História Soneto Proibido - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor Proibido, Aristocracia, Barroco, Bissexual, Boyxboy, Gay, Gay Couple, Old And Young, Romance Proibido
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Palavras 3.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Lemon, LGBT, Lírica, Poesias, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, galera! Vão desculpando minha demora, estou em semanas turbulentas no colégio (lê-se local de trabalho escravo), mas estou me esforçando ao máximo para deixar a escrita em dia.
Quero agradecer aos comentários do capítulo anterior e reforçar o quanto que me motiva. A opinião de vocês sempre será bem-vinda.
Boa leitura!

Capítulo 12 - XII - Quem você pensa que eu sou?


Vômito. Vômito. Mais vômito. 

Eu realmente não sabia em que lugar maldito minha cabeça estava quando eu decidi chamar esse bebum para sair. Era verdade que ele ficava com a língua solta quando bebia e era exatamente isso que eu precisava, mas eu não imaginei que teria que lidar com o ônus de toda a manifestação negativa do seu organismo. 

— Merda, Juca. Há quanto tempo você não bebe? – Perguntei, só que a única resposta que obtive foi mais ruído de refluxo. 

Tinha que admitir que estava começando a temer que o Joaquim estivesse tendo uma infecção. Já havia lido em um livro que isso poderia acontecer com o consumo excessivo de bebida alcoólica. No entanto, ele nem tinha bebido muito. 

7 garrafas de cerveja em duas horas, talvez?  

Tudo isso porque eu tinha prometido que, se ele viesse comigo para o centro da cidade hoje à noite, ele iria conseguir o que tanto queria. Isso significava minha boca em torno do seu pênis. E não, ele não era meu parceiro ou vivia a sua simpatia com pessoas do mesmo sexo livremente. Ele só deixava subentendido de uma forma explícita para quem sabia como essas coisas funcionavam, e segura o suficiente para que quem não sabia não conseguisse entender. 

Claramente, eu sabia. Mas de maneira nenhuma ele ia conseguir isso de mim. A ideia era realmente embebedá-lo até que ele quisesse colocar seus miolos para fora. Só que não na minha frente. 

— Podemos ir? – Questionei, notando que ele havia dado uma pausa na sequência de vômitos. Lentamente, quase de maneira imperceptível, ele assentiu em concordância. 

Saímos da praça e caminhamos de volta para a fazenda em silêncio. Eu não podia parar de pensar no tanto de informações que Joaquim havia despejado em cima de mim com toda a sua bebedeira. Ele era filho de uma das criadas do duque e bastante próximo ao senhor João, o que me fez deduzir que ele sabia de algumas coisas que provavelmente comprometeriam o sr. César.  

Eu estava certo. 

O real motivo para o duque estar vendendo a fazenda ia muito além da ambição dele com os negócios na capital. Joaquim disse que houve um caso anos atrás que envolveu assassinato para a aquisição das terras que o sr. César agora estava se livrando. Ele havia enxergado uma ameaça com a volta de... 

Senti um aperto no meu braço e, quando me virei para olhar, vi um punho fechado em torno do meu membro superior esquerdo. Cambaleando e tentando se equilibrar nos próprios pés, Joaquim estava a poucos centímetros de mim, tentando se aproximar ainda mais. Recuei e me livrei fácil de seu aperto. 

— Vai fugir, Thomas? Eu sei que ocê compartilha do mesmo que os homens das casas secretas. – Provocou.  

Decidindo que a melhor opção era fingir demência, eu o olhei com a expressão mais chocada que consegui encenar. Ele ousou cruzar o curto espaço entre nós, mas eu não perdi tempo. 

— Você está muito bêbado. Jesus, mal sabe o que está falando. Vem comigo, vou te ajudar a chegar em casa. – Falei, tentando transmitir a plenitude que não estava em mim naquele momento. 

Eu fiz menção de colocar o braço em volta das suas costas, visando apoiá-lo para que pudesse andar mais rapidamente até a fazenda. Ele até permitiu que eu me aproximasse, mas antes que eu completasse a ação, um sorriso sarcástico e sujo formou-se em seus lábios, fazendo com que eu chegasse a conclusão de que teria que fazer jejum de dois dias para meu santo se eu conseguisse sair dessa sem ficar marrado no toco. 

