História Sonata do Luar - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Originais, Romance, Yaoi
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Palavras 6.331
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Lírica, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Que nome de capítulo sugestivo hein, garanto que a espera de 1 mês (certinho) compensou, esse aqui tem bastante conteúdo pra quem acompanha :3

Capítulo 7 - Antes da Tempestade


Metáforas não seriam necessárias para ocultar seu atual estado. A noite era uma criança, este era um dos poucos pensamentos que ainda fluíam sob os neurônios anestesiados de Felix. Relógios eram apenas distrações ou anzóis para lhe fisgar de volta para a seca realidade, por isso os evitou, apenas para que não se julgasse sobre a quantidade de pílulas que já havia ingerido sem sequer um gole d’água. Joseph era uma pessoa fácil de enganar de certa forma, quando se tratava de arrancar mais alguns medicamentos, bastava uma boa atuação para que pudesse chegar ao pote do ouro no fim do arco-íris, ou mesmo se aproveitar de seu transtorno para isso.

Sempre fora uma pessoa de medir consequências, fossem as próprias ou mesmo as da queda de uma pequena folha seca de outono, o quão grande poderia ser o furacão criado por fatores desprezíveis e não adiantava quantas vezes tentasse amenizar, sempre acabava voltando para a estaca zero, seu erro. Mal havia percebido quando o alarme começou a lhe avisar do horário, apenas se deu conta quando aquele barulho tão repetitivo começou a lhe dor nos nervos. Diferente dos demais dias, estaria muito ocupado em meio ao seu medicamento, ingerindo doses abusivas o suficiente para que não pudesse nem pensar em sua imagem sem órbitas oculares.

Estava se tornando oficialmente uma prévia de ataque de nervos, preocupações haviam se tornado corriqueiras e descartáveis, e odiava ainda mais lembrar da rotina repetitiva que tanto tinha de ser estourada apenas por um descontrole hormonal por sua parte, pelo menos, era o que achava. Se levantou de sua posição largada em sua cadeira em frente à iluminação esbranquiçada de seu computador, com seu vidro de pílulas em mãos, para caminhar pelo apartamento, tendo sua primeira parada a cozinha. Deixara de contar os segundos e minutos enquanto refazia a tão repetitiva rotina, jogando seus cabelos para trás e esquentando a frigideira.

Dificilmente veria um de seus irmãos lhe dando as caras, mesmo que algum estivesse acordado graças ao alarme, a ocasião do dia anterior fora tão alarmante entre si e Maxwell, que um clima de tensão havia sido instaurado. Jogava os poucos fios dourados que ousavam entrar em frente a sua visão para trás, finalizando seu serviço sem esboçar nem mesmo um sorriso, chegando até mesmo a se encostar na parede para continuar com sua reflexão, quase deixando os ovos escurecerem. Seu café não fora nada mais do que os restos que haviam queimado, uma caneca de café, com duas pílulas cortadas e esmagadas com a pressão de seus dedos pálidos e esguios sobre a lâmina prateada de um facão de cozinha, adicionadas na imensidão do amargo grão diluído.

Ligou seu alarme no máximo para dentro de dez minutos, ainda com a caneca de café em suas mãos, adicionando sete despertadores para seus irmãos. Por fim, escreveria com uma caneta azul sobre um post-it e o grudaria neste, a mensagem clara: “Se arrumem e desçam, não quero ouvir de atrasos ou faltas”. Fitou aquele pedaço pardo, mordendo seu lábio inferior e o amassando, para logo em seguida escrever outra mensagem: “Fiz o café, irei ficar fora até mais tarde, deixarei dinheiro para um delivery à noite, caso demore muito”. Rangeu seus dentes e se sentou no sofá, amassando mais um pedaço e o adicionando na lista de bilhetes fracassados... “Ficarei fora até tarde, suas roupas estão prontas sobre o sofá, e o café está sobre a mesa”. Logo em seguida fixou o último escrito sobre o alarme, para marcar um último recado. “Me perdoe Max, amo vocês”.

Virou sua caneca de café, largando-a sobre a mesa e partindo para o banheiro, a base líquida soava bem mais artificial após tantas horas. Jogou água sobre a superfície de seu rosto, sentindo a água gelada tocar sua sensível pele, a casca alva de uma mente a beira do abismo, brincando de equilibrar-se. Observava o conteúdo sair com uma certa dificuldade, removeria com a ajuda de um pano, pestanejando e fazendo algumas caretas de dor ao sentir uma leve pressão sobre as ocultadas marcas roxas. Certamente aquela era a pior forma de se remover qualquer produto, mas a tal altura, que relevância tinha? Apenas se enxaguou sob o chuveiro, olhando para suas mãos trêmulas. Por um breve segundo chegou a perguntar-se... “Será que deveria tomar tantas pílulas? ” Mas, como havia feito até o momento, relevou.

