandonado Kim Taeyeon, a garota que tivera o destino um pouco semelhante com o seu: afastada de seu sonho por violência, pela maldade daqueles que lhe cercavam.

 

Entristeceu-se por pensar que nunca levaria Seulgi para conhecer Amber e seus amigos, que nunca poderia tirar fotos da garota que amava nas vistas de New York, que nunca mais teria o prazer de comer em seu restaurante favorito de New York, o café onde os estudantes de Julliard se reuniam para discutir e relaxar após as aulas.

 

Suspirou pesadamente.

 

Seulgi não falara com ela desde partira, mas Joohyun apesar cogitou a possibilidade da garota ter dormido porque ela era Kang Seulgi e adorava dormir. Os raios de sol atravessavam a janela e aqueciam a escrivaninha, refletiam contra o pequeno quadro que tinha ganhado de aniversário no ano anterior.

 

Uma foto de sua família e ela, Kang Seulgi, no ultimo recital antes mesmo de saber que ela seria a escolhida para a bolsa em Julliard.

 

A noite em que tinha realizado seu maior sonho.

 

Tudo indo por água abaixo; não havia como fazer sua mãe mudar de idéia. Seu pai era rígido, de postura autoritária, mas sabia que era a mãe quem decidia as coisas por ali. Com os olhos incomodados pela claridade, ardendo devido ao sono que nunca anestesiou, Joohyun sentiu-se injustiçada. Por que seria ela a única a continuar perdendo coisas? Por que seria ela a única a sofrer com a violência do estupro e a única a ter de perder a oportunidade de realizar seu sonho por completo? Por quê? Por quê?

 

Não chorou, não se fez de vitima outra vez. Ela era vitima do acaso, da violência, não de si mesma.  Ainda tinha tempo para convencer a mãe de que deixar EUA e Julliard não era a escolha mais perfeita, mas não iria pressioná-la.

 

A Sra. Bae já tinha sido muito legal em esconder seu pequeno segredo sujo, seu amor nutrido por Kang Seulgi.

 

(...)

 

Seulgi adentrou o quarto pouco iluminado devido as grossas cortinas evitando a claridade, viu que Joohyun ainda estava dormindo e fechou a porta atrás de si.

 

Era tarde o bastante para que os Bae se preocupassem com sua filha, mas não o suficiente para que um dos pais fosse até o quarto da garota. Joohyun estava estranha nos últimos dias, concluíram, e deixaram daquela forma.

 

Seulgi estava suspirando apaixonada, encostada na penteadeira do quarto de Joohyun, enquanto observava sua garota dormir. Era engraçado, até para ela, que Joohyun correspondia seus sentimentos. Como aquela Deusa, que ali dormia serena, correspondia seus sentimentos? Como aquela garota a amava de volta, com tanta intensidade?

 

Era mesmo real?

 

Deitou-se ao lado de Joohyun na grande cama, englobou sua cintura em um aperto carinhoso e começou a distribuir beijos pela área do pescoço, adorando sentir o cheiro da coreana.

 

Amava-a tanto...

 

Joohyun sentiu-se estranha por sentir um par de braços rodeando-a. Era cedo, estava grogue de sono. Os beijos aplicados contra sua nuca lhe alertaram e seu corpo inteiro reagiu ao pânico, ao medo de estar sendo violada outra vez.

 

Afastou-se com um pulo, um grito desesperado, apenas para encontrar olhos castanhos confusos, atordoados e ressentidos. Olhos de gatinho. Kang Seulgi ergueu as mãos no ar, declarando rendição, enquanto buscava alguma explicação física para a reação de Joohyun.

 

Não havia nada além do peito subindo e descendo rápido demais, a respiração ofegante.

 

Então ela se lembrou. — Hyun, desculpa.

 

— Não, tudo bem, Seul — Joohyun lamentou. — Eu que sinto muito por ter te dado esse susto.

 

— A culpa foi minha — Seulgi insistiu envergonhada. — Eu sequer pensei na possibilidade de que isso faria você poderia reagir dessa forma. Eu só queria te acordar com um carinho diferente... Desculpa.

 

O peito de Joohyun apertou-se e imediatamente a adrenalina diminuiu-se para dar espaço à culpa; Seulgi só queria ser carinhosa com ela, acordando-a gentilmente com alguns beijos. Que mal havia?

 

Seulgi percebeu, mas não queria prolongar mais o assunto. Sentia-se, também, culpada. Puxou assunto sobre qualquer coisa que não fosse Joohyun se assustando com seu toque. — Você parece não ter dormido muito.

 

— E não dormi — Joohyun bocejou. — Fiquei acordada pensando algumas coisas...

 

— Sobre nós? — Seulgi encolheu os ombros, tomada por uma repentina insegurança.

 

— Minha mãe sabe sobre nós — Joohyun anunciou sem rodeios. — E sabe também sobre o que Krystal fez. Disse que não vou voltar para Julliard.

 

A estudante de veterinária permaneceu em choque, a insegurança cravada dentro de si, e a vontade crescente de perguntar o que seria delas. Iriam terminar o que nem tinham começado? Era um erro? Sra. Bae tinha as recriminado?

