História Sonetos - Capítulo 8


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Categorias Stray Kids
Personagens Lee Felix, Seo Chang-bin
Tags Changbin, Changlix, Felix, Side Misung, Stray Kids
Visualizações 729
Palavras 4.067
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente: estamos entrando na reta final de Sonetos (snif snif);
Segundamente: escrevi esse capítulo ao som da Jessie Ware - Say You Love Me;
Terceiramente: quanto ao final desse capítulo deixo claro que eu sou PÉSSIMA, HORRÍVEL, UM LIXO, com esse tipo de coisa, então preferi deixar tudo na imaginação de vocês e apenas dei as informações necessárias para que suas mentem trabalhem, me desculpa se vcs ficarem decepcionados (e eu falo mais sobre isso nas notas finais pra não estragar a surpresa e tal)
Quartamente: obrigada Jess por betar esse capítulo na velocidade de luz, te amo s2

>> como já sabem, pode conter erros pq somos humanos, sejam gentis <<

Capítulo 8 - Oitavo Verso; sobre o passado, amor próprio e descobertas


Fanfic / Fanfiction Sonetos - Capítulo 8 - Oitavo Verso; sobre o passado, amor próprio e descobertas

Um coração partido me ensinou a ter amor próprio.

 

 

Já mencionei minha ex - e única - namorada aqui algumas vezes, mas tendo em vista os últimos acontecimentos na minha vida acho necessário contá-los como tudo aconteceu e porque Nancy foi de extrema importância na minha vida e não só porque ela foi minha primeira namorada, mas porque ela me ensinou a me colocar em primeiro lugar.

Conheci a garota de cabelos curtos e repicados num tom rosa, sorriso contido e gosto duvidoso para livros - digamos que eu tenho meus problemas com a saga Senhor dos Anéis -, quando estava na oitava série.

Nosso contato sempre se resumiu a cumprimentos formais até que Jisung resolveu jogar sete minutos no paraíso e fui obrigado a me enfiar com a garota num armário no meio da festa de aniversário do Jace, um garoto sem noção e sem amigos que sempre convidava meio mundo pra sua casa na esperança de que seu dinheiro pudesse impressionar os outros e com isso garantir algumas amizades, mas sua presença era apenas cobiçada por quem tinha algum tipo de interesse e isso não é, nem de longe, uma amizade. Mesmo assim, lá estava Jisung, Kate e eu, cada um com um motivo diferente para estar ali - Jisung queria beijar novas bocas, Kate queria impedir que Jisung beijasse qualquer boca e eu estava ali porque eu queria saber quais bocas Jisung tinha conseguido beijar -, sentados em círculo e jogando sete minutos no paraíso.

Já tinha dado meu primeiro beijo em Kate, então não era um ambiente inóspito, mas ainda me sentia desconfortável o suficiente para evitar esse tipo de contato e fui totalmente sincero com a garota quando entramos naquele guarda-roupa apertado.

Nancy entendeu, me deu apenas um beijo casto nos lábios e saímos de lá segundos depois.

 

E com isso eu me apeguei a ela.

 

Não por conta do beijo em si, mas porque ela me entendeu, percebe? Então passei a convidá-la para almoçar na mesa comigo e meus amigos. Engatamos uma amizade gostosa e aí veio o baile de final de ano e a convidei para ser meu par.

Começamos a namorar naquela noite.

Mas eu era um menino estranho, como já os contei nos primeiros capítulos. Eu não gostava de certos toques, não tinha vontade de beijá-la e quando acontecia eram apenas selos castos e realizados para satisfazer uma vontade dela de ter um contato íntimo comigo.

Até que ela cansou.

Não é como se eu não esperasse que um dia isso fosse acontecer. A gente assiste aos filmes, conhece casais próximos, então eu sabia que não era um bom namorado quando o assunto era intimidade e, sinceramente, não a culpo por procurar alguém que retribuísse seus carinhos e toques.