— Admita, Thomas. Ocê me deixou lhe tocar a noite toda. Que mal tem em fazer isso de maneira mais... secreta? – Suas palavras soaram como ácido prestes a derreter e fazer sangrar meus tímpanos. Engoli em seco. 

Santo Antônio, eu já saí de situações piores.  

São Cosme e Damião, cala a boca desse beberrão.  

Continuando com o plano de me fazer de desentendido, eu passei o braço em suas costas e comecei a andar. Ele era pesado e parecia estar adorando inclinar-se para meu lado, me fazendo cansar mais rápido. Se o plano dele era me deixar sem fôlego para reagir a qualquer investida sua, ele poderia arrumar outro. Fiz o caminho em tempo recorde, ainda que estivesse ciente de cada segundo ao lado daquele homem másculo e pesado do meu lado.  

Quando cruzamos a fazenda e eu perdi de relance o equilíbrio, ele tentou avançar sobre os meus lábios. Institivamente, virei o rosto para o lado e o soltei. Ele quase caiu. 

— Qual o seu problema? – O idiota ainda teve coragem de questionar. 

— O problema quem está criando é você. – Acusei e olhei para os lados antes de acrescentar — Siga seu caminho. Adorei a noite de conversa, meu amigo.  

Sua expressão foi cômica. Com os olhos levemente arregalados em incredulidade e embaçados por conta de toda o álcool, ele se embolou nas palavras até que conseguiu dizer: 

— Ocê num vai me acompanhar inté lá?  

Inevitavelmente eu comecei a rir. Era muito engraçado ver um marmanjo alto e forte como ele... Carente?  

Por Deus, aquilo era pateticamente hilário. 

Ele pareceu se irritar com o fato de eu estar rindo, pois tudo que fez foi me amaldiçoar através de um resmungo e me dar as costas sem se despedir, indo até sua casa. Eu fiz o mesmo. Estava louco por um banho e o conforto das minhas cobertas. 

Mas como nunca nada era só alegrias para mim, assim que pus os pés em casa, encontrei minha mãe sentada na cadeira da sala com os olhos fechados. Havia uma vela acesa em cima da mesa e a figura da Nossa Senhora Aparecida logo atrás. Ela só ficava ali à noite quando meu pai estava na rua. Mais especificamente, em um bar. Logo depois, ele chegava e acabava com toda a calmaria daquele momento. 

Reprimindo um suspiro de cansaço só pela ideia de ter que aturá-lo, eu tentei a todo custo não fazer barulho e conseguir ir para o quarto sem ser notado. Não funcionou. 

— Thomas, por que chegou tão tarde? – A voz doce e comedida de minha mãe preencheu todo o ambiente.  

— Estava na praça. Avisei ao pai. – Respondi e, como ela não disse mais nada, eu avancei para o quarto.  

Não demorou nem dois minutos para que eu ouvisse meu nome ser chamado novamente. Eu estava desabotoando a camisa, porém deixei o trabalho por fazer, indo logo saber o que D. Aurora queria comigo. 

— Sim, mamãe?  

— Seu pai deve estar chegando. Se apresse para dormir antes que ele venha e invente uma desculpa para brigar. – Ela disse, seu tom demonstrando zelo. Apenas assenti e voltei para o quarto. 

Desfiz logo os botões da camisa e andei a passos largos até o banheiro, onde me limpei bem. Quando caminhei de volta ao meu quarto, eu ouvi a voz do meu pai e meu coração disparou. Eu ainda estava despido, então busquei atordoadamente vestes limpas em meu armário. Quando vesti a parte inferior, ouvi passos no curtíssimo corredor. Ergui os braços, coloquei a camisa e deitei debaixo das cobertas o mais rápido que pude, meu coração batendo rápido no peito e falhando uma batida quando seus pés se aproximaram da porta fechada no meu quarto. 

Nada aconteceu. Ele nem sequer entrou para espiar. 