Alguma coisa precisava acontecer, e tinha certeza de que não pisaria naquele colégio, não hoje, não com essa cara. Tateou seu corpo para focar-se em sua dor, enfim, lançou-se nu, rente ao espelho, atuando como mascarar seu desgaste. Seu olhar, cansado e surrado pela vida, os olhos, de tom acinzentado, sem um único fio de cor ou personalidade dentro de si. Sentia-se perdido dentro de uma hipnose estonteante, enquanto tomava alguns analgésicos, para voltar a se mascarar e ocultar a cor púrpura que consumia sua pele.

Vestiu-se com uma camisa branca, acompanhada de sua calça jeans e um tênis casual de tom acinzentado, parando apenas para poder checar se havia deixado tudo nos conformes antes de sair. Recolheu suas chaves e finalmente partiria para a rua. Desta vez teve de gastar um pouco mais de tempo para poder esconder seus hematomas, carinhosamente presenteados por Noah, mas não chegou a ser tão difícil e até fez um ótimo trabalho, pelo menos aos seus olhos. Forçava uma tosse logo ao dar o primeiro passo para fora de seu prédio, evitando se olhar em qualquer reflexo, desde o espelho de seu elevador, até o vidro dos carros que pudessem ser estacionados por perto. Seu destino era o ponto de encontro o de Roxanne, o mesmo beco o qual havia sido espancado, onde esperava a encontrar dentro de algumas horas.

 

-- P.D.V: Riley –

 

Felizmente havia conseguido chegar em casa sem dificuldade alguma na noite anterior, não fazia ideia se Rémi havia reconhecido que estava pelo menos um pouco embriagado, mas tentar descobrir poderia o entregar, então seria melhor ficar em silêncio. Hoje era o grande dia, em pouco tempo no Canadá já havia achado um ponto seguro para si: Um teatro para atuar e seguir com sua carreira, ao menos uma conhecia uma pessoa, mas, por fim, lhe faltava algo, o sentimento de conforto. Na manhã seguinte, não tivera nem um pingo de ressaca, estava bem colocado em seu sofá e por sorte não lhe faltava nada, incluindo a dignidade.

Tirou o cobertor de cima de si e lembrou que também, chegou a ter energia o suficiente para tomar um banho, para tirar o cheiro de álcool de si e se enterrou para descansar. O céu se encontrava nublado e sua distração lhe permitiu quase pisar na cauda de Ammy, que dormia logo abaixo de si, no chão. Fitou as janelas ao seu ponto de vista, perfeitamente brancas devido às nuvens. O chão, tão gelado quanto esperava, suspirou em alívio ao checar novamente as mensagens com Leon, nenhuma notícia. Seu dedo deslizou pela tela em busca daquela que havia lhe feito sorrir mesmo naquele momento de distância do casal.

O fraco sentimento de felicidade logo se distanciaria ao pensar no que havia deixado no Texas, não parecia ser algo vantajoso que deixou de lado, pelo contrário, sentia como se uma corrente que lhe prendia pelo tornozelo tivesse quebrado, mas este era o problema, a corrente. Nunca uma amarra machucou tanto, e isso lhe fez depois de tantas horas, se questionar se havia feito uma decisão correta, até que, quando percebeu, já era tarde demais. Havia trazido sua cruz consigo, apenas ele não conseguia enxergar e foi ali mesmo, de frente para o frio contato entre a ponta de seus dedos o vidro, coberto por uma fina camada da água condensada. Aproveitou tal momento para desenhar ali, um coração, com as iniciais “C+R”.

Deu de costas para aquele símbolo pouco depois de passar a mão sobre este, o limpando e o fazendo desaparecer de vez da janela, indo até o braço do sofá, se abaixando e juntando as palmas de suas mãos, cruzando seus dedos, em seguida se ajoelhando. Precisava de um tempo às sós, não apenas fisicamente, mas espiritualmente falando.

— Ave... — Cortou a si mesmo por um momento, antes mesmo de começar. Pensando no que havia feito até ali, o que havia feito a sua própria mãe... o quanto poderia estar sofrendo pelo o que fez... — Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. — Parou novamente... para pensar. — Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte... Amém. — Respirou fundo. — Eu fiz... por causa de uma maldita sexualidade eu fiz... — Murmurou para si. — Joyce, Wendy... vocês não devem me perdoar pela minha arrogância, sem nem mesmo Deus talvez me perdoe por ela.

— Já faz um tempo que não fala comigo, Riley. — A voz ecoou não apenas dentro de sua mente, mas atrás de si mesmo. Seus olhos amendoados se apertaram, juntamente com suas mãos antes de virar um pouco seu rosto e ver com sua visão periférica, o semblante já quase esquecido. Seus cabelos ondulados descendo até próximo de seu ombro, tão negros quanto seus olhos, seus lábios e finos rosados formavam um sorriso que parecia zombar de si inicialmente.