Eu a culpo por não ter me dito isso antes de transar com o cara que me batia no recreio.

Ela disse que queria conversar, eu fiquei de encontrá-la depois da aula, eu cheguei mais cedo em sua casa e lá estava o gostosão Simon, o meu pior pesadelo na escola. O cara que chamava Jisung de "bichinha", Kate de "asfalto" e eu de "cara suja". Que batia no meu melhor amigo e em mim e só nunca desferiu um golpe a Kate porque a gente se jogava na frente dela sempre que ele ameaçava, pois nós sabíamos que ele seria capaz de machucá-la.

E Nancy também sabia disso. Ela conhecia nosso histórico com aquele racista, homofóbico, babaca e todos os outros adjetivos ruins que posso pensar.

Eu já imaginava que ela iria terminar e passei vários dias sofrendo antecipadamente. Óbvio que me culpei, assumi a responsabilidade de não ter sido um bom namorado, mas fui além e me depreciei, me inferiorizei.

Joguei minha auto-estima no fundo do poço com uma âncora amarrada em seu pescoço e então encontrei Nancy transando com Simon.

E eu podia ter chorado, gritado, socado alguém, sei lá, mas dei meia volta, liguei para meus amigos, combinei de ir pro shopping comer sorvete e aquela seria a minha fossa. Porque se ela estava na cama com outro cara, definitivamente não era alguém que merecia a minha tristeza e lágrimas. Aliás, tudo que pudia sentir era pena, porque por mais que quisesse sentir raiva dela, no final das contas quem tinha transado com um ser humano horrível era ela.

Nancy perdeu muito mais do que eu naquele dia.

 

 

 

– ‘Tô puto e varado de fome! – Jisung praticamente derruba porta da minha casa – Acredita que o Minho vai passar o ano novo com a família no cu do mundo e só veio me avisar agora?

– E qual o problema? – Kate aparece logo atrás dele, fechando a porta e cumprimento meus pais, que sequer se importam mais com a chegada repentina dos dois – Faltam uns três meses pro final do ano.

– O problema é que eu queria passar o ano novo com ele, mas nosso romance é muito recente para eu me oferecer a passar o ano novo com a família dele. – Explica e eu o olho confuso.

– Romance?

– Sim, porque "traição é traição, romance é romance, amor é amor e um lance é um lance". A gente já passou da fase do lance, mas ainda não é amor, então é um romance.

– E eu me pergunto todos os dias como sou amiga de vocês. – Kate revira os olhos e eu a imito, fazendo meus pais rirem.

– Cadê o tatuado gostoso da casa? – Jisung pergunta e me remexo desconfortável na cadeira.

– Foi tomar banho. – minha mãe responde – Aliás, ele não estava com a cara muito boa hoje de manhã e eu posso jurar que vi um chupão no pescoço dele.

Jisung cuspiu o café que tomava e Kate quase caiu da cadeira.

Chupão?! – perguntam juntos.

– Felix, você precisa ser mais cuidadoso. – meu pai ri e sinto meu rosto pegar fogo e não é só pela vergonha.

– Não foi eu que fiz. – respondo – Ele se encontrou com o Hyunjin ontem.

– Como assim el– minha mãe começa o interrogatório, mas meu pai a interrompe e faz sinal para que ela não continue, o que eu realmente agradeço.

– Ok, vamos deixar os meninos sozinhos. – meus pais então deixam a cozinha. Jisung e Kate não me fazem nenhuma pergunta e, novamente, eu realmente agradeço.

Depois da noite anterior, eu não sonhei com desenhos ou olhos de gato, mas eu sonhei com Nancy. No sonho ela me abraçava e dizia que tudo iria ficar bem, que ela já tinha feito estrago o suficiente e que não ia deixar mais ninguém fazer o mesmo.

Estranho, não é? Antes sonhar com estrelas.