Com o coração começando a regularizar suas batidas em meu peito, eu me odiei por temê-lo daquela maneira. Mesmo que eu tivesse pedido permissão para sair, me assustava a ideia de que ele fosse criar uma tempestade de uma hora para a outra. Inúmeras vezes isso já tinha acontecido, portanto, toda noite que ele saía poderia ser mais uma noite para a lista. 

Fechei os olhos, mas não estava com sono. Tudo que me vinha na cabeça era o dia seguinte, o momento em que eu poderia contar tudo que eu tinha descoberto para Lucca. Cada vez eu gostava mais de passar algumas horas do dia com ele e, sempre que terminava, eu queria mais. Eu não controlava a invasão dele nos meus pensamentos. Era uma coisa estranha. Até uma rua deserta me lembrava dele. 

Desde que o barão tinha me falado sobre suas suspeitas a respeito do duque e mostrou interesse em investigá-lo, eu passei a enxergá-lo de uma forma distinta. Eu não era capaz de explicar, contudo eu sentia que algo havia mudado. O fato de ele confiar em mim depois de tudo que aconteceu também contava muito. Lucca estava mais simpático e eu sabia que isso era consequência do estabelecimento de uma relação amigável, no entanto, eu permanecia não o vendo apenas daquela forma. Não sabia se era possível, mas tudo indicava que eu estava ainda mais atraído por ele.  

Me encantava que ele não fosse igual a todos os outros nobres arrogantes. Ele estava interessado nas mazelas sociais. Ele queria desmascarar o duque! Isso era tão irreal e tão distante da imagem que eu sempre tive dos homens ricos e poderosos. Honestamente, eu sentia uma faísca de orgulho por saber que ele era diferente. E, se ele estava me incluindo em suas missões, era sinal de que, além de confiança, ele depositava algum tipo de boa expectativa em mim. E isso era tudo o que eu não tinha com minha própria família: expectativa. Meus pais não criavam esperança em mim. Acreditavam que eu tinha nascido apenas para servir. Eu discordava veementemente disso. 

Quando veio à tona que provavelmente Lucca ficaria curioso para saber quem era o homem que César temia e provavelmente satisfeito pela minha descoberta, meu peito se aqueceu. Não era a primeira vez que eu sentia um conforto estranho me embalando. A última vez tinha sido no armazém do Seu Durval, quando o barão havia me defendido com todo o seu tom de voz firme e masculino. Inicialmente, eu tinha ficado estático, para logo depois me sentir cuidado. E eu malditamente gostava disso. 

Antes que eu dormisse feliz, porém, o som de algo se quebrando ressoou. A voz alta de meu pai em contraste com a doce e tristonha voz da minha mãe invadiu meus ouvidos. 

Eu desejei sumir. Ou me sentir protegido mais uma vez. Mas como não tinha como obter nada do que desejava no momento, eu peguei um caderno em uma gaveta da cômoda e uma caneta. Me refugiei na escrita até o barulho interno e externo cessar. 

 

°°° 

Às 9h30min eu estava no estábulo, à espera do barão. Normalmente, era nesse horário que ele aparecia, um pouco mais cedo, embora. Me perguntei o que poderia tê-lo feito se atrasar. 

Para não ficar parado, comecei a dar a comida dos cavalos e, quando dei por mim, uma hora completa havia passado. Fiquei realmente preocupado, sem saber o que havia acontecido com Lucca. Ele nunca faltava as nossas aulas sem mandar um aviso prévio. 

Decidido a obter respostas logo para o que estava me incomodando, me encaminhei até a entrada do estábulo, mas não precisei completar toda a rota. O barão apareceu em minha frente como se tivesse sido materializado através de uma fantasia minha. Ele utilizava um conjunto completo de terno e calça cinza, além de estar com o cabelo perfeitamente alinhado e penteado. Como se não fosse o bastante, ainda havia a colônia que perfumou todo o espaço, me fazendo inspirar mais fundo por um instante, buscando institivamente ainda mais do seu cheiro.  

Percebendo meu olhar e minha atual postura de um completo bobalhão, ele limpou a garganta antes de mover aqueles lábios macios e anunciar: 

— Vim me despedir.  