— Eu sinto tanta falta... — Não derramaria mais lágrimas por aquele rosto, não sairia de sua posição, senão para voltar seu rosto para frente novamente, tocando sua testa em suas mãos. — Eu fiz muitas coisas que não me orgulho nesse pouco tempo de vida que tenho, Bernard, mas dessa vez, sinto como se tivesse passado dos limites.

— Talvez..., mas mesmo com o cara lá em cima nos rejeitando por tanto tempo, você vai se ajoelhar? — Lançava seus dados com ironia, da mesma forma a qual fazia da melhor forma quando desejava provocar alguma reação. Bernard sempre fora de semblante direto, raramente sendo de fraquejar, o que lhe presenteou com um dom que muitos gostariam de ter: Perseverança. Já faziam pelo menos dois minutos que estaria aguardando sua resposta, recebendo nada mais do que silêncio por parte de Riley. — Você até hoje não sabe responder...

— Ajoelhar, rezar, pedir perdão... não... eu nunca soube o porquê disso tudo. — Respirou fundo, permitindo o silêncio atordoador engolir a atmosfera entre ambos novamente. — Eu só faço... — Se levantaria de sua posição, virando-se para a figura que lhe observava. Sua aparência, podia chutar que era ao menos dois anos mais novo que si.

— Isso dói bastante as vezes... ser um fruto da sua imaginação apenas para testar sua própria sanidade em meio a tanto stress. — Respirou fundo antes de ser interrompido pelo tom ríspido formado pelo de olhos amendoados. — Sem nem poder que sinto sua falta sem sentir como se uma foice rasgasse meu pescoço...

— Você não... — Cortou sua própria fala com um suspiro, não gostaria de questionar tal frase, mas sua própria expressão denunciava seus pensamentos. Seus traços se contraíam e seu olhar distante na direção das nuvens esvoaçantes, servindo como um véu para a estrela dourada que insistia em se esconder. Seu pequeno sorriso por rever o rosto familiar se esvaía juntamente com seus argumentos. — O cara lá de cima... as irmãs eram o principal problema.

— Eu não vou negar, elas eram um pé no saco. — Deu uma risada junto com Riley, se aproximando em passos calmos até a direção do mais alto, acariciando sua bochecha com a costa de sua mão. — Você era mais baixo, bem mais baixo. — Deslizou seus orbes negros para a mão que subia até seus fios de mesmo cor. — Não olha pra mim com essa cara, eu te disse para ser forte enquanto estivesse fora.

— Como eu vou ser forte... se o livro que a tanto me dedico me prega e condena como uma abominação, tendo atacado minha mãe de tal forma... largar tudo assim? No fim foi tudo por egoísmo, Bernard. — Percebeu seu dedo indicador ir em direção aos seus lábios, não conseguia sentir nem ao menos calor, quem dirá toque vindo de tal figura. Mas, mesmo assim, se calou.

— O único que pode te julgar é Deus e não as pessoas que seguem apenas um dos milhares de versões existentes do evangelho. — Deu uma breve pausa. — Eu fui julgado e bem... não pareço estar tão mal assim.

— Diz isso porque é minha mente tentando me desviar da realidade. — Disse em tom mais sério, afastando sua mão da ausência de tato ao brincar com os cachos de Bernard.

— E mesmo que isso seja verdade... e daí? — Segurou sua mão antes que desse as costas para si. — Eu me lembro de cada palavra que trocamos, cada coisa que lhe disse... eu posso ser só um fruto de sua mente agora, mas continuo tão vivo quanto qualquer sentimento que sinta por Leon.

— Não se... — Puxou sua mão de volta ao ouvir as últimas palavras enquanto sua expressão antes de tristeza, começara a se deformar novamente, tentando conter o que insistia em querer sair por seus olhos. Chegou a fungar e respirar fundo para tomar sua postura novamente, voltando a levantar seu rosto, ainda de costas para Bernard. — Então se nada disso importa, me diga as palavras que nunca trocamos.

— Riley... — Engoliu seco, permanecendo em sua posição. — Eu não conheço essas palavras.

— Exato. — Voltou a se ajoelhar em sua posição, retornando à sua oração. — Nem eu tive chance de ditá-las...

Após alguns minutos de um silêncio à tumba, Riley preferiu por terminar sua tradição não de forma oral, mantendo-se dentro de seus limites para não acordar Rémi com seus murmúrios. Enquanto terminava de recitar as últimas palavras de suas preces, sua mente se distanciava em sonhos e pesadelos para logo retornar a seu corpo e a realidade que havia moldado sobre si, uma sepultura de argila que se solidificava cada vez mais a cada dia. Acabou por abrir seus olhos quando seu celular ousou alertar-lhe sobre uma nova mensagem, fazendo-o franzir o cenho e revirar seu olhar de mel de volta para a escuridão de sua face, não seria interrompido em seu momento pessoal com o senhor. Quando por fim levantou-se para checar o que havia recebido de novo, leu o clássico...