Me lembro de acordar rindo, porque aquele sonho foi totalmente surreal, mas de um jeito estranho eu me senti acolhido e compreendido. Eu já passei por isso antes, aliás, foi muito pior afinal Nancy e eu tínhamos um relacionamento enquanto Changbin e eu só trocamos uns beijos.

Mesmo assim o evitei durante toda a manhã.

 

Só que o destino parecia querer alguma reação minha ao que tinha acontecido e, enquanto meus amigos e eu ríamos do Jorge que pulava em poças de lama, mesmo a mamãe Pig dizendo que era errado, ouvimos a campainha, corri para atender a porta e me deparei com um garoto alto, cabelos pretos caídos no rosto maravilhoso e sorriso envergonhado.

Ele me pareceu familiar.

E agora estou tentando lembrar de onde conheço aquele rosto.

– Pois não?

– O Changbin está?

– Quem deseja?

– Me chamo Hyunjin.

Oh!

– Um minuto, vou chamá-lo. – Changbin está tomando banho para ir trabalhar e parte de mim não quer subir as escadas e chamá-lo, parte de mim quer evitar esse contato agora, principalmente à parte rancorosa, mas me forço a caminhar até o banheiro e bato na porta, ouvindo-o resmungar e dizer que já está saindo – Hyunjin está lá embaixo e quer falar com você. – falo alto o suficiente para que ele possa ouvir e escuto um barulho, como se ele tivesse caído lá dentro – Está tudo bem?

– E-está! – responde – Pede pra ele esperar que eu já vou descer... Hm... Ele disse por que está aqui?

– Não.

– ‘Tá, eu já estou descendo.

Foi só descer, avisar para Hyunjin que o Seo já o encontraria e chamar Jisung e Kate para dar uma volta para que eu finalmente me visse livre desse caos todo que me meti sem querer. Fico agradecido por ter meus amigos em minha vida e pelo fato de que eles não fizeram perguntas, apenas me seguiram até o shopping.

Assistimos “Os Vingadores” - spoiler: o Flash morre! rs -, comemos pipoca, passamos o dia inteiro no shopping e encontramos Bang Chan na fila do estacionamento. Ele tinha levado a irmã para assistir o mesmo filme e seus pais já tinham a buscado, então ele esperava o ônibus para voltar para seu apartamento. Engatamos uma conversa e quando me dei conta já estávamos Jisung, Kate, Chan e eu no apartamento pequeno do mais velho rindo de alguma coisa estúpida que meu melhor amigo tinha dito.

– Então, como foi se descobrir demissexual, Felix? – Bang pergunta e eu não sei como chegamos nesse assunto.

– Não sei. Na verdade não parei para pensar muito nisso, tive outras coisas em mente e sinceramente, só li alguns artigos, não me aprofundei no assunto, queria entender melhor...

– Bom, eu me descobri depois de terminar um relacionamento de cinco anos. – confessa e eu o olho assustado. Chan também é demissexual? – Foi meio louco, sabe? Eu namorava a Suzy há cinco anos, mas eu sempre fui um pouco estranho. A gente depende muito do nosso emocional entende? Se eu não estiver emocionalmente estável e ligado a pessoa não há o que me faça ter algum tipo de contato, nem mesmo segurar a mão, e eu achava isso muito estranho. Uma amiga, Karen, frequentava um grupo de debate na universidade dela e acabou me convidando para ir e assistir uma das palestras e eu precisava mesmo ocupar meu tempo, já que o término foi pesado, então eu fui e nossa! Minha mente quase explodiu de tanta informação. Acabei marcando uma consulta com um terapeuta amigo dos meus pais que estuda bastante sobre sexualidade e eu tive tanto medo de ir num terapeuta, mas também me ajudou bastante, porque o cara não é um completa idiota que acha que isso é coisa da nossa cabeça ou inventada, então eu volto lá toda semana. Eu também frequento ainda os debates, converso com pessoas, é ótimo para se descobrir e entender.