 

— Minha mãe está do nosso lado, Bear — Joohyun esclareceu assim que notou o silêncio incomodo de Seulgi e olhos caídos, nítidos sinais de que Seulgi estava pensativa. — Ela só disse para sermos discretas em relação ao meu pai, mas pareceu muito mais zangada por eu não ter feito nada sobre Krystal Jung.

 

— Tenho certeza de que sua mãe vai mudar de idéia, Hyun — Seulgi tentou soar esperançosa, mas sabia que Sra. Bae era mais rígida do que o patriarca da família. — Sua mãe não pode impedir o seu destino! E o seu destino é brilhar, sabe?

 

Joohyun riu, achando engraçado e fofo aquele comentário de sua quase namorada/melhor amiga, e se deitou ao lado de Seulgi outra vez. — Obrigada por acreditar em mim, Seul. Eu amo você.

 

Aquelas palavras sempre causariam um choque pelo corpo, um arrepio involuntário à Seulgi. Ela se inclinou depressa para capturar os lábios de Joohyun com os seus, não se preocupando com hálito e enfiou as mãos de volta na cintura tão macia e convidativa de Bae Joohyun. Joohyun, por si própria, levou as mãos até o rosto de Seulgi e o puxou para si como se sua vida dependesse de suas bocas se tocando.

 

Uma explosão de química outra vez.

 

Seulgi estava puxando o lábio inferior da pianista entre seus dentes, chupando-o de leve, e explorando sua boca com a língua afoita. Queria mais. Joohyun era a única tentando desacelerar o ritmo do beijo e dos toques, que já estavam avançando à ameaça de mãos pouco inocentes e mentes poluídas por um desejo reprimido.

 

A maior já estava pensando em puxar o corpo de Joohyun contra seu colo enquanto despia sua camiseta, ansiosa para tocar os seios da garota. Estavam deitadas, lado a lado, e para Seulgi parecia que estavam distantes demais.

 

Queria que seus corpos ocupassem apenas um espaço, mesmo que soubesse que era fisicamente impossível.

 

— Seulgi...

 

— Desculpa, Hyun — Seulgi envergonhou-se por seus olhares indiscretos, que levavam até os seios de Joohyun. Mamilos rijos marcados pelo fino tecido do pijama, que não faziam um bom trabalho em cobrir o corpo da pianista. — Eu me empolguei.

 

— Eu vi — Joohyun riu, corando um pouco pela atitude da garota.

 

— Não é como se você também não tivesse se empolgado...

 

Os olhos de Seulgi escorregaram, momentaneamente, pelos mamilos que marcavam no pijama. Excitados. Joohyun notou a atitude, mas deixou que Seulgi lhe olhasse. Era bom saber que Seulgi a desejava, era bom que Seulgi soubesse o que causava em si. Seu dedo indicador deslizou pelos lábios de Seulgi, chamando-lhe a atenção, e seus olhos se encontraram com desejo.

 

— Eu quero tanto você, Joohyun...

 

A frase morreu, nunca terminou. Joohyun fechou os olhos, aproveitando o quanto podia. Poderia se entregar a Seulgi? Queria muito, mas sentia vergonha. Queria que nunca tivesse sido tão ingênua sobre Krystal Jung, queria nunca ter sido abusada.

 

Seugli era para ser sua primeira.

 

— Como você mesma disse, vamos com calma — Joohyun tentou. — Na hora certa nós vamos fazer isso.

 

E levantou-se da cama com a promessa de que iria escovar os dentes e trocar de roupa, tentando não mais provocar a atenção de Seulgi. Seulgi, em contrapartida, encolheu-se na cama e murchou sua excitação. Estava cada vez mais difícil resistir á Joohyun e só fazia dois dias que elas estavam naquela relação. Deveria pedi-la em namoro? Deveria comprar um anel? Deveria levantar os olhos e nunca olhar para Joohyun do pescoço para baixo?

 

Deixou com que a cabeça batesse contra o travesseiro outra vez, um suspiro desesperado escapando-lhe dos lábios.

 

Joohyun gostava dela, mas era muito cedo para pedi-la em namoro?

Era muito cedo para ter todo aquele desejo desflorando?

Era certo sentir o coração relaxar ao saber que Sra. Bae queria proibir a filha de voltar para sua faculdade no exterior? Por um lado, queria o crescimento de Joohyun e que a garota realizasse todos os seus sonhos, mas por outro queria ser egoísta e tê-la todos os dias.

 

Queria Joohyun todos os dias. Na cama, no sofá, no banheiro, na cozinha, no quarto. O tempo todo. Com ela, dentro dela.

 

Joohyun apareceu no quarto outra vez, usando short curto e um sweater felpudo. Inocente, no mínimo, mas os olhos se agarraram nas pernas desnudas e o coração acelerou.

 

Era tarde para puxá-la para cama para mais um amasso?

 


Notas Finais


Então vocês estão vendo uma Seulgi que quer dar o próximo passo e uma Joohyun... Receosa. Medrosa. Marcada.
Interessante, mas vocês sabem o que vai acabar acontecendo em algum capítulo que está por vir...

GENTE, EU PRECISO DE AJUDA! ESCRITORES DE PLANTÃO, ENTREM EM CONTATO!
Acho que é só isso que eu tenho pra dizer?? Amo vocês, mamo vocês e STAN LOONA!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...