Mac: “Hoje é o grande dia, começa às 21:00”

Preferiu não responder à mensagem, deixando o celular de lado para sentar-se no sofá, inevitavelmente passando suas pernas por cima de Ammy, que o encarava como se duvidasse de seu semblante. Levou sua mão até sua cabeça, deixando-a a cheirá-la antes de tocá-la, acariciando seu pelo aos poucos, descendo da cabeça até as costas. Enquanto fitava a cadela, apenas pensava nas palavras de Bernard...

 

-- P.D.V Felix –

 

O Magro Duque Branco aguardava ansiosamente a chegada do rosto familiar. Sua íris cinza se mesclava com o ambiente, as latas e caçambas de lixo, receptáculos de sonhos tão esquecidos que nem ao menos tiveram uma boa despedida, isso lhe trazia à tona um questionamento: O quão próximas as pessoas são de sacos de lixo? Piscando em cor alguma com visão privilegiada daquelas que iam e vinham. Talvez só precisasse de uma tarde fora de casa para afastar tais pensamentos, ou as pílulas não estivessem fazendo efeito.

Deveria conter-se e conforme o Sol se mostrava resplandecente percebeu a quantidade que já havia consumido. Sua mente se clareando juntamente com seu próprio beco, enquanto a figura magricela de sua amante secreta se mostrava. O tempo talvez estivesse em um lapso para mal ver tantas horas passarem como se fossem segundos, mas tal fato perceptivo era relevável. Se levantou do espaço que estava, o mesmo o qual havia sentado com a garota no dia anterior para apreciar um pouco de nicotina.

— Te procurei os intervalos inteiros, estava aqui esse tempo todo? — Perguntou adentrando a penumbra enquanto puxava os fones negros de seus ouvidos, além de pausar alguma música que não fora possível de identificar em seu celular.

— Eu não tinha e não tenho nada de interessante para fazer hoje. Mas garanto que ir para aquele lugar não é o melhor passatempo. — O loiro sacudiu os ombros como se fingisse desentendimento. — Falando sério agora, dar as caras por lá depois do que aconteceu com seu irmão, ainda mais na frente de todo mundo... não ia seria legar ser o centro das atenções.

— Você é mais interessante do que eu imaginava, Mäkinen. — Indagou com um sorriso em seu rosto, indo na direção de Felix e lhe dando um soco fraco no ombro, que foi respondido com uma mordida de lábio por parte do mesmo. — Merda, desculpa! Eu tinha esquecido... — Massageou a região de seu braço pelo garoto.

— Não precisa se preocupar com isso agora... eu juro que melhorei, alguns analgésicos e tudo fica resolvido de dedos. — Forçou um sorriso em seu rosto, que não passou despercebido por Rox, que o fitava com uma expressão neutra por um bom tempo, sem sequer responder, deixando o loiro ainda mais desconfortável. — Er... quer almoçar algo? Sabe... antes que seu irmão apareça aqui de novo e... — Dizia coçando sua nuca e desviando seu olhar.

— Ah... é claro! Porque eu recusaria uma oferta dessas, principalmente vindo do cara considerado o mais gato na lista daquelas novatas? — Envolveu o braço de Felix, caminhando para fora do beco, fazendo-o arregalar os olhos com a última afirmação que soava mais como uma direta oculta do que apenas uma piada.

— Espera aí... o que foi que você disse? Estão citando meu nome a rodo e eu mal sou informado de uma coisa dessas? — Cerrou os dentes para não demonstrar um sorriso enquanto apenas seguia o ritmo da garota. — Foi mal, eu não sei muita coisa do que dizem sobre você, mas você foi a primeira pessoa a ser legal comigo daquele colégio e sabe eu...

— Está ficando corado? — Zombou olhando com o canto do olho enquanto guiava Felix pelas ruas de Vancouver, seguindo até ruas ainda não exploradas pelo novato mais “não comunicativo” do Ensino Médio inteiro. — Ah... que nada, vamos dizer que é uma curiosidade que tive de matar.

— Claro que não. — Virou o rosto por um breve momento e puxou Roxanne com tudo para trás no momento em que esta estaria prestes a atravessar a rua. — CARRO! — A mesma quase tropeçara logo em seguida devido ao susto, mas logo se estabilizou com a ajuda de Felix. — Meu Deus, essa foi por pouco...

A garota abafou uma risada. — É.… foi mesmo. — Dizia mais em tom risonho do que realmente preocupado enquanto algumas pessoas ao redor os observavam. — Desculpa, eu me distraí um pouco.

— Não precisa se desculpar... eu meio que fiquei fora de órbita durante um tempo também. — Olharia por um momento para as pessoas ao seu redor, aqueles olhares, julgando... suas cicatrizes estavam cobertas por uma camada do tom de sua pele, mas sempre se sentia nu diante de... um... dois...

— Hey, Felix. — Estalou os dedos diante de seus olhos para chamar sua atenção, fazendo-o focar-se em seus piercings faciais. — Vamos.