– Então... como é ser demi? – Jisung pergunta incerto, fazendo Chan rir.

– É normal. – dá de ombros – Só que a gente não consegue ter relações interpessoais como as outras pessoas, mas a demissexualidade não é igual pra todo mundo, percebe? Cada indivíduo tem a sua particularidade, mas a explicação mais resumida que a gente consegue encontrar sem confundir os outros é que precisamos de uma ligação emocional com a pessoa para podermos nos relacionar e essa conexão pode acontecer em um dia ou em anos, ou sequer acontecer. É bem louco, mas explicou todo o meu comportamento durante a adolescência e também como eu me relaciono com as pessoas hoje.

– Tá, mas você é... bi? – não que isso seja da minha conta, mas a pergunta simplesmente saiu.

– Hétero. – Chan responde – Pode ser que isso mude, não sei, mas nunca senti qualquer tipo de atração por homens.

– “Pode ser que isso mude”?! – Jisung ri – Adorei ele!

– Não vejo problemas em ficar com homens, se eu tiver vontade e rolar a ligação eu ficaria sem problemas, mas realmente nunca surgiu o desejo, à vontade, não sinto qualquer tipo de atração hoje, mas vai que isso muda um dia.

– E está solteiro, Chan? Sempre tive vontade de saber como é beijar um cara com piercing na boca, mas o Felix chegou na minha frente. – agora é minha vez de rir da cara de pau de Kate.

– Solteiro e totalmente disposto a te ajudar nessa experiência. – eu não acredito que esses dois estão flertando bem na frente da minha salada! Rio novamente e Jisung troca de lugar com a nossa Celie, a empurrando para o sofá onde Chan estava esparramado, se acomodando no chão comigo. Os dois riem, mas não trocam de lugar. – Mas como estão você e o Changbin, Felix?

 

Ah, o assunto que eu evitei o dia inteiro.

 

– Sabia que ele e o Hyunjin transaram? – pergunto e Chan suspira, cansado.

– Imaginei que isso fosse acontecer. Aqueles dois não tem jeito. – massageia as têmporas e volta a olhar para mim – Changbin era um garoto confuso quando conheceu o Jin, sabe? Eles acabaram descobrindo o mundo juntos e isso o causou certa dependência. Eles se completavam de uma forma surreal, mas o relacionamento era destrutivo demais. Viviam brigando e transando achando que sexo podia consertar alguma coisa, mas quase nunca falavam o que sentiam. Presenciei algumas brigas e elas eram sempre... Pesadas. Isso sem contar o fato de que Hyunjin nunca estava disposto a assumir a relação, mesmo que Changbin estivesse pronto pra enfrentar o mundo por ele. Cada um tem seu tempo, certo? Mesmo assim quando os pais do Binnie descobriram o relacionamento dos dois e o mandaram para aquele colégio interno, eu acompanhei do lado de fora o caos que Hyunjin se transformou. Ele fez tanta merda quanto o Binnie quando saiu e confesso que fiquei tão preocupado quanto. O problema é que os dois são orgulhosos demais e ninguém quis dar o braço a torcer.

– E acha que eles farão isso agora?

– Acho que o tempo deles já foi. – responde me parecendo sincero – Hyunjin sentia falta do Binnie e mandou aquela carta enquanto ele estava no colégio, mas ai o Binnie quando saiu não quis conversa nem qualquer tipo de contato e ele resolveu seguir em frente, sabe? Não o culpo por isso. Ele quis tentar ser uma pessoa melhor, porque é de conhecimento geral que Hyunjin foi um completo filho da puta com Changbin, e ai ele conheceu o Seungmin na faculdade de arquitetura e, olha, eu nunca vi o Jin tão apaixonado. Seungmin é um bom garoto, meio esquentado, mas é um bom garoto, e eu quero muito socar a cara do Hyunjin por tê-lo traído, ainda mais por que agora eu tenho medo de que os dois possam voltar a se destruir juntos. Hyunjin e Changbin são pessoas incríveis, mas funcionam melhor separados e espero que eles percebam isso antes que seja tarde demais.