Suas palavras demoraram um pouco para penetrar em minha mente, de modo que quando o fez, eu recuei dois passos com uma expressão de confusão no rosto. 

— C-como a-assim s-se despedir? Achei que ainda tínhamos o que conversar a respeito do... 

— Pensou errado. – Me cortou. E foi aí que eu percebi que algo estava errado.  

Como se estivesse despertando de um transe, eu parei para observá-lo para além de sua beleza física. Observei cada linha expressiva e notei que ele parecia um pouco carrancudo, além de que, em sua mão, havia uma faixa. O que tinha sido aquele machucado? Fiquei com um pé atrás. 

— Está tudo bem, Lucca? – Perguntei quase em um sussurro.  

— Sim. – Limitou-se ao responder. 

Não me convenceu. 

— Bom, eu não sabia que o senhor... – Eu o fitei e seu rosto permaneceu sério, então eu decidi corrigir, buscando alguma reação sua. — ... não sabia que você partiria hoje. Foi de última hora essa decisão, não é?  

— Sim. – Respondeu com a mesma expressão fria. Eu não estava gostando nem um pouco disso.  

O silêncio se instalou e eu notei que ele estava extremamente incomodado com alguma coisa. Ele parecia querer falar, só que não dava indícios de saber como começar. Dei-lhe espaço, mas quando nada aconteceu, resolvi que eu cortaria aquela mudez. 

— Sobre o nosso trato... 

— Esqueça-o. – Disse firme. 

Aquilo me irritou.  

— Por que eu deveria? – Perguntei. 

— Porque não lhe diz respeito mais. 

Que raios estava acontecendo ali, afinal? Ele tinha acordado de cabeça para baixo por algum acaso?  

— Mas eu consegui uma informação ontem. – Insisti. — Consegui com um amigo. 

— Oh, eu imagino. – Sua voz era puro sarcasmo. — Como você conseguiu? Seduzindo-o? 

Como? 

— Como é que é?! – Meus olhos se arregalaram. Eu não estava entendendo absolutamente nada de todo aquele espetáculo solo que Lucca estava executando. 

— Ah, você não sabe, Thomas? – Ele perguntou e deu um passo à frente, sua irritação com causa desconhecida se fazendo presente através da dureza da sua mandíbula. 

— Não. Eu não sei de absolutamente nada que você está falando! – Gritei, sentindo os meus próprios nervos transbordarem. Isso pareceu chateá-lo ainda mais. 

Bem, que se dane. 

— Então permita-me lembrá-lo, infeliz. – Ele disse e, no segundo seguinte, meus lábios foram tomados pelos seus.  

Insano? 

Delirante? 

Invasiva era uma palavra que descrevia a maneira como ele me beijava. Sem delicadeza nenhuma, sua boca pressionou tão forte contra a minha que tudo que eu consegui foi um gemido sem fôlego, enquanto a mão direita do barão apertava minha nuca, trazendo meu corpo mais perto do seu. Eu estava perplexo e atordoado, sem saber o que fazer de um segundo para outro. Em um movimento quase desesperado por ar, meus lábios se abriram e ele não perdeu tempo em me invadir com sua língua. Meu corpo todo tremeu quando nossas línguas se tocaram e eu quase caí quando ele sugou a minha com a sua. Parecendo notar meu estado, ele apertou a mão esquerda na minha cintura como um selvagem e eu decidi finalmente sair do ponto estático para beijá-lo de volta com toda a irritação que ele estava pressionando contra mim. Quando eu inverti os papéis e suguei sua língua, Lucca soltou um gemido que reverberou em sua garganta. Foi tudo o que precisei para voltar a realidade antes que cedesse àquele impulso de uma só vez. 

Mordendo seu lábio inferior para parar o beijo, já que ele se recusava a me soltar, eu puxei minha boca da sua em um estalo erótico que só serviu para me deixar incrivelmente rígido. Ele não podia perceber isso, por favor.  

— Nós n-não podemos fazer isso. – Falei com a voz alterada, buscando por ar. 

Rapidamente ele tirou suas mãos de mim e pareceu ainda mais irritado. Então, como se fosse aquele momento ali ou nunca mais, ele cuspiu: 

— Mas com o maldito homem da praça você pode, certo? 