Uma das, senão a pior sensação que seus olhos acinzentados e tempestuosos poderiam descrever era de julgamento, mesmo enquanto estava sentado de frente para a garota, ainda sentia o peso de tantos cortes caindo sobre si, fazendo-o até mesmo perder o apetite. Independentemente do que visse no cardápio, parecia ser apenas uma questão de luxo, mas certamente não cometeria o erro de colocar Roxanne em uma posição de desconforto, logo após ter feito tal convite e ter ido tão longe em algo que seria o mesmo que dar o gosto de algo que nem tocaria.

Mesmo enquanto comia continuava a pensar em seus irmãos e em como poderia desfazer o efeito do tapa que havia dado na noite anterior, céus, como se amaldiçoava por ter sido tão impulsivo. Sua mente se perdia cada vez mais enquanto aguardava de dedos cruzados seu prato, fitando suas próprias mãos, segurando ao seu dedo indicador com o polegar e médio da mesma mão, traçando linhas imaginárias sobre a superfície da mesa. Como poderia ter feito um convite tão ambíguo e ainda mais, olhando de certo ponto... estava em um lugar onde jamais havia se visto, de frente com uma garota, sozinho, precisava de algum assunto e soar como um autista enquanto todos ao seu redor pareciam conversar de forma descontraída era algo bem constrangedor.

— Bem Rox... — Havia dito chamando atenção da garota, que havia parado de mexer no próprio celular, aparentemente em algum aplicativo aleatório, apenas para não ficar em uma situação tão constrangedora quanto a que estava prestes a mergulhar. Mas agora o ponto principal, havia engasgado, não sabia como prosseguir, apenas que tinha de agir, então... — O Noah sempre foi daquele jeito?

— Oi? — Como havia sido tão indelicado em apenas uma frase? Essa era uma pergunta a ser respondida para si mesmo e cada vez mais, cavar o próprio buraco não parecia uma má ideia como saída.

— Não, me desculpe, eu quis dizer... — Diria atropelando as próprias palavras, mais um erro para a contagem.

— Ah, o Noah, se você se refere ao gênio forte do cabeça dura? Se teve uma época que não era assim, eu não devo lembrar. Eu tive de resolver umas boas coisas com essa palhaçada extra que ele te rendeu, eu vou cobrar um pedido de desculpas, mas não hoje. — Abrira um leve sorriso. — Minha vez... — Perspicaz, essa era a segunda camada de Roxanne. — Poderia me dizer o que são as suas cicatrizes? — Disse segurando a mão de Felix.

— Bem... — Roxanne sabia jogar sujo, e como sabia. Em questão de segundos, o loiro parecia ter sido jogado contra a parede. — Eu não vou dizer como, e sim o porquê. — Apertou um pouco a mão de Rox, retribuindo o sorriso. — Eu fiz o meu pai ficar bem mais tempo do que o necessário na prisão. — Uma queda de braço persuasiva. — E vocês dois... são muito ligados?

A resposta dada por Felix havia arrancado um esforço da garota para não ficar boquiaberta. — Oh... — Precisava voltar para o jogo, que maldita competição ele estaria fazendo contra si? — Não... ele me acha uma víbora, que vai atrás do que quer a todo custo... já eu... bem... acho que já dei o apelido dele. E bem, como foi que você fez seu pai ficar mais tempo vendo o sol nascer quadrado?

— Eu atuei e disse para o juiz que ele...

— Aqui estão os pratos, gostariam de mais algum acompanhamento? — O garçom os interrompeu deixando os pedidos de cada um diante destes, percebendo que havia chegado em uma hora errada quando os dois pombinhos largaram suas mãos. — Oh...

— Não, obrigada. — Acenaria de forma tímida para o homem que logo a deixava às sós novamente com o loiro.

Dentro de si, Felix sentia-se exposto. Mal havia percebido que lançara cartas tão pessoais, questões tão delicadas que havia feito questão de nunca mais revirar, era como se simplesmente as palavras saltassem de sua boca sem nem mesmo pensar duas vezes. Precisava pensar positivo enquanto voltava a fitar aquele prato de comida, ao menos havia conhecido melhor a garota a qual andava, o que era algo bom, socializar, correto? Mas ao mesmo tempo que tentava se reconfortar com este pensamento, sempre lhe remetia estar andando em uma corda bamba, fadado a escorregar... um... dois...

 

-- P.D.V Roxanne –

 

Conforme posicionava suas peças em seu tabuleiro, ganhando a vantagem em seu próprio jogo e carregando o lado oposto para seus planos, sentia-se empolgada o suficiente para começar a cogitar como seria essa mágica noite. Festa na República, algo que fora tão proibido por seu pai e que se fosse colocado em um bom seriado de comédia, renderia uma bela piada. Ao mesmo tempo avaliava as expressões, gestos e mesmo as pausas do loiro.