Absorvo o que Chan diz lentamente.

– E eu achei que ele gostasse de você. – observa e eu sinto meu rosto pegar fogo.

– Você e a torcida do Real Madrid! – Jisung esbraveja e eu o empurro pra longe.

– Eu era só mais uma possível foda. – respondo – E essa bagunça toda não pode custar a minha sanidade.

– Não acho que você fosse mais uma transa, Lix – Kate suspira – Mas te entendo, só que... Não vale a pena nem tentar? – e Kate me faz pensar.

Vale à pena tentar algo que sequer começou? Me jogar de cabeça num furacão que pode me destruir completamente? Eu tenho forças pra isso? Eu estou disposto a passar por isso? Eu quero tentar?

E então a coisa toda dos sonetos fez sentido.

 

"Soneto veio do italiano sonetto, que significa pequena canção ou pequeno som. Ele parece uma redação, sabe? Possui a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, onde se explica seu significado."

 

Não os sonetos da Literatura, até porque isso eu jamais vou conseguir decifrar, mas a parte que eu entendia. O Changbin de hoje é o resultado do começo. De um péssimo começo, diga-se de passagem. E todas as suas ações eram apenas a conclusão de si mesmo e do que ele já passou.

Começo, meio e fim, cujo fim explica o seu significado.

E eu só preciso tentar entender.

– Ok, agora que fizemos o Felix pensar, que tal voltarmos para nossas casas? – Jisung se põem de pé e eu o acompanho. Já está na hora de enfrentar o furacão e as suas consequências.

– Kate, quer ficar pra fazer aquele experimento? – Chan pergunta e olha sugestivamente para Kate, que sorri maliciosa.

– É a sua chance de descobrir se tatuados tem pegada, Celie. – Jisung provoca e eu rio alto.

– Vocês! – ela aponta para nós dois – Evaporem!

– ‘Tá com pressa pra beijar na boca, né, safada? – Jisung continua a provocação e eu aceno para Chan que ri e retribui – Já estamos indo! Calma! Não precisa empurrar! Nossa, tudo isso é falta? Misericórdia! Ai! Não me bate, demônio! Felix, me ajuda!

 

 

Chego em casa e encontro tudo escuro. Meus pais não devem ter chegado do trabalho e me lembro que deveria ter ido para o meu. Meu deus, ainda vou ser demitido! Changbin não está no andar de baixo e não escuto nenhum barulho, então subo para meu quarto, pego roupas limpas e vou pro banheiro tomar banho.

Canto 2PM, lavo os cabelos, me imagino num show - onde eu sou o cantor principal e arraso muito! -, e por fim saio devidamente lavado, cheiroso, prontinho pra dormir e sonhar com as minhas estrelas, mas encontro um garoto tatuado, piercing na boca, cabelo preto jogado no rosto e algumas lágrimas nos olhos, sentado na minha cama.

– Porra, Changbin! Que susto! – levo as mãos ao peito – Ergue uma bandeira avisando que você chegou! Aliás, chegou faz muito tempo?

– Não. – responde – Mas ouvi sua cantoria no banheiro e resolvi te esperar aqui pra gente conversar.

Termino de secar meus cabelos com a toalha e a penduro na janela. Tento reunir todas as minhas forças para essa conversa e sento ao seu lado. Ele evita meu olhar e eu o cutuco levemente no braço, pedindo que ele iniciasse o assunto, afinal não tenho o que dizer nesse momento.