E então a compreensão chegou como um balde de água fria. Um choque. Lucca, de algum modo, me viu com o Joaquim. Quando, eu não fazia ideia. Queria dizer que ele estava fazendo conclusões precipitadas, mas antes disso, uma verdade caiu em compreensão da minha parte: O barão estava agindo por ciúmes. Isso era inacreditável! Eu não sabia se ficava contente ou ainda mais nervoso. Antes de decidir, resolvi tentar explicar-lhe em primeiro lugar. 

— Não é nada disso que você está pensando, barão. O Joaquim é só meu amigo. Eu consegui as informações com ele. 

— Sim. E imagino que, como recompensa, você o seduziu, certo? Ou melhor, você concretizou as fantasias dele. É assim que você age, não é, Thomas? Você confunde a cabeça de todos eles, assim como fez comigo, não é? Eu sou apenas mais um da lista para você obter o que quer... 

De um segundo para outro, eu não consegui entender porque a tristeza tinha se instalado. Ou porque havia uma pontada de dor no meu peito. Tudo o que consegui, com um nó na garganta, foram três palavras. 

— Cale a boca! – Gritei, magoado. Eu não podia acreditar que era essa a concepção que ele tinha de mim. Eu não podia permitir que ele continuasse me ofendendo daquela forma. Eu não era a porra de um interesseiro. 

— Quem você pensa que sou para me gritar? – Rebateu, furioso. 

— Eu achava, com base nos últimos dias, que você era um homem diferente. Pensava que você era um homem bom, sensato e que pensava nas pessoas. – Bradei. — Mas agora eu penso que você é como todos os outros nobres. No fundo, são vazios, ocos e só associam qualquer coisa a dinheiro. Pois saiba que eu nunca quis nada seu! E hoje, eu realmente não quero nada que venha de você, inclusive sua boca, porque você é um imbecil! – Lucca emudeceu. Havia choque em sua expressão. A fúria despareceu como uma fumaça breve e seu rosto assumiu uma aparência triste. Se é que isso era verdade. — Para mim, barão, você acaba de se tornar a minha maior decepção e, se eu pudesse voltar atrás, eu nunca mais olharia na sua cara ou falaria com você. Porque eu penso que você é um imbecil. – Dei ênfase na última palavra e senti o ar faltar quando concluí. 

Eu estava muito perto de chorar. E eu não iria, de jeito nenhum! Não na frente dele. 
Um silêncio esmagador se fez presente e, antes que eu cedesse às minhas emoções, eu puxei um papel do meu bolso com o poema que eu tinha escrito para ele no dia anterior. Segurei e, quando dei um passo para bater com o papel em seu peito, nossos olhares se chocaram e... 

Lucca estava chorando. 

O nó ficou cada vez mais insuportável e eu consegui dizer antes de minha voz falhar: 

— Pode me despedir, se quiser. Eu prefiro viver uma vida miserável do que ter que conviver com você de novo. – Mentira! Era tudo mentira, mas eu precisava fazer com que ele sentisse a mesma dor que eu inexplicavelmente estava sentindo. — Mas se não o fizer, não vou lhe causar problemas, não é preciso se preocupar. O motivo da minha desgraça, que é justamente a minha língua, irá se manter devidamente em minha boca cada vez que eu o ver. Boa viagem, barão. 

Com isso, eu vi o exato instante em que ele abriu o papel que continha poema e andei para longe, deixando as lágrimas caírem quando estava de costas para ele. O aperto no peito se intensificou e eu achei que fosse desmaiar quando sua voz ecoou fraca: 

— Tom... – Ele chamou. 

Mas eu não voltei nem olhei para trás. 

Era a primeira vez que eu me sentia tão, tão... Como que explica isso? Desolado. Era uma sensação insuportável, esmagadora. Tive vontade de sumir. 

Todavia, infelizmente, eu teria que aguentá-la por mais tempo do que conseguia prever naquela manhã horrível. 


Notas Finais


PEGOU FOGO
HAHAHAHAH
Beijos e até a próxima!


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