Sentia-se um pouco nervosa por misturar a ideia da festa com sua personalidade um tanto peculiar. Ou Felix Mäniken era o calculista mais frio que já vira, ou era a pessoa mais inocente e desesperada por alguma ajuda, para sequer ter demonstrado reação às suas perguntas de motivos altamente questionáveis. Observava seus finos e delicados dedos descerem até o próprio bolso, tomando o que parecia ser uma pílula. Tarja preta, reconhecia bem até de longe, hora do próximo passo.

— Por sinal, hoje irá acontecer uma festa...

 

-- P.D.V Riley –

 

Passara o resto de sua tarde ocupado com atividades dentro de casa, tentando esvaziar sua cabeça do tempo que havia passado pensando em Bernard. Ajudando Rémi a organizar o próprio escritório, que evidentemente não havia recebido atenção a um bom tempo, rendendo alguns puxões de orelha por parte de Riley. Cada minuto parecia um tormento enquanto contava em seu relógio ao fim de cada atividade o tempo restante para o horário determinante da festa, era evidente que estava empolgado, alternando olhares entre as louças sujas e os números que lhe acorrentavam nesse looping insano.

Quando finalmente chegara a hora de partir para seu destino, Riley havia limpado até mesmo a menor mancha de cada canto daquele enorme apartamento, mostrando-se com um potencial assustador para tal tarefa, principalmente enquanto estava em seu estado de ansiedade. Restando trinta minutos para o horário propriamente dito, Rémi finalmente havia saído de sua toca, se deparando com o chão mais brilhante que vira desde que havia comprado aquela monstruosidade de apartamento.

— Céus, Riley Wright, o que você quer com tudo isso? — Disse espantado e simultaneamente admirado pelo trabalho de seu sobrinho, chegando a quase bater palmas, se não estivesse ocupado estranhando tal comportamento envolvendo manias sobre limpeza.

— Vai acontecer uma festa daqui a pouco, desculpa não ter te avisado, eu talvez chegue tarde, mas isso aqui é... — Sua fala corrida logo era cortada no momento em que Rémi levantou a palma de sua mão, indicando que parasse.

— Já entendi a mensagem... eu iria pedir menos, mas tudo bem, pode ir. — Cruzou os braços no momento em que Riley disparou na direção da mala, murmurando e se xingando por algo que não era possível identificar, não por si. — Se for fazer isso para cada vez que quiser autorização para algo, vou acabar mal-acostumado.

— Eu fiquei ansioso a tarde toda e nunca fui de ficar sentado assistindo algo enquanto fico cozinhando bosta na minha cabeça, é bom se distrair às vezes. — Juntou um bolo de roupas e partiu para o banheiro, ouvindo a voz de seu tio novamente.

— ALTO LÁ! Três regras primordiais sobre festas. — Gesticulou com o dedo indicador, iniciando uma contagem. — Regra um: Dê sinal de vida, caso o contrário você irá passar uma vergonha muito grande independentemente do quão limpo esteja esse lugar. — Levantou o dedo médio ao lado do indicador. — Regra dois: Nada de cair bêbado na rua, e por fim... — Ergueu o anelar. — A último, mas, a mais importante... encapa o pau.

— Entendido. — Fechou a porta do banheiro, apenas para abri-la novamente, colocando apenas seu rosto para fora, fitando Rémi de costas, retornando ao seu escritório. — Oi?

 

-- P.D.V Felix –

 

Passaram-se boas horas desde que Roxanne e Felix terminaram sua conversa, e com muita persistência, o loiro acabou por ser puxado para um ambiente onde literalmente tudo e todos eram desconhecidos. Um verdadeiro desafio somado a uma dose de tudo o que havia passado nos últimos tempos, o fizeram considerar algo que nunca imaginou considerar como conselho. Remeteu-se aos seus sonhos envolvendo a versão distorcida de si mesmo, preparando um prato digno de filme de terror. Sua adolescência em breve chegaria ao fim, e já estava carregando-se de responsabilidades pela sua vida inteira, puxando seus familiares nas costas e em nenhum momento. No fim, a conclusão era óbvia, aquela era a noite de jogar tudo para o alto.

Nunca imaginou que um dia pisaria em um campus, muito menos na situação atual. As casas de clássicos tijolos vermelhos, tão hexagonais e altas que chegavam a lembrar-lhe de uma versão amenizada e amadora da arquitetura Vitoriana, principalmente com os detalhes de azul claro que se encontravam nas portas, janelas e derivados, além dos clássicos telhados de um tom de cinza desgastado. Todas pareciam formar uma rua sem saída de puro caos acadêmico, o doce cheiro do álcool se escondendo dentro de cada uma destas, um aroma e vista curiosos, somado aos amplificadores ao máximo, martelando músicas eletrônicas e DJ’s modernos direto em seus tímpanos.