– Hyunjin contou ao namorado o que nós fizemos. – e eu não esperava que ele fosse começar assim a conversa – Ele veio me contar isso. Na real a gente conversou o dia quase todo, preciso falar com o Mark e pedir desculpas, mal comecei no trabalho e já estou faltando desse jeito. – passa as mãos pelos cabelos e eu o espero prosseguir – Enfim, nós falamos sobre nós dois. Foi muito intenso sabe, Felix? Tudo, ele e eu, foi muito intenso, e ficar perto dele é quase sufocante. Acabamos fazendo besteira e nossa... Eu não sabia o que fazer e nem ele. A gente mal se olhou quando acabou. Eu só vesti minhas roupas e sai. – não preciso saber dessas informações, mas deixo que ele desabafe – Vim pra cá correndo porque queria conversar com você, mas acabou que eu piorei as coisas... Me desculpa mesmo.

– Já te falei que não precisa se desculpar, Changbin. – e então ele se vira pra mim, finalmente – A gente não tem nada, não é como se você me devesse alguma coisa.

– A gente não ter nada não quer dizer que eu não queira ter. – responde e sou eu que o evita agora, olhando para minhas pernas cruzadas em cima do colchão. Sinto suas mãos em meu rosto e volto a encará-lo. – Eu sou uma bússola quebrada Felix, mas eu queria muito a sua ajuda para tentar remendá-la.

Nem posso acreditar que ele está pedindo ajuda.

– E o Hyunjin? – a pergunta sai como um fio quebradiço. Talvez um fio de esperança.

– Ele foi implorar o perdão do namorado e eu vim fazer o mesmo.

E eu senti cada célula do meu corpo reagir a essa resposta. Não precisou de muito para unir nossos lábios e sentir seu gosto novamente. O beijo se tornou intenso no momento que ele pediu passagem com a língua e eu concedi saudoso, ansiando por aquele contato.

Arrisquei mordiscar seu lábio e recebi um gemido de satisfação que aguçou alguns sentidos e, principalmente, me deixou ciente de que não havia ninguém em casa e a temperatura do quarto já tinha aumentado com um simples beijo.

E então eu me tornei parte do caos.

Um completo caos de beijos, mãos, sussurros e gemidos, enquanto ele explorava meu corpo com as devidas permissões. Quando me dei conta já estava embaixo dele, sem camisa e gemendo seu nome enquanto recebia seus lábios em meu pescoço. Não sei dizer se isso é bom porque é Changbin o fazendo ou só porque é bom. Muito bom. Arrisco dizer que é a primeira opção. Minhas mãos buscam a barra de sua camisa preta e então ele está em igual situação.

E peça por peça, gemido por gemido, nós fomos nos descobrindo.

Por um segundo me peguei pensando que talvez Changbin estivesse conduzindo aquela situação como fazia com Hyunjin, mas o pensamento foi pra casa do caralho quando ele decidiu que seria uma ótima ideia me masturbar - e realmente foi -.

Agradeço por meus pais não estarem em casa, porque nesse momento de descobertas, acabo de perceber que eu não sou escandaloso apenas rindo. Ou talvez Changbin que me deixe fora de controle das minhas cordas vocais.

E tudo que Jisung me ensinou? Não serviu de porra nenhuma, obrigado por nada ícone. No momento que percebi o que realmente iria acontecer, quando estávamos os dois duros, roçando as ereções e buscando por mais contato, eu entrei em pânico. Preparação? Desconheço. Saliva e lubrificante? Nunca nem vi. Pelo menos da camisinha nós lembramos.

– Não precisa ficar nervoso. – sorri e faz carinho em minha cintura – Eu não vou deixar que a sua primeira vez seja dolorosa, Felix. – quando vou perguntar como ele vai fazer isso, já que lubrificante e preparação não existem na minha cabeça nesse momento, ele coloca a camisinha em mim com um sorriso ladino.

– Binnie, o que você-

– Eu já estou acostumado, não se preocupa, apenas aproveita. – e sem mais avisos ele se posicionou em meu colo e sentou.