Roxanne parecia bem mais animada com a ideia de se mergulhar na farra, mas ainda assim, se obrigava a seguir seu papel não apenas de guia, como também de bode expiatório e chamariz, caso qualquer ameaça identificada como “Noah Morgan” acabasse por dar as caras no mesmo cômodo que ambos. Olhando de seu próprio ponto de vista técnico, isso é uma receita para o caos, contudo, recuar não era uma opção. Fora puxado através da rua sem saída até a quarta casa, e se achava que a música estava muito alta do lado de fora, acabava por se surpreender com a quantidade de pessoas que se encontravam em um único lugar, tão apertado ainda por cima. Sua atenção se voltava direto pelo corredor que discorria entre vários outros cômodos, embora os que estivessem a sua vista fossem apenas uma sala de reunião e uma sala de estar, além, da escada neste mesmo, que levava a um segundo andar com uma espécie de sacada de visão privilegiada dos adolescentes que em breve estariam no chão.

— Sabe... eu não acho que seja uma boa ideia, já está um pouco tarde para mim! — Tinha de gritar para que seu tom de voz soasse no mínimo audível para a garota que o guiava até a sala de estar, onde haviam diversas poltronas e cadeiras de plástico em torno de uma mesa de centro, repleta de bebidas já abertas. — Oh...

— Felix! Só aproveita! Isso aqui não vai mais acontecer por um boooom tempo! — Roxanne se aproximou da mesa, recolhendo uma das garrafas e indo até o canto do cômodo, recolhendo de um saco quase do tamanho de uma pessoa, dois copos de plástico, tom vermelho e descartáveis. — Você bebe?!

— Bem... — Mal teve tempo de responder, pois teve metade de seu copo preenchido pelo o que parecia ser vodka, dada a garrafa, provavelmente uma comprada em alguma loja de conveniências, barata. E já havia ouvido falar muito sobre bebidas baratas. — Eu acho que sim.

— Comigo! Acima! — Levou o copo até acima de sua cabeça, vendo o finlandês a imitar, repetindo as palavras ditas por Rox para não sair do ritmo. — Abajo! — Direcionou o copo para a altura de sua cintura. — Al cientro! — Aproximou seu copo da altura de sua boca. — AL DIENTRO! — Começou a virar o copo juntamente com Felix.

Havia repetido cada movimento e gritado as mesmas palavras que sua amiga, mas quando finalmente chegara no centro... o cheiro daquele drink era para poucos e quando deu o primeiro gole sentiu toda a sua garganta queimar, sentindo uma forte ânsia de vomito apenas por continuar virando aquele mesmo copo. Queria ao menos parecer mais descolado perto de alguém que parecia tentar lhe guiar para o mundo social, e ali, não havia brecha para questionamentos. Assim que tirou o copo de perto de sua boca, tossiu forçando o fundo de sua garganta, ficando com seus olhos lacrimejando e vendo a mesma se distanciar de si, para seguir até um grupo entrar na casa com um “bong” de maconha em tons arco íris.

— Estou fodido... — Era a única coisa que se passava pela sua cabeça naquele exato momento.

 

-- P.D.V Riley –

 

Havia passado os últimos trinta minutos na cozinha junto com mais uma série de estudantes que mal conhecia e o famigerado anfitrião de toda a fanfarra, Noah Morgan, em uma competição contra um aparente outro repetente, e como já esperava, todos ali iriam anunciar tal disputa com fervor alcoólico explodindo em seus peitos. Havia bebido apenas alguns copos de ponche que estava sendo servido apenas na cozinha, juntamente com uma série de salgadinhos em pacotes extragrande que haviam sido escolhidos na noite anterior.

— CONFRONTO DE REPETENTES! — Tudo era anunciado por um aluno de semblante franzino, de rosto quase completamente tomado por espinhas e cabelos espetados para o alto. A noite mal havia começado e este mesmo anunciador já estava com argolas de neon em torno do pescoço e pulsos. — DE UM LADO NOSSO QUERIDO ORGANIZADOR DA PORRA TODA... GRANDE ESPORTISTA OLÍMPICO...

— Cala a boca seu débil, e começa... só anuncia. — Disse Noah já demonstrando uma certa falta de equilíbrio. Estava de frente para cinco copos de bebidas variadas que apenas alguns sabiam a ordem exata, mas independentemente do que fosse escolhido de cara, não seria nada bom. — JÁ CHEGA! EU ANUNCIO! — Pausou por um tempo, encarando seu oponente como se o destruísse apenas com seu olhar. — Três... dois... um...

Quando os copos começaram a ser virados, Riley apenas deu de costas e contou no cronômetro de seu celular o tempo até que pudesse ouvir o som de um corpo caindo contra o chão. Diferente do que esperava, o barulho veio mais rápido do que pensava, os gritos de “VIRA! VIRA! VIRA” foram precedidos dos de comemorações, até que ao se virar se deparou com o rosto de seu amigo quase beijando seus sapatos.

— Meus parabéns... você conseguiu ficar em primeiro. — Disse o de olhos cor de mel revirando os olhos e deixando seu copo de lado para ajudar o mais velho a se levantar, após colocar seu celular de volta em seu bolso. — Dezenove, ponto sete segundos, você deve ter um buraco neg... — Se jogou um pouco para trás no momento em que colocou Noah apoiado em seu ombro, vendo uma onda de vômito passar bem pela sua frente.