Caros amigos da Rede Globo, se eu tinha algum controle das minhas ações, ele foi para o espaço se juntar às minhas queridas estrelas. Demorou um tempo para que eu pudesse pegar o jeito e acompanhá-lo, mas quando encontramos nosso ritmo, por Deus!

Não sabia que podia sentir tanta coisa ao mesmo tempo.

Então o que já era uma confusão de gemidos e beijos e barulhos se tornou ainda pior. E aqui faço um singelo adendo: se eu achava que seria impossível me ver livre das tatuagens do meu primo antes, agora estou ciente de que minha vida nunca mais será a mesma. Changbin no meu colo, corpo suado e tatuagens expostas... Que imagem! Jamais esquecerei como aquele leão pareceu ainda mais sensual.

E o furacão cessou quando nós dois atingimos o ápice, ele antes de mim. Como estamos falando de descobertas, acabo de descobrir outra coisa ao meu respeito: me torno ainda mais grudento depois de transar.

Agarro sua cintura e o impeço de se mover até que nossas respirações estejam normalizadas. Apenas deixo que ele se mova para sair do meu colo e, depois que retiro a camisinha e a amarro, jogando num canto do quarto ciente de que teria que jogar fora antes que meus pais cheguem, o puxo novamente para meu colo, selando seus lábios.

– É assim que você implora meu perdão? – sussurro e ele sorri – Porque eu adorei, pode fazer merda mais vezes.

– Cala a boca. – cola sua testa na minha e fita-me com aqueles olhos de gato – Você curtiu sua primeira vez?

– Foi mil vezes melhor do que o Jisung me fez imaginar, com certeza. – rio alto e ele me acompanha – Mas, se antes já era difícil não me render a você, agora é completamente impossível Changbin. Com que direito você faz isso comigo? – a última frase é sussurrada e faço carinho em sua cintura, enquanto observo suas bochechas adquirirem um tom rosado.

Quem diria que Seo Changbin pudesse ruborizar!

– A gente precisa ver a sua tatuagem. – encabulado ele muda o assunto – Você não podia fazer esforço desse tipo por uma semana. E seus pais devem estar chegando. Ei! Me escuta! Felix, para, não faz cócegas! Felix!

 

Não quero falar sobre minha tatuagem, sobre meus pais, sobre Hyunjin ou qualquer outro assunto. Eu só quero beijar Seo Changbin até meus lábios ficarem cansados e com câimbra, porque Nancy me ensinou a ter amor próprio, mas também me ensinou a me entregar a quem merece e, por mais que Changbin cometa seus erros, não posso deixar de admirar sua capacidade de assumi-los e de me fazer sentir especial no meio do furacão que ele é.

Dessa vez eu devo voltar a sonhar com os desenhos, mas espero poder vê-los ao vivo e em cores quando acordar, além, é claro, do dono que os compõem perfeitamente.


Notas Finais


Então, eu não gosto de escrever lemon, pra mim nem ia ter sexo em Sonetos, mas eu comecei a ouvir Say You Love Me, bateu a vibe e quando eu vi eles já estavam se roçando na cama, mas outra coisa que eu detesto é fazer lemon sem motivo, mas pelo menos essa aqui não foi.

Avançamos nesse relacionamento, percebem? Não tenho a intenção de regredir esse changlix lindo a partir de agora e é isso.

AH, ESQUECI DE DIZER: CHANGBIN BOTTOM NA PRIMEIRA VEZ SIM PQ O FELIX TBM TEM PINTO, PORRA! EU HEIN!

Espero que tenham gostado, um beijo no coração, me segue no tt pra ter spoiler das fanfics asdiushdad @ carvalhodands e me mandem perguntas/carinho/plot no cc: https://curiouscat.me/carvalhodands (sério, eu imploro, ta mais deserto que a tag "woolix" ]:)

E pra quem não me segue por aqui, só queria deixar registrado que postei duas OS changlixs:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/amortentia-e-chocolate-13601959
https://www.spiritfanfiction.com/historia/din-din-din-13611899


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