— Eu não tô bem... — Resmungou tentando apoiar-se na parede ao mesmo tempo que Riley começou a força-la a caminhar até o banheiro, onde quase esmurrou a porta ao perceber que estava trancada por algum motivo, o que obrigou ambos a irem até o segundo andar em busca do santuário dos bêbados.

 

-- P.D.V Narrador –

 

Felix já estava cansado de correr atrás de Roxanne, que parecia ficar cada vez mais agressiva à nível exponencial conforme os “drinks” misturados, eram substituídos por copos maiores e mais álcool. Não seria atoa que no momento em que começaria a passar mal, começasse a chutar portas aleatórias em busca de algo que fosse realmente um banheiro. Nada podia fazer senão observar toda a cena de longe, pois toda ajuda que tentavam lhe dar era retribuída com tapas, o que demonstrava que esta ao menos, não sabia nenhuma arte marcial.

Se surpreendera consigo mesmo, como até aquele momento não havia tido uma crise. Talvez fossem os efeitos dos medicamentos do resto do dia deixando um rastro para trás, o que seria no mínimo útil, mas esta era apenas uma teoria e diferente do que imaginava, toda aquela festa parecia bem menos interessante do que imaginava e o máximo que podia fazer era bebericar das bebidas horríveis que encontrava para ao menos ficar mais próximo e entender o porquê de todos acharem isso tão divertido.

Contudo, fora inevitável se desesperar quando esta partiu desesperada escada acima, tropeçando diversas vezes. De escoltado, havia se tornado a escolta, e novamente partiu atrás de Roxanne, que havia chegado ao segundo andar antes de si. A música neste parecia um tanto mais abafada e a quantidade de pessoas presentes ali era bem menor se comparado com o primeiro, ou seja, o mais próximo que teria de paz naquela noite seria enquanto a lutadora bêbada de MMA estivesse ocupada no final do corredor, vomitando.

Infelizmente para si, a mesma resolveu se meter em confusão com um garoto alto que parecia guardar o banheiro e apenas pediu calma enquanto segurava ambas as mãos desta para que não fosse golpeado. Após algum tempo, este parecia ter perdido a paciência e abriu passagem para logo em seguida fechar a porta do banheiro e se apoiar na parede com uma expressão nítida de decepção em seu rosto.

Felix no mesmo momento em que vira Roxanne perdendo o controle, correu desesperado para separá-la, parando com a respiração a alguns metros do garoto que já havia se livrado do problema.

— Me desculpe... ela... passou um pouco dos limites... estou tentando segurá-la a festa inteira. — Retomou seu fôlego a tempo de perceber que havia derrubado seu copo nas escadas enquanto partia ao resgate da Morgan. — Droga...

Riley passou um bom tempo fitando o garoto que acabara que aparecer diante de si, com a situação fora de controle, não por sua decepção como no resto da noite, mas, por outro detalhe. Seus fios loiros, se aproximando de uma coloração tão clara... algo perfeitamente desenhado, traço a traço, descendo por sua expressão delicada de pele macia do tom de um floco de neve... seus orbes brilhantes em esmeralda quase hipnotizantes, o que lhe dava um certo contraste com seus lábios rosados que ainda permaneciam abertos devido ao tempo em eu permaneceu correndo. Não se atreveria a descer seu olhar para avaliar seu corpo, pois quando percebeu, já estava quase o engolindo com os olhos.

— Ah... er... cof cof... — Riley retomou sua atenção, desviando o olhar e coçando a própria nuca. — Correndo pela casa toda atrás de uma bêbada igual à Roxanne... espera, você é o tal amigo que ela disse que ia trazer?

— Bem... sim, eu acho, embora eu só tenha sido convidado mesmo hoje à tarde. Ela realmente falou de mim... céus... estou ficando com medo de até onde isso vai. Espera, você conhece ela?

— Não, não, ela só disse que iria convidar alguém, nem citou o nome. Conheço ela e o irmão, amigo de infância, digamos assim...

— Entendi... — Felix passou um bom tempo olhando aquela figura da cabeça aos pés. Os cabelos um pouco ondulados de tom castanho, olhos amendoados e volta e meia suas esmeraldas iam de encontro com os orbes de mel daquele garoto alguns centímetros mais alto que si, em uma camisa xadrez flanela, jeans um tanto desgastado e botas de couro pretas.

— Prazer, Riley. — Repentinamente estendeu sua mão para o loiro, que não podia dar outra resposta senão se apresentar, embora suas suspeitas sobre quaisquer amigos dos Morgan pudessem acabar gerando problemas para si.

Apertou a mão do de olhos cor de mel, um aperto firme por parte do outro, que logo se afrouxou. — Felix.


Notas Finais


FINALMENTE!!! NÃO?


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